Textos na Categoria 'Equivalência com o Criador'

Um “Zoom” Infinito No Ser Criado

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como um Partzuf completo de 10 Sefirot pode ser criado a partir de uma Sefira? Onde está o poder necessário para isso?

Resposta: Como é que as subidas e descidas ocorrem, o nascimento de um Partzuf e de outro Partzuf ? Como novas Sefirot são adicionadas a ele, e como podemos dar um “zoom” ou tirar um “zoom”? Como pode um corpo inteiro se desenvolver a partir de um ponto, de uma célula de esperma?

O corpo já está nela. Nós só precisamos adicionar o material, o que significa descobrir o desejo que está oculto na fase um. Na fase dois, nós já devemos descobri-lo por nossos próprios esforços. Acontece que toda a realidade que é revelada é um reflexo de nossos esforços.

Portanto, todo o mundo de Atzilut é construído apenas das dez Sefirot que estavam no mundo de Nekudim.

O mundo de Nekudim só é chamado de “mundo”, mas, na verdade, era um Partzuf. Agora, todo um mundo se origina dele, e que mundo; ele é tão complexo! É graças ao fato de que a participação mútua do superior e do inferior é acrescentada aqui.

Isto não pode ser explicado mecanicamente. O Criador nos descreve certo atributo concreto, um evento, um fenômeno, mas para atingir esse fenômeno, é preciso construir “as 10 Sefirot completas” em relação a ele.

O Criador me mostra esse fenômeno como um ponto de Keter a partir Dele. Eu devo estabelecer um desejo por Ele e descobrir diferentes ações com relação a este desejo, a minha reação com esse fenômeno, para saber como vou alcançá-lo por mim mesmo de modo que eu O conheça. Assim, eu vou alcançar o Criador e entender o que Ele quer alcançar em Sua atitude para comigo, quando Ele atrai esse fenômeno para mim. Eu devo responder nas “10 Sefirot” completas.

O mundo de Atzilut define o primeiro exemplo de como o ser criado deve se parecer. O ser criado não pode alcançar nada se não passou pelas quatro fases, se não construiu todas as “10 Sefirot“, se não alcançou a raiz do fenômeno, conhecendo o Criador que organizou tudo isso. Portanto, nós temos que construir 10 Sefirot, um Partzuf completo, de cada ponto que o Criador descreve para nós.

Esta é a razão de precisarmos trabalhar muito por muito tempo. Afinal, nós mesmos devemos alcançar através da raiz de todo o fenômeno, para conectar Malchut com Keter.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 19/12/12, “O Estudo das Dez Sefirot

Uma Imagem Traçada No Ar

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Sabedoria da Cabalá e a Filosofia”: … A verdade é que a força em si também é considerada uma matéria genuína, assim como qualquer matéria corpórea no mundo concreto…

Nós dizemos que a espiritualidade é uma “força”. Será que isso significa que este mundo é a matéria? Não, não significa. A força por si só é matéria. Não há nada além de força. A física contemporânea chegou à seguinte conclusão: para além dos átomos, partículas e fótons, nós não detectamos a matéria. Mesmo quando nós usamos os métodos tradicionais de exploração do universo e vamos fundo em sua base, descobrimos que a matéria de base “desaparece” e, na verdade, age como uma força. Nós estamos acostumados a traçar uma imagem material do mundo, mas na verdade ela só existe em nossa percepção. Na verdade, a matéria é apenas uma força, nada mais do que isso.

Esta força é dividida em duas categorias (dois desejos): doação e recepção. No geral, a multiplicidade de forças isoladas descreve um tipo de realidade que os Cabalistas chamam de imaginário, ilusório. É realista, mas efémero, como um desenho tridimensional no ar feito com um feixe de laser. E nós vivemos nele; na verdade, “viemos” deste “feixe”. Todos nós somos “pintados” no espaço, e, de fato, a nossa essência é também uma força, dois desejos e uma tela que os equilibra.

