Textos na Categoria 'Alma Coletiva'

Um Ataque Dentro Do Coração

Dr. Michael LaitmanPergunta: Ultimamente se sente que o Kli mundial está trabalhando num único desejo. Uma vez, Rabash o aconselhou a fazer um ataque a partir desse estado. O que exatamente estamos atacando?

Resposta: Nós mesmos, nosso coração, nossa preguiça, nosso orgulho, nossos hábitos do passado. Eu tenho que me elevar acima de todos esses cálculos.

A coisa mais importante é dissolver-se entre os amigos, com a intenção de incluir-se no grupo. Eu quero estar lá o tempo todo. Eu quero perder minha mente e sentimento pessoal e adquirir a mente e o sentimento de todos os amigos. É como se eu me perdesse neles pelo meu próprio desejo.

Isto significa adquirir o vaso da garantia mútua.

Da 5ª parte da Lição Diária de Cabalá 06/07/11, Matan Torah

A Revolução Da Luz

Dr. Michael LaitmanPergunta: É possível  explicar o método da Cabalá usando os termos da ciência moderna?

Resposta: Você consegue explicar a “transformada matemática de Fourier” para uma vaca? São níveis diferentes. A pessoa que não tem o “sexto sentido”, o ponto no coração, não consegue entender o que você está falando. Ela não tem necessidade disso e, portanto, é inútil falar com ela. Portanto, em nossa ampla disseminação, nós temos que estar de acordo com os desejos das massas ao invés daqueles que estudam Cabalá.

Ao longo de todas as gerações, o mundo não entendeu os Cabalistas. E o mundo está certo: do seu nível, as pessoas ainda não são capazes disso. É dito nos Salmos: “Você salva seres humanos e animais…” – mas quando? Hoje você não pode explicar às pessoas sobre Lishma (intenção altruísta). É até difícil falar com elas sobre o tema da percepção da realidade. Isso é intrigante e provocativo, mas elas não entendem nem captam a essência, porque elas simplesmente não conseguem.

Para que a pessoa seja realmente capaz de ouvir palavras sobre a correção de seus desejos, ela precisa de mais um nível de desejo. Mas até lá nós só podemos acelerar o seu desenvolvimento através de meios externos. De uma forma ou de outra, enquanto ela não sentir o aguilhão em seu coração, ela não entenderá suas explicações

É assim que o mundo é construído. As pessoas estão em diferentes níveis de desenvolvimento, e até o final da correção os níveis inanimado, vegetal, animal e humano permanecerão. No entanto, está escrito: “Todos Me conhecerão, do menor ao maior”, ou seja, cada pessoa de acordo com seu nível.

Chegará o dia em que nós veremos como as pessoas começarão a entender nossas palavras: algumas através de termos científicos, outras na linguagem do sentimento, outras em virtude de ações simples – que são suficientes para uma pessoa se juntar à união. Algumas precisam alcançar e sentir a adesão, participar ativamente dela, enquanto para outras isso é desnecessário. Tudo é determinado pelo desejo.

Não devemos supor que todos receberão o mesmo nível de desejo de doação e de revelação do Criador. No entanto, cada pessoa receberá a medida completa de acordo com seus próprios vasos, e será preenchida graças à interinclusão comum.

É por isso que até hoje os Cabalistas ocultaram seu conhecimento. Mas agora este conhecimento pode ser revelado, embora cada pessoa ouvirá apenas uma parte insignificante dele. No entanto, como um todo, a Luz já está começando a agir em uma grande parcela do desejo comum. Esta é a revolução que está acontecendo no mundo hoje. A crise moderna é essencialmente a interinclusão dos desejos.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 05/07/11, Shamati

O Circuito Eletrônico Da Alma Coletiva

Dr. Michael LaitmanTudo se revela na conexão entre eu e os outros. Antes, nós estávamos no mundo do Infinito, onde eu e as outras almas não existíamos: Todo mundo era um todo.

