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Os Dias De Ascensão Espiritual

laitman_742_03Pergunta: Qual é o significado interior do feriado de Sucot?

Resposta: Sucot é uma festa muito importante porque celebra a ascensão espiritual. No final do ano, nós refletimos sobre os resultados da nossa autoanálise crítica.

Se nós trabalhamos bem ao longo do ano, em busca de como nos corrigir, de modo a voltarmos ao Criador, então nós descobrimos nossa culpa numa infinidade de transgressões.

E este é precisamente o resultado do nosso bom trabalho, a análise de nós mesmos, e nossa atitude para com os amigos, que mostraram quão cheios ainda estamos da inclinação ao mal, do ódio para com os outros, rejeição e cálculos egoístas.

Após julgar a nós mesmos, nós entregamos uma sentença chamada o início do novo ano: Rosh Hashana (cabeça do ano). Nós queremos que o Criador, a força de amor e doação, seja o nosso chefe, nosso rei.

Rosh Hashana é a coroação do Rei como o maior de todos, incorporando doação, amor, carinho e satisfação. Nós valorizamos muito essas qualidades, razão pela qual enaltecemos esta força da natureza e desejamos nos tornar como ela, até a total adesão a ela. Esta é a decisão a ser feita em Rosh Hashana, continuar a seguir com ela.

Assim, existem dois julgamentos em Rosh Hashana: um severo e um suave, que precedem os dez dias de arrependimento. Durante este tempo, nós devemos verificar o nosso trabalho na nossa unificação e esclarecer como alcançar a unidade. Afinal, quanto mais nós nos corrigimos, nos unindo como um homem com um coração, mais nos assemelhamos ao Criador único e singular.

Com esta decisão nós atraímos a Luz Circundante, uma luminescência especial, e vemos quais desejos em nós não estão sujeitos à correção, uma vez que não podem ser corrigidos em prol da doação e utilizados para unir com os amigos. Os outros desejos, no entanto, podem ser corrigidos e usados para trazer bondade, amor, conexão e unidade aos amigos.

Os dez dias de arrependimento separam em todos os meus desejos a parte que ainda não é corrigível daquela que pode ser corrigida. Esta separação é chamada de “Sua mão esquerda sobre a minha cabeça” – um abraço à esquerda que deixa de fora os desejos que não podem ser abraçados.

Então começa o feriado de Sucot, quando “Sua mão direita me abraça”. Durante Sucot, uma luminescência especial brilha sobre aqueles que desejam se unir com todas as criaturas e se aproximar do Criador, das qualidades superiores de amor doação e universal.

O feriado de Sucot dura sete dias, de acordo com as Luzes que temos que obter: Hessed, Guevura, Netzah, Hod, Yessod e Malchut, ou os convidados que se revezam visitando as festas diárias do feriado: Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Arão, José e David.

Está escrito: “Eu criei a inclinação ao mal, e a Torá cuja Luz volta à fonte”. O Criador criou qualidades más, ao invés de boas: a inclinação ao mal, o nosso ego, que nos impede de unir, tratar bem uns aos outros, e doar aos outros.

O amor ao próximo é a grande regra da Torá, mas não queremos observá-la. O mal em nós é tudo o que se opõe à nossa união com os outros. Este é o significado do trecho, “Eu criei a inclinação ao mal, e a Torá como tempero”. A Torá não é o livro físico que repousa na prateleira, mas um método especial de utilizar a força da natureza chamada “Luz”. Se eu fizer uso desta Luz, colocando-me sob a sua influência, eu converto todo o mal, intencionalmente criado pelo Criador, em bem.

De um egoísta que rejeita e detesta os outros sem qualquer razão, eu me passo a amar alguém, até que me unifico com todos como um homem com um coração.

Até Sucot nós nos ocupamos em julgar a nós mesmos, esclarecendo o que pode e o que não pode ser corrigido. E ocorre que estamos cheios de maldade, como uma romã que está cheia de sementes, mas está totalmente podre.

Em Rosh Hashana nós decidimos que queremos nos tornar doadores e elevar o Criador, a força do amor, para reinar sobre nós. Ao longo dos 10 dias subsequentes de arrependimento, vamos verificar as dez Sefirot da nossa alma, as dez partes do nosso desejo, esclarecendo o que pode e o que não pode ser corrigido. Pois nós contemos os desejos impuros (Klipot) que não estão sujeitos à correção, os quais, portanto, nós simplesmente restringimos, separamos ou congelamos.

