Textos na Categoria 'Espiritualidade'

Passando Para O Lado Da Doação

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é o desespero espiritual?

Resposta: A espiritualidade é doação. Não há nenhum atributo como esse em nosso mundo. Meu trabalho é localizá-lo a partir do estado oposto, ou seja, compreender o quão longe eu estou desse atributo e, ao mesmo tempo, sentir o quanto preciso dele. Se eu alcançar essa compreensão, um forte desejo de penetrar este atributo será estabelecido em mim, e esse desejo vai se transformar em minha oração, meu pedido, minha demanda.

Se eu realmente quero alcançar a espiritualidade, a força vem de Cima e revela este atributo dentro de mim. Então eu começo a sentir a outra parte da realidade que estava oculta de mim até agora e agora está sendo revelada. Agora nós estamos vivendo em apenas um atributo (recepção), e por isso as nossas vidas são tão miseráveis e curtas, feitas apenas de perdas, que não levam a nada de bom. Mas quando eu entro no atributo de doação, anulando-me e superando a barreira psicológica, pronto para desistir de tudo, eu passo para o outro lado da barreira psicológica interna (Machsom), e entro no espaço espiritual que é a doação total.

É como uma pessoa que para de respirar, e depois de realmente ter feito isso, sente que pode viver sem ar. Assim, um novo espaço é revelado a ela, um novo mundo. É apenas um exemplo, uma vez que isso não pode ser transferido de forma mais precisa, visto que não há nenhum atributo semelhante no mundo.

Nós sentimos desespero, pois não eu não posso atingir este atributo por mim mesmo. Através do grupo e do estudo, eu finalmente chegou à decisão de que não posso fazer isso, mas não tenho escolha, eu devo tê-lo. Então eu recebo essa oportunidade.

Da Convenção em Arava 18/01/13, Lição 5

O Verdadeiro Lugar Para Uma Pessoa

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significa o termo “lugar” de acordo com a sabedoria da Cabalá, tanto por parte da Luz como por parte do desejo?

Resposta: O Criador criou o desejo de receber em sua forma bruta inicial. Em seguida, a Luz começou a trabalhar dentro do desejo de receber. Ela gerou o desejo de receber e depois começou a aparecer cada vez mais nele. Então, o desejo de receber começou a mudar em qualidade, passou por cinco fases de desenvolvimento e começou a assumir diferentes formas, enriquecidas com diferentes atributos e facetas.

Assim, ele chegou a um estado chamado de “lugar”. Isso significa que ele é diferente daquilo que o preenche. O preenchimento não é o primeiro e nem a Luz, mas o “lugar” que ela entra.

Eles deveriam ter se separado, pois é dito: A menos que a Luz se separe do vaso uma vez, é impossível determinar algo. Mas, quando ela se separa uma vez, eles já são duas coisas distintas, e agora é possível identificar a “Luz” e o “vaso” separadamente e também estudar a conexão entre eles. É assim que o “lugar” é criado, mas não é o suficiente; é possível derramar um pouco de bebida num jarro, por exemplo, e enchê-lo até o topo. O Criador quer que esse “lugar” sinta a Ele e sinta quem Ele é.

Imagine que você tenha feito um jarro de barro, e agora quer que este jarro sinta quem o fez e com que finalidade. Além disso, ele quer receber o enchimento exato: suponha que ele não concorde em receber água, leite ou vinho, mas precisa de petróleo. Em seguida, de acordo com o que escolhe, ele é enchido e rejeita todos os outros enchimentos. Isso significa que o “lugar” também deve diferenciar entre o que é bom e ruim, ou em outras palavras, ser um “sábio egoísta” que depende do seu ego que foi criado pelo Criador.

Em seguida, o Criador quer que esse desejo prefira por si mesmo a natureza oposta, escolhendo-a por sua livre vontade. Ele tem que “formar” a si mesmo, se organizar de modo que possa agir por si mesmo de maneira oposta, à medida que constrói a si mesmo de novo. Se o desejo adquire essa habilidade, ele começa a agir novamente e a se encher, e é chamado de Adam, que se assemelha (Domeh) ao Criador.

É como se o desejo gerasse a si mesmo de novo pelo seu próprio livre arbítrio, e escolhesse cada passo que realiza, cada enchimento, e cada forma. Por um lado, tudo vem dele e não depende de ninguém, e, por outro lado, tudo é completo e está em doação. Isso é chamado de “lugar”. Essa é a deficiência que precisamos. Até então, não estamos sequer cientes de quantos estados temos que percorrer para chegar a esses discernimentos…

Pergunta: Existe uma conexão entre o “local” e o ambiente?

