Textos na Categoria 'Equivalência com o Criador'

Quanto Mais Duro O Material, Mais Precisa A Sua Forma

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Um Discurso para a Conclusão do Zohar“: Em vez disso, nós entendemos a Dvekut (adesão) como equivalência de forma entre dois objetos espirituais, e entendemos a separação como disparidade de forma entre dois objetos espirituais.

Pergunta: O que é a “equivalência de forma”?

Resposta: Há duas categorias: interna e externa. Por exemplo, eu vejo diferentes estátuas. Uma é feita de mármore, outra de gesso, uma terceira de argila, e outras de granito, de plástico, e assim por diante. Todas têm a mesma forma exterior, mas o material é diferente.

Da mesma forma, também precisamos atingir uma equivalência de forma. Primeiro, o seu material – o que significa quem você é e o que você é – se revela na forma de algodão, lã ou barro, e com esse material você esculpe uma imagem superior. O seu “material” são seus atributos: seus desejos, pensamentos, tudo que você é internamente.

Então, você cria a imagem do superior a partir de um material mais duro, e embora seja menos flexível, você pode criar formas mais precisas. Cada vez, o material fica cada vez mais duro, até chegar ao material mais duro, e, consequentemente, chegar a uma equivalência muito mais precisa com o superior. Será a precisão total, uma equivalência completa de forma, adesão.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 30/01/13, Escritos do Baal HaSulam

Um Desejo, Um Ponto E Luz

Baal HaSulam, Introdução ao Livro do Zohar, Artigo 66: tenha em mente que em tudo há internalidade e externalidade. No mundo em geral, Israel, os descendentes de Abraão, Isaac e Jacó, são considerados a internalidade do mundo.

“Israel” são aqueles que têm uma inclinação para as três linhas, para a doação. Essas três linhas simbolizam Abraão, Isaac e Jacó, e Israel aspira integrá-las para que a força da doação e a força da recepção se conectem e cheguem à adesão com o Criador na linha do meio.

Afinal, existem apenas essas duas forças na realidade — a força da recepção e a força da doação A primeira refere-se ao ser criado e a segunda ao Criador.

Se a força de doação está também no ser criado, uma faísca ou um ponto no desejo de receber, então por isso o ser criado pode construir a linha média. O desejo é a linha esquerda e o ponto no desejo, a faísca da Masach (tela), antes da quebra, é a linha direita, e a Luz que foi convocada para operar em soldá-las fornece a linha média, acima da razão, doação acima da recepção. [Leia mais →]

Mudar Todos Os Negativos Em Positivos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu posso fazer uma aliança com o Criador, se não O conheço?

Resposta: A pergunta é: Por que só o noivo assina os acordos matrimoniais (Ketubah) e não a noiva? Há uma espécie de compromisso unilateral aqui? O mesmo acontece quando a pessoa assina um acordo com o grupo ou com o Criador.

Isto significa que a minha assinatura no atual contrato é suficiente, uma vez que o acordo do outro lado é certo. Assim, somente aquele que hesita e não tem certeza tem que assinar. Assim, ele é obrigado a assinar o compromisso.

Existe uma força superior, e para revelá-la, deve haver uma força inferior. A força do superior é a doação e a força do inferior é a recepção. A força do inferior deve atingir a plenitude em sua deficiência para se conectar à força superior que é eternamente plena.

A plenitude é atingida na força inferior através da conexão de 10 pessoas, por exemplo, depois de 100, e depois de 1000. Nós sempre adicionamos mais um zero.

A menos que eu me conecte com 10 pessoas, não posso ser chamado de uma “unidade” espiritual, e, a menos que eu me conecte com 100 pessoas, não posso ser chamado de uma segunda “unidade” espiritual, o que significa subir para o segundo nível espiritual. O contador só conta os zeros adicionais, e isso é considerado um salto para o próximo nível.

A fim de estar adaptado à força superior plena, eu devo atingir ao menos a conexão do primeiro 10. Isso significa que eu tenho que me conectar com 10 pessoas, já que de acordo com a nossa natureza interior, nós alcançamos a primeira medida mínima de doação (#1) através da conexão de 10 pessoas com um só coração e uma só alma. Agora, eu tenho a primeira força de doação.