E os desejos corrigíveis se tornam corrigidos nos dias de Sucot. Esta é a primeira correção do desejo, e ela é feita em virtude da Luz circundante que brilha sobre nós. O símbolo da Luz circundante é a Sucá, uma tenda ou copa especial.

Nós fazemos uma sombra, porque não queremos receber a Luz para nós mesmos, para nosso próprio benefício; em vez disso, nós desejamos mudança, conexão com o Criador, a Luz, pela simples razão de dá-la aos outros. Isso é o que representa uma pessoa justa: quem toma apenas o que é necessário para o seu sustento, e dá o resto. Essa é a recepção corrigida simbolizada pela Sucá.

De KabTV “Uma Nova Vida” # 439, 30/09/14

Benevolência Sob Raios-X

Dr. Michael LaitmanPergunta: O Dia da Expiação (Yom Kippur) é o dia mais importante do ano para o povo de Israel. Qual é o significado espiritual deste dia especial? Como devemos nos relacionar com ele, a fim de corresponder às suas raízes espirituais e transferir a nossa vida para um novo grau?

Resposta: O Dia da Expiação (Yom Kippur) não é simplesmente uma tradição. Ele reflete um estado de espírito especial no desenvolvimento de uma pessoa. Não devemos olhar para este dia separadamente, mas como parte do ciclo de todo o ano.

Após a conclusão de um ano, sendo este o ciclo de mudanças internas, nós avaliamos tudo que passamos, o que é chamado de “arrependimento”. Assim, nós decidimos que isso é necessário para se subir a um novo grau, para se começar o ano novo (Rosh Hashaná), para fazer a transição para um novo estado, superior, mais puro e exaltado. Então, nós coroamos o Criador, a força de doação e amor, estabelecendo-O a reinar sobre nós como a propriedade mais sublime.

É quando nós começamos a nos julgar: será que nós estamos realmente na propriedade de doação? Todas as nossas propriedades são divididas em dez partes, dez Sefirot. E nós estamos esclarecendo que desejos nessas dez partes podem ser corrigidos, e quais não podem.

Em essência, a alma de uma pessoa precisa ser corrigida. E a alma é todos os nossos desejos, que ainda estão corrompidos e precisam de correção.

Pergunta: O que exatamente precisa ser corrigido: suas ações ou a alma?

Resposta: Em nosso mundo, as ações são realizadas com mãos e pés, ou através de palavras. Mas a sabedoria da Cabalá explica que o mais importante é a intenção corrigida, que é o verdadeiro desejo de uma pessoa.

Ações sozinhas não são suficientes, porque eu posso realizá-las simplesmente por hábito. Então, é realmente mais difícil para eu não fazê-las do que fazê-las. E estas podem ser as ações que eu de outra forma nunca teria feito na minha vida se não tivesse me acostumado a elas desde a infância.

Neste caso, já não é o cumprimento de um mandamento, mas tradições incutidas na infância que são executadas automaticamente. Para alguém poderia ser difícil realizá-las, mas para outra pessoa, é difícil não fazê-las.

É por isso que não estamos falando de uma ação, mas de uma intenção. Uma ação, afinal de contas, não muda: como a temos feito, assim vamos continuar. Mas, na intenção, na atitude de uma pessoa em relação à ação executada, sempre há mudanças.

A chave é a atitude de uma pessoa para com aqueles que a rodeiam. Afinal, “ama ao próximo como a si mesmo” é a grande lei da Torá. Este é o ponto de vista do qual eu preciso verificar a mim mesmo, a fim de ver o quanto sou capaz de amar o meu próximo.

A força superior é uma força de doação e amor, e nosso objetivo é nos tornarmos como ela. É por isso que precisamos alcançar o grau de homem, Adão, que significa semelhante (Domeh) ao Criador. Mas como podemos verificar isso? Onde está o médico que me irradiará com Raios X e me dirá exatamente o quanto sou semelhante ao Criador?

