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Mente E Sentimento: Uma Mudança De Paradigma

205Além de obter a medida completa do desejo de receber, dando a si mesmo todo o material necessário para o seu trabalho, este é o grau que leva a pessoa a Lishma [em prol Dela]. É como disseram nossos sábios (Pesachim 50b): “A pessoa deve sempre se dedicar à Torá e às Mitzvot Lo Lishma [não em prol Dela], pois de Lo Lishma, chega-se a Lishma”.

Ela deve tomar todas as medidas adequadas para chegar a Lishma, pois se a pessoa não se esforçar para isso e não alcançar Lishma, cairá na armadilha da serva impura (Baal HaSulam, Introdução ao Livro do Zohar).

Se uma pessoa deseja passar de seu estado atual (1) para o próximo estado (2), ela deve compreender o que está buscando. No primeiro estado, ela deve ser capaz de sentir o segundo estado e desejá-lo acima de todos os outros estados possíveis que possam se apresentar. Se ela realmente deseja o segundo estado mais do que qualquer outra coisa, ela evoca uma força chamada luz que reforma, a qual a transfere do primeiro para o segundo estado.

Essa transição não significa que a plenitude dentro de mim mude: “Antes, eu sabia uma coisa, e agora sei outra. Antes, eu sentia de uma maneira, e agora sinto de outra”. Não. A ação da luz produz um resultado diferente: antes, eu pensava de acordo com um sistema, e agora meu sistema de pensamento mudou. Antes, eu sentia de acordo com um sistema, e agora meu sistema de sentimento mudou. Através da luz que reforma, não é o conteúdo da mente e do sentimento que muda, mas a própria mente e o próprio sentimento. É assim que eu passo para o próximo estado.

Portanto, já no primeiro estágio, a pessoa não deseja realmente mudar a sensação de plenitude. Isso não é o que importa. O que importa é que o sentimento e a mente em si mudem. Ela quer que se tornem doadoras em vez de receptoras.

Pergunta: Como se pode imaginar esse novo padrão?

Resposta: Isso se conquista com esforço e reflexão. O tempo também desempenha um papel importante. Mas, se você não quer que o processo demore muito, acelere-o!

Existem dois estados: o primeiro estado atual e o segundo estado seguinte. Em cada estado, tenho tanto sentimento quanto mente. Em ambos os estados há plenitude, mas no primeiro estado a plenitude é ruim, enquanto no segundo é boa. Elevo-me acima de ambos e peço um novo vaso, um novo sentimento e uma nova mente. Não peço uma plenitude diferente, mas um coração e um cérebro diferentes.

É assim que avançamos pela fé acima da razão, da separação à adesão. O que me importa não é se a realização dentro do vaso é boa ou má, mas o que faço acima dele, elevando Ohr Hozer (luz refletida).

Pergunta: Qual a diferença entre pedir por satisfação e pedir por um novo sentimento e uma nova mentalidade?

Resposta: A intenção. Eu mudo minhas intenções.

Pergunta: Mas, por natureza, o desejo busca a sua satisfação. Como ele pode se transformar em um pedido diferente?

Resposta: Através da Ohr Makif (luz circundante), que retorna à fonte. Através da Torá.

Pergunta: Eu sei o que estou buscando, ou simplesmente quero algo novo?

Resposta: Eu sei. Afinal, estou trabalhando com o meu desejo. Devo ao menos ter alguma noção do que é doar algo.

Pergunta: Qual é o processo real de transição do primeiro para o segundo estado?

Resposta: Uma mudança de atitude, de si mesmo para o Criador.

Pergunta: O que exatamente acontece com minha mente e meus sentimentos durante essa transição?

Resposta: Tudo depende do que é mais importante para mim. A mente e o sentimento são parte de mim. A luz age sobre mim e altera minhas prioridades.

Não consigo me transformar sozinho, pois só me conhecerei verdadeiramente ao final do processo de transformação. Por ora, tenho apenas uma vaga familiaridade com o “animal” em que vivo, mas não com meu verdadeiro eu. Preciso sair desse “animal”, separar-me dele para que ele fique ao meu lado, e só então começar a trabalhar em mim mesmo. Só então começarei a saber quem realmente sou.

