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Como Um Feixe De Juncos – Dispensáveis, Parte 2

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 6: Dispensáveis

Antissemitismo Contemporâneo

Os Escritos na Parede

Todavia, no começo do século XX, os judeus haviam se afastado tanto da sua pretendida vocação que eles se tornaram ou totalmente preocupados com a meticulosa observação dos mandamentos práticos, esquecendo-se e rejeitando seu significado interno, ou totalmente absortos em desejos mundanos e materiais, esquecendo-se ou rejeitando sua vocação irrevogável. Num tempo em que o egoísmo atingiu níveis que ameaçaram a paz mundial, nenhuma das vias era desejável, e alguns dos grandes líderes espirituais da nação começaram a alertar que o tempo era fugidio, que tínhamos que despertar para nossa missão e realiza-a antes que a calamidade se revelasse.

O grande acadêmico humanista, e Cabalista, Rav Avraham Yitzhak HaCohen Kook, desesperadamente tentou alertar os judeus do crescente antissemitismo. Ele alertou-os que nenhum país no mundo seria seguro para eles, e que Israel era a única opção segura. Em retrospectiva, o conteúdo de sua premonição é alarmante, nos dando um vislumbre nas profundezas da clareza de visão de tais pessoas.

O tratado no qual ele suplicou aos Judeus que viessem para Israel foi chamado, “O Grande Chamamento para a Terra de Israel”. Tome nota não só de seu pedido, mas também do seu aviso a respeito do futuro possível dos judeus nas suas pátrias: “Venham para a terra de Israel, doces irmãos, venham para a terra de Israel. Salvem suas almas, as almas de suas gerações, e a alma de nossa nação inteira. Salvem-na da desolação e do esquecimento; salvem-na da decadência e degradação; salvem-na da sujeira e maldade, de cada problema e peste que possa recair sobre todos os países das nações sem exceção.

“‘Venham à terra de Israel’! Clamaremos com alta e terrível voz, com o som do trovão e uma grande voz, uma voz que agita tempestade e abala os céus e a terra, uma vez que rasga cada parede no coração. Corram por vossas vidas e venham para a terra de Israel. A voz do Senhor nos chama, Sua mão está esticada para nós, Seu espírito está nos nossos corações, e Ele nos reúne, encoraja e impele a clamar alto com uma terrível e poderosa voz: ‘Nossos irmãos, filhos de Israel, queridos e amados irmãos, venham para a terra de Israel. Reúnam-se um a um, não esperem palavras e ordens formais; não esperem permissões dos reconhecidos. Façam o que puderem, fujam e reúnam-se, venham para a terra de Israel. Pavimentem o caminho para nossa amada e oprimida nação. Mostrem-lhe que seu caminho já está pavimentado, esticado perante ela. Ela não deve repousar, ela não tem nada que exigir; ela não tem muitos caminhos e rotas. Há um caminho perante ela, e este é aquele em que ela marchará; é aquele que ela deve marchar, especificamente para a terra de Israel’”. [i]

O Rav Kook não estava só na sua preocupação. Na Polônia, um brilhante e jovem dayan (juiz ortodoxo) em Varsóvia – no tempo da maior e mais proeminente comunidade Judaica na Europa – Rav Yehuda Ashlag, que mais tarde se tornou um comentador reconhecido do Livro do Zohar, não se contentou apenas em anunciar publicamente que todos os judeus deviam fugir da Europa. Ele organizou a compra de 300 cabanas de madeira da Suécia e um lugar para elas serem erguidas na Terra de Israel (que era chamada de “Palestina”).

Mas eis que seu plano foi impedido pela oposição dos líderes da congregação judia na Polônia. A consequência trágica do fracasso de Ashlag de trazer seus companheiros judeus com ele foi de todos os judeus que contemplaram vir com Ashlag, somente Ashlag e sua família emigraram no final. O resto das famílias permaneceu na Polônia e pereceu no Holocausto. [ii]

Tanto o Rav Kook e o Rav Ashlag (Baal HaSulam) exprimiram como percebiam a ascensão do Nazismo ao poder, especificamente Hitler. Tenham em mente que o Rav Kook morreu em 1935, quatro anos antes que a 2ª Guerra Mundial irrompesse. Abaixo estão as palavras editadas de Rav Kook (para torna-las mais amigáveis ao leitor, devido ao tamanho do texto e seu estilo anacrônico), seguidas das palavras de Baal HaSulam.

O profeta previu um grande Shofar da redenção. [Um Shofar é um chifre de carneiro usado para o sopro festivo, mas também um clarim]. Nós oramos especificamente pelo sopro do grande Shofar. Há vários graus num Shofar da redenção – um grande Shofar, um Shofar médio e um pequeno Shofar. O Shofar do Messias é considerado o Shofar de Rosh Hashaná [A Noite do Fim de Ano Judaico]. A Halachá [Lei Judaica] distingue três graus no Shofar de Rosh Hashaná: 1) Um Shofar de Rosh Hashaná que é feito de um chifre de carneiro; 2) Em retrospectiva, todos os Shofarot são kosher, 3) Um Shofar de uma besta impura, bem como um Shofar de bestas de idolatria de um gentio não-kosher. Contudo, se um homem soprou tal Shofar, fez o seu dever.

É permitido soprar qualquer Shofar, kosher ou não, desde que a pessoa não abençoe sobre ele, e os graus explicados na lei do Shofar de Rosh Hashaná coincidam com os graus do Shofar da redenção.

Todavia, o que é um Shofar da redenção? Pelo termo, “Shofar do Messias”, nós nos referimos ao despertar e à confiança que causa a reanimação e redenção do povo de Israel. É este despertar que reúne os perdidos e rejeitados, e os leva à montanha da santidade em Jerusalém.

Durante as gerações, houve aqueles em Israel que sentiram o despertar que deriva do desejo de fazer o desejo de Deus, que é a redenção completa de Israel [levar todos de Israel à qualidade de doação]. Este é o delicado e grande Shofar, o desejo do povo de ser redimido.

Às vezes, o desejo esmorece e o zelo pelas noções sublimes da santidade não é tão fervente. Contudo, a natureza humana saudável permanece e desencadeia um simples desejo na nação de estabelecer seu governo na sua terra. Esse desejo natural é o Shofar médio, comum, que está presente em todo o lugar. Esse, também, ainda é um Shofar kosher.

Porém, há um terceiro grau ao Shofar do Messias, que é comparável ao Shofar de Rosh Hashaná: ele é o Shofar pequeno, não-kosher, que é soprado somente se um Shofar kosher não puder ser encontrado.

Assim, se o zelo pela santidade e o anseio pela redenção que derivam dele desapareceram por completo, e se o desejo nacional natural por uma vida nacional também diminuiu, e nenhum Shofar kosher se encontre com o qual soprar, os inimigos de Israel vêm e sopram nos nossos ouvidos pela nossa redenção. Eles nos forçam a escutar a voz do Shofar; eles alertam e chocalham nos nossos ouvidos, e não nos dão repouso no exílio.

[Esta parte está citada em completo]. “Assim, o Shofar da besta imunda torna-se o Shofar do Messias. Amaleque, Petlura [Líder Ucraniano suspeito de ser antissemita], Hitler, e assim por diante, despertam para a redenção. Aquele que não escutou a voz do primeiro Shofar, ou a voz do segundo… pois seus ouvidos estavam bloqueados, escutará a voz do Shofar impuro, o imundo [não-kosher]. Ele escutará contra sua vontade… Embora exista redenção nesse chicote, também, nos apuros dos judeus, a pessoa não deve abençoar tal Shofar. [iii]

Baal HaSulam também fez várias referências ao Nazismo, incluindo como ele acreditava que este podia ser derrubado. Em suas palavras, “É impossível derrubar o Nazismo senão através de uma religião de altruísmo”. [iv] Observe que quando Baal HaSulam fala de “religião de altruísmo”, ele não quer dizer que devemos realizar certos rituais ou observar determinadas condutas.  Pelo contrário, com “religião de altruísmo” ele pretende dizer que a pessoa mudou a sua natureza para aquela do altruísmo. Ao mesmo tempo, as pessoas escolherão se ficam ou não nas suas denominações formais, independentemente desta transformação.

