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A Teoria Das Duas Autoridades E A Origem Da Cultura Humana

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Paz”: Eles acharam difícil aceitar a hipótese da supervisão da Natureza… Em consequência, eles chegaram a uma segunda hipótese, de que existem duas autoridades aqui: uma cria e sustenta o bem, e a outra cria e sustenta o mal. Eles também elaboraram bastante o método com evidência e provas ao longo do caminho.

Enquanto eu me desenvolvo, eu encontro diferentes problemas, descubro novas coisas, e gradualmente começo a projetar uma cópia de mim mesmo exteriormente, povoando o mundo com minhas qualidades. Por exemplo: o computador me irrita por estar lento e eu amaldiçoo a máquina defeituosa com toda seriedade.

Isso é inserido na natureza humana de acordo com o princípio de “Nós O Conheceremos por Suas Ações”. Minha atitude para com o mundo externo vem do mundo interno. De fato, uma realidade externa objetiva não existe. Tudo que eu vejo externamente é um reflexo de minhas qualidades.

Por essa razão, eu transfiro o grau de meu desenvolvimento ao mundo que me cerca sem o compreender, e espero que ele corresponda aos meus padrões. Às vezes, quando me comunico com as pessoas, eu me pergunto sinceramente: “Como elas podem não entender ou sentir do mesmo jeito que eu?”. Eu tenho uma exigência bem arraigada do mundo externo, uma firme convicção que ele deve corresponder ao meu entendimento e percepção.

Dessa forma, a antiga abordagem da natureza como um sistema de leis impassíveis e estritas foi substituída pelo sistema das duas autoridades. As pessoas descobriram que a natureza também tem potencial e ação, causa e consequência, vontade e relutância.

Na imaginação delas, as pessoas têm concedido a ela algo como uma “alma”, dando-lhe razão, um propósito, e começado um diálogo com ela: “Se eu fizer isso, o resultado será bom. Se eu fizer aquilo, o resultado será somente pior. Assim, a natureza pode reagir de forma positiva ou negativa. É como eu e outras pessoas”.

Dessa forma as pessoas começaram a atribuir suas próprias qualidades, desejos, pensamentos e intenções à natureza. Existem duas forças opostas no homem: bem e mal. De acordo com isso, elas também existem na natureza. As pessoas podem me tratar bem ou mal, eu mesmo posso tratar os outros e a mim mesmo bem ou mal; assim, a natureza também tem a mesma divisão em duas forças.

Nesse caso, como eu aplaco a força boa? Ou, ao contrário, a força má? Isso instiga análises provenientes da ideia da autoridade dupla.

Além disso, existe uma  camada mais profunda aqui. Não há como eu “trazer à vida”, espiritualizar e favorecer com uma existência independente a autoridade de uma natureza única e desalmada. A autoridade única é sempre a mesma. Isso significa que ela não possui razão. Como você pode planejar algo quando o bem e o mal não estão em conflito dentro de você, com você fazendo suas análises baseadas na oposição deles?

A lei absoluta é a natureza em sua forma pura e mecânica. Mas, tão logo eu atribuo duas forças a ela, bem e mal, as análises começam. Afinal, eu mesmo faço análises baseadas na correlação entre duas possibilidades, duas forças, Então, uma vez que eu me projeto exteriormente, eu as encontro na natureza.

Dessa forma a resistência começa, mas agora o homem considera a realidade como uma autoridade, poder. Unir a natureza não é suficiente para explicar a regra atual, e somente dois poderes colocam o homem entre duas autoridades como entre dois fogos. Essa é a nossa percepção da realidade. Duas autoridades pressupõem análises, um plano, uma luta do bem e do mal, etc…

A religião surge nesse ponto, incluindo o misticismo e diferentes “disputas” com a natureza. Ao se desenvolver psicologicamente o homem projeta e transfere seu mundo interior para a natureza, atribuindo seus próprios poderes e qualidades.

Assim é como as crenças florescem e colocam divindades e ídolos de toda sorte sobre um pedestal. Com o passar do tempo, elas se tornaram a mitologia do mundo antigo.

Dessa forma, inicialmente, a primeira teoria marcou a transição do estado animal: quando o homem se diferenciou da natureza e se separou dela, ele se tornou homem. E a segunda teoria está conectada ao desenvolvimento subsequente, a oposição do bem e do mal dentro de nós, o relacionamento entre o homem e a sociedade. Quando dois opostos surgem dentro de nós, podemos também atribuir considerações correspondentes à natureza.