Se eu consigo me conectar com 100 pessoas de uma maneira similar, como um só coração e uma só alma, anulando-me totalmente, eu alcanço a segunda força de doação, o segundo nível espiritual. Desta maneira, eu devo passar pelos 125 níveis.

Para me conectar com eles, eu assino um contrato mútuo. Nós devemos estar conectados de modo que cada um vai se esquecer de si mesmo e se conectar com todos, como um todo. É impossível fazer isso sozinho e temos que ajudar um ao outro. Nós devemos fornecer a todos a grandeza do objetivo, conexão, calor e exemplos positivos. A fim de fazer isso, nós assinamos um contrato, e isso é chamado de aliança.

Cada um de nós passa por estados “+” (positivos) e “-” (negativos), e nós precisamos do negativo para subir ao positivo, para nos “endireitar”. Isso é possível se, enquanto eu estou num estado “negativo”, a sociedade intensifica a minha intenção. Meu negativo cresce e o positivo também cresce; eles aumentam constantemente. Depois de um pequeno positivo, existe um grande negativo, e depois de uma grande positivo há um negativo que é duas vezes maior.

É por isso que eu nunca consigo superar o negativo que recebo e ele sempre me derruba no chão. Eu posso ser jogado totalmente para fora da pista, e posso continuar a trabalhar, mas sem qualquer inspiração e pensamento. Quando eu caio em tal estado negativo, a sociedade tem que intensificar a minha intenção.

É uma coisa boa eu ter recebido tal negativo, já que preciso de um negativo maior; eu devo chegar a sua medida plena para preencher minha medida. A questão é como transformá-lo em positivo. A fim de fazer isso, eu preciso de uma intenção! Se a minha deficiência e a intenção da sociedade se conectam, eu posso mudar o negativo em positivo cada vez, e assim, subir constantemente. Isso é chamado de fazer uma aliança.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/1/13, Escritos do Rabash

O Começo do Trabalho Espiritual foi Iniciado

Rabash, “A entrada para o Trabalho”: O início do trabalho deve ser em Lo Lishma (não por sua causa), o que significa que por acreditar no Criador “um” terá uma vida de prazer. Isto significa que, se ele faz isso, o que é chamado de fé, então ele se sente euforia e tem maiores poderes mentais do que ele tem quando ele não executa essa ação.

Acontece que esta é uma qualidade única pela qual ele pode provar gostos maiores em quantidade e em qualidade do que ele prova quando executa outras ações especiais que trazem o prazer… prazeres e qualidades únicas trazem-lhe prazeres limitados em quantidade e em qualidade. No entanto, a qualidade única de fé lhe traz prazer maior em quantidade e em qualidade. E tudo isso é chamado Lo Lishma desde que sua intenção era apenas a fim de atingir um maior prazer.

Somente depois que ele atinge o nível que é chamado LoLishma,ele é recompensado com outros fenômenos e chega a um estado mais elevado. Isso significa que ele não tem interesse próprio, mas todos os seus interesses e pensamentos são verdadeiros. Isto significa que sua intenção toda é apenas para anular-se na verdadeira realidade, sentindo que ele só tem de servir o Rei desde que ele sinta a supremacia do rei e sua importância. [Leia mais →]

Harmonia Eterna

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como podemos chegar a um estado de equilíbrio entre o grupo dos homens e o grupo das mulheres, de modo que os homens correspondam aos interesses do grupo das mulheres e exista harmonia entre eles?

Resposta: Só pode existir harmonia se ambos os grupos se conectarem juntos com o Criador, não medindo um em relação ao outro. Somente desta forma! Não haverá harmonia em lugar algum, nem na família, e nem em qualquer outro lugar, se o Criador não preencher o espaço entre os dois objetos.

Da Lição Virtual 20/01/13

Tornar-se Aluno Do Criador

Na atitude de uma pessoa para com o Criador, devemos primeiro desenvolver a importância da parte superior dentro de nós, o que é chamado de “fazer de si próprio um Rav ” para que o Criador se torne grande aos nossos olhos. Agora Ele está escondido e não sentimos que Ele é importante. E na medida em que ganhamos a fé no Criador, apesar de não vê-lo, mas desenvolvemos o sentido da sua importância com a ajuda do grupo, o Criador parece grande para nós. Então, nós estamos prontos para fazer todo tipo de ações, a fim de conectar-nos a ele. Este é todo o nosso trabalho com o Criador.

