Textos na Categoria 'Espiritualidade'

Vida Significa Aproximar-se Do Amor

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot” : “Os ímpios, em suas vidas, são chamados de “mortos”. “Isto é porque a morte é melhor do que a vida, como a dor e o sofrimento que suportam para o seu sustento são muitas vezes maior do que o pouco prazer que sentem nesta vida.

Se nós não avançamos no sentido de alcançar a fonte da vida, a vida se transforma numa fuga do sofrimento. Todos os nossos pensamentos são apenas sobre como evitar o mal e o aborrecimento. Portanto, nós não imaginamos o bem como satisfação, já que não podemos nos satisfazer, mas simplesmente tentamos encontrar alguma paz entre os momentos ruins.

Como resultado, todos os prazeres que sentimos não duram mais do que um curto espaço de tempo, e por isso somos chamados de “mortos”, mesmo estando vivos, uma vez que não recebemos satisfação da fonte real da vida da qual toda a realidade e toda a criação se sustentam.

Claro, todo mundo tem suas próprias contas, e se a pessoa vê quanta dor e sofrimento ela sente, o quanto ela sofreu e que esforços fez em comparação com os poucos momentos de prazer que lhe deixou feliz e lhe trouxe alegria, então ela descobre que não valia a pena viver. Toda essa vida só pode ser justificada como uma preparação para a ascensão espiritual. Mas se ela examina a vida como é, percebe que não há qualquer nexo nela.

Agora, quando somos recompensados com Torá e Mitzvot (mandamentos), somos recompensados com a vida real feliz e alegre, ao mantê-los, como se diz: “Prove e veja que o Criador é bom”. Isto é o que aqueles que a alcançaram sentem. Então, nós podemos escolher entre o bem e o mal. Depois que recebemos a Torá, o caminho, os princípios espirituais, nós começamos a trabalhar com as duas linhas.

Isto é o que os escritos dizem com: “e você deve escolher a vida para que você e seus descendentes vivam”. Na verdade, é uma repetição: “e você deve escolher a vida, de modo que você viva”. Mas isso se refere a viver cumprindo a Torá e Mitzvot. Então, a pessoa realmente vive. “Mas a vida sem a Torá e Mitzvot é mais difícil do que a morte”.

Esta é a forma como a pessoa percebe a diferença entre a vida e a morte: a vida significa avanço espiritual, e a morte significa falta de avanço. A pessoa gradualmente entende que o avanço significa se aproximar do amor, da doação, da auto-anulação, subir acima do ego. Só isso é chamado de “vida”, sem qualquer consideração ao que sentimos em nossos desejos egoístas.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/12/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

Se Estamos Numa “Matrix”, Como Podemos Contactar Seu Criador?

Dr. Michael LaitmanNas Notícias (do news.com.au): “Os cientistas da Universidade de Washington estão conduzindo experimentos para descobrir se o universo existe dentro de uma simulação de computador no estilo Matrix criada por supercomputadores do futuro.

“O experimento pode provar que somos apenas peões em algum tipo de jogo de computador maior.

“Portanto, quem criou estes supercomputadores que podem, hipoteticamente, fortalecer a nossa existência?

“O professor Martin Savage, um dos físicos que trabalham no projeto, diz que isso é incerto.

“‘Imagine a situação onde temos um computador grande o suficiente para simular o nosso universo, e começamos como uma simulação em nossos computadores. Se essa simulação é executada por muito tempo, e tem as mesmas leis que o nosso universo, algo como o nosso universo vai surgir dentro dessas simulações, e a situação vai se repetir dentro de cada simulação’, disse ele. …

“Professor Martin Savage, one of the physicists working on the project says it’s unclear.

“Em resumo, os físicos estarão olhando para a distribuição dos raios cósmicos de mais alta energia, a fim de tentar detectar padrões que possam sugerir que o universo é a criação de alguma tecnologia de computador futurista.

