Escolher O Caminho Certo Entre Mil Estradas
Pergunta: A liberdade de escolha é o sexto sentido?
Resposta: Sim, mas você precisa entender que a liberdade de escolha é algo que precisa ser aprendido. Você não pode simplesmente dizer a uma pessoa: “Você é livre para escolher, vá em frente e escolha!”. Primeiro, você precisa ensiná-la o que essa liberdade realmente implica. Você se depara com mil caminhos, mas não consegue distinguir entre eles, ou talvez nem os veja, ou não perceba como se relacionam uns com os outros. Mesmo assim, você precisa escolher o único caminho que realmente leva ao progresso.
A escolha envolve selecionar tanto o caminho quanto o método para avançar nele. Requer amplo conhecimento e um método preciso: especificamente, as forças que você deve utilizar para seguir em frente, mesmo que ainda não esteja conectado a elas.
De fato, como posso prosseguir quando tudo o que vejo diante de mim é um deserto? Há uma contradição interna aqui. Devo dar o passo certo neste deserto, mas em qual direção dentre os 360 graus? Como posso saber? Se eu pudesse enxergar com clareza, não haveria escolha. É por isso que fui colocado em um estado onde não consigo ver.
Mas se não consigo ver, como posso escolher? Essa situação parece ilógica e sem sentido quando vista pelas lentes do nosso intelecto comum. Contudo, através da compreensão espiritual, percebemos imediatamente que não há contradição alguma. Então, como posso, de fato, avançar?
Aqui devo aprender a atrair forças superiores e a utilizá-las, mesmo que ainda não as sinta. Portanto, devemos receber esse método de uma fonte externa; ele não se origina em nós.
Muitas pessoas dizem: “Vou seguir o que minha alma me diz; tudo ficará bem; essa será a minha verdadeira essência”. Mas se você seguir apenas o que chama de “alma”, permanecerá no nível de um animal. Você precisa adquirir algo novo, algo que ainda não possui.
Assim, sem receber essa sabedoria (Hochma) do alto, de uma fonte externa, do mundo espiritual, é impossível progredir. Mesmo nosso estudo serve apenas a um propósito: atrair essas forças superiores para nós, para que nos influenciem, nos ajudem a fazer a escolha certa, e nada mais.
Quando essa força vem do alto, ela cria em mim o que é chamado de Chen de Kedusha (o encanto ou graça da santidade). Não sei como ela age dentro de mim, nem sei exatamente o que faz ali. Conheço apenas o resultado final desejado que almejo alcançar por meio do meu estudo.
Enquanto estudo, a luz circundante (Ohr Makif) incide sobre o ponto no coração, a raiz da alma. Então, eu começo a sentir uma sutil atração na direção correta, em direção à própria fonte de onde essa luz emanou. É essa atração, esse pequeno impulso interior, que determina minha escolha.
Parece que algo está oculto aqui. Sem dúvida, devo invocar a força superior. Mas como a atraio? Como a obtenho? Com que instrumento posso medi-la? Em volts ou quilogramas? Nada disso é possível saber.
No entanto, diz-se que se, sob condições específicas e após a devida preparação, uma pessoa lê o livro certo, sabendo exatamente o que deseja obter dele e precisamente o que deseja alcançar por meio dele, e se esse desejo nasceu de um esforço genuíno, então a força que chega à pessoa é, de fato, a verdadeira força espiritual.
Existem muitas outras sutilezas envolvidas, mas o resultado de todo o nosso estudo e de todas as nossas ações deve ser a chegada de uma força superior que nos liberte. Essa é a escolha.
Da Lição Diária de Cabalá 06/07/26, Rabash, “Quando se deve usar o orgulho no trabalho?”