Textos na Categoria 'Espiritualidade'

O Importante É Que Você Está Vivo E Bem

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que uma oração pela autocorreção é ineficaz?

Resposta: Apenas uma oração coletiva funciona. Uma oração para si mesmo é necessária para que a pessoa finalmente entenda que ela não ajuda e que é ineficaz. Este mundo nos confunde, pois as pessoas que pensam em si mesmas têm sucesso. Uma pessoa inicia um negócio, se ocupa com esportes, e quanto mais esforços ela faz, maior será o seu sucesso. Este é um fato real.

No entanto, a espiritualidade é o oposto da corporeidade. Quanto mais eu penso em mim mesmo e faço certos exercícios, mais isso prova que não posso ter sucesso desta forma. As leis que operam na espiritualidade são opostas a todas as leis deste mundo: não é o sábio que tem sucesso graças a sua sabedoria, e não é o corajoso que tem sucesso graças a sua coragem. Ao passo que essas qualidades são muito úteis para o nosso mundo: quanto mais poder, cérebro ou dinheiro você tem, mais é bem sucedido.

Este mundo é baseado na bravura egoísta. No entanto, no mundo espiritual é o oposto, e tudo depende do quanto eu saio de mim mesmo e permaneço impotente, sem cérebro, e totalmente incapaz de ter sucesso por mim mesmo, mas só através do investimento nos outros, subjugando-me diante deles, e sendo influenciado por eles. Assim, eu ensino a mim mesmo que este é o caminho para o avanço.

É uma questão muito delicada. Nós trabalhamos no sistema integral, e somente através da minha conexão com todos os outros, na medida em que posso me atribuir a eles, posso ter sucesso. Eu nunca vou ser capaz de sair do meu “círculo” e ser indiferente em relação aos outros, e eu não quero isso! O avanço indica uma maior penetração no grupo, de modo a ser igual a qualquer outro.

Na verdade, é o oposto às leis deste mundo. Assim, todas as regras que lemos nos textos Cabalísticos não são apenas bons conselhos e sugestões de uma avó preocupada com uma criança, tentando convencê-la a não pular em volta, não lutar, e sentar-se calmamente. Pelo contrário, essas são regras férreas do sistema superior. Nós temos que esquecer todos os sistemas egoístas habituais e tentar nos acostumar e aceitar as leis do sistema superior, onde tudo passa pelo grupo, pelos “dez”, somente através do ambiente.

Você vai conseguir tudo, mas os meios, as regras para o sucesso, são diferentes daquelas que são aceitas neste mundo. O seu sucesso depende apenas de você, na medida em que você domina a si mesmo diante do ambiente, conforme o seu desejo de dar tudo aos amigos, de se preocupar com eles e amá-los como as pessoas mais queridas e amadas para você. Mesmo que você não sinta isso, você se obriga a agir dessa forma, como se cada um deles fosse uma grande pessoa, a maior de nossa geração, aquela que é mais próxima e cara para você, até mais do que a si mesmo.

Em breve, você vai realmente sentir que isto é assim e todos vão se tornar muito importantes e caros para você: o seu estado, a sua saúde, e o seu sucesso. Você vai entender e sentir que depende disso e não terá outras preocupações, exceto o bem-estar e a saúde deles.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/05/13, Escritos do Rabash, “Com Respeito ao Amor dos Amigos -2”

Seja paciente, tudo vai se esclarecer por si só

Pergunta: O que é que uma pessoa obtém a partir da revelação doCriador ?

Resposta: Ao revelar o Criador, uma pessoa alcança a uma força superior que atua em toda a criação. Por isso tudo se torna claro e entendido. Ela vê toda a realidade que não tem começo nem fim, mas apenas um estado fixo. Este estado explica tudo para uma pessoa. Ela alcança a dimensão superior e não tem duvidas restantes.

Ela vive acima do tempo, movimento e espaço, e não há divisão de passado, presente e futuro, o que é a realidade que existe fora do nosso corpo físico. Nosso corpo vive se há um pulso, e, portanto, percebe a realidade, sentindo-se no tempo, ou seja, no passado, presente e futuro, mas quando saimos dos limites do nosso corpo, tudo desaparece. Então nós nos encontramos no mesmo estado que o Criador. [Leia mais →]

O Que Podemos Esperar Quando Temos Os Olhos Vendados?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que nós falamos tão pouco sobre coisas boas, e muito sobre problemas e dificuldades que encontramos no caminho espiritual?