Esse médico não existe. Portanto, a pessoa precisa verificar a si mesma por conta própria. Este tipo de máquina de Raios-X requer uma luz especial, que nos abalisa. Esta Luz é chamada de Luz que Reforma.

Se eu estou estudando a verdadeira Torá, ou seja, a sabedoria da Cabalá, graças a ela eu começo a ver a verdade. Eu vejo o quanto sou egoísta, o que é exatamente é ruim em mim, e o que precisa ser corrigido, como se eu brilhasse Raios-X em mim mesmo.

Isso só é visível para mim, e os outros podem não notá-lo. Depois de eu ter me visto na imagem de Raios-X, torna-se claro para mim o que precisa ser corrigido. A Torá organiza esta imagem em que eu só vejo intenções, e apenas ao nível da profundidade que sou capaz de corrigir. Tudo o resto eu não vejo, e pode permanecer até o próximo ano.

Logo após o início do novo ano, eu me encontro nestas sessões de Raios-X, que são chamadas de dez dias de arrependimento. Eu irradio o meu coração, esclarecendo minhas intenções no que diz respeito aos que me cercam em cada ação, e recebo de volta as imagens.

A Cabalá explica que Malchut ascende à Bina e compara-se a ela. Malchut é o nosso desejo egoísta, que se eleva à Bina, o desejo de doação, esclarecendo o quanto difere dela, o quanto estamos longe de cuidar de nossos próximos, das boas relações, e como estamos apenas pensando em nosso próprio benefício.

Pergunta: O que é mostrado nestas imagens de Raios-X?

Resposta: Esta imagem é em preto e branco. Ela mostra o quanto de branco há em você, isto é, as intenções para o benefício de seu próximo. E o preto aponta para as intenções para o seu próprio benefício, que você pode corrigir.

Assim, o escopo do nosso trabalho nos é revelado. Este é um trabalho pessoal que está guardado cada um de nós, mas visa ao que é comum, à doação a todos, e através deles, ao Criador, visto que do amor pelos seres criados chega-se ao amor pelo Criador. O Criador é uma força, integrando todos juntos, e não algo que existe fora. Está escrito: “O Criador habita entre o seu povo”.

Assim, se eu me esforço em unir com todos e quero me transformar num todo com eles, eu revelo o sistema integral global que generaliza a nossa unidade, o qual é chamado de Criador. É assim que ele se revela em nossa percepção.

Portanto, durante o Yom Kippur, nós precisamos nos esforçar em amar o nosso próximo tanto quanto possível e o máximo possível, e mesmo para além do povo de Israel, estendendo-o a toda a humanidade. Esta é a razão pela qual durante o Yom Kippur é costume ler a história sobre o profeta Jonas, a quem o Criador instruíu a conduzir a cidade de Nínive, que simboliza o mundo, à correção.

De KabTV “A Nova Vida”, 30/09/14

Isolamento Para O Bem Da Sociedade

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significam as “Treze Partes da Correção dos Cabelos” em relação ao ego?

Resposta: Esta é uma manifestação externa dos desejos que são dados para serem corrigidos. Nós os corrigimos como todos os desejos habituais, mas eles se revelam como exteriores e externos.

Isso significa que, de acordo com o estímulo que se revela na pele, que está em contato com o cabelo, a cabeça, e também o queixo, entende-se o que deve ser feito com essa pessoa e de que maneira ela deve ser isolada da sociedade. Isso é porque atualmente ela não é útil para a sociedade, porque está num estado patológico e se torna uma fonte de câncer. Através do seu desejo egoísta, ela só infecta a sociedade.

Isolar essa pessoa da sociedade significa não só mantê-la fisicamente longe, mas isolando-a do contato com outras pessoas. Ela não precisa estar associada a qualquer outra pessoa na sociedade de alguma forma até que se corrija separadamente. O tempo vai geralmente fazer isso quando ela estiver a sós com o Criador.

Problemas como estes aparecem em níveis superiores e corrigem uma pessoa, como no caso de Moisés, quando ele escondeu sua mão dentro, tirou-a para fora, e não havia lepra nele. Ele colocou a mão de novo, tirou-a, e ela estava limpa. Esta é uma manifestação de uma profunda patologia egoísta.

Pergunta: Suponha que num grupo existam pessoas que estão numa descida, dormem nas aulas, e não querem participar de eventos. Sua hora ainda não chegou; não é permitido tocá-las.