Resposta: Para que o desejo seja independente, atue livremente em seus discernimentos, em sua percepção, ele é dividido em dois sistemas: eu e fora de mim. No sistema interno, existe apenas uma centelha, e no sistema externo, há o mundo inteiro. Na medida em que a pessoa usa o “mundo” corretamente, ela aumenta sua centelha. Na medida em que quer usar o mundo de uma maneira oposta, de forma errada, ela diminui a centelha. Ela verifica a si mesma e aprende de acordo com a sua atitude para com o mundo, o ambiente.

Além disso, a pessoa tem a sabedoria da Cabalá (professor, livros, e grupo), e tudo isso é para ajudá-la a se realizar de forma consciente e não apenas pelo sentimento. Afinal, se nós aprendermos com nossos sentimentos, isso vai levar a toda uma cadeia de falhas, a uma via muito lenta e cruel das cinco fases de desenvolvimento. Se a pessoa se desenvolve através do ambiente, então o ambiente se torna para ela o professor, os livros, o grupo e o Criador. Ela se desenvolve pelo “caminho da Torá”, pelo caminho da Luz que Reforma.

A diferença é que pelo caminho da Luz, ela traz seu próprio componente de desenvolvimento e com isso desenvolve a imagem do Criador dentro de si. Ela começa a se relacionar com a realidade não como uma criatura, mas como o Criador: “Como eu uso o grupo, o professor, os livros e o Criador, todas as forças que me influenciam, para me estabelecer corretamente?”.

Assim, nós desenvolvemos o ser humano em nós e avançamos corretamente no caminho mais curto e fácil para todos. Então, a deficiência para avançar, que cada vez nós estabelecemos de novo, é chamada de um verdadeiro “lugar”, e é um lugar que devemos alcançar.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/01/13, “A Paz”

Um Livro Que Foi Escrito Onde As Épocas Se Cruzam

Pergunta: O que é especial sobre O Livro do Zohar ?

Resposta: Primeiramente, é especial, já que os cabalistas o escreveram.

Humanidade desceu das árvores e começou a evoluir até a primeira erupção do ego durante o tempo da antiga Babilônia. Em seguida, o método de correção foi revelado nesta primeira onda egoísta. Porque as pessoas não conseguiram superar o ego, tão grande por si só, eles começaram a procurar meios para fazê-lo e encontraram a sabedoria da Cabala que permite que uma pessoa a supere a inclinação para o mal através da conexão.

Aqueles que começaram a utilizar este método, a fim de corrigir-se são chamados de “Israel”, que significa Yashar-El “, direto para o superior” (ISRA-EL).

Enquanto isso, o ego continuou a crescer ainda mais e todas as outras nações continuaram como de costume.

Então o ego cresceu na nação de Israel e como resultado eles desceram para o Egito. Alguns foram um pouco mais abaixo, e outros receberam a Torá, a fim de superar a separação. Trata-se do mesmo método Cabalístico, e que a diferença é que agora é adaptada ao ego grande que foi revelado no Egipto, que já se encontra especificado e dividido em diferentes desejos estranhos que têm de ser corrigidos, em condições diferentes, em diferentes eventos, conexões, etc. A fim de passar por esse processo, precisamos de um método chamado de “Torá”.

O trabalho de Abraão na Babilônia era mais fácil, se podemos dizer: subir acima do ego ao Criador (Boreh) no amor e conexão e fazer o que é bom para os outros, para estranhos, uma vez que o ego não era especificado, então.

Abraão deu ao resto do mundo religiões (Dat).

Com isso, ele abriu dois caminhos, mas a diferença entre eles não era tão grande ainda. Sim, estes são dois atributos opostos, a fim de receber e de modo a doar, mas com uma diminuta “espessura” do desejo.

Por um lado, um grande ego chamado “Faraó” foi de fato revelado no Egito, e em cima dele tudo o que é em uma pessoa, tudo do que ele é feito internamente: atributos, discernimentos, pensamentos e desejos. Isto significa que, no tempo de Moisés (Moshe) a crise da alma despedaçada foi revelada (Neshamah), que era desconhecida antes. Este já é um nível totalmente diferente e assim, consequentemente, a Torá foi revelada.

Mais tarde, com o crescimento do ego, os filhos de Israel construíram o primeiro templo com a ajuda da Torá e com isso atingiram o seu fim de correção. Após a destruição do Templo, eles construíram o segundo templo e depois a longa descida começou.

