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Mudando Para Uma Observação Externa

каббалист Михаэль ЛайтманUma pergunta que recebi: Quando nós realizamos nossos desejos no nível das impressões, fazemos com que o mundo material se torne mais amigável para connosco?

Minha Resposta: Todos somos feitos de um material chamado o “desejo por prazer”. Quando a Luz afecta o nosso desejo de sermos agradados, de uma maneira que o faz alcançar o pior estado, ele considera-se apenas a si mesmo; ele preocupa-se apenas por si mesmo e não sente nada além dele próprio. Este “curto circuito” cria a imagem do nosso mundo dentro de nós.

Ao corrigir o nosso desejo, começamos a sentir outra realidade que existe fora desta. Quando algo é sentido através dos desejos das outras pessoas em vez do nosso próprio, esta é chamada o Mundo Espiritual e Superior, um mundo de vida eterna.

A correcção é um processo de aprender como sentir o que está fora de nós ao contrário de dentro. Este é um desafio puramente psicológico. No fim do dia todos nós queremos ser agradados e aspirar para a bondade. E o cerne da questão é que iremos eventualmente alcançar a bondade infinita, mas apenas sob a condição de que “saímos” de nós mesmos.

Depois de sairmos do nosso eu, a criação material (o desejo por prazer) começa a ser tratada como “eu mesmo”, e, na verdade, é minha. É quando ela se torna mais amigável a nós.

A União dos Desejos Determina Tudo


Uma pergunta que recebi: O que significa que nós temos de desejar estudar O Zohar juntos? Como devemos fazer ou sentir isto?

Minha Resposta: Correcção significa que todos os desejos estão unidos juntos. Quando os nossos desejos estão separados uns dos outros, sentimos esta realidade ou este mundo dentro deles. Quando unimos os nossos desejos, sentimos dentro deles uma realidade chamada “o mundo espiritual”. Tudo é muito simples e não envolve tempo ou espaço. Tudo depende da união dos desejos em um todo ou a sua separação uns dos outros.

Neste momento nós sentimos esta realidade, pois nossos desejos estão desconectados, e cada um está por conta própria. Dentro do seu pequeno desejo, que está dirigido apenas para o seu próprio bem, você sente aquilo que é capaz de sentir dentro dele. Você sente Luz, mas quando a Luz aparece dentro deste desejo parece-lhe a si como você vê agora. Você quer ver algo diferente? Bem, você não será capaz de fazer nada com estes desejos terrenos durante todo o caminho até o Fim da Correcção.

Quando este desejo terreno é revelado e cresce dentro de nós, sentimos que estamos vivos. Posteriormente, ele mingua e sentimos que estamos mortos. Então ele volta à vida novamente e morre, como se fosse reanimado para ser usado, e depois volta à ocultação. Contudo, além dele, há um outro desejo chamado “o ponto no coração”, que vem de outro nível espiritual. Este é um desejo que podemos conectar aos outros. Não podemos conectar os desejos deste mundo, que são desejos dos níveis inanimado, vegetativo e animal. Eles existem na sua forma regular, em que cada pessoa está conectada às outras até o ponto em que a natureza a obriga a fazer, e não mais que isto.

Todavia, podemos unir os nossos desejos chamados “os pontos no coração”, e então sentiremos o mundo espiritual dentro deles. É por isso que temos de imaginar este desejo comum (Kli ou recipiente/vaso). Ele é muito tangível e está verdadeiramente nas nossas mãos. Se pudéssemos unir os nossos desejos pela espiritualidade, ou pontos no coração, juntamente com nossa ajuda e conexão mútuas, sentiríamos então o mundo espiritual. Porém, a sensação dentro deles tem de ser mútua. Ela não pode ocorrer em cada individuo separado, pois ela é revelada através da união dos desejos.

O que é que se torna revelado? É a conexão entre os desejos. Esta conexão é chamada satisfação, Criador, ou Luz que preenche o desejo. Nós não revelamos a Luz em si mesma. Revelamos apenas a nossa impressão da Luz, a qualidade de doação que nos reveste. Ela reveste precisamente as nossas relações de amor e doação uns aos outros.

Há uma força que nos permite unir-nos juntos e tratar uns aos outros com doação mútua. A minha doação à outra pessoa é chamada “Luz”, e a doação mútua que eu revelo entre todos é chamada “o Criador”. Este é o significado do verso, “Do amor pelas criaturas ao amor pelo Criador”.