Mas há pessoas que são prejudiciais e elas começam a transmitir sua filosofia. Estas pessoas devem ser suspensas por um tempo, que pode até ser permanente. Esse é um estado de lepra que começa a roer a todos e que pode inclusive derrubar todo o grupo?

Resposta: Certamente, pois o leproso é uma pessoa muito forte, muito avançada, mas que descobre problemas como estes dentro de seu ego que deve de alguma forma conquistar por si mesmo, para não influenciar o grupo. Ele faz isso por si mesmo, já que está no nível de um sacerdote e pode se isolar, mas não pode curar.

Além disso, ele não se isola fisicamente. Pelo contrário, ele está trabalhando em si mesmo o tempo todo para não afetar o grupo. Isso é chamado de “expulsando-o do campo”, onde ele é alertado a não influenciar o grupo negativamente, e então ele gradualmente se cura da lepra.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 20/02/14

Uma União Feliz Com O Feriado Da Natureza

Dr. Michael LaitmanAs mudanças internas necessárias para uma pessoa se conectar com outras pessoas numa completa adesão com conexão, unidade e partilha mútua, que nos equilibre com a natureza, não é um processo simples. As fases de mudanças deste tipo estão conectadas a um ciclo que finalmente se fecha num ponto inicial.

Cabe a nós passarmos por todo este ciclo, para nos corrigir e transformar numa parte útil da natureza, não um tumor canceroso dentro dela que devora tudo ao seu redor e destrói o globo. A pessoa deve ser uma fonte de saúde e conforto para todo o bem e equilíbrio na natureza.

Cada ano esses estados retornam como numa espiral e se repetem em níveis mais elevados. Basicamente, um ano é o número de etapas pelas quais devemos passar no nosso contexto, a fim de alcançar a meta.

Este ciclo de etapas de correção foi descoberto por Abraão em tempos antigos. Ele ensinou seus alunos, que se tornaram a fonte da criação do povo judeu. Portanto, isso é expresso no ciclo anual dos feriados judaicos.

Nós devemos entender que os feriados judaicos não são a tradição de uma nação em particular ou de um único povo. Ao contrário, eles são símbolos de estados espirituais únicos nos quais alcançamos a doação mútua, o amor entre nós em níveis mais elevados e uma maior profundidade de integração nesta conexão em coração e mente.

Esta não é uma celebração de eventos históricos especiais que foram experimentados por algumas pessoas isoladas e irrelevantes para com o programa geral da natureza. Estes feriados refletem estados espirituais do povo como uma comunidade. Eles já estão latentes na natureza como níveis particulares de nossa equivalência com a natureza à medida que avançamos rumo a estados de equilíbrio e harmonia.

Se nos identificarmos como um povo e nos conectarmos em um grau ou outro ao alcançar um nível particular de unidade que está latente na natureza, desta forma nós celebramos especificamente esse evento. Quando nós subimos um pouco mais ao próximo nível de conexão com a natureza e equivalência de forma com ela, nós comemoramos novamente esta realização.

A pessoa não estabelece para si mesma os feriados de acordo com sua decisão; pelo contrário, ela comemora a realização da equivalência e adesão que já existe na natureza. Assim, esses feriados não podem ser mudados.

Em nosso estado atual, nós somos completamente opostos à natureza integral. Todas as partes da natureza estão totalmente ligadas num sistema unificado. Apenas a espécie humana encontra-se na destruição total e oposta à unidade natural.

No entanto, se a humanidade, ou pelo menos parte dela, começar a se transformar em se tornar semelhante à natureza, a se aproximar da unidade e totalidade, então vamos chegar a um grau particular de conexão. Em primeiro lugar, cabe a nós reconhecer que nos odiamos. Essa é a natureza com a qual nascemos.

Isso é chamado de “reconhecimento do mal”, a consciência de que nossa natureza oposta não nos permite alcançar harmonia e equilíbrio com ela. Para isso, nós precisamos de um exame interno, e devemos orar para Lehitpalel (incriminar – Lehaplil) a nós mesmos. Tal confissão antes de Rosh Hashanah é chamada de “mês de Elul“.