É onde se origina a cultura humana. Em relação à natureza, nós nos desenvolvemos especificamente como a espécie humana, e nesse mundo a cultura e a ciência são inerentes ao homem por definição. Isso é exclusivamente sua prerrogativa, que resulta da teoria das duas autoridades. Sem ela nós não teríamos desenvolvido a cultura, que nos distingue dos animais. A cultura é tudo: das roupas à fala e auto-expressão.

Foi assim que a raça humana gradualmente se desenvolveu na sua percepção do mundo.

Da 5a parte da Lição Diária de Cabalá 01/08/11, “A Paz”

Na Zona De Escolha

Dr. Michael LaitmanNo passado, o egoísmo estimulou-nos por trás e pelos lados, sempre deixando livre o caminho à frente. No entanto, hoje as barreiras não estão surgindo pelos lados, mas na frente de nós. É como se uma parede se erguesse diante de nós, deixando-nos sem lugar para correr, não podemos fazer nada.

Este estado está se tornando cada vez mais evidente: eu realmente não quero nada, eu não sinto que possa continuar a crescer no meu egoísmo. Ele é incapaz de me dar respostas para as perguntas que surgem em mim hoje. Eu superei as fases anteriores e entrei no nível seguinte das perguntas, o nível da vida adulta e das novas necessidades.

Comida, sexo, família – tudo isso está se decompondo, tomando formas estranhas e “mutantes”. Riqueza, fama e conhecimento também não parecem me prometer muito.

A ciência está em crise e não responde às minhas perguntas, mesmo que há 50 – 60 anos parecia que ela nos daria respostas para tudo.

O poder tornou-se insignificante aos nossos olhos: nós vemos que seu único objetivo é o dinheiro. E o dinheiro… Será que realmente vale a pena desperdiçar sua vida inteira nisso? Minhas perguntas já superaram qualquer quantidade de zeros que a conta bancária possa mostrar.

Quando uma pessoa perde o “combustível” necessário, surge o vazio dentro dela e ela se vê perguntando: “Para que vale a pena viver? Para mim? Mas me falta a satisfação. Para os meus filhos? Mas, quando eles ficarem mais velhos, eles sairão do ninho. Além disso, por que criá-los? Que futuro brilhante eles têm pela frente? A desintegração das famílias e uma sociedade em decomposição?”. A pessoa não se sente ligada a nada e não tem esperança de nada. Esse é o tipo de impasse para onde nossas perguntas nos levaram.

Mas há também uma razão completamente diferente para o estado de falta de perspectiva: nós estamos esgotando os recursos naturais. Hoje, já está claro que o progresso humano não será infinito, tanto do ponto de vista de nossas exigências quanto do ponto de vista da nossa existência como um todo. Se continuarmos desperdiçando os recursos naturais no ritmo atual, muito em breve não teremos quaisquer matérias-primas, até mesmo para os produtos essencialmente necessários.

Noventa por cento do que produzimos hoje é composto de petróleo, seja energia, materiais plásticos, e assim por diante. Quando as reservas de petróleo acabarem, nós ficaremos sem nada. Ainda assim, nós continuamos esbanjando.

Assim, por um lado a natureza coloca uma barreira diante de nós sob a forma de ecologia, clima e recursos, e por outro lado o egoísmo não nos empurra mais para a frente. Ele faz perguntas que não podemos encontrar respostas aqui, no nosso mundo, nessa pequena sala para crianças, onde até agora nos divertimos muito brincando.

Hoje, a situação já se assemelha a um suicídio: nós estamos usando irracionalmente até os últimos recursos restantes.

Nós temos que entender que por causa disso, nos encontramos na zona de escolha. Este é o lugar onde emerge o livre arbítrio, a liberdade para começarmos a entender o programa do nosso desenvolvimento: “Para que nós servimos? Por que estamos aqui? Para quê?”. E junto conosco, o resto do mundo. Agora é exatamente a hora de resolvermos este desafio. Caso contrário, a humanidade vai se deparar com um impasse realmente desesperador.

Na realidade, a essência do problema não é a crise financeira, a crise de tecnologia, ou a crise familiar. Nós estamos numa crise com nós mesmos. Nós devemos entender quem somos e para que estamos aqui, tanto do ponto de vista da natureza, que nos obriga a isso, quanto do nosso próprio ponto de vista. Só então seremos capazes de arrumar as coisas dentro de nós e no mundo.

