Textos na Categoria 'Sociedade'

Diferentes, Mas Iguais

laitman_423_01Pergunta: Todas as pessoas são diferentes por natureza. Uma é sábia e ágil, enquanto outra é preguiçosa e tola. De acordo com o grau de maturidade de uma pessoa, estas características são expressas mais e mais, e, como resultado, a pessoa tem realizações materiais mais elevadas, enquanto que outra não tem dinheiro para comer. A própria natureza criou diferenças como estas numa sociedade. Isso é dado.

Como a sociedade deve se relacionar com o fraco se ela afirma ser socialmente “progressista”? Afinal, os fracos não recebem qualquer pagamento na natureza. A sociedade precisa apoiá-los e assegurar-lhes as necessidades mínimas para a existência?

Resposta: Sim, e, em geral, cabe a nós começar a se relacionar com pessoas totalmente diferentes. Elas devem ser integradas num sistema único de educação que melhora as atitudes sociais de modo a começar a se preocupar com a sociedade em geral, sua florescente e saudável unidade social, a conexão inclusiva entre todos, e a responsabilidade mútua.

Cabe à liderança nacional tomar para si a organização de um sistema como este. A aprendizagem não será limitada pelo tempo. Afinal, o ego desperta mais e mais dentro da pessoa, e deve ser constantemente equilibrado pela educação adequada.

Portanto, se a pessoa estuda regularmente, ela melhora e se encontra numa sociedade que a pressiona e exige sua participação consciente e útil, direcionada a um objetivo na vida social. Portanto, cada pessoa deve ser receber um padrão de vida mínimo que seja suficiente para existir.

Pergunta: O que é esse mínimo? Como seria a minha vida se eu recebesse uma bolsa como essa?

Resposta: Eu recebo apoio suficiente para manter a minha família, para criar e educar meus filhos até eles amadurecerem. De um modo geral, eu vivo com a dignidade da merecida segurança social. Ela vem a mim, porque eu sou parte da sociedade e me preocupo com isso e seu desenvolvimento.

Pode ser que alguém com deficiência seja apenas capaz de se sentar num depósito e trazer ferramentas de lá ou de realizar outros trabalhos simples. A sociedade o coloca num lugar onde ele seja capaz de ser útil. Além disso, ele é educado e educa seus filhos também.

Por tudo isso, a pessoa recebe um “salário mínimo”, mas isso é o suficiente para manter a existência de sua família com respeito e cuidado com todas as suas necessidades.

Agora, suponha que ela tenha um vizinho de sucesso, bem estabelecido e profissional. Ele é muito útil para a sociedade, desenvolve novos dispositivos e tecnologias, ou é um líder no comércio de grande escala. Ele consegue tudo o que precisa para o seu trabalho. Será que ele ainda precisa de algo diferente para sua casa e família que seu vizinho humilde?

Pergunta: A humanidade nunca construiu um sistema social como este. Afinal de contas, de acordo com a nossa natureza, nós queremos sempre mais do que aquilo que temos.

Resposta: É exatamente isso que alcançamos com a educação, que vai ser maciça, permanente, sob pressão, colocando tudo no lugar.

Graças a isso, nós alcançamos a igualdade geral. Esta não seria uma igualdade forçada que já se esgotou no século passado. Pelo contrário, é tal igualdade, onde cada um tem tudo o que precisa para existir em dignidade e para proporcionar uma vida boa, florescente e organizada para seus filhos.

Além disso, em relação ao resto dos impulsos egoístas – inveja, luxúria, honra, e assim por diante – a pessoa vai realizá-los também, mas para o bem da sociedade. O ambiente em si, a atmosfera social encorajadora, vai obrigá-la a agir dessa forma. Ela simplesmente vai ter vergonha de se destacar com suas exigências excessivas, através das quais é como se ela estivesse roubando abertamente dos outros.

Eu repito, numa sociedade como esta, cada um vai se preocupar em viver com dignidade, garantindo o desenvolvimento pessoal e profissional de seus filhos, mas apreciando a si mesmo não de acordo com a sua riqueza, não de acordo com sua fama ou superioridade sobre os outros, mas de acordo com seu investimento na sociedade. Além disso, em geral, a sociedade preserva um padrão uniforme de vida.

De kabTV “Uma Nova Vida” 23/12/14

O Direito De Escolher, Parte 4

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em cada pessoa um imenso ego tem crescido de modo que ela se sente um rei. Como será se ela corrige o seu ego e o ódio para com os outros em amor?

Resposta: Em primeiro lugar, nós esclarecemos que todos nós dependemos uns dos outros, como órgãos de um único corpo. Portanto, não temos escolha; nós devemos nos conectar de forma mútua e correta para que todos trabalhem para o bem de todos. O sistema que é construído por nós deve ser integral, fechado e pleno.

Na mesma medida em que nos aproximamos de relacionamentos como estes, ao nos completarmos mutuamente, nessa medida nós começamos a sentir o poder que está agindo dentro de nós. Entre nós, e dentro de nossa conexão, a força integral que chamamos de “superior” é revelada.

Nós começamos a descobrir isso um pouco, mesmo nos workshops regulares e durante as discussões nos círculos que nós organizamos em diferentes lugares, inclusive nas ruas. É assim que demonstramos às pessoas como, com a conexão correta, até mesmo uma conexão espontânea como essa que dura apenas uma hora, é possível sentir uma espécie de força, um humor único, uma sensação incomum. Algo mudou, e até mesmo o mundo parece diferente.

Pergunta: O que é essa coisa única que a força integral traz para nossas vidas?

Resposta: Esta força integral nos obriga a mudar nossas vidas para sermos semelhantes a ela. Todo mundo se torna consolidado, conectado, e cada um sente todos os outros.

Pergunta: Onde desaparecerá esse ego tão poderoso que obriga cada um a sentir que é como um rei?

Resposta: O ego permanecerá, uma vez que nos conectamos acima deste ego! Como se diz em Provérbios 10:12: O amor cobre todas as transgressões. Cada um vai sentir que é um rei, e, especificamente, com o seu poder real, vai querer fazer todos felizes. Ele vai querer ser um bom rei. Por que você acha que ele vai ser um déspota do mal?

Pergunta: Mas se cada um sente que é um rei, como todos estes reis vão se dar bem juntos?

Resposta: Num sistema integral, cada indivíduo é tão importante quanto todos os outros. Isso porque, se ele não executa o seu papel, todo o sistema vai quebrar.

