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Como Um Feixe De Juncos — Correções Através Das Eras, Parte 6

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 3: Correção Através das Eras

A Evolução do Método de Correção

Permissão Para Se Envolver

Juntamente com a crescente predominância da Cabalá Luriânica, uma gradual emergência do sigilo começou, na medida em que mais e mais Cabalistas sentiram que o tempo tinha amadurecido para divulgar o método pelo qual o mundo alcançaria sua correção final.

No seu livro, Luz do Sol, o Cabalista Rabi Avraham Azulai escreveu, “A proibição do Alto de se abster do estudo aberto da sabedoria da verdade [Cabalá] foi durante um período limitado de tempo, até ao fim de 1490. Desta forma, é considerada a última geração, na qual a proibição foi levantada e a permissão foi dada para se envolver em O Livro do Zohar. E desde o ano 1540, tem sido uma grande Mitzvá (mandamento, boa ação, correção) para as massas estudar, velhos e novos. E uma vez que o Messias está destinado a vir como resultado, e por nenhuma outra razão, é inapropriado ser negligente”. [i]

Embora o ARI não permitisse a ninguém, senão Chaim Vital, estudar seus ensinamentos, o último escreveu profusamente sobre a importância de estudar a Cabalá. “Ai das pessoas que afrontam a Torá. Elas não se envolvem na sabedoria da Cabalá, que honra a Torá, pois elas prolongam o exílio e todas as aflições que estão prestes a vir ao mundo”, escreveu ele na sua introdução à Árvore da Vida. [ii]

Nos séculos que se seguiram, numerosos rabinos, Cabalistas e acadêmicos afirmaram que o estudo da Cabalá era vital para nossa redenção, até para a sobrevivência da nação. No meio do século XVIII, o Gaon de Vilna (GRA), escreveu explicitamente, “A redenção depende do estudo da Cabalá”. [iii]

No início do século XIX, os Cabalistas começaram a proclamar que até crianças deviam estudar a Cabalá, explicitamente revogando o estudo antes dos quarenta anos de idade. O Rabi de Kormano escreveu, “Tivesse meu povo me escutado nesta geração, em que a heresia prevalece, eles mergulhariam no estudo de O Livro do Zohar e os Tikunim [Correções], contemplando-os com crianças de nove anos de idade”. [iv]

No início de 1900, o Rav Isaac HaCohen Kook, que mais tarde se tornou o primeiro Rabino Chefe de Israel, pediu abertamente o estudo da Cabalá, bem como o regresso dos Judeus à terra de Israel. Em Orot (Luzes), ele escreveu, “Os segredos da Torá trazem a redenção; eles trazem Israel de volta a sua terra”. [v]

Em numerosas ocasiões, o Rav Kook escreveu descaradamente que cada Judeu tem que estudar a Cabalá, embora ele raramente usasse o termo explicito e frequentemente se referisse a ela pelos seus conhecidos epítetos, “a sabedoria da verdade”, “a sabedoria do oculto”, “a interioridade da Torá”, ou “os segredos da Torá”. Nas suas palavras, “Perante nós está a obrigação de expandir e estabelecer o envolvimento no lado interno da Torá, em todos os seus assuntos espirituais, que, no seu sentido mais amplo, incluem a ampla sabedoria de Israel, cujo ápice é verdadeiramente o conhecido de Deus, de acordo com a profundidade dos segredos da Torá. Nestes dias, ela requer elucidação, escrutínio e explicação, a fim de torná-la mais clara que nunca e mais expansiva entre toda a nossa nação”. [vi]

[i] Abraham Ben Mordechai Azulai, Introdução ao livro, Ohr HaChama (Luz do Sol), 81

[ii] Rav Chaim Vital, Os Escritos do Ari, Árvore da Vida, Parte Um, “Introdução de Rav Chaim Vital” 11-12

[iii] O Gaon de Vilna (GRA), Even Shlemah (O Peso Perfeito e Justo), Capítulo 11, Item 3

[iv] Rav Yitzhak Yehuda Yehiel of Komarno, Notzer Hesed [Manter Misericórdia], Capítulo 4, Ensinamento 20

[v] Rav Yitzhak HaCohen Kook (o Raiah), Orot [Luzes], 95.

[vi] Rav Yitzhak HaCohen Kook (o Raiah), Otzrot HaRaiah [Tesouros do Raiah], 2, 317

Como Um Feixe De Juncos — Correções Através Das Eras, Parte 3

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Capítulo 3: Correção Através das Eras

A Evolução do Método de Correção

Moisés Diz, “Unam-Se!”

A solução veio na forma da Torá de Moisés, mas também com uma nova precondição para a execução de qualquer correção desse momento em diante. Para receber a Torá, escreve o grande comentador, RASHI, o povo de Israel manteve-se na base do Monte Sinai “como um homem com um coração”. [i] Essa absoluta e completa unidade evoluiria mais tarde para uma das características mais proeminentes de Israel – a responsabilidade mútua – o nobre traço que distinguiria Israel de todas as nações da época.

Após a sua aceitação da condição de ser como um homem com um coração, o povo de Israel recebeu a Torá, a instrução, o código de leis que o ajudaria a dominar o ego. Com ela, eles se tornaram uma sociedade onde cada membro – homem, mulher e criança – alcançou o Criador e viveu pela lei da garantia mútua, em equivalência de forma com o Deus (ou força) único que Abraão havia descoberto. O Talmude Babilónio escreve, “Eles verificaram de Dan a Beer Sheva e nenhum ignorante [pessoa não corrigida] foi encontrado de Gevat a Antipris, e nenhum menino ou menina, homem ou mulher foi encontrado que não versasse cuidadosamente nas leis da pureza e impureza (correções de acordo com a lei de Moisés)”. [ii]

Com sua unidade recentemente adquirida, Israel conquistou Canaã – da palavra Kenia’a (render-se) [iii] – e tornou-a a “Terra de Israel” – um lugar onde o desejo pelo Criador governa. O Templo que Israel estabeleceu na terra representava seu alto nível de realização, onde eles continuaram a se desenvolver e a implementar o método de Moisés.

Ainda assim, como nossos sábios escrevem, “A inclinação ao mal nasce com o homem, e cresce com ele sua vida inteira”. [iv] e “A inclinação no coração do homem é má desde sua juventude, e sempre cresce em todas as cobiças”. [v] Ainda assim, o método de correção de Moisés, as leis que chamamos de “a Torá,” permaneceu intacto durante o primeiro e segundo Templos, e até durante o exílio na Babilônia.

Mas, à medida que o declínio espiritual de Israel continuou, o povo achou cada vez mais difícil se segurar à sua unidade e conexão com o Criador. Como resultado, o Segundo Templo era num grau espiritual (nível de conexão, ou equivalência de forma com o Criador) inferior ao primeiro. O Cabalista Rabi Behayei Ben Asher Even Halua explica, “Desde o dia em que a Divindade esteva presente em Israel, na entrega da Torá, ela não se moveu de Israel até à ruína do Primeiro Templo. Desde a ruína do Primeiro Templo … ela não esteve presente permanentemente, como durante o Primeiro Templo”. [vi]

No final, o nível de egoísmo aumentou no povo de Israel de tal forma que ele os separou por completo uns dos outros e do Criador. Certamente, foi a separação mútua que causou sua separação do Criador, da percepção da força fundamental da vida. Isso, por sua vez, resultou na ruína do Segundo Templo, e no último e mais longo exílio.

No seu livro, Netzá Yisrael (O Poder de Israel), Rabi Yisrael Segal descreve a queda melancólica de Israel: “No Segundo Templo havia uma virtude especial, que Israel não estava dividido em dois; havia somente união entre eles. Desta forma, o Primeiro Templo foi arruinado por transgressões que são Tuma’a [impureza], e o Senhor não mora entre eles no meio de sua Tuma’a. Mas o Segundo Templo foi arruinado por ódio sem fundamento, que revoga sua união, que era sua virtude no Segundo Templo”. [vii]

Da mesma forma, o grande acadêmico e poeta, Rabi Avraham Ben Meir Ibn Ezra, escreveu, “‘E vós pisareis nos seus altos cargos’, ‘E eu vos deixarei montar nos altos cargos da terra’, e a razão é o ódio sem fundamento que estava presente no Segundo Templo até que ele gerasse o exílio em Israel”. [viii]

[i] Rabbi Shlomo Ben Yitzhak (RASHI), O RASHI Interpretação da Torá, “Sobre Êxodo, 19:2”.

