Textos na Categoria 'Espiritualidade'

“Treze Anos” Entre As Klipot Imundas

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar“, p. 29: Porque, se nós não tivéssemos este desejo de receber danificado dentro de nós, não poderíamos corrigi-lo, pois ninguém pode corrigir algo que não está nele. Portanto, essa quantidade de desejo de receber que está incorporada no corpo desde o seu nascimento no ar do mundo não é o suficiente. Pelo contrário, é ainda mais obrigado a ser um veículo das Klipot (Cascas) imundas por não menos de 13 anos.

Segue-se que mesmo se eu possuir um grande desejo de receber, isso ainda não é o suficiente. Desde o início o Criador nos diz: “Vinde ao Faraó, porque Eu endureci o seu coração”. Ele vai inundá-lo com golpes, de modo que você vai querer fugir dele. É impossível me tirar da inclinação ao mal, até que ela alcance um nível em que já não posso suportá-la. Mas primeiro é necessário se tornar completamente consciente desse mal.

Em nosso mundo, nós educamos as crianças para ter cuidado, “Não vá lá, não faça isso…”. Mas, no mundo espiritual, não há nada parecido. Lá é o oposto; eles me mandam para “criminosos” e “ladrões”, “alcoólatras” e “drogados”, para os braços de Hamã, Balaão, Balaque, Esaú, e assim por diante. Caso contrário, como posso corrigir essas características? Na verdade, estas são partes não corrigidas da minha alma. Portanto, eu preciso possuí-las, senti-las como minhas, reconhecer o mal escondido dentro delas, e ser libertado delas, subir acima delas.

Pergunta: Será que eu devo ser mal para avançar espiritualmente?

Resposta: Como devo responder-lhe? Sim. É possível corrigir somente o que está dentro de você. Apesar de tudo, isto não quer dizer que eu devo me tornar mal. Uma coisa é eu querer matar alguém, como um terrorista. Outra coisa é eu querer amar, e ao mesmo tempo, descubro dentro de mim um desejo de matar. Estas duas abordagens são totalmente diferentes. E a diferença aqui é que eu descubro o mal em oposição a isso, eu percebo em mim mesmo que sou mal, mas eu não mato alguém que parece mal para mim.

“Treze anos” entre as Klipot imundas não é um tempo de acordo com o calendário; pelo contrário, é um nível, e o estágio é muito alto. Eu aspiro amar, doar, portanto eu descubro a minha inclinação ao mal. Esta é a condição; caso contrário, eu não avançaria no meu caminho espiritual em direção à correção, ao Criador.

Eu quero estar perto Dele, abraçá-Lo, beijá-Lo, dar-Lhe prazer de acordo com o princípio: “Não faça a seu amigo o que é odioso para você”, e “Ame o outro como a si mesmo”. Da mesma forma, por 13 anos, eu descubro o oposto da doação dentro de mim. Em outras palavras, eu descubro dentro de mim características, desejos e inclinações, que eu nem sabia que existiam, porque eles são espirituais e provêm dos quatro mundos impuros de ABYA. Eles residem acima da compreensão “bestial” do nosso mundo, e, portanto, esta já é uma subida.

Aqui, o princípio, “Um contra o outro”, age. Aspirando ao bem, eu descubro o mal, repetidamente. Assim ocorre por algum tempo!

Se eu não mantenho a posição e paro, tudo desaparece. E se eu não quiser parar, então eu me volto ao grupo, aos estudos, ao Criador, recorrendo a todos os meios que irão me ajudar a me manter no caminho, para incliná-lo favoravelmente.

Então, somente as coisas “maliciosas” e “erradas” são descobertas em mim, os defeitos que pareciam não existir até agora. Eu nunca havia sentido o que eram os 613 desejos quebrados e agora eles são aparentes. Se eu não tivesse avançado, eu teria ficado num nível que, no sentido espiritual, não é nem bom nem mau. Por outro lado, se a pessoa avança corretamente, ela se torna pior.

Mas ela trabalha em si mesma, ela entende o que está acontecendo consigo; ela se encontra numa luta interior, ajuda os outros, e eles a ajudam. É como se ela “esmagasse” o seu ego com uma pedra, o mastigasse e triturasse, de modo que seja possível “engolir”, “digeri-lo”. Durante estes tempos difíceis nós temos que ajudar e apoiar uns aos outros.