Baal HaSulam também disputa a noção de que a Alemanha Nazista foi um evento único na história. Este pode ter sido o primeiro, mas ele acreditava que a menos que façamos o que devemos, não será o último. Nas suas palavras, “Acontece que as pessoas pensam erradamente que o Nazismo é apenas um rebento da Alemanha… todas as nações são iguais nisso, e é totalmente fútil esperar que os Nazitas pereçam com a vitória dos Aliados, pois amanhã os Anglo-Saxões abraçarão o Nazismo”. [v]

À Luz do pico no antissemitismo a nível mundial, seria sábio considerar seriamente as palavras destes homens sábios. Afinal, nós certamente podemos ver que o antissemitismo não desapareceu, nem o Nazismo ou o chamado para se livrar dos judeus.

[i] Rav Yitzhak HaCohen Kook (o Raiah), Ensaios do Raaiah , vol. 2, “Ao Grande Chamado à Terra de Israel”, 323.

[ii] Aaron Soresky, “O ADMOR, Rabino Yehuda Leib Ashlag ZATZUKAL – Baal HaSulam: 30o Aniversário da Sua Partida”, Hamodia, 9, Tishrey, TASHMAV (24 de Setembro de 1985).

[iii] Rav Avraham Yitzchak HaCohen Kook (o Raaiah), Ensaios do Raaiah , vol. 1, pp 268-269.

[iv] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam , “Os Escritos da Última Geração” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 853.

[v] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam , “Os Escritos da Última Geração” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 841.

Como Um Feixe De Juncos – Dispensáveis, Parte 1

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Capítulo 6: Dispensáveis

Antissemitismo Contemporâneo

No Capítulo 1, nós dissemos que Abraão descobriu que o egoísmo inerente da natureza humana está uma tendência constante de expansão. O método que ele concebeu não se dirigia a refrear esse egoísmo porque ele sabia que isto era impossível, pois o homem foi criado para receber ilimitadamente. Sua questão, portanto, era como receber esse tesouro pretendido. Abraão descobriu um método onde, ao estudar e almejar se unir, as pessoas subiam a um novo nível de percepção. Assim, elas adquiriam a natureza do Criador – benevolência – e podiam receber esse prazer ilimitado sem se tornar demasiado indulgentes e perigosas para si mesmas ou para o ambiente.

O êxodo do Egito e a formação da nação de Israel marcaram o estágio de formação de cinco séculos. Durante esse tempo, Israel deixou de ser um grupo composto por famílias e estudantes para uma nação inteira cuja meta era alcançar o Criador.

Ao tentar subir ao nível espiritual mais elevado, os hebreus nunca recuaram de sua intenção original de oferecer suas percepções a toda a humanidade. Esta seria sua contribuição para as nações, a “luz” que supostamente deveriam dar-lhes. Através das gerações, esse presente da “luz” é o que as nações têm tentado receber dos judeus, e a carência que tem sido a causa de nossas aflições pelas nações.

No prólogo a este livro, Uma História dos Judeus, o romancista e historiador Cristão, Paul Johnson, eloquentemente descreve as questões que conduziram Abraão a suas descobertas, as mesmas questões que conduzem a humanidade até este dia. Johnson retrata sua reverência pela habilidade dos judeus de descobrir as respostas a essas perguntas, viver por suas consequentes leis e seus esforços de ensiná-las aos outros.

Nas suas palavras, “O livro me deu a chance de reconsiderar objetivamente, à luz de um estudo cobrindo praticamente 4000 anos, a mais intratável de todas as perguntas humanas: para que estamos nesta terra? É a história meramente uma série de eventos cuja soma é a insignificância? Não há diferença moral fundamental entre a história da raça humana e a história , digamos, das formigas? Ou há um plano providencial do qual nós somos, embora humildemente, os agentes? Nenhum povo alguma vez insistiu mais firmemente que os Judeus que a história tem um propósito e que a humanidade tem um destino. Numa fase muito inicial da sua existência coletiva eles acreditavam que haviam detectado um esquema divino para a raça humana, do qual sua própria sociedade seria um piloto. Eles representaram seu papel com imenso detalhe. Eles se seguraram a ele com persistência heroica em face do sofrimento selvagem. Muitos deles ainda acreditam nele. Outros o transmutaram para os esforços de Prometeu de elevar nossa condição por meios puramente humanos. A visão judaica se tornou o protótipo para muitos projetos grandiosos semelhantes para a humanidade, tanto divinos como fabricados pelo homem. Os judeus, desta forma, se encontram exatamente no centro da tentativa perene de dar à vida humana a dignidade de um propósito”. [i]

[i] Paul Johnson, (historiador cristão), A História dos Judeus (New York, Primeira Perennial Library, 1988), 2

Como Um Feixe De Juncos – Párias, Parte 4

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Capítulo 5: Párias As Raízes do Antissemitismo

Os Médicos do Mundo

Imagine que você descobriu uma série de exercícios que podem curar o câncer e prevenir seu retorno. Imagine que você contou isso ao mundo, como Abraão fez na Babilônia, mas foi rejeitado porque os exercícios eram monótonos e cansativos e ninguém realmente se sentia indisposto.

Agora imagine que anos mais tarde, bilhões de pessoas pelo mundo têm câncer. Elas vagamente se recordam que você disse que tinha uma cura, e que no seu desespero elas se voltam a você, rogando que lhes salve as vidas. Mas você se esqueceu completamente disso. Você sabe que a cura existe, sabe que muitas pessoas disseram que era um remédio (Segulá) poderoso, mas uma vez que você se sente forte e saudável, não vê razão para reaprender esses exercícios, muito menos ensiná-los a bilhões de pessoas. Você consegue imaginar como o mundo se sentiria sobre você, o que as pessoas pensariam, e o que fariam?

É precisamente aqui que os Judeus se encontram em relação ao mundo. O mundo está começando a se sentir indisposto e as pessoas estão começando a procurar uma saída da sua miséria. Elas sabem que somos o povo escolhido, e que somos aqueles que devem trazer a redenção. As pessoas podem não saber que a redenção envolve mudar sua natureza para a doação, mas elas sabem que a redenção é desejável.

Tais versículos do Novo Testamento como “Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação é a partir dos judeus” [i], e “Que vantagem tem o judeu? …Grande de todas as maneiras. Primeiro de tudo, eles foram confiados com os oráculos de Deus” [ii] , são somente duas das incontáveis menções da posição e papel únicos dos judeus, como descrito pelos escritos Cristãos. Quando não levamos a cabo nossa missão, inadvertidamente atraímos o perigo e o ódio, que se traduzem no que agora conhecemos como antissemitismo.

Que nós somos diferentes e únicos está documentado na história, nas páginas das nossas escrituras, naquelas do Cristianismo e do Islã, e nos escritos de uma série de acadêmicos e estadistas. Abaixo estão alguns dos inumeráveis excertos de indivíduos bem conhecidos exprimindo suas visões sobre a singularidade dos judeus:

Winston Churchill, Primeiro Ministro do Reino Unido durante a 2ª Guerra Mundial: “Algumas pessoas gostam dos judeus, e outras não. Mas nenhum homem preocupado consegue negar o fato de que eles são, sem sombra de dúvida, a raça mais formidável e marcante que apareceu no mundo”. [iii]

Lyman Abbott, Congressista Americano, teólogo, editor e escritor “Quando por vezes nossos preconceitos não cristãos se inflamam contra o povo judeu, lembremos que tudo que temos e tudo o que somos nós devemos, abaixo de Deus, ao que o judaísmo nos deu”. [iv]

Huston Smith, professor de estudos religiosos nos Estados Unidos, autor de As Religiões do Mundo, que vendeu mais de dois milhões de cópias: “Há um ponto chocante que atravessa a história judaica como um todo. A civilização ocidental nasceu no Oriente Médio, e os judeus estavam na sua encruzilhada. No apogeu de Roma, os judeus estavam próximos do centro do Império. Quando o poder derivou para o leste, o centro judaico estava na Babilônia; quando ele saltou para Espanha, lá novamente estavam os judeus. Na Idade Média, quando o centro da civilização se moveu para a Europa Central, os judeus esperavam por isso na Alemanha e Polônia. O surgimento dos Estados Unidos para conduzir o poder mundial encontrou o judaísmo lá concentrado. E hoje, quando o pêndulo parece balançar de volta ao Mundo Antigo e o Oriente se levanta para uma importância renovada, lá estão novamente os judeus em Israel…”. [v]

Liev Tolstói, romancista Russo, autor de Anna Karenina: “O que é um judeu? Que espécie de criatura única é essa que todos os governantes de todas as nações do mundo desgraçaram, esmagaram, expeliram, destruíram, perseguiram, queimaram e afogaram, e que apesar de sua cólera e fúria, continua a viver e florescer. O que é este judeu que eles nunca tiveram sucesso em atiçar com todos os atiçamentos no mundo, cujos opressores e perseguidores só sugeriram que ele negue (e renegue) sua religião e deixe de lado a lealdade aos seus antepassados?!