Tudo Depende De Mim Na Convenção de 2010 Sobre O Zohar


Uma pergunta que eu recebi: Você disse que tudo depende da pessoa. O que depende de mim, e só de mim, no Congresso do Zohar 2010, que começa amanhã?

Minha Resposta: A ciência da Cabala ensina que toda a realidade está dentro de uma pessoa, e não há nada mais além dela. Tudo o que eu imagino como existente fora de mim, como o grupo, o Criador, e toda a realidade, está, na verdade, dentro de mim. Tudo é retratado dentro de mim, e só aparece além de mim, distante, ou mesmo o oposto.

Nosso objetivo é retornar ao estado correto verdadeiro, para revelar a verdadeira realidade e o único que a realiza e a sustenta. Dentro dessa realidade, temos que chegar à unidade, a fim de revelar aquele que dá origem a este mundo, aquele que o governa.

Se este for o caso, então tudo está dentro de mim e tudo depende de mim. O que é a Convenção, reuniões de diferentes grupos, e todas as nossas ações? É uma demonstração das minhas próprias forças, onde o Criador me dá uma oportunidade para uni-las. [Leia mais →]

Acesso Ao Painel De Controle Espiritual


Uma pergunta que recebi: “Por que O Livro do Zohar sempre foi tratado com respeito, e por que une as pessoas em volta dele?

Minha Resposta: Nós existimos em uma realidade infinita onde estamos todos conectados uns aos outros. O Livro do Zohar não é apenas um livro que qualquer pessoa pode pegar de uma prateleira e começar a ler. É um instrumento que nos permite influenciar o sistema espiritual, como se nós pressionássemos os botões, e o sistema reagisse. Nós o ativamos, mesmo sem entender o que estamos fazendo, nós recebemos o acesso a um nível muito sensível.

Este não é um livro, mas todo um sistema. Quando o lemos e conectamos a ele, nos ativamos em relação ao sistema e esse, por sua vez, refere-se a nós. Precisamos entender isso para perceber que há uma grande e especial responsabilidade e oportunidade nisso. [Leia mais →]

Vida Anestesiada


Uma pergunta que recebi: Se o Zohar diz que tudo o que acontece só ocorre dentro de uma pessoa, então por que sofremos no mundo físico?

Minha resposta: O que é o mundo material? É também dentro de mim e eu o divido em tipos de percepção interior e exterior.

Me parece que os terremotos acontecem em algum lugar fora de mim, como no Haiti, ou um acidente de avião, ou inicio de incêndios. No entanto, isto é devido a uma falha na minha percepção da realidade.

Na verdade, tudo se passa dentro de mim, eu só que não acho que isso é assim. É como se eu tivesse machucado minha perna, mas eu não sinto a dor, porque minha perna foi anestesiada.

O Criador Vive Dentro da Sua Nação

Uma pergunta que recebi: Porque é que o próximo Congresso é chamado “Zohar para a nação?” É uma um nome forte, não é?

Minha Resposta: O Zohar é a grande Luz que chega até nós a partir do sistema de Arich Anpin. É a Luz que nos corrige. “Para a nação” significa que queremos nos unir juntos. Está escrito: “Eu moro dentro da minha nação”, ou seja, o Criador habita dentro daqueles que se unem em um único conjunto. O Criador é Luz, amor e doação, e Ele se revela dentro dessa unificação.

É por isso que o Congresso é nomeado em conformidade. Como peças desconectadas, nós estamos tentando nos  aproximar e nos unir. A Luz vai mudar-nos e unir-nos em um. Como cola, ela entrará entre nós. Assim, a Luz do Zohar muda a nação e por isso o Congresso é chamado de “Zohar para a Nação.” Não há nada de místico nisso.

O assunto em questão é a correção do homem, da sociedade e do mundo. Duvido que alguém poderia colocar um argumento contra isso. Cabalá revela apenas as coisas boas e úteis para a humanidade.

Nós Conduzimos a Luz Para Toda a Natureza


Qualidade é muito mais importante do que quantidade. Existe uma quantidade infinita de plantas no mundo, mas a insignificância de uma só flor é igual a toda matéria inanimada em todo o universo. Um animal é igual a todas as plantas no mundo. E uma pessoa é igual a todo o resto da natureza. Isso é como os diferentes níveis são; eles estão separados por um abismo.

Se nós fôssemos juntar todas as pedras em todo o universo, seria impossível fazer com que até mesmo uma simples flor crescesse a partir delas, porque uma flor contém vida. Ela se desenvolve, o que é uma qualidade que o nível inanimado da matéria não possui. O desenvolvimento da pessoa é inteiramente único e não pode ser entendido através de uma simples análise. Pareceria que toda pessoa tem uma força bem pequena, enquanto que na realidade, essa força tem uma grande qualidade.

