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Nós Hoje

Dr. Michael LaitmanA humanidade hoje está numa encruzilhada fatídica.

Por um lado, parece que todos nós dependemos uns dos outros e o nosso mundo se tornou uma aldeia global. Por outro lado, nós resistimos fortemente a esse relacionamento e não queremos nos aproximar um do outro.

Certamente, este estado instável não pode durar muito tempo. A humanidade deve decidir como viver mais no futuro.

Cerca de 4000 anos atrás, existiu uma situação semelhante no mundo na antiga Babilônia.

Para chegar à decisão correta, bem como para entender como nós, o povo de Israel, estamos associados a este problema, vamos voltar no tempo e traçar os eventos que se desenrolaram.

O texto completo do folheto – aqui (em inglês).

O Naufrágio Da Babilônia, Parte 1

Dr. Michael LaitmanPergunta: Vamos dar uma olhada no momento da criação da nação judaica e se juntar ao grupo de Abraão, que deixou a Babilônia e se mudou para a terra de Israel de acordo com o princípio do “ama a teu próximo como a ti mesmo”. Será que todas essas pessoas já subiram para o nível espiritual, ou só o líder alcançou a espiritualidade?

Resposta: A nação inteira sabia o que estava acontecendo e sentiu as mudanças internas. Mas, no geral, a sua conexão mútua não estava bum nível egoísta tão elevado ainda para que a Luz Superior que traz a realização interna pudesse ser revelada nela. Eles só tinham iluminações gerais.

Nós podemos comparar isso ao nosso nível: até que ponto uma pedra, uma flor, um coelho, e o homem sentem a vida? Todos sentem algum tipo de existência. É difícil avaliar no nível da natureza inanimada.

No entanto, o nível vegetal sente a vida de alguma forma. O nível animal já tem que se mover para estabelecer um estado de equilíbrio com o ambiente, e neste nível, a vida é sentida em maior medida. O ser humano sente a vida, inclusive com muito mais força.

É o mesmo aqui: quando eles saíram da Babilônia, eles eram como a natureza inanimada da criação espiritual. Depois, quando se reuniram e desceram ao Egito, eles entraram no próximo nível do ego, que, corrigindo-o, começaram a sentir a sua existência no nível vegetal.

Isto significa que a realidade espiritual já é sentida por uma pessoa como vida ou morte. A revelação do Criador, como o sol por trás das nuvens, e sua luz vivificante é que me dá o dia que me atrai. Eu também posso cair na noite, e afundar num estado de depressão, etc.

Hoje, o mundo inteiro está num estado de depressão, o que significa que as pessoas já começam a sentir que falta algo. Elas serão capazes de preencher a si mesmas e substituir o sentimento de depressão por sentimentos positivos se a Luz iluminar um pouco para elas. A Luz é a revelação do Criador.

Isto é o que os alunos de Abraão sentiram após o êxodo do Egito. Eles sentiram claramente que tinham que revelar o Criador, pois sem isso não seriam capazes de se conectar. Em outras palavras, o seu ego tinha crescido tanto que somente o Criador que é revelado entre eles pode ajudá-los a superá-lo. Aos poucos, o grupo de Abraão se transformou no grupo de Moisés, e este estado foi ficando cada vez mais forte nele.

De KabTV “Babilônia Ontem e Hoje” 27/08/14

A Sociedade Perfeita De Abraão, Parte 4

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós vamos voltar às etapas de como as pessoas se aproximam internamente. Como isso acontece?

Resposta: O primeiro passo é quando eu não quero usar um estranho, outra pessoa, qualquer amigo do meu povo, ou seja, no grupo com o qual vamos ao ideal espiritual, o princípio de “Ama o teu próximo como a ti mesmo”.

Quando eu ascendo a este grau, sinto que não quero fazer nada de ruim para o outro; eu não tenho pensamentos ruins sobre ele. Eu posso superar o meu egoísmo, me conter em todas as suas formas, e toda a minha energia está focada em ser totalmente neutro em relação às pessoas, desejando estar conectado a elas, querendo estar com elas. Ou seja, eu não penso e não cuido de mim mesmo, apesar de tudo o resto.