“O judeu é o símbolo da eternidade. …Ele é aquele que há muito guardou a mensagem profética e a transmitiu a toda a humanidade. Um povo como este nunca pode desaparecer. O Judeu é eterno. Ele é a incorporação da eternidade”. [vi]

Certamente, nós somos o símbolo da eternidade, como Tolstói disse, porque a qualidade da benevolência do Criador está nos nossos “genes espirituais”. Todavia, não seremos deixados em paz até que, como no exemplo com o câncer e o exercício curativo, nos elevemos conscientemente ao nível espiritual e elevemos toda a humanidade imediatamente depois.

Como foi afirmado e citado acima, agora é a hora da correção geral. Em tal época, os eventos tornam-se inclusivos, globais. Tal como foi o caso com a 1ª Guerra Mundial, e mais ainda com a 2ª Guerra Mundial, cujas atrocidades estão embutidas na nossa memória coletiva para nos recordar quem nós somos, e o que devemos cumprir.

Para evitar tais cataclismos no futuro, nós temos que dar uma olhada de perto em algumas sugestões e afirmações dadas anteriormente e posteriormente ao Holocausto. O próximo capítulo sublinhará essas afirmações e sua pertinência em nossas vidas hoje. Assim que saibamos o que foi dito, seremos capazes de valorizar o que precisamos fazer para nos ajudar e ajudar o mundo.

[i] Novo Testamento, João 4:22

[ii] Novo Testamento, Romanos 3:1-2

[iii] Martin Gilbert, Churchill e os Judeus (Reino Unido, Simon & Schuster, 2007), 38.

[iv] O Livro de Pensamentos Judaicos, ed. JH Hertz (Oxford University Press, 1920), 131.

[v] Professor Huston Smith, As Religiões do Homem (New York: HarperCollins, 1989).

[vi] Leo Tolstoy, “O Que é o Judeu?”, citado em A Resolução Final, p 189, impresso no periódico Jewish World de 1908.

Como Um Feixe De Juncos – Párias, Parte 3

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Capítulo 5: Párias

As Raízes do Antissemitismo

Dois Caminhos – Um Doce, Um Doloroso

O estado da redenção completa – a realização do Criador por toda a humanidade – é obrigatório. Baal HaSulam diz que há dois caminhos pelos quais nós conseguimos alcança-lo: o caminho da Torá, quando voluntariamente adotamos a lei da doação como nosso modo de vida, ou o caminho do sofrimento, onde a realidade nos impele mesmo assim a adotar Lei da Doação como nosso modo de vida. [i]

Por mais compulsórias que as palavras desses dois sábios contemporâneos possam soar, elas repousam sobre uma base sólida. O Talmude escreve, “Rabi Eliezer diz, ‘Se Israel se arrepender, eles são redimidos. Se não, eles não são redimidos’. Rabi Yehoshua disse-lhes, ‘Se eles não se arrependerem, eles não são redimidos, mas o Senhor colocará sobre eles um rei cujos decretos são tão duros como os de Hamã, Israel se arrependerá, e Ele os reformará’”. [ii]

Até mesmo nessa ocasião importante na base do Monte Sinai, quando coletivamente recebemos a Torá com um espetacular show audiovisual, aparentemente não foi tão alegre ou festivo como foi descrito. O Talmude nos conta que as circunstâncias foram tais que não houve muito mais que pudéssemos fazer senão recebe-la. Na terminologia de hoje, nós diríamos que o Criador nos deu uma oferta que não podíamos recusar: “Está escrito, ‘E eles estavam na base da montanha’. Rav Dimi Bar Hamã disse que isso significa que o Senhor forçou a montanha sobre Israel como um jazigo, e disse-lhes: ‘Se vós aceitais a Torá [Lei da Doação], muito bem, mas se não, lá será vossa sepultura’”. [iii]

Certamente, ninguém disse que é fácil ter a primogenitura. Mas os judeus, os descendentes do clã de Abraão, são precisamente isso. Eles foram os primeiros a alcançar o propósito da Criação; assim, cabe naturalmente a eles conduzir o caminho para o resto da humanidade. Enquanto evitarmos essa tarefa, encontraremos rejeição por todas as nações.

[i] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “A Liberdade” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 420.

[ii] Talmude Babilônico, Masechet Sinédrio, 97b.

[iii] Talmude Babilônico, Masechet Avodah Zarah [idolatria], 2b

Como Um Feixe De Juncos – Párias, Parte 2

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Capítulo 5: Párias

As Raízes do Antissemitismo

Símbolos de uma Colisão Interior

Uma pessoa pode argumentar se a Bíblia, o Antigo Testamento, é uma documentação histórica genuína de eventos. Porém, os grandes sábios de Israel durante todas as eras não tinham preocupação com relevância histórica da Bíblia. Em vez disso, eles a viam como uma alegoria que retrata os processos espirituais internos que a pessoa experimenta durante o caminho da correção. Para eles, Nimrod, rei da Babilônia, representa meridah [hebraico: rebelião], desafio contra a qualidade de doação, o Criador; o Faraó significa a epítome da inclinação ao mal, e também Hamã, embora numa fase tardia do nosso desenvolvimento espiritual.

É por isso que RASHI interpreta o Talmude Babilónio como segue: “Seu nome era Nimrod, pois ele himrid [incitava] o mundo inteiro contra o Senhor”. [i]

A respeito do Faraó, Maimônides explica afetuosamente, “Vós deveis saber, meu filho, que o Faraó, rei do Egito, é na realidade a inclinação ao mal”. [ii] Da mesma forma, Elimelech de Lizhensk, o autor de Noam Elimelech (A Agradabilidade de Elimelech), escreveu simplesmente, “…Faraó, que é chamado ‘a inclinação ao mal'”. [iii]

Rabi Jacob Joseph Katz acrescentou profundidade à distinção a respeito do Faraó. Ele acrescentou que as palavras, “O Faraó havia deixado o povo ir” (Êxodo 13:17), designam a fase no nosso desenvolvimento espiritual em que uma pessoa se liberta dos pesados grilhões da inclinação ao mal. Nas suas palavras, “‘E quando o Faraó havia deixado o povo ir’ – quando os órgãos da pessoa deixam a autoridade da inclinação ao mal, como durante o êxodo do Egito, eles saem dos quarenta e nove portões de Tuma’a [impureza, egoísmo] para a santidade [doação]”. [iv]

Dentro do mesmo livro, Rabi Katz acrescenta suas visões a respeito de Hamã: “A instrução de Hamã de fazer uma forca de cinquenta cúbitos de altura é o conselho da inclinação ao mal”. [v] Da mesma forma, Rabi Jonathan Eibshitz escreve no seu livro Yaarot Devash [Colmeias] sobre “Hamã, que é a inclinação ao mal…”. [vi]