Imaginem um show de carros, aonde vocês vêm os brilhos e lampejos dos carros novos, todos brilhantes, limpos e belos: um verdadeiro prazer. E agora olhem para uma oficina de automóveis: o mau cheiro, o lixo, a bagunça… Tudo depende do que e onde eles vendem para você.

Assim, nesta fase, nós fazemos a maior parte do “trabalho sujo”. Para corrigir o Humano em mim: O que pode ser pior? Por outro lado, o que pode ser maior?

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/03/13, “Introdução ao Livro do Zohar

A Raiz De Todos Os Exílios

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando estamos falando do feriado de Pessach (Páscoa), porque dizemos: “Lembre-se do Êxodo do Egito”? Afinal, houve outros exílios: da Babilônia, na Grécia e Roma — mas recordamos apenas o êxodo do Egito. Qual é o significado disto?

Resposta: O exílio no Egito é a raiz de todos os exílios. Todos os outros exílios estão como que sobrepostos nele. Este exílio é o mais difícil e fundamental. A pessoa se eleva acima do seu egoísmo e, pela primeira vez, percebe o que é o mundo espiritual e o que significa sentir a propriedade de doação em vez da propriedade de recepção com que nascemos e na qual existimos.

Nós percebemos o mundo através dos sentidos que constantemente desejam desfrutar e se beneficiar de tudo. A revolução nos órgãos sensoriais — quando eu começo a “sair de mim”, a me identificar com o mundo, dar aos outros, sentir-me fora do meu corpo de modo que o meu coração permaneça lá — é chamado o êxodo do Egito. Todos os outros exílios já acontecem fora de mim.

De Kab TV “Cabalistas Escrevem: Noite do Seder da Páscoa” 04/03/13

Como Nasce A Sensação De Exílio?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Que valores o povo de Israel tinha antes da descida para o Egito, no momento em que ele estava lá e depois da partida do Egito? O povo sofreu algum tipo de mudança ou processo?

Resposta: Sim, eles desceram para o Egito já com uma intenção “a fim de doar”, como os patriarcas.

A entrada no Egito é obrigatória em todos os níveis espirituais, uma vez que a pessoa corrige apenas o que está dentro dela. Assim, primeiro ela sente o problema; sua descoberta é chamada “estar no Egito” ou o “despertar do Egito” na pessoa. O exílio significa que todos os desejos e pensamentos são egoístas, e ela sente isso. Se você dissesse a alguém hoje que ele é um egoísta e se encontra no Egito, ninguém iria entender isso.

O sentimento interior do Egito é a sensação de que estou no exílio. Se eu sou apenas um egoísta, eu sei disso e me orgulho inclusive de me beneficiar à custa dos outros. Isso não é chamado de Egito. Egito, como o exílio, representa meu desejo de ser libertado da propriedade de recepção para mim mesmo e subir para a propriedade de doação. No entanto, ainda não sou capaz disso. O sentimento de exílio nasce de uma falta de correlação entre o que é desejado e o que é.

Este é um estado muito elevado e complicado. Sentir-se no exílio egípcio não é fácil; é um grau espiritual. Se a pessoa quer alcançar a espiritualidade, ela chega a um grupo, aprende e se conecta com os amigos para passarem juntos do ódio ao amor. Então, de repente, eles se sentem no exílio porque seu desejo egoísta os domina.

De Kab TV “Cabalistas Escrevem: Noite do Seder da Páscoa” 04/03/13

Quatrocentos Anos De Preparação Para O Êxodo

Dr. Michael LaitmanO Egito de hoje, que mantém o povo de Israel no exílio, e o Faraó, que não nos permite sair da escravidão, são o nosso ego e as relações egoístas entre nós. É o que não nos permite ser um povo livre do egoísmo e sentir o grau seguinte, tanto no sentido espiritual quanto material. É por isso que não conseguimos eliminar a ameaça externa e o ódio  das outras nações contra nós. Tudo isso é por causa do egoísmo interior que nos governa em vez da propriedade de amor e doação mútua.

Antigamente, nós aparentemente conseguimos sair dessa escravidão, para marcar o futuro quando também seríamos capazes de sair do nosso Egito interior, da escravidão para a liberdade. Hoje nós somos escravos porque somos dependentes do mundo inteiro e do nosso egoísmo, que nos governa de todos os lados. Nós só precisamos perceber que estamos numa situação terrível e perigosa.