“Acontece que se formos coadjuvantes em algum tipo de programa de computador, o físico sugere que pode haver uma maneira de mexer com o programa, e brincar com as mentes de nossos criadores – tudo em nome da ciência, você entende”.

Meu Comentário: A Cabalá revela o programa da criação do nosso mundo; nós temos que dominá-lo e mudar a nós mesmos de acordo com ele, para revelar o criador do programa: para compreender a sua intenção, os motivos e objetivos. Então, após a correção, ou seja, do domínio completo das propriedades do criador do programa, se desenvolver fora da “matriz” – no mundo do infinito, isto é, em possibilidades ilimitadas.

O Sopro Do Próximo Nível

Dr. Michael LaitmanPor que o nosso mundo é especial? Por um lado, é o último e o pior de todos os mundos. Por outro lado, é necessário uma vez que aqui estamos num estado totalmente inerte, o que significa sem fôlego, e podemos começar a avançar à medida que “brincamos” um com o outro, com os corpos e não com as forças, que ainda sabemos manejar.

É por isso que o nosso mundo é chamado de “mundo imaginário”. Ele na verdade não existe, mas só é sentido assim em nossos desejos egoístas. No momento em que subimos acima dele, começamos a sentir que ele é uma réplica absoluta oposta ao nível superior, e que simplesmente perde o seu significado para nós. Isto é o que temos que alcançar.

Primeiro temos que interiorizar o fato de que a alma é o vaso geral, a única coisa que foi criada e que está constantemente em contato e em adesão com a Luz. Nós estamos nesse estado, nesse vaso, nesse desejo. Imagine que ele tem camadas: nós estamos na camada mais “grossa”, mais escura, e acima de nós existem 125 camadas até o estado verdadeiro. Nós temos que passar por essas 125 camadas gradualmente, rejeitando nosso ego, que está dentro de nós, na conexão gradual e constante entre nós.

Será que as plantas, os animais e a natureza inanimada têm uma alma? Cada pequeno desejo que existe na natureza já faz parte da alma geral, mas sem livre arbítrio. Ele depende totalmente de nós, daqueles que realizam a correção da alma.

Há diferentes níveis na alma. Há pessoas que estão no nível humano, que começaram sua correção gerações antes de nós, que alcançaram onde realmente estão, e viram que tudo é uma alma, uma Luz. Há pessoas que realizaram esta missão, e há pessoas como nós, que estão alcançando esse nível agora.

Mas nós somos especiais. O desenvolvimento do mundo é o desenvolvimento do mesmo ego no nível mais inferior. Ao longo das gerações ele se desenvolveu egoisticamente e, no final, atingiu uma forma “redonda”, o seu tamanho máximo, e, ao mesmo tempo, é global e integral (∫) na sua qualidade.

Agora, esse ego também é o estado em que nos encontramos. Ele não pode crescer mais e tornou-se global e fechado. Portanto, nós não entendemos o que está acontecendo conosco. Sendo egoístas e individualistas, não podemos entender este estado “redondo”.

Nós sempre crescíamos e aspirávamos avançar. Cada um de nós foi impulsionado por uma força egoísta e tentávamos realizá-la. Nós nos sentíamos bem. Mesmo 50-60 anos atrás, costumávamos louvar a sociedade consumista, o benefício da competição, e chamávamos isso de “democracia geral”.

Agora, o mesmo ego, que atingiu enormes dimensões no último nível de sua existência, “explodiu”. Ele não funciona como antes e nós estamos presos. A única saída é se entendêssemos como age o sistema integral da alma geral.

O que a humanidade sente hoje no sistema geral que está se tornando evidente? Ela realmente sente o primeiro nível da alma geral, que ainda não foi revelado e que deve nos iluminar aqui, o nível no qual temos que reconhecer o fato de que estamos conectados.

No todo, há 125 níveis nesta ascensão e agora o primeiro nível parece iluminar sobre nós à distância. Esta é a razão de sentirmos que o mundo é global e integral e não podermos fazer nada sobre isso.