Mais recentemente, Cabalistas e acadêmicos judaicos começaram a sentir que o tempo era essencial e que a Era da Correção se aproximava. Eles começaram a acrescentar chamados implícitos, e por vezes explícitos, à ação em suas palavras. Assim, Rav Yehuda Ashlag, sentindo que a aplicação do método de correção era urgentemente necessária, fez um elo direto entre superar a inclinação ao mal e o modo como isso deve ser alcançado hoje – através da união. Num ensaio intitulado, “Há Certo Povo”, Baal HaSulam nos conta, “‘Há certo povo espalhado no estrangeiro e disperso entre os povos’. Hamã disse isso na sua visão: nós [o povo de Hamã] teremos sucesso em destruir os Judeus porque eles estão separados uns dos outros, então nossa força contra eles certamente prevalecerá, porque isto [a separação entre eles] causa separação entre o homem e Deus”. [vii]

Isto é, o egoísmo dos judeus os separa da qualidade de doação, o Criador, de modo que  a força do ego, a inclinação ao mal, “certamente prevalecerá”. “É por isso que”, continua Baal HaSulam, “Mardoqueu foi corrigir esse defeito, como é explicado no versículo, ‘Os judeus se reuniram…’ para se reunirem, e para defender suas vidas. Isto significa que eles haviam se salvado ao se unirem’”. [viii]

Desta forma, nós podemos concluir que se Nimrod, Faraó, Balaque ou Hamã realmente existiram é de importância menor. O que importa é que os traços retratados por estes personagens existem dentro de nós e a Bíblia só narra alegoricamente as fases pelas quais nós podemos superá-los.

Quando nós prevalecemos sobre essas qualidades do egoísmo, somos recompensados com a redenção – a qualidade de doação, a equivalência de forma com o Criador. E como o Criador nos deseja fazer bem, assim que tenhamos corrigido estes traços dentro de nós, eles não nos assombrarão mais, uma vez que fomos redimidos do egoísmo e adquirimos Sua qualidade de doação.

Se qualquer um destes exemplos de egoísmo vivesse hoje, certamente os categorizaríamos como antissemitas da pior espécie. Para esse efeito, o Rav Kook fez uma previsão ameaçadora (e verdadeira) ao traçar um elo direto entre os antissemitas modernos e os bíblicos. Numa afirmação pouco ortodoxa ele escreve, “Amaleque, Petlura [Líder ucraniano suspeito de ser antissemita], Hitler, e assim por diante, despertaram para a redenção. Aquele que não escutou a voz do primeiro Shofar [o símbolo do chamado para a redenção], ou a voz do segundo … pois suas orelhas estavam bloqueadas, escutará a voz do Shofar impuro, o imundo [não kosher]. Ele escutará contra sua vontade”. [ix]

[i] Talmude Babilônico, Masechet Hulin , 89a p.

[ii] Maimônides, Os Escritos do Rambam [Maimônides]. “A Ética do Rambam ao Seu Filho, o rabino Abraão”.

[iii] Elimelech de Lizhensk, Noam Elimelech (A Afabilidade de Elimelech), Parashat Beshalach [Porção: “Quando o Faraó Mandou”].

[iv] Rabbi Jacob Joseph Katz, Toldot Yaakov Yosef [As Gerações de Jacob Joseph], Beshalach [Quando Faraó Mandou], item 1.

[v] Rabbi Jacob Joseph Katz, Toldot Yaakov Yosef [As Gerações de Jacob Joseph], Beshalach [Quando Faraó Mandou], item 1.

[vi] Jonathan ben Natan Netah Eibshitz, Yaarot Devash [Favos de Mel], Parte 2, Treatise não. 10.

[vii] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag, Shamati [Eu Ouvi], item 144, “Há Certo Povo” (Canadá, Laitman Kabbalah Publishers, 2009), 300.

[viii] ibid.

[ix] Rav Avraham Yitzchak HaCohen Kook (Raaiah), Ensaios do Raaiah , vol. 1, pp 268-269

Como Um Feixe De Juncos — A Nação Em Missão, Parte 4

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Capítulo 4: Uma Nação Em Missão

O Papel do Povo Judeu

Adão – O Primeiro Homem, A Alma Coletiva

O ARI explica que, na verdade, somos todos partes de uma única alma, conhecida dos Cabalistas como Adam HaRishon (o primeiro homem), e à maioria de todos os outros como Adão. O exílio, diz o ARI, ocorreu como uma continuação do processo de correção. Em Shaar HaPsukim [Portão aos Versículos], ele escreveu, “Adam HaRishon [Adão] incluía todas as almas e incluía todos os mundos. Quando ele pecou, todas essas almas caíram dele nas Klipot [cascas, formas de egoísmo], que se dividem em setenta nações. Israel deve se exilar lá, em toda e cada nação, e reunir os lírios das almas sagradas que haviam se espalhado entre esses espinhos, como nossos sábios escreveram no Midrash Rabá, ‘Porque Israel foi exilado entre as nações? Para acrescentar estranhos a si mesmo'”. [i]

A esse respeito, o NATZIV de Volozin escreveu, “Seu início foi no Monte Ebal… mas eles completaram esta questão exaltada somente através do exílio e dispersão”. [ii]

É por uma boa razão que o exílio é necessário, para completar a correção dos judeus, e daí em diante do mundo inteiro. Anteriormente, nós dissemos que quando Abraão ofereceu o método de correção aos seus conterrâneos babilônios, eles o rejeitaram porque estavam demasiado ocupados sendo egocêntricos e egoístas. Todavia, se todos somos partes de uma alma coletiva, como o ARI apontou, no final todos nós teremos que alcançar a correção, pela qual descobriremos o Criador e nos tornaremos como Ele. Este é o benefício, como descrito no Capítulo 2, que Ele pretendeu dar à humanidade.

Assim, a correção de Abraão foi somente o princípio do processo, certamente não o seu fim. Num ensaio longo e elaborado intitulado, “E Eles Construíram Cidades-Armazém”, Baal HaSulam escreve, “Nós devemos também compreender o que Abraão o Patriarca perguntou, ‘Como saberei que ei de herdá-la?’’ (Génesis 15:8) O que respondeu o Criador? Está escrito, ‘E Ele disse a Abraão: Sabei com uma certeza que tua semente será estranha numa terra que não lhe pertence’”. [iii] Baal HaSulam explica que com esta resposta, o Criador promete a Abraão que todas as pessoas alcançarão a correção através da mistura da nação corrigida – Israel – com as nações não corrigidas – neste caso representadas pelo Egito.

Surpreendentemente, em resposta a esta questão, o Criador promete a Abraão o exílio. E não somente isso, escreve Baal HaSulam, Abraão “…aceitou isso como uma garantia da herança da terra”. [iv] Certamente, Abraão sabia que a mistura dos desejos – representada pelas diferentes nações do mundo – era necessária para completar a correção da humanidade. Considerando que cada uma das nações representa uma parte da alma de Adão, é necessário que cada parte da alma seja introduzida ao método da correção e que essa parte da alma no final o adote. Foi por isso que Israel teve de que ser exilado e espalhado pelo mundo.

Como parte da expansão do processo de correção na humanidade, Abraão foi para o exílio no Egito, onde sua tribo havia se tornado uma nação. E quando a nação se exilou depois da ruína do Primeiro e Segundo Templos, ela introduziu o método de correção ao mundo inteiro.

Embora o método não tenha sido claramente adotado pelo resto da humanidade, ele plantou os princípios já mencionados, princípios que formam a base comum sobre a qual se inicia o processo de correção assim que as pessoas começam a procura-lo.

Em “O Arvut [Garantia Mútua]”, Baal HaSulam detalha o processo pelo qual a nação Israelita corrige primeiro a si mesma, de modo a transmitir a correção ao resto das nações. Em outras palavras, “Rabi Elazar, filho de Rashbi (Rabi Shimon Bar-Yochai), esclarece este conceito do Arvut ainda mais. Não basta para ele que todos de Israel sejam responsáveis uns pelos outros, mas que o mundo inteiro esteja incluído nesse Arvut. …Cada um admite que para começar, basta começar com uma nação para a observação da Torá [lei da doação] para o início da correção do mundo. Foi impossível começar com todas as nações de uma só vez, como eles dizem que o Criador foi com a Torá a cada nação e língua, e eles não a quiseram receber. Em outras palavras, eles estavam imersos em… amor próprio… até que foi impossível conceber nesses dias sequer questionar se concordavam em se retirar do amor próprio.