De uma conversa sobre um novo livro 18/07/1

Vamos Viver!

Dr. Michael LaitmanO Zohar, Capítulo “Truma (Doação)”, Item 432: … Todas as pessoas no mundo sabem que vão morrer e voltar ao pó, e, portanto, muitas se arrependem e retornam ao seu Mestre por causa deste temor. Elas temem pecar diante Dele.

Pergunta: Qual é o significado de “morrer”?

Resposta: “Morrer” ou “viver” tem relação com o desejo. De acordo com O Zohar, “vivo” significa doar e “morto” significa receber.

Na espiritualidade, não há vida ou morte. Nós falamos de vida e morte em nosso mundo porque percebemos apenas uma forma de existência e vemos que esta forma parece desaparecer de nós. Nós pensamos que a vida é o corpo quando ele está respirando, e a morte quando ele pára de respirar.

Mas, para uma pessoa que começa a sentir a espiritualidade, esta distinção torna-se muito estranha. Como é possível que esta seja a indicação com qual nós fazemos a diferença entre o que existe e o que não existe, entre o que está vivo e o que está morto? Isso porque esta pessoa passa a perceber uma forma diferente de existência, e as noções materiais de vida ou morte desaparecem para ela.

Se a pessoa muda para uma percepção mais importante, quando a doação é considerada a vida, e a recepção a morte, ela se eleva acima do nível de um animal para o nível de um ser humano, e a vida para ela significa a existência no nível humano, e a morte a existência no nível animal. Ele não conecta a vida e a morte à existência do corpo animal.

Então, este corpo animal desaparece de sua sensação, perdendo seu significado em definir seu estado, de vida e morte. Mesmo que o corpo morra, a pessoa já está em um nível diferente de desejo, na sensação de vida e morte em relação à espiritualidade, e ela está unida a isso.

Portanto, este mundo já não a faz experimentar quebras no processo de desenvolvimento da alma.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/07/11, O Zohar

Viver Para Escapar À Pergunta Sobre O Significado

Dr. Michael LaitmanEstamos em uma realidade onde nós nos temos desenvolvido ao longo de milhares de anos. No principio, éramos selvagens, sem saber para quê, como e por que – animais de verdade. Então começamos a ter relações humanas com os outros, formamos uma sociedade, e começamos a desenvolver tecnologia.

Assim, gradualmente, através de todos esses eventos, nós estamos descobrindo um processo que foi pré-orientado desde o início. Novas facetas do desejo sempre foram reveladas na humanidade, empurrando-nos de forma contínua para um novo rumo em nosso desenvolvimento, a fim de nos satisfazer. Entretanto, uma vez que alcançamos um estado específico, um determinado nível de desenvolvimento, começamos a ter desejos que não poderão ser realizados em nosso mundo.

De repente, o homem está contemplando coisas que não pode encontrar aqui. Comida, sexo, família, dinheiro, honra e conhecimento, em diferentes variações e combinações – esta é toda a seleção. Pareceria: O que mais pode haver? No entanto, num dia de sol o homem começa a ter novos questionamentos: sobre a sua raiz e a razão de existência. De repente, ele percebe que cada objeto tem um motivo, um processo, e um resultado – um começo, desenvolvimento e fim. Aparentemente, eu não sou uma exceção?

Esta pergunta não pertence mais ao nível animal, mas ao nível humano em nós. Até que ela apareça, as criaturas que têm a forma de seres humanos não perguntam sobre a vida, ou se elas fizeram perguntas sobre isso, elas ficaram satisfeitas com diferentes métodos de auto-apaziguamento. Mas estamos falando da pessoa que deseja saber, “O que sou? Por que estou aqui? De onde vim e para onde vou?”. Portanto, como ela pode receber respostas para suas perguntas?

Primeiro ela tem que descobrir a verdadeira pergunta, porque ela não é simples. Qualquer pessoa pode pedir por ela, mas toda a questão aqui é a profundidade da pergunta, a sua direcção. Afinal, uma pergunta é um vaso, um Kl .

