Textos na Categoria 'O Criador'

Estrangeiros São Parte Da Minha Alma

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico” 19, 33:34: Quando um estrangeiro viver na terra de vocês, não o maltratem. O estrangeiro residente que viver com vocês será tratado como o natural da terra. Amem-no como a si mesmos, pois vocês foram estrangeiros no Egito. Eu sou o SENHOR, o Deus de vocês.

Um estrangeiro se refere a qualquer novo desejo que a princípio é naturalmente egoísta, mas está pronto para se juntar a vários desejos corrigidos e obedecê-los.

Trata-se do fato de que nós devemos estar felizes por receber novos desejos que surgem em nós e expandem a alma, permitindo-lhe descobrir o Criador em maior medida.

Portanto, nós devemos ansiar por isso e amar os novos desejos que são revelados em nós, embora, às vezes, eles tragam dissabores e grandes problemas. No entanto, é graças a eles que formatamos a nós mesmos e nos elevamos.

A Torá só fala sobre o desejo. Não existem pessoas e nem o que vemos ao nosso redor na forma de figuras imaginárias que são representadas pelos nossos sentidos não corrigidos. Nós todos somos uma coleção de desejos.

Pergunta: É dito: “Ama teu amigo como a ti mesmo”. Isso torna o estrangeiro o outro?

Resposta: Sim, você tem que amá-lo de tal forma que ele se torne o outro, já que graças a ele, você sobe mais em direção ao Criador. O Criador envia esses estrangeiros a você de propósito, já que nada é mera coincidência.

Estas são todas as partes de sua alma, assim como a criação é parte de sua alma. Você simplesmente não vê o que é externo a você, já que não pode percebe isso corretamente dentro de você. Mas, na mesma medida em que você desenvolve o senso de amor e doação, e sai de si mesmo na fé acima da razão, o que significa na doação acima da doação, você descobre toda a criação como sua alma.

Não há estrangeiros aqui. Em vez disso, todos se tornam parte integrante da sua alma.

Comentário: Em nosso mundo há o conceito de converter-se ao judaísmo, o qual significa tornar-se judeu.

Resposta: Mesmo que os estrangeiros queiram viver em nosso país sem ser formalmente convertidos, temos que dar-lhes um abrigo, porque há diferentes atributos de proximidade e distanciamento dentro deles.

Havia lugares especiais no templo para os convertidos, tanto para homens como para mulheres. Cada pessoa que vivia fora da fronteira do país podia entrar no templo e viver nele se executasse determinada obra.

Assim como os estrangeiros crescem dentro de você no trabalho interno, os novos desejos que você tem que trabalhar, corrigindo-os e adicionando-os aos desejos corrigidos, do mesmo modo os estrangeiros humanos têm seu trabalho especial.

O Templo é o reflexo preciso da alma. Houve, portanto, a destruição do Primeiro Templo, ou seja, que a alma não suportou a tensão interna a fim de amar e doar e, assim, desceu para o segundo nível, que também foi destruído mais tarde.

O terceiro templo é o fim completo da correção de todos os desejos em nosso mundo e sua conexão num todo único em condições totalmente iguais.

Pergunta: Por que se diz que não vai haver a destruição do terceiro Templo?

Resposta: Porque é o estado do fim completo da correção. Não haverá mais nada para interrompê-lo ou trazer à sua destruição. Todo o ego universal será completamente corrigido.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 16/04/14

A Guerra Para Atingir A Luz

Dr. Michael LaitmanDe Rabash, Volume 1, “O Milagre de Chanucá”: A dominação grega é oposta à maneira judaica. A questão dos gregos significa que eles só trabalham dentro da razão, o que significa no coração e na mente. Claramente no momento em que a nação de Israel queria trabalhar acima da razão e desconsiderar o que a mente externa nos obriga a fazer, eles não conseguiram fazê-lo.

Isso é chamado de guerra dos gregos, que é quando começa o verdadeiro trabalho, o que significa que a nação de Israel quer prosseguir no caminho que leva à adesão com o Criador. Este caminho é chamado de fé acima da razão. Os gregos, no entanto, querem controlar o corpo, de modo que ele não desista de nada se a mente não concordar com ele.

Na verdade, há muitas matérias na sabedoria da Cabalá que são consistentes com a razão, a lógica, e a abordagem racional. Pegue os artigos do Baal HaSulam sobre a natureza, por exemplo, sobre a Providência superior e o sistema dos mundos superiores.

Quando nós explicamos isso aos cientistas e amantes inteligentes da ciência, eles ficam entusiasmados e declaram imediatamente que não se trata de religião, mas de ciência de primeira classe. A ciência é baseada na compreensão inteligente, na análise racional e nos fatos. A ciência oferece a oportunidade de debates, pesquisas e análise de dados. Como isso acompanha a féacima da razão?

De acordo com a nossa lógica atual, a abordagem científica é correta e justificada. Mas quando nós queremos transcender os limites da mente e dos sentimentos humanos, expandi-los para dimensões superiores acima do tempo, espaço e movimento, e acima das ciências do mundo, que são baseadas em pensamentos e sentimentos corporais, não há ninguém com quem possamos argumentar em nossa busca racional pela verdade.

A fim de ascender, nós primeiro precisamos conectar novos vasos de percepção aos nossos vasos naturais. Expandir a mente exige ações especiais de nossa parte, e aqui nós devemos ouvir os conselhos dos Cabalistas que alcançaram isso e nos dizem como devemos agir.

Se eu quiser entrar numa nova dimensão, acima da minha mente e sentimentos humanos, e aquirir novos vasos de percepção, eu tenho que trabalhar contra a minha natureza. Afinal de contas, eu aspiro pelo “espaço” do desejo de doar, e tenho que desenvolver vasos de doação, que eu não tenho.

Toda a Torá, que significa o método Cabalístico, serve para isso. É apenas nesses novos vasos que eu serei capaz de perceber a realidade superior, de entender e atingir as forças, planos, programas e as razões para tudo o que também acontece no meu mundo.

Eu descubro esses novos atributos e tudo o que acontece neles de acordo com o meu avanço em formatar os vasos que agem em prol de dar e não de receber. Assim eu aprendo as ações da força superior, que chamamos de Criador, uma vez que esta força criou o meu mundo corpóreo.