“…Mas o fim da correção do mundo será somente ao trazer todas as pessoas do mundo sob Sua obra, como está escrito, ‘E o Senhor será Rei sobre toda a terra; nesse dia será o Senhor Um, e Seu nome um’ (Zacarias, 14:9). …‘E todas as nações fluirão a Ele’ (Isaías, 2:2).

“Mas o papel de Israel para o resto do mundo se assemelha ao papel de nossos Sagrados Patriarcas para a nação Israelita. Tal como a retidão de nossos pais nos ajudou a desenvolver e purificar para nos tornarmos dignos de receber a Torá [lei da doação] … cabe à nação Israelita qualificar a si mesma e a todas as pessoas do mundo através da Torá e Mitzvot [correções do egoísmo], para se desenvolverem até que tomem sobre si esse trabalho sublime do amor ao próximo, que é a escada para o propósito da Criação, estar em Dvekut [similaridade/equivalência de forma] com Ele”. [v]

Da mesma forma, no seu ensaio, “A Serva que Fica Herdeira de Sua Senhora”, Baal HaSulam escreve, “O povo de Israel, que foi escolhido como um operador do propósito e da correção geral… contém a preparação necessária para crescer e se desenvolver até que mova as nações dos mundos, também, para alcançarem a meta comum”. [vi]

Baal HaSulam e seu filho, o Rabash, podem ter sido os últimos Cabalistas a afirmar que o papel de Israel no mundo é trazer o método de correção ao resto das nações, mas certamente não foram os primeiros. Incontáveis rabinos, Cabalistas e acadêmicos, desde praticamente a ruína do Segundo Templo, também afirmaram isso.

Assim, o Midrash Rabá afirma que “Israel traz luz ao mundo”, [vii] e o Talmude Babilônio acrescentou, “O Criador agiu em retidão para Israel, tendo-os dispersado entre as nações”. [viii] Rabi Yehuda Altar, o ADMOR de Gur, escreveu, “Qualquer exílio no qual os filhos de Israel entram é somente para suscitar centelhas sagradas dentro das nações [semelhante às palavras acima citadas de Baal HaSulam]. Os filhos de Israel são os fiadores de que receberam a Torá em prol de corrigir o mundo inteiro, as nações, também”. [ix]

Da mesma forma, Rabi Hillel Tzaitlin escreve, “Se Israel é o verdadeiro redentor do mundo inteiro, ele deve ser digno dessa redenção. Israel deve primeiro redimir sua própria alma, a santidade da sua alma, a santidade da sua Shechiná [Divindade]. …Para esse propósito, eu desejo estabelecer com este livro a ‘união de Israel’ …Se fundada, a unificação dos indivíduos será pelo propósito da ascensão interior e a invocação para correções de todos os males da nação e do mundo”. [x]

Eu gostaria de concluir este capítulo com mais algumas palavras de Baal HaSulam, que em alguns parágrafos detalha o propósito da Criação, o direito da humanidade a ele, e o papel de Israel para alcança-lo. Em suas palavras: “Por que a Torá foi dada à nação Israelita sem a participação de todas as nações do mundo? Na verdade, o propósito da Criação aplica-se à toda a raça humana, sem exceção. Contudo, devido à baixeza da natureza da Criação [sendo egoísta] e seu poder sobre as pessoas, foi impossível que as pessoas compreendessem, determinassem e concordassem em se elevar acima dela. Elas não demonstraram o desejo de abdicar do amor próprio e chegar à equivalência de forma, que é a adesão com Seus atributos, como nossos sábios disseram, ‘Como Ele é misericordioso, seja misericordioso também’.

“Assim, devido ao seu mérito ancestral [os exemplos dados por Abraão, Isaac e Jacob], Israel teve êxito… e se tornou qualificado e sentenciou a si mesmo a uma escala de mérito [se corrigiu para se tornar como o Criador]. Todo e cada membro da nação concordou em amar seu semelhante [que é como eles alcançaram a correção].

“…Contudo, a nação Israelita era para ser uma ‘transição’, ou seja, que na medida em que Israel se purifica ao manter a Torá [leis da doação], eles passam seu poder ao resto das nações. E quando o resto das nações também se sentenciam mesmas a uma escala de mérito [se corrigem ao abdicar do egoísmo], o Messias [correção final] será revelado. É por isso que o papel do Messias não é de qualificar somente Israel à meta derradeira de adesão com Ele, mas ensinar os caminhos de Deus [doação] a todas as nações, como está escrito, ‘E todas as nações fluirão para Ele'”. [xi]

[i] O Santo ARI, Oito Portões, Shaar HaPsukim [Portão aos Versículos], Parashat Shemot [Porção Êxodo].

[ii] Rabbi Naftali Tzvi Yehuda Berlin (The NATZIV de Volozin), Haamek Davar [Mergulhar Profundamente na Matéria] sobre Devarim [Deuteronômio], capítulo 27:5.

[iii] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “Ensaios do Shamati [Eu Ouvi]”, ensaio no. 86, “E Eles Construíram Cidades-Armazéns” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 591.

[iv] ibid.

[v] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “O Arvut [Garantia Mútua]” (Instituto de Pesquisa Ashlag: Israel, 2009), 393.

[vi] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam , “A Serva Que Fica Herdeira de Sua Senhora” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 454.

[vii] Midrash Rabah , “Cântico dos Cânticos”, Parasha no. 4, 2o parágrafo.

[viii] Babylonian Talmud, Masechet Pesachim, p 87b.

[viii] Talmude Babilônico, Masechet Pesachim , 87b p.

[ix] Yehuda Leib Arie Altar (ADMOR de Gur), Sefat Emet [Linguagem da Verdade], Parashat Yitro [Porção Jetro], TARLAZ (1876).

[x] Hillel Tzaitlin, O Livro de Poucos (Jerusalém, 1979), 5.

[xi] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “O Amor de Deus e o Amor do Homem” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 486

Como Um Feixe De Juncos — A Nação Em Missão, Parte 3

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Capítulo 4: Uma Nação Em Missão

O Papel do Povo Judeu

O Legado dos Judeus

Os judeus que permaneceram na Babilônia após a ruína do Primeiro Templo desenvolveram uma florescente comunidade que se espalhou por todo o Império Persa. Mais tarde, quando o Segundo Templo foi arruinado e os romanos conquistaram a terra de Israel, o povo judeu perdeu a sua soberania sobre a terra.

Mas a conquista do povo judeu introduziu ao mundo dois princípios que se tornariam a base das três predominantes, apropriadamente chamadas, religiões “abraâmicas”: “Ama teu próximo como a ti mesmo”, e o “monoteísmo”, ou seja, que há apenas um único Deus, uma força que rege o mundo. Essas noções são fundamentais para o sucesso da correção da humanidade, porque quando entendidas corretamente, a primeira define o modo pelo qual alcançaremos a correção – através do amor ao próximo, e não parentescos, mas nossos próximos, ou seja, estranhos. A última define a essência da nossa realização assim que estivermos corrigidos: a força singular da realidade.