Pergunta: De acordo com o que Baal HaSulam escreve aqui, isso significa que nem todos alcançarão a intenção de Lishma?

Resposta: Qualquer pessoa que tenha uma atração genuína pela sabedoria da Cabalá já deseja, pelo menos interiormente, mudar a si mesma. Ela pode ainda não perceber ou entender isso, mas já está preparada para tal. Essa pessoa possui uma necessidade interna e não está disposta a permanecer como está. Ela busca uma verdadeira transformação.

Da Lição Diária de Cabalá de 21/03/13, Baal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar

Uma Régua Para Medir A Espiritualidade

613Nosso trabalho é transcender a avaliação segundo o princípio do “doce-amargo” e adotar a avaliação segundo o princípio do “verdadeiro-falso”. Afinal, o Criador é chamado de Verdade.

A palavra “verdade” (Emet) é composta pelas letras “Alef-Mem-Tav”. “Alef” e “Tav” (a primeira e a última letras do alfabeto) representam os desejos nos dois polos extremos.

E “Mem”, no meio, é a qualidade de Bina, pela qual se pode conectar esses polos e chegar à correção, ou seja, à verdade.

Determinar onde reside a verdade e onde reside a falsidade só é possível em relação a um grupo de Cabalistas, o ambiente. Por mim mesmo, dentro de mim, careço das condições necessárias para isso; possuo apenas um parâmetro: meu ego. Para medir, preciso absolutamente de mais um parâmetro externo a mim.

Após longo estudo e muitos esclarecimentos em grupo, um Cabalista iniciante começa a se sentir inserido no sistema geral (global) dos desejos, entre outros “pontos no coração”. Em relação a esse ambiente específico, tenho a oportunidade de adquirir novos conceitos sensoriais: aproximar-me dele e distanciar-me dele, sentir seu sistema global, minha inclusão nele, a necessidade de seu apoio, a percepção dele como o lugar no qual revelarei a mim mesmo o mundo superior e o Criador.

Entretanto, dentro de mim, uma interação de duas forças — eu mesmo e o ambiente — toma forma. O ambiente ganha peso e age como uma força contrária ao meu “eu”, ao meu ego. Outra autoridade emerge, uma externa a mim, que começarei a levar em consideração e a enxergar como uma fonte de salvação, uma alavanca que pode me tirar do meu estado atual, deste mundo.

Eu mensuro a dinâmica “eu-ambiente” e, como resultado das minhas medições, obtenho medidas quantitativas e qualitativas para mensurar relações e forças espirituais. Construo uma régua de medição: em uma extremidade estou eu e na outra, o grupo. Com essa régua, já consigo pesquisar, mensurar e descrever o mundo superior.

A partir das relações “eu – grupo”, forma-se em mim uma célula espiritual com a qual posso medir toda a realidade acima de mim. Desta forma, construo uma alma dentro de mim.

Da Lição Diária de Cabalá de 15/11/19, Baal HaSulam, Cartas 41 e 42

Agindo De Acordo Com As Regras Do Grupo

938.03Se você perceber que algo no grupo não está alinhado com o objetivo, ou não leva à união com o Criador, analise cuidadosamente a situação ponto por ponto, busque citações, converse com seus colegas e leve o assunto ao grupo. Se o grupo perceber que isso pode levar a uma melhoria, aceitará a sugestão.

Devemos mostrar a todos, de forma clara e lógica, o que precisa ser melhorado e porquê, e sempre relacionar isso à necessidade de alcançar a adesão ao Criador, mas de uma forma simples e prática.

O que significa prático? Rabash escreve que as abstrações podem destruir o mundo inteiro. Abstração é uma forma não revestida de matéria. Não se pode dizer: “Você deve ser altruísta; quem não for altruísta deve ser expulso do grupo! Não há lugar aqui para o maior egoísta!”

Devemos seguir o caminho da forma revestida de matéria e agir somente de acordo com uma realidade que pode ser percebida e incorporada, e que define tudo para nós.

Está escrito que, assim como um burro anda de olhos vendados, você também deve fechar os olhos e andar. Como você pode fechar os olhos e ir? Só se o grupo puxar você. É claro que você não pode andar assim sozinho. Você ainda não sabe quais forças espirituais influenciam uma pessoa.