Aqui, antes do final da descida, O Livro do Zohar foi escrito. Por um lado, grandes discernimentos do nível anterior ainda eram mantidos aqui, mas por outro lado, o último nível do ego começou a aparecer. Por conseguinte, os autores de O Zohar dependeram de todos os 125 graus em relação à destruição e no que diz respeito à realização.

É por isso que O Livro do Zohar é muito especial: Inclui toda a Luz que será revelada em nossos tempos no pano de fundo do maior ego que nos levará até ao fim completo da correção. O Livro do Zohar simboliza esse estado e diz -nos sobre todos os estados do fim da correção. Estes são os estados sobre os quais Rabi Elazar, filho de Rabi Shimon, fala especialmente.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala de 16/01/13 , Escritos do Rabash

Aprendendo A Navegar

Dr. Michael LaitmanPergunta: Diz-se: “Eu desperto a aurora, e não é a aurora que me desperta”. Existe certa sequência de eventos internos que me permitem despertar a aurora tão rapidamente quanto possível, sem atrasos, e estabelecer a conexão com o grupo e com o Criador?

Resposta: Nós só podemos acelerar o tempo e o desejo de nos tornar Adão (ser humano).

De acordo com dados científicos, o universo tem 15 bilhões de anos. A humanidade desenvolveu-se por centenas de milhares de anos, e só nos últimos 30.000 anos que começamos a nos aproximar do verdadeiro nível de Adão. Este processo evolutivo leva tempo.

Conforme as pessoas envelhecem, elas de repente sentem que tudo é tão transitório, “A vida passou e eu ainda nem tinha notado…”. Esta é nossa existência corpórea: ela passa e de repente você sente que está velho e que está prestes a “sair de cena”.

Na espiritualidade é diferente. Lá você sabe e sente os vários discernimentos pelos quais passou, como o mundo avançou e o que as pessoas aprenderam ao se aproximando da espiritualidade.

Houve longos períodos de “atrasos” na história. O último exílio durou 2000 anos, e a grande tristeza é que o processo parece ter sido interrompido de Cima. As pessoas sofreiam simplesmente porque não estavam autorizadas a avançar em direção à meta, elas queimaram e ansiaram por ela, mas só havia escuridão em resposta.

Agora, no entanto, o oposto é verdadeiro: eu recebo tudo de Cima, ainda mais do que posso absorver, mas o problema é que eu não preciso disso; eu realmente quero outras coisas e sofro porque não as tenho.

Nós nos encontramos no meio, na “seção” entre o exílio e a redenção, conforme mudou a atitude de Cima. Hoje as coisas foram “abertas” para nós desde Cima, todas as portas estão abertas e a comida é realmente trazida à nossa boca e tudo o que temos a fazer é abrir nossa boca como filhotes, mas não queremos…

A fim de despertar a aurora, nós temos que começar por ações “mecânicas”. É porque durante a descida espiritual a pessoa está “morta”, parada. Portanto, comecem a se mover, organizem uma agenda diária, clara e precisa, e certifiquem-se de que vocês a segue com cuidado. Procurem coisas diferentes para se agarrar, tomem para si diferentes tarefas que não possam ser evitadas…

Existem muitas horas de impotência à frente. Neste caso, por exemplo, comece a trabalhar nos artigos do Baal HaSulam e do Rabash. É um tipo de “hobby”. Eu os corrijo, excluo vírgulas, mudo palavras e frases, e os coloco numa linguagem mais simples, etc. Através deste trabalho mecânico, nós tentamos voltar ao rumo. É porque na atual descida não nos restou nada interno, e nós só podemos fazer esforços externos. Nós precisamos da garantia mútua, do apoio dos amigos, e uma agenda rígida é necessária.

De qualquer forma, a saída da descida depende dos nossos esforços. Portanto, diz-se que Israel acelera o tempo. A Luz vem de Cima, é claro, mas nós a despertamos.

Em geral, nós estamos avançando numa velocidade extraordinária nos dias de hoje, e eu realmente tenho grandes esperanças em relação à Convenção de Arava que será realizada neste fim de semana. Vocês vão ver. Ela será muito mais qualitativa do que as Convenções anteriores e nós sentiremos discernimentos que podemos organizar e comparar uns com os outros.