Pergunta: E quem obriga cada indivíduo a executar o seu papel?

Resposta: O sistema mantém e suporta uma pessoa e a obriga a agir, e por isso ela dá tudo para fazer isso. Este apoio mútuo é chamado de um pacto, o poder de Arvut (garantia mútua), que deve existir entre todos.

Pergunta: Existe uma chance de que Israel se torne estável?

Resposta: Nós vamos estar prontos para fazer isso, pois nenhuma outra escolha permanecerá. Mas a questão é, será que chegamos a este através do caminho do sofrimento ou graças a um entendimento e conscientização, através do qual é possível avançar por um caminho curto e agradável?

De KabTV “Uma Nova Vida” 09/12/14

Construção De Uma Nação Modelo

Dr. Michael LaitmanNós só podemos resolver os nossos problemas no nível social através das relações entre nós. A humanidade é um sistema geral, um corpo geral, que deve ser gerido de forma adequada para que se sinta bem em qualquer momento de sua existência.

Que forma deve assumir a humanidade na medida em que se desenvolve? É claramente avançando em direção a certo estado, certa forma, a um objetivo. Nós estamos mudando e o mundo ao nosso redor também está mudando, e nós nos desenvolvemos para melhor ou para pior.

A questão é o que a natureza exige de nós? Estudando as leis da natureza nas últimas décadas, nós começamos a perceber que a natureza é um sistema integral completo onde cada componente está conectado a todas as outras partes, assim como no corpo humano.

Portanto, todas as partes devem combinar mutuamente e não se opor. Mesmo que não pareça assim, é só porque não sabemos como elas se integram.

A natureza proveu a humanidade com ótimas condições, com exceção da conexão entre as pessoas. Estas devem ser as conexões de uma nova qualidade, para que não avancemos por golpes, pelo ego, ódio, falsidade, guerras, e dominando outros.

Agora todos nós estamos cozinhando numa panela. Se algo ruim acontece com alguém, acabará por ser ruim para todos. Neste mundo global, nós temos de construir uma sociedade homogênea na qual todas as pessoas são iguais, estão devidamente conectadas entre si e se complementam reciprocamente. Tal sociedade é baseada nos princípios de igualdade, a conexão correta em que há espaço para todos, na educação correta para crianças e adultos, e concessões mútuas, até que juntos, chegamos às conexões de amor. Afinal de contas, não pode haver certas partes que desejam se devorar num só corpo, a menos que seja câncer.

Pergunta: Qual é o trabalho complementar indispensável entre todas as partes em relação a Israel?

Resposta: Israel precisa disso muito mais do que qualquer outra pessoa. É porque a nação de Israel deve ser a primeira a perceber este processo e cumpri-lo, a fim de estabelecer um exemplo para os outros, para ser Luz para as nações. O papel da nossa nação no mundo é ser uma nação modelo. Esta é a razão de nós sermos odiados, porque mostramos a todos o oposto e definimos um exemplo negativo.

Pergunta: Como o desenvolvimento da sociedade israelense é expresso no plano da natureza?

Resposta: Deve ser uma comuna, uma conexão, de acordo com o princípio de “todos de Israel são amigos”, e “ama teu amigo como a ti mesmo”, para que ninguém falhe, não exista grande ou pequeno, e todo mundo esteja igualmente conectado. Todo mundo só deve se preocupar com a conexão máxima entre as pessoas em complementação mútua.

É exatamente assim como o corpo humano, como cada órgão, complementa todos os outros, e, como resultado, o corpo funciona corretamente.

Pergunta: Será que um determinado líder, que entende o plano de nossa evolução e vê pelo menos um ou dois passos à frente, pode ganhar a confiança do público?

Resposta: Não. Primeiro ele teria que explicar a sua abordagem ao público e prová-la, trazendo evidências da ciência e da sabedoria da Cabalá, e, assim, gradualmente fazer o público se acostumar com o novo modelo. É porque as pessoas só querem resolver seus problemas diários e isso é tudo.

Portanto, eles devem primeiro ser preparados para entender a situação atual e o que está acontecendo, por que somos chamados de nação de Israel, por que o mundo inteiro se relaciona conosco de uma maneira especial, e o que devemos ser. É porque de acordo com o plano da natureza nós somos a mais especial de todas as nações e não podemos fugir do nosso papel.

Pergunta: E se as pessoas não acreditam nisso, será que nos desenvolveríamos de forma diferente?

Resposta: Não. Nesse caso, a natureza vai nos obrigar a cumprir o nosso papel, mas apenas sob o recebimento de duros golpes. Se não quisermos entender e aceitar esse papel, vamos aceitá-lo sob a pressão de problemas e dificuldades, incluindo guerras e até mesmo guerras nucleares.

Pergunta: Se um determinado líder consegue perceber o plano da natureza e avançar ao longo do caminho correto, que medidas específicas ele deve tomar?

Resposta: Em primeiro lugar, ele deve levar o plano educacional para toda a nação por meio da mídia, escolas, creches e locais de trabalho. Educação refere-se a conhecer a natureza. Em Gematria, natureza (Teva) e Deus (Elokim) têm o mesmo valor. Vamos reconhecer quem nos governa e o que Ele quer de nós. Esta é a única maneira de melhorar a nossa vida e prosperar.

Isto é o que acontece com uma criança que não ouve seus pais, mas depois, no final, entende e faz o que os pais necessitam. Então, naturalmente, a atitude deles em relação a ela muda para melhor. Assim, isso significa que nós alcançamos a solução para todos os nossos problemas, incluindo os problemas de saúde, as guerras, o alto custo de vida, etc. Tudo vai dar certo e avançar sem problemas, e, portanto, vamos receber tudo, até mesmo antes de pedir por isso.

De KabTV “Uma Nova Vida” 09/12/14

Com Justiça Julgarás O Teu Próximo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em que nível deve estar um juiz para sentenciar uma pessoa?

Resposta: Esta é uma questão muito complexa. Afinal, tudo o que uma pessoa leva a cabo é feito quando o Criador faz vista grossa. O Criador lhe permite cometer uma transgressão em particular contra a sociedade e até mesmo contra o próprio Criador.

A questão que surge é como a pessoa pode reconhecer que o que aconteceu é a revelação do mal em prol da correção futura. Esta pergunta não é muito simples. Por que o Criador dispõe para todo mundo que essa revelação vai acontecer especificamente de uma maneira ruim como essa e não de uma maneira boa?

