Textos na Categoria 'Religião'

A Ideologia Do Equilíbrio E Da Unidade

laitman_254_02Pergunta: Você se formou no Instituto Politécnico, estudou biologia e cibernética, e depois trabalhou no Laboratório Militar da Academia Médica. Depois você foi repatriado para Israel, onde se viu religioso. Até aquele momento você era um ateu?

Resposta: A minha visão do mundo vem da Torá interna. Eu sempre fui interessado no problema do sentido da vida humana, no programa que controla o universo, no sistema que nos guia, nas questões do passado, presente e futuro.

Comentário: Portanto, em sua aspiração de visão de mundo, você postula uma religião, isto é, a existência do Todo-Poderoso…

Resposta: Não, porque a imagem que uma pessoa religiosa imagina sob o termo “força superior” é completamente inaceitável para um Cabalista.

Com respeito a Todo-Poderoso, Onisciente, fundador de tudo isso, eu quero dizer um enorme sistema do universo, não só o nosso mundo, mas também aqueles mundos ocultos, aqueles sistemas ocultos que existem ao nosso redor, nos controlam, e que nós podemos controlar pela conexão recíproca.

Na minha perspectiva, a Torá desempenha um papel muito importante, mas não no sentido que é compreendido pela pessoa comum ou por um crente comum, mas no seu sentido interno. A Torá ensina como mudar a si mesmo para sair da existência ilimitada, não terrestre.

A Cabalá é um sistema prático de conhecimento que permite a uma pessoa que vive neste mundo, entender, compreender e alcançar uma dimensão mais elevada, subir acima do nível de morte e já sentir os próximos estados.

A pessoa tem uma influência direta sobre o sistema de controle em que existimos. Ela deve apenas sentir essa conexão e, assim, assumir o controle do próprio destino.

A Cabalá foi revelada pela primeira vez 5774 anos atrás por um homem chamado Adão. Depois de 20 gerações de Cabalistas, Abraão, o antigo sumo sacerdote babilônico, criou pelo povo judeu. Ele reuniu um grupo de pessoas que queria combinar o princípio do “ama o teu próximo como a ti mesmo”. Essa se tornou a ideologia do nosso povo, a sua constituição. Unidos, nós somos uma nação, que se chama Yehudim, da palavra “Yichud” (unidade).

Como resultado do seu desenvolvimento, o grupo teve que mostrar ao resto da Babilônia, que não queria seguir Abraão, como é necessário se corrigir, subir acima do interesse pessoal e sair da enorme crise da interconexão humana.

É para isso que a Cabalá foi destinada, onde os dois componentes do universo (altruísmo e egoísmo, doação e recepção) são combinados numa única criação. A recepção a fim de doar é a interconexão correta para as pessoas em perfeita harmonia.

Agora, nós só temos a propriedade de recepção. Mesmo se doarmos, só podemos fazer isso de forma a receber. Se adicionarmos a propriedade de doação à propriedade de recepção, vamos adicionar uma propriedade de doação a nós mesmos, e seremos como o conjunto harmonioso da natureza: os níveis inanimado, vegetal e animal. Ao desenvolver uma doação não em prol da recepção, mas apenas em prol da doação, por uma interconexão adequada uns com os outros, vamos equilibrar nosso egoísmo com o altruísmo, o negativo e o positivo.

Na natureza, o negativo e o positivo se equilibram nos níveis inanimado, vegetal, e animal. Mas no nível da consciência humana, no nível de nossas conexões mentais mútuas, não podemos fazer isso. Esta é a atual crise global geral, que é uma manifestação da força egoísta em nós.

A origem da atual crise global é a desarmonia entre altruísmo e egoísmo. Só o povo judeu pode implementar essa harmonia, e nós estamos tentando levá-la à humanidade através da nossa Academia de Cabalá (Centro de Educação de Cabalá).

A Cabalá não é uma religião, não é uma crença baseada em alguns pressupostos; é uma ciência. Uma pessoa não deve acreditar em nada aqui, abaixar-se diante de qualquer coisa, ou realizar algum ritual. Ela só tem que querer olhar para a sua vida.