Uma inclinação, tensão, prontidão e a capacidade de permanecer “apto” e navegar por nós mesmos internamente está sendo construída em cada um de nós, como se estivéssemos segurando um leme em nossas mãos. A pessoa tem que realmente sentir, descobrir este “leme” dentro dela: a estrada está aberta diante de nós e internamente a pessoa constantemente se estabiliza no caminho e se mantém longe do acostamento.

Nós estamos tão perto disso, tão perto deste controle mútuo, quando eu sei como me comportar com o Criador. Então, eu posso realmente me “dirigir”…

Da 4ª parte Lição Diária de Cabalá 14/01/13, Escritos do Rabash

Todas As Sementes Vão Finalmente Crescer

Dr. Michael LaitmanPergunta: Baal HaSulam escreve que enquanto estamos no estado de ocultação nós permanecemos no mundo de Assiya. Como ele é diferente do nosso mundo material?

Resposta: Na corporeidade, nenhum de nós jamais pode dizer a diferença entre dar e receber. Nós nunca nos associamos com Lo Lishma (para o seu próprio benefício) ou Lishma (para o bem dos outros), nem sentimos a diferença entre o bem e o mal.

Diz-se que o mundo de Assia consiste basicamente do mal, o mundo de Yetzirah é metade bem e metade mal, e o mundo de Beria é principalmente bom. Quando a pessoa está presente em qualquer um desses mundos, ela é capaz de diferenciar entre o dar e o receber, enquanto que em nosso reino, não podemos ver qualquer diferença entre ambos.

Neste momento, nós estamos no nível mais baixo do mundo de Assia que não tem nada em comum com o mundo espiritual de Assia. Nós tentamos colocar o nosso mundo numa escala geral de mundos espirituais, já que não há nada, exceto a espiritualidade. No entanto, o nosso reino não tem um lugar na escada dos mundos espirituais. Ele é uma realidade ilusória que colocada no nível mais baixo possível, na parte inferior do mundo de Assia; é uma ilusão que produz a impressão errônea de que é possível existir dentro dos limites rígidos do desejo de receber, no egoísmo puro.

De maneira nenhuma é possível, embora a força superior mantenha a vida nesta corporeidade para nos dar a chance de permanecer vivo até que uma centelha espiritual sai de nós para a espiritualidade.

Neste mundo, há uma gota de sêmen espiritual, embora ela esteja “presa” neste reino material e não tenha liberdade para sair dela. Devido aos esforços aplicados por esta gota de sêmen para se libertar, no final ela sai deste mundo para a espiritualidade. Quando chega lá, esta centelha espiritual começa a se desenvolver ainda mais num novo reino.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 10/01/13, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

Minha Alma Está Nos Outros

Dr. Michael LaitmanComo Baal HaSulam diz no seu artigo “600.000 Almas”, há, na verdade, apenas uma única alma, um desejo, Malchut de Ein Sof (Infinito). A Luz que entra pelo Criador está gravada no desejo de receber e isso lhe dá suas diferentes qualidades, mas de uma forma oposta. Assim, o desejo tem que se elevar acima da sua forma, que é oposta à da Luz, e se assemelhar a ela. A oposição permanece; ela realmente cria tal intensidade, tal conexão, que permite que o desejo entre na Luz, conquiste-a e absorva-a. Agora há espaço para isso.

Portanto, existe apenas um desejo, e se ele se revela de forma diferente em palavras, é porque nós o alcançamos em partes, e nem mesmo em partes, mas em minúsculos grãos de auto-realização.

É como uma imagem holográfica em que cada uma das suas partes inclui toda a imagem (M), mas em menor escala (m). Todos os detalhes são mantidos, mas perde-se a precisão inicial. Há as primeiras dez Sefirot aqui, mas a clareza é diferente.

A questão é: se existe apenas uma alma, por que somos tão diferentes? Porque, no geral, tudo tem que ser muito mais simples: a mesma alma se torna menor e suas frações se tornam “desfocadas”.

Mas isso não é o que acontece: isso parece diferente a todos, uma vez que cada um tem a raiz de sua própria alma. Em outras palavras, nós alcançamos a alma geral em diferentes “ângulos” pela nossa incorporação mútua em todos.

É porque o ponto o coração está realmente acima do desejo de receber, nos outros. É a raiz espiritual da alma individual, ao passo que o desejo em si não vale nada por si só. Por outro lado, os “outros” é o mesmo conceito para todos, é Adam HaRishon (primeiro homem). Assim, nós alcançamos a mesma coisa, mas de perspectivas diferentes, até que elas se conectam. Isto é feito para que possamos ajudar um ao outro a alcançar o atributo de doação.