O mais importante é sentir que temos um dever conosco mesmo, com o mundo inteiro e o Criador, e temos que realizar o objetivo. Esta missão é confiada ao povo de Israel porque nós recebemos o método de correção e conexão, e somos obrigados a implementá-lo.

Depois de termos nos reunido hoje na mesa festiva, vamos discutir essas questões, e isso é chamado de preparação para o êxodo do Egito. Para sair do Egito, a pessoa se prepara por “400 anos”, ou seja, ela passa por quatro estágios completos do egoísmo. No início ela tem que experimentar como se o egoísmo a avançasse e lhe trouxesse vantagem, o que é chamado de “sete anos de saciedade”. Mais tarde virão os “sete anos de fome” e as pragas do Egito. Então, ela não tem escolha a não ser fugir.

É importante passar da percepção material desses eventos para a percepção espiritual e manter a Páscoa com esse espírito.

De KabTV “Cabalistas Escrevem: A Noite do Seder da Páscoa”, 04/03/13

Você Não Receberá Nada Para Si Mesmo…

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como podemos vir a sentir a necessidade de realizar a nossa missão e estar unidos?

Resposta: Nós aprendemos sobre a conexão e união no grupo em todos os ensaios do Baal HaSulam e do Rabash: por que isso é necessário e para que. Esta questão diz respeito tanto à pessoa em relação ao grupo como o grupo em relação a todos os outros.

Hoje o mundo exige isso. A crise mundial nos obriga. Porque se ela não existisse, nós não pensaríamos nisso.

Antigamente, o nosso grupo tinha 30 a 40 pessoas. Nós estudávamos num pequeno apartamento, e isso era bom para nós. Isso foi há apenas 15 anos, e eu pensava que seria assim para sempre.

Mas no final da década de 1990, o mundo começou a mudar de repente. Muitas pessoas novas começaram a vir até nós, e fomos obrigados a nos mudar para outro prédio. Depois que as pessoas começaram a sentir a necessidade de nós, elas começaram a aparecer de vários países ao redor do mundo, e eu organizei uma turnê de palestras em 11 grandes cidades da América do Norte. Isto é, o mundo tinha mudado.

Portanto, desde o início, nós planejávamos estudar apenas num pequeno grupo, como sempre era costume entre os Cabalistas. Mas quando começou um movimento do mundo em direção a nós, e ele começou a mostrar a sua necessidade por nós, fomos obrigados a mudar. Então, hoje, você nos encontrou. Mas, se dependesse de nós, não teríamos nos mostrado a ninguém, não teríamos ido para a internet, não teríamos nos ocupado com a disseminação, pois os Cabalistas sempre se fecharam. Mas o mundo começou a exigir; seu estado tinha mudado.

A mesma coisa acontece agora: a crise nos obriga. É como se esta fosse uma condição: se você não corrigir isso, por que está recebendo a Luz superior? É para você mesmo? Não há nada “para si mesmo” na sabedoria da Cabalá, na espiritualidade. Você não recebe nada no mundo espiritual para si mesmo. Assim, um pré-requisito surgiu para nós: conectar-nos entre nós, e junto com isso, disseminar.

Da Convenção Europeia na Alemanha 22/03/13, Lição 1

A Peculiaridade Do Nosso Tempo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Ultimamente, nós estamos vendo um confronto crescente entre as duas forças opostas na Europa e no mundo. Este não é um pré-requisito para que possamos encontrar uma oportunidade para avançar corretamente?

Resposta: A ciência da Cabalá, juntamente com outras ciências, diz que tudo no mundo é composto de duas forças opostas: positivo-negativo, Norte-Sul, pressão-vácuo, quente-frio, etc. Tudo isso é baseado nas duas forças opostas fundamentais: recepção e doação. A perfeição, a vida, consiste destas duas forças que formam a terceira força, a linha média, onde, em princípio, tudo o que existe está ali. Nós vemos isso em organismos vivos, plantas e animais. Antes do nosso tempo, nós também fomos nos desenvolvendo como animais, ou seja, instintivamente, sob a lei da linha média.

Mas agora nós estamos chegando ao próximo nível de gestão, quando essas duas forças opostas surgem em nós e temos que equilibrá-las por conta própria. Esta é a peculiaridade do nosso tempo, do nosso desenvolvimento. Portanto, nós temos que ver o mundo em harmonia e temos que levar esta harmonia até ele ao combinar corretamente as duas forças opostas em nós mesmos: a força de recepção (Aviut) e a propriedade de doação (tela). Nós temos que agir desta maneira.