Eu sei disso por experiência própria. Houve momentos em que eu ficava sentado em casa e o Rabash ligava gritando: “Venha aqui!” Mas eu ficava sentado, soluçando ao telefone: “Não posso ir! Sinto uma força me impedindo”.

Portanto, devemos determinar antecipadamente como proceder. Uma pessoa não entra em um grupo sob a condição de aceitar algumas das leis do grupo, mas não outras, e assinar sob essa condição. Ela entra no grupo e assina tudo; entre os pontos há um que a autoriza a agir de acordo com as regras do grupo no que diz respeito à modificação de quaisquer pontos.

Da Lição Diária de Cabalá 01/06/26, Rabash, “Estas São as Gerações de Noé”

Uma Conta Pessoal Com O Criador

231.04As regras do grupo mudam conforme o progresso do grupo. Se um grupo estabelece leis e regras artificiais para si mesmo, então ou atrasa o seu desenvolvimento por algum tempo, ou mais cedo ou mais tarde descobre que não consegue cumpri-las. A regra pode até permanecer escrita em algum lugar, mas quem realmente a segue?

Suponhamos que definimos algo, escrevemos e tudo parece maravilhoso, mas ninguém realmente precisa disso. Costumo dizer que examinar nossas leis internas é o mais importante, porque através disso a pessoa examina a si mesma. Ela deve se relacionar com as regras do grupo como se fossem suas próprias regras internas, estar em harmonia com elas e progredir junto com elas.

Isso não determina meu relacionamento com os membros do grupo; em vez disso, determina o relacionamento entre todas as minhas forças internas, sentimentos e desejos. Portanto, antes de tudo, devo vê-lo como um modelo de como quero me ver internamente. Não estamos falando dos meus relacionamentos com os amigos; naturalmente, nos adaptamos uns aos outros de qualquer forma. A carta deve ser, antes de tudo, interna. Não deve haver diferença entre a carta externa e a interna.

Em nosso mundo, depois que um país estabelece suas leis, ele também estabelece penalidades para quem as viola. Qual é o propósito dessas penalidades? Obrigar a pessoa a obedecer às leis.

No nosso caso, trata-se do que acontece a uma pessoa se ela não cumprir algo em sua conta pessoal com o Criador. Não podemos nem imaginar até que ponto as regras que estabelecemos dentro do grupo são aceitas “lá em cima”.

Baal HaSulam escreve sobre isso em “A Entrega da Torá”: o governo estabelecido pelo povo e o governo do Criador correspondem-se naturalmente. O que um grande grupo de pessoas determina torna-se, em certo sentido, uma lei do governo superior para elas.

Não leve isso tão ao pé da letra, falaremos mais sobre isso adiante. Quero apenas dizer que, ao tentar cumprir algumas de suas regras, mesmo que pareçam tolas ou insignificantes, vocês esclarecerão a carta mais rapidamente. Descobrirão o que é relevante para nós e o que não é, o que é mais importante e o que é menos importante.

Em última análise, seja trabalhando com a carta interna ou externa, seu objetivo é analisá-la e, assim, progredir. Como uma pessoa progride? Ela examina o grau em que se encontra: se é bom ou ruim, útil ou prejudicial, se é para seu próprio benefício ou para o benefício de alguém. Por meio desse exame, ela adquire uma compreensão mais clara de seu estado e da direção em que deve seguir.

Da Lição Diária de Cabalá 01/06/26, Rabash, “Estas São as Gerações de Noé”

Como Avaliar Corretamente Um Amigo?

938.03Uma pessoa deve usar todas as forças que existem dentro de si, especialmente o medo, para atingir o estado desejado. Não possuímos uma única inclinação, nem mesmo a pior, que não tenha sido criada com o propósito de alcançar esse objetivo, nem mesmo aquelas tendências que nos envergonhamos de admitir. As inclinações podem ser mal utilizadas, mas nada foi criado sem um propósito.

Tendemos a pensar que o problema reside no Criador, que aparentemente criou tudo de forma tão imperfeita: os doentes mentais, os autistas, os homossexuais, as pessoas com uma infinidade de problemas, para não mencionar as doenças comuns. Pensamos que existe algum tipo de “distorção” aqui.