Agora eu atribuo a minha alma ao desejo de receber, que na verdade não existe. Minha alma está nos outros, e eu tenho que trabalhar fora do desejo, fora de mim, “no outro lado da minha pele”, através da aquisição da capacidade de doar, dos vasos de doação. Eu pego o desejo dos outros e recebo MAN (um pedido de correção) deles, e proporciono-lhes o que eles querem, e, assim, desenvolvo a minha alma, a minha inclinação, o anseio para fora…

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 09/01/13, “600.000 Almas”

Muitas Centelhas, Uma Alma

Dr. Michael LaitmanPor um lado, há muitas almas e cada uma delas é dividida em mais partes. Mas, por outro lado, pode a espiritualidade ser dividida em partes? Nós sabemos que existe uma única realidade e nada mais que isso. Mesmo quando estamos confusos, à medida que vemos suas partes separadas, é realmente um todo, já que apenas um estado foi criado desde o início, uma alma.

Ela é chamada de alma de Adam HaRishon (primeiro homem), Malchut de Ein Sof (Infinito). Após a preparação, nós descobrimos muito mais claramente esta realidade interior por trás dos Partzufim e “mundos”. Trata-se do desejo que está aderido ao Criador. No nível zero ou da raiz da adesão, ele é chamado de Malchut de Ein Sof, e no quarto nível da adesão é chamado de alma de Adam HaRishon. Tudo se resume em como vemos este desejo num determinado ponto do nosso desenvolvimento.

Portanto, só o mundo de Ein Sof foi criado, ou a alma de Adam HaRishon, e nada mais. Esta alma está em cada pessoa chamada de “Israel”, que significa Yashar-El (direto ao Criador), que alcançou a espiritualidade. Além disso, ela é plena em todo mundo, já que a espiritualidade não é dividida em seções e partes como vemos na corporeidade. Só a falta de correção me impede de ver a imagem real. Apesar de tudo, eu estou nela, no estado inicial de uma alma que foi preparada por nós para se revelar.

Mas os Cabalistas dizem que há 600 mil almas que são divididas em “centelhas”. Portanto, o que representa esta estrutura, uma “árvore genealógica”? Esta é a imagem distorcida da realidade, que é dividida pela força do desejo corrompido em cada um de nós. Primeiro esse desejo se separa e evita totalmente a entrada da Luz, sendo totalmente oposto a ela. Depois, pela força da correção, o desejo começa a receber a intenção “a fim de doar”; em outras palavras, ele é refinado. Na medida em que ele tem essa intenção, a alma geral ilumina nele. Isto significa que o desejo gradualmente descobre o seu verdadeiro estado. Primeiro ele sente que é uma pequena parte da alma geral, e finalmente descobre que é o mesmo que a alma. Depois, ele descobre que é Adam HaRishon.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/01/13, “600.000 Almas”

Gematria É A Línguagem Das Emoções

Dr. Michael LaitmanO Zohar, “Naso“, item 180: A bênção dos sacerdotes. Que o Senhor te abençoe, que o Senhor ilumine, que o Senhor transmita… a bênção de seu Ha-Va-YaH, e eles também são os três nomes de Ha-Va-Ya-H na bênção dos sacerdotes que estão paralelos às três linhas, as três letras em Ha-Va-Ya-H no preenchimento de S”G (63) Yod, Hay,Vav,Hay. Que as três letras Yod de S”G, são as iniciais destes três Ha-Va-Ya-H.

Os Cabalistas têm um problema. Toda ciência em nosso mundo, como a física, química, biologia, zoologia e botânica, tem uma linguagem própria, mas não existe uma linguagem para as emoções, já que em nosso mundo não podemos avaliá-las, medi-las, pesá-las, ou dividi-las em diferentes tipos, etc.

Quando nós começamos a descobrir o desejo de receber e nele os diferentes tipos de sentimentos conforme o tamanho do desejo e o seu tipo, em três linhas, em todos os níveis de sua espessura, nós precisamos de uma linguagem para descrever a forma como fazê-lo.

Tomemos a escrita das notas musicais como exemplo; não é uma linguagem. Eu só desenho alguns símbolos que alguém tem que tocar e sentir, e ele pode compreender os sentimentos que eu queria transmitir, embora, para ele, possa ser outra coisa. Este é um problema muito grande.