Neste momento, nós examinamos nosso verdadeiro estado em relação a esse bom e maravilhoso estado de conexão que devemos alcançar. Isto significa que nós descobrir o que é dito ser o estado corrigido, o comparamos com o nosso estado atual, vemos a imensa distância entre eles, e por isso oramos para Mitpalelim (julgar a nós mesmos).

Nós entendemos que criminosos nós somos e o que temos que fazer com nós mesmos, então começamos a organizar o trabalho para começar a avançar em direção à conexão. O poder que é encontrado na natureza e conecta todas as partes nós proclamamos como o poder dominante que nos controla! Este poder mantém todo o sistema e se torna o nosso objetivo. Nós ansiamos em nos assemelharmos a ele. Isso é chamado de Rosh Hashanah, o início (Rosh) de nossas mudanças (Shinuim) e o novo ciclo no final do qual queremos ser como o poder geral que permeia a natureza.

De KabTV “Uma Nova Vida” 14/09/14

A Percepção Da Realidade Dentro De Uma Luz Simples

Dr. Michael LaitmanA Luz superior está em repouso absoluto, e o Criador é bom e benevolente. Isso significa que nós estamos sempre na presença da Luz, o bem absoluto que nunca muda. Nós somos os únicos que mudamos.

É possível orar apenas para minha própria correção. Pedir ao Criador para mudar é absolutamente inútil, porque Ele é bom para todos, sem exceção, e não pode ser de outra forma.

A percepção correta da realidade é o entendimento de que não pode haver mudança na Luz e nem mesmo em nós, mas em mim sozinho. Porque a forma como eu sinto cada um no mundo e todas as mudanças que todo mundo sofre são determinadas apenas pela forma como eu mesmo mudo. Em vez de exigir que os outros mudem, através da cooperação mútua com eles, eu devo evocar uma mudança em mim, e o mundo inteiro será mudado.

As pessoas sábias há muito tempo entenderam com suas experiências que não faz sentido tentar mudar os outros. Ninguém vai mudar e tudo depende de mim. A sabedoria da Cabalá leva a pessoa a uma percepção muito fácil da realidade e explica que cada um deve corrigir somente a si mesmo e não os outros.

Mas, a fim de me convencer a mudar, eu preciso de um ambiente. Influenciando a sociedade, eu me influencio. Eu aparentemente quero melhorar o ambiente, mas, em última análise, o ambiente me influencia e me muda.

Eu jogo com o Criador e com o ambiente, mas isso é para me influenciar. Em última análise, eu me mudo desta forma, tornando-me semelhante ao Criador. Então, eu atinjo a verdadeira percepção da realidade e vou vê-lo como ele é visto a partir da Luz, do Criador.

O Criador nos deu essa oportunidade de mudar a nós mesmos gradualmente, para constantemente produzir mudanças dentro de nós mesmos para se tornar mais semelhantes a Ele, através do ambiente. Se eu percebo o mundo inteiro e todos os amigos como perfeitos e só a mim como precisando de correção, ao me acomodar a eles, eu vou estar no trabalho constante que me aproxima do nível do Criador.

Na verdade, não importa o que acontece no ambiente, quem está certo e quem está errado. Eu percebo tudo isso como um jogo do Criador comigo. Ele é aquele que organiza todo este teatro em torno de mim para me ajudar a me adaptar a Ele. Porque, se não há nenhum outro além Dele e Ele é o bom que faz o bem, qualquer outra imagem que não venha da única força boa testifica à minha corrupção interna que eu devo me corrigir.

Portanto, eu tenho que estar num processo de autoanálise o tempo todo, num diálogo interno com o Criador, examinando o que Ele está me dando para ver, ouvir, saborear, tocar, pensar e pensar. Que lembranças flutuam em mim, que pensamentos giram dentro de mim?

O Criador cria um mundo inteiro em torno de mim para que eu não esqueça, nem por um momento, que tudo isso é feito por Ele, e que estou realizando um diálogo incessante com Ele, que quero descobri-Lo, e entender! É como uma criança a quem é dito algo, mas ela não entende nada, e apenas olha de boca aberta. É assim que devemos tentar entender a cada momento o que o Criador quer nos dizer através de todo esse mundo que Ele nos mostra.