Segue-se que as situações eram incorretas desde o início e o trabalho nelas é incompleto, tanto pela pessoa como pela sociedade. A fim de descobrir a situação errada que existe entre si, elas devem primeiro passar por algum tipo de transgressão e depois pela correção.

Suponha que alguém cometeu um assassinato e foi pego. Este é um problema da sociedade como um todo, uma vez que existem condições particulares nela para a realização de um ato como este. Como é que a partir das circunstâncias atuais, nós atingimos sua completa correção amanhã?

Todos nós estamos conectados num único sistema. Este sistema divide-se como se faz em mecânica: existe algum tipo de problema num motor e uma das partes está quebrada (análogo ao homicídio). Segue-se que não é uma parte que se deve culpar, mas sim sua coordenação com as outras partes.

Por isso, é necessário ter um novo olhar sobre o motor inteiro e descobrir por que esta parte quebrou. Talvez isso não tenha acontecido por causa do motor! Ou seja, o Criador arranjou tudo isso para nós.

A correção só vem ao se cobrir a parte quebrada. Como ela foi revelada desta forma na sociedade e ajudou-a a determinar o seu defeito integral geral, todos os membros da sociedade devem realizar as correções necessárias ao trabalhar com ela, tomando o seu defeito para si mesmos e se conectando com ela como se fosse uma parte corrigida.

Segue-se que a sociedade deve dar a garantia a um ladrão ou assassino e corrigir-se para que, sob a pressão da sociedade, em conjunto com ela, eles subam para outro nível. Este é o lugar onde o reconhecimento geral do mal acontece: a descoberta do erro global, o defeito geral. Por que eles não viram isso? Por que não descobriram isso a tempo?

Há um trabalho coletivo aqui. Nada é privado ou individual! Você não pega o assassino e transporta-o para o tribunal onde o juiz imediatamente o sentencia de acordo com as leis punitivas: não há pena de morte ou dez anos de prisão. Do que ele é exatamente culpado?

Só um sistema integral está preparado para dar a resposta certa para um erro como este. Além disso, quando encontramos a solução certa, a conclusão certa, descobrimos adesão com o Criador dentro deste quadro.

O sistema egoísta do nosso mundo é baseado no transgressor ser culpado e por isso deve ser descartado. Cabe a ele expressar remorso, sentar-se e sofrer. E qual é o fim da questão? Ele toma para si o defeito geral da sociedade e absorve todo o colapso da sociedade em si mesmo, e assim segue-se que ele aparentemente é culpado.

Junto com isso, a sociedade acumula partes não corrigidas como estas dentro de si e atrai todo o mal da sociedade sobre si mesma, de geração em geração. A sociedade obriga os transgressores a sofrer em seu lugar, quando é purificada disso egoisticamente: “Vá e sofra em vez de nós”.

Pergunta: Nas nossas condições físicas, nós podemos realizar um sistema jurídico diferente?

Resposta: Nós podemos moral e espiritualmente estabelecer um sistema equilibrado? Nós podemos dizer como ele deve parecer no estado aperfeiçoado e como o desequilíbrio, a perda de proporção e tensão interna, é criado nele? Para isso, cabe a nós ver este sistema.

Pergunta: Será que isso significa que apenas uma pessoa que se encontra num nível espiritual pode ser um juiz?

Resposta: Um juiz é a Luz de AB SAG, Ohr Hochma e Bina. Juntas, elas trabalham no desejo e o revelam em dois lados: Din (julgamento) e Rachamim (misericórdia). Somente a integração adequada de todos eles pode revelar o Kav Smol (linha esquerda), que possibilita que uma pessoa seja juiz.

Mesmo os antigos gregos representavam a deusa da justiça segurando uma balança em sua mão, tentando equilibrar-se entre o bem e o mal. Este é o impulso humano natural. No entanto, não é possível encontrar o Kav Emtzai (linha do meio) no mundo, uma vez que é mais elevado do que as características humanas.

O juiz deve ser imparcial. De modo a garantir isso, eles lhe dão um bom salário, pois assim ele supostamente não exigiria dinheiro adicional. Mas, a verdade é que um juiz deve ser uma pessoa que é necessariamente ainda mais autossuficiente e simplesmente não exige qualquer outra coisa. Em vez disso, você o perturba com dinheiro. Esta é uma abordagem totalmente diferente.

Nós não estamos preocupados com seu estado interior e suponha que depende de nós encher seus bolsos de dinheiro para que ele não seja tentado a aceitar um suborno. Pelo contrário! É assim que destruímos juízes.

Além disso, os juízes não podem ser completamente independentes, porque vivem dentro da sociedade e dependem dela. Mas, na verdade, o juiz deve estar completamente separado da sociedade. Isto é o que nós estamos cultivando dentro de nós: a qualidade de julgamento, o juiz.

O juiz é a pessoa mais elevada numa sociedade! É uma pessoa que está pronta para estar conectada com o Criador; e deste alto nível, quando entende o que o Criador está fazendo com a sociedade, ele pode trazer correção para a sociedade porque o julgamento é apenas um sistema de correção.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 02/04/14

Amor Que É Mais Forte Do Que A Morte

Dr. Michael LaitmanPergunta: No Cântico dos Cânticos, cada frase do Rei Salomão está literalmente cheia de significado alegórico. Por exemplo, a expressão “jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada”. O que significa isso?

Resposta: É uma tentativa de abrir a ocultação, não permitindo que a ligação seja atingida. Caso contrário, o amor não vai chegar à sua altura total. Sem ele, a semente não será abençoada e não haverá nenhuma emanação sem essa ligação.

Comentário: “Eu durmo, mas meu coração está acordado”.

Resposta: Esta é a razão pela qual eles não chegam imediatamente à ligação: não há absolutamente nenhuma necessidade disso. Meu coração está acordado, mas meus desejos e todos os vasos não estão.

Pergunta: Como o amor pode ser despertado?

Resposta: Por diversas atividades: ele bate na porta, ela abre a porta tarde, ele se foi, e ela corre atrás dele, etc. “A canção” termina com o amante supostamente preenchendo o mundo todo. E onde está o seu verdadeiro abraço, conexão e ligação? Supostamente não estão lá. O Cântico dos Cânticos fala sobre tudo, mas este é apenas o início. A descoberta da natureza que existe em perfeição está pronta para um abraço e ligação, e nós estamos diante dessa natureza.