No final a pessoa torna-se completamente confusa. Além disso, pela nossa natureza, nós aspiramos ao auto-apaziguamento, que nós realizamos por meio de todos os tipos de ações, costumes e hábitos. Eu faço algo e me sinto bem. Então, vamos estabelecer costumes que nos ajudam a receber uma compensação psicológica e satisfação. É assim que nos acalmamos, não querendo revelar a nossa pergunta em toda a sua profundidade e usá-la para nos desenvolver, para chegar à verdade. Nós não nos importamos com a verdade, mas com o conforto.

Dito de outra forma, eu não estou feliz com o surgimento dessa nova pergunta ou novo desejo em mim, que me leva a procurar alguma coisa, me obriga a fazer uma análise, e evoca o sofrimento interior. O ideal seria que eu estivesse gostando – porque é assim que eu me desenvolvo, e o desenvolvimento é mais importante do que sensações transitórias. No entanto, porque eu preciso disso se sou capaz de me realizar e supero o meu ardor sem isso? O que eu tenho é suficiente para mim.

E logo depois eu sou vencido pelo cansaço e me irrito com as dificuldades da vida. A velhice está se aproximando e a pessoa concorda com os pequenos em vez dos grandes.

Assim, o nosso problema, e também um grande obstáculo para nós, reside em elevar-nos do nível normal de desenvolvimento para o nível espiritual – o nível humano.

Da 5ª parte da Lição Diária de cabalá 06/07/11, Matan Torah

A Força De Fora

Dr. Michael LaitmanNosso desenvolvimento pode ser dividido em duas partes:

1. Todas as fases inevitáveis, quando as pessoas são capazes de se acalmar com a vida e as ações dentro dos limites do nosso mundo.

2. A fase em que a pessoa entende que nenhum dos meios que tem à sua disposição é eficaz e ela tem que atingir a raiz.

Então tudo que é externo retrocede para segundo plano, como está escrito, “O Criador não se importa em como você mata um animal para sacrifício – na garganta ou na nuca”. Em outras palavras, não há ações em nosso mundo com as quais podemos realmente alcançar o Criador. Portanto, temos que encontrar um meio novo, completamente diferente – a Luz que corrige. Graças a esta força, começamos a nos desenvolver.

Há um esboço muito claro aqui:

– Ou estamos em nosso mundo e usamos os seus atributos, pois o nosso desejo existe apenas aqui, e desejamos receber o que este mundo tem a oferecer, e, além disso, esperamos por algo mais após a morte;

– Ou queremos revelar um novo meio nesta vida que não está presente no nosso mundo – a Luz que corrige, uma força nova e especial que nos é revelada e começa a mostrar desejos completamente novos e realizações em nós, que são totalmente diferentes de tudo que conhecíamos até então.

Eu vivo como uma pessoa em nosso mundo – com uma família, trabalho e relações sociais, com todos os meus conhecimentos e sentimentos, mas essa pessoa não está de forma alguma conectada com o que acontece dentro de mim, sob a influência da Luz que corrige. Ela desenvolve a alma dentro de mim, a parte do Criador que vem de cima, a imagem Divina que eu desejo alcançar e construir dentro de mim, participando do processo juntamente com a Luz. Nesse caso, o que veio antes é chamado de “nível animal”, enquanto que a parte nova se chama “humano” (Adam), porque é similar (Dommeh) ao Criador.

É por isso que as acções externas não importam. Só uma coisa pode me ajudar – atrair a Luz que corrige. Não há outra força que possa elevar-me do nível animal para o nível humano. A única coisa necessária aqui é uma força de fora, e todo o método Cabalístico destina-se apenas a isso.

Da 5ª parte da Lição Diária de cabalá 06/07/11, Matan Torah

Uma Questão De Proporção

Dr. Michael LaitmanPergunta: A vida em nosso mundo parece uma dor de cabeça sem fim, com pequenos intervalos para dar tempo à pessoa de se pôr novamente em pé depois do golpe, só para receber o próximo golpe. Essa é a história humana e a vida de uma pessoa em particular. Que tipo de progresso é esse e onde estão os presentes que o Criador dá à criação?

Resposta: Imagine que eu estou em uma galáxia distante onde comtemplo uma extensão infinita de espaço e procuro por algo nesse infinito. Eu acelero na velocidade da luz e lentamente atravesso bilhões de anos luz, aproximando-me da nossa galáxia, do nosso sistema solar, e da nossa terra. Eu aterrizo na superfície da terra, e aqui descubro pessoas.