Por conseguinte, o Professor T.R. Glover da Universidade de Cambridge escreveu em O Mundo Antigo, “É estranho que as religiões vivas do mundo sejam edificadas sobre ideias religiosas derivadas dos judeus”. [i] Da mesma forma, Herman Rauschning, um Revolucionário Alemão Conservador que brevemente se juntou aos nazistas antes de romper com eles, escreveu em A Besta do Abismo: “O judaísmo, independentemente… é um componente inalienável da nossa civilização Cristã Ocidental, o eterno ‘chamado ao Sinai’ contra o qual a humanidade novamente se revolta”. [ii]

O exílio do povo judeu da Terra de Israel foi um longo processo pelo qual os judeus, e desta forma os valores Judaicos, foram gradualmente absorvidos pelas suas nações anfitriãs. Yosef Ben Matityahu, melhor conhecido como Josefus Flavius, o historiador judaico-romano, descreve a expulsão dos judeus pelos romanos no princípio do exílio. Em “As Guerras dos Judeus”, Flavius escreve, “E como ele se recordou que a décima legião havia aberto caminho aos judeus, sob Cestius seu general, ele os expulsou de toda a Síria, pois eles se haviam rendido anteriormente em Rafania, e os mandou embora para um lugar chamado Meletina, perto de Eufrates, que é nos limites da Arménia e Capadócia”. [iii]

No Capítulo 3, Flavius elabora, “Pois enquanto a nação judaica está amplamente dispersa por toda a terra habitada entre seus habitantes, também está ela muito misturada com a Síria, pela razão de sua vizinhança e tiveram as grandes multidões em Antioquia pela razão da maior cidade, onde os reis, depois de Antíoco, os acolheram numa habitação com a maior tranquilidade sem incÔmodos”. [iv]

Hoje, narra o autor Yaakov (Jacó) Leschzinsky em A Dispersão Judaica, que os judeus se espalharam pelo mundo todo e num ritmo surpreendente, “Quando esquadrinhamos a diáspora judaica pelo globo inteiro e por todo mundo civilizado”, escreve ele, “ficamos surpresos ao ver que esta nação, que é a mais antiga no mundo, é na verdade a mais jovem em termos da terra sob seus pés e o céu sobre sua cabeça. Devido às intermináveis perseguições e expulsões forçadas, a maioria dos judeus é nada mais que recentes novatos às suas respectivas terras de residência. Noventa por cento das pessoas judias não viveram nos seus lares mais que cinquenta a sessenta anos! (Os judeus) estão dispersos em mais de 100 terras em todos os cinco continentes”. [v]

Curiosamente, sua mistura com outras nações é precisamente o que foi necessário para completar as correções de Moisés. Embora seja verdade que, embora Israel esteja separado das outras nações, os princípios mencionados anteriormente no coração do judaísmo não puderam ser tingidos, é também verdade que os judeus tinham muito a ganhar com seu exílio entre as nações. É por isso que o Livro dos Salmos (106:35) nos conta que os judeus foram exilados para “Se misturarem às nações e aprenderem com suas ações”.

[i] Terrot Reavely (TR) Glover, O Mundo Antigo (EUA: Penguin Books, 1944), 184-191.

[ii] Herman Rauschning, A Besta do Abismo (UK: W. Heinemann, 1941), 155-56.

[iii] Flávio Josefo, As Guerras dos Judeus, Capítulo 1, traduzido por William Whiston em Os trabalhos de Flavius ​​Josephus (UK: Armstrong e Plaskitt E Plaskitt & Co., 1835), 564

[iv] William Whiston, Os Trabalhos de Flavius ​​Josephus, 565.

[v] Yaakov (Jacob) Leschzinsky, A Dispersão Judaica (Israel, Organização Sionista Mundial, 1961), 9

Como Um Feixe De Juncos — A Nação Em Missão, Parte 2

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Capítulo 4: Uma Nação Em Missão

O Papel do Povo Judeu

Misturar e Mesclar

E ainda assim, como é que a correção fluirá para as nações? Se a nação de Israel corrige a si mesma, como isso afetará qualquer uma das outras nações?

Quando Abraão primeiro descobriu o Criador, ele descreveu isso a quem quer que escutasse, e aqueles que se juntaram a ele se tornaram as primeiras pessoas corrigidas. Essas pessoas então foram para o Egito e finalmente emergiram dele em números muito maiores, uma nação inteira. Essa nação recebeu a Lei da Correção, denominada a Torá, e corrigiu a si mesma. No Primeiro Templo, a nação Judaica alcançou seu mais alto nível de conexão com o Criador, como demonstrado no capítulo anterior. A partir daí, a nação começou a declinar até que seu povo foi exilado para Babilônia. Quando regressou à Terra de Israel, a maioria da nação Judaica escolheu permanecer na diáspora e uma assimilação gradual iniciou.

Certamente, é assim que a passagem da mensagem começou. Quando as pessoas que foram inicialmente corrigidas – que transcenderam o interesse pessoal e descobriram o Criador – se misturaram com aquelas que nunca tiveram tais pensamentos, aquelas ideias nobres começaram a se espalhar dentro da sociedade anfitriã e ajudaram a instigar pensamentos mais humanos nas mentes das pessoas. Embora esses não fossem pensamentos corrigidos derivados de mentes que haviam transcendido o egoísmo, as noções de universalismo e humanismo todavia começaram a se estabelecer nas mentes das pessoas.

Certamente, durante o Renascimento, vários acadêmicos reconhecidos sustentaram que os Gregos haviam adoptado pelo menos alguns dos seus conceitos do judeus, neste caso especificamente da Cabalá. Johannes Reuchlin (1455-1522), por exemplo, conselheiro político do Chanceler, escreveu em De Arte Cabalística (Sobre a Arte da Cabalá): “Independentemente, sua proeminência [de Pitágoras] não derivou dos gregos, mas novamente dos judeus. …Ele mesmo foi o primeiro a converter o nome Cabalá, desconhecido aos gregos, no nome grego filosofia”. [i]

Em 1918, um pastor Francês, Charles Wagner, foi citado como tendo escrito, “Nenhum dos nomes resplandecentes na história – Egito, Atenas, Roma – pode ser comparado à grandiosidade eterna de Jerusalém. Pois Israel deu à humanidade a categoria da santidade. Somente Israel conheceu a sede pela justiça social e essa santidade interior que é a fonte da justiça”. [ii]

Mais recentemente, o historiador Cristão, Paul Johnson, escreveu em Uma História dos Judeus: “O impacto judaico na humanidade foi multiforme. Na antiguidade eles foram os grandes inovadores na religião e moral. Na Idade das Trevas e no início da Europa medieval eles ainda eram um povo avançado transmitindo escasso conhecimento e tecnologia. Gradualmente, eles foram empurrados da vanguarda e caíram para trás; no fim do século dezoito eles eram vistos como sujos e obscurantistas, reacionários na marcha da humanidade civilizada. Mas depois veio uma segunda explosão surpreendente de criatividade. Fugindo de seus guetos, eles transformaram novamente o pensamento humano, desta vez na esfera secular. Muito dos utensílios mentais do mundo moderno é também de fabricação judaica”. [iii]

Da mesma forma, em Os Presentes dos Judeus: Como uma Tribo de Nômades do Deserto Mudou a Maneira Como Todos Pensam e Sentem, o autor Thomas Cahill, antigo diretor de publicações religiosas na Doubleday, descreve a contribuição dos judeus para o mundo, que, na sua visão, começou no exílio na Babilônia. “Os judeus originaram o tudo”, escreve ele, “e com ‘o’ pretendo dizer tantas das coisas com que nos preocupamos, os valores subjacentes que fazem todos nós, judeu e gentio, crente e ateu, funcionar. Sem os judeus, nós veríamos o mundo com olhos diferentes, escutaríamos com ouvidos diferentes, até sentiríamos sentimentos diferentes… Nós pensaríamos com uma mente diferente, interpretaríamos todas as nossas experiências diferentemente, tiraríamos diferentes conclusões das coisas que caem sobre nós. E definiríamos um percurso diferente para nossas vidas”. [iv]

Curiosamente, alguns líderes judeus renomados também escreveram sobre a difusão (e deterioração) da sabedoria judaica depois da ruína do Primeiro Templo. Rabi Shmuel Bernstein de Sochatchov, por exemplo, escreveu, “Os gregos tiveram a sabedoria da filosofia, que se originou dos escritos do Rei Salomão que vieram à sua posse depois da ruína do Primeiro Templo. Contudo, eles foram deteriorados pelos gregos com subtrações, adições e substituições até que visões falsas se misturaram com eles. Ainda assim, a própria sabedoria é boa, mas partes do mau se misturaram com ela”. [v]

Da mesma forma, Baal HaSulam escreveu em “A Sabedoria da Cabalá e a Filosofia”: “Os sábios da Cabalá observam a teologia filosófica e queixam-se de que eles roubaram a casca superior de sua sabedoria, a qual Platão e seus predecessores haviam adquirido ao estudar com os discípulos dos profetas em Israel. Eles roubaram elementos básicos da sabedoria de Israel e usaram uma capa que não lhes pertence”. [vi]

[i] Johannes Reuchlin, De Arte Cabbalistica (Hagenau, Alemanha: Tomas Anshelm, Março de 1517), 126.