Pergunta: O que é o “beijo”?

Resposta: Existem diferentes tipos de conexões entre os que amam e os seus entes queridos. Isso inclui o abraço, que é dividido num abraço da esquerda e um abraço da direita. Juntos, eles formam o abraço perfeito. Depois, há o beijo, a conexão na boca. Esta conexão ainda não está completa, uma vez que uma ligação completa é a fusão de corpos. Deve haver abraço, beijo e ligação.

Pergunta: Há um ponto de vista especial sobre o “Cântico dos Cânticos”, como uma descrição do amor entre o povo de Israel e o Criador. Como nós devemos olhar para esta história: tanto o amor do homem pelo seu próximo como o amor do homem pelo Criador?

Resposta: Na verdade, essa é a resposta, “do amor das criaturas ao amor do Criador”. O que isso significa? Se eu defino a minha disposição de amar tudo o que me rodeia, no final eu alcanço a mesma disposição em relação a toda a natureza, que é o Criador, a força superior. Toda a natureza está acima de mim; eu estou nela, nós estamos todos nela.

Pergunta: “Porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que o homem desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam”. Que tipo de amor é esse mais forte do que a morte?

Resposta: Todas as nossas propriedades boas e ruins, tudo o que existe na natureza de forças boas e más, o positivo e o negativo, o calor e o frio, pressão e vácuo, tudo fica renovado. A conquista do fim, a realização completa das forças opostas da natureza, o fato de que na natureza há sempre uma contra a outra, é o objetivo de toda a criação.

Isso se chama “Cântico dos Cânticos”. O Cântico é um amor não-egoísta das criações em doação mútua, “Ama o próximo como a ti mesmo”. O Cântico dos Cânticos é a conquista do amor para com o Criador ou do amor para com toda a criação, quando uma pessoa sai de si mesma e, literalmente, se localiza em todos os lugares!

De KabTV “Uma Nova Vida” 28/05/14

A Primeira Geração De Uma Humanidade Madura

Dr. Michael LaitmanOs livros de Cabalá são escritos na linguagem dos ramos, o que significa em termos deste mundo e como se relacionam com suas raízes espirituais. Portanto, eles estão cheios de palavras e histórias que podem levar um leigo a imaginar diferentes contos de fadas. Muitas nações usaram determinadas informações da sabedoria da Cabalá e basearam todas as filosofias e ciências nela.

Ainda hoje, existem pessoas que acreditam que sabem o que é a sabedoria da Cabalá baseados somente em filmes que viram ou em livros que leram sobre ela. Mas, na verdade, isso confunde ainda mais uma pessoa.

Há pouco tempo, por exemplo, houve uma série de documentários sobre Cabalá na TV [em Israel]. A única coisa que ficou clara depois de assistir a esta série é que as pessoas não têm ideia do que é realmente a Cabalá. Aparentemente não tem nada a ver com mulheres dançando, dieta, vestuário de ritual, cartas etc., como foi apresentado na série. As pessoas usam o nome “Cabalá” para se referir a coisas que não têm nada a ver com Cabalá de forma alguma.

Assim, há muita confusão hoje sobre o que é a sabedoria da Cabalá. Nossa geração é a primeira geração que teve a permissão de ser exposta aos livros da Cabalá para que todos possam aprender com eles.

Não mais um Cabalista tem que procurar por um estudante a fim de transmitir todas as informações a ele para que ele a passe para outros. Hoje você pode sair às ruas, convidar a todos para estudar a sabedoria da Cabalá a fim de passar esta informação para quem deseja aprendê-la e também transmiti-la. Nossa geração inteira cresceu a um estado em que pode usar a sabedoria da Cabalá corretamente a fim de subir ao próximo nível, para o mundo superior.

De KabTV “Uma Nova Vida” 18/12/14

Um Mundo Sem Fronteiras

Dr. Michael LaitmanA Torá “Levítico”, Parshat Kedoshim, 19:23-25: E quando tiverdes entrado na terra, e plantardes toda a árvore de comer, ser-vos-á incircunciso o seu fruto; três anos vos será incircunciso; dele não se comerá. Porém no quarto ano todo o seu fruto será santo para dar louvores ao Senhor. E no quinto ano comereis o seu fruto, para que vos faça aumentar a sua produção. Eu sou o SENHOR vosso Deus.

Pergunta: Qual é a intenção da divisão em três, quatro e cinco? O que é essa gradação dentro de uma pessoa?

Resposta: A pessoa que está envolvida em se corrigir tem cinco níveis de ego dentro de si mesma. Nos primeiros três níveis (0, 1, 2) ela ainda não pode sentir seus desejos egoístas, assim como uma criança que também é inconsciente de si mesma. Depois que ela passa por esses três anos, ela atinge o quarto nível, o nível do sagrado.

No quarto nível, o nível de Bina, ela deve dar todos os frutos que desenvolve no nível atual. Isso é chamado de “doar para doar”. E no quinto nível, a sua recepção será destinada a doar; portanto, neste nível, ela pode consumir os frutos de seu esforço.

No mundo físico, ao falar sobre cumprir a Mitzvah (preceito) de consumir frutas, nós devemos levar em conta apenas o que cresce dentro das fronteiras da terra de Israel, e não o que está fora da terra. Assim, de geração em geração, têm havido constantes debates sobre onde acabam as verdadeiras fronteiras de Israel. De acordo com as fronteiras bíblicas, todas as terras do Rei Davi, que existiam antes mesmo do primeiro Beit HaMikdash (templo), pertencem a Israel.

Isto incluiu uma área bastante ampla, que incluiu a Transjordânia, Síria e Líbano. Assim, quando nós trazemos uma fruta que cresce de lá, um problema é criado. Por um lado, os israelenses não desenvolvem a fruta, mas, por outro lado, não está claro no território de quem eles estavam trabalhando. Há muitas questões aqui, mas elas não nos afetam, uma vez que estamos envolvidos com a correção espiritual e não a correção física.

É dito: “E quando tiverdes entrado na terra, e plantardes toda a árvore de comer”. No trabalho espiritual, quando você chega a um desejo e começa a trabalhar com ele, ele se transforma do nível inanimado para o vegetal. Você só pode usá-lo “a fim de dar” depois de passá-lo pelas primeiras quatro fases: 0, 1, 2, 3 sem usá-lo, pois na quarta fase de Bina, tudo é transmitido ao Beit HaMikdash (Templo Sagrado). Apenas na última fase é possível usá-lo para si mesmo, porque agora a sua recepção será a fim de doar.