Eu vivo no mundo corpóreo e, ao mesmo tempo, desenvolvo vasos adicionais de doação que agem de forma oposta. Desta forma, eu descubro o mundo superior e avanço no sentido de uma realidade eterna e perfeita. Eu luto para não ficar no nível corporal, mas para subir ao nível humano, para me assemelhar ao Criador.

Eu tenho que adquirir vasos no caminho, atributos e discernimentos que são totalmente em doação, o que significa que eles se assemelham ao Criador. Todas as guerras realizadas para ascender e nos formatar no novo nível que se assemelha ao Criador são chamadas de guerras de Deus e nós as conduzimos para nos aproximarmos do Criador e aderirmos a Ele.

Algumas dessas guerras são guerras dos Macabeus, quando a pessoa concentra suas forças e tenta aderir à Luz Superior, ao se conectar a outras pessoas que querem alcançar o mesmo objetivo, apesar de seu ego. Esta conexão é tão forte que o atributo de doação é revelado dentro dela. A conexão entre eles é acesa por si só e queima como a sarça ardente que queimava diante dos olhos de Moisés.

Esta é uma guerra totalmente interna e seu único objetivo é transcender as forças de separação e alcançar a conexão em que vamos descobrir a Luz pela primeira vez. Em outras palavras, usando a terminologia de Chanucá, nós vamos encontrar o jarro de óleo para as velas e ele vai nos trazer a Luz.

Da Lição “A Importância de Chanucá” 18/12/14

As 72 Receitas Para Um Destino Maravilhoso

Dr. Michael LaitmanPergunta: Há muitos anúncios que oferecem o uso dos nomes sagrados do Criador, a fim de mudar o nosso destino. De acordo com a Cabalá, há 72 nomes sagrados para o Criador, cada um dos quais tem um poder especial que pode ajudar a pessoa num determinado aspecto.

A indústria como um todo se desenvolveu em torno disso, incluindo a produção de diferentes enfeites e objetos. O que está por trás de tudo isso? Qual é o segredo dos 72 nomes do Criador sobre os quais a sabedoria da Cabalá fala?

Resposta: Um nome sagrado é uma receita de acordo com a qual a pessoa pode executar com precisão uma ação espiritual. Por exemplo, é como uma receita de bolo, de acordo com a qual você pode fazer um bolo assim como sua mãe costumava fazer quando você era uma criança. Você pode saboreá-lo e confirmar que ele é realmente o mesmo bolo.

Os 72 nomes sagrados são uma receita de acordo com a qual nós assamos nosso bolo. Eles nos instruem como avançar corretamente ao longo do caminho certo ao mesmo destino, ao mesmo objetivo que temos que alcançar. Nós temos que chegar à última série nesta escola, quer queiramos ou não, e passar todos os exames, a fim de obter o nosso certificado de graduação. Só então estamos prontos para a vida.

Se você pegar os componentes da receita que estão incluídos nos 72 nomes e executar as ações especificadas, você irá alcançar um estado em que vai ser capaz de gerir o seu destino. Esta receita pertence a você e os componentes estão dentro de você.

Isso se refere a diferentes atributos que você tem, os quais devem estar conectados de modo que você vai ter um bolo maravilhoso que leva o seu nome. Este será o resultado de seus dez anos de estudo.

Pergunta: Será que isso significa que eu uso os meus poderes mentais, meus atributos internos, e de alguma forma os preparo e os asso juntos e obtenho um bolo maravilhoso que tem o meu nome?

Resposta: No final, uma nova pessoa sai do forno, e esta é a sua oportunidade de gerir o seu destino.

Pergunta: Mas se eu não tenho nenhuma receita, não sei que componentes usar e como preparar o bolo corretamente, o bolo que sai é intragável?

Resposta: Infelizmente, isso é o que vemos nos dias de hoje. Se nós vivemos hoje sem pensar, sem saber o objetivo, a nossa vida não leva a nada de bom.

A sabedoria da Cabalá não tem apenas 72 nomes, mas também muitos conselhos, fórmulas e outras condições que a pessoa deve ter em todos os níveis de seu avanço. Ela nos adverte o que devemos temer, do que devemos nos manter longe, e, por outro lado, do que devemos nos aproximar e o que realizar.

A pessoa passa por todo o currículo, como em diferentes níveis na escola onde ela aprende vários assuntos diferentes. Gradualmente, esses temas convergem e formatam a pessoa, permitindo-lhe compreender, ver e conhecer. Ela começa a encontrar o seu caminho em torno da biologia, geografia e história, e, gradualmente, todos esses assuntos convergem e a ajudam a compreender a natureza. Então, ela estará preparada para estudá-la de forma geral e globalmente.

De KabTV “Uma Nova Vida” 21/12/14

O Direito De Escolher, Parte 4

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em cada pessoa um imenso ego tem crescido de modo que ela se sente um rei. Como será se ela corrige o seu ego e o ódio para com os outros em amor?

Resposta: Em primeiro lugar, nós esclarecemos que todos nós dependemos uns dos outros, como órgãos de um único corpo. Portanto, não temos escolha; nós devemos nos conectar de forma mútua e correta para que todos trabalhem para o bem de todos. O sistema que é construído por nós deve ser integral, fechado e pleno.

Na mesma medida em que nos aproximamos de relacionamentos como estes, ao nos completarmos mutuamente, nessa medida nós começamos a sentir o poder que está agindo dentro de nós. Entre nós, e dentro de nossa conexão, a força integral que chamamos de “superior” é revelada.

Nós começamos a descobrir isso um pouco, mesmo nos workshops regulares e durante as discussões nos círculos que nós organizamos em diferentes lugares, inclusive nas ruas. É assim que demonstramos às pessoas como, com a conexão correta, até mesmo uma conexão espontânea como essa que dura apenas uma hora, é possível sentir uma espécie de força, um humor único, uma sensação incomum. Algo mudou, e até mesmo o mundo parece diferente.

Pergunta: O que é essa coisa única que a força integral traz para nossas vidas?

Resposta: Esta força integral nos obriga a mudar nossas vidas para sermos semelhantes a ela. Todo mundo se torna consolidado, conectado, e cada um sente todos os outros.

Pergunta: Onde desaparecerá esse ego tão poderoso que obriga cada um a sentir que é como um rei?