Resposta: Eu acho que os problemas que encontramos são uma coisa boa. No nosso caso, nós não iriámos nos voltar para encontrar o Criador se não fosse por esses “problemas”, como os chamamos.

Eu sinto que tais problemas são doces, pois caso contrário meu “animal” nunca se voltaria na direção do Criador. Na verdade eles podem me assustar e me preocupar, e podem até ser uma ameaça à minha vida, mas tudo vem para me dirigir a Ele.

Em caso afirmativo, o que há de errado nisso? Seu corpo físico é que experimenta os sentimentos desagradáveis. Portanto, não se identifique com ele, comece a formar o ser humano em você que “monta” o animal corporal.

Em geral, o mundo espiritual baseia-se em superar a inclinação ao mal. É impossível escapar disso. A humanidade tem tentado fazê-lo ao longo da história, com a ajuda de várias religiões, crenças, estruturas sociais, leis, ciência e tecnologia.

Tudo isso foi realmente uma tentativa de fuga, uma busca por outros meios de melhorar nossa qualidade de vida e abandonar o caminho ao Criador. Mas esses meios causam uma falha ainda maior; no final, nós ficaremos sem nada. Por exemplo, há poucos dias a ONU recomendou a utilização de insetos como alimento para lutar contra a fome. Aqui está: o futuro do mundo…

Em suma, somente pela revelação do mal é que nós podemos ser direcionados à meta, pois é assim que podemos escolher o que considerar como mal. Eu posso me sentir mal quando meu amor próprio “reclama” de desconforto, ou posso me sentir mal, pois ainda não adquiri minha alma, a conexão com os outros, e com o Criador como parte dela. É exatamente onde reside o nosso livre arbítrio.

É impossível escapar disso, não importa quais argumentos você traga. A Providência superior age sem pedir o meu consentimento. Agora eu tenho que aceitar e mais tarde eu vou entender isso.

De qualquer forma, a espiritualidade é construída sobre o desejo corrupto por prazer. Por isso, não podemos deixar de falar sobre isso; afinal, diz-se: “Eu criei a inclinação ao mal”. A “Torá”, ou o método de correção, é necessário exatamente por esse motivo, e é exatamente quando um pouco de mal é revelado entre nós, quando já queremos nos unir, mas ainda não sabemos como: de que forma, em que princípio, isso vai nos “colar” juntos, e como realizar esta união.

Assim, nós exigimos que a Torá se manifeste em oposição ao mal que é revelado, mas é um mal “doce”. Nós começamos a entender que não temos o poder de enfrentá-lo por nós mesmos, que precisamos da ajuda da força superior, e que o mal está na ruptura da conexão entre nós. Nós simplesmente devemos, queremos lutar para nos conectar, “como um homem em um só coração”. Nós podemos chamar de “mal” o que está acontecendo, mas na verdade não é mal, mas a oposição ao Criador, Suas “costas”. É tudo Ele.

Isso significa que não lutamos entre as garras do mal e o Criador, já que sentimos que o bem e o mal são ambos Ele e são as faces da Sua atitude. Às vezes, um pai sorri para o seu filho, e às vezes dá-lhe um olhar duro, evocando assim diferentes reações na criança, à medida que ela forma sua percepção.

Pergunta: Por um lado, me é mostrado o lado negativo, e por outro lado, me é mostrado o que vou receber no final…

Resposta: Você vai passar o ponto de ruptura, a quebra, como resultado da qual você de repente sentirá prazer em doar. A Luz virá e despertará você para amar os outros. Em seguida, você irá doar a eles e sentirá prazer infinito.

Afinal, é o seu ego que limita você e que está parando você dizendo: “Você pode ir até aqui e não mais do que isso”. Você luta com ele para expandir os limites da doação. Se não houvesse nenhum ego, você iria participar na doação da mesma maneira que se envolve em receber agora, simplesmente porque acha que doar é agradável.