A religião é algo em que alguém acredita, e a Cabalá, como qualquer ciência, pode ser confirmada na prática. [

De KabTV “Uma Opinião Especial” 17/08/14

Filhos Do Universo, Parte 5

Dr. Michael LaitmanNós encontramos muitas surpresas quando estudamos os atributos físicos do universo. Se antes nós acreditávamos que a radiação e as partículas não podiam penetrar sólidos, nós sabemos agora que isso não é assim.

O microcosmo abriu uma imagem verdadeiramente surpreendente diante de nós. Muita coisa mudou em nossa compreensão do universo e do lugar do homem nele.

Além disso, é tudo porque nós nos recusamos a seguir toda uma abordagem ideológica, concordando que não entendemos, sentimos ou conhecemos a criação, e que temos que estudá-la desde o início. Assim, a ciência tem se afastado da religião e deixou suas limitações, o que foi muito útil.

Essa luta durou séculos e até hoje os ecos da igreja e as objeções de outras instituições religiosas a uma grande variedade de abordagens científicas ainda são ouvidos. Embora este estudo não acompanhe sua fé, as crenças básicas foram aceitas, uma vez que ajudaram a controlar as pessoas e as coisas. O nosso conhecimento do universo é muito limitado, e ultimamente temos chegado à conclusão de que a nossa visão da realidade é parcial e fragmentada. Mesmo que fôssemos capazes de compreendê-la como um todo, os dados da investigação indicam que pode haver universos paralelos. Nós simplesmente ver isso sem pressupostos, nossas fórmulas não concordam, e por isso temos de levar em conta esta possibilidade.

Depois, há dúvidas sobre a conexão entre os universos, e sobre a passagem de um para outro num nível mais elevado que nos rodeia, mas que não é acessível em nossa percepção. Caso contrário, os nossos dados atuais não se alinham.

É claro, nós estamos buscando vida inteligente em outros planetas. Na minha opinião, ela não está lá, e o nosso pobre planeta é o único onde vivem seres inteligentes, poluindo e estragando a natureza inanimada, vegetal e animal.

Que planeta maravilhoso ele poderia ser se fosse simplesmente coberto com plantas. Nós também podemos adicionar alguns animais, mas algumas pessoas já é demais.

Falando de forma séria e geral, a vida neste planeta é de fato um fenômeno raro. Para que a vida surgisse, tinha que haver combinações muito específicas de diferentes parâmetros e forças da natureza que permitiram que partículas se conectassem em novas formas e adquirissem atributos novos e únicos de procriação no processo de evolução biológica. Este é um nível totalmente novo em relação ao resto do universo.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/03/14

Qual É A Diferença Entre Cabalá E Religião?

laitman_227Não há conexão entre Cabalá e religião. A religião surgiu do fato de que as pessoas receberam um texto Cabalístico, mas não souberam como ler e entende-lo corretamente.

Como regra geral, um homem religioso, abrindo a Torá ou algum outro livro escrito pelos Cabalistas que atingiram o mundo superior, interpreta isso nas imagens materiais do nosso mundo, ou seja, em termos que ele entende.

Por exemplo, a viagem dos patriarcas, ele percebe como uma jornada na Terra e não dentro de si mesmo em diferentes níveis de egoísmo. Ele trata os assassinatos, derrotas, vitórias e outros eventos e fenômenos descritos na Torá como todos os tipos de aventuras em nosso mundo. É como uma criança a quem você conta sobre algo superior, mas que percebe tudo no nível que ela vê em torno de si.

O problema é que não existe uma linguagem para a descrição do mundo espiritual e nosso mundo. Portanto, a pessoa que está no nível do nosso mundo toma tudo literalmente, e esta é a fonte da religião. Mas a pessoa que está no nível espiritual a interpreta corretamente, porque para ela esta é a Cabalá, o mundo superior, a interação com o Criador.

Pergunta: Como uma pessoa religiosa pode se relacionar com a Cabalá?

Resposta: É dito que cada homem julga tudo a partir de seu nível, conforme a sua corrupção. Portanto, aqui surge um grande problema.

Os Cabalistas entendem que as pessoas religiosas comuns, dentro dos estreitos limites de sua percepção limitada, interpretam a Torá incorretamente. Mas elas precisam manter o seu nível de fé simples. Elas devem estudar a Torá em seu caminho até que a época de sua correção chegue.