Assim, um evento como um Congresso onde nos unimos produz uma força muito poderosa. Todas as estrelas no universo são praticamente sem valor se comparadas com o valor do pensamento humano. Hoje os cientistas estão revelando que nossos pensamentos influenciam processos físicos, como os do comportamento das partículas elementares no Grande Acelerador.

Na realidade, nossos pensamentos controlam todas as estrelas, bem como tudo nos níveis vegetativo e animado da natureza. Tudo isso é o resultado da atitude do homem, pensamentos, e desejos. Por isso está escrito que todas as partes da natureza estão dentro do homem, e não há nada para nós corrigirmos além dos nossos pensamentos. É assim que corrigimos o mundo inteiro.

A Luz vem a esse mundo através de um sistema chamado “homem” porque esse sistema é mais alto do que todo o resto, e a Luz se expande de cima até embaixo. Na medida em que esse sistema está unido ou desunido, isto é, corrigido ou não, essa é a medida na qual a Luz alcança todas as outras partes da natureza (inanimado, vegetativo, e animado), e determina como vemos o mundo.

Assim, está escrito que toda a natureza está dentro da pessoa e ascende ou descende junto com ela. Se eu ascendo, eu alcanço uma maior conexão com outros e dessa forma corrijo a alma comum. Através de mim, uma Luz maior vem para toda a natureza, e assim a natureza também se conecta e alcança uma maior harmonia.

Eu sou o centro de toda a natureza. Eu estou cercado pelos níveis inanimado, vegetativo, e animado, mas eu sou o único que determina a correção deles. Quando eu completar minha correção, esses níveis desaparecerão e se tornarão parte de mim, porque eles realmente são partes de mim e um reflexo de mim mesmo.

Página Diária 24.12.09

Páginas Diárias é uma coleção de extratos das aulas diárias do Rav Michael Laitman e Bnei Baruch traduzidas para o Português. 

O Foco no Mundo Espiritual

Enquanto estudamos O Zohar, nós não estamos tentando explicar todos os fenômenos que estudamos; pelo contrário, queremos sentí-los. Como é possível explicar algo que a pessoa não sente ou vê? É por isso que nós só estamos falando sobre o esforço que a pessoa faz quando quer alcançar algo que ela não sabe, vê ou entende, mas faria qualquer coisa para se aproximar disso.

Eu estou ensinando vocês a focarem o mundo espiritual. Quando vocês adquirirem a visão espiritual, vocês sentirão, e depois vocês também entenderão. Este é o significado do versículo, “Um juiz tem somente o que seus olhos vêem”. Qual é a razão para tentar memorizar os nomes se vocês não sabem a que eles se referem? Agora nós estamos aprendendo a realizá-los, porque a realização é quando vocês sentem alguma coisa com clareza absoluta em todos os seus sentidos e coração. Vocês existem nela, estão completamente imersos no mundo espiritual, e realmente tornam-se um com ele.

Nós estamos falando sobre como adentrar a sensação de um mundo novo, como um bebê que está começando a perceber o mundo de forma simples e natural. No início, nós não explicamos nada para o bebê. Primeiro, ele deve ser preenchido com várias impressões sobre o nosso mundo e, em seguida, ser capaz de diferenciar entre qualidades diferentes (frio versus calor, luz versus trevas, duro contra mole); ele começa a moldar uma mente que entende ao que deve aspirar e do que deve se afastar. Ele começa a discernir o que é agradável e desagradável, o que é bom para ele e o que é ruim, o que é verdadeiro e o que é falso, o que gosta e o que não.

No entanto, no que diz respeito à espiritualidade, tudo isto surge somente depois de termos revelado um fragmento do Mundo Superior em nossas sensações. Neste momento, nós desejamos alcançar essa revelação, e por isso não queremos explicar o que está dentro dela; nós só queremos facilitar essas novas sensações em nós.

Nós temos que “desfocar” a nossa visão de mundo e deixar de vê-lo, para começar a ver através de um novo foco, concentrando nossa atenção em outra coisa. É como as imagens tridimensionais, que primeiro surgem como um conjunto caótico de formas desordenadas. Mas, se você mudar o foco de sua visão e parar de se concentrar na superfície da imagem, se você tentar olhar dentro, sem focar a imagem em si, mas, propositalmente, penetrar no interior – então você começa a percebê-la. Nós devemos fazer o mesmo esforço – porém através dos sentimentos, em vez da visão – quando lemos O Livro do Zohar; então, através das sensações deste mundo, sentiremos o Mundo Superior.