Isso é chamado de “restrição” dos seus desejos egoístas e é aparentemente um estado neutro: não desejar e não fazer ao seu próximo o que você não desejaria para si mesmo.

E o próximo passo é “amar o teu próximo como a ti mesmo”. Isso não é neutralidade, mas uma ação positiva. Porque originalmente a pessoa descobre que todas as suas ações são direcionadas somente em seu próprio benefício, e ela não consegue fazer o bem para os outros, a não ser para o seu próprio benefício.

Assim, nós estamos falando de três etapas:

  • Em primeiro lugar, há o reconhecimento do egoísmo;
  • Em seguida, sua neutralização;
  • E depois, a sua correção, a sua aplicação para o benefício dos outros.

E esta ação final é a essência do amor.

Pergunta: Nós podemos dizer que Abraão construiu uma sociedade perfeita?

Resposta: Sim, é claro. Abraão construiu uma sociedade perfeita dessas pessoas da Babilônia que ele levou consigo.

Mas aqui nós consideramos, em geral, não as pessoas, mas seus desejos! Isso vale também para os seguidores da obra de Abraão, Isaac e Jacó. Sim, eles são seus descendentes diretos, mas apesar de tudo, seus seguidores são chamados de “filhos”, discípulos. Assim, existem conceitos como a “casa de Abraão”, “casa de Isaac” e “casa de Jacó”. A “casa” significa a comunidade de pessoas que continuaram a crescer e se desenvolver.

Elas crescem num sentido físico também, mas o principal é que cresceram espiritualmente até que eles se uniram totalmente em suas aspirações mútuas, em conexão mútua no primeiro grau espiritual, que é chamado de “Jacó”. Este primeiro grau espiritual já é considerado o grau de “Israel”, com uma pitada da futura terra de Israel que será alcançada. Embora não haja nenhuma terra ainda!

Afinal, “Israel” significa “direto ao Criador”. Ou seja, quando você está em algum lugar e aspira à meta, então você é chamado de “Israel”, “direto à meta”. Atingir essa meta significa entrar na terra de Israel.

O que lhe falta para isso? Falta-lhe o egoísmo, que você vai corrigir e transformar na terra de Israel. É por isso que mais tarde eles tiveram que descer para o Egito.

Pergunta: Portanto, o grupo já foi chamado de Israel, e ainda teve que passar por um século de descida antes de adquirir a terra de Israel, o desejo, voltado à meta?

Resposta: Portanto, diz-se que Jacá sabia sobre o futuro e queria dizer a seus filhos, mas não lhe foi dado…

De KabTV “Babilônia, Ontem e Hoje” 27/08/14

Sociedade Perfeita De Abraão, Parte 3

Dr. Michael LaitmanPergunta: A que se resume o trabalho no princípio do ‘ama a teu próximo como a ti mesmo”?

Resposta: Há muitos passos e estágios no caminho para esse estado. Este é todo o sistema da sabedoria da Cabalá.

Primeiro a pessoa simplesmente anseia por uma conexão com os outros. Existem diferentes exercícios especiais como sentar-se juntos, ter refeições em conjunto, debates, consultas e conversas sobre a aproximação, a qual, por enquanto, só pode ser teórica. Por enquanto há pouco trabalho prático aqui, já que nos primeiros níveis, as pessoas mal sentem os movimentos, a atração e a necessidade de conexão e unidade com os outros.

Comentário: Isto significa que elas devem ao menos se sentar ao lado uma da outra para começar.

Resposta: Sim, é assim que a conexão começa, de fora para dentro.

Mais tarde, elas estudam diferentes fontes que falam sobre isso, sobre como o mundo está num estado de conexão absoluta e que todos os elementos dos níveis inanimado, vegetal e animal estão conectados entre si, complementando-se mutuamente, e em que medida o sistema que gerencia o nosso mundo é totalmente integral, e que acima dele, há todo o sistema da criação.

Nós devemos apenas viver neste sistema, como fazemos agora. Forças e a percepção de que somos opostos a este sistema são intencionalmente despertadas em nós, para que através dessa oposição, a partir da escuridão, descubramos a Luz.

