O Que A Ciência Da Cabalá Nos Ensina?
Pode-se dizer que uma pessoa começou a estudar a ciência da Cabalá quando aprende a se transformar de acordo com a força superior. Então, em consonância com isso, ela começa a sentir certas reações às suas transformações e a perceber o que essas transformações representam.
Essas reações e impressões são tão estranhas e incomuns que nenhuma ciência deste mundo (já que todas elas lidam com a percepção da força superior sem alterar as qualidades do Kli [vaso]) pode nos ajudar a estudar a ciência da Cabalá, na percepção da força superior através da alteração das qualidades do Kli.
Portanto, os Cabalistas devem nos ensinar coisas que pareceriam muito estranhas se ocorressem no contexto do aprendizado comum em nosso mundo: “Abra a boca, prove isto e, se quiser, sentirá doçura. Mas, se quiser senti-lo de outra forma, sentirá amargor”.
No mundo material, isso não pode ser. Permanecemos dentro de nossas qualidades imutáveis. É por isso que nosso grau é chamado de nível “inanimado”, e uma pessoa não precisa ser ensinada sobre o que deve sentir.
Cada qualidade presente nela, de acordo com sua própria reação a uma influência, sente essa mesma reação, essa impressão. Já no âmbito espiritual, quando uma pessoa começa a mudar suas qualidades, ela deve antes de tudo saber como mudá-las e como, em conformidade com essas mudanças, interpretar o que sente.
É claro que, nessa consciência do espiritual, existe também um lado natural. Se as qualidades se transformaram, a pessoa sente mudanças, um estado diferente, que se chama de “outro mundo”. Seu mundo, ou seja, suas impressões, sensações internas e consciência, tudo mudou. Ela se sente em um mundo completamente diferente do anterior.
Mas é preciso explicar-lhe onde ela está, assim como se ensina a uma criança o que é o mundo ao seu redor. O mesmo se aplica a uma pessoa que, por assim dizer, alterou os seus próprios órgãos sensoriais. Claro que isso acontece com a ajuda de uma força superior, mas ainda assim por meio dos seus próprios esforços.
Contudo, apesar de ela própria se transformar, a imagem que começa a perceber em seus sentidos alterados é uma imagem nova, incomum, estranha. É preciso explicar-lhe o que ela representa. Então, a pessoa descobre nos livros não apenas o método pelo qual pode se transformar, mas também uma explicação do que sente durante o processo, em que lugar está entrando.
Como uma pessoa que de repente se encontra numa ilha deserta e, ao recobrar a consciência, não sabe onde está nem o que está acontecendo. Onde estava antes, lembra-se com dificuldade, mas ainda consegue imaginar de alguma forma. Mas onde está agora, não entende absolutamente nada.
Assim, a ciência da Cabalá não apenas nos ensina como mudar nossas qualidades, mas também nos ajuda a conhecer nossas impressões, ou seja, o mundo em que nos encontramos a cada momento, de acordo com nossas transformações.
Cada vez que uma pessoa recebe apoio, uma base sólida, através de explicações sobre o tipo de mundo em que se encontra, o grau que alcançou, as causas que a levaram a ele, as suas consequências e como é possível progredir ainda mais.
Da Lição Diária de Cabalá 27/04/26, Rabash, “A paz após uma disputa é mais importante do que não ter disputas”