Pergunta: Você acha que as fronteiras físicas de Israel devem ser como naqueles dias do rei Davi?

Resposta: De acordo com o Talmude, houve um tempo em que as fronteiras de Israel se estendiam do rio Nilo, de um lado, incluindo o Sinai, e, do outro lado, até a Babilônia.

Eu suponho que não precisamos discutir isso, porque a correção que está forçadamente se aproximando de nós agora, destrói de qualquer forma todas as fronteiras e borra-as entre os diferentes povos, suas culturas, e todas as diferentes formas de vida. A correção unirá tudo e a mistura das pessoas em si vai se tornar a mesma Babilônia, exceto corrigida.

Pergunta: Por que isso não afeta diretamente Israel? Por que a mistura de diferentes povos ocorre em todos os lugares, ao passo que Israel é aparentemente deixado de lado?

Resposta: Porque Israel deve ser o professor, o líder da correção global, e deve prover a demonstração da correção.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 09/04/14

Chanucá: O Milagre Da Unidade

Dr. Michael LaitmanEm 170 a.C., os gregos, liderados por Antíoco IV, capturaram o Templo. Houve uma divisão entre os adeptos da filosofia e da religião grega e os que permaneceram fiéis ao conceito de um único Criador.

Alguns sacerdotes, incluindo o sumo sacerdote (Cohen Rishon), apoiaram os gregos. O Templo de Jerusalém foi profanado e transformado num santuário de Zeus. Uma severa perseguição e helenização forçada da população levou à revolta dos Macabeus, liderada por Matityahu Hashmonay que emitiu a chamada: “Aquele que for por Deus, siga-me!”.

A revolta terminou com a vitória dos Macabeus. Tendo entrado no templo, eles descobriram que o óleo puro para acender as velas da Menorá iria durar apenas um dia. Mas um milagre aconteceu. As velas queimaram por oito dias, e assim é chamado o milagre de Chanucá.

Pergunta: O que Chanucá representa do ponto de vista espiritual?

Resposta: A história que leva a este feriado começa com Abraão como o fundador do povo judeu. Muito antes dos Macabeus, Foi ele quem primeiro publicou a chamada: “Quem estiver se movendo em direção ao Criador – siga-me”. Sob este lema, ele reuniu um grande grupo de babilônios, a quem  ensinou a sua abordagem do universo, o propósito da vida e da criação, o destino humano superior, etc.

Mas o mais importante, sob o lema de “unidade em nome da unidade”, Abraão começou a unir aqueles que se alinharam a ele, porque é na busca da unidade que revelamos a força superior da natureza, o Criador, que nos une. Ela nos transforma em um todo e nós nos tornarmos invencíveis ao egoísmo externo ou interno. O que Abraão começou, os Macabeus, unidos uns com os outros, continuaram.

Em princípio, é a mesma ação de rebelião contra o egoísmo, apenas em diferentes níveis, e é por isso que ela ocorreu em diferentes pontos da história.

Tendo unido o povo, os Macabeus chegaram ao mesmo estado que Abraão e venceram. Conforme a unidade com grupos maiores de pessoas que se juntaram a eles, eles revelaram uma força espiritual maior, que era a força da unidade, a força superior de doação e amor. Portanto, eles eram invencíveis ao egoísmo, personificado pelos gregos neste caso, na Babilônia pelos babilônios, no Egito pelo Faraó e, mais tarde, pelos romanos.

Em geral, essa é a única luta, uma guerra por todas as gerações. E mesmo quando não temos um inimigo aparente, o nosso inimigo interior sempre se rebela dentro de nós, uma e outra vez, forçando-a para adorar vários ídolos em nossa vida. Nós temos que lutar contra isso.

É fácil traçar um paralelo entre essas duas guerras e hoje, visto que os ídolos modernos estão totalmente expostos como nulidades completas, levando-nos a um fim e não temos mais nada a ver com eles. Por um lado, ainda somos atraídos a eles, e, por outro lado, entendemos que isso é temporário, prejudicial e não traz bons resultados.

Portanto, o nosso comportamento é uma reminiscência de um homem que fica bêbado, não sabe ou não ouve nada, esquece de si mesmo, e está desconectado do que está acontecendo. Nós nos tornamos imersos em negócios ou outras coisas apenas para nos mantermos ocupados, imitando, assim, um herói do filme, um personagem literário, ou apenas conhecidos que supostamente têm êxito na vida. Este é o ídolo que é tão atraente para nós.

Pergunta: Você acha que esses desejos se exauriram?

Resposta: Não, mas eu sei que tudo isso é temporário e limitado. A própria vida nos mostra isso. O mundo é como um teatro e nós sempre desempenhamos um papel nele.

Há pessoas que não buscam nada. A principal coisa para elas é viver tranquilamente e em paz, para que ninguém as incomode. Mas, existem poucas assim. A maioria é atraída à competição, a luta por um lugar ao sol, e nós começamos a fingir que somos pessoas de negócios, correndo com uma pasta e mudando de um plano para outro, e, desta forma, corremos para o túmulo.

Pergunta: Pode o milagre de Chanucá ter lugar nos dias de hoje?

Resposta: Na vida há sempre lugar para um milagre. Cada vez que nos conectamos uns com os outros, a força, que é maior do que todas as outras forças, obstáculos, condições, manifesta-se, e assim há um milagre diante de nós. Nós podemos evocá-lo, mesmo hoje.

Um milagre é um fenômeno sobrenatural, mas nós mesmos somos capazes de causá-lo quando queremos. Hoje, se quisermos subir acima do egoísmo em nossa unidade, uma força superior completamente nova se manifestará dentro de nós, e com a sua ajuda, nós seremos capazes de acalmar o mundo inteiro, organizar tudo, e todo mundo vai ficar bem e calmo.

Pergunta: Que tipo de milagre aconteceu quando as velas dos Macabeus foram acesas?

Resposta: Através de sua unidade, os Macabeus atraíram a Luz que lhes deu a oportunidade de ficar no estado de doação, amor e conexão, até que começaram a atrair as novas massas de pessoas para si.