Eu venho ao grupo, começo a estudar, oiço e tenho a oportunidade de descobrir a realidade superior. Enquanto isso, ela se esconde de mim e eu não sinto isso, não entendo, não vejo nada, mas eu já tenho um desejo para ela, que não está muito claro ainda, e quero cumpri-lo.

É difícil para mim viver sem cumprir esse desejo, sinto que a vida é vazia e sem sentido. Tudo o que eu tenho , perdeu o seu significado e se tornou insípido. Disseram-me que eu não sinto o Criador uma vez que meus atributos são opostos dos Seus, como eu tenho certos atributos na minha realidade atual que eu não escolhi.

De acordo com estes atributos , eu percebo a realidade de acordo com a lei de equivalência de forma. Sabemos que é possível captar um determinado comprimento de onda só pelo detector apropriado. Eu vejo cores e oiço sons apenas de acordo com os meus sentidos que podem perceber e descobri-los porque eles têm os mesmos atributos que o fenómeno observado. Tudo é de acordo com a equivalência de forma.

Assim, de acordo com meus atributos, vejo apenas um fragmento minúsculo do mundo que está diante de mim. Este fragmento é o mundo que eu sinto e vejo. Pode haver milhões de outros fenómenos ao meu redor que eu não percebo, já que não desenvolvi o sentimento e os sentidos por eles.

Toda essa realidade é chamado o “Criador”. Ele criou toda esta realidade, mas Ele me mostra apenas um pequeno fragmento dele em que eu possa viver e desenvolver-me independentemente, a fim de descobrir e senti-Lo.

Eu desenvolvo os meus sentidos por mim, e assim eu entendo o que eu faço e o que eu sinto. Assim torna-se o meu sistema, porque eu desenvolvo meu próprio sistema por mi mesmo, desenvolvendo e melhorando a mim mesmo. Por isso, eu construo a imagem do Criador dentro de mim, até que eu sinta toda a realidade completamente. Isto significa que eu tenha recriado a imagem de toda a realidade externa, a imagem do Criador, dentro de mim. Portanto, eu sou chamado Adão, um ser humano inteiro, que se assemelha (Domeh) com o Criador.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala de 23/01/13, Escritos do Rabash

Deslizar Sobre As Ondas Do Desejo

Dr. Michael LaitmanOlhando para a criação como um todo, em cada objeto e parte dela, nós podemos reconhecer uma medida do desejo: desejo de preservar a si mesmo, suas propriedades, seu estado. Isso vale para qualquer parte da natureza inanimada, animal, vegetal e humana. Cada uma se caracteriza por determinado grau de desejo, já que o desejo foi a única coisa criada. De nossa parte, nós só adicionamos a ele quando temos a chance de trabalhar acima dele.

Nos níveis inanimado, vegetal e animal, nós vivemos dentro do desejo e não entendemos como isso pode ser mudado em altura, tamanho e aplicação. Por outro lado, o nível humano numa pessoa adquire a capacidade de compreender isso, começar a querer mudar, e aplicar o desejo de uma forma diferente, e esta capacidade de modificar a aplicação e realização do desejo não nos deixa descansar.

Nós vemos como as pessoas vivem hoje: a sociedade dita o tamanho e a natureza do seu desejo. Como soldados, elas lutam para executar as ordens que recebem. Afinal de contas, elas recebem uma impressão que é para seu próprio bem. No entanto, aqueles que recebem uma necessidade adicional para agir acima da sua natureza, acima do seu desejo, que é, de fato, toda a matéria da natureza, são privados de descanso. Eles querem aprender, desejam saber como a matéria, a natureza, pode ser empregada, como se redirecionar e “implantar”, de modo a conseguir algo acima da natureza. Esta é uma abordagem totalmente diferente: não estar dentro da natureza, mas espcialmente acima dela.

Isto é o que a ciência da Cabalá ensina: a usar o desejo sem viver nele, mas acima dele, a fim de continuar buscando a realidade superior. “Superior” significa acima do desejo, acima da matéria da criação. Nós temos que aprender como governar o desejo, para permanecer acima dele sem descer até o fundo, mas, sim, ir com as ondas e usando o sopro do vento, o “espírito” soprando sobre o mar. Nós precisamos viver com algo que está acima dessas “profundezas”, soprar o ar, inflar as velas com o vento e usar a água apenas para deslizar sobre a sua superfície.

