Textos na Categoria 'Oração e Intenção'

Apresse-se Em Pedir

284.01Imagine que você é um pai ou uma mãe — talvez rigoroso(a), talvez gentil, não importa, mas amoroso(a) — assim como um pai ou uma mãe se relaciona com seus filhos, você deve tratar os outros.

Pergunta: E no momento em que leio isso todos os dias e entendo que não consigo fazer, essa é a oração: “Eu não consigo!”?

Resposta: Isso ainda não é uma oração, mas um estado em que você se examina e vê o quanto precisa ser corrigido. Então você já tem alguns pedidos ou reivindicações de correção. E você os expõe.

Você se julga; você vem e exige que o Criador o corrija porque não consegue se corrigir sozinho. O único que pode é Ele. Mas somente de acordo com suas exigências, pedidos e súplicas. Então, corra!

Pergunta: Você começou com a instrução de amar a todos.

Resposta: Sim.

Pergunta: Então eu quero alcançar isso, mas não consigo, e peço por isso?

Resposta: Exatamente!

Comentário: Obrigado. Maravilhoso!

Minha Resposta: Então prepare-se.

De KabTV, “Conversa com o Dr. Michael Laitman”, 26/02/26

As Qualidades Que Nos Apontam Para O Criador

239Quando uma pessoa é orgulhosa e não deseja anular sua autoridade perante o Criador, e afirma não ter humildade em si, mas faz o que quer, daí lhe advêm todas as más qualidades. A luz do prazer, que vem do alto, ilumina como uma tênue luz para sustentar o mundo. Como se sabe, ela se reveste de três qualidades, chamadas “inveja”, “luxúria” e “honra”, e todas as três qualidades estão incluídas na qualidade do orgulho (Rabash, “O que significa ‘O Criador não tolera o orgulhoso’ na Obra?”).

O orgulho é um termo comum para descrever uma característica da personalidade humana, um senso de individualismo exacerbado. Existe uma correção para esse sentimento: levar a pessoa a perceber que ela não é capaz de nada. Na verdade, ela é capaz de muitas coisas nesta vida, mas não consegue alcançar a correção espiritual por conta própria.

Como a pessoa é levada a compreender que não pode se corrigir sozinha, a chegar a Lishma? É com a ajuda de três qualidades: inveja, luxúria e honra.

Como o desejo humano de receber possui as três qualidades, ele se desenvolve. À medida que a pessoa se desenvolve, percebe que, sempre que não consegue controlar o desejo de receber, não consegue combiná-lo com a intenção de dar e utilizá-lo dentro da estrutura da eternidade. Então, ela desiste e pede ajuda ao Criador.

Na verdade, nosso progresso inclui muitos desses momentos em que tentamos e falhamos, tentamos repetidamente em vão. E a cada vez, uma oração surge em nossos corações, um apelo ao Criador, dizendo que sou incapaz, que não consigo. Até agora, esse pedido, de que estou realmente decepcionado comigo mesmo e quero alcançar uma intenção de doar, não se formou completamente como algo dirigido especificamente ao Criador.

Mas, gradualmente, a pessoa começa a aprender cada vez mais sobre esses detalhes dentro de seu desejo de receber, dentro de seu ambiente, e se convence da importância desse objetivo. Ela percebe que, caso contrário, sua vida será temporária, aleatória e sem sentido.

Isso acontece até que ela comece a entender que esse apelo não é um pedido natural devido a uma decepção acidental, mas uma certa abordagem a várias situações da vida, a fim de encontrar a atitude correta em todos os casos da vida, para ver o quanto é capaz ou não de dominar o desejo de receber e, com base nisso, voltar-se ao Criador com uma oração sincera.

Da Lição Diária de Cabalá 14/02/26, Rabash, “O que significa ‘O Criador não tolera os orgulhosos’ na Obra?”

Quando Surge Uma Oração Verdadeira?

209Existe uma oração que precede a oração, um pedido para que minhas necessidades sejam atendidas corretamente e para que eu veja minha situação em sua verdadeira luz. Somente depois disso surge uma oração verdadeira.

Uma pessoa preparou seu Kli para correção, e a correção acontece, o que significa que a luz realmente influencia a pessoa e ela recebe a intenção de doar.

Não é que o Criador precise de nossas orações, súplicas, louvores ou bênçãos. Em vez disso, por meio deles, definimos nosso estado a partir de cada tipo de desejo em relação a um estado corrigido.