As pessoas religiosas ligam a Cabalá ao nível material, não percebendo que os Cabalistas entender isso de forma diferente (num nível superior), como uma criança não entende um adulto. Por isso, eles se ressentem dos Cabalistas, acreditam que a Cabalá é uma coisa nociva que afasta o homem da religião. A Cabalá realmente afasta o homem da religião, porque mostra a ele a verdadeira paz e a verdadeira finalidade da criação.

O fato é que uma pessoa religiosa executa os mandamentos de uma forma egoísta: só em prol de uma boa vida neste mundo e em prol do paraíso no outro mundo. Isso não tem nenhuma relação com as leis da unidade e com a regra do “ama ao próximo como a ti mesmo”.

Um Cabalista cumpre o mandamento “ama o próximo”, porque ele é a base para toda a sua vida, onde ele revela o Criador e alcança a propriedade de doação e amor.

Portanto, a Cabalá e a religião têm objetivos completamente diferentes, técnicas diferentes e atitudes diferentes em relação à Torá. Esta contradição profunda as separa e as tornam polos opostos. Esperemos que, no final, as pessoas religiosas entendam a importância da transição gradual da religião para a Cabalá.

De KabTV “Contos” 22/10/14

Contos: O Áspero Caminho De Abraão

Dr. Michael LaitmanNão foi fácil para Abraão disseminar suas ideias, pois a maioria dos babilônios era contra o seu método.

Ele acreditava que tudo decorre de uma única força, embora posteriormente ela se divida em muitas forças opostas que não têm livre arbítrio.

Os babilônios, no entanto, afirmavam que existem várias forças que governam o mundo e que elas estavam todas conectadas por um sistema de diferentes relacionamentos mútuos. As mitologias sobre diferentes deuses que lutam entre si, devoraram-se, têm filhos, e assim por diante, surgiu dessa base.

Abraão refutou todas essas crenças, mas, ao mesmo tempo, entendeu que não seria capaz de levar tudo da Babilônia. Esta era a situação dramática em que ele se encontrava. De acordo com seu método, é possível atingir o objetivo da criação somente quando todas as pessoas do mundo reconhecem e percebem que só há uma maneira de chegar a uma forma que criamos entre nós: ao nos conectarmos num todo. O ponto principal é a unidade interna entre nós, apesar da heterogeneidade de nossos corpos materiais.

Nós temos que cuidar do corpo, dar-lhe o que ele precisa para manter a sua existência, de modo que elevando-se acima dele, a pessoa se ocupe da conexão e unidade entre nós e avance em direção à meta. Isso é chamado de evolução do ser humano dentro de nós. Além disso, esse ser humano é a nossa imagem geral.

Ao nos unirmos internamente entre nós, recebemos uma imagem geral chamada Adão (homem – com a mesma raiz de “Domeh” – aquele que se assemelha ao Criador), que era o mesmo nome dado à primeira pessoa a investigar o mundo espiritual.

Abraão passou por um caminho áspero antes de descobrir o método de conexão e unidade espiritual. Seu primeiro professor foi seu pai, Tera, que lhe ensinou de acordo com o método de Noé. Tera acreditava que o paganismo é justificado e Abraão tentou aceitar seus pontos de vista, até que se rebelou contra o seu mestre. Este é o ponto de ruptura dramática, o desacordo com o professor, quando o aluno supera seus professores ao ascender a um nível acima.

Por outro lado, Tera tentou forçar seus ensinamentos a Abraão e lhe mostrou todas as qualidades ruins e o mal no politeísmo, após o que Abraão poderia encontrar o caminho certo. Ele percebeu que apenas uma força de bondade e amor gere o mundo, e isso inclui a força do mal, apenas para que ela seja usada para ascender acima do mal.

Ao descobrir isso, Abraão tornou-se um inovador, um revolucionário, que mudou o curso da história e mostrou à humanidade o caminho certo.

