Textos na Categoria 'Sofrimento'

Europa: Uma Casa Comum, Um Problema Comum

Pergunta: Há várias dezenas de nós na Holanda, se preparando para participar da Convenção Europeia, que será realizada em Berlim. Para a maioria de nós esta será a primeira vez assistiremos a uma conferência de Cabala, e alguns dos alunos ainda não sabem qual é o sentido da convenção e por que é tão necessário participar. Como podemos prepará-los para ela?

Resposta: Os Europeus têm que entender que seu continente está num estado muito perigoso em relação a todos os outros. De todos os lugares do mundo, a Europa enfrenta o mais grave e maior problema, que se explodir pode escalar para uma terceira guerra mundial.

Os europeus estão em uma situação muito instável, precisamente porque eles decidiram se unir, mas por outro lado, a sua união é egoísta. Se um egoísta se separa do outro com um limite, então eles ainda são capazes de manter uma ligação através dessa fronteira de acordo com regras estabelecidas. Mas se não há conexões formais e todo mundo vem para o mercado comum, com uma economia comum, e com uma enorme problemática de reservas que a Europa possui, então eu não vejo isso com qualquer possibilidade de existir e prosperar no mundo. [Leia mais →]

Então Você Quer Ascender? Peça ao Motorista!

Pergunta: O que temos que fazer para que o Zohar encontre seu caminho no mais íntimo do coração, em nossos desejos e pensamentos?

Resposta: Abra o seu coração. Nada mais é necessário. A coisa mais importante não é desesperar-se e não descansar, e fazer esforços justamente quando as coisas correm mal. O artigo “Motorista do Burro” na introdução do Zohar explica que quando você está andando e seu “burro” (em hebraico é burro Hamor, originário da palavra Homer matéria, a vontade de ter prazer) já não pode carregar o seu fardo, lhe é enviado um “motorista do burro”, que ajuda o “burro” a subir.

Este motorista pica o “burro” com uma vara afiada e é desagradável. No entanto, o faz avançar. Portanto, se você concordar em ter um motorista desse jeito, você vai recebê-lo. Mas você tem que pedir por essas “picadas”. [Leia mais →]

Todos Os Problemas Levam Ao Grupo

Dr. Michael LaitmanEscritos do Rabash (“Quais São as Desgraças que Vêm para o Ímpio…”): Os sábios disseram: A desgraça vem ao mundo apenas quando há pecadores, e ela começa com os justos…”.

É impossível avançar sozinho. Uma série de descidas provoca o surgimento de um egoísmo tão grande na pessoa que ela se pergunta: “É possível sair disso, afinal?”. É quando uma necessidade constante de sair dessa situação faz com que ela se volte ao grupo. Somente lá, junto com os outros, é que ela pode solicitar a força que vai tirá-la para fora.

Todas as tentativas de sair de forma independente irão falhar. Aqui, a pessoa não pode fazer nada sozinha. Isso porque ela deve corrigir a quebra, a vergonha, e preparar a saída de si mesma em direção ao próximo.

Portanto, todas as descidas são destinadas a levar-nos à realização de nossa própria impotência, de modo que nos voltemos ao grupo, sem ter outra escolha. Então, com a ajuda do grupo que deve adquirir a percepção da importância do Criador. Essa importância vai nos obrigar a procurar uma saída e vai nos levar à decisão correta: somente no ambiente encontraremos as forças para avançar.

Os ambientes, como nós entendemos, é uma imagem artificial. Ele só parece um elemento estranho para a pessoa, e isso é feito deliberadamente, para que ela possa ser capaz de rejeitar o seu egoísmo, seu desejo de desfrutar.

Portanto, as desgraças vêm até nós para revelar cada vez mais os “pecadores” dentro de nós, mas ao mesmo tempo, elas descem sobre os estados chamados de “justos”.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 5/01/11, Escritos do Rabash

O Lugar Onde Os Pecadores Recuam

Dr. Michael LaitmanNós trabalhamos acima da nossa matéria, o desejo de desfrutar. Esta deve aumentar o tempo todo, para que possamos crescer e criar a forma de doação e equivalência com Criador por cima dela.

É por isso que nós experimentamos o desejo crescente como um desastre. Ele vem quando a pessoa está pronta para ele. Está escrito: “A desgraça que os pecadores recebem começa com os justos”. Em outras palavras, as formas negativas se revelam em quem costumava ser justo, que se elevou e se preparou.