E se realmente desejamos alcançar a correção de cada qualidade, é sinal de que preparamos nosso Kli de modo que nele, para cada desejo, possa surgir uma intenção de doar.

Mas se o meu desejo ainda não precisa da intenção correta, não posso trabalhar com ele. Somente na medida em que se percebe a necessidade dessa intenção é que se pode começar a trabalhar com o desejo; caso contrário, será coerção, e no espiritual não há coerção.

Da Lição Diária de Cabalá 14/02/26, Rabash, “O que significa: ‘O Criador não tolera o orgulho’ na Obra?”

Inversão Da Intenção De Receber

261Pergunta: Estou descobrindo a maldade no próprio uso do desejo de receber. Por que isso se revela dessa maneira?

Resposta: Eu recebo do alto o desejo e a intenção de desfrutar de algo para mim, como algo dado. Agora preciso entender o motivo. Que tipo de desejo recebi? Pode ser um desejo que me traga grande prazer ou uma oportunidade de desfrutar para alcançar um objetivo.

Portanto, esforço-me para revelar que o que importa para mim não é a satisfação do desejo, mas a intenção por trás dele. Mesmo que eu me deleite com o desejo, como faço agora, e permaneça em um Hisaron (deficiência) insatisfeito, a intenção que recebi pelo simples prazer de receber ainda é, em essência, má para mim. O fato é que o Criador se torna maior aos meus olhos do que a mera satisfação do desejo.

Portanto, devo valorizar a grandeza do Criador mais do que o prazer que se pode obter no desejo. Quando alcanço isso, chego à compreensão do mal.

Mas isso só acontece porque trabalhamos em grupo e buscamos nos inspirar uns nos outros, compartilhando a importância do objetivo, do Criador. Então, sinto essa necessidade e peço ao Criador que se revele a mim como algo maior do que o desejo que me deu antes.

Em outras palavras, o seguinte acontece nas ações do Criador para comigo: Ele me dá um desejo com a intenção de recebê-lo para mim mesmo, e eu preciso revelar, por meio do grupo, por meio de livros, que esse desejo é maligno porque, aos meus olhos, ele é superior à grandeza do Criador. Então, pedirei ao Criador que se revele a mim como grande e não como uma fonte de prazer, para que Sua grandeza me ajude a usar meu desejo com a intenção oposta — a de doar a Ele.

Quando alcanço isso, minha oração se torna uma oração pela doação. Ou seja, não estou orando pelo preenchimento do Kli, mas pela oportunidade de trabalhar em prol da doação.

Da Lição Diária de Cabalá 10/02/26, Rabash, “Quais são as duas ações durante uma descida?”

Elevar-se Dos Ramos Às Raízes

935Comentário: Em nosso mundo, vemos exemplos de amor, mas eles não são muito convincentes.

Minha Resposta: Em nosso mundo, podemos pegar um grupo de pessoas e, por meio de exercícios psicológicos, torná-las tão dedicadas umas às outras que nem mesmo a morte poderá separá-las. O grupo é trabalhado de tal forma que, durante uma ação coletiva, ninguém pensa em si mesmo; todos pensam no grupo e não conseguem imaginar a vida sem ele.

Há um caso conhecido de uma tripulação de submarino que sofreu um acidente e teve que abandonar a embarcação. Nem todos tiveram a chance de escapar, e a parte da tripulação que poderia ter partido optou por ficar e morrer junto com todos os outros.

No plano corpóreo, vemos que as raízes espirituais se manifestam nos ramos sem qualquer dificuldade. E essa é uma força humana; os animais não a possuem. Uma mãe pode dar a vida pelo seu filho, mas os animais não. Se um predador realmente ameaça a vida, a fêmea abandona a cria e foge. Tal acréscimo existe apenas no plano humano.

Isso indica que possuímos todos os ramos das raízes espirituais. Mas queremos alcançar essas raízes. E elas existem de tal forma que você não pode atingi-las diretamente a partir do seu ego. Você precisa se construir nessa forma a partir do zero. Isso significa que você precisa pedir para se tornar assim.

Você não precisa ter a força para se tornar assim, nem um plano de como alcançar isso, mas precisa ter o desejo de entrar nesse estado, de adquiri-lo para que se torne sua natureza de alguma forma; você tem a obrigação de encontrá-lo.

É exatamente aí que reside o problema. Se lhe fosse oferecido construir um grupo nos moldes da tripulação de um submarino, você o construiria. Mas, para concretizar isso no plano espiritual, você não tem capacidade para tal.