Nós devemos tomar a forma como vemos o mundo e, intencionalmente, “quebrar esse foco”. Não ver este mundo, mas sim concentrar-se num ponto completamente diferente, focar a nossa atenção sobre ele e começar a ver através dele. É como as imagens tridimensionais: quando você olha para elas, primeiro você não consegue ver nada. Mas quando não olha para a superfície da imagem, e vai além, como se quisesse olhar para dentro dela, então o foco não se concentra exatamente na imagem em si, mas é como se ele penetrasse dentro; em seguida, você começa a ver. Durante o estudo do Zohar nós falamos apenas sobre este esforço. 

O Ponto de Entrada para a Realidade Espiritual

O Baal HaSulam escreve que “Não há nada mais elevado do que a verdade e nada mais baixo do que a falsidade”. Mas como podemos saber o que é a verdade e onde encontrá-la? As coisas só parecem verdadeiras em nossa imaginação e fantasia, mas nós sabemos que tudo aquilo que parece verdade hoje se tornará mentira amanhã. Isso acontece porque os nossos desjos mudam, e quando isso acontece, todos os fatos que percebemos, também mudam. Como a matéria muda, a forma que estava presente na matéria ontem já não é visível para nós hoje.

Acontece que hoje nós operamos de acordo com a forma revestida de matéria, e consideramos isso como verdade. Mas amanhã, nós iremos descartá-la e diremos que foi uma mentira, dependendo do que veremos amanhã. Nós sempre temos que agir com base no desejo, e na forma com a qual ele está revestido durante o momento que estamos nessa forma. Nós não nos importamos que costumávamos pensar de maneira diferente que há cem anos atrás, e que pensaremos de maneira diferente daqui a duzentos anos. Tudo será novo, teremos uma nova vida, um novo céu e uma nova terra. No entanto, hoje temos que tomar todas as decisões baseadas nos fatos atuais.

Disso resulta que não temos o direito de julgar os outros – aqueles que estão acima ou abaixo de nós. Como podemos julgar alguém num nível abaixo de nós se ele ainda não foi corrigido? Afinal, ele tem razão em relação à sua posição.

Todos os erros, problemas e punições são dados a nós, a fim de nos “entulhar” numa forma revestida de matéria, para que não nos separemos da matéria e nos envolvemos no raciocínio abstrato. É extremamente importante manter isso em mente ao estudar O Zohar. Afinal de contas, O Zohar destina-se a nos levar ao mundo espiritual, e nesta área nós somos muito tentados a ceder às fantasias e misticismo. O nosso corpo realmente deseja isto, pois dessa maneira ele sentirá menos sofrimento.

Nós devemos nos esforçar para manter os pés no chão dentro do âmbito da matéria. Ao fazer isso, nós estaremos realizando uma correção. Nós devemos inserir a forma de doação em nossa forma egoísta de recepção, mas elas não se encaixam uma dentro da outra, elas são totalmente opostas e, portanto, a nossa tarefa é extremamente difícil!

É por isso que O Zohar se esforça esforço para ser vigilante em relação ao que está acontecendo conosco, e que formas estão revestidas em nós. Afinal de contas, através da separação da matéria, nós podemos imaginar que já estamos no mundo da doação e do Infinito. 

Será o Meu Próximo Nível a “Forma Extraída da Matéria”?

O meu próximo nível é descrito como aquele oposto a mim. Como eu o descrevo e o sinto, é uma forma extraída da minha matéria. Eu não posso revestí-lo, eu não quero revestí-lo, mas o trato como algo desejável. Na materialidade eu posso imaginar que já estou corrigido, que sou como isso ou aquilo, mas quando estou na espiritualidade, eu não consigo me imaginar no meu nível superior, porque sou repelido por ele. O Elyon (Superior) está oposto a mim, Ele me mostra como devo doar. Mas eu não quero doar, é uma forma que eu não desejo receber.

Portanto, na espiritualidade não há perigo de que eu caia nas mãos da minha imaginação, porque quando eu alcanço o nível superior, eu já estarei em sua forma. O Elyon me apresenta o nível superior em oposição ao meu estado, à minha matéria, e ele me parece como a escuridão. A partir deste momento, eu só devo me esforçar dentro do grupo, conectando desejos adicionais. Quando eu conectar vários desejos adicionais, o Elyon já não parecerá oposto a mim; então, eu já solicitarei correções adicionais à Luz que Reforma. Eu não posso subir ao próximo nível a menos que eu adicione desejos desconhecidos para mim, que serão como meus, e neles eu revelarei o próximo nível, a adição.