Resposta: O ego permanecerá, uma vez que nos conectamos acima deste ego! Como se diz em Provérbios 10:12: O amor cobre todas as transgressões. Cada um vai sentir que é um rei, e, especificamente, com o seu poder real, vai querer fazer todos felizes. Ele vai querer ser um bom rei. Por que você acha que ele vai ser um déspota do mal?

Pergunta: Mas se cada um sente que é um rei, como todos estes reis vão se dar bem juntos?

Resposta: Num sistema integral, cada indivíduo é tão importante quanto todos os outros. Isso porque, se ele não executa o seu papel, todo o sistema vai quebrar.

Pergunta: E quem obriga cada indivíduo a executar o seu papel?

Resposta: O sistema mantém e suporta uma pessoa e a obriga a agir, e por isso ela dá tudo para fazer isso. Este apoio mútuo é chamado de um pacto, o poder de Arvut (garantia mútua), que deve existir entre todos.

Pergunta: Existe uma chance de que Israel se torne estável?

Resposta: Nós vamos estar prontos para fazer isso, pois nenhuma outra escolha permanecerá. Mas a questão é, será que chegamos a este através do caminho do sofrimento ou graças a um entendimento e conscientização, através do qual é possível avançar por um caminho curto e agradável?

De KabTV “Uma Nova Vida” 09/12/14

Construção De Uma Nação Modelo

Dr. Michael LaitmanNós só podemos resolver os nossos problemas no nível social através das relações entre nós. A humanidade é um sistema geral, um corpo geral, que deve ser gerido de forma adequada para que se sinta bem em qualquer momento de sua existência.

Que forma deve assumir a humanidade na medida em que se desenvolve? É claramente avançando em direção a certo estado, certa forma, a um objetivo. Nós estamos mudando e o mundo ao nosso redor também está mudando, e nós nos desenvolvemos para melhor ou para pior.

A questão é o que a natureza exige de nós? Estudando as leis da natureza nas últimas décadas, nós começamos a perceber que a natureza é um sistema integral completo onde cada componente está conectado a todas as outras partes, assim como no corpo humano.

Portanto, todas as partes devem combinar mutuamente e não se opor. Mesmo que não pareça assim, é só porque não sabemos como elas se integram.

A natureza proveu a humanidade com ótimas condições, com exceção da conexão entre as pessoas. Estas devem ser as conexões de uma nova qualidade, para que não avancemos por golpes, pelo ego, ódio, falsidade, guerras, e dominando outros.

Agora todos nós estamos cozinhando numa panela. Se algo ruim acontece com alguém, acabará por ser ruim para todos. Neste mundo global, nós temos de construir uma sociedade homogênea na qual todas as pessoas são iguais, estão devidamente conectadas entre si e se complementam reciprocamente. Tal sociedade é baseada nos princípios de igualdade, a conexão correta em que há espaço para todos, na educação correta para crianças e adultos, e concessões mútuas, até que juntos, chegamos às conexões de amor. Afinal de contas, não pode haver certas partes que desejam se devorar num só corpo, a menos que seja câncer.

Pergunta: Qual é o trabalho complementar indispensável entre todas as partes em relação a Israel?

Resposta: Israel precisa disso muito mais do que qualquer outra pessoa. É porque a nação de Israel deve ser a primeira a perceber este processo e cumpri-lo, a fim de estabelecer um exemplo para os outros, para ser Luz para as nações. O papel da nossa nação no mundo é ser uma nação modelo. Esta é a razão de nós sermos odiados, porque mostramos a todos o oposto e definimos um exemplo negativo.

Pergunta: Como o desenvolvimento da sociedade israelense é expresso no plano da natureza?

Resposta: Deve ser uma comuna, uma conexão, de acordo com o princípio de “todos de Israel são amigos”, e “ama teu amigo como a ti mesmo”, para que ninguém falhe, não exista grande ou pequeno, e todo mundo esteja igualmente conectado. Todo mundo só deve se preocupar com a conexão máxima entre as pessoas em complementação mútua.

É exatamente assim como o corpo humano, como cada órgão, complementa todos os outros, e, como resultado, o corpo funciona corretamente.

Pergunta: Será que um determinado líder, que entende o plano de nossa evolução e vê pelo menos um ou dois passos à frente, pode ganhar a confiança do público?

Resposta: Não. Primeiro ele teria que explicar a sua abordagem ao público e prová-la, trazendo evidências da ciência e da sabedoria da Cabalá, e, assim, gradualmente fazer o público se acostumar com o novo modelo. É porque as pessoas só querem resolver seus problemas diários e isso é tudo.

Portanto, eles devem primeiro ser preparados para entender a situação atual e o que está acontecendo, por que somos chamados de nação de Israel, por que o mundo inteiro se relaciona conosco de uma maneira especial, e o que devemos ser. É porque de acordo com o plano da natureza nós somos a mais especial de todas as nações e não podemos fugir do nosso papel.

Pergunta: E se as pessoas não acreditam nisso, será que nos desenvolveríamos de forma diferente?

Resposta: Não. Nesse caso, a natureza vai nos obrigar a cumprir o nosso papel, mas apenas sob o recebimento de duros golpes. Se não quisermos entender e aceitar esse papel, vamos aceitá-lo sob a pressão de problemas e dificuldades, incluindo guerras e até mesmo guerras nucleares.

Pergunta: Se um determinado líder consegue perceber o plano da natureza e avançar ao longo do caminho correto, que medidas específicas ele deve tomar?

Resposta: Em primeiro lugar, ele deve levar o plano educacional para toda a nação por meio da mídia, escolas, creches e locais de trabalho. Educação refere-se a conhecer a natureza. Em Gematria, natureza (Teva) e Deus (Elokim) têm o mesmo valor. Vamos reconhecer quem nos governa e o que Ele quer de nós. Esta é a única maneira de melhorar a nossa vida e prosperar.

Isto é o que acontece com uma criança que não ouve seus pais, mas depois, no final, entende e faz o que os pais necessitam. Então, naturalmente, a atitude deles em relação a ela muda para melhor. Assim, isso significa que nós alcançamos a solução para todos os nossos problemas, incluindo os problemas de saúde, as guerras, o alto custo de vida, etc. Tudo vai dar certo e avançar sem problemas, e, portanto, vamos receber tudo, até mesmo antes de pedir por isso.