Então, eu desenvolvi a sensação de que existe eu e outros, o mundo exterior: a natureza inanimada, vegetal e animal, e as pessoas, uma multidão de objetos diferentes que se conectam, interagem e criam a variedade deste mundo.

Mas por que eu recebo essa sensação, em vez da paz e da perfeição de Malchut do Infinito? É por isso que eu gostaria de começar a descobrir essa bagunça que estou sentindo e conectar tudo em um, como está escrito: “Ele e Seu nome são um”, como em Malchut do Infinito. Esta conexão só pode ser realizada através da qualidade de doação e amor, que conecta novamente todas essas diferentes coisas em uma só. Afinal, o amor une!

A força de doação anula nossa inclinação egoísta ao mal, que se revela entre as partes dispersas e distantes, separadas pela força do mal, a força de destruição. Mas eu preciso superar essa força de ódio e separação e suas limitações, especificamente opondo-me a ela e construindo uma conexão entre nós. Assim, eu construirei um sistema que conecta todas essas partes.

No início não havia um sistema. As partes simplesmente estavam unidas em um todo sólido. De repente, nós temos muitas partes, conectadas através de uma variedade de laços diferentes. É como um circuito eletrônico, cheio de resistências, bobinas de indução, capacitores e transistores, que cria diferentes condições de conexão.

Eu preciso integrar este tipo de sistema no meu próprio sistema! Neste momento o meu ego está mostrando todos esses elementos que interferem na conexão: resistores, bobinas de indução, e assim por diante. Eles não causam um curto-circuito no meu circuito, mas introduzem uma espécie de resistência: algumas vezes “magnética”, às vezes na forma de um “condensador”, e às vezes com condições completamente diferentes. E um circuito é feito de tudo isso.

Todos os sistemas (humanos, eletrônicos e biológicos) operam de acordo com este princípio. Neste circuito eu examino a força criadora que opera dentro do que está sendo criado. Eu revelo o Criador dentro de todas essas conexões sistemáticas! Eu não tenho outra oportunidade de revelá-Lo, apenas começando a construir este sistema dentro do meu desejo egoísta.

Eu o ligo e faço-o funcionar, porque a Luz será revelada nele se eu tiver conectado todas as partes corretamente. Esta Luz começa a fluir através deste sistema como a eletricidade. Assim, o trabalho mútuo de seus elementos, o seu programa e a interação se revelam. O Criador se revela!

E quem fez tudo isso acontecer? Eu fiz! Obviamente, agora eu entendo quem e o que Ele é. Este é o nosso trabalho.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 31/05/11, Talmud Eser Sefirot

O Amor É Uma Rua De Mão Dupla

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como podemos explicar às pessoas que o amor é necessário?

Resposta: Você pode amar comer peixe no almoço, você pode amar o seu filho pequeno, ou pode amar o próximo ou o Criador. As mesmas palavras designam noções completamente diferentes.

Vale a pena enaltecer o amor ao próximo a uma pessoa que ama peixe? Como você pode descrever-lhe o prazer de doar? O que ela vai entender? Que ela tem que dar o peixe para outra pessoa? Isso é amor?

O que significa amar o próximo? Ele tem um significado completamente diferente. Amar o próximo significa anexar o desejo dele ao seu e trabalhar com o seu desejo a fim de satisfazer o desejo dele. Então, nós dois nos fundimos num todo, onde eu o satisfaço e ele me satisfaz.  No que ele se satisfaz? Em seu desejo. Seu desejo em relação ao meu é como Malchut em relação a Zeir Anpin. Eu sou como o Criador, e ele a criação. Este é o meu trabalho.

Assim, o “amor” é a relação entre o Criador e a criação. Somente isso é o amor – a atitude da criação para com o Criador. Se eu posso construir este tipo de atitude para com os outros, ou em outras palavras, se eu adquiro a qualidade do Criador (a qualidade de doação), e por meio dela eu me relaciono com o desejo do próximo como faz o Criador, verifica-se que o Criador está dentro de mim, e eu realizo as ações necessárias em relação ao próximo. Isso significa que eu amo o próximo.