Não se trata de uma distorção, mas de uma forma de governança que opera com imensa sabedoria e abrangência. Só mais tarde ficará claro por que a correção está especificamente contida no fato de você estar resfriado ou de alguém ter nascido com transtornos psicológicos.

Não se deve olhar para uma pessoa e avaliar se ela “combina conosco” ou não. Em vez disso, deve-se avaliar apenas o grau de sua disposição em estar conosco.

O grupo não deve se comportar como uma mãe excessivamente indulgente que tem pena do filho em demasia e, com isso, o prejudica. No fim, a criança só sofre mais. O grupo deve utilizar os meios de influência à sua disposição.

Você não deve tratar todos os amigos como se fossem iguais em todos os aspectos. Maior apreço e respeito devem ser demonstrados àqueles que se dedicam integralmente ao grupo. Quanto àquele que não se esforça para se dedicar, por um lado, deve ser ajudado, mas, por outro, deve-se fazê-lo entender que não há necessidade de laços estreitos nessas condições.

Não se deve abandoná-lo, mas também não se deve ser excessivamente afetuoso ou sentimental com ele. Pelo contrário, deve-se demonstrar que ele é visto como alguém distante.

O grupo deve utilizar todas as forças disponíveis. A exclusão do grupo é a influência mais forte de todas. Use a vergonha e a inveja; elas estão entre os meios de influência mais eficazes. Você verá como um amigo começa a sentir o que o grupo realmente é e o que ele tem a perder. Use esses meios, mas com cuidado.

Da Lição Diária de Cabalá 01/06/26, Rabash, “Estas São as Gerações de Noé”

O Ambiente É Uma Força Espiritual

938.07Pergunta: O que significa escolher o melhor ambiente quando a pessoa já alcançou um nível de realização espiritual?

Resposta: O ambiente não são as pessoas ao seu redor, mas sim uma expressão abstrata da atitude dos seus amigos em relação ao Criador. O ambiente não se senta à mesa como você; ele não está em nenhum lugar específico.

É a soma de suas intenções, aspirações, inclinações, expectativas e todos os seus esforços em direção ao objetivo. É do seu interesse que esses elementos sejam os mais amplos e fortes possíveis, para que você tenha a conexão mais sólida possível com essas intenções.

É uma força espiritual tanto agora quanto depois de você ter superado o Machsom. Acontece que agora ela está relativamente oculta para você. Você a imagina de alguma forma, e a cada vez surgem dúvidas diferentes e novas definições; às vezes você sabe o que é um grupo e como está conectado a ele, e outras vezes não. Depois do Machsom, ele assume uma forma mais distinta, consciente e clara. Contudo, o trabalho permanece o mesmo.

Portanto, mesmo agora, devemos imaginar com a maior precisão possível a sensação do ambiente. Não se trata de um, dois, três, vinte, cinquenta ou cem amigos com quem estudo, cujos nomes são fulano ou sicrano, que têm esta ou aquela aparência.

O ambiente é o que sustenta todas essas pessoas, uma espécie de força espiritual: uma aspiração, um anseio pelo Criador e uma persistência com que os amigos se agarram com unhas e dentes para não perderem um só instante em sua caminhada rumo ao objetivo. Se eles também desejam unir essas forças para o benefício de todos, isso se chama grupo.

Trata-se do espírito: que cada pessoa apoie a outra e que todos bebamos diretamente dessa fonte comum do espírito. Caso contrário, poderíamos ser bilhões, como os chineses, mas… O principal é o espírito dentro do grupo. É com isso que devemos nos preocupar e avaliar cada um de acordo com sua contribuição específica para isso.

Da Lição Diária de Cabalá 22/05/26, Rabash, Carta 59, 1962

Escolha O Melhor Ambiente

938.01Pergunta: De que forma o ambiente proporciona a uma pessoa uma aspiração em relação ao objetivo, em relação à qualidade de doação?