Para que o amor pelos amigos cresça dos ramos às raízes, só é possível através do nosso pedido. Não através da execução, mas especificamente através de um pedido.

Pergunta: Quando é que chegamos a fazer um pedido deste tipo?

Resposta: Quando o grupo lhe mostra que é assim que as coisas realmente são, ele lhe diz que, ao deixarmos de amar a nós mesmos, conquistamos algo grandioso.

E mesmo que isso não seja verdade para você, o grupo pode influenciá-lo de tal forma que se tornará verdade.

Da Lição Diária de Cabalá 02/02/26, Rabash, “Pois o Homem é a Árvore do Campo – 1”

Trabalho E Recompensa

571.08No entanto, existe uma lei natural que diz que ninguém é tão sábio quanto o experiente, e antes que alguém tente realmente fazer tudo o que pode, é totalmente incapaz de alcançar a verdadeira humildade, na medida real, como dito acima.

É por isso que devemos trabalhar arduamente em Kedusha [santidade] e pureza, como está escrito: “Tudo o que a tua mão puder fazer com a tua força, faça”, e compreender isto, pois é verdadeiro e profundo  (Baal HaSulam, Carta 57).

Ao trabalhar na unificação para formar um vaso para a doação, a pessoa cai em desespero. Então, surge nela um pedido genuíno, em resposta ao qual o vaso chega. Em outras palavras, a verdadeira necessidade de unidade também vem do alto. Nós, por nós mesmos, somos incapazes de alcançá-la.

Por mais que nos esforcemos, por mais que desejemos, estamos apenas nos preparando para um clamor, e o Criador nos dá o desejo. Neste mundo, uma pessoa não tem e não pode ter necessidade de unidade, por mais que se esforce. O esforço é necessário apenas para pedir.

Revelei esta verdade a você apenas para que não fraqueje nem desista da misericórdia. Embora nada veja, pois mesmo quando a medida do trabalho estiver completa, é tempo de oração, mas até lá, acredite em nossos sábios: “Não trabalhei e encontrei, não acredite”.

Quando a medida estiver cheia, sua oração estará completa e o Criador concederá generosamente, como nossos sábios nos instruíram: “Eu trabalhei e encontrei, acredite”, pois antes disso a pessoa não é digna de uma oração, e o Criador ouve uma oração (ibid.).

Em suma, o resultado do nosso trabalho é alcançar o pedido correto. Então chega o instrumento, o desejo correto de união.

Em geral, neste mundo, esperamos pela realização. Mas, no trabalho espiritual, a realização é o esforço. Se eu puder trabalhar para receber algo, se eu me esforçar, isso em si já é a minha realização. Portanto, não há restrições nem limitações a ela.

Contudo, no meu estado atual, sou incapaz até mesmo de considerar tal coisa. Afinal, todos os meus esforços são necessários para que eu queira doar aos outros, não para sequer começar a doar, mas para sentir a necessidade disso. Será isso possível? No entanto, este é precisamente o vaso espiritual.

É por isso que, em nosso trabalho, passamos por diversas etapas de preparação. Os Cabalistas já escreveram sobre isso mais de uma vez: na espiritualidade, o que nos parece uma recompensa é, na essência, trabalho, e o que nos parece trabalho é, na verdade, a recompensa.

Contudo, como resultado de nossos esforços, esse mesmo vaso nos é revelado, o desejo correto.

Do Congresso no Arava, Lição 6, 25/02/12

Para Encontrar A Metade Que Falta Do Vaso

534Constantemente lidamos com nosso desejo egoísta, que age de acordo com sua propriedade natural, o desejo de receber satisfação, nossa única matéria. Aguardamos a luz da correção e acrescentamos uma intenção para satisfazer esse desejo.

Devemos separar desejo de intenção. Com o desejo de desfrutar, sempre tenho a oportunidade de trabalhar e progredir. Como diz o ditado: “Faça tudo o que estiver ao seu alcance”. Mas a intenção de doar aos outros ou ao Criador surge como resultado da influência da luz que nos cerca. É isso que precisamos pedir.

Ou seja, eu já possuo metade do vaso espiritual, o desejo de desfrutar. Não o estou negligenciando nem anulando, apenas quero mudar sua intenção. Se uma pessoa separa corretamente sua atitude em relação à ação e à intenção, ela sempre será capaz de realizar algumas ações e trabalhar, tanto quando a espiritualidade a atrai quanto quando não. Mas a força da unidade que foi formada no passado a auxilia.