Nós estudamos sobre isso na sabedoria da Cabalá: quando dois Partzufim são feitos de dez Sefirot, de Keter (K) a Malchut (M), e estão um sob o outro, esta iluminação flui de um para o outro. Quando um Partzuf “se veste” no outro que está ao seu lado, ele ilumina através dele.

Por um lado, nós recebemos dados reais sobre o nosso mundo que hoje está numa crise e não pode fazer nada sobre isso. Afinal, é um nível superior que ilumina sobre nós, o primeiro nível da minha alma, ou seja, do vaso geral.

Por outro lado, de repente nos encontramos amarrados um ao outro, conectados por todo o mundo: o que as pessoas pensam num lugar, outras pessoas também sabem num segundo e terceiro lugar e assim por diante. Nós estamos mutuamente interdependentes. De repente descobrimos que não conseguimos nos livrar de qualquer parte da cadeia, quer queiramos ou não. No seu conjunto, esta rede mútua é expressa nos estados dispostos um em cima do outro ou um abaixo do outro.

De qualquer forma, é um estado especial: agora nós estamos experimentando a fase de solução da alma geral.

Da Convenção em Novosibirsk 07/12/12, Lição 2

A Guerra Dos Macabeus Contemporâneos Com O Egoísmo Global

Agora, depois de 2000 anos de exílio, voltamos para a Torre de Babel, que, entretanto, cresceu ainda mais. Nós voltamos para a grande dor do ego, a enorme torre do egoísmo humano que temos erguido e nos encontramos num beco sem saída sem saber o que devemos fazer com nossas vidas.

Tudo o que temos construído sobre a base do egoísmo não nos traz nenhuma solução:  Nós ficamos com nada, tudo que nós construímos no mundo está em ruínas e é dominado pela crise.

Hoje, devemos nos referir à mesma solução que foi encontrada em tempos antigos, nos dias de Abraão – a unidade. No entanto, não só no grupo, que era então chamado “povo de Israel”, deveria  se unir, mas sim o mundo inteiro teria que, finalmente, conectar-se para sempre.

Como exemplo, vamos usar a Revolta dos Macabeus à qual o feriado de Hanukkah foi dedicado. [Leia mais →]

Um Olhar Sobre A Vida Através Dos Olhos Do Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Após o Congresso em Novosibirsk, sentimos uma responsabilidade muito forte. É como se um novo sistema de relações entre nós tivesse nascido, quando toda a nossa vida deve estar no cuidado mútuo de uns pelos outros. Como começamos nosso trabalho de novo, partindo do zero; como dar o primeiro passo para esta nova plataforma?

Resposta: Na verdade, uma nova sensação nasceu. Mas a conexão em si não é nova; ela já existe e só se revelou a nós mais e mais. Vejo que vocês sentiram a nova etapa e descobriram uma nova experiência. Do mesmo modo, sua mente, que funciona em sintonia com os sentimentos, foi renovada. Agora a questão é como vamos admitir isto como um fato que nos une para nos conectar ainda mais — todos nós juntos e eu com vocês também. Esta foi uma mudança qualitativa: eu estou muito mais envolvido no grupo, já que vocês chegaram a um estado mais avançado. E nosso avanço está em que cada um de nós deve agora manter a união que alcançamos.

Nós deveríamos ao menos tentar manter o mesmo sentimento que surgiu durante a nossa união no congresso. Apesar do fato de que estados totalmente opostos chegarão: sentimentos e cálculos totalmente opostos vão invadir tudo. Eles nem mesmo vão contradizer a união antiga, mas apenas distrair e influenciar vocês para fora, para o lado, forçando-os a se esforçar pelos valores dos filisteus que vocês costumavam ter no passado. É aí que vocês devem tentar ver sua condição com os olhos do Criador. Isso significa olhar para ela, não só de “baixo para cima”, mas também de “cima para baixo”. Em outras palavras, vocês devem se ver como uma criança que está imaginando ser um adulto.