De KabTV “Contos” 15/10/14

Contos: O Pai Espiritual Da Humanidade

Laitman_115_04O nome de Abraão (AB-am) significa “pai da nação”. Abraão é realmente o pai espiritual de toda a humanidade, pois não foi apenas o fundador de muitas nações, mas o criador de um método espiritual da correção do mundo. A ideia principal do seu método era a indicação de que o Criador é a força singular e unida da natureza, que gerencia toda a criação, que “não há outro além Dele”.

Os atributos do Criador foram determinados por ele como o “bom que faz o bem”. De acordo com seus ensinamentos, o papel da humanidade era obter a adesão com o Criador de acordo com a regra “ama teu amigo como a ti mesmo”.

Ele passou este método para seus alunos da Babilônia que se juntaram a ele e chamaram sua comunidade de “a casa de Abraão” (Beit Abraão), que se refere aos seus alunos e à sua família. Mais tarde, Abraão levou seu grupo de alunos para fora da Babilônia, o que significa que se desprendeu de todos os outros estudos e alcançou o Criador e estabeleceu um método independente que ele expressou no Livro da Criação (Sefer Yetzirah), o qual, em grande parte, complementou a obra de Adão, O Anjo Raziel (Sefer Raziel HaMalach).

Abraão colocou os fundamentos do método para a obtenção correta do Criador, para a obtenção de Seu nível e adesão a Ele. Todos os outros Cabalistas só desenvolveram a sua teoria adicionando o seu trabalho prático. Como o ego continuou crescendo em todas as gerações, isso permitiu o desenvolvimento do método de Abraão nos próximos níveis de acordo com as condições num determinado período de tempo.

Portanto, não podemos dizer que temos algo novo hoje. Tudo o que é revelado é revelado pelos Cabalistas, começando com Adão até os nossos tempos, mas o caminho certo começa com Abraão, embora exista o nascimento espiritual único em todos os níveis ao longo deste caminho chamado de “filhos de Abraão”.

De KabTV “Contos” 15/10/14

A Verdade Sobre As Três Religiões Do Mundo, Parte 2

O início deste artigo pode ser encontrado em Verdade Sobre as Três Religiões, Parte 1.

Pergunta: Como podemos parar a propagação do Islã radical e desviar esta espada do mundo?

Resposta: A solução é simples. Ela não está no judaísmo, cristianismo ou islamismo. Está na sabedoria da Cabalá, um método que fornece às pessoas o instrumento para trabalhar com a força superior.

O homem a utiliza para se conectar ao programa, a raiz e o objetivo final do plano da criação. Ele está conectado à força superior desde o início até o fim da Criação em cada passo do caminho. E ele vai ver tudo isso em algum momento desta vida não em algum outro mundo.

A Cabalá não diz que todas as pessoas que praticam a mesma religião são irmãs, mas fala sobre amar toda a humanidade como a si mesmo.

As religiões foram espalhadas com o propósito de levar as pessoas à união entre si, mas na forma errada, através das Klipot, as forças egoístas, a mentira. O Cristianismo preconiza a unidade com o propósito de ajudar uns aos outros e orar aos deuses comuns. O Islã diz o mesmo: “Nós temos um poder superior, vamos ser irmãos!”

Qualquer ideologia que é baseada na unidade indica o mesmo. Mas elas não têm uma conexão com a força superior e é por isso que todos esses métodos desaparecem. Eles devem ser substituídos pela Cabalá, que inicialmente era a fonte de todos esses movimentos temporários.

Sua existência foi necessária por um determinado período de tempo na história, a fim de revelar a verdade, que não seríamos capazes de descobrir sem elas. Agora, nós podemos perceber a sabedoria da Cabalá, usando-a para mostrar o método correto e verdadeiro à humanidade. Afinal de contas, ela contém a força superior.

A Cabalá não está tentando nos unir no grau egoísta deste mundo, ao contrário de todas as religiões. É por isso que elas não podem ser realizadas, e só existem por um tempo limitado, enquanto as pessoas ainda estão sendo confundidas por eles. Mas logo que se revela que uma conexão é impossível através de certo método, este desaparece.

Porém, a Cabalá permite que as pessoas se conectem com a força superior e se tornem como ela. Ela eleva o homem acima deste mundo, acima de sua natureza. Dessa forma, em vez de se conectar no grau deste mundo, como os irmãos muçulmanos ou o exército de Cristo, nós realmente alcançamos a unidade no grau mais elevado, ao alcançar a doação e o amor mútuo.