Ela sempre poderá elevar uma oração, um pedido, com a intenção correta, de modo que se una à sua ação e determine sua qualidade espiritual. É assim que uma pessoa progride.

Quando ela começa a compreender mais, a sentir mais e a entrar no mundo espiritual, percebe que não há muita diferença entre o espiritual e o material. Basta uma mudança psicológica na pessoa para que ela possa vivenciar o espiritual.

Não precisamos apagar toda a nossa vida passada nem descartar todas as nossas raízes. Precisamos apenas extrair a intenção por trás de tudo isso e tentar corrigi-la.

Portanto, uma pessoa se alegra por ter saído do Egito e trazido consigo muitos bens materiais, desejos e muita força. Por outro lado, está repleta de intenções egoístas e sente que elas são o oposto da verdade. É nisso que ela começa a trabalhar agora. A partir desse estado, o trabalho se inicia. Por isso, esse é considerado o ponto de renascimento espiritual.

Sentimos como “Vocês estão hoje, todos vocês” diante do Criador, com nossos desejos corruptos, que podemos apresentar a Ele como prontos para correção.

Da Lição Diária de Cabalá, 26/10/11, Rabash, “Vocês Estão Hoje, Todos Vocês”

Filhos Do Sol

232.05Diz-se: “Eu criei a inclinação ao mal e criei os meios para a sua correção, nos quais se esconde a luz que retorna à fonte”.  Disso se depreende claramente que nada se consegue por conta própria, mas apenas por meio de um pedido, por meio da oração.

O esforço para avançar na direção da intenção de doar, para o benefício dos outros, mesmo que não seja sincero e seja completamente contrário aos desejos que atualmente nos dominam, é chamado de oração, ou a elevação de MAN.

Nós recebemos uma pequena centelha de espiritualidade e, para romper a barreira do mundo espiritual e entrar na segunda parte da realidade, só nos falta o desejo. Portanto, todas as nossas orações têm um único propósito: adquirir o desejo.

Mas existem estados em que uma pessoa não deseja absolutamente nada. É preciso compreender que esse estado também nos é dado por uma força superior e não é meramente fruto da nossa preguiça ou indiferença. Uma pessoa é uma espécie de “caixa-preta” despertada por sinais vindos do alto. A luz que incide sobre a nossa matéria, sobre o desejo de estar em sintonia, desperta-a mais ou menos, ou a deixa completamente indiferente.

Dependendo disso, despertamos e nos abrimos, como uma flor em direção à luz do sol ou à chuva, ou murchamos e caímos, sem receber forças vitais. Portanto, se não há força ou desejo para o trabalho espiritual, é preciso compreender que, assim como em algum momento você recebeu inspiração divina e se lançou à frente, ardendo em zelo e trabalhando, o desejo também lhe é retirado do alto.

Este estado é dado intencionalmente e medido com precisão de acordo com as qualidades e a preparação individuais de cada pessoa, a fim de criar um espaço de oração para você. E você deve tentar, com a ajuda do grupo, dos livros, do professor e do ambiente, mobilizar toda a sua força para um pedido.

A oração nasce da impotência, da falta de desejo ou, ao contrário, de um intenso anseio; não importa como, todas essas são condições dadas pelo alto. Da mesma forma, o nosso ambiente é preparado pelo alto: um grupo, um professor, livros. E nós, através do estudo conjunto e do grupo, devemos encontrar a luz que nos reconduzirá à fonte.

Quando estudamos juntos, este é o momento ideal para a oração. Pois estamos em conexão com o sistema superior, com Malchut e Zeir Anpin do mundo de Atzilut, isto é, com o Criador e Sua Shechina. Nos tornamos parte deles, não cada um individualmente, mas todos juntos, e assim damos origem a uma oração coletiva. Através disso, exigimos e atraímos para nós o poder da mudança.

Da Lição Diária de Cabalá 06/03/11, Rabash “O Que Significa que a Caridade para com os Pobres Forma o Santo Nome, na Obra?”

Oração Adequada

Uma oração adequada deve consistir em duas part947es:

1.1. Gratidão – louvar o Criador por nos trazer para o grupo, nos unir, nos formar em um único todo, por responder aos nossos pedidos e caprichos um pouco bobos e não bobos. Caso contrário, a quem nos dirigimos?