Ela não olha apenas para cima, para os adultos, a partir do seu lugar, mas imagina ser grande e o que ela faria, como organizaria sua vida por si mesma. Ou seja, devemos visualizar como nós aplicaríamos um estado espiritual “adulto” na nossa vida se já estivéssemos nele.

Ser adulto significa ser como o Criador. Eu preciso imaginar que estou ao lado do Criador e meu vaso espiritual cria uma conexão completa de todos os desejos, graças à nossa autoanulação e à mútua inclusão de todos em todos infinitamente, para que cada um de nós sinta todo o desejo comum e o Criador seja revelado nele. Isso não pode ser descrito com palavras, porque todas as nossas palavras derivam do mundo quebrado e não da unidade.

Com esses olhos nós devemos considerar a vida, os amigos, o professor, e todo o seu trabalho, e considerá-los de acordo. Na vida normal, “fora das paredes do templo”, agimos como todos os outros, não nos separando deles. Mas dentro de seu grupo, vocês devem ver o estado corrigido. Todo mundo deve ver o grupo e a sua vida desta forma. Então, a pessoa pode se encaixar nesta imagem corrigida. Da mesma forma, como durante o estudo, assim com o professor e o grupo, a pessoa pode atuar em sintonia com o estado superior que está sendo vislumbrado. Afinal, quem é o Criador? É o estado superior. E isso é tudo o que precisamos.

Mais importante ainda, permaneçam no “Não há outro além Dele, o bom que faz o bem” a cada momento. Eu antevejo o Criador, que reside dentro de mim, como tal, e o que Ele exige de mim neste caso. O que seria exigido de mim se eu estivesse em tal estado? Como eu veria tudo se eu fosse exatamente aquele, além de quem não existe ninguém mais, alguém bom que faz o bem?

Eu preciso ver que todas as minhas ações provêm do Criador e a minha atitude para com os amigos e para com o mundo — e tudo isso é bom e só para o benefício deles. No final, todos vão se sentir assim, e nós estamos gradualmente começando a sentir isso. Isto é descrito como “de centavo em centavo constrói-se uma grande soma”. Nós realizamos esforços que se acumulam e no final resultam num salto: a pessoa passa os níveis 0, 1, 2, 3, 4 e finalmente dá um salto. Em seguida, novamente os estágios 0, 1, 2, 3, 4 e um novo salto. É assim que finalmente alcançamos nosso primeiro estado espiritual.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/12/12, “Perguntas e Respostas Sobre a Convenção em Novosibirsk”

Não Há Mudanças Para O Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se em relação ao Criador, nós já estamos no terceiro e já corrigido estado, o que significa que temos que dar prazer ao Criador?

Resposta: Nós nunca saímos do terceiro e dos primeiros estados; relação ao Criador, não há mudanças. Tudo o que foi criado por Ele foi criado de uma só vez e de imediato, e não há nem mesmo a questão de tempo. Nós vamos começar a sentir isso em breve.

O ARI escreveu em seu poema: Eis que antes das emanações serem emanadas e as criaturas criadas, a Luz superior simples preenchia toda a existência. O que significa antes e depois? Baal HaSulam explica isso em seus escritos.

O estado do tempo é uma relação causal. Mas nós também não entendemos isso. Causa e efeito são sempre relacionados ao tempo para nós.

A imagem que nós alcançamos na espiritualidade está além de nossas limitações de tempo, espaço e movimento. Nós só as sentimos no nosso nível terreno mais inferior. Uma vez que começarmos a sentir o mundo superior, veremos que não há tempo, morte, nascimento, nada! Há somente uma constante ascensão na propriedade de doação.

Vendo O Mundo Como Ele É

Dr. Michael LaitmanA sabedoria da Cabalá é uma sabedoria especial que realmente explica tudo. No entanto, é preciso alcançá-la. Ela não é percebida através da mente e dos desejos com os quais nascemos, não através de nossa natureza.