Portanto, para ter certeza que é amor verdadeiro, e não artificial, ele é construído sobre o desejo de receber, para que você possa ser neutro, livre de receber e de doar. Então, você realmente trabalha, realmente controla a satisfação de toda a humanidade e executa a missão do Criador, não tomando nada para si mesmo, sem ter contato com a negatividade da qual você tem que fugir ou com a positividade que poderia trazer-lhe prazer. Este é o momento da eternidade numa pessoa, o ponto médio na escala do bem e do mal.

Pergunta: O que significa “para nos trazer prazer”?

Resposta: É um significado diferente, novo. Eu escolho o prazer para que ele não dependa de mim e eu não dependa dele.

É impossível explicar, ilustrar ou desenhar. Trata-se de um sentimento, e se você tentar tocá-lo com sua mente atual, é uma abordagem errada. Afinal, você não permite que seu coração se abra.

Não é por acaso que falamos de um jogo como a principal ferramenta para o nosso avanço. Se você se coloca fora do jogo, você fica apenas com queixas. Você pode diminuir o valor de tudo na vida por uma atitude desrespeitosa, e agora?

Nós precisamos nos unir, e para fazer isso nós trabalhamos em grupos. Por que grupos? Porque é como nós permitimos que a Luz nos influencie pelo menos um pouco. Nós podemos subestimar a conexão entre os amigos e o que ela pode atrair. Mas por nossos esforços mútuos, nós lhe damos a importância e o apelo, e solicitamos novamente um pouco da Luz que Reforma através disso.

Quem realmente precisa da doação? Ninguém. Mas ainda assim, nós falamos sobre ela, e a Luz Circundante responde a isso e está pronta para aceitar a nossa “mentira”.

É assim que nós nos desenvolvemos e não há outra maneira. É sempre a partir um estado egoísta de Lo Lishma (não para si mesmo) que alcancemos a intenção altruísta de Lishma (para si mesmo). É impossível formar a criatura de outra forma.

Quanto às queixas, o ego sempre desempenha o papel de acusador, mas os sofrimentos acabarão por quebrá-lo. Você não será capaz de ditar suas condições ao Criador. Ele irrita você de propósito para estimulá-lo, e há apenas uma resposta para isso: subjugar-se ao grupo.

Você deve entender que o seu ego é totalmente “quadrado” e que você não vai conseguir nada com sua ajuda. Enquanto você olhar para a realidade através do prisma do amor próprio, você não vai ver nada. Todos os mundos estão ocultos de você; o sistema da Providência superior está fora de sua vista. O que pode ser aberto para você se seu ego filtra todas as chamadas do Criador? Você pode reivindicar a demonstração de qualquer coisa quando na sua frente está uma venda impermeável?

É por isso que os Cabalistas nos dão conselhos sobre como agir neste estado. Se não usarmos seus conselhos, os problemas nos ajudarão a ficar sábios.

Não há nenhum propósito em sentir ressentimento de que algo está oculto de você. Você não tem meios para ver a verdade; somente na união nós podemos ver a liderança do Criador e estar cientes do que está acontecendo.

Mas com a condição de que essa compreensão e esse sentimento não vão jogá-lo fora da pista. Afinal, quando você finalmente obtiver esta oportunidade, você não vai realmente querer sentir e compreender, a fim de evitar um “suborno”.

Você vai dizer ao Criador, “Não revele nada para mim”. Caso contrário, eu vou perder meu livre arbítrio e vou me transformar num “anjo” e descer para o nível “animal”. Eu prefiro ser um ser humano que se esforça e comete erros do que um “animal sagrado” que não tem livre arbítrio. Apenas no nível humano eu posso expressar a minha atitude e só lá eu existo.

Você vai querer colocar Masachim (telas) sobre a Luz, temendo não resistir às suas tentações. Afinal, os guardas que não permitem que você entre no palácio do Rei o mantém afastado, não por sofrimentos, mas por golpes de abundância, que são muito mais fortes e são revelados a você como um amor que o enlouquece. É muito mais difícil colocar uma Masach sobre ele do que sobre os problemas da inclinação ao mal.