Isso não é amor no seu sentido corpóreo e não une todos sob uma bandeira verde, mas eleva ao mais alto grau espiritual, enquanto ainda se vive neste corpo físico. Isso corresponde diretamente à definição da Cabalá como o método da revelação do Criador às criaturas neste mundo.

Todos os métodos eram dirigidos à unidade, mas trabalhavam dentro do egoísmo. Só a Cabalá trabalha acima do egoísmo, e é por isso que é revelada após todos esses métodos. A Cabalá eleva o homem acima do seu egoísmo, e é por isso que é capaz de se conectar a todos nós, e, neste contexto, nós atingimos o grau mais elevado.

A pessoa não precisa morrer fisicamente para ir ao céu, porque não há vida celestial após a morte. O corpo físico não fica no caminho dela, já que não é nada mais do que um pedaço de carne que não nos impede de experimentar o céu internamente. É por isso que está escrito que você vai ver o seu mundo em sua vida.

Isso atrai as pessoas, mas elas devem entender que precisam mudar para vencer a morte dessa maneira. Ir para o céu significa tornar-se dissolvido em seu amor para com a humanidade. Este estado é chamado de céu, o grau mais alto onde eu me conecto com outras pessoas, a ponto de perder completamente o meu “eu”. O mundo inteiro se torna eu, e, desta forma, eu alcanço todos. Isso é o que chamamos de mundo vindouro, o grau mais elevado.

Internamente o homem sempre trabalhou para isso, e é por isso que ele precisava experimentar todo este processo do cristianismo e do islamismo. Foi assim que ele entenderia seu estado atual, seu objetivo real, e como realizá-lo. E ele deve querer alcançá-lo sem a cenoura ou o pau, só porque ele mesmo quer crescer a este nível.

Isso exige que o homem seja maduro internamente; nós só podemos compreender, aceitar e perceber isso através de um longo processo.

Pergunta: Todo mundo pode alcançar isso?

Resposta: Todos devem alcançá-lo! De acordo com o plano da criação, toda a humanidade deve experimentar todo o processo da propagação da religião: uma parte experimenta o cristianismo, a outra parte experimenta o Islã. Mas, no final, todo mundo chega à realização da verdade, subindo acima de nossa natureza e conectando-se acima dela, onde alcançamos a existência superior.

De KabTV “Uma Nova Vida” 31/08/14

Contos: Politeísmo Ou Uma Única Providência

laitman_276_02Abraão, que era um sacerdote na antiga Babilônia e um dos seguidores e discípulos dos ensinamentos de Noé, foi o primeiro a perceber que tudo o que acontece com a nação é intencional.

É difícil aceitar que os resultados negativos, que podem destruir uma sociedade ideal, podem originar-se da boa força superior.

Se as pessoas que vivem juntas em paz e em relações amigáveis de repente sentem que não se entendem e que se ressentem, que estão crescendo separadas e inclusive sentem ódio pelas outras, nós podemos perguntar se a força que gerencia o mundo é realmente boa e benevolente.

Estas perguntas geralmente dizem respeito aos Cabalistas, mas não às pessoas comuns.

A separação que foi subitamente sentida na antiga Babilônia levou os sacerdotes e os sábios a pensar sobre a existência de dois deuses: um bom e um mau, que estão num conflito que se reflete em nossa vida neste mundo. “Provavelmente a força do mal prevaleça sobre a força positiva. E talvez não exista nada, exceto uma série de divindades de todos os tipos”.

No final, as pessoas começaram a acreditar no politeísmo, negando assim a providência de uma força no mundo. Abraão considerava isso paganismo. Ele discordava totalmente disso, porque descobriu que há apenas uma força e uma providência neste mundo e não muitas forças como os Babilônicos acreditavam, quando eles viam o bem e o mal em todas as suas manifestações em nosso mundo, contradizendo-se e destruindo tudo.

Abraão alegou que tudo resultava de uma única força, mas à humanidade é mostrado o desequilíbrio de todo o sistema, como num experimento, para que ela comece a investigar e compreendê-lo. Nós deveríamos entender, sentir e aproximar a força de nós ou nos aproximarmos dela. Nós temos que nos conectar com seus atributos bons e maus que são revelados em nós, e é por isso que o mundo parece um lugar tão terrível.