Basicamente, há apenas um pequeno desejo de receber prazer, que sente a si mesmo como se existisse num corpo físico com mãos e os pés, e em torno dele existem outras formas, outros órgãos, todo um mundo. Este imenso mundo está mudando o tempo todo, tudo gira dentro dele. Tudo isso só existe na minha percepção interior, no meu desejo de receber e é retratado dentro da minha imaginação, mas não existe na realidade.

Nós vivemos em um mundo imaginário como esse. Todas as suas imagens são moldadas dentro do nosso ego, de modo que vamos interpretá-las corretamente. Se aceitarmos a intenção de doar sobre o nosso desejo de receber, em vez de todas as formas deste mundo, vamos sentir a Luz Superior que preenche toda a realidade. Nós devemos chegar a tal forma final de percepção.

Todo o trabalho reside em corrigir nossa percepção interna, sermos liberados desta imaginação patológica em que existimos agora, deste mundo imaginário, e chegar à Luz superior simples. Através do trabalho com o ambiente, imaginando-nos como cada vez mais próximos da Luz Superior, ou seja da doação, “Ama ao próximo como a ti mesmo”, nós podemos mudar a nossa percepção, e em vez deste mundo, nós sentimos o Mundo Superior.

Essa percepção distorcida que retrata este mundo físico para nós vai desaparecer e em seu lugar vamos sentir o Criador, e ver que além Dele, não há nada. E nós existimos dentro Dele e tudo está imerso num oceano de Luz branca. Esta será a verdadeira percepção, e não a realidade imaginária em que vivemos hoje.

Da Convenção no Chile 30/07/14, Lição 2

Na Estrutura Do Pensamento Único

Dr. Michael LaitmanComentário: Se durante um workshop nós estamos tentando chegar a um estado comum, tentando entrar nele, desconectar, conectar, e, de repente, um retardatário se junta a nós, nós imediatamente sentimos um desequilíbrio.

Resposta: Não deve haver desequilíbrio! Nós precisamos imediatamente “engolir” o amigo que veio. Suponha que temos nove pessoas, e, de repente, há a décima, mas ela não é um distúrbio para nós, porque estamos trabalhando tanto nela com a nossa intenção, o nosso desejo, que ela imediatamente sente a estrutura que lhe damos e está incluída com a gente.

E se não, durante uma rodada, não importa o que ela disse ou onde foi, ela deve sentir a estrutura do grupo e ocupar o seu lugar.

Mas para não cairmos deste estado, nós precisamos nos dirigir especificamente a ela. Através de nosso desejo, nossos esforços, nosso exemplo constante, incluindo os esforços externos, nós precisamos fazer com que as outras pessoas sintam que elas existem numa estrutura ideológico especial onde não podem se permitir sequer falar de algo externo. Esta pressão total em cada um de nós precisa ser muito forte.

Da Lição Preparatória do Congresso em São Petersburgo 18/09/14

Entrando No Santo Dos Santos

Dr. Michael LaitmanMidrash Sefer “Após a Morte”: No primeiro dia do mês de Nisan, após a morte de Nadave e Aviu, o Senhor ordenou que Moisés avisasse os sacerdotes para não entrar no Santo dos Santos, mas apenas para realizar um serviço ou outro.

Mesmo Aarão, que era o grande sacerdote, não tinha permissão para entrar no Santo dos Santos com exceção do Yom Kippur e só para cumprir seu dever lá.

O Santo dos Santos é o vaso dentro de uma pessoa que é totalmente purificado do ego. Tal estado puro e corrigido só pode ser atingido uma vez por ano, e apenas quando a pessoa sobe para o nível do grande sacerdote.

Portanto, Aarão entrava no Santo dos Santos uma vez por ano e ninguém mais era autorizado a entrar, já que não havia ainda se purificado e não tinha alcançado o nível do grande sacerdote.

Se traduzirmos isso para a linguagem da Cabalá, apenas uma pessoa que tem desejos possam chegar ao nível do grande sacerdote pode entrar no Santo dos Santos.

A santidade é o atributo de doação que é feito de dois níveis, Hassadim e Hochma. Se você não quiser usar os seus desejos egoístas, isso se chama Santidade. Mas se você quiser usar até mesmo seus antigos desejos egoístas para doar, isso se chama o Santo dos Santos. Quando você atinge este nível, você se torna o grande sacerdote.