Os principiantes, que ainda não entendem o método, ficam surpresos com isso: “Por que é que depois de todos os esforços que fiz, eu estou experimentando tais estados negativos?”. De repente, a inspiração se foi e a pessoa se sente indiferente a tudo. No entanto, com a experiência vem a sabedoria e a pessoa percebe que o caminho a seguir passa por descidas e oposição à inclinação egoísta.

A meta espiritual será sempre uma pergunta para mim: “Por que eu avanço? Vale a pena eu ir contra o meu egoísmo, a minha natureza? É normal trabalhar em tais descidas enormes, sem qualquer aspiração ou motivação?”. A pessoa se sente infeliz e desamparada, e experimenta seus estados como algo indigno e injusto.

Este é exatamente o lugar sobre o qual está escrito: “Os justos andarão onde os pecadores recuarão”. A questão toda é que temos que sair da nossa natureza. Não devemos alimentá-la ou tender a ela, mas elevá-la, a fim de subir acima dela. Toda vez que a pessoa se prepara para uma subida, ela recebe um novo “peso no coração”, para que ela possa subir ainda mais. É assim que ela avança no caminho espiritual.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 5/01/11, Escritos do Rabash

Um Problema Para Ajudá-Lo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu posso realmente transformar o desejo que desperta em mim em doação?

Resposta: Vamos supor que eu esteja muito preocupado com alguma coisa desde a manhã. Este desejo não satisfeito dá origem a um pensamento que eu tenho que acalmar. Estou atormentado por esse problema, imerso nele, e estou procurando uma maneira de resolvê-lo.

Eu recebi tudo isso do Alto. Se o meu problema está relacionado com algo que é essencial, então eu tenho que resolvê-lo sem prestar muita atenção em trabalhar com a intenção. Primeiramente, tenho que me abastecer com as necessidades vitais. Está escrito sobre isso: “Sem pão não há Torá”.

No entanto, se não for algo essencial, algo que eu precise no nível animal ou corporal, eu tenho que tentar transferir esse pensamento para o formato correto. Eu recebi isso do Criador para que eu construísse a reação correta em relação a ele. Isso é “ajuda contra o Criador”. Ela é contra o objetivo, embora, ao mesmo tempo, me ajude a reagir corretamente, e ao me afastar dela, eu posso atingir o objetivo.

Meu objetivo é a adesão com o Criador. O Criador é bom e faz o bem e não há outro além Dele. Ele me envia todos os problemas e preocupações, a fim de me ajudar. Portanto, acima da minha preocupação, como se fizesse uma imagem invertida dela, eu me dirijo a Ele, que é bom e faz o bem.

Eu tenho que alcançar a sensação de que o meu problema me ajuda a compreender a atitude do Criador em relação a mim, que é oposta às sensações que despertam em mim. É assim que eu construo a imagem do Criador. Por ter uma atitude cuidadosa e precisa, eu serei capaz de identificar porque certa preocupação ou problema está sendo enviado para mim exatamente desta forma. Eu verei um molde invertido dele, a forma Daquele que é bom e faz o bem, e que gravou isso em mim.

Em virtude desta “inversão”, eu subirei ao grau do homem justo e justificarei o Criador de alguma forma. Fazendo isso eu estarei no caminho certo. A coisa mais importante é seguir em frente, sem cair no sono durante qualquer estado no fundo de qualquer forma negativa que o Criador me envia.

Eu só posso reagir a elas corretamente a cada segundo se eu me equipar com o apoio do ambiente. Sem ele, os meus esforços são esporádicos; mas com ele, eu estou constantemente “informado”. O grupo determina inteiramente a velocidade do meu progresso.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 4/01/11, Escritos do Rabash

O Criador, O Faraó, E Eu Entre Eles

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é a diferença entre a realização do mal que os Cabalistas descrevem, isto é, a falta de vontade de se unir com os outros, e o mal que uma pessoa normal sente neste mundo?

Resposta: Para alcançar a sensação espiritual do mal, você tem que trabalhar muito, porque o mal espiritual só é revelado após a Machsom (barreira). Abaixo dela não há inclinação ao mal. Neste momento não há nenhum ego em você, assim como em uma pequena barata!

A inclinação ao mal é a força que se opõe abertamente ao Criador: é o Faraó ! Ela se revela quando você quer se unir ao Criador e a outras almas com toda sua força, mas descobre que. na realidade, você odeia e rechaça isso. O Faraó se posiciona diante do Criador; a inclinação ao mal diante do bem.