Agora nós somos pequenos elementos passivos governados de Cima e também somos parte desse imenso sistema analógico, integral e global, totalmente conectado e simplesmente perfeito. Mas não sentimos isso. Nós recebemos tais opções, tais condições, de propósito, para que possamos sentir plenitude só se pode chegarmos a isso por nós mesmos e na medida em que estamos de acordo com isso e entender que precisamos dela. Esta é a gradual correção interna de uma pessoa e que Abraão ensinou aos seus alunos.

Depois, eles começaram a ver os estados que estavam em comparação com os estados que deveriam alcançar. Primeiro, eles simplesmente discutiam isso verbalmente, sem qualquer base, repetindo as palavras de seu professor como crianças pequenas que repetem cada palavra dita pelos os adultos, mesmo sem entender do que se trata. Depois, eles começaram a sentir isso, como resultado de seu anseio mútua e da cooperação e unidade que afetava todos eles. Isto é, mesmo suas ações mecânicas afetavam seus estados internos e levavam a mudanças internas.

Eles começaram a mudar a sua atitude mútua. Eles passaram por momentos de descidas e momentos de subidas, todos decorrentes de uma única fonte: cada vez que eles sentiam que eram incompatíveis com qualquer formato, eles tinham que ansiar em alcançá-lo.

Para atingir isso, houve a necessidade de descidas e subidas alternadas e constantes, a fim de elevar constantemente a oposição ao penetrar cada vez mais profundamente na perfeição que só pode ser alcançada através do estado oposto.

É assim que eles avançaram. Além disso, o seu avanço para uma aproximação cada vez maior simbolizava o desprendimento da Babilônia, do estado interior de total dispersão total e o movimento em direção à terra de Israel, o que significava mover-se para o estado de conexão. É para isso que Abraão os levou.

Aqui eu devo dizer que a sabedoria da Cabalá é perfeitamente lógica, pois coincide com as nossas perspectivas corpóreas, com o princípio “a matéria como uma realidade que nos é dada na sensação”.

Os estudantes de Abraão avançaram de uma forma natural e interna do estado de Babilônia para o estado da terra de Israel, e, consequentemente, também avançaram externamente da Babilônia para a terra de Israel. Eles sentiram que precisavam avançar.

Como uma pessoa obtém tais sentimentos?

Eu estou sentado aqui e, de repente, sinto como se estivesse indo em algum lugar, fazendo algo, como chamar alguém e falar. Eu tenho alguns pensamentos e desejos, mas de onde é que eles vêm? Eles também vêm de dentro, mas eu simplesmente não sei disso e não posso seguir esse mecanismo. Assim, parece que ele opera de forma aleatória e por coincidência.

Agora trata-se de desejos que não estão num nível fisiológico, mas num nível espiritual. Quando eu mudo alguns atributos espirituais dentro de mim, isso também afeta meus atributos físicos.

Assim, quando eles começaram a mudar internamente e se aproximar, as pessoas que seguiram Abraão começaram a sentir a necessidade de sair da Babilônia, e elas também se afastaram da Babilônia externamente.

Elas começaram a avançar e mover gradualmente suas tendas, toldos, ovelhas, cabras, camelos e burros e, assim, avançaram em direção à terra de Israel. Não foi uma grande transição como da Babilônia para a terra de Israel, que eles cumpriram interna e externamente.

Pergunta: Então, a terra de Israel, como que os “tranquilizou” e eles mudaram de nômades em agricultores?

Resposta: Eles não eram agricultores. O trigo era cultivado na Babilônia, mas os que seguiram Abraão ao longo do percurso histórico por quase mil anos depois da Babilônia eram pastores. Só depois de se instalar na terra de Israel, após o êxodo do Egito, é que eles se estabeleceram, e além de pastores, começaram a se ocupar com agricultura também.

Depois, após o êxodo do Egito, no mesmo princípio, eles sentiram internamente que aqui era o lugar para o Templo.

De KabTV “Babilônia Ontem e Hoje” 27/08/14

Sociedade Perfeita De Abraão, Parte 2

Dr. Michael LaitmanPergunta: A Torá nos diz que o Criador disse a Abraão para qual terra ele deveria ir ao sair da Babilônia. Portanto, ele inicialmente sabia para onde estava indo?