Hoje ela realmente ajuda você a entrar em contato com o Criador. O sofrimento foca você na meta. Portanto, diz-se, que o Faraó aproxima os filhos de Israel do Criador. Depois, haverá outros obstáculos e eu vou entender suas reclamações. Afinal, os golpes da Luz são muito mais difíceis. Mas não importa o que aconteça, você sempre vai querer a luta entre estas duas forças opostas, já que apenas entre elas você pode determinar sua independência.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/05/13, O Zohar – Introdução

Os Círculos Da Vida

Dr. Michael LaitmanNa conexão entre nós é onde vamos encontrar tudo. Nós começamos a descobrir a ideia da “conexão” de acordo com o nosso avanço, e vemos que tudo se concentra nela e depende apenas dela, incluindo a nossa vida privada, nossa saúde, nosso sucesso, bem-estar familiar, todo o mundo e nossa realização espiritual. Tudo depende apenas da conexão no grupo que avança pelo poder da fé, pela doação mútua.

Não há nenhum outro meio pelo qual podemos mudar qualquer coisa em nossa realidade exceto nos esforçar ainda mais para nos conectar. Então, todo mundo recebe o poder de todos os outros (de todo o grupo de dez) e assim adquire a força geral de doação como um todo, pela qual pode avançar.

Nós devemos reforçar a conexão na célula espiritual que é formada por dez pessoas, a fim de subir para o segundo nível, e para isso, nós precisamos de uma conexão maior com o círculo externo. Graças à conexão com o círculo externo, você pode “apertar” ainda mais o círculo íntimo dos amigos e, assim, alcançar o segundo nível, a Luz de Ruach, para avançar ainda mais.

A qualidade e a quantidade se complementam e permitem que a pessoa avance. Tudo se concentra no centro do grupo e depende apenas dele. O mais importante é alcançar o primeiro sentimento, e daí você não será mais capaz de se desprender dele, mas sim será atraído a ele como uma fonte de vida.

Nesse meio tempo, no entanto, nós temos que agir artificialmente à medida que jogamos. Logo isso será revelado de verdade, e, daí você verá que é realmente assim. Em seguida, você vai descobrir que, em vez de maiores esforços para se conectar e espremer, você precisará fazer o tipo oposto de trabalho e tentar não ferir ou prejudicar os outros.

O Criador nos dará exercícios opostos. Quando você está no ego, você aprecia o fato de que os outros sofram um pouco e que se sintam mal, e se for seu inimigo, você realmente desfruta o fato de que pode prejudicá-lo e vencê-lo. No entanto, agora você está pronto para desistir de tudo por pessoas que você não amava antes e por quem você inclusive repelia e odiava, enquanto elas se sentem bem. Você fica espantado com sua atitude anterior, já que tudo se inverte.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 19/05/13

Na Sombra Da Garantia Mútua

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “O Arvut (Garantia Mútua)”: Mas o fim da correção do mundo será apenas ao levar todas as pessoas no mundo sob a Sua obra.

Todo o nosso trabalho é esclarecer a natureza do Criador e entender qual é o atributo de doação. Nós podemos fazê-lo apenas a partir do estado oposto, do estado de recepção. Assim, de acordo com a Luz de doação nós sentimos como somos opostos a ela.

Aqui a pessoa sente raiva e tem sentimentos ruins. Será que ela consegue lidar com eles e superá-los? Ou melhor, será que ela fecha os olhos e permanece em sua natureza comum, já que não tem que tomar parte na eterna luta entre essas duas forças que “apaga” o seu desejo, camada após camada, até que nada dele seja deixado? Este é realmente o problema: como nós podemos lidar com esses esclarecimentos? Como podemos verificar, estudar e sentir a natureza do Criador fora da natureza da criatura?

A pessoa só recebe uma iluminação de Cima se ela prepara os seus suportes e o ambiente certo. Isso inclui o estudo, a disseminação, a vida normal, o trabalho,  a Maaser (dízimo), e todas as condições que os Cabalistas exigem. O principal, é claro, é o ambiente, o grupo, os amigos, entre os quais a pessoa esclarece sua conexão com o Criador. É assim que os laços entre a natureza do Criador e a natureza de uma pessoa são tecidos.

Em geral, nós sentimos ódio, repulsa, e entendemos que este é o caminho normal, pois a verdade é revelada: a criatura descobre como é oposta à natureza do Criador. Às vezes, a natureza do Criador é revelada de uma forma que, em resposta, a pessoa simplesmente sente o quão ruim ela é em relação a alguém ou alguma coisa, ou a si mesma.