[ii] Fonte: Um Livro de Pensamentos Judaicos, Ed. J. H. Hertz (Londres: Oxford University Press, 1920), 134.

[iii] Paul Johnson, (historiador cristão), A História dos Judeus (Nova York: Primeira Biblioteca Permanente, 1988), 585-6.

[iv] Thomas Cahill, Os Presentes dos Judeus: Como uma Tribo de Nômades do Deserto Mudou a Maneira que Todo Mundo Pensa e Sente (Nova York: Nan A. Talese/Anchor Books (impressões de Doubleday), 1998), 3.

[v] Rabino Shmuel Bornstein, Shem MiShmuel [O Nome de Samuel], Miketz [No Final], TARPA (1921).

[vi] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos de Baal HaSulam, “A Sabedoria da Cabalá e Filosofia” (Instituto de Pesquisa Ashlag: Israel, 2009), 38

Como Um Feixe De Juncos – A Nação Em Missão, Parte 1

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Capítulo 4: Uma Nação em Missão

O Papel do Povo Judeu

“Abraão foi recompensado com a bênção de ser como as estrelas dos céus, Isaac, a bênção da areia e Jacó, como a poeira da terra, pois os filhos de Israel foram criados para corrigir o todo da Criação”.

Yehuda Leib Arie Altar (ADMOR de Gur),

Sefat Emet [Linguagem da Verdade], Bamidbar [Números]

No fim do anterior capítulo nós perguntamos, “Se tudo está certo, porque há tanta coisa errada no mundo”? E “Se a lei fundamental da vida pode ser conhecida por todos, como tão poucos a conhecem, especialmente agora que estamos numa perda no que tange lidar com as múltiplas crises que engolem a sociedade humana?” Nós dissemos que para responder a essas perguntas, precisamos compreender como o conhecimento da lei se espalha e como os judeus estão relacionados com sua divulgação.

Você pode se recordar que na Introdução, nós estabelecemos que, uma vez que Abraão descobriu que uma única força conduzia o mundo, ele se apressou a contar a seus conterrâneos sobre sua descoberta. Ele não apresentou condições prévias; ele desejava partilhar seu conhecimento recentemente achado com todos. Acontece que, nem seu rei, Nimrod, nem o povo estavam prontos para aceitar a noção de que a força governante da vida era uma força de doação e que sua meta na vida, como dissemos no Capítulo 1, é revelá-la ao ser semelhante ou até igual a ela. Os babilônios do tempo de Abraão estavam muito preocupados em construir sua torre e tentar deificar as leis da Natureza.

Enquanto Abraão vagava pelo que agora é o Oriente Próximo e Médio no seu caminho para Canaã, ele reuniu na sua tenda, a princípio, todos aqueles que eram capazes de compreender suas noções e se comprometer com a autotransformação do egoísmo em doação. Essas pessoas mais tarde se tornaram a nação de Israel, denominada segundo o desejo de alcançar direto o Criador.

Todavia, os quatro níveis da vida (inanimado, vegetal, animal e falante) são uma constante. Eles devem ser atualizados na totalidade, e todos aqueles que fisicamente pertencem ao nível falante também devem, no final, alcançá-lo espiritualmente. O fato de que nem todos os babilônios estavam prontos para se comprometer, a mudar a si mesmos no tempo de Abraão, não muda nada em termos do propósito final para o qual a raça humana existe. Assim, aqueles que estavam prontos e dispostos a se comprometer, se tornaram os “guardiões” do conhecimento, confiados em manter e nutri-lo para a posteridade.

No seu ensaio, “O Arvut (garantia mútua)”, Baal HaSulam escreveu, “[O Criador disse] ‘Vós serei Minha Segulá [remédio/virtude] dentre todos os povos’. Isto significa que vós sereis Meu remédio, e centelhas de purificação e limpeza do corpo passarão através de vós para todos os povos e nações do mundo. As nações do mundo ainda não estão prontas para isso, e eu preciso de pelo menos uma nação com quem começar agora, pois ela será já como um remédio para todas as nações”. [i]

Esta citação, acompanhada das palavras do Rabi Altar, citadas no princípio deste capítulo, “Os filhos de Israel foram criados para corrigir o todo da Criação”, e juntas com as citações abaixo neste capítulo, deixam poucas dúvidas sobre a visão dos líderes espirituais judeus durante as eras a respeito do papel para o qual os judeus existem no mundo.

Quando Moisés conduziu o povo de Israel para fora do Egito, ele pretendia antes de tudo lhes passar a lei que ele mesmo havia aprendido, a lei que Abraão havia aprendido antes dele. Sua meta era terminar, ou pelo menos avançar a missão que Abraão havia começado gerações antes. Rabi Moshe Chaim Luzzatto, o grande Ramchal, escreveu sobre isso, “Moisés desejou completar a correção do mundo nessa altura. Foi por isso que ele juntou a multidão misturada [pessoas egocêntricas, sem desejos corrigidos], pois pensou que assim seria a correção do mundo que será feita no fim da correção… Contudo, ele não teve sucesso devido às corrupções que ocorreram no caminho”. [ii] Apesar das dificuldades, escreve o Rabi Isaac Wildman, “Essa foi a oração e bênção de Moisés para a geração do deserto, que eles fossem o princípio da correção do mundo”. [iii]

Todavia, o mundo não teve desejo de correção. As nações não estavam prontas para abdicar do amor-próprio e abraçar o altruísmo – dar – como sua principal qualidade. Então no entretanto, a nação Israelita continuou a “polir” sua própria correção esperando que o resto das nações estivessem prontas e dispostas. Nas palavras de Ramchal, “Vós deveis saber … que a Criação como um todo não será completada até que o todo da nação escolhida seja ordenada na ordem certa, completada em todas as suas decorações, com a Shechiná [Divindade] aderida a ela. Consequentemente, o mundo alcançará o estado completo. …Devemos chegar a um estado em onde a nação é totalmente complementada em todas as necessárias condições, e o todo da Criação recebe sua completude, e então o mundo será estabelecido permanentemente no estado corrigido. ”97

Segue-se que a nação Israense serve como um canal pelo qual a correção, nomeadamente a qualidade de doação, deve alcançar seus recipientes pretendidos: as nações do mundo. Em estilo eloquente e florido, o Rav Kook detalha como ele vê o papel dos judeus a respeito do resto das nações. “Assim que a vocação de Israel, sendo a nação do Senhor, esteja presente e seja completa, aparente, duradoura e ativa no mundo, é um testemunho válido para o mundo por toda a posteridade para complementar a forma da raça humana, a manter suas características, e a elevá-la pelos degraus da santidade adequados a ela… que o Senhor determinou. E uma vez que nossa própria vocação sempre permanece, acompanhando a vocação do todo da Natureza – cuja lei é completar todas as criações e levá-las ao ápice da perfeição – nós devemos guardá-la devotadamente pela vida de todos nós, que é mantida dentro dela, e pelo todo da humanidade e seu desenvolvimento moral, cujo destino depende do destino da nossa existência”. [v]

Como demonstrado na Introdução deste livro, o Rav Kook vai até mais longe ao dizer, “O movimento genuíno da alma Israelense na sua grandiosidade é expresso somente pela sua força sagrada e eterna, que flui dentro de seu espírito. É aquilo que a fez, a faz, e a fará permanecer ainda uma nação que permanece como uma luz para as nações” [vi]

Em seu livro, Ein Ayá [O Olho do Falcão], o Rav Kook acrescenta mais: “Dentro de Israel está uma santidade escondida de elevar o valor da própria vida através da Divindade que está presente em Israel. A alma nacional da Assembleia de Israel aspira ao mais sublime e exaltado, a agir na vida pelo valor mais exaltado e Divino, por esse mesmo valor que fará que nenhuma pessoa seja capaz de questionar, ‘Qual é o propósito desta tal vida?’, tendo visto a glória e a sublimidade da sua agradabilidade e magnificência. Em absoluta completude será ela completada dentro da casa de Israel, e a partir dela, brilhará para a terra e para o mundo inteiro, por uma aliança do povo, por uma luz das nações'”. [vii]

Da mesma forma, Rabi Naftali Tzvi Yehuda Berlin (conhecido como “O TATZIV de Volozin”) escreveu, “Isaías o profeta disse, ‘Eu vos tomarei pela mão e vos manterei; Eu vos darei como uma aliança para o povo, uma luz para as nações’, ou seja, para corrigir a aliança, que é a fé, para cada nação. Eles jogarão fora a fé em ídolos e acreditarão em um Deus. Certamente, a aliança com Abraão nosso Pai foi assinada sobre essa questão”. [viii]

[i] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “O Arvut [Garantia Mútua]”, item 28 (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 397.