Resposta: Não. Não se trata de coordenadas num mapa. Se não pensamos em milênios de história, também não consideramos quilômetros da superfície da Terra. Tempo e distância não têm controle lá. Quando o sentimento interior de uma pessoa, chamado de “seu Criador”, lhe diz o que procurar, aonde ir, isso significa que ela deve se mudar não para outro local, para um novo local de residência, mas para o próximo estado espiritual, que será ser chamado de “a terra de Israel”.

Pergunta: Essa é a “terra” que ele encontrou em si mesmo?

Resposta: Claro. Porque o conceito de “terra” (Eretz) é derivado de “desejo” (Ratzon). “Eretz Yisrael” (terra de Israel) significa o desejo que visa “direto ao Criador” (Yashar-El). Quando você chega ao ponto em que todos os seus desejos são direcionados ao Criador, então se diria que você chegou, entrou “na terra de Israel”, mesmo que você esteja no Canadá, na África, nos EUA, ou em qualquer lugar. Depois de tudo, o corpo não é levado em conta. A questão toda está no desejo de uma pessoa.

Vamos voltar a Abraão. Ele trabalhou com seus alunos na unidade. Muitos Cabalistas escrevem sobre isso, especialmente Maimônides, o grande Cabalista do século XI e XII. Abraão começou a trabalhar com eles de acordo com o sistema do “ama ao próximo como a ti mesmo”, e assim começou a se unir, montar e “formar” uma sociedade totalmente nova a partir deles, em que todos estavam conectados internamente a todos os outros.

Estados, países e pessoas também estão conectados, mas externamente, o que significa que eles têm sistemas de assistência à saúde, segurança social, leis, educação, etc., mas não estamos falando sobre os sistemas externos, mas os sistemas internos de conexão entre as pessoas. Esta abordagem de Abraão é diferente do conceito de Nimrod, que ofereceu às pessoas se dispersar de forma a não interferir uma com a outra e, ao mesmo tempo, mantendo contato à distância.

Pareceria, de fato, deixar os diplomatas negociar, deixar os comerciantes levar caravanas ao longo da “Rota da Seda”, ou “dos Vikings aos Gregos”, deixar os marinheiros descobrir a América, etc. Mas aqui nós estamos falando de outra viagem, sobre a conexão interna uns com os outros. Nós não estamos falando de corpos, mas de intenções, foco e superação de obstáculos internos. A pessoa viaja não nas montanhas, e não através do deserto do Sinai, mas através do deserto da alma, porque sente que a sua atitude para com os outros é um deserto que a seca, em que não há nada com que se preencher.

É por isso que a maneira de se aproximar de outras pessoas é através do deserto. Então, a pessoa realmente se aproxima delas; internamente, através do “deserto de Sinai”, ela chega à “terra de Israel”. Aqui ela encontra o seu desejo “que mana leite e mel”, que emanando, “irradiando” todas as coisas boas.

Em essência, este é o “paraíso”. No passado havia um deserto, ou mesmo “inferno”, e agora o “Jardim do Éden”. Indisposição de entrar em contato com outras pessoas, o ódio ao próximo, tudo isso é transformado em bondade.

De KabTV “Babilônia Ontem e Hoje” 27/08/14

Sociedade Perfeita De Abraão, Parte 1

Dr. Michael LaitmanA antiga Babilônia recuou para as profundezas da história, mas ainda é refletida em nosso tempo. Todo o seu curso é um processo único, ligado do começo ao fim e do fim ao começo.

É por isso que quando vemos como a história se repete, mas em outro nível, temos que tirar as conclusões certas a partir do que aconteceu e está acontecendo.

Portanto, na Babilônia, que era governada pelo rei Nimrod, o grupo de Abraão foi formado, o qual desafiou o programa “oficial” de desenvolvimento com o seu próprio programa. Nimrod disse que o ódio e separação que deflagrou entre as pessoas deve ser superado de uma forma egoísta natural: estabelecer-se em lugares diferentes, a fim de ter menos contato um com o outro, em termos modernos, sair de acomodações compartilhadas para individuais.

A opinião de Abraão era diferente: nós não podemos fazer isso; nós devemos nos conectar. Agora nós temos que buscar não a divisão, mas a unidade.