Pela mesma razão, a psicologia e a psiquiatria não são consideradas ciências exatas, uma vez que são baseadas na pequena experiência que podemos acumular durante a nossa vida e não mais que isso. É porque não conseguimos medir sentimentos com nossos sentidos, colocá-los em tabelas e gráficos, de modo que esta seria uma regra de ferro.

Por isso, os Cabalistas inventaram o registro da realização espiritual usando a Gematria (valores numéricos de letras e palavras) e esta se tornou realmente uma linguagem muito lacônica que pode reunir muitos detalhes precisos, que pode ser transmitida de uma pessoa para outra. Isso está em contraste com as composições musicais, onde todos podem imaginar o que o compositor pensou, enquanto aqui, você não pode estar errado. Para desenvolver a Gematria, você tem que atingir e chegar ao mesmo lugar, ao mesmo fenômeno, estar incorporado na mesma alma que escreveu isso, e assim você sente o mesmo estado, já que está unido com a alma na adesão e pode ter certeza de que realmente recebeu a sua mensagem.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/01/13O Zohar

Não Há Espaço Para Decepção!

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é “um nascimento espiritual no deserto”? Eu sinto uma espécie de decepção das Convenções anteriores, já que chegamos a um sentimento especial de unidade, e depois vem a queda. Como podemos usar este sentimento de decepção como preparação para a Convenção?

Resposta: Nós temos que dar à luz a nossa primeira conexão no deserto. Este nascimento espiritual é a primeira revelação da nossa conexão no sistema superior, como uma pessoa que nasce no mundo, no mundo espiritual.

Você sabe quando uma pessoa chega ao primeiro nível? Quando lhe dizem: “Você não vai conseguir nada” e ela fica feliz com isso. Portanto, eu não entendo o que é decepção. A ascensão espiritual está acima de todas as decepções humanas; é uma realização espiritual. Você deve estar feliz que não tem nada, e que os outros receberam tudo e você não. Isto se chama estar na entrada para o primeiro nível.

Portanto, não há espaço para decepção!

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/01/13, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

Um Vaso Para A Alma

Dr. Michael LaitmanDe acordo com a sabedoria Cabalística, o “corpo”, Partzuf, é chamado de desejo de receber a fim de doar, e a “alma” é a Luz que o preenche. Para adquirir uma alma, nós estamos construindo uma conexão entre nós, o que significa que nós criamos um desejo de doar a partir do desejo de receber. Para fazer isso, nós nos conectamos com o grupo acima do ego, abrimos mão do desejo de receber, e invertemos o seu uso; assim, o desejo de receber trabalha para doar.

A mudança do ego para doação é feita pelo Criador, eu O obrigo a fazer isso pelo meu trabalho no grupo, no ambiente, como se diz: “Meus filhos Me venceram”. Ele age em mim e o meu desejo de receber pode trabalhar em doação.

Assim, eu agora trato os amigos desta maneira, e nós vamos estabelecer a conexão entre nós por meio da construção de formas de doação a partir da espessura (Aviut) do desejo de receber, que o transforma na pureza do desejo de doar.

O desejo de receber é dividido em cinco camadas de “espessura”, desde a fase da raiz até a fase quatro, e existe também um “embrião espiritual” nele, o ponto no coração (•) que constantemente me evoca, me “sacode”. A fim de satisfazer o “ponto no coração”, eu entro no grupo e atraio até mim a Luz que Reforma, a Luz Circundante. Primeiro ela realiza a “primeira restrição” em mim, segundo a qual eu não posso levar em conta o meu desejo de receber. Então eu posso até trabalhar com o meu desejo de receber a fim de doar, não em espessura, mas em pureza, que também é dividida em cinco níveis. Desta forma, eu adquiro cinco Luzes: Nefesh, Ruach, Neshamah, Haya, e Yechida, de baixo para cima NRNHY.

Assim, o meu desejo de doar é formado pelo desejo de receber que estava em mim antes. Este desejo de doar é chamado de “um vaso para a alma”. Por que para a alma? Porque até este nível nós recebemos a Luz regularmente, utilizando a espessura da raiz, da primeira e da segunda fases (NRN), enquanto que as Luzes de Haya e Yechida não podem receber a Luz regularmente e, assim, nos alcançam apenas como um iluminação (HY).

Portanto, o vaso da alma é a pureza do desejo de doar, e a Luz que o preenche é chamada de Luz de Neshama (a alma). No todo, é minha alma que gradualmente vira todo o meu ego para o seu lado, para a pureza. Isso significa que o desejo de receber não desaparece, mas nós só mudamos o nosso uso dele.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 06/01/13, “Corpo e Alma”