Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 167
Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 167
Na espiritualidade, “feminino” refere-se ao desejo de receber que requer correção, uma deficiência, um vaso pronto para ser corrigido e preenchido com luz. Então, por que, tradicionalmente, os homens estudam Cabalá e não as mulheres?
A distinção não reside na superioridade biológica, mas sim nas diferentes estruturas internas e funções no processo de correção.
A mulher, por natureza, geralmente está mais ligada à realidade concreta e à ordem natural deste mundo. Seus desejos estão mais enraizados na própria vida, ou seja, no lar, na família e na estabilidade. Devido a essa profunda conexão com a natureza, é mais difícil para ela se desapegar disso.
O homem, por outro lado, é naturalmente mais distante da realidade imediata. Esse distanciamento o leva a cometer mais erros em assuntos mundanos, mas também lhe confere uma maior capacidade de abstração, de se desconectar da natureza e de ansiar por algo além dela. Em geral, as mulheres tendem a se comportar neste mundo de forma mais estável e realista do que os homens.
Portanto, a carência de espiritualidade não depende do sexo físico, mas da medida em que conseguimos transcender nossa natureza e ansiar pela adesão com o Criador.
Segundo essa visão tradicional, os homens têm a obrigação de se dedicarem ao trabalho espiritual porque sua natureza permite (e exige) essa busca pela ascensão espiritual. As mulheres não têm a mesma obrigação, a menos que uma genuína deficiência espiritual desperte nelas.
Existe um tipo de “teste” descrito:
Primeiramente, uma mulher recebe o que corresponde à sua estrutura natural, ou seja, um marido, um lar e filhos (o que se chama de “mulher do lar”). Se, mesmo tendo tudo isso, ela ainda anseia pela espiritualidade, então essa chama é considerada autêntica. Se ela busca a espiritualidade enquanto sente falta da realização natural básica, pode ser que esteja tentando compensar espiritualmente necessidades naturais não satisfeitas.
Por que é aplicado um teste diferente aos homens?
Isso ocorre porque o homem não experimenta naturalmente o apego ao lar e à família da mesma maneira. Portanto, ele também precisa estar estabilizado (casado, responsável e trabalhando) antes de se dedicar seriamente ao trabalho espiritual. Ele também não pode escapar das responsabilidades mundanas. Um homem sem fardos e responsabilidades também é considerado despreparado. Portanto, ambos são testados de acordo com suas diferentes estruturas internas.
Mesmo quando as mulheres estudam, tradicionalmente o método é diferente porque as almas masculina e feminina representam diferentes modos de estrutura espiritual. Por essa razão, historicamente, o estudo sério não era conduzido em ambientes mistos.
Conta-se uma história ilustrativa sobre a filha mais velha de Rabash, que tinha um intenso desejo de estudar. Baal HaSulam chegou a ensiná-la antes do casamento. Contudo, assim que engravidou, seu desejo de estudar desapareceu completamente. Seus pensamentos se voltaram inteiramente para o filho. Rabash teria observado isso com espanto. Isso é apresentado como um exemplo da força com que a natureza opera.
Hoje, porém, a situação é diferente. Muitas mulheres que têm vidas estáveis, com família, lar e realização neste mundo, ainda sentem um forte chamado para a Cabalá. Isso é considerado um fenômeno relativamente recente. Às vezes, o despertar pode ser influenciado pelo ambiente ou contexto social, mas mesmo isso pode acelerar o desenvolvimento desse ponto no coração até que ele se acenda espontaneamente.
Em todo caso, se existir um desejo espiritual genuíno, uma mulher certamente pode buscar a espiritualidade. No entanto, a visão tradicional sustenta que a forma de estudo e trabalho interior difere, porque as raízes espirituais das almas masculina e feminina são diferentes.
Em última análise, na espiritualidade, “masculino” e “feminino” são qualidades internas presentes em cada pessoa. O aspecto feminino é a deficiência, o desejo de receber. O aspecto masculino é a intenção de doar. Ambos são necessários para a completa correção.
Trecho de uma palestra sobre o artigo “O que significa ‘Não há ninguém tão santo quanto o Senhor, pois não há ninguém além de Ti’ na Obra?”, 11/06/02