Resposta: O ambiente proporciona à pessoa tais deficiências (Hisronot) sem qualquer palavra, porque é exatamente isso que ele faz. Uma pessoa está conectada ao ambiente e, se este for adequado, ela certamente receberá dele uma sensação de preocupação, um sentimento de que perdeu a coisa mais importante.

Afinal, o desaparecimento da luz ainda não lhe traz um Hisaron. Ela deve sentir que perdeu a equivalência de forma com o ambiente.

Se o Criador desaparece, se a luz desaparece, então, em relação ao grupo, a pessoa deve sentir um Hisaron. O grupo serve como substituto do Criador para compensar a Sua ocultação.

Escolher o melhor ambiente significa que a pessoa deve se preocupar constantemente em garantir que seu grupo tenha a direção mais forte, correta e consistente em direção ao objetivo, e também que ela própria mantenha a maior conexão possível com o grupo.

Então, pode-se ter certeza de que, mesmo que a luz se afaste dela — e a luz deve desaparecer para revelar um novo Hisaron, um novo Reshimo, o inverso de um novo grau —, seu apoio, o grupo, a ajudará imediatamente a tomar consciência de seu estado.
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Da Lição Diária de Cabalá 22/05/26, Rabash, Carta 59

A Força Oculta Do Grupo

938.04Pergunta: Existe alguma diferença entre o conceito geral de fé e a fé acima da razão?

Resposta: É muito difícil explicar o conceito de “acima da razão” antes do Machsom. Mas, durante o período de preparação, pode ser explicado da seguinte forma: uma pessoa não está meramente presente no grupo, ela deve se esforçar, se anular perante os amigos e aceitar o que existe no grupo acima da razão.

Isso significa que ela quer estar sob a influência dos amigos. Em outras palavras, ela começa a se convencer de que o que ouve deles é correto. Isso é verdadeiramente uma “lavagem cerebral”. Rabash escreve que o hábito se torna algo natural.

Vou dizer de outra forma. Estamos em um grupo no qual há algo revelado e algo oculto. As forças ocultas, desconhecidas para nós, são quem realmente somos; essa já é uma força espiritual. E a força que nos é revelada é o que percebemos como ainda somos imperfeitos.

Para uma pessoa que está em um grupo e se coloca em uma posição de inferioridade em relação a ele, não importa o nível espiritual de seus amigos. Ao se convencer de ser “pequena”, ela recebe a influência da força oculta presente no grupo. O grupo como um todo pode não estar em um alto nível de espiritualidade, mas, por meio dele, ela recebe forças de sua raiz espiritual que eles próprios ainda não receberam.

Acontece que um grupo pode ser composto por vinte pessoas, nenhuma das quais é particularmente especial. Mas, de repente, uma delas decide que quer estar 100% sob a influência do grupo. Então, ela é influenciada pela força espiritual interna do grupo, e até mesmo por coisas cuja existência os outros nem sequer suspeitam, nem sabem de onde vêm.

Em outras palavras, não pense que, se alguém se rebaixar perante o grupo, receberá o mesmo que todos os outros, ou será corrigido na mesma medida que todos os outros. Não, será muito mais do que isso.

Ele pode alcançar a espiritualidade usando a força do grupo, mesmo que todo o grupo ainda esteja na corporeidade. Uma coisa, em essência, não está conectada à outra, visto que o que lhes é devido provém do trabalho pessoal deles, enquanto o que lhe é devido provém de seu trabalho pessoal. Portanto, digamos que, para o meu avanço pessoal, não importa o que está acontecendo com você. Como diz o ditado: “Aprendi com todos os meus alunos”. Os alunos podem ser pequenos, mas por meio deles é possível obter imensa sabedoria.

Da Lição Diária de Cabalá 09/06/2026, Rabash, “O Homem é Recompensado com Retidão e Paz através da Torá”

O Poder Da Fé A Partir Do Grupo

938.02Pergunta: O que é fé no trabalho espiritual durante o período de preparação?

Resposta: Não estamos falando de pessoas comuns, das massas. A sociedade da qual posso receber influência é o nosso grupo.

O que é a fé antes do Machsom para nós? Rabash escreve em seus artigos que, antes do Machsom, existe fé nos livros e naqueles que os escreveram, os sábios. Essas coisas chegam a uma pessoa somente por meio de um grupo. Ou seja, a “lavagem cerebral” do grupo cria em mim um conhecimento que eu não conquisto de fato, mas, como uma força externa me controla, ela o apresenta como um fato.