Ambos estão dentro de você e são revelados apenas um diante do outro! Não pode haver um sem o outro.

Por outro lado, o fato de que agora você está experimentando sensações ruins enquanto deseja progredir espiritualmente, isso não é a percepção espiritual do mal. Há muitas pessoas no mundo que se sentem ainda pior. Talvez lhe pareça que esta seja uma preocupação espiritual, porque você não sente o mundo espiritual e não o compreende, mas, na verdade, tudo isso ainda está acontecendo dentro do egoísmo.

Claro que esse já não é o egoísmo normal do indivíduo, mas o sofrimento devido à sua incapacidade em se unir com os outros, a repulsa e a falta de vontade de sequer pensar nisso, a falta de vontade de se corrigir. Por enquanto, a espiritualidade lhe parece como algo atrativo ao seu egoísmo. Esse já é o “tempo da preparação” para entrar no mundo espiritual, mas, por enquanto, você não tem as noções espirituais corretas. Nada disto é a espiritualidade. A espiritualidade só pode ser “a favor” ou “contra” o Criador, para o Seu bem ou para o meu próprio. Mas eu tenho que estar diante Dele!

A espiritualidade é o Faraó ou o Criador. Eu estou no meio deles, na Klipat Noga, onde escolho: bem ou mal, “a favor” ou “contra” o Criador.

Não há nada além disso! O mundo que vemos agora ao nosso redor não existe na espiritualidade. Esta realidade é irreal; nós vivemos em um mundo imaginário. Na verdade, os níveis inanimado, vegetal, animal e humano deste mundo só existem dentro do nosso desejo egoísta.

Por que este mundo é imaginário? Porque ele não tem qualquer conexão com o Criador! Ele vive de acordo com uma pequena centelha de Luz que, de alguma forma, lhe dá vida. É por isso que não há bem ou mal aqui.

A sensação de mal que você sente é apenas devido à falta de satisfação animal e egoísta. Todos os seus elevados pensamentos, desejos, fantasias e sonhos são caprichos do seu ego desenvolvido e excessivamente grande, que exige o que quer e obriga-o a sofrer.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 23/12/10, “Paz no Mundo”

No Limiar Da Revelação

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se nós estamos no estado mais inferior e não há nenhum lugar para onde continuar caindo, então que tipo de desenvolvimento de eventos falam as profecias do Baal Hasulam, onde ele escreve sobre a possibilidade de uma terceira e quarta guerra mundial e etc.?

Respost a: Isso é só a revelação do nosso estado, a revelação do mal, ao invés de uma subida. Se nosso estado pode ficar ainda pior, ele é simplesmente a revelação dos “pecadores”, isto é, dos Kelim ou desejos quebrados, ou Reshimot (registros de informação) que estão ainda mais quebradas.

Após a quebra no Mundo de Nekudim, nós estamos em um Kli ou desejo completamente quebrado, mas as Reshimot se revelam a partir dele gradualmente, passo a passo. Primeiro as Reshimot mais sutis são reveladas, e depois as mais grosseiras, até que no final, as piores Reshimot são reveladas.

Nós agora estamos na camada mais inferior desse desejo, onde as piores Reshimot estão se revelando. Essas Reshimot pertencem ao nível humano e são muito pesadas, razão pela qual os estados mais difíceis estão sendo agora revelados.

Porém, exatamente essas Reshimot podem nos despertar para a correção. Inclusive, se nós não as realizarmos corretamente, isso nos levará a grandes catástrofes. E mais, isso não é considerado correção, mesmo que em relação à espiritualidade a revelação do mal seja revelação, crescendo próxima.

Nós ainda estamos na escuridão. Se a escuridão começa a ficar mais esclarecida, já é a Luz brilhando e esclarecendo-a. Mas, se nós não esclarecermos nada, é a pior coisa possível.

Quando a Luz começa a brilhar no nosso estado atual, nós começamos a ver escuridão. Sentir a escuridão ainda é o lado oposto da Luz. Em aramaico “noite” é chamada “Orta”, que vem da palavra hebraica “Luz”. A Esscuridão é oposta à Luz, mas a própria Luz ilumina nossas falhas e por isso sentimos escuridão. Isso já é a revelação.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 22/12/10, Talmud Eser Sefirot

Remédio Amargo Ao Invés De Mentiras Doces

Dr. Michael LaitmanA Luz sempre me traz uma sensação de hiato entre a Luz e os desejos. Isso sempre me dá uma sensação ruim e não pode me trazer nada de bom. Em primeiro lugar, isso sempre me dá a percepção do mal, que é a verdade. Conforme eu sou capaz de subir acima da sensação do “amargo versus doce” para a análise do “verdadeiro versus falso”, a fim de esclarecer a verdade, apesar do gosto amargo, a Luz é capaz de me influenciar.