[ii] Talmude Babilônico, Masechet Sanhedrin, p 94b.

[iii] “Chamava-se ‘A Terra de Canaã’ porque todos que quiserem habitar nela devem ser subjugados pelo sofrimento todos os seus dias” (Rav Chaim Vital (Rachu), The Book of Knowledge of Good, Bo [Come])

[iv] Midrash Tehilim [Psalms], Psalm no. 34.

[v] Rabbi Chaim Thirer, A Well of Living Waters, Toldot [Generations], Chapter 25 (contd.).

[vi] Rabbi Behayei Ben Asher Even Halua, Rabeinu Behayei about Beresheet [Genesis], 46:27.

[vii] Rabbi Yisrael Segal, Netzah Yisrael [The Might of Israel], Chapter 5.

[viii] Rabbi Abraham Ben Meir Ibn Ezra, Ibn Ezra about the Song of Songs, 7:3

Como Um Feixe De Juncos — Correções Através Das Eras, Parte 2

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Capítulo 3: Correção Através das Eras
A Evolução do Método de Correção

A (Não Necessariamente) Inclinação ao Mal

Quando nossos sábios escrevem sobre a Yetzer HaRah (inclinação ao mal), eles se referem à maneira como nós usamos a inveja para magoar os outros ou para nos beneficiar às suas custas. Mas se usarmos corretamente a inveja, a luxúria e a honra mencionadas acima, elas se tornam nossos meios de correção. É por isso que o Santo Shlah escreveu, “as piores qualidades são inveja, ódio, avareza, luxúria, e assim por diante, que são as qualidades da inclinação ao mal — exatamente as mesmas com que ele vai servir ao Criador.” [i]

Ainda assim, de forma inata, nós usamos essas inclinações negativamente, como está escrito (Gênesis, 08:21), “a inclinação do coração do homem é má desde a sua juventude”. Da mesma forma, “não há nenhum mal, exceto a inclinação ao mal”, escreveu Shimon Ashkenazi, [ii] e séculos anteriores, o Midrash Rabah estabeleceu que “as pessoas estão inundadas na inclinação ao mal, como é dito, ‘pois a inclinação do coração do homem é má desde a sua juventude'”. [iii]

Abraão descobriu que, de todas as criações, apenas as pessoas possuem uma inclinação ao mal. Eis porque o grande Ramchal escreveu, “não há nenhuma outra criação que possa fazer mal como homem. Ele pode pecar e se rebelar, e a inclinação do coração do homem é má desde a sua juventude, o que não é assim com qualquer outra criatura”. [iv]

Baal HaSulam escreve que a inclinação ao mal é o desejo de receber [v]. Ainda assim, nós dissemos em capítulos anteriores que o desejo de receber é toda a Criação, e o homem constitui o quarto e mais desenvolvido nível do desejo de receber. Por que então o nosso desejo de receber é a fonte de todo mal?

O problema é que o desejo de receber no nível humano (falante) não é estático. Ele cresce constantemente e está constantemente à procura de mais. Nas palavras de nossos sábios, “a pessoa não deixa o mundo com metade dos seus desejos em sua mão, pois quem tem cem desejos deseja duzentos; quem tem duzentos desejos quatrocentos”. [vi] Como nós constantemente buscamos mais, estamos sempre deficientes. Da mesma forma, o Santo Shlah diz, “aquele que não está contente está sempre carente”, [vii] e, portanto, constantemente infeliz e insatisfeito. Olhando para a nossa sociedade de consumo, nós podemos ver que se sucumbirmos a esse elemento em nossa natureza, nós seremos lançados numa “caça ao prazer” que não acaba, mas que também não nos faz felizes.

Assim, Abraão percebeu que a inclinação ao mal, o ódio e a alienação que apareceram entre os Babilônicos, estava causando todos os problemas entre eles e que não havia esperança que este fermento viesse para baixo por si só. No entanto, ele também percebeu que ter um intenso desejo de receber era necessário para a realização do propósito da Criação, para o homem conseguir Dvekut (adesão, equivalência de forma) com o Criador. Nas palavras do Ramchal, completando a citação acima, “Por outro lado, quando ele (o homem) é corrigido e complementado, ele se ergue acima de tudo, e merece aderir-se (apegar-se) a Ele, e todas as outras criações dependem dele”. [viii]

Portanto, em vez de tentar aniquilar a inclinação ao mal, Abraão desenvolveu um método com o qual as pessoas podiam se corrigir, ou “domar” suas inclinações, ou seja, seus egos, e assim beneficiar seu crescimento. Uma vez que ele desenvolveu o método, ele começou a compartilhar com todos, sem exceções, como Maimonides testifica, “ele começou a anunciar ao mundo inteiro.” [ix]

Como mencionado na introdução, Maimonides escreveu que Abraão “plantou este princípio (de que existe um Deus, uma força no mundo) em seus corações, compôs livros sobre isso e ensinou a seu filho, Isaac”.

No entanto, o método de Abraão foi adequado apenas para seus contemporâneos. Não poderia, nem era destinado às gerações posteriores. Como a inclinação ao mal no nível falante — o desejo de receber para nós mesmos, também conhecido como “egoísmo” — é sempre crescente e em desenvolvimento, na época que o povo de Israel se tornou uma nação e saiu do Egito, um novo método de correção foi necessário.

Os cerca de três milhões que saíram do Egito eram diferentes das setenta almas que tinham entrado dois séculos antes. No Egito, o desejo de receber de Israel aumentou tremendamente e necessitou um conjunto muito explícito de instruções a fim de corrigi-lo.

[i] Rabino Isaías HaLevi Horowitz (o Santo Shlah), Em Dez Declarações, “Sexto Enunciado.”

[ii] Rabino Shimon Ashkenazi, Yalkut Shimoni [A Antologia Shimoni], Miquéias, capítulo 7, continuação da intimação n º 556.

[iii] Midrash Rabah, Shemot [Êxodo], parte 30, Parágrafo 17.

[iv] Ramchal (Rav Moshe Chaim Lozzatto), Daat Tevunot, 154, 165.

[v] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos de Baal HaSulam, Shamati [Eu ouvi], artigo n. º 5, “Lishma é um despertar de cima, e por que precisamos de um despertar de baixo para cima” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 518.

[vi] Midrash Rabah, Kohelet [Eclesiastes], parte 1, Parágrafo 34.

[vii] Rabino Isaías HaLevi Horowitz (O Santo Shlah), “Portão das Letras”, Item 60, “Satisfação”.

[viii] Ramchal (Rav Moshe Chaim Lozzatto), Daat Tevunot, 154, 165.

[ix] Maimonides, Yad HaChazakah (A Mão Poderosa), parte 1, “O Livro da Ciência”, capítulo 1, Item 3

Como Um Feixe De Juncos — Eu Quero, Logo Existo, Parte 4

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Capítulo 2: Eu Quero, Logo Existo

A Vida Como Uma Evolução Dos Desejos

O Ponto No Coração

Este é o nível a que o Rabino Nathan Shapiro chamou de “o Divino falante”. É este desejo que nos impulsiona a explorar como esse mundo funciona, o que o faz funcionar do modo como ele o faz, e por que. É o desejo que chamamos de “Israel”, Yashar El (direito ao Criador). Em Abraão, esse desejo apareceu como o anseio de saber “Como era possível que esta roda sempre rodasse sem um condutor? Quem a roda, pois ela não pode rodar a si mesma?” [i]

Baal HaSulam chamou esse desejo de conhecer o Criador de “o ponto no coração”. Na sua “Introdução ao Livro do Zohar”, ele explica que o coração pode ser visto como o todo dos nossos desejos, e que “o ponto no coração” é o desejo dentro de nós que aponta para o Criador. [ii] Meu professor, o Rabino Baruch Shalom HaLevi Ashlag (o Rabash), primogênito e sucessor de Baal HaSulam, explicou que o “ponto no coração” é o desejo chamado “Israel”. Nas suas palavras, “Há também Israel numa pessoa… mas ele é chamado de ‘ponto no coração’”. [iii]

Agora nós podemos ver porque Abraão estava tão determinado a partilhar o que havia descoberto. Ele sabia que os desejos humanos estavam evoluindo, e sabia que quanto mais eles evoluem, mais se voltam para adquirir riqueza, poder, dominação sobre os outros e conhecimento. Era claro para ele que sem adquirir o conhecimento da natureza dos desejos humanos, as pessoas não seriam capazes de gerir a si mesmas e suas sociedades adequadamente.