Página Diária 21.12.09

Páginas Diárias é uma coleção de extratos das aulas diárias do Rav Michael Laitman e Bnei Baruch traduzidas para o Português.

RETORNANDO À CONSCIÊNCIA
Eu tenho um desejo, e além dele não existe mais nada. Dentro desse desejo existe algo chamado, digamos, “David”, “Abraão”, “Isaac”, “Moisés”, “José”, “direita”, “esquerda, “meio”, “inferno”, “Jardim do Éden”, etc, todo tipo de coisas, e tudo está dentro do desejo. É impossível para eu sentir, descrever ou pensar em algo que não seja o desejo. O Criador criou apenas o desejo. E agora eu preciso começar a conhecer o meu desejo. Eu vivo nele, mas eu não sei como eu vivo. Eu atuo sobre ele, ele age sobre mim. Isso se chama viver “inconscientemente”.

O Zohar começa a me trazer de volta à consciência. Ele começa a explicar de que consiste o meu desejo, como eu os influencio, organizo, corrijo, atualizo. Assim, por exemplo, eu não posso trabalhar com o meu desejo principal chamado “David”, “Malchut“. Neste desejo eu devo receber correções de “Abraão”, “Isaac”, etc Enquanto isso, eu só ouço isso, mas quero conhecê-lo. Tudo isso é meu desejo, e existe dentro de mim.

Se eu quero estar familiarizado com esse desejo, se eu anseio por ele como um bebê, então a Luz Circundante vem a mim desde um estado mais iluminado e brilha sobre mim, e eu começo a sentir um pouco desse estado. Eu começo a atribuir uma sensação para cada discernimento: este não é tão bom, aquele é um pouco melhor, este é ligeiramente inferior, aquele é um pouco superior; e assim eu avanço, porque nós não temos nada, exceto sensação.

SAINDO FORA DO FILME
A pessoa precisa pensar a respeito da percepção da realidade e se acostumar com todas as definições, como diz o Baal HaSulam, de modo que estas serão colocadas dentro dela como numa caixa. De agora em diante, esta será a forma com que eu olho para o mundo. Eu devo parar com o hábito de olhar o mundo como se ele existisse fora de mim, o qual foi inserido em mim no momento em que nasci até hoje. Chega, eu estou retornando para a verdade, eu não quero estar nesta foto imaginária.

A FORMA CORRETA DE OLHAR A REALIDADE
Quando nós lemos O Zohar, encontramos nomes como Jacó, Esaú, Abraão e Noé. Porém, se nós interpretarmos esses nomes através das nossas noções anteriores sobre a Torah, vendo-a como um conto histórico, então ficaremos completamente confusos e compreenderemos mal o que O Zohar nos conta. Nós devemos avançar em direção a um vácuo vazio no espaço sideral, onde não há terra e nada que tenha ocorrido alguma vez; tudo isto apenas pareceu-nos real. Tempo, movimento e espaço são uma ilusão que só existe na nossa imaginação. Nós pensamos que algo existiu há milhares de anos atrás, e que agora fazemos escavações arqueológicas sobre isso; nós encontramos ossos como prova da sua existência. Porém, tudo isto existe apenas nas nossas percepções, que chamamos realidade.

Porém, agora nós queremos nos elevar ao entendimento adequado – para ver o desejo que contém Reshimot (genes informativos). É isto que queremos investigar, em vez de escavações arqueológicas.

Eu quero ver este mundo inteiro dentro do meu desejo, dado que é o único lugar onde ele existe verdadeiramente. Eu tenho de mudar para perceber a verdadeira realidade, em vez de uma imaginária. Eu quero ver as pessoas à minha volta como várias formas ou imagens dentro do meu desejo, em vez dos corpos físicos que aparecem à minha frente. Eu quero ver como toda a realidade – até o Criador – está contida dentro do meu desejo. Então, a minha realidade será chamada Malchut do Mundo do Infinito.

Eu tenho que unir tudo em um, já que tudo está contido dentro de um desejo. A razão pela qual eu vejo imagens diferentes, ações, e movimento através do tempo e espaço (tanto no tempo e espaço material, quanto no espiritual) é porque a Luz, o Criador, age dentro do meu desejo. Desta maneira, gradualmente, passo a passo, isso me leva ao verdadeiro entendimento das Suas ações.