Mas se a Luz se revela em todas as quatro fases, a pessoa começa a entender quem ela é, quem é o Criador, e quem é o amigo com quem ela se encontra em diferentes estados opostos. Assim, a pessoa já vê uma imagem completa.

É assim que a Luz “joga” conosco: às vezes ela abre um pouco mais, e às vezes um pouco menos, não é mera coincidência, mas sim de acordo com um programa preciso, de acordo com a devoção de uma pessoa. Na medida em que a pessoa está pronta para estar sob essa “sombra”, sob o “guarda-chuva” do professor, do grupo, do estudo, etc., ela pode avançar ao longo do caminho espiritual. Assim, de uma forma ou de outra, nós sempre avançamos qualitativamente, mais fundo na psicologia da alma.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/05/13, Escritos do Baal HaSulam “A Garantia Mútua”

A Resolução Adotada Por Unanimidade

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como uma decisão é tomada num “grupo de dez” (o exercício do grupo de dez pessoas): é de acordo com uma votação por maioria simples, ou todos devem concordar?

Resposta: Se houver algum tipo de “maioria”, isso não é mais chamado de “grupo de dez”. Um grupo de dez é “um homem com um coração”. Portanto, que tipo de “maioria” pode existir lá? Um Minian é formado por dez pessoas, se todas estiverem unidas num só coração, numa oração. Assim, como poderia um grupo de dez adotar algum tipo de resolução, se uma parte não concorda sinceramente?

Você não pode mostrar que é um herói e concordar com a decisão dos amigos, apesar de sua insatisfação. Não há coerção na espiritualidade! Num grupo de dez, a resolução só pode ser adotada se houver um acordo universal, caso contrário, o conceito “grupo de dez” não existe. Todos devem ser como um.

Em contraste, a direção espiritual adota uma resolução com uma maioria “convincente”, 8 de 10, por exemplo. Isso é porque ela é composta de pessoas com opiniões diferentes sobre vários problemas relevantes para o nosso mundo e elas estão tentando encontrar uma solução. Elas não tomam decisões sobre o trabalho espiritual.

Há pessoas que decidem o que vamos comer na refeição, qual será o cronograma para o dia, que artigo vamos aprender na lição, e eu sequer lhes pergunto que tipo de decisão adotaram. Mas o conceito “grupo de dez” se aplica somente à conexão espiritual como uma única pessoa.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/05/13, Escritos do Rabash

Conhecer O Criador É Chamado de Pensamento

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é um pensamento?

Resposta: Um pensamento é o ponto de conexão entre a criatura e o Criador. É uma deficiência especial com a qual a criatura pode subir. Por um lado, é uma deficiência corporal, já que a pessoa fica impotente, sem saber o que fazer com a sua vida e como lidar com ela. Tudo começa com problemas materiais comuns. Mas se a pessoa consegue transcender esses problemas sem abandoná-los, mas os percebe como um meio, então eles fornecem a infraestrutura a partir da qual ela pode subir ao Criador e Lhe agradecer por tê-la despertado.

Se a pessoa quer saber qual é a intenção correta e a atitude correta em relação a tudo o que acontece, isso significa que ela exige um pensamento. Ela eleva seu ponto de deficiência corpóreo até Bina sem perguntar sobre si mesma, mas sim perguntando para onde isso deve levá-la na conexão com a Divindade: como é que ela pode conhecer o Criador com essas deficiências. Conhecer o Criador já é chamado de pensamento.

Assim, este ponto preto se torna Nukva para Hochma, o que significa que está incorporado em Bina, que exige a compreensão. Esta deficiência obriga Abba ve Ima (pai e mãe) a copular e gerar o futuro ser humano, o próximo nível.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/05/13, O Livro do Zohar – Introdução

Por Que Eu Me Sinto Tão Sonolento?

Pergunta: Por que eu tenho que fazer esses grandes esforços para não cair no sono durante a aula, embora eu exerça uma série de esforços no estudo e na disseminação?

Resposta: Eu vou lhe contar um segredo: as pessoas que são atraídas para a espiritualidade, que querem revelar o Criador, não gostam de estudar… É porque elas querem sentir! Elas podem até parecer um pouco estúpidas e sonolentas. Elas podem ler a mesma passagem dez vezes e não entender o que ela diz. Eu experimentei isso.