Estas forças estão recebendo e doando desejos que devem se incorporar e integrar um com o outro. Mas tão logo uma delas domina a outra, o desejo resultante também tem “acesso ao poder”, e cooperação, participação, compreensão, sensações comuns compartilhadas por todo o caminho até o amor, quando todo mundo está pronto a se associar, a permanecer em cooperação e compreensão mútua, compartilhar sensações comuns, incluindo o amor e pronto para desistir de tudo o que têm para o bem do outro e, ao mesmo tempo, tem que aceitar tudo dos outros.

A força de recepção tem que alcançar o mesmo poder de ser como o poder de doação, senti-lo, e desenvolver-se de acordo para obter qualidades semelhantes ao Criador. Para isso, ela deve passar por estados especiais que lhe permitam sentir que está viva e com poderes para tomar decisões, planejar e implementar planos na realidade. Neste ponto, é impossível tolerar sem uma imagem imaginária. É deste lugar que vem a ilusão chamada “nosso mundo”, onde o desejo de receber prevalece.

Baal HaSulam dá o exemplo de um cocheiro que morava com sua esposa e filhos, ganhava dinheiro suficiente para manter sua casa corretamente, e era muito feliz até que seus problemas começaram: seu cavalo morreu, a casa foi incendiada, e sua esposa e crianças morreram numa epidemia. Como resultado, o cocheiro compareceu perante a Suprema Corte, onde foi decidido que ele receberia por sua adversidade já que tinha sofrido tanto.

O que ele recebeu? Ele recebeu um cavalo, um carro, uma esposa, filhos e uma casa, o mesmo sentimento, que para ele era a felicidade. Neste “filme”, ​​a sua vida é maravilhosa novamente: ele trabalha, traz dinheiro para sua família, e se alegra com isso. Tudo está ótimo! Seu desejo é pequeno, mas para ele é um verdadeiro paraíso, onde tudo está bem e nada mais é preciso. Uma ilusão perfeita.

Às vezes, nós temos sonhos. Em que eles diferem da realidade? E se num par de minutos o despertador toca e você acorda e percebe que o que você viu era um sonho? Na verdade, é assim que ocorre. Então, qual é a diferença entre um sonho e a realidade? Como podemos distinguir um do outro?

É importante compreender que a nossa realidade é “desenhada” por uma força e é dada a nós para fazer o nosso desejo de receber se sentir independente, poderoso, competente, e separado daquele que realmente age. Esta é a única maneira de alcançar a equivalência de forma com o Criador. Caso contrário, que tipo de equivalência haveria se eu estivesse completamente sob Seu controle?

Na verdade, a nossa separação do Criador é ilusória, e é por isso que esse mundo é chamado de imaginário. Por outro lado, os reinos espirituais não são imaginários, porque é onde estamos cientes da ilusão, concordamos com ela, e subimos acima da razão. Lá, nós trabalhamos acima do nosso entendimento, sabendo que não há outro além Dele, concordando com isso cada vez mais profundamente. Nós já estamos trabalhando com uma força verdadeira, apesar do fato de que nós mesmos também somos uma força, e só há uma força.

Pergunta: Se toda a nossa vida é apenas um grande sonho, que conclusões práticas nós podemos tirar disso?

Resposta: Diz-se nos Salmos: “Nós éramos como sonhadores”. Na prática, eu tenho que levar essa vida a sério. Eu posso subir acima dela, não negligenciá-la. Nada deve ser desconsiderado. A “imagem” atual é desenhada para mim pela força superior, e até eu completar o período de preparação, eu não consigo me livrar dela. Eu tenho que continuar sentindo esse mundo até o fim da correção; cada vez voltando para novas correções. Mesmo que eu suba para o 124o nível e tudo o que resta seja o último nível, o 125o etapa, eu ainda vou voltar.