Mas onde eu obterei a força para suportar a verdade tão fortemente, mesmo quando me sinto mal? Eu só posso receber essa força adicional do ambiente. Portanto, é inútil para nós gritar para a Luz. A Luz nos influencia conforme estamos preparados para ela. Ela pode esperar mil anos até que sejamos preparados por meio do desenvolvimento lento e gradual, ou ela pode aumentar drasticamente a sua influência a cada segundo, se estivermos preparados para isso.

Não existe atraso do final da Luz. O atraso depende apenas de como eu estou preparado para tolerar a diferença entre os Kelim e as Luzes, etar “acima do conhecimento”, acima do sofrimento corporal, quando eu estou pronto para estar na verdade, mesmo que ela seja amarga. De fato, realmente é amargo não usar os Kelim de recepção, o desejo para o seu próprio benefício, enquanto se permance na intenção de doar.

Portanto, não temos quaisquer outros meios para acelerar o nosso desenvolvimento, a não ser  nos conectarmos com o ambiente. No entanto, a conexão com o ambiente também é extremamente dolorosa. Eu não posso superar a mim mesmo. Eu posso gastar milhares de horas argumentando com os meus amigos para nos unirmos, mas isso será apenas palavras. Depois disso, eu tropeço contra meu muro interior e sou incapaz de fazer algo além de palavras.

No entanto, se ao menos nós tentamos fazer isso juntos, então, cada pessoa recebe uma impressão dos outros e, portanto, atinge o ponto da verdade: que ela é incapaz de fazer isso e que deve, exatamente, romper esse muro. Então, ela exige isso da Luz que Corrige.

Da 2ª parte da Liçã Diária de Cabalá 21/12/10, Talmud Eser Sefirot

Esperando A Cirurgia Cardíaca

Dr. Michael LaitmanÉ possível alcançar a paz em nosso mundo e nos mundos superiores?  “Paz” significa a plenitude absoluta e a perfeição, e não quando me sinto bem mas logo depois já estou insatisfeito. Se ela é a perfeição, então é para sempre.

É possível atingir isto? Isso está programado na natureza ou é apenas algum sonho irrealista que tenho, quando, na verdade, eu nunca me sentirei bem? Além disso, se a paz no mundo é possível, como podemos alcançá-la?

Nós vemos como a situação em todo o mundo está se deteriorando. Parece como se a humanidade tivesse todas as oportunidades para se desenvolver em direção ao bem, mas, ao invés disto, deslizasse para dentro do abismo, incapaz de achar o caminho certo, aconteça o que acontecer.

O homem constantemente se confunde com problemas cada vez maiores. Todo mundo sabe como raciocinar  de forma bela e inteligente, mas, na realidade, verifica-se que somos incapazes de chegar a qualquer resultado bom, e isso se aplica aos casos gerais e individuais.

Então, por que  a natureza sempre nos coloca em uma situação que é contrária à paz e à perfeição? E se estamos destinados a alcançá-la no final, como podemos fazer isso?

O Baal HaSulam escreve sobre tudo isso em seu artigo “A Paz”, que estamos agora começando a ler. Não pode haver paz no mundo enquanto existirem pessoas que estão insatisfeitas com alguma coisa. Isso já seria uma falta de perfeição.

O mundo se desenvolve a cada dia, tornando-se um sistema cada vez mais integral, cujas partes estão interconectadas como engrenagens. Ninguém tem liberdade para se mover um milímetro em qualquer direção e sentido, seja qual for seu desejo, pensamento ou ação, sem influenciar os outros.

É por isso que não pode haver paz e perfeição no mundo enquanto existir uma única pessoa insatisfeita, que não concorde com o estado atual de ser perfeito. Esta é a lei do sistema integral. Nós estamos todos conectados como os órgãos de um corpo, onde a doença de um único órgão é sentida em todo o organismo.