[ii] Rav Moshe Chaim Luzzatto (Ramchal), O Comentário do Ramchal na Torá, Bamidbar [Números].

[iii] Yitzhak Hever Wildman, Beit Olamim [A Casa Eterna] (Varsóvia, 1889), 130a.

[iv] Rav Moshe Chaim Luzzatto (Ramchal), Ensaio dos Princípios, (Oybervisha (Felsövisó) Romênia, 1928), 15. Fonte online: http://www.hebrewbooks.org/33059

[v] Rav Isaac Abraham HaCohen Kook (Raaiah) (apareceu em HaPeles , uma revista rabínica, Berlim, Alemanha, 1901) (A. A vocação de Israel e a Sua Nacionalidade, capítulo 1, p 26).

[vi] HaRav Avraham Yitzchak HaCohen Kook, Letras do RAAIAH 3, 194-195.

[vii] Rav Isaac Abraham HaCohen Kook (Raaiah), Ein Ayah [Olho do Falcão], Shabbat 1, p 188.

[viii] Rabbi Naftali Tzvi Yehuda Berlin (O NATZIV de Volozin), Haamek Davar [Mergulhar Profundamente na Matéria] sobre Devarim [Deuteronômio], Capítulo 27: 5

Como Um Feixe De Juncos — Correções Através Das Eras, Parte 7

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Capítulo 3: Correções Através das Eras

A Evolução do Método de Correção

Agora, Todos Juntos

A última fase na evolução do método de correção começou no princípio de 1900 e está somente agora ganhando ritmo. Como nós somos parte dessa fase, essa é a que tem o maior significado para nós.

Como discutido na Introdução, quando Abraão descobriu pela primeira vez que uma força governa e conduz o mundo, ele começou a espalhar seu conhecimento. Sua meta era circulá-lo a todas as pessoas, sem exceção. Contudo, Nimrod, rei da Babilônia, o impediu de alcançar seu objetivo e Abraão teve que partir, chegando finalmente à terra de Canaã, que ele tornou Israel (segundo o desejo de alcançar Yashar El, direto ao Criador).

Esse objetivo não mudou durante os séculos. “Noé foi criado para corrigir o mundo no estado em que ele estava naquela altura …e eles [seus contemporâneos] também receberam correção dele”, escreve o Ramchal. [i] No seu comentário sobre a Torá, o Ramchal também escreve, “Moisés desejava completar a correção do mundo nessa altura. Foi por isso que ele tomou a multidão misturada, pois pensava que assim seria a correção do mundo que será feita no fim da correção… Contudo, ele não teve sucesso devido às corrupções que ocorreram no caminho”. [ii]

Depois da ruína do Segundo Templo, os Cabalistas escolheram esconder a sabedoria de todos, judeus e não-judeus da mesma forma, até o tempo do ARI, quando começaram a sentir que chegara o momento de revela-la a todos. Nesse ponto, eles começaram a ensinar e a circular a sabedoria de forma que ela se tornou mais direta e explícita a cada geração.

No início do século XX, todas as inibições haviam acabado, e os Cabalistas exigiam abertamente disseminar a sabedoria e ensiná-la a todas as nações. Rav Kook exprimiu esta mentalidade muito claramente numa de suas cartas: “Eu concordei em divulgar todos os segredos do mundo, uma vez que é hora de fazer pelo Criador, como é necessário nesta altura. Maiores e melhores que eu, sofreram por toda a nação escárnio por tais questões, pois seus espíritos puros os pressionaram pelo bem de corrigir a geração para falar novas palavras e revelar o oculto, ao qual o intelecto das massas não estava acostumado”. [iii]

Durante a Primeira Guerra Mundial, Rav Kook sentiu-se forçado a delinear a ligação que ele viu entre os problemas do mundo e o reacender da força espiritual de Israel através da união. No seu livro, Orot (Luzes), ele escreveu, “A construção do mundo, que atualmente é amassado pelas tempestades terríveis de uma espada cheia de sangue, requer a construção da nação israelense. A construção da nação e a revelação de seu espírito são a mesma coisa, e é um com a construção do mundo, que está sendo amassado na expectativa pela força total da unidade e da sublimidade, e tudo o que está na alma da Assembleia de Israel”. [iv]

Seu contemporâneo, Baal HaSulam, escreveu profusamente e muitas vezes abertamente, sobre a necessidade de divulgar a sabedoria da Cabalá a todos, especialmente hoje. No seu ensaio, “O Shofar do Messias“, ele escreveu, “Saiba que isto é o que significa que os filhos de Israel são redimidos somente após a sabedoria do oculto ser revelada em grande parte, como está escrito em O Zohar, ‘Com esta composição, os filhos de Israel são redimidos do exílio’.

“…Na minha avaliação, nós estamos numa geração que se encontra precisamente no limiar da redenção, se apenas soubermos como espalhar a sabedoria do oculto às massas.

“…Há outra razão para isso: nós aceitamos que há uma condição prévia para a redenção – que todas as nações do mundo reconheçam a lei de Israel [de doação], como está escrito, ‘E a terra estará cheia do conhecimento’. É como no exemplo do êxodo do Egito, onde houve uma condição prévia de que o Faraó, também, reconheceria o verdadeiro Deus e Suas leis, e os permitiria partir.

“…Você deve compreender de onde as nações do mundo chegariam com tamanha noção e desejo. Saiba que é através da verdadeira sabedoria, para que elas vejam evidentemente o verdadeiro Deus e a verdadeira lei [da doação]. E a disseminação da sabedoria nas massas é chamada ‘um Shofar [uma trombeta ou um festivo chifre de carneiro]’. Como o Shofar, cuja voz viaja uma grande distância, o eco da sabedoria se espalhará pelo mundo”. [v]

Certamente, o legado desses titãs espirituais foi concretizado, e hoje qualquer pessoa que deseje pode estudar “a sabedoria do oculto” independentemente de religião, idade, ou gênero, pois ela não está mais escondida. Como Abraão previu, nossa Babilônia global pode agora estudar a lei fundamental da vida que a cria e sustenta, e não há quaisquer limitações.

Mas se tudo está certo, por que há tanta coisa errada no mundo? Porque há tantas pessoas sofrendo, e por que o número de pessoas na miséria parece crescer? Se a lei fundamental da vida pode ser conhecida por todos, como tão poucos a conhecem, especialmente agora que estamos num prejuízo sobre como lidar com as múltiplas crises que engolem a sociedade humana? Se essa lei é o Criador, e pode deste modo concertar tudo, porque não estão todos correndo para aprender?

Para responder a estas perguntas nós precisamos compreender as rotas pelas quais a sabedoria se espalha, e especificamente o papel do povo judeu em espalhar a Cabalá, e o que significa ser uma luz para as nações. Correspondentemente, o próximo capítulo discutirá o papel do povo judeu através dos olhos da Cabalá.

[i] Rav Moshe Chaim Luzzatto (Ramchal), Adir BaMarom [O Poderoso Nas Alturas], “Explicação do Sonho de Daniel” (Varsóvia, 1885).

[ii] Rav Moshe Chaim Luzzatto (Ramchal), O Comentário de Ramchal sobre a Torá, Bamidbar [Números].

[iii] Rav Yitzhak HaCohen Kook (o Raiah), Cartas a Raiah vol. 2, 34.

[iv] Rav Yitzhak HaCohen Kook (o Raiah), Orot [Luzes], 16.

[v] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “Shofar do Messias” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 457