Nós nascemos no nível “animal” e temos que desenvolver as propriedades do próximo nível em nós, o nível “humano” (Adam), que significa ser semelhante (Domeh – assemelhar-se, em hebraico) a força superior.

Em nossa realidade corporal nós também recebemos diferentes sinais do mundo a nossa volta conforme a nossa equivalência a ele. Eu percebo o mundo a minha volta de acordo com a minha sensibilidade à gama de frequências e a sensibilidade de meus sentidos da visão, audição e outros sentidos. Além disso, existem muitas outras frequências, de diferentes fontes, que eu não percebo. Eu percebo o mundo apenas nas frequências às quais os meus sentidos estão sintonizados ou através dos instrumentos que posso criar, a fim de ampliar o leque dessas frequências, e não mais do que isso. Nós não criamos algo que não temos, nós só ampliar o que temos.

Por outro lado, a fim de revelar a força superior, é preciso criar uma sensação completamente nova adicional dentro de nós. É nova qualitativamente. Visto que todos os nossos sentidos estão presos à recepção, na intenção egoísta para si mesmo, nós percebemos o mundo à nossa volta só em relação ao que nos interessa: qual o bem que podemos receber disso e que coisas ruins podemos evitar.

Inicialmente, eu percebo o mundo através do filtro dos meus cinco sentidos, nas frequências que estou sintonizado. Além disso, há o meu ego, que filtra todas as coisas de acordo com um princípio, “Será que vai ser bom ou ruim para mim?”. Se não houver resposta no nosso enorme desejo por algo, na estimativa do benefício ou dano potencial, então eu não percebo e não o vejo. Nós só percebemos o que o nosso desejo quer, ou seja, o que é positivo ou negativo para ele, ou o que pode me prejudicar ou me dar alegria; então eu o vejo.

Com essa abordagem, mesmo se expandirmos nossos sentidos através da criação de diferentes instrumentos, como telescópios, microscópios, etc., nada vai ajudar, pois o nosso ego, que está por trás deles, ainda vai classificar tudo de acordo com esta escala.

Há uma série de pesquisas sobre o assunto feitas por psicólogos e físicos. Na física moderna, há o conceito de “observador”. Primeiramente, a física de Newton afirmava que o universo é como o vemos. A imagem que era retratada era bem simples, embora Newton tenha estudado a sabedoria da Cabalá e também hebraico, a fim de ler as fontes na versão original.

Depois vieram Albert Einstein e Hugh Everett, que chegaram a um enunciado diferente do conceito: O mundo que nos rodeia é como nós o percebemos; na verdade, ele é totalmente diferente, mas à medida que nós o percebemos, nós o mudamos, quebramos através de nossos atributos. Ao observar os eventos físicos, nós os distorcemos apenas vendo-os, e como resultado eles não serão como eram sem nós.

Portanto, não basta que nós percebamos tudo através do filtro do nosso ego, mas mesmo quando apenas olhamos para alguma coisa, por nossa participação, nós interferimos na imagem do mundo. Olhe para uma estrela e ela já é diferente apenas devido ao seu olhar para ela, é o que dizem os físicos.

Hoje, nós chegamos ao entendimento de que há uma percepção diferente do mundo, não a percepção formal, que é baseada em atributos nossos animais. A sabedoria da Cabalá coloca isso de fora simples. Ela diz: em vez de seu sentido comum, em vez do ego em que você recebe apenas para o seu próprio benefício, estabeleça um sentido diferente, torne-o totalmente diferente, faça-o a fim doer. Se você abrir o atributo desse novo sentido de modo que ele seja focado fora de si mesmo, você irá determinar como o mundo realmente parece. Você vai ver que ele é totalmente diferente, vai ver que é real. Além disso, você irá mudar a si mesmo. O novo sentido que aparece em você é chamado de “alma”.