Há apenas um gerenciador da criação que opera por duas forças opostas: boa e má. Nós temos que controlar estas duas forças e conectá-las para que tenhamos uma força positiva que supera a força negativa, e a força negativa deve aumentar a força positiva.

Assim, a revelação contínua da força do mal numa pessoa obriga a força positiva a crescer ao nível chamado de Criador. Isto é realmente o que Abraão descobriu e começou a explicar e disseminar sua atitude para com a natureza, a missão do homem e o propósito de vida.

No entanto, muito poucos concordaram com ele; na verdade, vários milhares de pessoas na antiga Babilônia concordaram. Ele distinguiu-os de todos os outros que tinham suas próprias intenções e inclinações e começou a ensiná-los. Assim, cada um dos grupos seguiu seu próprio caminho.

De KabTV “Contos” 15/10/14

Uma Guerra Sobre O Sabor Da Vida

Pergunta: Milhões de pessoas lêem e estudam a Torá, mas o que elas estão procurando se o Criador só pode ser encontrado na ligação entre elas?

Resposta: O estudo não é em vão. Qualquer estudo da Torá ajuda a pessoa avançar e permite que ela esclareça as coisas. Milhões de pessoas religiosas e não-religiosas têm estudado a Torá de muitas maneiras: a Bíblia, o Novo Testamento, o islamismo e o cristianismo. Qualquer forma de estudar que está de alguma forma ligada à Torá, direta ou indiretamente, ajuda as pessoas a avançar e prepara a humanidade para a conexão correta, para a correção, para a revelação do Criador a todos os seres criados.

Tudo o que acontece leva a certos resultados. Todas as lutas religiosas e guerras no passado e aquelas que estão acontecendo hoje foram feitas para esclarecer o vaso espiritual correto. Não está claro por que o nosso desejo de receber tem que sofrer, mas é um fato que as aflições que uma pessoa passa desenvolvem-no.

Quantas pessoas morrem a cada dia e que doenças terríveis são reveladas! Novos vírus irão aparecer no mundo para os quais a medicina moderna não terá respostas e é tudo a fim de esclarecer o desejo certo. [Leia mais →]

A Verdade Sobre As Três Religiões, Parte 1

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que o fanatismo religioso islâmico se tornou tão forte nos últimos anos? O Islã iniciou a sua viagem para o Oeste e está gradualmente conquistando a Europa e os Estados Unidos. Hoje na Europa há 54 milhões de muçulmanos; 7 milhões de muçulmanos vivem só na França.

A tendência à islamização está ganhando força, mas o pior de tudo é que isso é amplificado nos movimentos extremistas radicais. Na Europa de hoje, há “guetos muçulmanos” em que os moradores e policiais têm medo de entrar. Eles conduzem sua vida fechados nesses locais, juntamente com as mesquitas e um sistema legal de acordo com as leis do Islã.

Este fenômeno tem crescido para dimensões ameaçadoras e tem gradualmente transcendido o controle governamental. A guerra cultural começou na Europa central, que tinha sido um exemplo de liberdade, democracia, igualdade de direitos e pluralismo.

De repente, um corpo estranho está começando a se desenvolver dentro dela que se opõe a todos os seus princípios básicos – o Islã radicais – levando-nos de volta a um passado distante em relação à igualdade entre mulheres e conquistas modernas adicionais.

O parlamentar holandês, Geert Wilders, fundador do partido “Liberdade”, fez um discurso de advertência do grande perigo que ameaça a Europa. Na sua opinião, nós estamos nos últimos estágios do processo de islamização da Europa, que ameaça não só a sua existência, mas também os Estados Unidos e toda a civilização ocidental, pois está levando ao extremismo, violência e intifada.

Por que a popularidade do Islã radical cresceu tanto, em particular entre os jovens?