QUANDO ELES LIGAM A LUZ NO CINEMA…
Se eu quiser ver a verdadeira realidade, não posso imaginar outra coisa senão o meu próprio desejo. Esta é a forma como nascemos e como nós fomos condicionados a ver este filme, onde o mundo inteiro parece estar fora de nós. No entanto, tudo isso só existe dentro do nosso desejo. Temos de travar uma guerra interior com nós mesmos de forma a nos convencermos que tudo acontece dentro do desejo. Contudo, este fato não revoga a realidade, dado que o desejo é a realidade.

Nós pensamos que um desejo é simplesmente quando queremos algo. Porém, o desejo é tudo! Uma parede que bloqueia o meu caminho é um desejo também, eu estou indo contra o meu desejo. Tudo a minha volta são desejos ou forças retratados dessa maneira na minha tela. Quando você olha para uma fotografia numa tela de computador, você não acha que são objetos reais escondidos dentro do computador. Você sabe que a imagem é criada por forças elétricas. Todavia, quando você olha para o nosso mundo, você não percebe isso, porque não vê a tela na qual este mundo é projetado.

No entanto, na realidade, tudo ocorre de forma simples. O que você vê na tela do computador parece estar acontecendo fora de você, na tela, e de lá a imagem entra em seu olho, é processada, em comparação com o que está armazenado em sua memória, e então é reconhecida com a ajuda de processos eletro-químicos em seu cérebro. No entanto, quando você está vendo o mundo, você o vê dentro de si mesmo, em seu cérebro. É aí que vê uma projeção do mundo, como se ele estivesse fora de você! No entanto, isso também é uma tela onde forças elétricas estão retratando uma imagem sobre ele. Enquanto isso, no entanto, você acha que esse quadro se encontra em algum lugar do lado de fora.

Se abordarmos esta percepção verdadeira com a ajuda de O Zohar, então veremos um mundo de forças e qualidades diante de nós. Estas forças e qualidades são operadas por uma força geral, o Criador. Ao alcançarmos esta visão e compreensão, revelaremos o Criador, que desejamos tanto… Esta revelação ocorre dentro do nosso desejo, dependendo da sua equivalência de forma com o Criador. Todo O Zohar se destina apenas à revelação da percepção correta da realidade.

Mude a Sua Intenção e Voce Mudará a Sua Realidade


Eu sou um pequeno mundo, e percebo tudo dentro de mim. Como o Baal HaSulam explica no “Prefácio ao Livro do Zohar”, existe uma  “câmera” dentro de mim que projeta a imagem do mundo numa tela, na parte posterior da minha cabeça. Assim, o mundo se apresenta para mim através do seguinte sistema de coordenadas: ” mundo, ano,  alma”. Portanto, a fim de ver a verdadeira imagem do mundo, eu tenho que organizar adequadamente os meus desejos, através dos quais percebo o mundo.

Ao corrigir cada um dos meus desejos, de recepção para doação, eu gradualmente começo a converter as imagens deste mundo, atualmente percebidas em função da recepção, para uma imagem do mundo em função da doação. Então, passo a passo, eu me aproximarei do retrato fiel da realidade – aquele que está fora de mim e independente dos meus corruptos vasos de recepção (Kelim). Eu verei a realidade em sua verdadeira forma, fora de mim; dito de forma diferente, eu “verei” o mundo espiritual.

Tudo o que tenho que fazer para conseguir isso é mudar o método de utilizar os meus desejos, de recepção para doação. Portanto, primeiro eu devo imaginar que o mundo que eu atualmente sinto e no qual pareço habitar é, na verdade, os meus desejos; é nesses desejos que eu habito, os quais são destinados ao consumo (recepção).

Como eu gradualmente começo a convertê-los de recepção para doação, ao sair fora deles, a imagem do mundo mudará. Isto é muito difícil para eu entender, porque estou acostumado a perceber o mundo como ele se parece atualmente para mim. No entanto, toda a imagem do mundo é criada por forças que descem do Alto, como a imagem numa tela de computador. Eu posso mudar meus desejos, e assim perceberei uma realidade diferente.

Nós estamos vivendo numa época especial, quando todas as forças, todas as condições, e todos os estados que atravessamos nos ajudam a desfazer a nossa percepção atual do mundo, a percepção da realidade corpórea, e desenvolvem o desejo de adquirir uma percepção diferente da realidade – a do mundo espiritual.