Nós não temos o direito de usar a palavra “amor” em qualquer outro sentido, contexto, ou caso. Caso contrário, nós vamos confundi-la com o nosso “amor por peixe”.

Nós estamos falando sobre como o Criador, a qualidade de doação, se veste em mim. Antes de tudo, nós temos que realizar o princípio: “Não faça aos outros aquilo que você mesmo odeia”. É assim que eu me torno neutro. Depois disso eu tenho que adquirir o desejo dele em vez do meu. O desejo de outra pessoa se torna mais importante para mim e, portanto, ela se torna maior do que eu. Eu estou pronto para fazer tudo por ela, assim como faria para um filho doente em nosso mundo. Eu estou totalmente em “curto-circuito” no seu desejo; isso é o que me faz agir.

É exatamente por isso que eu sou semelhante ao Criador, como Zeir Anpin que recebe um pedido de Malchut. Quanto mais o desejo de outra pessoa é capaz de me fazer doar, maior eu sou do que ela. Este é o amor. Você vê como isso é diferente de nossas noções atuais?

Quanto mais eu posso doar a outra pessoa, mais eu forneço-lhe a Luz da correção. Afinal, há a garantia mútua entre nós. Eu não satisfaço seu desejo egoísta, mas revelo dentro dela o desejo de estar em um sistema comigo, de modo que a Shechina reine entre nós. Então, o que devo dar-lhe? Eu lhe dou o meu apoio da garantia mútua, que ela também fornece a mim, ao revelá-lo em seu desejo. Este é o amor.

Ninguém está satisfazendo o egoísmo do outro. Eu não revelo o desejo egoísta na outra pessoa, mas o desejo do apoio mútuo, a fim de revelar o Criador no relacionamento entre nós. O Criador não pode ser revelado em qualquer indivíduo ou apenas na minha atitude para com outra pessoa, a menos que seja fortalecida pela mesma atitude dela. O amor não funciona em uma direção. Ele é uma rua de mão dupla. Ele exige uma rede de conexão por onde os impulsos da doação fluem, uma rede permeada por sentimentos de amor, relações de garantia mútua e reciprocidade que nos fortalecem mutuamente.

Nesse meio tempo, o egoísmo permanece abaixo, sem fazer quaisquer cálculos para satisfazê-lo. Afinal, nós nos elevamos acima dele, conectados por nossa intenção mútua em prol da doação. E quando ele atinge um determinado nível de unidade, criando uma rede acima de nós, nós revelamos o Criador, a qualidade mútua de doação e amor entre nós.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/06/11, “Matan Torá (A Entrega da Torá)”

A União Do Mundo Reside Na Harmonia Entre Homens E Mulheres

Dr. Michael LaitmanNós nunca devemos perceber a relação entre homens e mulheres como antagônica. Pelo contrário, temos que ver um ao outro como um apoio. Se nós estamos falando da união do mundo, antes de mais nada este é o apoio mútuo de suas duas partes – masculina e feminina.

Essas partes vêm da raiz comum da criação: do Criador (ou Luz) e do desejo (ou vaso preenchido de Luz). Além disso, o vaso passa por todos os tipos de formas a medida que muda. Dentro deste vaso, nós dois – as partes masculina e feminina – devemos trabalhar juntos de forma integral, como em uma família ideal.

A imagem comum e coletiva do homem deve trabalhar em conjunto com a imagem comum e coletiva da mulher. Eles devem trabalhar em conjunto, entre si, entendendo de forma clara a natureza de cada um. O homem compreende a si mesmo e a natureza feminina, enquanto a mulher entende a si mesma e a natureza do homem e, juntos, eles agem de forma sensata e sábia, como adutos sérios e educados que aspiram a um objetivo comum.

O objetivo é alcançado através da conexão entre nós. Está escrito: “O homem e a mulher, e o Criador entre eles”; isto é, a revelação do Criador ocorre exatamente na conexão direta entre eles, na tela que surge entre a Luz e o desejo. É assim que devemos nos completar, de forma mútua e constante. Não há nenhuma parte, nenhum minúsculo detalhe, nenhum fenômeno da natureza, em nossas relaçãos, em nosso mundo e nos mundos espirituais, que não tenha suplementação mútua, unificação e adesão das partes masculina e feminina.