Como resultado, três milhões seguiram Nimrod, e apenas cinco mil seguiram Abraão. Este pequeno grupo de pessoas angustiadas, que não estavam satisfeitas com o conceito geral das pessoas, chamava-se “Israel” e deixou a Babilônia. “Acumulando” anos, séculos e milênios de sofrimento, ele se moveu à sua maneira até os dias de hoje.

Pergunta: O grupo foi “empurrado para fora” da Babilônia e forçado a iniciar seu próprio movimento?

Resposta: Eu não diria que foi “empurrado para fora”. A pressão começou mais tarde, mas não no início.

Naqueles dias, Abraão era um grande sacerdote e sábio babilônico. As pessoas que se reuniram em torno dele perceberam que seu método de correção, ou o método de uma nova vida, as atraia pelo seu significado interior, que não é simplesmente um “divórcio” egoísta, uma separação, espalhando-se para lugares diferentes, mas um movimento interior. A mensagem correspondente, o pedido da alma, foi despertado nelas, e elas estavam prontas para isso.

Afinal, a humanidade não evolui apenas tecnicamente; ela muda de forma ao longo da história: escravidão, feudalismo, capitalismo, socialismo, etc. Em outras palavras, ela muda de forma, muda seu conteúdo. O crescimento quantitativo do egoísmo também adquire uma nova qualidade.

Assim, os seguidores de Abraão sentiram que não poderiam se desenvolver apenas egoisticamente; eles precisavam chegar a um nível completamente diferente, “saltar” para o próximo nível. Assim, eles aderiram a Abraão, que cumpriu a sua demanda interna.

De KabTV “A Babilônia Ontem e Hoje” 27/08/14

O Tempo Da Correção Da Babilônia

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como devemos nos relacionar com o nosso estado atual?

Resposta: Hoje, depois de “partirmos” da Babilônia há 3.500 anos, nós sentimos novamente que estamos de volta no mesmo lugar, na antiga Babilônia. É por isso que o nosso tempo é o tempo da correção da Babilônia; nós tentamos fugir da Babilônia, mas não tivemos sucesso porque a Babilônia (ou seja, a nossa sociedade egoísta) tem que ser corrigida!

Portanto, nós temos que olhar para a história como um todo, e é irrelevante que tenham se passado 3.500 anos desde que Abraão tentou criar uma sociedade unificada. Estes eventos refletem sobre o destino da humanidade. Estes eventos estão sendo transformados, transmitidos e concentrados numa única aspiração: atingir a unidade. Até agora, nós continuamos revelando nossa oposição a ela.

Nós temos que estar conectados com o Criador em nossos estudos e atividades. O Criador, a força da Luz, a propriedade de doação, que nos corrige e sem a qual não somos capazes de lidar com a tarefa, deve estar implícita em tudo o que fazemos.

Urgentemente Necessários: Ajudantes Para Abraão

Pergunta: Israel transmitiu abundância e luz para os mundos no passado?

Resposta: Israel nunca transmitiu abundância para os mundos, porque não era a nossa função. Estamos em um processo evolutivo que começou com Adam HaRishon, um momento que foi apenas uma preparação.

Abraão começou a organizar a força pioneira de toda a humanidade. Ele fez um apelo e começou a ensinar o povo da Babilônia e escreveu livros, como Rambam escreveu.

Ele não os tirou, simplesmente, da Babilônia para a terra de Canaã, mas fez um grande trabalho espiritual. Parece que ele não o fez por si mesmo, mas ele tinha muitos ajudantes que o assistiram, apesar de que isto não é dito em qualquer lugar. Abraão é o símbolo de toda uma geração, a casa de Abraão. Ele fez um grande trabalho na Babilônia. “Não havia uma pessoa na Babilônia que não soubesse disto”.

Rambam escreveu: “Abraão tinha quarenta anos, quando veio a conhecer o seu Criador. Ele começou a falar com todas as pessoas, para que elas soubessem que há um Deus no mundo e que deviam adorá-Lo. Ele costumava ir de uma cidade à outra e de um reino para outro, e chamava e reunia centenas de milhares. Estas são as pessoas da casa de Abraão. Ele implantou esse grande princípio em seus corações e escreveu livros, e este processo se intensificou nos filhos de Jacob e naqueles que os acompanhavam, e uma nação inteira foi criada, que conhece o Senhor”.