É difícil imaginar a escala com a qual eu possa comparar proporções tão diferentes. Analogamente, nós não entendemos em que tipo de sistema estamos. Nós sabemos como tirar medidas e como pesquisar em nossa própria escala, de acordo com nossas proporções. Nós comparamos peso com o quanto podemos levantar, distância com o quão longe podemos ver, bom e mal – com o que é bom ou mal para nós. Todo nosso espectro é um pequeno fragmento de uma enorme escala, e nossas distinções são minúsculas.

Porém, agora nós estamos falando do sistema espiritual no qual todo o nosso universo é imperceptivelmente pequeno. Estamos falando de mecanismos que são enormes em relação a suas características qualitativas. Comparado a elas, o nosso mundo está em uma qualidade – um pequeno desejo egoísta que é animado por uma pequena centelha de luz. A matéria desse desejo é criada como “algo do nada” pela Luz que penetrou aqui, delineando uma projeção exata da criação espiritual.

E, agora, desde esse estado, você está discursando sobre o sofrimento de toda a humanidade. É verdade, é assim como nós sentimos. Cada pessoa refuta coisas de acordo com sua própria imperfeição e julga de acordo com o que seus olhos vêem. Mas, o que você pode fazer?  É assim que nós temos que avançar, e nesse momento nós somos incapazes de perceber algo além disso. Existe uma gigantesca lona desemaranhada diante de você, mas você não consegue decifrá-la.

Nós somente somos capazes de entender um pouco o simples fato de que existe uma falta de desejos, uma falta de vasos. As questões abundam: “Podemos modificar uma mudança do Criador? Ele pode criar uma pedra que Ele não possa levantar? Por que Ele nos fez inicialmente imperfeitos?”. Porém, todas essas charadas são inúteis.

Temos que entender um princípio de nossas vidas: nós temos que ir através de estados opostos. Somente através desses opostos, ao reconhecer a superioridade da Luz sobre a escuridão, nós formamos os vasos para uma sensação mais alta, mais elevada. Quando eu adquiro os vasos que estão prontos para ela, o mundo se abrirá para mim. Nada está oculto de mim atrás de um muro de pedras. Eu preciso simplesmente construir os vasos dentro de mim para ver a realidade.

Esse desenvolvimento é necessário e o Criador não pode fazê-lo acontecer antes do tempo. Por quê? Por enquanto, eu não sei por quê. Eu posso fazer algumas conjecturas, mas isso não me dará nada. Eu vou varrer tudo de lado, dizendo: “Eu não acredito nisso! Ele poderia fazer isso!”. E não há outros fatos diante de você.

Todavia existe uma regra: a superioridade da Luz é alcançada a partir da escuridão. Qualquer coisa é avaliada somente a partir do seu oposto. Por isso, nós precisamos passar por esses estados passo a passo, formando os vasos para revelar a realidade em que estamos.

Nós estamos no mundo de Infinito, mas não sentimos. Portanto, desenvolva seus vasos. Você recebeu a oportunidade de desenvolvê-los, ou dito de outra forma, de corrigi-los. Você deliberadamente recebeu desejos quebrados que são opostos aos corrigidos. Para que? Para que assim você cresça e os reúna, entendendo e revelando o mundo.

Não há outra forma de avançar. Mais tarde você irá justificar a criação. O processo lento, de milhares de anos, através dos quais nós sofremos, é a verdade em nossa escala. Porém, na realidade, nós não entendemos em que tipo de proporções nós estamos. Além dessa pequena “sala”, existe todo um mundo lá fora que você jamais viu. Você é como um verme vivendo dentro de um rabanete – esse é o exemplo que o Baal HaSulam dá.

Pergunta: Mas por que esse verme está falando sobre o Doador e Seu amor?

Resposta: Para aspirar a isso, para fazê-lo entender que existe uma meta para a qual vale à pena sair do rabanete. Além disso, não somente você recebe o entendimento disso, mas também os meios para fazer isso. Somos como vermes dentro de um rabanete, mas se cada um de nós começar a empurrar os outros para fora, nós realmente sairemos.

Assim, existe uma solução. Enquanto você estava satisfeito com a vida nesse mundo, ninguém oferecia essa solução você. Mas, agora você está sendo colocado num sistema novo e global, recebendo a solução. 

Da 5a parte da Lição Diária de Cabalá 23/06/11, “Matan Torah (A Entrga da Torá                )”

A História Acabou

Dr. Michael LaitmanA Cabalá fala sobre o desejo. Não existe tempo, espaço ou movimento, mas apenas um estado de ser. E quanto ao passado e o futuro? E quanto aos mundos espirituais? Eu não os sinto.