Em nosso mundo isso não é aparente. Nós nem sequer imaginamos essa suplementação, unificação e adesão mútua. Porém, no mundo espiritual esta é uma condição necessária. E dependendo em que nível estamos, esses níveis são determinados exatamente pela suplementação e unificação mútua, até que nós nos unamos.

Portanto, o entendimento correto do nosso trabalho mútuo é a condição mais importante do nosso sucesso. Eu diria que não há nenhum problema que possa ser resolvido separadamente por homens ou mulheres. Eles são sempre resolvidos um através do outro, o que significa que os problemas das mulheres são resolvidos por meio dos homens, e os problemas dos homens são resolvidos por meio das mulheres. Esta falta de compreensão, a crença de que é possível existir separadamente, “O que me interessa elas!” (normalmente, é assim que os homens se sentem com relação às mulheres), e “vamos resolver tudo por nossa conta e faremos tudo por nós mesmos!”. Esta atitude que os homens tendem a ter é totalmente incorreta. Naturalmente, por parte das mulheres também é errado pensar que “os homens vão fazer alguma coisa, vão resolver tudo, e tudo vai ficar bem, e vamos receber alguma coisa por estar ao lado deles”.

Inicialmente, desde o primeiro passo, deve haver o contato claro e interior. Ele não deve ser externo, físico, visual, ou mesmo verbal, mas exatamente o contato interior, que ocorre através da força superior, do nível seguinte, em vez de diretamente entre nós. Então, este nível superior será expresso no interior desta união. É como um negativo e um positivo, e algum tipo de resistência ou outro dispositivo entre eles que começa a trabalhar exatamente desta forma, por força dos pólos que estão conectados a ela.

Da 2a Lição na Convenção de Moscou 10/06/11

A Necessidade de Conectar

Pergunta: Onde é que a nossa conexão baseia-se no que diz respeito aos registros espirituais, Reshimot?

Resposta: O que eu retiro do meio ambiente é um novo desejo com o qual eu apelo para a Luz. Esse desejo é o que chamamos de “a necessidade de contato”.

Quanto mais forte o nosso laço for, mais alto nos elevamos na escala dos mundos espirituais, aproximando-se juntos, unindo, ligando com o outro, até o Infinito, onde tudo é unificado. Lá, nós nos tornamos uma só alma.

Toda a alma individual do mundo depende do grau de conexão integral que ele ou ela tem alcançado. Por exemplo, eu vejo apenas pequena parte do que me rodeia, e é isso que define a minha alma, enquanto você revela algo muito maior ao seu lado, e provavelmente me incluí também. Todos trabalham com a sua alma até que todos os desejos conectam em uma alma.

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Da 4a. parte da Lição Diária de Cabalá de 07/06/2011, Escritos do Rabash

Material relacionado:
O Gene Da Separação e Conexão
Uma Pintura Com Manchas Brancas

O Livro Que Conecta O Céu E A Terra

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que há de tão especial na Torá que mesmo O Livro do Zohar é só um comentário dela?

Resposta: Os registros que Moisés fez em pergaminho são a expressão material, através de símbolos materiais, das ações espirituais da Luz no desejo. Moisés escreveu em um livro tudo que ele ensinou a seus estudantes. Durante o curso de 40 anos vagando no deserto, eles escreveram toda a Torá, atravessando todo o processo registrado, tanto em corpos como na espiritualidade. Esse é todo o caminho desde o exílio do Egito (material e espiritual), através do deserto (material e espiritual), e na terra de Israel (material e espiritual). Tudo isso se realiza na conexão entre a raiz e o ramo. Moisés expressou todo esse processo na sua forma concreta, e simbólica.