“Isso significa que este foi um longo e completo processo, e Abraão precisava de um tempo, a fim de transitar pela Babilônia e organizar seu grupo e reunir milhares de discípulos. Isto significa que as pessoas, as almas, que estavam conectados ao nível em que Abraão atuou, receberam sua mensagem e começaram a agir também. [Leia mais →]

Descendentes De Abraão, Isaac E Jacó

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “O Arvut “(Garantia Mútua): Assim, por causa da necessidade acima, a Torá foi dada especificamente à nação de Israel, apenas para os descendentes de Abraão, Isaac e Jacó.

Isto se refere às almas que podem ser despertadas pela Luz que estava no estado chamado de Babilônia.

Primeiro, a força chamada Abraão desperta dentro de Malchut, e, depois, a evolução e o desenvolvimento dessa alma é chamado de Isaac e Jacob. Isso se refere apenas aos sistemas espirituais e as partes do desejo de receber, e não às figuras históricas que são as expressões externas de fenômenos que ocorrem no interior da Malchut geral.

Para entender esses fenômenos, nós devemos olhar um pouco mais profundamente como Malchut está despertando para a correção. O sistema do primeiro homem foi quebrado, depois ele foi estabilizado num determinado estado, e agora deve começar a se corrigir a partir de um estado chamado de Babilônia.

O ego se desenvolve como resultado de uma Luz especial chamada de Luz Circundante (Ohr Makif). Há partes do desejo que descem como resultado de uma Luz maior, e isso significa que o ego cresce, construindo a torre de Babel. Existem outras partes do desejo que anseiam ascender, como resultado da mesma Luz.

A parte que ascendeu ao topo é chamada de Abraão, e, em contraste, a parte que desceu mais do que todas as outras é chamada de Terach. A Luz superior influencia o desejo e desenvolve-o, e por isso o movimento é para cima e para baixo, como está escrito: “Aquele que é maior do que seu amigo, o seu desejo é ainda maior”. O indivíduo é maior do que seu amigo, já que, como Abraão, ele anseia ascender, e seu desejo é ainda maior como Terach que desceu. Mais tarde, os vasos (desejos) que se relacionam com Abraão tornam-se mais claros. Qualquer pessoa que se sente atraída por Abraão como resultado da influência da Luz que Corrige é chamada de Yashar El, Israel (direto ao Criador). Sua correção é “Ama o teu próximo como a ti mesmo”.

Pois era inconcebível que qualquer estrangeiro tomasse parte nela. Por causa disso, a nação de Israel havia sido construída como uma espécie de porta de entrada pela qual as centelhas de pureza brilhariam sobre toda a raça humana em todo o mundo.

As mesmas pessoas, as mesmas almas, as mesmas partes do desejo, tornaram-se GE (Galgalta ve Enyaim) no que diz respeito à parte inferior de Malchut que não conseguiu despertar, e são chamadas de AHP. Isto é como a passagem da Luz através de GE para os vasos de AHP foi criada.

Agora resta completar o que dissemos acima (item 16) sobre a razão por que a Torá não foi dada aos nossos pais, porque a Mitzva, “Ama o teu próximo como a ti mesmo”, o eixo de toda a Torá e em torno do qual gira toda a Mitzvot, de modo a esclarecer e interpretá-lo, não pode ser observada por um indivíduo, mas apenas através do consentimento de uma nação inteira. É por isso que demorou até que eles saíssem do Egito, quando se tornaram dignos de observá-la.

Isso significa que não basta apenas que as almas de Israel que saíram da Babilônia e ascenderam devem se corrigir e observar a Mitzva (mandamento) do ama teu amigo. Elas devem estar conectadas com pelo menos parte das outras almas, o que significa que elas desceram ao Egito. É do Egito que elas extraem os vasos do AHP de GE.

Os desejos de GE, chamados de patriarcas (Abraão, Isaac e Jacó), saíram da Babilônia, depois receberam AHP do Egito e saíram com eles. Eles são misturados com o AHP do Egito e quebrados. Ou seja, há a destruição do primeiro Templo, a quebra de GE junto com AHP.