Assim que Nimrod teve sucesso em impedir os esforços de Abraão de circular seu conhecimento aos Babilônios, esse homem sábio juntou aqueles que o seguiam e saiu da Babilônia para espalhar sua mensagem para fora. Certamente, o legado de Abraão para nós é que aqueles que compreenderam o que ele havia ensinado deviam partilhar o conhecimento com quem quer que estivesse disposto a escutar. Nas palavras de O Livro do Zohar, “Abraão cavou esse poço [Beer Sheba]. Ele o descobriu porque havia ensinado a todas as pessoas no mundo a servir o Criador. E assim que ele o cavou, este emitiu águas vivas que nunca cessaram”. [iv]

O povo de Israel de hoje são os descendentes dos estudantes de Abraão, pessoas com pontos em seus corações, o ponto de Israel dentro delas. Embora esse ponto esteja agora enterrado por baixo de séculos de esquecimento, ele existe e aguarda ser reacendido. Nas palavras do Sagrado Shlah, “Israel é chamado de ‘Assembleia de Israel’, pois embora abaixo eles estejam separados uns dos outros, acima, na raiz de suas almas, eles são uma unidade e estão congregados, pois são a parte do Senhor. Os ramos [o povo de Israel] que desejam regressar às suas raízes devem seguir o exemplo de suas raízes, ou seja, se unir abaixo também. Quando a separação está entre eles, eles aparentemente causam separação e divisão acima; vejam quão longe a questão se prolonga. Desta forma, toda a casa de Israel deve perseguir a paz e ser um, em paz e plenitude, sem um defeito, para se assemelhar a seu Criador [estar em equivalência de forma com Ele], pois assim é o nome do Senhor, ‘Paz’”. [v]

Assim que Israel se unir e se corrigir, eles poderão concretizar sua vocação e ser “Uma luz para as nações” (Isaías 42:6). Nas palavras do Rabino Naftali Tzvi Yehuda Berlin (O NATZIV de Volozin), “A principal razão pela qual a maioria de nós vive em exílio é que o Senhor revelou a Abraão Nosso Pai que seus filhos foram feitos para ser uma luz para as nações, o que é impossível a menos que estejam dispersos no exílio. Assim foi com Jacó, Nosso Pai, quando ele chegou ao Egito, onde estava a maioria do povo. Com isso, Seu nome se tornou grande, quando eles viram Sua providência sobre Jacá e seus descendentes”. [vi]

Falando da evolução dos desejos, a raça humana constitui o quarto e mais alto nível do desejo, o único que permite o livre arbítrio. Mas para tomar as escolhas certas, as pessoas precisam saber como tudo funciona a partir da sua raiz. O povo Israelita representa o desejo de conhecer a raiz; portanto, é sua responsabilidade estudar a raiz, e transmitir seus discernimentos e percepções ao resto da humanidade. Assim, todos saberão como fazer com que suas escolhas funcionem para seu benefício.

Para obter esse conhecimento, Abraão formou um método de estudo que os sábios nutriram e desenvolveram durante eras. O próximo capítulo descreverá a evolução desse método, que desde que foi escrito O Livro do Zohar, tem sido referido como “Cabalá”.

[i] Maimônides, Yad HaChazakah (A Mão Poderosa), Parte 1, “O Livro da Ciência”, capítulo 1, item 1.

[ii] Rabino Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos de Baal HaSulam , “Introdução ao Livro do Zohar“, itens 43-44 (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 444.

[iii] Rabino Baruch Shalom Ashlag (o Rabash), Os Escritos de Rabash, “Na Minha Cama à Noite” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2008), 129.

[iv] Rabino Shimon Bar Yochai (Rashbi), O Livro do Zohar (com o Comentário Sulam [Ladder] de Baal HaSulam, New Zohar, Parashat Toldot, vol. 19, inciso 31 (Jerusalém), 8-9.

[v] Rabino Isaías HaLevi Horowitz (O Santo Shlah), Masechet Sucá [Tratado Sucá], capítulo, “Torah, Luz” (13).

[vi] Rabino Naftali Tzvi Yehuda Berlin (The NATZIV de Volozin), Haamek Davar [Mergulhar Profundamente na Matéria] sobre Beresheet [Gênesis], capítulo 47:28

Como Um Feixe De Juncos — Eu Quero, Logo Existo, Parte 3

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Capítulo 2: Eu Quero, Logo Existo

A Vida Como Uma Evolução Dos Desejos

Onde Somos Livres para Escolher

Tal como aprendemos com Baal HaSulam, a diferença entre o nível falante da realidade e os outros três níveis, tanto na sua natureza geral e dentro de nós, é que nós somos ilimitados pelo tempo e o espaço quanto à escolha do que aproximar de nós e o que repelir. Dito de outro modo, no todo da Natureza, a raça humana é a única espécie que tem liberdade de escolha. Enquanto todas as outras criaturas seguem as ordens da Natureza involuntariamente, nós podemos escolher se as seguimos ou não. Lamentavelmente, como é evidenciado pelas crises globais de hoje, quando escolhemos ir contra as ordens da Natureza sem completo conhecimento das implicações de nossas ações, sofremos duras consequências pelos nossos erros.

E uma vez que internamente nós tenhamos os mesmos quatro níveis, a mesma regra se aplica a nós, e somente aqueles desejos e qualidades dentro de nós que pertencem ao nível falante são os que temos liberdade de escolha.

Dentro de nós, os desejos naturais básicos (por reprodução e preservação da espécie, por abrigo e alimentação) correspondem aos primeiros três níveis de desejos na Natureza: inerte, vegetal e animal. O quarto nível, “falante”, se manifesta dentro de nós nos desejos por riqueza além das nossas necessidades, poder, fama, respeito e conhecimento.

A diferença fundamental entre os três níveis inferiores e o topo é que os três inferiores existem em cada criatura na terra. Cada criatura procura assegurar a existência da sua própria espécie e manter sua descendência a salvo num abrigo adequado. Inversamente, o quarto nível dos desejos, que definiremos rudemente como “desejos por riqueza, honra e conhecimento”, são exclusivamente humanos.

Tal como na sua natureza geral, os três níveis inferiores funcionam automaticamente, de acordo com as ordens da Natureza. A única faculdade na qual há liberdade de escolha é o nível falante dos desejos. Desta forma, nós devemos primeiro aprender o funcionamento da nossa natureza interior antes de tentar satisfazer os desejos do nível superior.

Para sermos capazes de trabalhar com o quarto nível dos desejos, nós precisamos saber o que afeta esses desejos e o propósito de sua existência dentro de nós. Com efeito, há outro nível de desejos dentro de nós que “suplanta” todos os quatro níveis e que existe somente nos seres humanos.

Como Um Feixe De Juncos — Uma Nação Nasce, Parte 3

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Capítulo 1: Uma Nação Nasce

O Nascimento do Povo de Israel

UNIDADE — E CONSEQUENTEMENTE, IGUALDADE

Hoje, nossa única esperança é nos unirmos, porque a unidade, como veremos abaixo, é a direção da força que conduz toda a vida. Nosso desafio, desta forma, é aprender como nos unirmos. É possível e é plausível, mas num tempo de crises, isso exigirá reconhecer a força da vida e gerar um esforço mútuo para cooperar e colaborar para que possamos viver pelas prescrições desta lei.