De KabTV “Uma Nova Vida” 09/12/14

Amor Que É Mais Forte Do Que A Morte

Dr. Michael LaitmanPergunta: No Cântico dos Cânticos, cada frase do Rei Salomão está literalmente cheia de significado alegórico. Por exemplo, a expressão “jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada”. O que significa isso?

Resposta: É uma tentativa de abrir a ocultação, não permitindo que a ligação seja atingida. Caso contrário, o amor não vai chegar à sua altura total. Sem ele, a semente não será abençoada e não haverá nenhuma emanação sem essa ligação.

Comentário: “Eu durmo, mas meu coração está acordado”.

Resposta: Esta é a razão pela qual eles não chegam imediatamente à ligação: não há absolutamente nenhuma necessidade disso. Meu coração está acordado, mas meus desejos e todos os vasos não estão.

Pergunta: Como o amor pode ser despertado?

Resposta: Por diversas atividades: ele bate na porta, ela abre a porta tarde, ele se foi, e ela corre atrás dele, etc. “A canção” termina com o amante supostamente preenchendo o mundo todo. E onde está o seu verdadeiro abraço, conexão e ligação? Supostamente não estão lá. O Cântico dos Cânticos fala sobre tudo, mas este é apenas o início. A descoberta da natureza que existe em perfeição está pronta para um abraço e ligação, e nós estamos diante dessa natureza.

Pergunta: O que é o “beijo”?

Resposta: Existem diferentes tipos de conexões entre os que amam e os seus entes queridos. Isso inclui o abraço, que é dividido num abraço da esquerda e um abraço da direita. Juntos, eles formam o abraço perfeito. Depois, há o beijo, a conexão na boca. Esta conexão ainda não está completa, uma vez que uma ligação completa é a fusão de corpos. Deve haver abraço, beijo e ligação.

Pergunta: Há um ponto de vista especial sobre o “Cântico dos Cânticos”, como uma descrição do amor entre o povo de Israel e o Criador. Como nós devemos olhar para esta história: tanto o amor do homem pelo seu próximo como o amor do homem pelo Criador?

Resposta: Na verdade, essa é a resposta, “do amor das criaturas ao amor do Criador”. O que isso significa? Se eu defino a minha disposição de amar tudo o que me rodeia, no final eu alcanço a mesma disposição em relação a toda a natureza, que é o Criador, a força superior. Toda a natureza está acima de mim; eu estou nela, nós estamos todos nela.

Pergunta: “Porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que o homem desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam”. Que tipo de amor é esse mais forte do que a morte?

Resposta: Todas as nossas propriedades boas e ruins, tudo o que existe na natureza de forças boas e más, o positivo e o negativo, o calor e o frio, pressão e vácuo, tudo fica renovado. A conquista do fim, a realização completa das forças opostas da natureza, o fato de que na natureza há sempre uma contra a outra, é o objetivo de toda a criação.

Isso se chama “Cântico dos Cânticos”. O Cântico é um amor não-egoísta das criações em doação mútua, “Ama o próximo como a ti mesmo”. O Cântico dos Cânticos é a conquista do amor para com o Criador ou do amor para com toda a criação, quando uma pessoa sai de si mesma e, literalmente, se localiza em todos os lugares!

De KabTV “Uma Nova Vida” 28/05/14

Os Macabeus E A Ideologia Grega, Parte 1

Dr. Michael LaitmanPergunta: Enquanto nós estamos celebrando Chanucá, a festa da vitória dos Macabeus, vamos falar sobre a helenização, que os levou a ir para a guerra com os gregos.

Após as conquistas de Alexandre da Macedónia, os gregos impuseram sua cultura, que na época parecia bastante iluminada, racional e intelectual.

A abordagem racional, consciência e compreensão estavam a frente, por um lado, e por outro lado, a beleza e a estética. A competição também desempenhava um papel importante. Basicamente, a cultura grega antiga era retratada como muito progressista e dinâmica.

Inicialmente, nos primeiros dois séculos, o novo governo era simpático a todos os povos, incluindo os judeus, permitindo-lhes manter seus costumes e rituais religiosos. Junto com isso, eles eram obrigados a fazer parte do império universal e “supermodelo” com princípios morais cultivados.

À primeira vista, tudo estava bem. A elite judaica se juntou ao processo e viu as tendências de desenvolvimento nela. Mas, entre o povo judeu, apareceu um grupo que se opunha à assimilação e queria manter a sua singularidade, em vez de desaparecer na cultura “coletivo”. Por que isso? O que havia de ruim nisso?

Resposta: Em primeiro lugar, esses eventos são muito diferentes aos meus olhos. Essa parte do povo que permaneceu fiel à cultura judaica não representava uma minoria quantitativa, mas qualitativa: a fraqueza das forças internas do homem.

A cultura grega não podia penetrar seriamente a cultura judaica, pois estava em oposição absoluta ao que o povo judeu vivia e respirava e ao que absorvia de toda a sua abordagem da vida. Primeiro de tudo, naqueles tempos, os judeus passavam por um poderoso sistema de educação integral. Dizia-se que não havia nenhuma criança de seis anos de idade, desde Dã até Berseba, que não conhecia as leis de impureza e pureza.

Além disso, isso se refere à pureza interior de uma pessoa. Hoje, os rabinos passam por exames em Kashrut, mas o povo sabia, então, que “pureza” era essencialmente a intenção de doar, e “ama o amigo como a ti mesmo”. Impureza era seu oposto, o uso do ego para benefício pessoal. Os judeus viveram de acordo com a lei do amor até os dias do Rabi Akiva, quando o segundo Beit HaMikdash (templo) foi destruído e o princípio do “ama o amigo como a ti mesmo” entrou em colapso, algo que mais tarde levou ao exílio do povo judeu.

Com efeito, no período dos Macabeus, todos estavam ainda numa grande altura espiritual; o povo sabia como cumprir a Torá e as Mitzvot (preceitos) no sentido espiritual, corrigindo seus desejos para o bem dos outros e para o bem do Criador. Todos estavam verdadeiramente como um homem com um coração. Eles certamente foram compelidos a cada momento a superar a inclinação ao mal que estava crescendo continuamente, e, desta forma, subiram mais e mais no amor ao próximo, na unidade. Sua unidade causava o crescimento do ego a todo o momento e eles se uniam novamente acima dele, a fim de descobrir todo o ego no seio do povo, conectar-se acima dele, e alcançar o fim da correção.