Isso é o que nós gradualmente aprendemos neste estudo. Nós aprendemos a usar a nossa natureza, a matéria do desejo, para controlá-lo de fora de nós mesmos, para restringir e transformá-lo na direção desejada, para verificar e modificá-lo, não como a nossa natureza dita, mas como nós escolhemos. Esta capacidade nós podemos obter com a ajuda da ciência da Cabalá, estudando os sistemas que temos que conhecer e, como um todo, o sistema dos mundos, os 125 degraus de mudanças, de calibração do desejo. Nós descobrimos como usá-lo a cada passo do caminho, a fim de conseguir algo acima dele.

Além disso, acima dele, nós alcançamos o grau da força superior que criou este desejo onde toda a humanidade vive. Nós usamos a matéria do desejo apenas para “subir” acima dele e formar para nós um espírito, equivalente à força superior. Este é o equivalente espiritual chamado de “Humano” (Adão).

Assim, nós temos que usar a própria matéria e a força que a criou; nós construímos a nós mesmos a partir de ambas. Esta é a forma como uma pessoa se torna independente da matéria (desejo) e da força (Criador) que criou este desejo, e fica em pé sozinha. Agora, ela é composta de matéria e espírito, mas na forma que encontrou por si mesma e escolheu livremente.

Isto é o que a nossa meta significa, e nós não descansaremos até alcançá-la. É assim que somos feitos. Alguns irão escolher este caminho por necessidade, como simples operários. No entanto, eles terão que entender sua tarefa, embora não em graus elevados, não no nível da raiz causal da criação. Eles vão nos seguir, enquanto que nós não descansaremos até alcançar a equivalência que devemos criar por conta própria, a imagem do Homem, livre tanto da criação como do Criador. Do Criador, nós só aprendemos a construir a nós mesmos à Sua semelhança, mas o Criador não nos obriga a isso. Pelo contrário, é a evolução independente que nos permite perceber que Sua forma é a mais correta, a melhor, mais desejável e profunda.

No entanto, nós não aceitamos a importância dessa forma automaticamente, mas sim, trabalhamos por meio da “fé acima da razão”, nos desconectamos das condições de nossa matéria e da força superior, e nesta desconexão de tudo, atingimos o valor da propriedade de doação, que é o maior que existe.

Essas coisas vão se desdobrar em nós mais tarde, mas por agora elas já devem estar nos dando um pouco de importância e compreensão do trabalho que nos obriga a subir constantemente acima do mundano. Nós buscamos prazer, além de conhecimento, hábitos e todos os tipos de valores que foram plantados em nós. Nós nos esforçamos para subir tão alto quanto possível e desfrutar de mudanças, mesmo que isso não seja muito agradável para a nossa matéria.

Nós simplesmente precisamos nos ​​acostumar a isso. A espiritualidade, ou a nova forma, por meio de pequenas ações, frequentemente nos puxa cada vez mais alto, mais e mais. E a espiritualidade deve ser algo que nós desejamos.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/01/13, Shamati # 213

Ajude-Me A Doar Contra A Minha Vontade

Dr. Michael LaitmanSe a pessoa pretende doar aos outros sem qualquer resistência, não contra a sua vontade, então é o mesmo como o mundo inteiro faz, à medida que é aceito entre diferentes crenças e religiões fanáticas.

Existem muitas instituições de caridade que ajudam pessoas em hospitais e em outras situações difíceis. Seus desejos são coerentes com suas ações, e, portanto, é chamado “doação” apenas em ação. Afinal de contas, a ação, a intenção e o desejo estão todos numa direção, sem encontrar qualquer resistência interna. Assim, a pessoa está em alto astral, sentindo-se bem, pois acredita que recebe uma recompensa neste mundo e no próximo mundo.

No entanto, nós agimos contra o nosso desejo natural e sentimos a resistência interna, pois não queremos doar e amar os outros. Primeiro, nós descobrimos um espaço vazio dentro de nós, e não sentimos qualquer inclinação, atração ou conexão em relação à doação. Mas quando nós começamos a trabalhar nos elevando acima de tudo, nós saimos para o espaço espiritual.