Deve ser notado, contudo, que unidade não exige paridade ou semelhança. Em vez disso, ela exige disparidade, sobre a qual nos unirmos. Hoje, por exemplo, há muitas denominações dentro da religião judaica, bem como judeus não afiliados. Unidade judaica significaria que sem mudar nossos costumes, sem convergir para uma única denominação, nos uniríamos e aprenderíamos a valorizar, e, por fim, nos preocuparmos verdadeiramente uns com os outros.

Isso pode parecer impossível, considere uma família com várias crianças. Numa família normativa, cada criança tem sua personalidade única. Mais frequentemente que o contrário, essas personalidades colidem, como nossas memórias das nossas brigas de infância com nossos parentes testemunham. Frequentemente pensamos de nossos irmãos e irmãs em tais termos como, “Se ele/ela não fosse meu irmão/irmã, nunca estaria perto dele/dela”. Mas, precisamente esse fato de que estamos juntos com nosso parente muito diferente prova que quando há amor, podemos nos unir acima das diferenças.

É precisamente o que precisamos fazer: unir-nos acima de nossas diferenças. Desse modo, sentiremos de forma intensa tanto a nossa diversidade, frequentemente qualidades opostas, como a unidade que cavalga acima delas. Quando isso acontecer, seremos capazes de usar nossas diferenças para o melhor, pois cada um de nós contribui com perspectivas, ideias e modos de ação que ninguém mais consegue, formando assim um todo mais forte. Tal como nossos corpos precisam de diferentes órgãos para nos manter saudáveis, nós precisamos permanecer diferentes e nos unir acima das diferenças por uma meta comum de realizar o papel do povo judeu: levar a luz da unidade às nações.

Depois da partida de Abraão da Babilônia, regressando ao nosso tópico anterior, a cidade continuou a cultivar a despreocupação egocêntrica. E embora não haja nada de errado com prazer e diversão, quando é absolutamente egocêntrico, por fim é autodestrutivo. O verdadeiro propósito da vida, Abraão descobriu, é nos tornarmos semelhantes à força singular da vida, experimentar a unicidade com todos. Nossos sábios chamam a essa unidade e unicidade de Dvekut [adesão], e o que pretendem eles dizer com essa palavra e que, no final, nós devemos adquirir as qualidades do Criador e nos tornarmos similares ou até iguais a Ele.

Para citar as palavras de Rabi Meir Ben Gabai, “Sobre a parte da Dvekut [adesão] com as forças do Grande Nome e Suas qualidades, você apega-se ao Senhor seu Deus, pois Ele é Seu nome, e Seu nome é Ele, pois você está relacionado e é semelhante a Ele, e Dvekut com Ele é a verdadeira vida”. [i] Do mesmo modo, o Sagrado Shlah escreveu em Toldot Adam [As Gerações do Homem], “Nossos sábios disseram (Sotah 14a), ‘E vós que vos apegais ao Senhor’, apegai-vos a Suas qualidades, e então ele é chamado Adão [homem], como em, adamé la Elyon [Eu serei como o mais alto]”. [ii]

No século XX, Baal HaSulam elaborou extensamente sobre o termo “Dvekut”, o definindo como “equivalência de forma”, ou seja, adquirir a “forma” (qualidades) do Criador. Na sua “Introdução ao Prefácio à Sabedoria da Cabalá”, ele escreveu, “Assim, [a alma] será digna de receber toda a abundância e prazer incluídos no Pensamento da Criação, e também estará em completa Dvekut (adesão) com Ele, em equivalência de forma”. [iii]

Na “Introdução ao O Livro do Zohar”, Baal HaSulam acrescenta, “Assim, uma pessoa compra a completa adesão com Ele, pois adesão espiritual é a equivalência de forma, como nossos sábios disseram, ‘Como é possível se apegar a Ele? Em vez disso, apegai-vos a Suas qualidades’”. [iv]

Em tempo, como mencionado acima, o grupo de Abraão tornou-se uma nação, e a necessidade de um novo método de unidade surgiu. Os ensinamentos de Abraão mantiveram-se enquanto todos em Israel podiam ser ensinados. Porém, quando o povo de Israel saiu do Egito, eles atingiram o número de 600.000 homens e cerca de três milhões de pessoas ao todo. Era impossível ensinar a todos da mesma maneira que se aprende de um professor.

A solução foi encontrada na base do Monte Sinai. Lá, nesse ponto crucial da história do nosso povo, o princípio mais fundamental da nossa Torá foi dado, e é dado ainda hoje, a cada dia e a cada momento. Esse princípio, como Rabi Akiva o colocou, é “Ama teu próximo como a ti mesmo”.

Na base do Monte Sinai, explica o grande acadêmico e intérprete RASHI, nós recebemos a Torá, as leis pelas quais temos que nos unir, porque lá concordamos em fazer isso com todo o coração. Nas suas palavras, “E Israel acampou lá: como um homem com um coração”. [v] Desse momento em diante, a unidade tem sido o principal bem do povo Judeu, o meio pelo qual alcançamos o Criador, adquirimos Suas qualidades, e obtemos Dvekut, equivalência de forma (qualidades) com Ele.

O Midrash Tanah De Bei Eliyahu escreve, “O Senhor disse a eles, a Israel: ‘Meus filhos, careci Eu de algo que vos deva pedir? E que vos posso pedir? Somente que vos amais uns aos outros, vos respeitais uns aos outros, e vos temais uns aos outros, e não haverá transgressão, roubo, e feiura entre vós’”. [vi]

Em tempo, a unidade tornou-se tão crucial que substituiu qualquer outro mandamento em termos de sua importância. Ela tornou-se a única chave para a redenção e salvação espiritual de Israel de seus inimigos. O Midrash Tanhumá escreve, “Se uma pessoa pega um feixe de juncos, ela não consegue quebra-los de uma só vez. Mas se ela pega um de cada vez, até uma criança os quebra. Da mesma forma, Israel não será redimidos até que todos sejam um só feixe”. [vii]

No mesmo espírito, Masechet Derech Eretz Zutá escreve, “Assim, Rabi Eleazar ha-Kappar diria, ‘Amai a paz, e desprezai a divisão. Grande é a paz, pois até quando Israel pratica idolatria, e há paz entre eles, o Criador diz, ‘Eu não lhes desejo tocar [magoar]’, como está escrito (Hosea, 4:17), ‘Efraim está junto aos ídolos, deixai-o sozinho’. Se há divisão entre eles, o que se diz sobre eles (Hos, 10:2)? ‘Seu coração está dividido, agora eles carregarão sua culpa’”. [viii]

Todavia, por tudo o que foi dito sobre a importância da unidade, quando olhamos ao nosso redor é evidente que a maioria das pessoas nem deseja se unir, nem encontra qualquer benefício na unidade, certamente não com seus próximos, como o princípio dita. Para compreender como tal princípio se tornou tão supremo para a existência de nosso povo, e agora para o mundo inteiro, nós precisamos examinar a evolução da realidade de um ponto de vista diferente daquele que a ciência frequentemente toma. Nós precisamos olhar para a realidade como uma evolução de desejos. Quando nós virmos a realidade como tal, a razão por trás da proeminência do desejo de se unir, e a consequente aquisição da qualidade do Criador, se tornarão claras como cristal. Desta forma, a evolução dos desejos será o tópico do próximo capítulo.

[i] Rabbi Meir Ben Gabai, Avodat HaKodesh [O Trabalho Sagrado], Parte 2, Capítulo 16.

[ii] Rabbi Isaiah HaLevi Horowitz (O Shlah Sagrado), Toldot Adam [As Gerações do Homem], “A Casa de David”, 7.

[iii] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos de Baal HaSulam, “Introdução ao Prefácio da Sabedoria da Cabalá” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 155.

[iv] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos de Baal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 432.