Na verdade, não importa como você o chama. De uma forma ou de outra, com este novo sentimento, você vai ver como é todo o mundo externo que “não foi tocado”: as forças, conexões, e seus objetivos. Você estará tão adaptado a ele e tão ligado a ele que tudo que está em seu ego, o seu estado animal, o seu corpo animal, simplesmente “morre”. Isso significa que você não vai senti-lo: esta é a forma como o atual sentimento microscópico da vida vai lhe parecer em relação ao que você vai sentir quando você descobrir o mundo fora de si mesmo e existir nele.

É para isso que a sabedoria da Cabalá leva a pessoa.

Da Convenção em Novosibirsk 07/12/12, Lição 1

Educação Pela Luz

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você disse que a alma é altruísmo, isto é, a propriedade que está disponível para poucas pessoas. Quando estamos envolvidos na correção e elevamos o mundo conosco, será que compartilhamos com o mundo a alma que ganhamos ou será que aumentamos a alma do mundo com a Luz da correção que vem até nós?

Resposta: Nós não criamos nada novo. Nós temos desejos egoístas animais muito pequenos, e a Luz com a qual podemos manipular se nos tornarmos como ela. Nós atraímos a influência da Luz sobre nós mesmos, e a Luz causa desejos ainda mais egoístas em nossos desejos egoístas, que, cada vez, estamos corrigindo.

Vamos supor que o desejo de receber seja pequeno, como um ponto, com uma capacidade mínima igual a um. A Luz, a propriedade de doação, existe nele.

A Luz entra neste desejo: a propriedade de doação bombeia este ponto com o seu desejo de doar, com carinho, amor, compaixão e ternura. Este ponto incha e um enorme desejo surge nele. Em seguida o poder de Malchut é igual a, digamos, um milhar. Por que ele obteve esse enorme poder de desejo de receber? Porque a Luz o encheu dessa forma.

Digamos que exista Aviut (a espessura do desejo) na Luz. O que significa isso? Eu ofereci um bolo a você, dei-lhe um doce, entreguei-lhe um travesseiro, e sugeri algo quente para você. Eu bombeei minha atitude em você, de modo que você começa a desejar tudo isso. Minha boa atitude em relação a você se transforma num desejo, e se você não receber isso de mim, você começa a sofrer. Assim, eu cultivo o desejo em você. Isto é o que a Luz faz conosco, semelhante ao que fazemos com uma criança mimada. Assim, ela nos constrói durante a descida de cima para baixo.

Em seguida, durante a subida de baixo para cima, ela faz o contrário, mas quase a mesma coisa. Ela afeta o nosso egoísmo, irrita-o, como se o esmagasse. Sob a influência da Luz, o ego incha e se torna cada vez maior. Assim, nós crescemos.

Os componentes egoístas e altruístas crescem em paralelo, e em cada estado, em cada mundo, eles são opostos e têm que se complementar até chegar ao nível do infinito.

A Luz faz tudo; ela desenvolve desejos cada vez mais negativos em nós. Quando você começa a estudar, você tem pequenos desejos. Amanhã, você começa a odiar os outros, e depois outra coisa, etc. E assim é com o Criador: hoje você tem medo de dizer qualquer coisa contra Ele, amanhã você vai odiá-Lo, e depois de amanhã você vai gritar com Ele. O tempo virá; você vai crescer e vai descobrir que isso é assim.

Da Convenção em Novosibirsk 07/12/12, Lição 2

Espiritualidade E Cordialidade

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é a diferença entre espiritualidade e cordialidade? Existem algumas pessoas que são muito calorosas e agradáveis e existem pessoas espiritualizadas que podem ser muito desagradáveis. Qual é a diferença entre elas?

Resposta: Nós chamamos de pessoas cordiais “almas boas” no dia a dia, pessoas agradáveis, que estão prontas para dar apoio rápido aos outros. Essa pessoa lhe entende, é simpática e tem compaixão, sensação de empatia, lhe ajuda, etc.