Da Refeição antes da Convenção Europeia na Alemanha 23/03/13

A “Escola” De Jetro

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que Moisés precisou passar 40 anos com Jetro, sacerdote de Madiã? O que isso significa no sentido espiritual?

Resposta: Jetro, assim como o pai de Abraão, Terá, era um sacerdote, um especialista em todas as religiões e ídolos, ou seja, um servo do seu ego. Em particular, se Terá tivesse escutado seu filho Abraão, eles trabalhariam juntos e poderiam ter começado a correção do mundo. Mas isso era impossível sem o exílio do Egito, o êxodo e a recepção da Torá, pois a pessoa precisa mergulhar completamente no ego. Portanto, Terá era contra Abraão, e Abraão foi forçado a fugir dele, longe da Babilônia.

Moisés, como Abraão, é um nível completamente diferente: ele já estava no ego, passou por todas estas fases e deixou o Egito. Os quarenta anos que ele passou com Jetro, ou seja, a sua união mútua, a conexão através da filha de Jetro (Zípora ou Séfora), o ego de Jetro que deu à luz às crianças, ou seja, o próximo nível, tudo isso é a combinação do Jetro egoísta e o Moisés altruísta dentro de uma pessoa.

Moisés passa por um processo que o endurece a partir do estágio com o ego para voltar novamente ao Egito, às profundezas do ego. Assim, só Jetro poderia ensinar Moisés e o povo de Israel a trabalhar com esse ego que estava começando a ser descoberto. Portanto, a leitura semanal da Torá chamada “Jetro” começa logo após o êxodo do Egito, quando é necessário começar a corrigir os egípcios, todo o ego da pessoa, e Jetro leva sua filha Séfora, os filhos dela com Moisés, netos de Jetro, e vai até Moisés.

Em outras palavras, chega o momento em que estas características começam a emergir dentro de uma pessoa e mostram como proceder. Por enquanto o ego completo que partiu do Egito (os vasos que foram tirados do Egito), começa lentamente a emergir no seio do povo, e isso significa que Moisés precisa julgar as pessoas.

Julgar significa explicar onde as características de doação estão, onde as características de recepção estão, com qual perspectiva é necessário agir e juntar-se acima de nós mesmos, a fim de descobrir a nossa conexão para o próximo nível, o Criador. Ou seja, a correta cooperação mútua é necessária aqui. Mas onde está essa hierarquia neste egoísmo?

A característica de doação está prestes a expandir: expansividade de alma, um coração aberto. Ela é dispersa sobre a superfície da área, como água. E o ego trabalha continuamente de forma vertical. E estes dois parâmetros estão como que não integrados.

Portanto, Jetro diz a Moisés: “É preciso construir outro sistema, na forma de uma pirâmide, para dividir o seu ego todo em partes, dezenas, centenas, milhares, dezenas de milhares. Você precisa retornar ao estado quando você entrou no Egito, 12 irmãos. Assim, você também sai de lá, as mesmas doze tribos, como riachos, 12 linhas. Mas em cada um deles você precisa se ajustar de acordo com os níveis egoístas. Portanto, para cada nível deve haver a sua própria hierarquia: as suas próprias leis, chefes e subordinados. Você agora trabalha não apenas para doar e amar, você trabalha com o ego que é necessário nesse nível com uma qualidade que é possível corrigir”.

Se Moisés não tivesse passado por essa escola com Jetro, se ele não tivesse se conectado com o ego e começado a trabalhar com ele um pouco, então, quando voltou para o Egito, ele não teria sido capaz de resistir ao Faraó, não teria tido contato com ele. Porque antes, Moisés simplesmente fugiu do Faraó depois de um confronto com ele.

E agora ele retorna para o Egito, isto é, ele se volta de novo para o seu ego e diz ao faraó: “Eu preciso tirar o meu povo (as características de doação) de você”. Além disso, ele tira dele enorme o ego que depois deve ser corrigido ao longo de quarenta anos no deserto. Mas ele não poderia fazer isso se a característica de doação numa pessoa não estivesse conectada no início ao sistema egoísta chamado Jetro.