Não há outra escolha. Esta “infraestrutura básica” é extremamente importante, uma vez que apenas inclinando-nos sobre ela, percebemos nossa escolha. Graças a isso, a cada passo, parece que agimos de forma independente e que somos iguais com o Criador, e talvez sejamos ainda mais poderosos do que Ele. Não há a menor chance de se fundir com Ele sem esse sentido de independência. Caso contrário, não existe “eu”, aquele que é capaz de fundir-se com Ele.

Esta é a nossa forma de agir neste mundo. Que ela seja imaginária, nós estamos conscientes disso, e a aceitamos. Nós estamos começando a jogar conscientemente com a nossa “independência”, e, neste ponto, o fato de que estamos sendo governados por Ele não é mais segredo para nós.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 18/12/12, “A Sabedoria da Cabalá e a Filosofia”

O Criador Como Denominador Comum

Pergunta: É preciso conectarmo-nos numa forma interior, em nossos desejos. Mas como posso abordar o desejo do amigo?

Resposta: Para você, sua inclinação para o Criador é o suficiente. Só com esta inclinação, sem tentar cavar mais fundo, você se conecta. Ambos vocês não conseguem entender este desejo que o Criador “plantou” em cada um de vocês. Mas precisamente este desejo no amigo, e só ele, é importante para você. Esta é uma tendência subtil do refinamento da alma. Você ama a centelha espiritual do amigo, sua inclinação para o Criador. Seu caráter e seus costumes não são importantes para você; é apenas o Criador que conecta você, porque é “Nele o nosso coração se alegrará.”. É Nele. Vocês querem encontrar-se no Criador.

Os outros desejos estão conectados de uma maneira diferente, eles permanecem em você e simplesmente estão à procura de preenchimento juntos. Mas na prática isso não é a unidade com o outro, mas sim aproveitar-se do outro.

E nós, por outro lado, não conectamos só entre nós. Luz chega para nós que doa em cima de nossos desejos, nos liga, e habita em nós, em nossa conexão. E então todos nós juntos estamos contentes que demos ao Criador a possibilidade e a capacidade de ser revelado.

Portanto, para você, é o suficiente para você ter a inclinação para a verdade, para o Criador,para o objectivo. Você mesmo ainda não sabe aonde você está indo, mas o desejo já existe, e você precisa sempre aumentá-lo e cuidar nele. Como? Ao se conectar com os amigos. Como resultado disso, desejo suficiente aparecerá em que a Luz vai corrigi-lo, vai ligar para um grande desejo único que nele você irá revelar o Criador e se alegrará nele.

De dia para dia será mais claro para você como usar todos os tipos de meios, a fim de preparar-se para o novo estado. Você não vai conseguir compreender isso com antecedência, e você não precisa exigir compreensão, mas a força de doação em “acima da razão.” Precisamente por este anseio pela razão “acima doação “, o conhecimento será revelado e você vai saber.

Da 1ª parte da Lição Diária da Cabalá 12/12/12, Escritos do Rabash

Uma Bússola No Caminho Espiritual

Dr. Michael LaitmanO Livro do Zohar, Capítulo “Naso“, nº 93: Quando a Árvore do Bem e do Mal governa, que é a pureza dos dias da semana e a sujeira dos dias da semana, então esses sábios, que são comparados aos Sábados e feriados, não têm nada mais que os dias da semana lhes dão. Bem como no Shabat, não há mais do que é corrigido com a sua ajuda durante os dias da semana.

Um homem por si só, em sua base, é apenas um ponto. Ele recebe todo o seu “corpo” (desejo) do ambiente por meio da Luz que Corrige. E esse “corpo” é preenchido com a Luz, o Criador que se revela nele.

É por isso que os Cabalistas escrevem como através dos desejos/vasos/Kelim recebidos do ambiente, a pessoa cada vez revela o Criador. Tudo o que está escrito no Zohar trata-se dos níveis de revelação do Criador nos desejos que recebemos do ambiente.