Os desejos das pessoas que se conectam num todo simbolizam o óleo, e sua reunião, apesar do seu egoísmo, simboliza o pavio. Elas queimam em seu desejo de se aproximar, e quando se unem de alguma forma, uma Luz aparece dentro delas que apoia o fogo dos seus desejos.

Se elas começarem a se envolver numa maior disseminação e a se voltar às maiores massas de pessoas, a lâmpada queimará continuamente.

A manifestação da Luz, a força superior, o Criador na unidade do povo, é o milagre. Além disso, não há outros milagres, porque a essência de todos os milagres é que a nossa unidade provoque a manifestação da força interna, chamada de propriedade de amor, o Criador. Ela faz maravilhas. A travessia do Mar Vermelho, o milagre de Chanucá e o milagre de Purim são sempre a revelação do Criador em nossa unidade. Portanto, há apenas uma técnica e ela não contém nada complicado. Ela veio até nós a partir de Abraão, que primeiro mostrou como isso é realizado.

O fato é que nós podemos nos unir de qualquer maneira, mas a essência do milagre é que nos unimos para que uma nova propriedade superior apareça dentro de nós, que não se manifesta em outras ações, que nos eleva para o próximo nível de consciência, sensação, visão e existência.

Pergunta: Como o povo poderia acreditar que uma vela queimaria por oito dias, quando sabiam que seria suficiente apenas para um dia?

Resposta: Se nós aspiramos à unidade, não estamos interessados ​​em nada, exceto em chegar a este estado, dentro do qual o Criador é revelado. Então chegamos às condições de infinito e vamos para o próximo nível de existência, onde não há nem tempo nem espaço. Os oito dias representam apenas uma alegoria, uma vez que existem oito Sefirot do nível de Bina ao nível de Malchut.

Pergunta: Como uma pessoa pode não pensar no que vai acontecer amanhã?

Resposta: Se você trabalha para doar, o amanhã não existe para você! Não há momento seguinte! O mais importante é dar.

O amanhã vai desaparecer do seu campo de visão, da mente e dos cálculos! Ela não existe! Você está incluído na ação de doação e aparentemente se estende a todos os outros. Nada permanecerá em você. O seu “eu” simplesmente desaparece.

Na etapa seguinte, surge um novo estado egoísta. A mesma coisa se repete, como a roda que se move para frente, mas ao mesmo tempo gira em torno de si.

Pergunta: Em que circunstâncias isso é possível?

Resposta: Isso vem gradualmente, depois de muitos anos e só de Cima. Mas virá. Eu posso prometer a todos os meus alunos que isso vai se tornar realidade, e eles vão chegar a este estado.

Eu acho que, em conjunto com eles, eu ainda vou ser capaz de passar por seus primeiros passos nesta ascensão. Este é o desejo de todo professor espiritual que não pode abandonar seu filho no meio do caminho. O professor quer guiar seus alunos pelo deserto para que eles cheguem à doação plena, e não tenham qualquer possibilidade de voltar atrás, uma vez que a propriedade de doação reina em todos os seus desejos.

Assim, eles desenvolverão seu caminho espiritual por conta própria, com o próximo líder, como Moisés e Josué. Mas é desejável que nós atravessemos o deserto juntos.

Pergunta: Como você vê os milagres do ponto de vista material? Digamos que, por muitos anos, os arqueólogos buscam a confirmação do êxodo dos judeus do Egito, mas não encontram nenhum vestígio. De fato, alguma coisa deveria ter sido deixada. Além disso, nenhuma evidência foi encontrada dos 40 anos de peregrinação do povo de Israel no deserto.

Resposta: Arqueólogos descobrem confirmação destes ou de outros acontecimentos históricos, quando chega a hora. Por isso, em seu tempo, eles vão subitamente encontrar artefatos de história no mesmo local onde anteriormente não encontraram nada. Estas descobertas ainda estão por vir.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 17/12/14

O Mistério De Israel

Dr. Michael LaitmanNos últimos anos, os políticos começaram a falar sobre a consolidação legislativa do caráter judaico do Estado de Israel. A razão para isso é a ampla onda de ataques antissemitas. O mundo inteiro tem um problema com o povo judeu, perguntando: “Por que eles tomam a posse de terras que não lhes pertencem?”

Muitos sequer concordam com a divisão original do território de acordo com a resolução da ONU. Hoje, um voto secundário certamente nos privaria do direito ao nosso próprio Estado.

Após o desastre, o mundo estava desconfortável diante de nós, e se de fato tínhamos que ter um país, isso continuará, de acordo com as leis do desenvolvimento comum.

No entanto, nós temos que torna-lo realmente nosso, tomar a terra santa (Eretz) como o desejo (Ratzon) de purificar e formar, não como uma coleção de exilados, mas como o povo de Israel, no sentido pleno da palavra, totalmente unido e aspirando direto ao Criador (Yashar El).

Nós temos que realizar um curso sobre coesão, amor e unidade, para nos tornar como um homem com um coração.

Se tivéssemos organizado nossa nação dessa forma, não teríamos que realizar guerras intermináveis pelos últimos 66 anos sem um único segundo de descanso e relaxamento. E a situação não teria sido como é hoje, de tal forma que todo Israel é forçado a planejar uma evacuação de emergência, um plano de fuga em caso de um desastre.

Pergunta: Uma e outra vez, a vida nos confronta com questões básicas que afetam a nossa existência na terra de Israel. E este tópico sempre cobre a névoa da incerteza e da indefinição. Por que existe essa incompletude agonizante na nossa autodeterminação? Por que não foram colocados todos os pingos nos “is”?

Resposta: É porque nós queremos ser como todas as outras nações e definir o nosso país como todos os outros, de acordo com as representações tradicionais de território, fronteiras e entidades públicas. No entanto, isso não funciona para nós e não se aplica a nós. Este formato habitual não causa uma resposta fiel em nós, onde não sentimos por nós mesmos, e não encontramos qualquer correlação com a forma como o nosso país deve ser identificado e parecer como povo, e cada pessoa nele.

Acontece que não somos o povo de Israel como ele deveria ser, e não vivemos na terra de Israel, nem no país de Israel, como deveria ser de acordo com as fontes originais, de acordo com a nossa base. Nós temos tentado adotar o conceito de conceitos externos, simplesmente captando-os, mas eles não chegaram a ser concretizados. O rótulo internacional padrão se descola repetidamente.