Vemos isso nas massas, lá fora, e também devemos aproveitar isso aqui dentro. Ou seja, se decidirmos falar de Baal HaSulam, Rabash, ARI e Rashbi como pessoas que são nossos mestres, nos guiando adiante, e o que eles disseram é sagrado para nós e está acima de tudo, o grupo deve me influenciar com isso, para que o poder que eu receba disso seja chamado de fé.

Eu mesmo ainda não alcancei isso com meus cinco sentidos de forma que se torne um fato para mim. Não cheguei ao fim do processo de correção, ao ponto de poder afirmar que tudo é para o bem e que o Criador só faz o bem. Tudo isso não passa de palavras para mim.

Mas, como pertenço a um grupo, recebo essa informação deles de uma forma que transforma palavras em fatos para mim. O poder que transforma isso em fatos se chama fé. Assim, em vez de conhecimento, em vez de conquista, eu uso o poder da fé.

Digamos que eu tenha uma xícara de chá à minha frente e esteja disposto a pagar dez shekels por ela. Da mesma forma, pelo poder da fé, posso estar disposto a pagar dez shekels por algo que não vejo nem conheço. Por exemplo, me oferecem um copo de cerveja, mas eu não sei nada sobre cerveja; dizem-me que é muito boa, e eu acredito neles, então pagarei dez shekels por ela.

Acredito tanto nisso que daria um milhão, daria minha vida inteira para alcançar esse objetivo. Tudo depende da força da fé que recebo do grupo. Ou seja, a fé substitui o conhecimento.

Quando estou abaixo do Machsom, não tenho outra força para alcançar o objetivo. Embora eu não sinta esse objetivo, não o veja nem o ouça, somente o poder da fé que recebo de meus amigos pode me ajudar. Nada mais pode servir como força motriz para mim.

Da Lição Diária de Cabalá 09/06/26, Rabash, “O Homem é Recompensado com Retidão e Paz através da Torá”

O Mais Importante É Aderir Ao Criador

293.2Cada um de nós pertence a um grupo regido por diversas leis e acordos. A quais deles sou obrigado a me anular e quais devo analisar criticamente, possivelmente rejeitar, ou exigir que sejam alterados? Afinal, se eu não me relacionar com eles dessa maneira, o grupo não poderá me influenciar.

Se eu entrar em um grupo sem oferecer resistência, não sentirei nenhum impacto. A influência só é sentida quando uma força surge e transforma algo. Qualquer bom produto é gerado como resultado da ação de uma força sobre outra. Quanto maiores forem essas forças e mais forte for a oposição entre elas, maior será o benefício e o resultado. Então, como devo me relacionar com o grupo agora?

Em primeiro lugar, é fundamental o envolvimento pleno, tanto da mente quanto do coração. A abordagem aqui é clara e precisa: em hipótese alguma posso alterar algo que tenha sido aceito pelo grupo sem o consentimento dos demais. Sou obrigado a participar de tudo o que o grupo exige de mim. Mesmo que eu seja “emocionalmente incapaz” de fazê-lo e não concorde com algo, devo participar junto com todos os outros; caso contrário, não se pode chamar isso de participação no grupo.

Ao mesmo tempo, tenho a obrigação de analisar criticamente a situação, formular minhas propostas, apresentá-las a todo o grupo e tentar convencer a todos de que estou certo. Essa abordagem também é comum na sociedade em geral: no Knesset ou em qualquer parlamento, as leis são, em geral, autoevidentes. Não há necessidade de agir “acima da razão”.

Só existe uma coisa que deve ser feita acima da razão: a intenção de se alinhar com a força superior. Disso não se pode desviar. A adesão ao Criador é o princípio primordial. Qualquer outra coisa, antes de ser acrescentada, deve ser examinada quanto à sua conformidade com este princípio fundamental e, com base nos resultados, deve-se decidir se é benéfica para nós ou não.

Da Lição Diária de Cabalá 01/06/26, Rabash, “Estas São as Gerações de Noé”