O Criador é revelado dentro dos desejos, dentro do ambiente, no mesmo lugar. O Zohar descreve os graus desta revelação, tanto do lado do mal quanto do lado do bem, de maneiras opostas, porque é impossível tentar algo e sentir o seu sabor se não for salgado, doce, etc.

É por isso que O Zohar nos leva através de diferentes experiências. Mas nós não sabemos nada, não revelamos nada, exceto o Criador. O conceito de ambiente e detalhes específicos de percepção desaparece, e tudo isso se torna cada vez mais conectado ao “não há outro além Dele”, num todo. No final, nós descobrimos um desejo/vaso, e dentro dele o Criador. E nada mais.

É por isso que, se a pessoa anseia pela grandeza do Criador, para ter apenas o que está na sua frente, isso a dirige corretamente.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/12/12, O Zohar

Por Que Dar Prazer A Um Pensamento?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Para as pessoas religiosas as palavras “agradar ao Criador” ou “dar prazer a Ele” são compreendidas. Em termos da mente integral, o Criador é a natureza. Assim, as palavras “dar prazer à natureza” soam um pouco estranhas, como se você quisesse dar prazer à lei da gravidade.

Resposta: Imagine que a natureza é aquela mesma força que gera e desenvolve todos os organismos, todas as sensações, toda a inteligência e todas as coisas animadas e inanimadas, absolutamente tudo.

Muitas pessoas já entendem que a natureza é universal e que realmente tem tudo: também o intelecto oculto e os sentimentos escondidos. Nós precisamos revelá-los, convidá-los para um diálogo compartilhado. E você precisa desenvolvê-los até o estado onde sente todos esses atributos na natureza.

Pergunta: Será que a natureza existe como pessoa e será que ela desfruta?

Resposta: Não só a vida, mas o intelecto superior existe nela. Fale com um astrônomo, com os astrofísicos, e eles vão lhe dizer que todo o universo é intelecto, é pensamento. Isto é como eles sentem.

Pergunta: Mas por que eu deveria dar prazer a um pensamento?

Resposta: Você vai se sentir como parte dele e vai começar a entender que o desenvolvimento dos desejos e seus anseios pela doação absoluta, que é incondicional, é o que constitui o estado mais elevado.

Quando você doa, através de você passam todas as informações, toda a energia, todos os prazeres, todas as satisfações a todo o resto. Você está com o Criador, já que está no nível mais alto da natureza. Você entra em equivalência com ela.

Eu entendo que lhe faltam algumas expressões emocionais, mas elas virão gradualmente. Afinal, antes você já não sentia muitas coisas em sua vida, você as odiava, rejeitava, e depois você começou a senti-las gradualmente.

Comentário: Teoricamente, você pode entender os índios. Por exemplo, geralmente é mais fácil pensar que algum tipo de pessoa desfruta, e não uma lei da natureza que é difícil de entender.

Resposta: Por que não? A natureza é um campo; ela é universal.

E um indivíduo é algo concreto, com volume, com limites especificados. A natureza é algo que não tem limites. Não é nem mesmo o nosso universo, mas muito maior. Não temos palavras para descrevê-la.

E se uma pessoa inventa para si alguma força superior, ela realmente constrói a sua imagem, pois, afinal de contas, não consegue descrevê-la de outra maneira.

De KabTV de “Conversas com Michael Laitman” 03/11/12

Um Envelope Vazio Que Vale Mil Dólares

Dr. Michael LaitmanDo artigo do Baal HaSulam “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot“: …é o caminho da Torá, ou seja, a extensa preparação que a pessoa deve fazer para preparar a purificação de seu corpo antes de ser realmente realmente recompensada com o cumprimento de Torá e Mitzvot.