Se você deixar alguém de fora ler esta passagem, ela vai imediatamente “entender” o que diz. Isso é muito típico da sabedoria da Cabalá; desde que o ponto no coração é despertado em uma pessoa, quando ela lê, o ponto do sentimento é usado e não a mente. Um estranho percebe o texto de uma forma totalmente lógica, e por isso ele não tem nenhum problema de entender o que o texto diz.

Esta é a razão de que às vezes vemos como novas pessoas entram para o grupo e apreendem e dominam o material facilmente. É fácil para elas entenderem o que o texto diz, elas imediatamente começam a estudar o TES, e em um mês ou dois já começam a discutir a teoria mais complexa. Pessoas com o ponto no coração, no entanto, que estudaram durante dez anos, não conseguem entender o que o texto diz, uma vez que estão à procura de um sentimento e não da lógica, como um burro inteligente. [Leia mais →]

Um Vislumbre De Esperança Na Cela Da Prisão

Dr. Michael LaitmanO nosso ego cresceu durante muitos anos, até que uma centelha de repente despertou nele, um lampejo, um ponto de partida da percepção do mundo superior. Quando essa centelha é incendiada numa pessoa, ela começa a sentir desconforto e preocupação. Ela sente que este mundo não é o bastante para ela e que ela precisa de algo mais: há algo mais nesta vida acima da existência corpórea, uma meta mais sublime.

Ela não consegue continuar vivendo mais como todos os outros, e anseia por compreender o sentido da vida, a sua essência, a sua base. Qual é a força interior que a controla e qual é o propósito da sua vida?

Essa centelha, sem dúvida, existe em cada um daqueles que se reuniram aqui nesta Convenção, pois, caso contrário, vocês não iriam desejar vir aqui. No entanto, existem muitas pessoas que vêm para estudar e verificar a si mesmas, quando a centelha nelas está inflamada. Nós temos que fazer grandes esforços para realizar isso, e isso é algo que elas não estão prontas. Entretanto, a diferença entre a força do ego que puxa uma pessoa para o seu próprio corpo e a força da centelha que a puxa para fora do seu corpo, chamando-a a transcender, é muito grande.

O ego de uma pessoa é muito pesado, e mantém a centelha dentro dela como se estivesse numa cela de prisão. Portanto, essas pessoas se rendem ao seu ego e concordam em permanecer nessa prisão. Elas acham diferentes desculpas, segundo as quais, no final, deixam o caminho espiritual, uma vez que devem justificar-se. E assim, elas saem.

Rabash diz que há centelhas de amor ao próximo em cada um dos amigos, ou seja, existem forças anti-egoístas. O ego odeia os outros, e a força que é oposta ao ego é chamada de amor ao próximo. Mas uma centelha não pode acender a Luz do amor, ou seja, me fazer sentir o desejo de alguém como o meu e satisfazê-lo, assim como eu me satisfaço. Em outras palavras, eu não consigo sair de mim mesmo e ser incorporado no outro, o que é chamado de “amor ao próximo”.

Por isso, nós nos reunimos num grupo e concordamos em trabalhar e fortalecer um ao outro, a fim de recolher todas as nossas centelhas, e na conexão entre elas, descobrir o mundo superior.

Da Palestra sobre a Importância da Reunião 10/05/13

Amando O Pai Difícil

Suponhamos que eu magoei alguém. Ele pode amar-me de volta em vez de sentir ressentimento e ódio em relação a mim? Para quê? Talvez eu seja maior e mais inteligente. Ou talvez ele me ame uma vez que pelos golpes eu o quero trazer para o bem, para algo especial e sublime?

Por exemplo, eu pressiono o meu filho pequeno a estudar para que ele cresça mais esperto e se torne um “grande homem.” Ele agora pode não gostar e pode querer ir brincar, mas eu obrigo-o a estudar.