E Jetro extrai de Moisés o método de trabalhar com o ego e retorna para o seu povo para ensinar o método a eles. Nós vemos como uma conexão constante e mútua das duas características ocorre dentro de uma pessoa. Este é o sistema de correção.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 11/03/13

O Mundo Inteiro Está Em Exílio, Toda A Terra É O Egito

Dr. Michael LaitmanA noite do Seder da Páscoa (Pessach) para uma pessoa que já saiu do seu Egito interno é uma celebração na qual ela novamente sofre os mesmos estados como durante seu êxodo, na mesma ordem (seder), e alegra-se com sua libertação. Isso a ajuda a se elevar ao próximo nível, cada vez mais alto.

Por isso está escrito que em cada geração, isto é, em cada estado, em cada etapa do crescimento do egoísmo, a pessoa deve se ver como se tivesse acabado de sair do Egito. E todas as correções que ela realiza em seu egoísmo serão sempre acompanhadas por um lembrete do êxodo do Egito. Só depois que a pessoa se eleva acima do seu ego, ela pode realizar as ações de doação, que são chamadas Mitzvot (mandamentos).

Na noite de Páscoa, todos estão sentados com sua família numa mesa festiva lendo sobre a liberdade e os sofrimentos da escravidão e, claro, sentindo a dor interior, desejando a libertação. Este feriado desperta novamente todas as questões da escravidão e da liberdade. Agora, como é que podemos ganhar a liberdade, chegar a uma nova vida, a um novo estado?

Nós temos que perceber que hoje nós entramos numa nova era, e se não percebermos a nossa missão, como o povo de Israel saindo do Egito, não vamos ser capazes de sobreviver tanto como um país, ou como povo. Nós não seremos capazes de ser judeus, porque esta é a nossa missão. Nós devemos enviar a mensagem ao mundo para elevar todos, junto conosco, do egoísmo geral, devido ao qual nos encontramos na crise atual.

Esta crise se expande mais e nos pressiona propositadamente, para que, finalmente, desejemos sair dela com o mundo inteiro. Por isso, nós temos que dar o exemplo aos outros. Ao celebrar hoje o Seder da Páscoa em 2013, eu me preparo para o êxodo e a liberdade que vou alcançar depois.

Esta é a salvação do anjo da morte, o meu egoísmo, que está me matando. Eu espero que com isso eu me torne a Luz para as outras nações, e elas também saibam como sair do Egito. Elas vão ver que o nosso ego nos mantém no exílio. O mundo inteiro está no exílio, toda a terra é o Egito, e nós temos que subir acima dele.

De KabTV “Cabalistas Escrevem: A Noite do Seder da Páscoa”, 04/03/13

“Por Que Esta Noite É Diferente De Todas As Outras Noites?”

Dr. Michael LaitmanPergunta: A noite do Seder da Páscoa (Pessach) é uma noite especial para o povo de Israel. Pensa-se que nesta noite este povo nasceu e começou sua nova jornada. Portanto, de que forma esta noite do êxodo do Egito é tão singular?

Resposta: A pessoa começa a sentir que se encontra no exílio do Egito, na escravidão do seu ego, que é chamado de Faraó, e que é necessário afastar-se do seu domínio, fugir, ainda que ela não consiga fazê-lo. Ela começa a gritar internamente, não está mais preparada para suportar uma vida assim. Ela se esforça em relação ao grupo, o ambiente, o professor e os livros. Ela realmente sente que está na prisão, na escuridão.

Aos poucos, ela se afunda num estado chamado de “escuridão do Egito”, a noite do êxodo do Egito. Esta noite é a escuridão absoluta; nenhuma esperança resta para ela, nenhuma chance na vida. Ela não se sente preparada para continuar a viver dentro do seu ego, já que odeia todo mundo e é incapaz de se relacionar bem com alguém.

Ele se esforça para amar os amigos, para amar o outro como a si mesmo, mas percebe o contrário, que ela se torna cada vez pior. O Faraó nela, seu ego, torna-se mais forte e mais brutal. Então, no final, a pessoa está quebrada, pois vê que não tem nenhuma chance de sair desta servidão.

Ela passa por estados internos muito difíceis, que, em última análise, são reunidos: todas as suas tentativas de fugir do seu ego, de superá-lo, todas as vitórias do ego que mostram à pessoa o quão fortemente o Faraó está segurando-a por dentro. Ela realmente se encontra no meio da luta de duas forças: por um lado, a pessoa empurra, uma vez que deseja ficar livre, e, por outro lado, o ego agarra suas pernas e não a deixa fugir.