[v] Rabbi Shlomo Ben Yitzhak (RASHI), The RASHI Interpretação sobre a Torá, “Sobre o Êxodo”, 19:2.

[vi] Midrash Tanah De Bei Eliyahu Rabah, Capítulo 28.

[vii] Midrash Tanhuma, Nitzavim, Capítulo 1

[viii] Ithak Eliyahu Landau, Rabbi Shmuel Landau, Masechet Derech Eretz Zutah, Capítulo 9, itens 28-29 (Vilna: Printer: Rabbi Hillel, 1872), 57-58.

Como Um Feixe De Juncos — Uma Nação Nasce, Parte 2

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Capítulo 1: Uma Nação Nasce

O Nascimento do Povo de Israel

ISRAEL — O DESEJO MAIS PROFUNDO

O surpreendente resultado dos esforços de Abraão foi o nascimento de uma nação que conhecia as leis mais profundas da vida, o princípio da Teoria de Tudo, ou nas palavras de Maimônides: “uma nação que sabe que o Senhor foi feito no mundo”. [i]

De fato, Israel não é meramente o nome de um povo. Em hebraico, a palavra Ysrael (Israel), consiste de duas palavras: Yashar (direto) e El (Deus). Assim, Israel designa uma mentalidade de querer descobrir a lei da vida, o desejo de alcançar ou perceber o Criador. Nas palavras do rabino Meir Ben Gabai, “No significado do nome ‘Israel’ também há Yashar El [direto a Deus]”. [ii] Da mesma forma, em seu Drush [sermão escrito] sobre a Oração do Viajante, o grande Ramchal escreveu simplesmente, “Israel — Yashar El”.

Por outras palavras, Israel não é uma indicação genética ou atribuição, mas o nome ou a direção do desejo que levou Abraão a suas descobertas. Geneticamente, os primeiros israelitas eram babilônios ou membros de outras nações que se juntaram ao grupo de Abraão. O significado do seu nome era claro para os antigos israelitas. Como Maimonides escreveu, eles tinham seus professores, os Levitas, e aprenderam a seguir as leis essenciais da vida.

Hoje, no entanto, nós desconhecemos o fato de que “Israel” refere-se, na verdade, ao desejo de saber a lei básica da vida, o Criador, e não faz alusão a uma linhagem genética. Quase 2000 anos de ocultação da verdade desde que a ruína do Segundo Templo praticamente obliterou a verdade de que a descoberta de Abraão destinava-se a todas as pessoas do mundo, assim como o próprio Abraão a pretendeu para todas as pessoas na Babilônia, e mais tarde “começou a bradar para o mundo inteiro”, para citar Maimônides.

Através dos anos, apenas os Cabalistas mantiveram esta verdade viva. Cabalistas como Elimeleque de Lizhensk [iii], Shlomo Efraim Luntschitz [iv], Chaim Iben Attar [v], Baruch Ashlag [vi] e muitos outros escreveram em palavras simples: Ysrael significa Yashar El (direto a Deus).

Além disso, a necessidade de descobrir esta força é mais pertinente hoje do que nunca. Nada mudou na Natureza desde a época de Abraão, e o Criador ainda é a única força que cria, rege e sustenta a vida.

O que mudou é que hoje nós precisamos mais do que nunca do verdadeiro conhecimento do Criador. No tempo de Abraão, a humanidade tinha numerosos outros caminhos para seguir além do caminho da verdade de Abraão. Os caminhos sociais de hoje, no entanto, estão gradualmente provando serem ineficazes na resolução de nosso declínio moral social e coesão.

Com efeito, no devido tempo, a cultura Babilônica dissipou-se e o povo se dispersou pelo mundo. Sua alienação e a discórdia social, que causaram sua queda — representada pela queda da torre — tornaram-se insignificantes e imperceptíveis. As pessoas se assentaram em novos lugares, trazendo com elas a cultura e atitude Babilônicas, alheias de que estavam carregando seus costumes de desarmonia com elas — as sementes das futuras lutas.

Agora que nós temos uma comunidade global, cada crise é em escala global. Os erros que nós cometemos cobram o seu preço em todo o mundo, tornando a descoberta de Abraão a única força de informação primordial salvadora de vidas que deve ser adicionada dentro dos nossos cálculos e planos, se quisermos sobreviver.

[i] ibid.

[ii] Rabino Meir Ben Gabai, Avodat HaKodesh [O Trabalho Sagrado], parte 3, capítulo 27.

[iii] Elimeleque de Lizhensk, autor de Noam Elimelech (A Amabilidade de Elimeleque), Likutei Shoshana (“Coleções da Rosa“) (publicado pela primeira vez em Levov, Ucrânia, 1788), obtidos a partir de http://www.daat.ac.il/daat/vl/tohen.asp?id=173

[iv] Shlomo Ephraim Luntschitz, autor de Keli Yakar [Vaso Precioso], Relativo a Beresheet [Gênesis], 32:29.

[v] Chaim ibn Attar, em Ohr HaChaim [Luz da Vida] Bamidbar [Números], capítulo 23, Item 8, https://sites.google.com/site/magartoratemet/tanach/orhahaym

[vi] Baruch Shalom Ashlag (Rabash), nos Escritos de Rabash, Vol. 1, Artigo n. º 9, 1988-89 (Israel: Instituto de Pesquisa Ashlag, 2008), 50, 82, 163.

Como Um Feixe De Juncos – Uma Nação Nasce, Parte 1

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Capítulo 1: Uma Nação Nasce

O Nascimento do Povo de Israel

Antes de mergulharmos no significado e posição do povo de Israel no mundo, precisamos olhar para a razão pela qual a nação Israelita se formou, e como essa formação se revelou. Vamos, por um momento, viajar praticamente seis mil milhas para o leste, e praticamente quatro mil anos no passado, para a antiga Mesopotâmia, o coração do Crescente Fértil, o berço da civilização. Situada dentro de um vasto e exuberante trecho de terra entre os rios Tigre e Eufrates, no que hoje é o Iraque, a cidade-estado Babilônia representava-se anfitriã para uma civilização florescente. Explodindo com vida e ação, ela era o centro do comércio do mundo antigo.

A Babilônia, o coração dessa civilização dinâmica, era uma panela de pressão, um substrato ideal sobre o qual uma miríade de sistemas de crença e ensinamentos cresceram e floresceram. Os Babilônios praticavam muitos tipos de idolatria. O Sefer HaYashar [O Livro do Justo] descreve a vida dos Babilônios nessa altura, e como eles adoravam: “Todas as pessoas da terra faziam, cada uma, seu próprio deus nesses dias, deuses de madeira e pedra. Elas os adoravam, e estes se tornavam deuses para elas. Nesses dias, o rei e todos seus servos, e Terah [pai de Abraão] e toda a sua família, foram os primeiros entre os adoradores de madeira e pedra. … [Terah] os adoraria e se dobraria a eles, e assim fez o todo dessa geração. Todavia, eles haviam abandonado o Senhor, que os havia criado, e não havia um único homem em toda a terra que conhecesse o Senhor…” [i]

Ainda assim, o filho de Terah, Abraão, que ainda era chamado pelo nome de Abrão, possuía uma certa qualidade que fazia dele único: ele era extraordinariamente perceptivo, com um zelo cientifico pela verdade. Abraão era também uma pessoa preocupada, que reparou que o povo da sua cidade estava tornando-se crescentemente infeliz. Quando ele refletiu sobre isso, descobriu que a causa da sua infelicidade era o crescente egoísmo e alienação que se apoderavam deles. Dentro de um período de tempo relativamente curto, eles declinaram da união e preocupação mútua, tendo sido “De uma língua e uma fala” (Génesis 11:1), para a vaidade e alienação, dizendo “Vinde, construamos uma cidade, e uma torre, cujo cume toque nos céus, e façamos para nós mesmos um nome” (Génesis, 11:4).