Tudo isso é revelado gradualmente ao longo do caminho espiritual. Quando eu comecei a estudar a sabedoria da Cabalá com o meu professor Rabash, eu escrevia cada palavra que ele dizia. Eu me aproximava de tudo como um cientista e via que ele considerava isso com desprezo: “Que diferença faz se eu lhe dissesse alguma coisa ou não?”.

Ele estava certo, porque se você segue o caminho espiritual, você descobre isso de qualquer maneira e vê, ouve e conhece. Afinal de contas, a propriedade básica dos níveis espirituais é que quando cada um deles é revelado, você começa a ver, ouvir e entender o que está acontecendo dentro dele.

Dois Bodes No Trabalho Espiritual

Dr. Michael LaitmanA Torá, Levítico, 16: 7-10: Depois pegará os dois bodes e os apresentará ao Senhor, à entrada da Tenda do Encontro. E Aarão lançará sortes sobre os dois bodes: uma para o Senhor e a outra para Azazel. Aarão trará o bode cuja sorte caiu para o Senhor e o sacrificará como oferta pelo pecado. Mas o bode sobre o qual caiu a sorte para Azazel será apresentado vivo ao Senhor para se fazer propiciação e será enviado a Azazel no deserto.

Pergunta: Qual é o significado dos dois bodes, “e Aarão lançará sortes sobre os dois bodes?”

Resposta: É o trabalho interno de uma pessoa para revelar os diferentes atributos nela, analisando e esclarecendo o que pode ser corrigido e o que não pode, para que ela tem energia suficiente e para que ele não tem. Em geral, no entanto, ela não tem poder algum, mas apenas a opção de pedir ajuda ao Criador.

Se uma pessoa simplesmente pensa: “Ok, eu vou pedir”, isso não funciona. Será que ela pode realmente pedir para se livrar de seus atributos? A fim de fazer isso, ela deve processar tudo dentro dela de uma forma profunda, séria, consciente e experimentar isso como algo pessoal.

Ela não pode dizer, “Eu quero corrigir isso e aquilo”, mas ela só pode pedir para que isso seja corrigido. Ao mesmo tempo, ela pode pedir para que esses atributos sejam corrigidos, atributos que são muito caros para ela e dos quais ela não quer se separar de forma alguma, como uma mãe de seu bebê, por exemplo. Você pode imaginar tal estado?

Quando uma pessoa entende que não pode se livrar disso por si mesma, ela pede ajuda ao Criador. Além disso, não é para seu próprio bem, mas para dedicar-se totalmente aos outros. Ela sacrifica seus atributos como seu filho pequeno. Este é um verdadeiro sacrifício de sua parte. Ao mesmo tempo, ela ascende a um nível muito elevado, quando pede ao Criador para fazer isso já que não pode fazê-lo por si mesma.

Estas coisas nos são reveladas durante um longo período de tempo. A pessoa passa por estados internos muito sérios ao pesar diferentes opções. Ela pergunta se está fazendo a coisa certa, como pode desistir de uma coisa ou outra, e assim por diante. Nós falamos sobre essas coisas como se elas fossem compreendidas, mas, na verdade, não é apenas difícil, mas muito difícil.

Por fim, uma divisão do atributo egoísta ocorre numa pessoa. Parte disso, ela pode dar ao Criador, mas a outra parte ela não pode dar. Estes são os dois bodes, um dos quais ela sacrifica e o outro ela aparentemente liberta.

É muito difícil explicar o significado de “e outra por Azazel”, para as forças de impureza, e assim por diante. Este é o limite que é definido em cada nível. Isso é necessário para se avançar, na medida em que ficamos indignados com o bode impuro e sacrificamos o bode puro.

Nosso movimento sempre é baseado em dois elementos: algo que me repugna e algo que me atrai. É muito mais difícil de ser repelido pelos desejos impuros, se recusar a aceitá-los, não trabalhar com eles, não apreciá-los, e não cumpri-los, em vez de sacrificar a outra metade.

Em primeiro lugar, eu devo determinar que desejo me ajuda a avançar e de que eu devo me separar, para “ser enviado a Azazel no deserto”.