Este tipo de trabalho realmente dá frutos. Ele não nos entorpece como na abordagem fanática, uma vez que há uma diferença entre recepção e doação. Afinal, o nosso desejo interno deve receber de acordo com a nossa natureza, mas se subirmos acima deste desejo natural e ansiarmos pela doação, procurando um ambiente, uma sociedade, que nos ajude a construir este atributo dentro de nós, seremos obrigados a atrair a força do Criador que nos ajudará a nos tornar doadores acima do nosso desejo egoísta.

Portanto, nós precisamos de um ambiente que precise do Criador, pois caso contrário não seremos capazes de estabelecer a doação acima da recepção. Então, nós seremos capazes de construir o espaço interior dentro de nós que será preenchido com a Luz, e nele vamos começar a sentir e compreender toda a realidade espiritual superior.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 22/01/13, Escritos do Rabash

Devoção À Natureza Oposta

Dr. Michael LaitmanA devoção é exigida de nós ao longo do caminho; nós somos obrigados a nos anular, para “assumir o fardo do Céu”, que significa devoção.

Nós vemos qualidades semelhantes nos animais: se algo de ruim acontece com seu dono, ou se o seu dono tem um problema, o cão sente isso e é muito dedicado a ele. Essa é a mesma devoção que falamos aqui, ou não?

Qual é a diferença entre a devoção nos níveis da natureza inanimada, vegetal e animal, e o nível “falante”? O escravo se acostuma com seu dono, sente a sua dependência dele e é dedicado a ele, como um cão. De que maneira ele é diferente de um servo do Criador?

Ser escravizado ao Criador é devoção a uma natureza que é oposta à natureza da pessoa. Eu estou num estado de submissão e auto-anulação, entre dois polos que se dividiram. Dentro de mim, há meu desejo de receber, e nele, eu sinto meu ego, reivindicações de diferentes problemas e decepções. Eu sinto tudo isso e não os anulo, eles vivem dentro de mim, mas, acima de tudo isso, eu gradualmente adquiro o reconhecimento e a devoção espiritual, entendimento opostos à minha propriedade egoísta.

A diferença entre estas duas formas da natureza que estão dentro de mim é clara, compreensível e familiar. Minha devoção sobe acima da minha razão e quanto maior o desejo, mais alto eu subo acima dele. De maneira oposta, a diferença, a tensão, a distância entre a natureza egoísta e a natureza altruísta, entre a intenção de receber e a intenção de doar, para mim ou para o Criador, a diferença entre esses dois polos, cresce cada vez mais.

Diz-se: “Aquele que é maior do que seu amigo, seu desejo é ainda maior” e “uma pessoa não pode cumprir uma Mitzva, a menos que tenha falhado em cumpri-la antes”. Isso significa que temos que cair e sentir uma maior profundidade do nosso ego, da inclinação ao mal, da cobra, e só a partir daí podemos subir para níveis mais elevados de desprendimento e devoção completa.

Estes dois pontos se não anulam. Em vez disso, nós podemos preencher a distância entre eles com o reconhecimento, a compreensão e o nosso amor que se eleva acima do ódio: “O amor cobrirá todas as transgressões”. Esta é a diferença entre a nossa devoção espiritual e a devoção religiosa.

A religião exige que o indivíduo siga com os olhos fechados, e quanto menos ele entende, mais devotado é o crente. Ele faz tudo o que lhe é dito, sem tentar entender. Quanto menos dúvidas ele tem, com mais certeza avança com a bandeira na mão e o olhar fanático no rosto, mais respeitável ele é considerado.

Na sabedoria da Cabalá, no entanto, é a dúvida, a confusão, os diferentes problemas e esclarecimentos internos que geram discernimentos ricos, pensamentos e ideias internas. Eles são todos opostos ao Criador e o trabalho para doar, mas acima deles, a pessoa constrói sua devoção, pois graças a eles, ela pode entender e sentir.

Baseado nisso, ela constrói o entendimento e o sentimento, percebe o mundo de uma ponta à outra nas duas formas, em todos os sentimentos e entendimentos possíveis. Ela não tem uma perspectiva estreita e não avança com os olhos fechados, mas reconhece totalmente o ego e assim constrói sua atitude em relação ao atributo de doação, compreendendo a propriedade do Criador.

Ela eleva o atributo de doação acima do atributo de recepção. De forma independente e consciente, ela consente em se entregar para servir e amar. Isto se torna seu Criador.