Em resposta, ele não me ama, pelo contrário, ele me odeia. No entanto, mais tarde, como resultado de meus golpes ele cresce mais inteligente e graças ao estudo desenvolve-se internamente. Eu o forço a desenvolver-se, e com o tempo ele entende que eu o faço para o seu próprio bem. Sim, eu pressiono-o e forço-o a seguir o caminho difícil, mas isso não significa que eu não o ame, como ele pensava anteriormente. Não, eu faço-o desta maneira, porque eu quero o que é melhor para ele e eu sofro ainda mais do que ele por causa da minha dureza, mas simplesmente eu não tenho outra escolha

Então, o Criador também não tem outra escolha: Esta é a única maneira que Ele pode criar o ser criado. Só então, à medida que ele se desenvolve, ele irá se voltar para o Criador não por causa dos golpes ou os prazeres que vêm d’Ele, mas de um modo propositadamente diferente, entendendo que o Criador o desperta a esforçar-se e ascender, a atingir o eterno, a vida perfeita, para vir para a compreensão eterna, e para alcançar a um nível novo e especial.

Quando ele alcança isto ele já tem dois tipos de natureza:

1. Os sentimentos de prazer e sofrimento que vêm do Criador.

2. E acima deles, um novo amor que ele sente pelo Criador, invés do ódio que sentia anteriormente

É desta forma como o ser criado se torna independente da sua natureza inicial e recebe uma segunda natureza.

Neste mundo às vezes eu também quero que as pessoas me amem, não porque eu sou bonito e bom, mas que elas me amem só como eu sou, mesmo que eu as trate mal. Eu quero que tu me ames e me valorizares, apesar de eu te tratar com dureza e te causar dor. Eu quero que tu me ames não por causa do modo como eu te trato a ti e aos outros, mas por causa de quem eu sou.

É um pouco como o jogo que o Criador brinca connosco quando Ele estabelece relações diretas connosco e, ao mesmo tempo nos permite focar numa outra “linha direta.” É como a relação que vemos entre pais e filhos, quando os pais amam as crianças, embora elas lhes causem grandes problemas e preocupações. É dito: “O amor cobre todos os pecados”.

Assim, podemos entender o jogo que o Criador joga connosco. Todo o nosso trabalho envolve transcender o corpo que só sente prazer ou dor e estabelecer a atitude certa para com o nosso Mestre, que nos ensina a transcender o nosso “animal”, e a apreciar a sua essência: Porque é que Ele faz isto e para quem? Ele o faz apenas para o nosso bem.

É dito que Ele sofre mais do que nós, uma vez que Ele tem de se esconder e tem de submeter a nossa parte “animal” a diferentes sofrimentos. Ele faz isso para que possamos transcender este nível (o nível animal) e tornarmo-nos seres humanos, sublimes, eminentes, maduros e desenvolvidos. Ele quer que nós apreciemos sua atitude de acordo com sua essência e não de acordo com a forma como ele nos evoca a transcender o “animal”, ignorando os prazeres e os sofrimentos que Ele nos envia intencionalmente, e ver tudo tendo em mente que tudo está direcionado ao objetivo.

Em termos Cabalísticos significa que realizamos uma restrição (Tzimtzum) sobre o sentimento “animal” de prazer ou dor, apontando apenas para o objetivo, ou seja, realizamos Zivug de Hakaa (acoplamento por golpe) acima de todos os prazeres corporais, a fim estar apenas em doação mútua com o Criador, independentemente de todos os meus prazeres e sofrimentos “animais”. Este é já um nível diferente, mais alto, no qual eu estabeleço a minha conexão com o Criador de acordo com o quanto nós pensamos acerca desta conexão, do objetivo único, do estado especial.

Voltando ao exemplo do pai e filho: Quando o filho já entende porque o pai o trata com dureza e força-o a estudar, ele transcende os sofrimentos e sobe para um novo nível de relacionamento com seu pai, já que ambos se preocupam com o seu sucesso. Graças a isso, eles estão em unidade, em adesão e, em uma intenção comum; eles estão conectados e entendem-se um ao outro. Este é já um nível espiritual, a unidade de espírito, apesar da dor e das limitações que o filho tem experimentado do seu pai no nível corporal.

Estes dois níveis são essenciais, pois caso contrário o pai e filho não vão ser capazes de estabelecer uma conexão real, pessoal, interna entre eles. Sem a conexão espiritual , estarão á conectados apenas por aquilo que recebem um do um outro, que está no “nível animal”, onde o ser criado é, sem dúvida, dirigido pelo Criador e permanece dependente para sempre. Este exemplo explica claramente a base da nossa conexão com o Criador.

Da Conversa sobre a Preparação para o Congresso em Nova Jersey, 10/05/13