Então, existem outros estados de existência além do atual, além do nosso mundo? Eu não sei, porque eu não os experimentei. Eu não tenho sensações ou Reshimot de lá. Eu não posso alcançá-las agora e confirmar sua autenticidade.

Uma pessoa julga tudo pelo que ela vê. Este não é apenas um axioma, mas o resultado do que o desejo sente quando se desenvolveu ao nível do ser, onde é consciente de si mesmo e entende o que sente. Caso contrário, nós nos isolamos da realidade e caímos em fantasias.

Eu não falo sobre a mesmo dimensão mais elevada por mim mesmo. Os Cabalistas, os quais eu confio, me fazlam sobre ela. Eu considero suas palavras verdadeiras quando me dizem que é possível existir em diferentes estados. “Aspire a eles, ascenda até eles”, me dizem os Cabalistas. “Eles são melhores do que o que sinto agora”. Então, eu passo de um estado para o outro em meu desejo ao corrigir e melhorá-lo. Ao revelá-lo como doador, eu revelo novos estados nele.

Na nossa época, toda a humanidade está atravessando este eixo vertical, a fim de ir de baixo para cima. Nós completamos o eixo horizontal da história e não há como continuar nos movendo sobre ele. Daqui para frente, nosso caminho é para cima.

Da 5ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/06/11, “Matan Torá (A Entrega da Torá)”

A Necessidade Da União Está Amadurecendo

Dr. Michael LaitmanO tema do nosso Congresso é “União: o Futuro do Mundo”. Eu estou muito emocionado, porque depois de muitos anos estudando Cabalá, a união do mundo e a necessidade dela estão finalmente começando a se tornar aparente.

Ao longo de bilhões de anos de desenvolvimento do nosso mundo, bem como no processo de vários eventos antes de sua concepção, tudo evoluiu justamente para este ponto – o ponto de percepção da necessidade de união. Somente agora ele está começando a despertar, a ser expresso, e mostrar a sua necessidade. E você e eu estamos no centro desta realização.

Tudo começou quando a única força da natureza, a força de doação, ou o Criador, que é a mesma coisa, começou a atuar, emanando e criando a matéria. Primeiro, ela criou a matéria espiritual, ou seja, o desejo: o desejo de ser preenchido, o desejo de sentir a si mesmo e tudo ao redor.

Este desejo se desenvolve sob a influência da força inicial, a força da natureza. As fases de seu desenvolvimento são chamadas de “as quatro fases da expansão da Luz Direta”. Todo o propósito do desenvolvimento da criação, ou do desejo, encontra-se em torná-la semelhante à natureza, em ter que alcançar uma harmonia saudável, ou em outras palavras, alcançar a equivalência e adesão com o Criador, pois a adesão é alcançada através da equivalência de forma. É necessário que a matéria, ou seja, o desejo que está em oposição à Luz, oposto à qualidade de doação, finalmente passe por todas as fases do seu desenvolvimento e perceba que o melhor e mais elevado estado é a equivalência com a Luz, a equivalência com a natureza perfeita, a harmonia e união com ela.

No entanto, para atingir este estado, é necessário primeiro sentir que você é totalmente oposto a ela, ou seja, sentir-se em uma qualidade que é completamente oposta à Luz, experimentar o egoísmo, a crueldade, o desejo de pensar só em si mesmo, apenas a sensação de si, a incapacidade de sentir alguém ou de pensar em outra pessoa, a menos que seja para seu próprio benefício, a menos que traga benefícios pessoais, a menos que isso signifique usar os outros. É assim que as qualidades, que são as mais opostas à Luz, precisam ser expressas na criação.

Em nosso mundo, essa criação é o homem, que passa por uma enorme quantidade de fases de desenvolvimento ao longo da história, até atingir a sensação e, o mais importante, a percepção de que é completamente oposto à força da natureza. Este é um processo muito difícil e demorado. Ao longo de centenas de milhares de anos nós avançamos e o egoísmo ficou gradualmente mais forte dentro de nós. Externamente, nós vemos como o homem desenvolveu-se em sua formação social até atingir o estado atual. Como um todo, esse egoísmo, esse desejo sempre nos empurrou para a frente até o presente momento.