Eles ansiavam por isso, e nesta condição o primeiro Beit HaMikdash (Templo) foi construído. Depois, um recuo em relação a isto começou, o que era completamente natural, até que tudo foi destruído e o povo de Israel foi para o exílio e depois deixou-o, como é dito, Gênesis 15:14: com muitos bens, como no tempo do êxodo do Egito. No entanto, desta vez, isso atrairia toda a humanidade consigo, que na verdade é algo que temos que fazer hoje.

Primeiro é necessário compreender o processo, que é completamente oposto ao que acontece com todos os outros povos. O povo de Israel vive de acordo com a lei, Levítico 19:18: E amarás o teu amigo como a ti mesmo, em Arvut (garantia mútua), cada um apoiando os outros e criando unidade através do poder de doação. E assim o Criador foi revelado entre eles.

Os profetas também surgiram a partir daqui. Tudo o que eles fizeram e escreveram foi derivado de viver dentro da Luz, ao se descobrir o poder superior, a verdadeira realidade superior.

De KabTV “Uma Nova Vida” 14/12/14

Chanucá: O Milagre Da Unidade

Dr. Michael LaitmanEm 170 a.C., os gregos, liderados por Antíoco IV, capturaram o Templo. Houve uma divisão entre os adeptos da filosofia e da religião grega e os que permaneceram fiéis ao conceito de um único Criador.

Alguns sacerdotes, incluindo o sumo sacerdote (Cohen Rishon), apoiaram os gregos. O Templo de Jerusalém foi profanado e transformado num santuário de Zeus. Uma severa perseguição e helenização forçada da população levou à revolta dos Macabeus, liderada por Matityahu Hashmonay que emitiu a chamada: “Aquele que for por Deus, siga-me!”.

A revolta terminou com a vitória dos Macabeus. Tendo entrado no templo, eles descobriram que o óleo puro para acender as velas da Menorá iria durar apenas um dia. Mas um milagre aconteceu. As velas queimaram por oito dias, e assim é chamado o milagre de Chanucá.

Pergunta: O que Chanucá representa do ponto de vista espiritual?

Resposta: A história que leva a este feriado começa com Abraão como o fundador do povo judeu. Muito antes dos Macabeus, Foi ele quem primeiro publicou a chamada: “Quem estiver se movendo em direção ao Criador – siga-me”. Sob este lema, ele reuniu um grande grupo de babilônios, a quem  ensinou a sua abordagem do universo, o propósito da vida e da criação, o destino humano superior, etc.

Mas o mais importante, sob o lema de “unidade em nome da unidade”, Abraão começou a unir aqueles que se alinharam a ele, porque é na busca da unidade que revelamos a força superior da natureza, o Criador, que nos une. Ela nos transforma em um todo e nós nos tornarmos invencíveis ao egoísmo externo ou interno. O que Abraão começou, os Macabeus, unidos uns com os outros, continuaram.

Em princípio, é a mesma ação de rebelião contra o egoísmo, apenas em diferentes níveis, e é por isso que ela ocorreu em diferentes pontos da história.

Tendo unido o povo, os Macabeus chegaram ao mesmo estado que Abraão e venceram. Conforme a unidade com grupos maiores de pessoas que se juntaram a eles, eles revelaram uma força espiritual maior, que era a força da unidade, a força superior de doação e amor. Portanto, eles eram invencíveis ao egoísmo, personificado pelos gregos neste caso, na Babilônia pelos babilônios, no Egito pelo Faraó e, mais tarde, pelos romanos.

Em geral, essa é a única luta, uma guerra por todas as gerações. E mesmo quando não temos um inimigo aparente, o nosso inimigo interior sempre se rebela dentro de nós, uma e outra vez, forçando-a para adorar vários ídolos em nossa vida. Nós temos que lutar contra isso.

É fácil traçar um paralelo entre essas duas guerras e hoje, visto que os ídolos modernos estão totalmente expostos como nulidades completas, levando-nos a um fim e não temos mais nada a ver com eles. Por um lado, ainda somos atraídos a eles, e, por outro lado, entendemos que isso é temporário, prejudicial e não traz bons resultados.

Portanto, o nosso comportamento é uma reminiscência de um homem que fica bêbado, não sabe ou não ouve nada, esquece de si mesmo, e está desconectado do que está acontecendo. Nós nos tornamos imersos em negócios ou outras coisas apenas para nos mantermos ocupados, imitando, assim, um herói do filme, um personagem literário, ou apenas conhecidos que supostamente têm êxito na vida. Este é o ídolo que é tão atraente para nós.

Pergunta: Você acha que esses desejos se exauriram?

Resposta: Não, mas eu sei que tudo isso é temporário e limitado. A própria vida nos mostra isso. O mundo é como um teatro e nós sempre desempenhamos um papel nele.

Há pessoas que não buscam nada. A principal coisa para elas é viver tranquilamente e em paz, para que ninguém as incomode. Mas, existem poucas assim. A maioria é atraída à competição, a luta por um lugar ao sol, e nós começamos a fingir que somos pessoas de negócios, correndo com uma pasta e mudando de um plano para outro, e, desta forma, corremos para o túmulo.

Pergunta: Pode o milagre de Chanucá ter lugar nos dias de hoje?

Resposta: Na vida há sempre lugar para um milagre. Cada vez que nos conectamos uns com os outros, a força, que é maior do que todas as outras forças, obstáculos, condições, manifesta-se, e assim há um milagre diante de nós. Nós podemos evocá-lo, mesmo hoje.

Um milagre é um fenômeno sobrenatural, mas nós mesmos somos capazes de causá-lo quando queremos. Hoje, se quisermos subir acima do egoísmo em nossa unidade, uma força superior completamente nova se manifestará dentro de nós, e com a sua ajuda, nós seremos capazes de acalmar o mundo inteiro, organizar tudo, e todo mundo vai ficar bem e calmo.

Pergunta: Que tipo de milagre aconteceu quando as velas dos Macabeus foram acesas?

Resposta: Através de sua unidade, os Macabeus atraíram a Luz que lhes deu a oportunidade de ficar no estado de doação, amor e conexão, até que começaram a atrair as novas massas de pessoas para si.

Os desejos das pessoas que se conectam num todo simbolizam o óleo, e sua reunião, apesar do seu egoísmo, simboliza o pavio. Elas queimam em seu desejo de se aproximar, e quando se unem de alguma forma, uma Luz aparece dentro delas que apoia o fogo dos seus desejos.