Por outro lado, progredir em direção à paz é um processo gradual, tanto no que diz respeito ao mundo inteiro como no de qualquer de suas partes. Hoje, o mundo é como uma pessoa doente que está deitada na mesa de operação esperando uma cirurgia cardíaca. É claro que nesta situação o médico não vai prestar atenção se o paciente se queixa de um pequeno arranhão na perna. É por isso que a correção do mundo  acontecerá  gradualmente.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/12/10, “Paz no Mundo”

Desenvolvimento Espiritual: De Embrião À Pessoa

Dr. Michael LaitmanTalmud Eser Sefirot, Volume 3, Parte 8: Na espiritualidade, tempo e espaço significa a renovação da forma . Uma vez que o Partzuf cresce somente através de uma grande quantidade de uniões (Zivugim) e transferências de Luzes, que diferem umas das outras, construindo-o juntas, elas são chamadas de “meses do desenvolvimento intrauterino” ou o período do desenvolvimento embrionário, que pode durar 7, 9 ou 12 meses dependendo da quantidade de porções de Luz que são necessárias para formá-lo.

Nós estudamos as mudanças que acontecem com o desejo de desfrutar e contamos o número de mudanças ou renovações, que são chamadas de “meses” (Hodesh, mês em hebraico, vem da palavra Hidush – renovação). Não existe tempo na espiritualidade. O tempo é determinado pelo número de mudanças que atravessamos, ao invés do movimento do ponteiro de um relógio ou as mudanças de algum fator externo. Quanto mais eu mudei, é o quanto de tempo que se passou. É assim que o tempo é definido na espiritualidade.

Portanto, o período do desenvolvimento de um embrião significa que eu passo de um estado ao outro (“Eu passo”, Over em hebraico, vem da palavra embrião, Ibur) . Eu tenho que passar por certa quantidade de mudanças para ir do desenvolvimento intrauterino dentro do Superior ao desenvolvimento fora Dele.

Agora, eu também estou no Superior e Ele me desenvolve. Durante esse processo de desenvolvimento eu não tive qualquer influência nas mudanças que atravessei.  Eu sou forçado a mudar pelos instintos e forças que experimento como sofrimento, e, assim, eu passo por essas mudanças contra a minha vontade.

Então, surge outra fase: eu começo a sentir que existe algum tipo de razão por trás disso, que existe uma necessidade elevada, e que existe um Superior que faz essas mudanças em mim, desejando que eu comece a descobrir o sistema de governança, a ordem de desenvolvimento de causa e efeito, o começo e a meta de todo o caminho. É assim como o mundo inteiro está começando a despertar em nossa época.

Depois disso, nós alcançamos a compreensão de que temos que despertar essas mudanças por nós mesmos. De certo estado em diante não há tempo que o Superior mude por nós, forçando-nos a nos desenvolver. Agora, o Superior somente adiciona Luz para nós, as quais percebemos como mal. Porém, isso não nos habilita a nos desenvolver, mas somente alcançar a compreensão de que devemos exigir o desenvolvimento do Superior. Isto é, nós já precisamos participar do desenvolvimento por nós mesmos e exigí-lo.

O Superior não me força a fazer a ação em si, mas somente a solicitá-la, de modo que eu peça que Ele a coloque em prática. Meu pedido tem que estar no meio. Por enquanto, esse pedido pode ser expresso como um pranto, porque me sinto mal.

Depois disso, eu me desenvolvo e sou obrigado a ter esse pranto, que surge da compreensão do bem, quando entendo que tudo isso é para meu bem. Mesmo que eu possa me sentir mal em minhas sensações, eu já compreendo que isso é bom para o meu desenvolvimento, porque tenho que ascender ao próximo nível. Então, o Superior não exige mais um pranto de mim, mas a cooperação no desenvolvimento. Isso é chamado de sociedade (parceria).

Depois, nós alcançamos o estado onde o Superior não me desperta de forma alguma, mas eu tenho que procurar pela oportunidade de despertar dentro de mim usando o ambiente. Eu tenho que despertar o Superior, de modo que Ele me desperte, e, então, eu concordo com Sua ação e digo a Ele exatamente como fazer isso. É como se eu entendesse e escolhesse a melhor forma de ação por mim mesmo, e então o Superior a faria.

No final, nós alcançamos o estado onde eu dou ao Superior todas as ordens. No começo do caminho Ele fez todas as ações em mim, desde o princípio até o fim, sem minha consciência. Eu não sabia quem estava agindo em mim, o que Ele fazia, e onde estava. Mas, no final do caminho, eu determino tudo, do princípio ao fim, e somente uso a força do Superior.

Todo nosso caminho se situa na aquisição de uma independência progressivamente maior e autossuficiente, tornando-se cada vez mais semelhante ao Superior.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 16/12/10, Talmud Eser Sefirot