Estes desejos são tão grandes que eu ainda não posso trabalhar com eles corretamente a fim de doar e sacrificá-los para o bem do Criador. Portanto, eu devo enviá-los para o deserto, o que significa me separar deles.

Eu devo esclarecer quais dos meus desejos são puros e corrigi-los para o atributo de amor e doação, o que significa sacrificá-los. Esta é uma ação muito difícil, mas este é o significado da revelação contínua de avançar que é revelado em mim como resultado do esclarecimento sério e difícil.

A pessoa não passa por esses estados em nosso mundo. Ela é empurrada para um canto e não sabe o que fazer. É somente nesses casos de estar sob pressão que ela pode chegar à revelação de seus atributos, seus desejos, e um esclarecimento sério e a divisão dos desejos.

Quando eles estiverem totalmente separados, será possível determinar qual deles é o bode para o sacrifício e qual é o bode para Azazel para ser enviado ao deserto, para não ser mais usado.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 06/03/14

A Preparação Determina Tudo

laitman_259_01Pergunta: Para que estado a preparação para a Convenção de São Petersburgo deve levar o grupo mundial?

Resposta: Antes da Convenção, todo o grupo mundial deve estar num estado de excitação e emoção, onde temor, felicidade, elevação, expectativa e desespero coexistam.

Isto não deve ser algo externo, mas interno. Cada um deve experimentar esses estados dentro de si mesmo.

Nossos amigos em todo o mundo devem se preparar de tal forma que se tornem mais suaves, mais flexíveis. Assim como trabalhamos na massa, amassando-a, nós devemos também trabalhar nesta massa.

Além disso, queremos nos colocar sob a influência do Criador, para que ele faça de nós algo que possa ser digerido. Essa é nossa missão. Nós queremos nos tornar participantes ativos nesta atividade, e não espectadores.

Como se diz na sabedoria da Cabalá, tudo depende da preparação.

Do Webinar de Preparação para a Convenção, 04/09/14

O Voo Da Alma

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós sabemos que uma ação espiritual é realizada pela intenção. Como devemos abordar corretamente o desempenho da música dos mundos superiores, a fim de atingir a meta no menor tempo possível, para que, juntamente com isso, continuemos a avançar espiritualmente?

Resposta: Eu acho que o principal é a orientação constante da providência superior com alegria.

Cerca de 20 anos atrás, eu conduzi um experimento numa casa de repouso, e dei as músicas de “Qual é o segredo da vida” para os moradores de lá. Então, realizei uma pesquisa. Pessoas com mais de 65 anos me disseram que choraram quando ouviram a música.

Eu as compreendo. Em primeiro lugar, o idoso que ouve esta música imediatamente investiga suas memórias e a vida que viveu, mas estas experiências são basicamente diferentes do que esse tipo de música deve transmitir.

Trata-se de alegria, da Luz Superior, um estado muito claro. É um sentimento de admiração, inspiração, uma subida e voo da alma! Ela nada na Luz branca, e tal estado tão glorioso é incorporado em nosso mundo quando uma noiva está vestida com um vestido branco.

Portanto, a principal coisa é, pelo menos, entender e sentir o máximo possível o que a música é, concentrando-se na alegria e tentando se parecer com a pessoa que a escreveu. É porque ela escreveu de sua realização dos mundos superiores, o estado superior, e a força superior. Lá, a pessoa descobre apenas a alegria da eterna realização, plenitude e harmonia que emociona e preenche tudo!

Nós devemos tentar nos separar do nosso ego, do que ele faz conosco em nosso mundo, de sua distorção, e ao subir sobre o ego, devemos tentar viver numa dimensão totalmente diferente de amor, doação e boa conexão mútua. Assim, as melodias dos mundos espirituais seriam sentidas de uma forma totalmente diferente.

Esta é uma pequena revelação para cada aluno. Eu acho que se ele constantemente se lembrar disso, ele será capaz de começar a sentir o mundo espiritual sem estudar nada mais de todo o enorme método de alcançar os mundos espirituais de que o Baal HaSulam escreveu. Não há necessidade de palavras! Se uma pessoa se abrir para esses sons e as suas fontes internas, ela vai começar a entender tudo.

De KabTV “Conversas com Michael Laitman” 09/02/14