Resposta: A ideia é que chegamos ao último estágio do processo de desenvolvimento humano que vem acontecendo há milhares de anos. A civilização humana emergiu na antiga Babilônia e se desenvolveu em duas direções: parte das pessoas seguiu Abraão e a outra parte foi espalhada por todo o mundo. Depois disso, a doutrina de Abraão se tornou a base das três religiões do mundo: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

Estas religiões se desenvolveram nesta ordem, uma após a outra. O judaísmo se desenvolveu diretamente de Abraão. O cristianismo foi fundado cerca de 2000 anos atrás, quando as primeiras comunidades cristãs apareceram. E o Islã só apareceu no século VII.

A florescência relativa e o declínio de todas as religiões acontecem de acordo com estas fases. O judaísmo floresceu em sua forma verdadeira até a destruição do Beit HaMikdash (templo). Após a destruição, o povo judeu negligenciou o princípio do “Ame o próximo como a ti mesmo”, que era a base da doutrina de Abraão, e por isso foi para o exílio. Este foi um exílio espiritual do estado altruísta, uma queda do amor fraterno ao ódio.

O cristianismo floresceu até a Idade Média, e depois começou a declinar, mudar e romper com a formação do movimento protestante.

O Islã esteve numa longa dormência e não se expressou em sua potência máxima. Só recentemente, quando o judaísmo e o cristianismo se tornaram tão enfraquecidos que pararam de determinar a forma de sociedade, então ele começou a ficar mais forte. De fato, está escrito na Torá que no final dos dias, no último estágio do desenvolvimento humano, o Islã acumularia grande poder, como foi escrito sobre Ismael (Gênesis 16:12) “… e sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele…”, o que significa que esta religião subiria acima de tudo.

O judaísmo floresceu durante os primeiros 2000 anos após a saída de Abraão da Babilônia antiga, ou seja, aproximadamente até o início da era comum. Este foi um período em que o judaísmo existia em sua forma espiritual e verdadeira na sua potência máxima. No entanto, depois que o povo judeu caiu de seu nível espiritual e começou a afundar em desejos físicos. Por isso, eles foram para o exílio. Cada geração se afundou mais do que seu antecessor.

Após a explosão do judaísmo, a explosão cristã começou. O cristianismo desenvolveu-se numa tempestade, até que espremeu a si mesmo. Hoje nós estamos no período de declínio do cristianismo, que perdeu o seu antigo poder. Na Europa, para ser um cristão, nada é exigido, exceto um colar com uma cruz no pescoço.

Em alguns lugares, fanáticos cristãos ainda permanecem, mas essas não são as pessoas que eram cristãs desde o início, estes aceitaram o cristianismo num período mais recente, como na América do Sul, por exemplo. Para eles, o cristianismo ainda é uma religião relativamente nova. Ele já existia há 2000 anos e chegou à América através dos missionários só depois que ela foi descoberta por Colombo há 500 anos. Assim, ainda há cristãos devotos na América.

O Islão em nossos dias está realmente começando a ser despertado. Até agora, ele estava em seu período de incubação. Depois de 2000 anos de florescimento do judaísmo e depois dos 2000 anos de florescimento do cristianismo, chegou a vez do Islã.

De KabTV “Uma Nova Vida” 31/08/14

Adoração Ou Realização?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se todas as religiões surgiram após a destruição do Templo, o que as pessoas adoravam antes de sua destruição?

Resposta: Qualquer coisa! Na antiga Babilônia, as pessoas adoravam vários fenômenos naturais: árvores, o deus do sol, etc. Isso não é considerado religião.

Comentário: No entanto, o próprio Templo foi estabelecido por uma religião em particular…

Resposta: Não, o Templo encarna o zelo não-religioso das pessoas que estavam no nível da realização da força superior, a força geral da criação, a natureza em geral.

Não é o que entendemos por religião hoje. Nosso judaísmo moderno é uma religião do exílio do mundo espiritual, o exílio do Templo, o exílio da terra de Israel. É uma religião de exílios.

Os Cabalistas têm uma visão completamente diferente daquela que as pessoas religiosas do mundo têm sobre os desafios do povo de Israel, os desafios da humanidade, e que precisamos levar ao mundo.

Pergunta: Você pode compartilhar os segredos da Cabalá com os outros?

Resposta: Na Cabalá, não há segredos.

De uma Entrevista em Toronto com V. Kanevsky, 05/08/14