Trata-se do chamado “tempo de preparação”. Uma pessoa chega para estudar Cabalá, mas ainda não entende onde está. Ela começa com algumas palestras introdutórias, depois se familiariza com um grupo, participa de vários workshops e do trabalho comum. Se ela se junta a um grupo, ela acumula novos valores e atitudes de seu grupo, quer ela queira ou não. É assim que começa o seu período de preparação, que dura até que ela chega a um estado chamado de “Lishma”, ou seja, que a a Luz que Reforma começa a impactá-la de uma forma que seus desejos são alterados.

“Conclusão do Caminho da Torá” significa “pedir por um milagre”, ou seja, apreciar o processo de doação. A pessoa tem que querer se livrar de interesses egoístas. No entanto, ela tem que aspirar a esta condição não porque quer escapar dos sofrimentos, mas sim para se tornar capaz de doar. Doar deve ser tornar seu único prazer. Quando uma pessoa sobe acima de seus desejos egoístas, ela ainda está preocupada com vários problemas, mas vai ser em prol de cuidar dos outros. Ela considera apenas esse tipo de comportamento como “vida”.

Uma vez, quando me dirigia a uma sauna com o Rabash, perguntei-lhe sobre a maneira de verificar o meu nível “Lishma“. Ele explicou-me o seguinte: “Um amigo seu está retornando um envelope com algum dinheiro que lhe devia. Há $ 1.000 no envelope. Você conta o dinheiro e ve que há $ 999. Você acha que não é um grande problema e decide que muito provavelmente o seu amigo simplesmente calculou mal a quantidade e esqueceu que falta $ 1. Você acha que nem vale a pena mencionar isso a ele. Então, você fecha o envelope e encerra o negócio”.

“Isso é chamado de ‘agir dentro da razão’. Se você conta o dinheiro ou se é movidos por qualquer tipo de cálculo, significa que você é governado por sua mente. Se você conta o dinheiro, e ainda aceitar a estimativa do seu amigo, (é óbvio que ele queria voltar todo o montante de $ 1.000), então você aceita o envelope sem qualquer hesitação, quer ele tenha ou não a quantidade total que você devia receber de volta. Isso significa que você vai além de sua própria opinião e acima de sua mente”.

“Não importa o quanto o seu amigo lhe devolveu. Você aceita qualquer quantidade dele como se fosse mil dólares; não há mínimo que você aceitaria. Você não estabelece nenhuma condição, nem mesmo pensar em seu possível erro. É simplesmente impossível! Ao aceitar US $ 999, você está $ 1 “acima da razão”.

Se você abre o envelope e vê que há apenas um dólar nele, mas você ainda o aceita como se fossem $ 1.000, isso significa que a sua “fé acima da razão” é de $ 999. É bastante significativo…

É o tipo de fé que não permite obter nada em troca. Você toma o julgamento do Criador ou a estimativa de seu amigo como certo; assim, você sente como se recebesse todo o valor de volta. Você sente “como se” seu amigo devolvesse a você o valor total de $ 1.000 – 100%. Esta situação satisfaz você e lhe capacita a subir do nível de “Lo Lishma” para “Lishma“.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala 11/12/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

Vendo O Criador Por Trás Do Amigo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que eu descubro coisas novas sobre o mundo quando corrijo a minha atitude para com os outros e os amo?

Resposta: Trata-se sempre do seu desejo. Há apenas o vaso e a Luz – o desejo e o que acontece nele. A questão toda é como eu o trato, o “estranho”, dentro do meu desejo.

Em outras palavras, há a imagem de um estranho em mim, e eu tenho que corrigir meu desejo com relação a essa imagem, para inverter o meu desejo, e, consequentemente, descobrir um novo estado.

Eu nunca saio de mim mesmo. Eu só preciso mudar a mim mesmo, a minha atitude ruim, meu ódio, e transformá-lo em amor. Assim, eu vou descobrir o mundo espiritual na minha relação com vocês.