Na realidade, eles estavam tão preocupados em construir sua torre de orgulho que se esqueceram completamente das pessoas que anteriormente eram como parentes para eles. A composição, Pirkey de Rabi Eliezer (Capítulos de Rabi Eliezer), um dos Midrashim (comentários) na Torá (Pentateuco), oferece uma descrição vívida não só da vaidade dos Babilônios mas também da alienação com a qual eles se consideravam uns aos outros. O livro escreve, “Nimrod disse a seu povo, ‘Construamos uma grande cidade e moremos nela, caso contrário ficaremos dispersos pela terra como os primeiros, e construamos uma grande torre dentro dela, subindo em direção aos céus … e façamos para nós um grande nome na terra…’

“Eles a construíram alta… aqueles que trariam os tijolos subiam pelo seu lado oriental, e aqueles que desciam dela, desciam pelo seu lado ocidental. Se uma pessoa caísse e morresse, eles não se preocupariam com ela. Mas se um tijolo caísse, eles se sentariam e chorariam e diriam, ‘Quando virá outro em seu lugar’”. [ii]

A atitude dos conterrâneos de Abraão uns para com os outros o incomodava, e ele iria até lá e observaria a conduta dos construtores. Pirkey de Rabi Eliezer continua a descrever suas observações da sua animosidade mútua: “Abraão, filho de Terah, passou e os viu construir a cidade e a torre”. Ele tentou falar com eles e lhes contar sobre o Criador, a força governante da união que havia descoberto, para atestar que as coisas seriam ótimas somente se eles também seguissem a lei da união. “Mas eles abominaram suas palavras”, o livro descreve. Em vez disso, “Eles desejaram falar a língua uns dos outros”, como antes, quando ainda eram de uma única língua, “Mas eles não sabiam a língua uns dos outros. Que fizeram eles? Cada um deles pegou sua espada e lutou com o outro até à morte. Certamente, metade do mundo morreu ali pela espada”. [iii]

À luz da grave situação do seu povo, Abraão decidiu espalhar o princípio que havia encontrado, independentemente dos riscos. Na sua composição, HaYad HaChazakah (A Mão Poderosa), também conhecida como Mishné Torá (Repetição da Torá), o renomado acadêmico do século XII, Maimônides (o RAMBAM), descreve a determinação e os esforços de Abraão em descobrir as verdades da vida: “Desde que isso foi revelado, ele começou a questionar. …Ele começou a ponderar dia a noite, e questionava-se como era possível que esta roda sempre rodasse sem um condutor? Quem a roda, pois ela não pode rodar a si mesma? Ele não tinha nem professor nem tutor. Em vez disso, ele foi cunhado em Ur dos Caldeus entre os idolatras iletrados, com sua mãe e pai, e todas as pessoas que adoravam as estrelas, e ele – adorando com eles”. [iv]

Na sua busca, Abraão descobriu a união, a unicidade da realidade, essa força singular criativa que cria, sustenta e conduz toda a realidade para a sua meta. Nas palavras de Maimônides, “[Abraão] alcançou o caminho da verdade … com sua sabedoria correta, e sabia que havia um Deus que conduz… que Ele criou tudo, e que em tudo o que há, não há outro Deus senão Ele”. [v]

Para compreender precisamente o que Abraão alcançou, tenha em mente que quando os Cabalistas falam de Deus, eles não se referem a um ser todo-poderoso ou a uma força que você deve adorar, agradar e apaziguar, que em troca recompensa os adoradores devotos com saúde, riqueza, longa vida e outros benefícios terrenos. Em vez disso os Cabalistas identificam Deus com a Natureza, o todo da Natureza.

Rav Yehuda Ashlag, conhecido como Baal HaSulam (Dono da Escada), fez várias afirmações inequívocas sobre o sentido do termo, “Deus”. Sucintamente, ele explica que Deus é sinônimo de Natureza. No ensaio, “A Paz”, Baal HaSulam escreve (num excerto ligeiramente editado), “Para evitar de ter que usar ambas as línguas daqui em diante, ‘Natureza’ e um ‘Supervisor’, entre os quais, como demonstrei, não há qualquer diferença…é melhor para nós … aceitarmos as palavras dos Cabalistas, de que HaTeva [A Natureza] é o mesmo…que Elokim [Deus]. Então, eu serei capaz de chamar as leis de Deus ‘mandamentos da Natureza’, e vice-versa, pois eles são a mesma coisa, e não precisamos discutir mais”. [vi]

“Aos quarenta anos de idade”, escreve Maimônides, “Abraão veio a conhecer seu Criador”, a lei singular da Natureza, que cria todas as coisas. Mas Abraão não manteve sua descoberta para si mesmo: “Ele começou a fornecer respostas ao povo de Ur dos Caldeus, a conversar com eles e a lhes contar que o caminho sobre o qual eles caminhavam não era o caminho da verdade”. [vii] Assim, Abraão foi confrontado pela elite governante, que neste caso era Nimrod, rei da Babilônia.

O Midrash Rabbá, escrito no século V a.C., apresenta uma descrição vívida da confrontação de Abraão com Nimrod, um vislumbre das dificuldades que Abraão sofreu por sua descoberta e sua dedicação à verdade. Ele também fornece uma divertida visão do fervor de Abraão. “Terah [Pai de Abraão] era um adorador de ídolos [que ganhava sua vida fazendo e vendendo estátuas na loja da família]. Uma vez, ele foi a certo lugar e disse a Abraão que ficasse em seu lugar para ele. Um homem entrou e quis comprar uma estátua. [Abraão] perguntou-lhe, ‘Quão velho sois vós?’ E o homem respondeu, ‘Cinquenta ou sessenta’, Abraão disse-lhe: ‘Ai daquele que tem sessenta e tem que adorar uma estátua de um dia’. O homem ficou embaraçado e partiu.

“Outra vez, uma mulher entrou com uma taça de semolina. Ela disse-lhe, ‘Aqui, sacrifica perante as estátuas’, Abraão levantou-se, pegou um martelo, quebrou todas as estátuas, depois colocou o martelo nas mãos da maior. Quando seu pai regressou, ele perguntou-lhe, ‘Quem fez isto’? [Abraão] respondeu, ‘Uma mulher entrou. Ela trouxe-lhes uma taça de semolina e pediu-me que sacrificasse perante elas. Eu sacrifiquei e uma disse, ‘Eu comerei primeiro’, e a outra disse, ‘Eu comerei primeiro’. A maior levantou-se, pegou o martelo, e as quebrou’. Seu pai disse, ‘Você está me enganando? O que elas’ sabem? E Abraão respondeu-lhe, ‘Tuas orelhas escutam o que tua boca diz?’” [viii]

Nesse ponto, Terah sentiu que não conseguiria mais disciplinar seu filho insolente. “[Terah] levou [Abraão] e entregou-o a Nimrod [o rei, mas também a autoridade espiritual mais alta da Babilônia]. [Nimrod] disse-lhe, ‘Adora o fogo’. Abraão respondeu, ‘Talvez deva adorar a água, que extingue o fogo’? Nimrod respondeu, ‘Adora a água’! [Abraão] disse-lhe: ‘Então talvez deva adorar a nuvem, que transporta a água’? [Nimrod] disse-lhe, ‘Adora a nuvem!’

“[Abraão] disse-lhe: ‘Nesse caso, será que eu devo adorar o vento que dispersa as nuvens?’ Ele disse-lhe, ‘Adora o vento’! [Abraão] disse-lhe, ‘E devemos nós adorar o homem, que sofre do vento?’ [Nimrod] disse-lhe: ‘Tu falas muito; eu adoro somente o fogo. Eu vou jogá-lo nele, e deixarei que o Deus que adoras venha salvar-te dele!