Assim, eles estão prontos para serem misturados com o resto dos desejos da Babilônia e alcançar a correção. No final da correção, nós também corrigimos os vasos de GE primeiro, e depois AHP. No entanto, aqui, as fases são diferentes. Quando os vasos de GE se corrigem, a Luz é derramada através deles às nações do mundo e começa a aproximá-los de GE. Assim, quanto mais os vasos de GE se corrigem, mais o AHP é corrigido.

Nós estamos na fase do fim da correção agora. Nós já passamos pela destruição do Templo, fomos misturados com os vasos da Babilônia, e a única coisa que resta agora é corrigir os desejos de GE, e, com isso, o AHP será corrigido. Nós vamos sentir que a Luz está se espalhando através de nós e que o mundo inteiro começa a se comportar de forma diferente. Será um verdadeiro milagre quando tudo isso acontecer.

Da 5ª parte da Lição Diária de Cabalá 17/06/14, Escritos do Baal HaSulam

A Luta Sem Fim Com O Ego

Dr. Michael LaitmanLivro, Shem MeShmuel, Parshat “Ha’azinu“: “Adam HaRishon disse a todas as criaturas, “Venham, vamos nos curvar e nos ajoelhar perante o Criador”; mas, devido ao erro, o conceito tinha se corrompido, até mesmo o bem daquela geração não teve a possibilidade de se unir para servir o Criador. Ao invés, eram indivíduos isolados. E a correção disso começou na geração da dispersão que fez uma divisão na espécie humana. Isto significa que a correção começou com a reunião e a associação de pessoas para o serviço ao Criador, a partir de Abraão, a paz esteja com ele”.

O desejo de receber deve chegar à correção e se assemelhar à característica de doação, ou seja, o Criador, cujo desejo é beneficiar as criaturas.

O desejo de receber vai ser como o Criador através da intenção. Ele não pode mudar a si mesmo e continua a ser um desejo de prazer. Mas, como resultado do processo, todo seu prazer está na doação. Ele avança nesta direção.

A correção começa a partir do estado desenvolvido, da fase avançada da extensão das quatro fases de Ohr Yashar (Luz Direta), quando o desejo já sente a si mesmo, sua recepção. Ele está ciente de que está recebendo, entende que é o oposto do doador, e a sensação dessa diferença desperta vergonha nele.

Assim, a correção não começa imediatamente. Adão, o primeiro Cabalista, foi o único em quem ela despertou. Como nós, ele fez perguntas sobre o sentido da vida: “para que serve tudo isso? Por quê? Como?”, e ele chegou à descoberta da Luz Superior.

Os desejos eram fracos e pequenos, então, o que é chamado de refinado. E as correções também eram diferentes do que as nossas correções. Certamente, o desejo de receber não só cresceu, mas também se dividiu em muitas partes. Não era só que a população da Babilônia não era grande. O número de seres humanos no mundo nos diz o quanto o desejo de prazer tem crescido e requer a divisão para que todos tenham o poder de corrigir sua parte.

Houve dez gerações entre Adão e Noé e Noé e Abraão, que liderou a correção de forma diferente e quis acrescentar a este processo todas as pessoas no mundo que ainda se concentravam em uma área.

Como sabemos, Abraão reuniu em torno dele todas as pessoas que queriam se juntar a ele e as levou para fora da Babilônia.

Na maior parte, não há nenhuma diferença significativa dos tempos antigos até os nossos dias: nem em essência e nem nas fases do processo. Claro, cada um sente sua forma única através de seu Reshimo individual. Mas, de modo geral, todas estas correções são chamadas de “serviço do criador”, ou “trabalho para o Criador,” que cabe a nós.

Assim, no tempo de Abraão, parte dos babilônios começou a se separar dos outros e eles se chamavam Yashar-El (direto ao Criador), Israel, de acordo com sua inclinação, seu objetivo. Quando eles se uniram, passaram por vários estados de conexão em níveis mais ou menos fortes, fases de análise, os níveis de Abraão, Isaque e Jacó.