De uma forma ou de outra, tudo acontece internamente. Nós estamos diante de um mundo gigantesco, mas todos entendem que essa imagem é retratada em nós. Baal HaSulam escreve sobre isso na “Introdução ao Livro do Zohar“.

Mas de onde vem essa imagem dentro de mim? É o resultado da ação do Criador. Cada nível da natureza (inanimada, vegetal, animal e falante), todos os níveis do desenvolvimento do desejo, desde a fase da “raiz” até a “fase quatro”, me leva ao Criador, a alcançar a força superior.

Isso significa que tudo o que eu sinto por fora é o Criador. Portanto, o Rabash diz que devemos ver o Criador no amigo, ou pelo menos por trás do amigo.

Assim, a imagem externa na minha percepção é a centelha, a partícula da Luz, o Criador. Assim, graças à quebra dos vasos, de repente eu descubro os outros, os estranhos fora de mim. Um “dipolo” é revelado em mim: eu e mais alguém. Esse alguém preenche por enquanto o lugar do Criador, para que eu possa exercitar o auto-aperfeiçoamento com ele; na verdade, não há nada, exceto a pessoa e o Criador.

Portanto, nós devemos entender que em nossas correções no círculo dos amigos, nós ajudamos a melhorar o mundo inteiro. Aqui nós podemos entender o que o Baal HaSulam diz no final da “Introdução ao Livro do Zohar“: se Israel se corrige, a Luz é derramada, a partir dele, para o resto da realidade; nós não precisamos de mais nada. Basta que nos corrijamos.

Assim, meu amigo não é um amigo, mas o Criador, que inseriu esta imagem em mim no fundo de todos os outros níveis da realidade. Na quarta fase do desenvolvimento, a criatura sente vergonha diante do Criador, e é exatamente por isso que eu odeio o amigo que vejo diante de mim. Este é o resultado dessa vergonha.

Vamos voltar para o que uma pessoa aprende durante a correção.

Sem essa informação é simplesmente impossível ter êxito, pois, como ela pode aumentar o seu amor? Cada nível é feito de sentimentos e mente; é impossível avançar apenas por um deles. Afinal de contas, o prazer reside apenas em atingir as ações do Criador.

Ele quer que nós O descubramos como bom e benevolente. A fim de fazer isso, você tem que saber como Ele faz isso: com qual sabedoria, de que forma, com que interesse. A sabedoria é essencial aqui, e deve ser uma sabedoria profunda, como se você estivesse vestido no Criador.

Em nosso mundo você não entende os pais até que realmente cresce e se torna um pai. É o mesmo na espiritualidade: a adesão é necessária, pois sem ela você não vai entender o Criador, quem Ele é e o que Ele é. O Amor vem como resultado disso.

A menos que você atinja o Criador, você não será capaz de amá-Lo. Como adultos, nós lembramos diferentes eventos de nossa infância, o que os nossos pais fizeram, o que nos ensinaram, como se sacrificaram por nós, e começamos a entendê-los e amá-los muito mais do que na nossa infância. É o mesmo com o Criador.

Da 4ª Lição Diária de Cabalá 16/12/12, “A Sabedoria da Cabalá e a Filosofia”

Um Machado Nas Mãos De Um Lenhador

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, Carta 1: E já que o supervisor e o supervisionado são um, é impossível distinguir entre o bem e o mal, e todo mundo é amado e todo mundo está limpo, já que carrega vasos do Criador, pronto para louvar a revelação e a singularidade do Criador, e isso é percebido pelo sentido, e de acordo com este valor, eles finalmente sabem que todas as ações e pensamentos, tanto os bons quanto os maus, carregam vasos do Criador, e Ele os preparou e eles vieram de Sua boca, e isso vai ser revelado a todos, como o fim da correção.

No entanto, este é um longo e ameaçador exílio, e o principal problema é que, quando uma pessoa vê alguma ação que não é certa, ela cai de seu nível, já que pensa que realiza essa ação, esquecendo-se de que Ele é a única causa de tudo e que tudo vem Dele, e não há mais ninguém que opere no mundo além Dele.