Se elas começarem a se envolver numa maior disseminação e a se voltar às maiores massas de pessoas, a lâmpada queimará continuamente.

A manifestação da Luz, a força superior, o Criador na unidade do povo, é o milagre. Além disso, não há outros milagres, porque a essência de todos os milagres é que a nossa unidade provoque a manifestação da força interna, chamada de propriedade de amor, o Criador. Ela faz maravilhas. A travessia do Mar Vermelho, o milagre de Chanucá e o milagre de Purim são sempre a revelação do Criador em nossa unidade. Portanto, há apenas uma técnica e ela não contém nada complicado. Ela veio até nós a partir de Abraão, que primeiro mostrou como isso é realizado.

O fato é que nós podemos nos unir de qualquer maneira, mas a essência do milagre é que nos unimos para que uma nova propriedade superior apareça dentro de nós, que não se manifesta em outras ações, que nos eleva para o próximo nível de consciência, sensação, visão e existência.

Pergunta: Como o povo poderia acreditar que uma vela queimaria por oito dias, quando sabiam que seria suficiente apenas para um dia?

Resposta: Se nós aspiramos à unidade, não estamos interessados ​​em nada, exceto em chegar a este estado, dentro do qual o Criador é revelado. Então chegamos às condições de infinito e vamos para o próximo nível de existência, onde não há nem tempo nem espaço. Os oito dias representam apenas uma alegoria, uma vez que existem oito Sefirot do nível de Bina ao nível de Malchut.

Pergunta: Como uma pessoa pode não pensar no que vai acontecer amanhã?

Resposta: Se você trabalha para doar, o amanhã não existe para você! Não há momento seguinte! O mais importante é dar.

O amanhã vai desaparecer do seu campo de visão, da mente e dos cálculos! Ela não existe! Você está incluído na ação de doação e aparentemente se estende a todos os outros. Nada permanecerá em você. O seu “eu” simplesmente desaparece.

Na etapa seguinte, surge um novo estado egoísta. A mesma coisa se repete, como a roda que se move para frente, mas ao mesmo tempo gira em torno de si.

Pergunta: Em que circunstâncias isso é possível?

Resposta: Isso vem gradualmente, depois de muitos anos e só de Cima. Mas virá. Eu posso prometer a todos os meus alunos que isso vai se tornar realidade, e eles vão chegar a este estado.

Eu acho que, em conjunto com eles, eu ainda vou ser capaz de passar por seus primeiros passos nesta ascensão. Este é o desejo de todo professor espiritual que não pode abandonar seu filho no meio do caminho. O professor quer guiar seus alunos pelo deserto para que eles cheguem à doação plena, e não tenham qualquer possibilidade de voltar atrás, uma vez que a propriedade de doação reina em todos os seus desejos.

Assim, eles desenvolverão seu caminho espiritual por conta própria, com o próximo líder, como Moisés e Josué. Mas é desejável que nós atravessemos o deserto juntos.

Pergunta: Como você vê os milagres do ponto de vista material? Digamos que, por muitos anos, os arqueólogos buscam a confirmação do êxodo dos judeus do Egito, mas não encontram nenhum vestígio. De fato, alguma coisa deveria ter sido deixada. Além disso, nenhuma evidência foi encontrada dos 40 anos de peregrinação do povo de Israel no deserto.

Resposta: Arqueólogos descobrem confirmação destes ou de outros acontecimentos históricos, quando chega a hora. Por isso, em seu tempo, eles vão subitamente encontrar artefatos de história no mesmo local onde anteriormente não encontraram nada. Estas descobertas ainda estão por vir.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 17/12/14

O Mistério De Israel

Dr. Michael LaitmanNos últimos anos, os políticos começaram a falar sobre a consolidação legislativa do caráter judaico do Estado de Israel. A razão para isso é a ampla onda de ataques antissemitas. O mundo inteiro tem um problema com o povo judeu, perguntando: “Por que eles tomam a posse de terras que não lhes pertencem?”

Muitos sequer concordam com a divisão original do território de acordo com a resolução da ONU. Hoje, um voto secundário certamente nos privaria do direito ao nosso próprio Estado.

Após o desastre, o mundo estava desconfortável diante de nós, e se de fato tínhamos que ter um país, isso continuará, de acordo com as leis do desenvolvimento comum.

No entanto, nós temos que torna-lo realmente nosso, tomar a terra santa (Eretz) como o desejo (Ratzon) de purificar e formar, não como uma coleção de exilados, mas como o povo de Israel, no sentido pleno da palavra, totalmente unido e aspirando direto ao Criador (Yashar El).

Nós temos que realizar um curso sobre coesão, amor e unidade, para nos tornar como um homem com um coração.

Se tivéssemos organizado nossa nação dessa forma, não teríamos que realizar guerras intermináveis pelos últimos 66 anos sem um único segundo de descanso e relaxamento. E a situação não teria sido como é hoje, de tal forma que todo Israel é forçado a planejar uma evacuação de emergência, um plano de fuga em caso de um desastre.

Pergunta: Uma e outra vez, a vida nos confronta com questões básicas que afetam a nossa existência na terra de Israel. E este tópico sempre cobre a névoa da incerteza e da indefinição. Por que existe essa incompletude agonizante na nossa autodeterminação? Por que não foram colocados todos os pingos nos “is”?

Resposta: É porque nós queremos ser como todas as outras nações e definir o nosso país como todos os outros, de acordo com as representações tradicionais de território, fronteiras e entidades públicas. No entanto, isso não funciona para nós e não se aplica a nós. Este formato habitual não causa uma resposta fiel em nós, onde não sentimos por nós mesmos, e não encontramos qualquer correlação com a forma como o nosso país deve ser identificado e parecer como povo, e cada pessoa nele.

Acontece que não somos o povo de Israel como ele deveria ser, e não vivemos na terra de Israel, nem no país de Israel, como deveria ser de acordo com as fontes originais, de acordo com a nossa base. Nós temos tentado adotar o conceito de conceitos externos, simplesmente captando-os, mas eles não chegaram a ser concretizados. O rótulo internacional padrão se descola repetidamente.

Como resultado, nós sentimos que isso não é adequado, mas continuamos a nos sobrecarregar com isso, sem ter uma definição clara. E o mundo, por seu lado, não entende as nossas ações e vê o Estado de Israel como uma entidade artificial.