Em última análise, estas duas forças atingem o ápice da luta entre elas, e a pessoa se encontra entre elas e sente uma escuridão absoluta. Este estado é chamado “a noite do êxodo”, a escuridão do Egito. Assim, de repente ela ouve um chamado de dentro desta escuridão: “Você tem que fugir! Você está pronta para fazer isso! Você pode se levantar e fugir do seu ego, aqui e agora, à meia-noite, isto é, do estado mais escuro. Não leve nada com você para o novo estado, exceto as coisas que você realmente precisa para doar, a realização da unidade, a conexão, o amor”.

Neste caso, a pessoa está pronta para sair e fugir do seu ego, quer subir acima dele. Isso é chamado de seu nascimento espiritual.

De KabTV “Cabalistas Escrevem: A Noite do Seder da Páscoa”, 04/03/13

Na Linha De Frente Do Palco Da História

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se não há desejo pela espiritualidade, como podemos despertá-lo?

Resposta: Nós estamos entre dois estados: ou queremos despertar para o avanço espiritual ou o avanço nos desperta. Ao longo da história, desde o Big Bang que iniciou o universo até hoje, nós temos nos desenvolvido pela força da natureza que nos empurrou para frente através dos sofrimentos. Isto é chamado de evolução. Toda vez, sem termos escolha, nós deixávamos o estado atual e avançávamos para o próximo estado que parecia melhor. Nós nos desenvolvíamos no estado melhor, até que começávamos a sentir que ele não era mais tão bom e nos mudávamos para o próximo estado que parecia ainda melhor.

A menos que sintamos que o nosso estado atual é insuportável, não vamos abandoná-lo, já que o nosso ego aspira ao descanso. Por que eu deveria mudar alguma coisa se me sinto bem? Se o meu braço se sente confortável agora eu não vou movê-lo, mas se sinto que outra posição é melhor e aqui não é tão confortável, isso me foça a mover.

Isso significa que eu nunca mudo pela minha própria vontade, e sempre há forças que me influenciam e agem sobre mim. Quais são essas forças? O braço, como parte do corpo animal, sente-se mal aqui e se sentiria melhor se se movesse um pouco e por isso se move.

É a mesma coisa com tudo na vida. Isso não é diferente da maneira como o vento sopra: há uma pressão num lugar e uma deficiência em outro lugar, um vácuo, e assim as massas de ar se deslocam de um lugar para outro. Deve haver sempre duas forças: uma que empurra e outra que puxa.

Sempre foi assim na evolução da sociedade humana, que passou por muitas transformações de um estado para o outro: a força negativa empurrou-a por trás e a força positiva puxou-a pela frente, na esperança de algo bom.

Agora nós estamos num estado muito especial. Como ele é diferente de todos os outros estados?

Costumava haver um primeiro estado (1) e um segundo estado (2). No segundo estado eu descobri um positivo (+) e no primeiro estado um negativo (-). No primeiro estado a força de rejeição agiu sobre mim e no segundo estado a força de atração. Eu fui de um estado para o outro através dessas duas forças. É a evolução natural, sem livre arbítrio.

O estado em que estou agora é diferente, já que eu tenho livre arbítrio. No estado atual, eu descobri um grande negativo (-), mas não descobri a força negativa, ela dificilmente me empurra para frente. Então, surge uma grande questão (?): Qual é o estado de livre arbítrio? Como posso ser guiado aqui, como posso saber que caminho seguir, o que fazer e o que será de mim? Somente com a ajuda da sabedoria da Cabalá.

Caso contrário, é impossível entender o que devemos fazer, uma vez que em todos os estados anteriores, nós passamos de um nível evolutivo humano para o outro, mas agora temos que passar de um nível humano para um nível espiritual, divino. Portanto, não podemos compreender como avançar e estamos realmente no escuro. Este é todo o problema.

Assim, por um lado, é o livre arbítrio, uma vez que não é o corpo do animal que dita para onde eu deveria me mover. Eu me sinto impotente e a escolha é realmente “acima da razão”.

Portanto, não há nada que possamos fazer sem a disseminação da sabedoria da Cabalá. Aqui, a nação de Israel tem que cumprir sua missão e é por isso que nós estamos num estado tão especial e perigoso. Agora nós chegamos à linha de frente do palco da história e embora fôssemos sempre “vigiados de perto”, agora é mais do que nunca.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 19/03/13, “Introdução ao  O Livro do Zohar