2.2. Um pedido urgente um para o outro, não para si mesmo. Afinal, se todos nos unirmos corretamente, esse pedido um para o outro não faz mais sentido, porque imediatamente se transforma em um pedido para o Criador, ou seja, desejamos nos voltar a Ele.

Uma condição obrigatória deve ser o entendimento de que somente o Criador pode responder ao nosso pedido. Ele é o Único que existe, o Único que responde e age em todo o sistema da criação.

Além disso, devemos sofrer com o fato de que temos um grande desejo, mas ainda não recebemos uma resposta para isso. E mais tarde, quando recebo uma resposta ao meu pedido, sinto alegria, prazer e realização. A diferença entre a magnitude do sofrimento durante a oração (não o sofrimento animal, não para si mesmo, mas para o benefício dos seres criados e do Criador) e meu prazer em receber a resposta constitui a quantidade e a qualidade da alegria que me preenche, ou seja, o grupo.

Portanto, quanto mais esforço investirmos na moldagem adequada do desejo pela luz, mais perto chegaremos a ela e mais rápido passaremos o caminho de formar o desejo correto ao qual a luz responderá entrando nele. Assim, nos será concedida a revelação do Criador.

E não importa quão lindamente esse desejo seja formulado ou se ele esteja revestido de palavras elevadas. Só uma coisa importa – a sinceridade do coração no pedido para os amigos, para o grupo, para o mundo, para o Criador. Então meu desejo se tornará verdadeiramente um desejo de doar, ao qual a luz responderá instantaneamente de acordo com a lei da equivalência de forma.

Do Congresso Internacional de Cabalá, Moscou, 02/05/16, Lição 3

Atravesse As Barreiras E Entre No Antimundo

424.01Nosso mundo opera segundo o desejo de receber prazer; isto é, cada parte da criação instintivamente faz um cálculo interno sobre o que é mais benéfico para ela, de acordo com sua compreensão, constituição interna, qualidades inatas, educação e influência do ambiente. Somos incapazes de agir de outra forma.

Nem sequer nos damos conta do quanto estamos presos a esse cálculo egoísta a cada instante. E mesmo quando praticamos algum ato de misericórdia, é apenas para obter algo em troca; caso contrário, não teríamos motivação para agir dessa forma. É assim que toda a natureza funciona, da menor partícula atômica ao ser humano mais instruído e desenvolvido.

Mas há outra intenção: a de doar, não para benefício próprio, mas para benefício do outro. Este é o antimundo, a antimatéria, o completo oposto de tudo o que existe neste mundo.

Não pode haver ali sequer um pensamento sobre si mesmo; tal pensamento sofreu restrição (Tzimtzum) e foi eliminado. Tudo é governado e movido unicamente pela preocupação com o bem do outro.

Então, como podemos abordar tal visão e tais cálculos? Naturalmente, isso não está ao nosso alcance, pois tal força não existe em nosso mundo. Devemos atraí-la para nós daquela outra realidade oposta que existe além da fronteira do mundo espiritual, chamada Machsom.

Mas como é possível que essa força nos alcance, se tudo opera segundo a lei da equivalência da forma, e semelhante se conecta com semelhante? No entanto, existe uma força especial chamada “a luz que retorna à fonte”, a “luz que reforma” ou “luz circundante”, que pode brilhar sobre nós na medida em que ansiamos estar nesse mundo oposto.

Ela nos ajuda mesmo que nosso anseio seja falso, mesmo que não entendamos esse mundo ou o sintamos, contanto que tenhamos ao menos alguma relação com ele, um único ponto de contato, o “ponto no coração”, uma centelha do mundo espiritual.

Se trabalharmos nessa centelha, então, na medida de nossos esforços, a força espiritual brilhará sobre nós e transformará esses esforços em “carne espiritual” ao redor desse ponto, que começa a crescer. Até se tornar um vaso espiritual completo através do qual você rompe com esse próprio antimundo, e se encontra na “realidade oposta”.

O pedido pela força que traz mudanças — pela luz que retorna à fonte, que corrige nossas intenções egoístas para doar ao outro — é chamado de oração. E na medida de nosso anseio, nossa demanda, nossa persistência, essa força maravilhosa age sobre nós e realiza mudanças dentro de nós.

Da Lição Diária de Cabalá 06/03/11, Rabash, “O Que Significa que a Caridade para com os Pobres Forma o Santo Nome, na Obra?”