“Harã [irmão de Abraão] lá se encontrava. Ele disse, ‘Se Abraão vencer, eu direi que concordo com Abraão, e se Nimrod vencer, eu direi que concordo com Nimrod’. Quando Abraão desceu à fornalha e foi salvo, eles perguntaram [Harã], ‘Com quem estais’? Ele disse-lhes: ‘Eu estou com Abraão’. Eles o levaram e o jogaram no fogo, e ele morreu na presença de seu pai. Assim foi dito, ‘E Harã morreu na presença de seu pai Terah’”. [ix]

Portanto, Abraão resistiu a Nimrod, mas foi expulso da Babilônia e partiu para a terra de Harã (pronunciada Charan, para distingui-la de Harã, filho de Terah). Mas Abraão não deixou de circular sua descoberta só porque estava exilado da Babilônia. As descrições elaboradas de Maimônides nos contam, “Ele começou a clamar ao mundo inteiro, para alertá-los que há um Deus para o mundo inteiro… Ele clamou, vagando de cidade em cidade e de reino em reino, até que chegou à terra de Canaã…

“E uma vez que eles [pessoas nos lugares onde ele vagava] se reuniam ao seu redor e lhe perguntavam sobre suas palavras, ele ensinava a todos…até que ele os trouxe de volta ao caminho da verdade. Finalmente, milhares e dezenas de milhares se reuniram ao seu redor, e eles são o povo da casa de Abraão. Ele colocou seu princípio em seus corações, compôs livros sobre isso, e ensinou seu filho Isaac. E Isaac se sentou e ensinou e alertou, e informou Jacó, e o nomeou professor, para se sentar e ensinar… E Jacó, o Patriarca, ensinou todos os seus filhos. Ele separou Levi e o nomeou a cabeça, e o fez sentar e aprender o caminho de Deus…” [x]

Para garantir que a verdade passaria pelas gerações, Jacó “ordenou a seus filhos que não parassem de nomear nomeado após nomeado dentre os filhos de Levi, para que o conhecimento não fosse esquecido. Isto continuou e se expandiu nos filhos de Jacó e naqueles que os acompanharam”. [xi]

[i] Sefer HaYashar [O Livro do Justo], Porção Noah, Parasha 13 item 3.

[ii] Pirkey de Rabbi Eliezer [Capítulos do Rabbi Eliezer], Capítulo 24

[iii] ibid.

[iv] Rav Moshe Ben Maimon (Maimônides), Mishneh Torah (Yad HaChazakah (A Mão Poderosa)), Part 1, “O Livro da Ciência”, Capítulo 1, Item 1.

[v] Maimônides, Yad HaChazakah (A Mão Poderosa), Parte 1, “O Livro da Ciência”, Capítulo 1, Item 10.3.

[vi] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “Paz no Mundo” (Instituto de Pesquisas Ashlag, Israel, 2009), 406-7.

[vii] Maimônides, Yad HaChazakah (A Mão Poderosa), Parte 1, “O Livro da Ciência” Capítulo 1, Item 12.3.

[viii] Midrash Rabbah, Beresheet, Porção 38, Item 13.

[ix] Midrash Rabbah, Beresheet, Porção 38, Item 13.

[x] Maimônides, Yad HaChazakah (A Mão Poderosa), Parte 1, “O Livro da Ciência”, Capítulo 1, Item 15.3.

[xi] Maimônides, Yad HaChazakah (A Mão Poderosa), Parte 1, “O Livro da Ciência”,  Capítulo 1, Item 16.

Como Um Feixe De Juncos – O Espectro E O Espírito

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Como um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Prefácio: O Espectro e O Espírito
Como Eu Vim a Escrever este Livro

Eu nasci em agosto de 1946 na cidade de Vitebsk, Bielorrússia. Era o segundo verão depois do fim da Segunda Guerra Mundial, minha vida era preguiçosa, mancando lentamente de volta à afável monotonia da normalidade. Sendo o primogênito de um pai dentista e uma mãe ginecologista, eu tive uma infância despreocupada, crescendo convenientemente num bairro suburbano, não tendo preocupações materiais que a maioria dos meus amigos de infância tinha.

Todavia, uma sombra me perseguia na minha infância e até durante a minha adolescência: o espectro do Holocausto, esse fantasma que muitos escolhem nunca mencionar, embora esteja sempre lá. Nomes de familiares ou amigos que pereceram eram mencionados num tom sombrio, dando-lhes uma presença estranha, como se ainda estivessem conosco, embora eu soubesse que não estavam.

E mais estranho ainda era o asco dos meus colegas russos em relação aos judeus. Crianças com as quais cresci odiavam judeus simplesmente porque eram judeus. Elas sabiam o que tinha acontecido com seus vizinhos judeus há apenas um ano atrás, mas eram tão sarcásticas e insensíveis como antes da guerra, como me foi contado pelos mais idosos. Isso, eu não conseguia entender. Porque eles eram tão odiados? Que mal imperdoável os judeus fizeram? E de onde elas tinham aprendido essas histórias de horror sobre as coisas que os judeus podiam fazer?

Como seria de se esperar de um filho de pais em profissões da área da saúde, eu também assumi essa área como minha carreira “de escolha”. Eu estudei biocibernética, uma ciência que explora os sistemas do corpo humano, e tornei-me um cientista, um investigador no Instituto de Pesquisa do Sangue de São Petersburgo. Enquanto fantasiava comigo mesmo radiante de orgulho sobre o púlpito em Estocolmo na Suécia, vencedor de um Prémio Nobel, uma paixão profunda que já nutria e emergiu na minha consciência.

“Eu quero compreender o sistema“, eu comecei a pensar, “saber como tudo funciona”. Mas, mais que tudo, eu comecei a ponderar porque tudo era da maneira que era.

Enquanto cientista de coração, eu comecei a pesquisar respostas cientificas que pudessem explicar tudo, não só como calcular a massa de um objeto ou a aceleração de sua queda, mas o que fazia esse objeto existir em primeiro lugar.

E visto que não consegui achar uma resposta na ciência, decidi avançar. Depois de ser um refusenik (judeus soviéticos a quem era negada permissão para emigrar para o estrangeiro) durante dois anos, finalmente obtive a minha licença e parti para Israel em 1974.

Em Israel, continuei a procurar o sentido e a razão por trás de tudo. Dois anos depois de ter chegado a Israel, comecei a estudar Cabalá. Mas não foi até fevereiro de 1979 que encontrei o meu professor, o Rabash, primogénito e sucessor do Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag, conhecido como Baal HaSulam (Dono da Escada) pelo seu comentário Sulam (Escada) sobre O Livro do Zohar.

Finalmente, minhas orações foram respondidas! Cada dia, cada hora, novas revelações despertavam em mim. As peças do quebra cabeça da realidade se encaixavam uma de cada vez e uma imagem coerente do mundo começou a se formar a minha frente, como se o nevoeiro em si estivesse tomando forma diante de meus olhos atônitos.

Minha vida havia sido transformada e eu mergulhei nos estudos e em assistir ao Rabash da maneira que podia. Eu tive a felicidade suficiente de ser capaz de prover a minha família com apenas algumas horas de trabalho todos os dias e dedicava o resto do meu tempo a absorver a sabedoria tanto e quão profundamente podia.

Para mim, eu estava vivendo numa realidade de sonho. Eu tinha uma família maravilhosa, vivia num país onde me sentia realmente livre, tinha uma boa vida com facilidade e tinha encontrado as respostas às minhas perguntas de toda a vida.

Uma dessas perguntas persistentes era aquela sobre o ódio aos judeus. Na Cabalá, eu descobri porque isso acontece, porque é tão persistente e, mais importante, o que deve ser feito para curá-lo. Certamente, o antissemitismo é uma ferida no coração da humanidade, um eco de uma dor não curada que o mundo carrega há praticamente 4000 anos, desde que Abraão, nosso Patriarca, deixou a Babilônia.

A Cabalá me ensinou que Abraão tinha proposto ao seu povo se unir e ser uma vez mais “uma língua e uma fala” (Génesis 11:1), e que o Rei Nimrod, governante da Babilônia nessa altura, tinha proibido Abraão de circular a sua ideia. Gradualmente, vi que o que o mundo precisa agora é dessa mesma união, essa camaradagem e garantia mútua que Abraão havia desenvolvido com seu grupo e descendência, e que o Rei Nimrod o impediu de doar aos seus irmãos e irmãs Babilônios.