O Zohar expressa o mesmo processo num nível diferente, numa forma diferente, porque o desejo geral de desfrutar que o Criador criou havia, naquela época, avançado bastante e fora aperfeiçoado pela influência da Luz. Desta forma, esse desejo, que passou por altos e baixos, pela destruição do Primeiro e do Segundo Templos, o exílio, e depois alcançou a última quebra antes do último exílio, tinha que receber o método que é apropriado para o final do exílio, para a nossa época.

É por isso que O Livro do Zohar foi escrito, e seus autores foram os sucessores de muitas gerações de Cabalistas, começando com Abraão até a destruição do Templo. O Rabbi Shimon foi estudante do Rabbi Akiva, que revelou uma grande Luz, e assim, ele foi capaz de expressar isso no Livro do Zohar.

A própria Torá está dividida em duas partes: oral e escrita. Isso vem da diferença entre Zeir Anpin e Malchut. Zeir Anpin do mundo de Atzilut é a “Torá oral”, enquanto que Malchut do mundo de Atzilut é a “Torá escrita”.

A Torá é a revelação da Luz. A Luz que chega a Malchut contém tudo que é necessário para transformar Malchut. Mas essa Luz ainda não se realizou na prática; desta forma, é chamada de “Torá oral”. Por enquanto, isso significa trabalhar com as telas.

Sob a influência da mesma Luz em Malchut, mudanças internas acontecem e são impressas em Malchut; isso se chama “Torá escrita”. Ela fala somente das ações da Luz nos desejos desde o começo da criação até seu final. Isso ocorre porque não há nada na existência além dos desejos.

Entre esses desejos alguns sentem que existem por si mesmos, separados de todos os outros. Esses somos nós. Esses desejos contêm qualidades que podem ajudá-los no caminho da correção. É por isso nós recebemos a sensação de carência, nossa própria carência de correção, a compreensão do mal. Assim é que nós nos percebemos.

São exatamente esses desejos que precisam receber “a Torá”– as instruções explicando como eles podem participar da sua própria correção por sua livre escolha, como eles podem atrair a Luz ao desejarem ser corrigidos mais rapidamente, ao invés de esperar que a Luz venha e os sacuda.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 29/05/11, Shamati

Um Ponto Que Contém O Infinito

Dr. Michael LaitmanTudo começa com um ponto negro “criado a partir da ausência”, sobre o qual a Luz superior age e desenvolve a criatura. Todo o desenvolvimento, com exceção desse ponto de “Yesh Mi Ain” (existência a partir da ausência) é feito pela Luz, a força que atua na criatura, na parte que está sendo “guiada”.

Portanto, onde nós conseguimos tais qualidades especiais como indivíduos? Da Luz! O ponto da criação “a partir da ausência” é um mero ponto. Mas o Criador divide Sua relação em bilhões de criaturas e depois as reune e amarra juntas, de todas as formas possíveis, para que cada uma esteja conectada com as outras sete bilhões. Assim, Ele deseja se expressar dentro da matéria da “existência a partir da ausência”.

Ele não seria capaz de expressar isso de outra forma, exceto através de tal número elevado de pequenas criaturas, cada uma delas criada de uma maneira única e especial, diferente de qualquer outra. Toda criatura alcança sua correção individual ao renunciar a parte do “Yesh Mi Ain” (existência a partir da ausência) em si mesma e adquire o desejo de ser formada pelas qualidades de “Yesh Mi Yesh” (existência a partir da existência), que podem ajudá-la a unir-se com as demais. Assim, ela aumenta sua “Yesh Mi Yesh” a partir de um pequeno ponto fornecido pelo Criador até o Infinito, até o estado elevado do Criador.

Como eu, este ponto minúsculo que surgiu do nada, que foi criado com praticamente zero de conexão com o Criador, alcanço a Sua revelação? Eu me uno com todos os outros pontos (desejos), anulando a minha “existência a partir da ausência”, o que permite com que a minha “existência a partir da existência” cresça até o tamanho de toda a criação, a qual eu uno a mim.