Nós podemos atribuir os eventos bons ao Criador, mas a pessoa começa a se torturar por causa dos acontecimentos ruins, a sentir pena com relação às suas ações e a lamentar o que acontece com ela. É difícil para ela atribuir tudo ao Criador. Ela está chateada e arrependida sobre seu passado, sobre seus fracassos, pensando que é a razão para os acontecimentos desagradáveis, ou por não avançar o suficiente, ou por ter perdido alguma coisa. Só mais tarde é que ela consegue corrigir esses “erros e atos maliciosos” em relação ao passado e transformá-los em “corretos”.

É o mesmo com relação ao presente e ao futuro: se a pessoa considera algo como ruim, significa que ela não atribui isso ao Criador, mas sim por outras razões. Esta é a forma como tudo é organizado pela Providência superior. Se a pessoa pensa que há outras razões além do Criador, ela é realmente culpada do que está acontecendo, e isso é chamado de “e você deve adorar outros deuses”, idolatria.

Assim, a pessoa quebra a primeira lei do “não há outro além Dele”, e, portanto, abandona o caminho. Ela não está focada mais no objetivo da criação, na revelação do Criador; ela não está entre forças equilibradas que lhe levam à verdade.

Portanto, todo o nosso trabalho é revelar a Providência superior como a Providência privada que vem do “não há outro além Dele”, na forma do bom e benevolente, em qualquer momento no passado, presente e futuro, e é o mesmo serve para todas as pessoas no mundo.

O ser humano é o ponto a partir do qual a pessoa determina que “não há outro além Dele”, e que Ele é bom e benevolente. O ponto a partir do qual ela determina a qualidade da Providência superior aumenta gradualmente até atingir as dimensões do Criador. Este é o lugar onde estão todos os 125 graus de nosso crescimento espiritual .

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 16/12/12

O Que Torna O Nosso Trabalho Eficaz?

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que precisamos ter em mente para que o grupo não se transforme num bando de escarnecedores (zombadores)?

Resposta: Cada vez, nós deliberadamente caímos sob a influência do Criador, que zomba de nós e nos sacode como bebês, como se simplesmente “sacudisse tudo para fora” de nós. Hoje somos tão agradáveis e “fofinhos”, prontos para amar tudo e todos. Mas amanhã voltaremos a ser completamente opostos. Como podemos esquecer que o nosso caminho é feito de subidas e descidas? Não podemos nos lembrar disso se nos esquecemos do Criador.

Por que se diz: “Israel, a Torá e o Criador são um”. Israel significa “anseio pelo Criador”. Por isso, o remédio para a correção – os nossos estudos, o grupo – onde tudo isso é compreendido, e o próprio Criador, tem que ser como um só, num só lugar. Há o Criador, o grupo e eu.

Nós temos que constantemente conectar tudo num todo unificado; não pode haver qualquer outra visão do mundo! A fim de me concentrar e devidamente olhar para o que está acontecendo, eu preciso desses três pontos: o olho, a visão e o alvo. Caso contrário, não serei capaz de fazer nada.

Portanto, se quisermos manter o grupo na intenção correta, é nossa responsabilidade ter em mente que a nossa meta é a adesão com o Criador. Caso contrário, o que vai nos motivar, o nosso egoísmo? Hoje eu estou disposto, amanhã não estou.

Aqui o Criador aparece como o definidor, o primeiro a agir, ou o que inicia nossas ações, que cria o grupo e tudo o que está acontecendo conosco, que nos dá tudo. Tudo o que temos em nossos corações e mente agora, tudo o que ouvimos e sentimos, tudo isso é obra Sua.