Agora, como ultimamente, estamos começando a nos convencer de que esse egoísmo, essa natureza que temos, é realmente nosso inimigo, e nosso único inimigo. Ao separar-nos uns dos outros, ele literalmente nos priva da possibilidade de viver normalmente, mesmo no nível deste mundo material.

Nós estamos nos tornando cada vez mais fechados, cruéis, separados, assustados, e estamos assumindo uma postura defensiva, privando-nos de uma vida normal e perdendo o sentido da existência. E de fato: Por que vivemos? Só para nos defender e proteger? Somente para nos colocarmos em algum tipo de limites e viver nele determinado período de tempo com certo nível de conforto e segurança? Isso é tudo?

É assim que se sente o homem neste mundo, a medida que se torna cada vez mais cruel, por natureza, com o tempo. Nós fazemos assim. O nosso egoísmo nos leva a isso.

No final, tudo isso está sendo expresso como uma enorme crise. Em alguns países, a crise se faz sentir mais, e em outros menos, mas ela está amadurecendo. Não importa o quanto a ocultemos, não podemos fazer nada em relação a isso. Ela se expressa cada vez mais na economia, na estrutura social, na diminuição do papel da família, e em todos os problemas que surgem na nossa sociedade, como a crise da educação, drogas, terrorismo e assim por diante.

Em todas as áreas da atividade humana o homem está enfrentando várias crises, mas no final é tudo uma crise de nossa oposição à natureza. Naturalmente, isso só pode ser corrigido nesta essência.

Nós não podemos corrigi-lo de outra maneira. Vemos como os líderes mundiais estão tentando, como as autoridades são incapazes de fazer qualquer coisa, e mesmo os tiranos, que usam o dinheiro e os exércitos que estão à sua disposição, são incapazes de mudar algo. O mundo está inexoravelmente caminhando para uma grande ruptura. A força e o poder ainda estão tentando manter o mundo nos limites anteriores, mas já não conseguem fazer isso.

Da 1a Lição na Convenção de Moscou 10/06/11

Fugindo Da Pressão Evolutiva

Dr. Michael LaitmanPergunta: As pessoas conseguem entender a necessidade de fazer concessões umas às outras, mas como você explica a Luz da correção a uma pessoa comum?

Resposta: A Luz é a qualidade de doação, a força superior que está presente na natureza, que nos faz avançar, nos dá vida, nos corrige, e nos move adiante. Durante milênios da existência do homem na Terra (sem considerar os milhões de anos de desenvolvimento dos níveis inanimado, vegetal, e animal da natureza) nós nos desenvolvemos à força, por meio da força oculta na natureza. Existe certo programa dentro dela, uma máquina que opera através desse programa, colocando toda a criação em movimento e causando seu desenvolvimento.

Os cientistas estão revelando que há 15 bilhões de anos nosso universo começou a se desenvolver como resultado do Big Bang. Ou seja, o universo contém uma força evolutiva. Agora, essa força continua a nos desenvolver ainda mais, e é chamado “curso natural da história” (Beito).

Porém, nós temos a oportunidade de nos desenvolver “mais rápido do que o tempo” (Ahishena), não através da força implacável da natureza, que nos empurra para o desenvolvimento com um “braço forte”, por meio do “julgamento e da restrição”, mas despertando “misericórdia” sobre nós, como está escrito: “Como Ele é misericordioso, você também deverá se tornar misericordioso”.

Isso significa que eu desperto as boas forças de desenvolvimento na natureza. Se eu concordar com o desenvolvimento, desejá-lo, e aspirar à mesma meta, despertando o desejo dentro de mim antes que a natureza comece a colocar pressão sobre mim, então eu me sentirei bem e confortável! Eu vou merecer o entendimento e vou abreviar meu caminho. Em essência, isso é tudo que devemos fazer!

Nós temos que correr na frente, como um camundongo corre do gato. Quando a pessoa se torna mais sábia, ela entende que a pressão evolutiva está agindo sobre ela. Por outro lado, existem pessoas que ainda não notaram ou sentiram essa pressão que as está alcançando. Isso significa que ela ainda não chegou perto o suficiente delas e não despertou um grande sofrimento.

Imagine que você está descendo uma rua correndo e uma imensa multidão está perseguindo você para esmagá-lo. Se você já sente isso, então você irá procurar um jeito de se salvar. Você não tem para onde fugir. De ambos os lados há edifícios que se estendem por quilômetros, e você está correndo por um caminho estreito entre eles, enquanto a multidão continua se movendo bem atrás de você. Esse é um quadro impressionante… Você não quer que a multidão o esprema contra o asfalto, quer?