Em outras palavras, conectando-se assim, eu crio a partir deste ponto todo o vaso espiritual (“Yesh Mi Yesh“), preenchido com a conexão infinita com o Criador (“Yesh Mi Yesh“) em relação a todos. Isso só pode ser feito multiplicando essas pequenas partes, cada qual unida com o restante, e assim, todas elas se entrelaçam com as demais como várias camadas.

A pessoa se une com outra; então, as duas anteriores, que se tornaram uma, unem-se  a uma terceira e se entrelaçam interiormente, e depois as três se unem com mais uma, e assim por diante. Então, não é apenas a minha conexão com todos os outros, mas sim um sistema multidimensional de conexão. Este é o único meio para o Criador se expressar dentro da criação em geral até a conclusão deste trabalho, no final da correção (Gmar Tikun).

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/05/11, Talmud Eser Sefirot

Lag B’Omer: O Feriado da Luz

O feriado de Lag B’Omer (o dia 33 de Omer) é celebrado em honra ao Rabi Shimon Bar Yochai, o autor do Livro do Zohar, que morreu naquele dia. No capítulo”Idra Zuta,”artigo “Azinu,” O Livro do Zohar descreve a morte do Rav Shimon desta forma: Porquê o Senhor deu benção, até mesmo a vida eterna sobre ele (Salmo 133).

Rabi Abba disse: A santa Luz não terminou de proclamar a vida até que seus discursos fossem concluídos. Eu os gravei e pensei em gravar um pouco mais, mas não escutei. E eu não levantei minha cabeça, porque havia uma Luz muito grande para a qual eu não podia olhar.
Rabi Eleazar levantou Rabi Abba e o levou longe do seu lugar. E a casa encheu-se de um aroma perfumado. Eles o colocaram na cama e ninguém tocou além de Rabi Eleazar, e Rabi Abba. Quando eles levaram para fora da casa a cama, ouviram uma voz. Então, todo mundo entrou e se reuniu para a celebração para honrar Rabi Shimon.

O Zohar usa essas descrições coloridas, porque está escrito na língua do Midrash (contar histórias). Mas, claro, ele não está falando sobre sua morte física, mas a passagem da alma, que vai para o estado do fim da correção. É por isso que este é um evento tão importante e, por isso, todo o sistema, que inclui os seus alunos, recebe como uma grande Luz.

Isto não fala sobre a morte de uma pessoa, mas sobre o afinamento de um Partzuf espiritual. Primeiro, a Luz vem e veste-se em um Partzuf, formando em seu interior Taamim, Nekudot,Tagine e Otiyot. A roupa da Luz em um Partzuf e seu desaparecimento fazem o ajuste de Luz para ser utilizado, e é assim que a alma de Rabi Shimon atinge a sua verdadeira ação do último nível, o fim geral de correção. Isto é o que o Zohar descreveu.

Todos os outros amigos, todas as almas que dependiam dele e que resultaram de seu Partzuf, que se encheram de Luz e agora estão livres, recebem através dele toda a luz que restou. São aqueles que estavam unidos a ele, conectados a ele, e participaram na atração da Luz quando ele faleceu.

A morte de um cabalista significa a Luz que ele absorveu toda dentro de sua alma, juntamente com seus alunos, acumulando-a com a ajuda deles para toda a humanidade, agora é liberada por ele transmite a todas as outras almas. Agora, esta Luz se torna como uma iluminação, como a Luz circundante que ele dá aos outros. Sua passagem simboliza a passagem da Luz.

É por isso que nós celebramos este dia, desta forma e estamos felizes em receber essa Luz superior, que é chamada de “O Zohar,” capaz de corrigir todas as almas, na conexão e elevando cada pessoa ao nível do Criador. É por isso que esse feriado é chamado de o feriado da Luz – da Luz que reforma, a Luz da correção. Cada pessoa tem que se perguntar: Será que ele realmente usou essa Luz

corretamente? Essa Luz tem sido dada a nós, mas nós estamos usando, estamos realizando a nós mesmos? Isso é chamado de participar no feriado de Lag B’Oomer.