Como devemos, em conjunto, responder a isso, baseado no fato de que sentimos algo vindo Dele? A partir deste momento, o nosso trabalho começa. Este é exatamente o momento em que todos nós claramente sentimos que foi Ele quem nos uniu agora; Ele conecta todos nós num só desejo, uma intenção, e no mesmo pensamento. É Ele quem preparou tudo para nós, para que todos juntos começassem a subir e lutar por Ele. Portanto, como podemos subir até Ele, para que possamos fortalecer conscientemente entre nós o que Ele criou? O que significa: “Eu agora me ligo ao grupo?”. Eu me ligo aos outros e ao Criador no desejo comum, num objetivo e aspiração comuns. Se o esforço que cada um de nós exerce liga todos os outros e o Criador juntos, esta é precisamente a nossa resposta ativa. É assim que devemos agir. Se imaginarmos que tudo vem do Criador e sabemos como devemos responder a isso, este vai ser um trabalho muito eficaz, uma medida muito eficaz.

Da Convenção em Novosibirsk 08/12/12, Lição 4

Mandamento Do Amor

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significa agradar o Criador?

Resposta: Agradar, dar prazer ao Criador, amar o Criador, todas essas palavras são muito bonitas. Mas como podemos amar uma força, mesmo que ela seja eterna e governe tudo o que existe? Todas estas palavras são ditas a uma pessoa para que ela possa se ajustar de alguma forma.

Nós só chegamos a amar o Criador através do amor aos outros. No artigo, “Um Mandamento”, há uma instrução: chegar ao amor pelo Criador. Mas como podemos ser solicitados, obrigados a amar? É possível quando trabalhamos no amor pelo outro (pelo próximo), criando uma massa comum de nossos anseios pelo outro, construindo uma conexão comum acima do nosso egoísmo, e cobrindo-o com amor mútuo. Está escrito: “O amor vai cobrir todas as transgressões”. Quando nós construímos uma propriedade coletiva da conexão mútua comum e ansiamos por todos enquanto cultivamos o amor internamente, então, em nosso egoísmo interno, surge uma estrutura completamente nova: a adesão, a inclusão mútua.

Amor significa que eu assumo todos os seus desejos e cuido deles, pensando unicamente em como satisfazê-los, enquanto você pensa nos meus, e assim por diante. Amor significa satisfazer os desejos do outro, em vez do meu próprio, usando-os para este fim. Se eu organizo tais condições dentro de mim, ao fazê-lo eu desenvolvo um vaso lá que trabalha para o benefício da doação. Este vaso comum, que todos nós estamos criando juntos, contém nosso componente coletivo chamado “amor pelo Criador”.

Nós começamos a experimentar não só o vaso comum, a nossa atitude para com os outros, o amor por eles, doando a eles, mas também o que me preenche ao longo do caminho. Esta sensação é chamada de Criador, Boreh em hebraico (“Bo“- venha, “Reh“- veja). Quando nós criamos um vaso espiritual coletivo, como resultado o Criador é revelado lá.

Assim, a principal Mitzva é muito simples: “Ame ao próximo”. Através do amor pelo outro, no vaso que você criou, você sentirá o amor do Criador e, respectivamente, o amor Dele por você.

Pergunta: Qual é o objetivo final deste trabalho?

Resposta: Está no fato que você chega a uma completa equivalência e adesão com Ele em nosso próprio egoísmo corrigido. É assim que você sobe para o nível do Criador. Este é o objetivo final da criação. Você começa a experimentar a sensação de que está em adesão total com Ele, mas você não se dissolve nele, porque todo o seu vaso com você.

Em outras palavras, a sensação de ser oposto não acaba, visto que a adesão com o Criador ocorre acima dela; caso contrário, poderia ocorrer a aniquilação mútua. Por isso, nós temos de ver o nosso egoísmo como a matéria com a ajuda da qual avançamos. Nós devemos tratá-lo com respeito, pois é a imagem invertida do Criador. Por outro lado, todo o nosso mundo é a Sua imagem inversa no nosso nível.

Da Convenção em Novosibirsk 08/12/12, Lição 4