Uma pessoa espiritualizada é alguém que está trabalhando duro em si mesma, “quebrando seus dentes”, lutando contra si mesma sob grande tensão, desenvolvendo algo que é totalmente diferente de uma pessoa em nosso mundo: a doação, que não existe em nosso mundo. Esse atributo se desenvolve através de enormes esforços, grande intenção, imensa concentração de esforço, atenção, trabalho constante e um autocontrole muito forte.

Quando a pessoa chega a este estado, ela tem uma atitude especial para com os outros que não necessariamente nos parecem gentis, calorosos, amorosos ou agradáveis, porque ela pensa em como nos transformar em pessoas espiritualizadas, ou seja, pessoas que têm uma alma. Isso envolve sérios esforços da pessoa contra si mesma, sob uma pressão, com um trabalho duro. Assim, as pessoas não são necessariamente agradáveis ou simpáticas. Sua missão as obriga a se relacionar conosco, os pequenos fracos, de forma proprosital e orientada à meta.

Eu mesmo experimentei isso. O meu professor, o Rabash, olhava para mim como para uma argila da qual tinha que esculpir, e avaliava o quanto esta argila se lamentaria, mas deixaria ser moldada. É assim que eu me sentia. Por um lado, é um grande amor, uma participação interior e compreensão, mas, na verdade, as expressões externas ainda são muito especiais. A pessoa que realmente consegue valorizá-las é uma pessoa que entende a meta a sua frente, os atributos do aluno e o trabalho do professor.

Da Convenção em Novosibirsk 07/12/12, Lição 2

As Faces Do Faraó

Dr. Michael LaitmanOs vasos de doação, que uma vez foram separados, caíram nos vasos de recepção, e agora são encontrados lá, sob seu controle. Este estado é chamado de “exílio” e se expressa no fato de que o desejo de receber está utilizando a qualidade de doação com a intenção de doar na intenção de receber.

Isto é, o “exílio” é um conceito espiritual que não é simples. Eu o alcanço verdadeiramente quando sei que doo ao Criador a fim de receber prazer Dele. Eu sou todo Klipa, e isso quer dizer que estou no exílio, num nível espiritual muito alto de uma conexão contaminada com o Criador. Existem apenas duas forças: de recepção e de doação. E eu, a força de recepção, recebi a força de doar, a retenho e a utilizo para o meu próprio prazer.

Hoje, no entanto, eu não sinto que estou no exílio; ao contrário, eu me identifico com o desejo de receber. Se eu me identificasse com o desejo de doar, eu teria dito que estou no exílio, sob o controle do Faraó, ou seja, do ego. Cada vez que eu quisesse doar, eu teria subitamente sentido que atuo em prol de receber.

Nós podemos dividir o exílio do Egito em fases, de acordo com o sentimento do exílio. Baal HaSulam escreve sobre isso em sua Carta 14: E a questão é que a medida que o povo de Israel pensava que o Egito o escravizou e o perturbou no seu trabalho para o Criador, na mesma medida ele realmente estava no exílio egípcio. Tudo depende do “usuário”, aquele que recebe e sente. Por exemplo, quando Moisés matou o Egípcio, os Judeus o denunciaram. Eles não sentiam que estavam no exílio, mas ao contrário, era Moisés e não o Faraó que tornava suas vidas difíceis.

Portanto, quando aconteceu a quebra, os vasos de doação, ou as almas de Israel que são chamadas de Yasher Kel (ou seja, a intenção de doar), caíram nos vasos de recepção, na intenção de receber. Mas isso em si não quer dizer nada. Nós precisamos de esclarecimento, com o qual seremos capazes de nos identificar tanto com os vasos de recepção quanto com os vasos de doação. Se no Egito eu me identifico com os vasos de recepção, eu estou florescendo, como o Faraó que está construindo belas cidades (Pitom e Ramsés) para si.