Da Preparação para Lição Diária de Cabalá 22/01/13

Uma Receita Para Adesão: Não Se Esqueça De Adicionar A Luz

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, Shamati, artigo 25, “Coisas que Vêm do Coração”: Em outras palavras, todos os conceitos que ele constrói seu edifício, dizendo que a pessoa deve sempre seguir o caminho do Criador, fundamenta-se na Dvekut (adesão) com seu professor. Assim, se ela perde a base, todos os conceitos são impotentes, uma vez que agora vão sentir falta da base.

Assim, a pessoa não deve contar com a própria mente, mas se apegar mais uma vez aos livros e autores, pois apenas isso pode ajudá-la e nenhuma esperteza e intelecto, pois eles são sem vida.

Pergunta: O que é adesão?

Resposta: Em geral, adesão é quando duas pessoas têm os mesmos desejos, os mesmos pensamentos e os mesmos valores. Nesse caso elas se “aderem” uma na outra.

A questão é como duas pessoas que são tão diferentes podem se juntar? Elas são diferentes em todos os sentidos e não se corresponderem de forma alguma. Não pode haver perfeita adaptação na natureza. Portanto, podem elas alcançar a equivalência e se tornar “aderidas” uma à outra?

Se cada lado se eleva acima de si mesmo e não deseja usar seus atributos para si, mas sim dá ao outro tudo o que está nele, e o outro também quer se elevar acima de seus interesses pessoais e agir em favor do outro, então ambos se assemelham. De que forma? Em dação, doação, o que significa que estão “aderidos”.

Como isso pode ser alcançado? Eles não podem fazer isso por conta própria. A Luz é necessária aqui para conectá-los. Isso significa que, para se juntarem, duas pessoas precisam do Criador entre elas. É um tipo de “sanduíche”, com a Luz no meio, e isso é chamado de unidade espiritual. Você também pode comparar isso a um pequeno haltere.

Pergunta: Portanto, como podemos atrair a Luz para que a adesão seja realizada?

Resposta: Em primeiro lugar, cada um tem que se elevar acima de si mesmo e se perguntar: “por que eu deveria me aderir a alguém? O que é adesão? Será que quero me conectar com os outros para conseguir alguma coisa neste mundo, como no socialismo? Ou eu quero isso para atingir o Criador? Quem é o Criador?”.

Em suma, a fim de atingir a ação mais simples, eu tenho que renovar todo o sistema, já que há não meio caminho na espiritualidade; tudo nela é integral. Assim como numa imagem holográfica onde para mudar uma pequena linha eu preciso da escala certa para mudar toda a imagem.

Portanto, cada pergunta que temos realmente inclui tudo nela. Se você perguntar o que temos que fazer, a resposta é simples: tudo. Nós precisamos esclarecer quem o Criador é, por que precisamos disso, o que é o ato da criação, o que é livre arbítrio e o que é “cada um deve ajudar o seu irmão”, o que o grupo é, etc. Tudo deve ser incluído nisso. Nós podemos ver esta imagem em diferentes resoluções, mas de uma forma ou de outra, tudo está nela.

Pergunta: Nós podemos nos elevar acima do nosso desejo de receber “redondo”, geral, como num balão de ar quente, e manter este estado geral entre nós?

Resposta: Cada um de nós é um egoísta e a espiritualidade é o que está entre nós, nos conectando e nos unindo.

O que eu sinto dentro de mim agora é chamado de “este mundo”, e o que sinto entre nós é chamado de “mundo superior”.

Se você e eu estamos próximos um do outro e diferimos apenas por uma medida (1), eu sinto a Luz de Nefesh. Se a diferença entre nós é duplicada (2), eu atinjo a Luz de Ruach entre nós, já que agora eu venci uma distância maior. Por um lado, nosso ego cresce e nos separa; mas, por outro lado, nos aderimos um ao outro, apesar do ego, e por isso atingimos uma intensidade maior.

Nossa missão é manter este estado e constantemente voltar a ele, e se você quiser, pode tomá-lo sobre si mesmo. O que mais você tem que fazer neste mundo, exceto isso? Tome uma decisão para onde a sua vida deve fluir e se você quer que ela flua na dimensão espiritual. Eu não posso ditar isso para você. Na Convenção de Aravá eu lhe dei um exemplo do que você deve fazer. Se você quiser realizar isso, faça-o, e os resultados serão de acordo com esta realização.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/01/13, Shamati 25