Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 168

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 168

Capítulo 17. Calúnia

Neste mundo, em nosso nível, estamos ocultos em relação ao próximo nível, que já está além da barreira (Machsom). Deve-se compreender que, em cada nível, o inferior está oculto em relação ao superior. A ocultação tem o propósito de permitir que o nível inferior adquira os meios para doar. Se não houvesse ocultação, e víssemos o estado iluminado e completo no qual tudo é conhecido e revelado, certamente não teríamos como nos desapegar do desejo de receber. Seria como pensar em algo muito atraente, desapegar-se disso e, em seguida, pensar nessa mesma coisa apenas com o intuito de doar. Como isso seria possível?

Portanto, o prazer em Kedusha (santidade) está oculto, mas a santidade em si não está oculta, e podemos senti-la. No momento em que renunciamos ao prazer que existe em Kedusha, imediatamente vemos e sentimos Kedusha. Em outras palavras, Kedusha em si, a espiritualidade, não está oculta; apenas o prazer direto que pode ser recebido dela nos vasos de recepção está oculto. Isso é tudo o que está sob restrição (Tzimtzum). Isso ocorre porque, quando nos corrigimos e desejamos não usar os vasos de recepção, descobrimos imediatamente a espiritualidade e percebemos que ela não estava oculta antes. Em vez disso, como os vasos visavam a recepção para nós mesmos, ela parecia oculta.

Isso significa que dentro de nós existem, por assim dizer, dois canais. Podemos perceber a espiritualidade por meio de um deles, e a perturbação existe apenas no segundo canal porque queremos atrair a espiritualidade para recebê-la. No entanto, se desejamos perceber a espiritualidade não para nós mesmos, mas para trabalhar com ela como ela merece, em equivalência de forma com ela, torna-se possível vê-la e trabalhar com ela. Assim, aprendemos que os vasos da recepção nos ocultam a espiritualidade.