Depois disso, eles se encontraram no estado baixo do exílio Egípcio e sentiram como seu ego novamente tinha crescido e os dominado, tal como tinha sido na Babilônia. Mas eles já se relacionaram ao seu domínio de forma diferente. Eles queriam deixar seu domínio, e naquela época eles tinham quase desaparecido, misturando-se tanto que foram engolidos dentro dele.

Este era um perigo real, os “49 Portões da Impureza,” um estado quase sem solução. E apesar de tudo, com suas últimas forças, com a ajuda da força entre eles chamada “Moisés”, eles tiveram sucesso na escuridão, sob uma sucessão de golpes, para despertar tanto “no bem” e “no mal” e fugiram do domínio do ego, elevando-se sobre ele.

Isso foi chamado de “Êxodo do Egito” — eles subiram acima do ego e foram atraídos para o desenvolvimento. No entanto, o ego não desapareceu, mas eles o controlaram.

Este controle do ego e até mesmo a capacidade de usá-lo corretamente para a doação é chamado “Torá”. O exílio Egípcio, a descida ao abismo do narcisismo que foi descoberto, em última análise, lhes forneceu essa capacidade.

E depois disso, começou o período do deserto, onde eles ajustaram o ego e o corrigiram com o doar a fim de doar, preenchendo-o com Hafetz Hesed (deliciando-se na misericórdia). Mesmo que eles não tivessem nada, visto que estavam em devastação, eles passaram de desejo em desejo e cada vez descobriram o mal e o corrigiram.

A Torá nos fala sobre este período e nos explica como é necessário corrigir o ego, para ultrapassá-lo e controlá-lo. Mas é o controle apenas no primeiro nível: doar a fim de doar.

Assim, com a subida de Malchut à Bina, depois de “quarenta anos no deserto” estávamos finalmente prontos para corrigir Malchut. Este já era o nível chamado “entrada para a terra de Israel”. Nós continuamos com as correções e guerras, conquistando a terra, até que o povo de Israel dominou a terra de Israel.

Mas com isto a correção não foi concluída. Apenas seu primeiro estágio terminou, que tinha continuado desde Abraão até a construção do primeiro templo (Beit HaMikdash). Esta foi a correção somente daquelas pessoas que tinham saído da Babilônia, uma pequena parte da humanidade. Mas a correção geral que Adam HaRishon havia começado não tinha sido realizada.

Portanto, para prosseguir o processo, o grupo de Abraão que tinha se tornado o povo de Israel, teve que ser dividido e entrar em contato, em conexão, com todo o resto desses desejos, essas partes da humanidade que são chamadas de “setenta nações do mundo”. Entretanto, eles tinham sido espalhados por todos os lugares na terra; em outras palavras, de serem controlados pelo ego, eles passaram por todos os tipos de controle, criaram as religiões e crenças e despertaram várias forças que agiram sobre eles.

Então a nação de Israel não só tinha que cair de seu nível, mas também tinha que ser espalhada entre todos os povos, entre todas as forças, controles e métodos, para ser integrada com eles e integrada neles.

A destruição do segundo templo simboliza a queda final do povo de Israel em ódio infundado que foi pior do que entre todas as nações do mundo, porque eles quase perderam a conexão entre si, a característica do povo de Israel e de pertencer à terra de Israel. Na verdade, apenas sua orientação geral, apenas a necessidade de fazer a correção para o futuro, para o bem é o que os manteve juntos de alguma forma.

Depois disso, foi concluída a integração com o mundo e agora o despertar começou novamente. Em primeiro lugar, o povo de Israel entrou na terra de Israel. Depois eles se corrigiram, de ser um pequeno grupo até todas as pessoas habitando em Sião, depois que o povo de Israel se espalhou em toda a diáspora e depois gradualmente todo o mundo.

Tudo acontece gradualmente, de acordo com o refinamento dos vasos, desejos e com a integração dos Reshimot que permaneceram desde o tempo da quebra. Na verdade, não há ninguém que seja maior e ninguém que seja menor aqui. Nós vemos isso dentro do material de acordo com a intensidade do desejo de receber e os Reshimot que são despertados dentro dele.

Eles estão sob a influência da Luz que os desperta adequadamente. E todas as correções são sustentadas desde a correção mais leve até a correção mais pesada. É como acontece o desenvolvimento.

Da 5ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/07/14, Escritos do Baal HaSulam