Numa aula matinal, meu professor, o Rabash, ensinou-me a “Introdução ao Livro do Zohar“, de Baal HaSulam. No final dele, Baal HaSulam escreveu que a menos que os judeus doassem ao mundo o conhecimento e orientação à união, as nações do mundo os desprezariam, os humilhariam, os expulsariam para fora da terra de Israel e os atormentariam onde quer que estivessem. Eu havia lido esse ensaio insondável anteriormente, mas nessa manhã ele teve um impacto mais profundo em mim. Eu senti outra fase no meu desenvolvimento emergindo internamente.

Mais tarde nesse dia, nós fomos até Kfar Sába, uma pequena cidade perto de Tel Aviv, a um Kolel (seminário judaico) com o nome do meu estimado mentor. No porão, Rabash me mostrou uma caixa de cartões de tamanho médio cheia até a borda de pequenos pedaços de papel. Ele me perguntou se a levaria ao carro e o traria para a sua casa.

Eu coloquei a caixa no porta-malas do carro e no caminho de volta perguntei-lhe o que eram esses papeis na caixa. Sem a menor cerimónia ele murmurou, “Alguns velhos manuscritos de Baal HaSulam”. Eu olhei para ele, mas ele olhou diretamente para a estrada à frente e manteve-se silencioso todo o caminho de volta.

Nessa noite, as luzes estavam acesas na cozinha de Baruch Ashlag toda a noite. Eu fiquei lá e li meticulosamente cada pedaço de papel até que descobri um que não me deixaria procurar mais. Era a peça do quebra cabeça que eu procurava sem sequer o saber. Era o ápice, o primeiro passo na marcha que estava prestes a tomar de agora em diante.

O papel que tinha encontrado, que é agora parte de “Os Escritos da Última Geração” de Baal HaSulam, contava um conto de agonia e sede, amor e amizade, libertação e compromisso. Aqui estão as palavras que descobri: “Há uma alegoria sobre amigos que estavam perdidos no deserto, esfomeados e sedentos. Um deles havia encontrado um acampamento preenchido abundantemente de todas as delícias. Ele se lembrou dos seus pobres irmãos, mas já havia se afastado deles e não sabia onde estavam. …Ele começou a gritar alto e a soprar o chifre, talvez seus pobres e esfomeados amigos escutassem sua voz, se aproximassem e viessem a esse abundante acampamento preenchido de todas as delícias.

“Assim é a questão diante de nós: nós nos perdemos no terrível deserto juntamente com toda a humanidade e agora encontramos um grande e abundante tesouro, chamado os livros de Cabalá. Eles preenchem nossas ansiosas almas e nos preenchem abundantemente com exuberância e acordo.

“Nós estamos saciados e há mais, mas a memória dos nossos amigos deixados desesperadamente no terrível deserto permanece fundo dentro dos nossos corações. A distância é grande e as palavras não conseguem abrir caminho entre nós. Por esta razão, nós montamos essa trombeta para soprar com força para que nossos irmãos possam escutar e se aproximar, e serem tão felizes como nós.

“Saibam, nossos irmãos, nossa carne, que a essência da sabedoria da Cabalá consiste do conhecimento de como o mundo desceu do seu lugar elevado e celestial ao nosso estado ignóbil. …Desta forma, é muito fácil descobrir na sabedoria da Cabalá todas as correções futuras destinadas a vir dos mundos perfeitos que nos precedem. Através dela nós saberemos como corrigir nossas maneiras de agora em diante.

“…Imaginem, por exemplo, que certo livro histórico fosse descoberto hoje, que descreve as últimas gerações milhares de anos à frente, descrevendo o comportamento tanto dos indivíduos como da sociedade. Nossos líderes procurariam cada conselho para organizar a vida aqui correspondentemente, e nós não chegaríamos às manifestações nas praças. A corrupção e o terrível sofrimento cessariam e tudo chegaria pacificamente ao seu lugar.

“Agora, distintos leitores, este livro encontra-se aqui diante de vocês, num armário. Ele afirma explicitamente toda a sabedoria do estadismo e as condutas da vida privada e pública que virão a existir no fim dos dias. Eles são os livros de Cabalá, onde os mundos corrigidos estão dispostos. Abram esses livros e vocês encontrarão todos os bons comportamentos que surgirão no fim dos dias, e encontrarão dentro deles as boas lições pelas quais ordenar também as questões mundanas hoje.

“…Eu não consigo mais me conter. Eu resolvi divulgar as condutas da correção do nosso futuro definitivo que descobri pela observação e pela leitura nestes livros. Eu decidi sair ao povo do mundo com esta trombeta e acredito e estimo que ela será suficiente para reunir todos aqueles que merecem começar a estudar e a mergulhar nos livros. Assim eles se sentenciarão a si mesmos e ao mundo inteiro a uma escala de mérito”. [i]

Cerca de um ano depois de descobrir estes artigos, eu publiquei os meus primeiros três livros com a orientação e apoio do meu professor. Eu tenho publicado livros desde então e também circulei a Cabalá por numerosos outros meios.

A realidade atual é muito dura, e as pessoas geralmente não têm paciência ou desejo de mergulhar em livros, como Baal HaSulam imaginara. Mas a essência da sabedoria, o amor e a união que são as bases da realidade e que a Cabalá instiga nos seus praticantes, permanecem tão verdadeiras como sempre foram.

Além do mais, desde a virado do século, o antissemitismo tem aumentado uma vez mais, desta vez por todo o mundo. O espectro e o ódio aos judeus enraizaram-se mundialmente. Espalhando-se furtiva e venenosamente, ele ameaça infestar nações inteiras com a fobia pelos judeus e repetir os horrores do passado.

Mas agora nós sabemos qual é a cura. Cada vez que os Judeus se unem, a serpente esconde a sua cabeça. O espírito de camaradagem e responsabilidade mútua sempre foi a nossa “arma”, nosso escudo contra a adversidade. Agora nós devemos reunir esse espírito, nos vestirmos com ele e deixar que o seu calor curativo nos rodeie. Assim que tivermos feito isso, devemos compartilhar esse espírito com o resto do mundo, pois esta é a nossa vocação, a essência do nosso ser, “uma luz para as nações.”

Portanto, como todos nós precisamos de respostas para as nossas perguntas mais profundas, porque bem fundo todos os judeus querem saber a cura para o antissemitismo, e porque este é o legado do meu professor e de seu pai e grande professor, eu decidi detalhar o que significa ser um judeu, o que significa ser comprometido e o que significa compartilhar. Mas, acima de tudo, eles me ensinaram o que significa amar o Criador.

[i] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “Os Escritos da Última Geração” (Instituto de Pesquisa Ashlag: Israel, 2009), 813-814.

Chegou A Hora De Fazer Suas Malas

laitman_930Pergunta: Os judeus na França ficaram chocados com os mais recentes ataques terroristas. Alguns deles gostariam de emigrar para Israel, mas eles têm medo que a nossa solidariedade seja suficiente apenas para trazê-los aqui. Nesta situação, o que podemos dizer a eles, como devemos aconselhá-los?

Resposta: Pelo que eu entendo, eles estão diante de uma escolha: ficar ou ir para Quebec, onde a língua francesa é a língua oficial, ou ir para Israel. Poucos vão emigrar para os Estados Unidos.

Certamente, eu não posso tomar uma decisão por eles. Eu estou muito familiarizado com Montreal, a maior cidade de língua francesa fora da França. Seja qual for a cidade, isso ainda é exílio. Mas os judeus na França estão acostumados a isso, e, por enquanto, este é um lugar confortável e adequado para eles.

Se Israel abre seus braços e seu coração para eles, talvez valesse a pena vir para cá. A questão é: será que estamos prontos para organizar locais de trabalho para eles e, de forma geral, absorvê-los adequadamente. Sem dúvida, nós temos muito o que corrigir para realmente nos tornarmos um lugar atraente para os judeus da diáspora.

De uma forma ou de outra, eu espero que eles entendam que chegou o momento de fazer as malas e ir embora.

De KabTV “Como Feixe de Juncos”11/01/15