Algumas pessoas já sentem que estão nesse estado, enquanto que outras não o sentem ainda. Ainda assim, tudo é uma questão de tempo. Talvez você se sinta bem por enquanto, como uma pessoa caindo do 10º andar, e ao passar pelo 8º andar diz a seu vizinho que o está encarando da janela: “Como você está? Por enquanto, está tudo bem”. É dessa forma que o mundo está “tudo bem” hoje, mas ele ainda não entende isso.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 30/05/11, Talmud Eser Sefirot

Não Tire Conclusões Precipitadas

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Paz”: Quando surge algum elemento ruim e prejudicial para nós, isso é apenas um auto-testemunho desse elemento; que ele ainda está em fase de transição, no processo de seu desenvolvimento. Portanto, não podemos decidir que ele é ruim e não é sensato que coloquemos um defeito nele.

Esta passagem fala sobre as pessoas pensativas e não sobre aquelas que, como animais, não sabem onde vivem, o porque e com que finalidade. Ao contrário destas, as pessoas que desejam explorar a si mesmas e a natureza chegam à conclusão de que vivemos em um  mundo que está evoluindo, começando com o Big Bang até o dia de hoje. Os níveis inanimado, vegetal, animal e falante desenvolvem-se gradualmente, desde as formas mais simples até as mais complexas.

Como resultado, nós não podemos fazer uma estimativa absoluta de nada, de nenhuma criatura, ato ou ocorrência, pois não podemos ver o que vai brotar disso no final. Somente quando a fruta na árvore amadurece completamente podemos perceber que esta maçã suculenta e doce está pronta para nos deliciar.

Então, perceberemos porque ela teve que passar por todas as etapas anteriores e como deve ser usada. Isso só pode ser aprendido pela observação de todas as formas intermediárias, chegando à fase final, vendo a forma final, e encontrando a forma de aplicá-la. Se, no entanto, ainda não chegámos ao fim do nosso desenvolvimento, mesmo nos níveis inanimado, vegetal, ou animal, não podemos dizer que já sabemos o que está acontecendo. Afinal, tudo é pesado e avaliado exclusivamente pelo resultado final.

Tudo é aprendido com a experiência. Um sábio não se mete no futuro, mas faz conclusões baseadas no caminho que percorreu. Portanto, é dito: “Ninguém é tão sábio quanto aquele que é experiente”. Então, não há nada bom ou mau no mundo; tudo é necessário.

Tudo tem o seu lugar, tempo, razão e precisa existir, e só no final é que vamos aprender que tudo o era para ser do jeito que foi. Somente na linha de chegada podemos tirar uma conclusão sobre qualquer coisa.

Isso vale para todas as partes da realidade, e mais ainda para nós mesmos. Apenas na fase final da evolução podemos tirar conclusões e expressar opiniões sobre nós mesmos: Quem e o que somos, por que e para que finalidade.

Nesse meio tempo, de todas essas explorações, nós ganhamos experiência e aprendemos com nossos erros. Finalmente, nós entendemos que nada na natureza deve ser eliminado, pois não compreendemos as razões de qualquer fenômeno. Anteriormente, o homem queria transformar a natureza, “curvá-la” para se ajustar a si mesmo, o que só levou a uma situação pior.

Nós devemos interferir na natureza o mínimo possível e tratá-la com extremo cuidado. Em outras palavras, nós devemos restringir o nosso egoísmo e usar a natureza somente o necessário, como os animais. Afinal, neste mundo, em nossos corpos, nós somos semelhantes a eles. Portanto, não podemos tirar da natureza mais do que o nosso corpo precisa. Assim, nós estaremos evoluindo de forma correta, sem prejudicá-la.

No “Prefácio ao Livro Panim Meriot uMasbirot” o Baal HaSulam explica que os sábios não Cabalistas, tais como Platão e Aristóteles, costumavam advertir que não se passasse o conhecimento científico para as massas. Eles temiam que as pessoas começariam a desenvolver tecnologias e obter da natureza mais do que seus corpos necessitassem, até que acabassem com a Terra.

Portanto, devemos estar em harmonia com a natureza, a fim de nos desenvolver corretamente em seu ambiente.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/05/11, “Paz no Mundo”