Por outro lado, para aquele que quer chegar à doação, essas são cidades pobres, perigosas: “Talvez não sejamos capazes de sair do controle do ego, do controle do Faraó!”.

Portanto, nós devemos entender onde estamos. A pessoa que tem um ponto no coração, que já anseia pela sabedoria da Cabalá, a revelação do Criador, precisa sempre verificar a si mesma: “O que em mim prevalece agora, o desejo de receber ou o desejo de doar? Se for o desejo de receber, então eu sou um trabalhador do Faraó; se for o desejo de doar, então eu sou ‘Israel no exílio’”.

Este é o primeiro discernimento. Depois disso, se a pessoa o desenvolve,  ela   finalmente sai o exílio. Como o Rabash escreve no Shlavey Sulam (Os Degraus da Escada) (1985/1986), Arrtigo 6: Verifica-se, que o exílio é o estado do Kli, e a redenção é a Luz e doação. É exatamente de dentro dos problemas, quando sentimos que estamos sob este controle, que o novo vaso começa a se formar, com o qual a pessoa sai do exílio. Não há vasos prontos; “vasos” são novos discernimentos que geramos a partir do trabalho no Egito, no exílio, as quatro fases, que no final criam um desejo completo que sente que isto se tornou a redenção para nós.

Na verdade o que é a fuga do Egito? De quem você está fugindo? Do desejo de receber? Não, ele permanece do mesmo modo que o desejo de doar permanece. Então, por que Faraó se inverte?

Na primeira fase, o grupo de Abraão saiu da Babilônia, ou seja, do desejo de tirar vantagem do Criador para seu próprio bem. Em outras palavras, os vasos de doação fizeram uma “restrição” em seu desejo de receber, que na época não podia ser corrigido, e eles se separaram dele. Mais tarde, esse desejo cresceu – apareceu Isaac, que representa a “linha esquerda”, e ele se separou de Esaú. Cada vez o desejo de receber é acrescentado a nós, e nós fazemos esclarecimentos e nos desconectamos dele, deixando-o para o futuro, até que sejamos capazes de trabalhar com ele.

Nós só adicionamos a nós mesmos, à intenção de doar, os vasos que somos capazes de corrigir.

Portanto, o “Faraó” é um desejo de receber muito grande que veio depois que o povo de Israel se preparou para o novo estágio. Primeiro eles completaram o próximo nível no desejo de receber chamado “Jacó”. Então, a necessidade de continuar a crescer foi criada, que é chamada de “fome na terra”, e eles desceram para o Egito.

No início, o Faraó era bom e a vida do povo de Israel no novo lugar era boa. Eles sentiram que o acréscimo do desejo de receber não atrapalhava o desejo de doar. Assim, num primeiro momento, eles conseguiram viver no Egito: eles controlavam seu desejo de receber. Portanto, este não era o exílio, mas “sete anos de saciedade”.

Mais tarde, quando os filhos de Israel se conectaram ao novo vaso, este se transformou em “sete anos de fome”. O desejo de receber continua a crescer, e em algum momento, eu não sou capaz de fazer nada com ele. Lentamente ele “me engole” e me coloca no desejo de doar a fim de receber. O Faraó toma cada vez mais dos filhos de Israel, e eles são impotentes contra o seu controle. Este desejo simplesmente os engole, como um crocodilo, e nada é deixado de doação, e o Faraó cresce. Finalmente, da escuridão total, o ponto no coração desperta em nós: Moisés que nos tirará do Egito.

Este é o caminho do desejo de receber, e estes são os discernimentos típicos por ele. A história toda é desenvolvida dentro do desejo. Depois de sair da escravidão no Egito, chegamos ao “Monte Sinai”, a montanha do ódio (Sina). Este é o mesmo Faraó, só que de uma forma diferente. Mais tarde, repetidamente, somos confrontados com o egoísmo crescente. Cada vez de uma forma diferente, e isso nos permite continuar a fazer as correções.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/11/12, “Exílio e Redenção”