Como resultado, nós sentimos que isso não é adequado, mas continuamos a nos sobrecarregar com isso, sem ter uma definição clara. E o mundo, por seu lado, não entende as nossas ações e vê o Estado de Israel como uma entidade artificial.

Nós podemos argumentar eloquentemente que essa é a nossa terra. Podemos até mesmo nos sacrificar pelo bem de vida. No entanto, ainda não entendemos o que “o povo” e “o país” significam para o povo judeu.

Baal HaSulam escreveu um ótimo artigo sobre isso no jornal “A Nação” (HaUma), que, aliás, foi fechado após seu lançamento inicial. Neste trabalho, a natureza desses conceitos e a necessidade de voltar às suas raízes depois de dois mil anos de exílio foram descritas em detalhes.

Por que devemos recorrer à história antiga e à vida primitiva, agora que isso já foi vivido por nossos antepassados? Pelo contrário, nos séculos anteriores, nações avançadas plantaram suas culturas em todos os lugares. A cultura estrangeira, com um sucesso particular, foi transferida aos povos indígenas da África e América. Idiomas morreram, bem como tradições e crenças, dando lugar à influência inglesa, espanhola e francesa.

Mas nós ainda não fomos capazes de nos manter dentro das margens do presente. Não há nada que possamos tomar emprestado dos povos do mundo. Pelo contrário, nós estamos organizados de tal forma que os povos do mundo adotam as coisas corretas de nós.

Isso não depende de nós e não é orgulho ou arrogância. Nós estamos ligados desta forma. Não é por acaso que o mundo nos vê como um povo inteligente e desenvolvido, alimentando um propósito de vida. O mundo sente que o povo judeu tem um segredo que não quer abrir para os outros; isso significa que eles devem nos forçar a desistir.

Este sentimento é indestrutível, e nós finalmente temos que entender o que eles querem de nós. Na verdade, que tipo de mistério reside dentro de nós? Se nós soubéssemos, poderíamos vendê-lo pelo triplo do preço. Mas não, isso não funciona dessa maneira.

Afinal, o que temos dentro e que se encontra no povo de Israel sem o seu conhecimento é este grande, bonito, sedutor e brilhante objetivo, o futuro do mundo.

O nosso mundo está ligado à irmandade que vivíamos antigamente. Nós precisamos recuperá-la, em outras palavras, viver juntos como um povo que respeita a lei, amar o nosso próximo como a nós mesmos, de acordo com os princípios que recebemos no Monte Sinai, e ser como um homem com um coração.

Hoje nosso mundo global e integrado sente a relação inquebrável de todas as suas partes, literalmente exige isso, e exige o cumprimento dessa lei. Se nós revelarmos um guarda-chuva de garantia sobre todos nós, vamos nos encontrar num mundo que é para nós como o Jardim do Éden.

É por isso que nessa era moderna, o mundo presta atenção em nós, sem saber como ou por que, e começa a exigir a lei de nós, pela qual vai viver amanhã. Afinal, a vida atual parece cada vez mais intolerável para o mundo, obscura e sem esperança. Ela já não apresenta um quadro de amanhã. Inconscientemente, as pessoas sentem que o povo judeu tem a resposta.

Como consequência, o antissemitismo floresce em todo o mundo, afetando milhões de pessoas. Assim, ele simplesmente nos obriga a perguntar sobre a lei e o modo de vida que devem formar a base da nossa existência aqui.

Se realmente voltássemos às raízes, se colocássemos em prática o conceito de “povo de Israel” aspirando “direto ao Criador” (Yashar-El), ou seja, à unidade, solidariedade e amor, se assim fosse, nós educaríamos o povo com base na lei, combinados uns com os outros, como um homem com um coração, ajudando-se e unindo as pessoas com esta parceria. Isto serviria como um exemplo para o mundo. Além disso, nós ensinaríamos as pessoas a construir a unidade.

Assim, o mundo entenderia que somos uma parte especial dele e que realmente precisamos aprender. E há muito o que aprender, já que é o futuro e a salvação de toda a humanidade. Não é apenas por algumas décadas compreendendo a expectativa de vida de cada geração, mas sim uma nova base para uma nova fundação sendo colocada aqui, na qual nosso mundo será aperfeiçoado e ascenderá a um novo nível, para a condição eterna e perfeita.

Hoje, o nosso egoísmo se devora e, como resultado, nós vivemos uma média de 70 a 80 anos. Se passássemos do desejo de receber egoísta para um altruísta, para a doação, e se todos vivessem com seu coração bem aberto no meio de sua nação, cuidando de tudo, encontraríamos outras leis naturais, as leis do amor e da doação. Nesse ponto nós entraríamos na vida eterna e perfeita, e o nosso mundo abriria a oportunidade de viver além das limitações de tempo, espaço e movimento. Nós começaríamos a perceber o mundo em que não há limites.

Nesse meio tempo, os problemas em relação ao povo judeu, que nós chamamos de antissemitismo, vai crescer cada vez mais. Nós não podemos nos livrar disso. Pelo contrário, vamos ter que dar uma resposta, uma vez que é necessário enfrentar essa situação.

Ao mesmo tempo, vamos ter que resolver o problema do caráter judaico do país, recentemente exposto para discussão pública. Porém, não deve ser pela linguagem artificial e não com base nas leis que herdamos do mandato britânico ou do domínio turco. Não, nós temos que assumir a Torá e tirar todas as definições necessárias.

Por milênios, desde os dias de Abraão, os Cabalistas têm explicado o significado de “povo de Israel” e “país de Israel”, e quem é uma “pessoa judaica”. Nós precisamos nos abrir ao mundo, abandonar os limites e adotar o nosso entorno, todos aqueles que desejam viver de acordo com a lei de amor e unidade, sob a égide da doação. É isso mesmo, mais do que geográficas, as fronteiras da terra de Israel, ou seja, a garantia mútua universal, se estenderá a todo o mundo.

Em princípio, a terra de Israel não é o território na superfície do globo, mas um lugar onde as pessoas vivem de acordo com a lei do amor. Portanto, agora ela não existe. Afinal, terra (Eretz) significa desejo (Ratzon). Se existe a lei do amor entre pessoas que vivem em qualquer lugar e seguem essa lei, a sua relação, o seu desejo comum chama-se a terra de Israel, o desejo aspirando direto ao Criador (Yashar-El), e, assim, elas querem ser como a força superior.