Nós podemos argumentar eloquentemente que essa é a nossa terra. Podemos até mesmo nos sacrificar pelo bem de vida. No entanto, ainda não entendemos o que “o povo” e “o país” significam para o povo judeu.

Baal HaSulam escreveu um ótimo artigo sobre isso no jornal “A Nação” (HaUma), que, aliás, foi fechado após seu lançamento inicial. Neste trabalho, a natureza desses conceitos e a necessidade de voltar às suas raízes depois de dois mil anos de exílio foram descritas em detalhes.

Por que devemos recorrer à história antiga e à vida primitiva, agora que isso já foi vivido por nossos antepassados? Pelo contrário, nos séculos anteriores, nações avançadas plantaram suas culturas em todos os lugares. A cultura estrangeira, com um sucesso particular, foi transferida aos povos indígenas da África e América. Idiomas morreram, bem como tradições e crenças, dando lugar à influência inglesa, espanhola e francesa.

Mas nós ainda não fomos capazes de nos manter dentro das margens do presente. Não há nada que possamos tomar emprestado dos povos do mundo. Pelo contrário, nós estamos organizados de tal forma que os povos do mundo adotam as coisas corretas de nós.

Isso não depende de nós e não é orgulho ou arrogância. Nós estamos ligados desta forma. Não é por acaso que o mundo nos vê como um povo inteligente e desenvolvido, alimentando um propósito de vida. O mundo sente que o povo judeu tem um segredo que não quer abrir para os outros; isso significa que eles devem nos forçar a desistir.

Este sentimento é indestrutível, e nós finalmente temos que entender o que eles querem de nós. Na verdade, que tipo de mistério reside dentro de nós? Se nós soubéssemos, poderíamos vendê-lo pelo triplo do preço. Mas não, isso não funciona dessa maneira.

Afinal, o que temos dentro e que se encontra no povo de Israel sem o seu conhecimento é este grande, bonito, sedutor e brilhante objetivo, o futuro do mundo.

O nosso mundo está ligado à irmandade que vivíamos antigamente. Nós precisamos recuperá-la, em outras palavras, viver juntos como um povo que respeita a lei, amar o nosso próximo como a nós mesmos, de acordo com os princípios que recebemos no Monte Sinai, e ser como um homem com um coração.

Hoje nosso mundo global e integrado sente a relação inquebrável de todas as suas partes, literalmente exige isso, e exige o cumprimento dessa lei. Se nós revelarmos um guarda-chuva de garantia sobre todos nós, vamos nos encontrar num mundo que é para nós como o Jardim do Éden.

É por isso que nessa era moderna, o mundo presta atenção em nós, sem saber como ou por que, e começa a exigir a lei de nós, pela qual vai viver amanhã. Afinal, a vida atual parece cada vez mais intolerável para o mundo, obscura e sem esperança. Ela já não apresenta um quadro de amanhã. Inconscientemente, as pessoas sentem que o povo judeu tem a resposta.

Como consequência, o antissemitismo floresce em todo o mundo, afetando milhões de pessoas. Assim, ele simplesmente nos obriga a perguntar sobre a lei e o modo de vida que devem formar a base da nossa existência aqui.

Se realmente voltássemos às raízes, se colocássemos em prática o conceito de “povo de Israel” aspirando “direto ao Criador” (Yashar-El), ou seja, à unidade, solidariedade e amor, se assim fosse, nós educaríamos o povo com base na lei, combinados uns com os outros, como um homem com um coração, ajudando-se e unindo as pessoas com esta parceria. Isto serviria como um exemplo para o mundo. Além disso, nós ensinaríamos as pessoas a construir a unidade.

Assim, o mundo entenderia que somos uma parte especial dele e que realmente precisamos aprender. E há muito o que aprender, já que é o futuro e a salvação de toda a humanidade. Não é apenas por algumas décadas compreendendo a expectativa de vida de cada geração, mas sim uma nova base para uma nova fundação sendo colocada aqui, na qual nosso mundo será aperfeiçoado e ascenderá a um novo nível, para a condição eterna e perfeita.

Hoje, o nosso egoísmo se devora e, como resultado, nós vivemos uma média de 70 a 80 anos. Se passássemos do desejo de receber egoísta para um altruísta, para a doação, e se todos vivessem com seu coração bem aberto no meio de sua nação, cuidando de tudo, encontraríamos outras leis naturais, as leis do amor e da doação. Nesse ponto nós entraríamos na vida eterna e perfeita, e o nosso mundo abriria a oportunidade de viver além das limitações de tempo, espaço e movimento. Nós começaríamos a perceber o mundo em que não há limites.

Nesse meio tempo, os problemas em relação ao povo judeu, que nós chamamos de antissemitismo, vai crescer cada vez mais. Nós não podemos nos livrar disso. Pelo contrário, vamos ter que dar uma resposta, uma vez que é necessário enfrentar essa situação.

Ao mesmo tempo, vamos ter que resolver o problema do caráter judaico do país, recentemente exposto para discussão pública. Porém, não deve ser pela linguagem artificial e não com base nas leis que herdamos do mandato britânico ou do domínio turco. Não, nós temos que assumir a Torá e tirar todas as definições necessárias.

Por milênios, desde os dias de Abraão, os Cabalistas têm explicado o significado de “povo de Israel” e “país de Israel”, e quem é uma “pessoa judaica”. Nós precisamos nos abrir ao mundo, abandonar os limites e adotar o nosso entorno, todos aqueles que desejam viver de acordo com a lei de amor e unidade, sob a égide da doação. É isso mesmo, mais do que geográficas, as fronteiras da terra de Israel, ou seja, a garantia mútua universal, se estenderá a todo o mundo.

Em princípio, a terra de Israel não é o território na superfície do globo, mas um lugar onde as pessoas vivem de acordo com a lei do amor. Portanto, agora ela não existe. Afinal, terra (Eretz) significa desejo (Ratzon). Se existe a lei do amor entre pessoas que vivem em qualquer lugar e seguem essa lei, a sua relação, o seu desejo comum chama-se a terra de Israel, o desejo aspirando direto ao Criador (Yashar-El), e, assim, elas querem ser como a força superior.