A Partir do programa exibido em Lag Baomer. 17/05/11

Uma Rede Envolvendo Todo O Universo

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significa que cada um dos nove estudantes do Rabbi Shimon representava uma Sefira diferente? Esses Cabalistas podem viver em nossa época?

Resposta: Os dez Cabalistas que tornaram possível a escrita do Livro do Zohar são as dez principais Sefirot. Cada um deles, ao alcançar a raiz de sua alma, entendeu que pertencia a uma das suas dez Sefirot, e a unificação interna deles produziu uma força tão grande que eles puderam revelar a Luz superior e “respingá-la” em nós. Por isso esse livro é chamado “O Zohar, de acordo com o nome da Luz que brilha na parte superior do mundo de Atzilut (GAR de Atzilut).

Eu não penso que hoje nós precisamos de Cabalistas de tal estatura. Eles já revelaram tudo, iluminaram todo o sistema de almas, e todos os outros Cabalistas se uniram ao mesmo sistema. Isso produziu uma completa rede corrigida de almas dentro do sistema comum de almas, que ainda não estão corrigidas.

Agora, se nós quisermos nos corrigir, basta lermos O Livro do Zohar tanto quanto possível, com toda nossa força, para tentarmos nos unir a seus autores, suas almas, bem como os Cabalistas que os seguiram. Eles se tornaram a parte corrigida do sistema comum das almas, e se nós quisermos nos unir a eles, seremos capazes de usar todas as Luzes e forças que operam na união mútua deles. É assim que seremos capazes de usar a Luz do Livro do Zohar.

Em essência, nós já recebemos tudo! Já existe um sistema corrigido de almas dentro do sistema que ainda não se corrigiu. Nós temos o livro à nossa disposição e toda a ciência da Cabalá, em geral, que estudamos pelo método do Baal HaSulam. Isso é suficiente para nós!

Está claro que ainda haverá novas revelações, nós iremos explicar tudo mais e iremos entender melhor o que está escrito nesse livro. Mas, nós já recebemos do alto tudo para completar nossa correção.

A Cabalá é estudada num grupo. E cada pessoa no mundo que sente que tem que corrigir sua alma e aspira revelar a razão de sua existência, onde se encontra a raiz de sua vida e sua razão, irá finalmente encontrar esse caminho dentro da mesma rede – dentro de um de nossos grupos. Lá ela começará a revelar o que estamos fazendo e como revelar a raiz da alma, como revelar o sistema espiritual no qual existimos, ainda que estejamos lá num estado inconsciente, por enquanto. Assim, como podemos perceber esse sistema?

Quando nós chegamos ao grupo e começamos a estudar, a princípio vemos pessoas a nossa frente. Mas, depois de termos estudado por algum tempo, nós começamos a entender que essas não são pessoas, mas uma rede de conexão interna que nos une.

Por enquanto, esse sistema é defeituoso, mas estamos tentando revelar certa conexão nele, procurando pela força que poderá nos corrigir, nos fazer uma pessoa com um coração, nos levar ao amor ao próximo, à garantia mútua, e à união mútua.

Essa aspiração mútua para revelar a conexão entre nós na união dos corações nos leva à sensação da rede. Nós sentimos que ela existe. De repente, nós começamos a sentir que ela está presente. Então, dentro desse sistema de conexão, nós nos vemos, e a todos os grandes Cabalistas que entram nessa rede com seus elementos corrigidos e a apoiam, conduzindo a Luz dentro desse sistema, nutrindo-o através da Luz da união, amor, e participação mútua entre todos os seus elementos.

Não importa como nos sentamos juntos: física ou virtualmente. A coisa mais importante é que nós nos sentimos juntos e queremos nos tornar parte do mesmo sistema, nos unir aos Cabalistas. E se lemos O Livro do Zohar, nós atraímos nutrição, força, entendimento, e sensação espiritual dessas almas, dessa rede corrigida, tal como as criancinhas arrancam dos adultos. Isso nos capacita a nos tornar parte desse sistema e alcançar reciprocidade, conexão, e concessões, nos anulando e nos unindo com todos.

Do programa sobre Lag B’Omer em 17/05/11