Isso é o que nós temos que explicar, demonstrar e oferecer a todos os povos. Então, em vez de ódio, vamos sentir empatia, respeito e carinho, que é o que sentimos agora dos nossos milhares de alunos em todo o mundo. Nós vemos como eles estão comprometidos conosco quando os ensinamos a se unir para alcançar cooperativamente o poder superior.

De KabTV “Uma Nova Vida” 30/11/14

Uma Borboleta No Monte Sinai

Dr. Michael LaitmanPergunta: A desintegração da sociedade que estamos testemunhando agora em Israel e em todo o mundo nos faz lembrar o nascimento de uma borboleta. Primeiro, há a lagarta, que vive por um tempo, come plantas e está feliz.

Porém, num determinado ponto a lagarta chega ao fim e não pode se preencher mais. Ele se transforma numa crisálida e entra num estado de escuridão fechando-se dentro de um casulo onde seu corpo começa a se desintegrar.

A lagarta deixa de ser o que era antes. Os cientistas descobriram que os genes que posteriormente a transformarão numa criatura totalmente diferente já estão na lagarta. Depois de um período de caos e desintegração, uma linda borboleta de repente sai do casulo; uma criatura alada que é muito mais desenvolvida.

Será que nós estamos no período do casulo agora e, portanto, vemos como tudo ao nosso redor está fora de equilíbrio e se despedaçando?

Resposta: É realmente assim, mas, a fim de nos tornarmos uma borboleta bonita, nós temos que mudar. Nós podemos alcançar essas mudanças quer de uma forma agradável, fácil e curta pela conexão entre nós, ou pela guerra e problemas terríveis que nos forçarão a unir. Isto significa que nós podemos passar por este processo de forma passiva ou ativa.

Comentário: Então, no final, nós nos conectaremos com ou sem guerra.

Resposta: Sim, mas há uma enorme diferença. Afinal de contas, não vai ser apenas mais uma guerra, mas uma guerra nuclear.

Pergunta: E se nós não conectamos?

Resposta: Não pode ser. Ela já está em nossos genes, assim como a lagarta é deve se tornar uma linda borboleta no final. Nós também temos os genes de acordo com o quais temos que levar o mundo inteiro à correção e eles já estão impressos nos genes da sociedade humana, em nosso programa interno. Nós só temos que cumprir isso.

Nós temos duas opções: boa ou ruim. A opção ruim é através de guerras e sofrimentos e a opção boa é por alcançar o cumprimento da sabedoria da Cabalá por nós mesmos, alcançando a força da conexão por ela ao atrair a força, a Luz que Reforma para nós mesmos. É dito: “Eu criei a inclinação ao mal, eu criei a Torá como um tempero, uma vez que a Luz nela reforma”.

Pergunta: Você fala sobre a Torá, então se trata de religião?

Resposta: Não. A Torá é a Luz, a força que nós descobrimos dentro do círculo, que nos solda juntos. A força que reforma é chamada de Torá. Não é um conceito religioso. Não é um livro ou um pergaminho que tem palavras escritas nele, mas uma força interior.

A inclinação egoísta não nos deixa conectar, enquanto que a Torá é a Luz Superior, o meio para corrigir a inclinação ao mal, que é sentida apenas por aqueles que sentem que têm que se conectar com outras pessoas e não podem fazê-lo. É como se toda a nossa nação se sentasse num grande círculo de oito milhões de pessoas e todo mundo só pensasse no fato de que não podem se unir. É um fato que, se não há nenhuma pressão externa, a sociedade permanece separada e independente.

Nossa missão é passar do estado um para o estado dois. O estado um é o nosso atual estado de insegurança e sem nenhum futuro, como resultado da falta de conexão entre nós por causa da nossa natureza egoísta.

Existem duas formas de alcançar o estado dois. O caminho certo é o caminho que os Cabalistas nos ensinam. Eles dizem que, se quisermos avançar, temos que conectar. Se nos sentarmos em círculos e começarmos a discutir a questão de como ser “como um homem em um só coração”, vamos descobrir o quanto somos contra essa ideia. Esta resistência que sentimos pela conexão é chamada de inclinação ao mal.

A inclinação ao mal não é revelada a uma pessoa em sua vida comum, quando ela desrespeita todos, mas somente quando deseja se conectar a outros. Só então ela vê que não quer que esta conexão e é repelida por isso, embora entenda que é preciso alcançar a unidade, apesar de sua repulsa natural.

Nós sentimos isso durante a última operação militar em Israel, uma vez que conseguimos nos unir somente sob pressão externa. No momento em que a pressão se foi, nós imediatamente voltamos ao nosso estado inicial e começamos a brigar e lutar. Então, o que podemos fazer? Depois de tudo, nós precisamos conectar!

O que realmente está faltando no momento é o reconhecimento de que precisamos de conexão. Nós precisamos disseminar amplamente e explicar que o nosso bom futuro depende da unidade da nação e que, de outro modo, enfrentaremos o desastre.

Se nós descobrimos que não podemos unir, embora desejemos, nós precisamos da Torá como meio para atingir a unidade. Isso significa que estamos no pé do Monte Sinai, que é a montanha do ódio. Nós queremos chegar à unidade, mas não podemos, uma vez que a alta montanha do ódio mútuo nos separa.

Então nós somos dignos do recebimento da Torá, que é a revelação da força de conexão que deve vir e nos conectar. Isto significa que a Luz da Torá reforma. É uma força de unidade, uma força de luz e amor. Quando ela é revelada, nós começamos a sentir proximidade, dependência e conexão mútua entre nós.

Pergunta: Onde nós podemos encontrar essa força?

Resposta: Esta força está escondida na natureza. Agora também, ela está entre nós, mas nós a descobrimos apenas na medida em que ansiamos em nos conectar. É disso que trata toda a Torá. Assim, toda vez que os Cabalistas se conectaram num grupo, eles descobriram o Criador, a força superior de conexão.

Pergunta: Este círculo também é adequado para pessoas que não são religiosas?

Resposta: O círculo é adequado para todos, não só para as pessoas que não são religiosas, mas também para as mulheres e pessoas de todas as nações. Afinal de contas, a nação de Israel tem que ser uma luz para as nações, ensinar a todos a sabedoria da conexão, e revelar a todos que o Criador é a natureza superior. Durante a última guerra, as mulheres e mães é que realmente manifestaram o apelo à unidade da nação.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/09/14