Isso é o que nós temos que explicar, demonstrar e oferecer a todos os povos. Então, em vez de ódio, vamos sentir empatia, respeito e carinho, que é o que sentimos agora dos nossos milhares de alunos em todo o mundo. Nós vemos como eles estão comprometidos conosco quando os ensinamos a se unir para alcançar cooperativamente o poder superior.

De KabTV “Uma Nova Vida” 30/11/14

Uma Borboleta No Monte Sinai

Dr. Michael LaitmanPergunta: A desintegração da sociedade que estamos testemunhando agora em Israel e em todo o mundo nos faz lembrar o nascimento de uma borboleta. Primeiro, há a lagarta, que vive por um tempo, come plantas e está feliz.

Porém, num determinado ponto a lagarta chega ao fim e não pode se preencher mais. Ele se transforma numa crisálida e entra num estado de escuridão fechando-se dentro de um casulo onde seu corpo começa a se desintegrar.

A lagarta deixa de ser o que era antes. Os cientistas descobriram que os genes que posteriormente a transformarão numa criatura totalmente diferente já estão na lagarta. Depois de um período de caos e desintegração, uma linda borboleta de repente sai do casulo; uma criatura alada que é muito mais desenvolvida.

Será que nós estamos no período do casulo agora e, portanto, vemos como tudo ao nosso redor está fora de equilíbrio e se despedaçando?

Resposta: É realmente assim, mas, a fim de nos tornarmos uma borboleta bonita, nós temos que mudar. Nós podemos alcançar essas mudanças quer de uma forma agradável, fácil e curta pela conexão entre nós, ou pela guerra e problemas terríveis que nos forçarão a unir. Isto significa que nós podemos passar por este processo de forma passiva ou ativa.

Comentário: Então, no final, nós nos conectaremos com ou sem guerra.

Resposta: Sim, mas há uma enorme diferença. Afinal de contas, não vai ser apenas mais uma guerra, mas uma guerra nuclear.

Pergunta: E se nós não conectamos?

Resposta: Não pode ser. Ela já está em nossos genes, assim como a lagarta é deve se tornar uma linda borboleta no final. Nós também temos os genes de acordo com o quais temos que levar o mundo inteiro à correção e eles já estão impressos nos genes da sociedade humana, em nosso programa interno. Nós só temos que cumprir isso.

Nós temos duas opções: boa ou ruim. A opção ruim é através de guerras e sofrimentos e a opção boa é por alcançar o cumprimento da sabedoria da Cabalá por nós mesmos, alcançando a força da conexão por ela ao atrair a força, a Luz que Reforma para nós mesmos. É dito: “Eu criei a inclinação ao mal, eu criei a Torá como um tempero, uma vez que a Luz nela reforma”.

Pergunta: Você fala sobre a Torá, então se trata de religião?

Resposta: Não. A Torá é a Luz, a força que nós descobrimos dentro do círculo, que nos solda juntos. A força que reforma é chamada de Torá. Não é um conceito religioso. Não é um livro ou um pergaminho que tem palavras escritas nele, mas uma força interior.

A inclinação egoísta não nos deixa conectar, enquanto que a Torá é a Luz Superior, o meio para corrigir a inclinação ao mal, que é sentida apenas por aqueles que sentem que têm que se conectar com outras pessoas e não podem fazê-lo. É como se toda a nossa nação se sentasse num grande círculo de oito milhões de pessoas e todo mundo só pensasse no fato de que não podem se unir. É um fato que, se não há nenhuma pressão externa, a sociedade permanece separada e independente.

Nossa missão é passar do estado um para o estado dois. O estado um é o nosso atual estado de insegurança e sem nenhum futuro, como resultado da falta de conexão entre nós por causa da nossa natureza egoísta.

Existem duas formas de alcançar o estado dois. O caminho certo é o caminho que os Cabalistas nos ensinam. Eles dizem que, se quisermos avançar, temos que conectar. Se nos sentarmos em círculos e começarmos a discutir a questão de como ser “como um homem em um só coração”, vamos descobrir o quanto somos contra essa ideia. Esta resistência que sentimos pela conexão é chamada de inclinação ao mal.

A inclinação ao mal não é revelada a uma pessoa em sua vida comum, quando ela desrespeita todos, mas somente quando deseja se conectar a outros. Só então ela vê que não quer que esta conexão e é repelida por isso, embora entenda que é preciso alcançar a unidade, apesar de sua repulsa natural.

Nós sentimos isso durante a última operação militar em Israel, uma vez que conseguimos nos unir somente sob pressão externa. No momento em que a pressão se foi, nós imediatamente voltamos ao nosso estado inicial e começamos a brigar e lutar. Então, o que podemos fazer? Depois de tudo, nós precisamos conectar!

O que realmente está faltando no momento é o reconhecimento de que precisamos de conexão. Nós precisamos disseminar amplamente e explicar que o nosso bom futuro depende da unidade da nação e que, de outro modo, enfrentaremos o desastre.

Se nós descobrimos que não podemos unir, embora desejemos, nós precisamos da Torá como meio para atingir a unidade. Isso significa que estamos no pé do Monte Sinai, que é a montanha do ódio. Nós queremos chegar à unidade, mas não podemos, uma vez que a alta montanha do ódio mútuo nos separa.

Então nós somos dignos do recebimento da Torá, que é a revelação da força de conexão que deve vir e nos conectar. Isto significa que a Luz da Torá reforma. É uma força de unidade, uma força de luz e amor. Quando ela é revelada, nós começamos a sentir proximidade, dependência e conexão mútua entre nós.

Pergunta: Onde nós podemos encontrar essa força?

Resposta: Esta força está escondida na natureza. Agora também, ela está entre nós, mas nós a descobrimos apenas na medida em que ansiamos em nos conectar. É disso que trata toda a Torá. Assim, toda vez que os Cabalistas se conectaram num grupo, eles descobriram o Criador, a força superior de conexão.

Pergunta: Este círculo também é adequado para pessoas que não são religiosas?

Resposta: O círculo é adequado para todos, não só para as pessoas que não são religiosas, mas também para as mulheres e pessoas de todas as nações. Afinal de contas, a nação de Israel tem que ser uma luz para as nações, ensinar a todos a sabedoria da conexão, e revelar a todos que o Criador é a natureza superior. Durante a última guerra, as mulheres e mães é que realmente manifestaram o apelo à unidade da nação.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/09/14