Textos na Categoria 'Educação Integral'

Vamos Construir Um Telhado Comum Para O Mundo

Dr. Michael LaitmanMesmo que sejamos diferentes, nós ainda progredimos de alguma forma como em uma família. É verdade, não é fácil. Digamos que eu tenho uma mãe e pai, minha esposa também tenha, e cada um de nós tem irmãos e irmãs de ambos os lados, seus filhos, os nossos filhos. Temos de levar em consideração o outro, já que somos mutuamente dependentes, tanto na forma positiva quanto na negativa. É por isso que não temos intenção de mudar e reformar o outro.

É compreensível que, se no passado eu conheci uma mulher que possivelmente difere de mim em sua personalidade, mas de acordo com outras considerações, decidimos ficar juntos, então, nesta decisão de estar juntos, nós basicamente aceitamos e concordamos, mesmo sem falar isso, que estaremos levando uma vida compartilhada que nem sempre estará indo bem. Nós teremos que fazer concessões mútuas e concordar com a opinião do outro, parcial ou totalmente, e assim por diante. Mas nós nos conectamos com o outro, não tendo outra escolha, porque queremos criar uma família, aumentar a nossa prole e apoiar um ao outro.

Casais jovens não têm esse tipo de educação, que ensina como se dar bem entre si apesar das diferenças. Mesmo que nós pensemos que escolhemos livremente o parceiro de vida mais adequado para nós, na realidade, nós ainda somos muito diferentes. Para os animais, o acasalamento acontece instintivamente, mas as pessoas, já que seus cálculos estão corrompidos, procuram algo de especial, talvez até mesmo raro, não percebendo que, exatamente por causa disso, terão dificuldades de comunicação.

A falta de educação, compreensão e formação com relação à vida em comum, bem como a incapacidade de se submeter ao outro nos leva a uma crise da instituição familiar. Em nossos dias, mais da metade da população da terra, especialmente os jovens, são solteiros. Eles não estão prontos para se casar e não querem ter filhos porque se sentem incapazes de cuidar de alguém.

Esta crise já se arrasta há décadas, e hoje também somos obrigados a resolver problemas semelhantes entre os países. Afinal, cada um de nós, pelo menos em relação aos países vizinhos, está tanto dando quanto recebendo, assim como um casal. É por isso que é necessário aprender também como fazer concessões a nível internacional para se conectar acima de todas as diferenças e divergências. No entanto, nós também nunca fomos ensinados a fazer isso.

Então, como isso pode realmente ser feito? Qual é a técnica de fazer concessões, pois somente através da concessão que demonstramos a nossa boa intenção?

Por falta de outras opções, nós atualmente nos encontramos na crise que nos ensina as coisas mais urgentes. E as pessoas sentem essa urgência de tal forma (e é aí que reside a nossa esperança) que se recusam a aceitar o “divórcio”, pois o “divórcio” entre os países é a guerra.

Espero que nós percebamos que não temos uma escolha e que devemos exercer a moderação. É por isso que nós criamos a ONU, um lugar onde supostamente todos podem se reunir e discutir a cooperação pacífica, bem como muitas outras organizações que lidam com educação e saúde.

Por exemplo, em Genebra, há organizações internacionais que eu nunca sequer percebi que existiam. Há uma comissão sobre frequências de radiodifusão que assegura que cada estação de rádio e televisão no mundo tenha sua própria freqüência e não interfira nas outras. Há um conselho de fabricação de medicamentos, produtos médicos, e serviços, que determina normas neste domínio. Isto nos permite compreender uns aos outros e, assim, um médico, ao enviar seu paciente para tratamento em um país diferente, é capaz de explicar ao seu colega todas as nuances de procedimentos necessários.

Há ainda organizações que monitoram as bandeiras de cada país para que, de repente, não surjam duas bandeiras idênticas. Existem padrões em todos os campos, porque estamos nos tornando tão interligados e próximos uns dos outros que é preciso estabelecer leis para regular todas as áreas da nossa interação.

Assim como o parlamento de cada país, que define as leis para a interação dos seus cidadãos, isso também é feito em uma escala global hoje, para o mundo inteiro. Essas organizações foram criadas há algumas décadas, e sem elas as coisas seriam muito difíceis para nós.

Mas hoje o problema não está no estabelecimento de um lugar para todos. A situação atual nos obriga a construir uma “teto” comum que consiste na compreensão mútua e sensação de que estamos na mesma sala, por assim dizer. Nestas circunstâncias é muito difícil para nós estarmos juntos se não tivermos uma boa conexão entre nós.

Nós devemos sentir não só a proximidade, mas a interdependência que exigirá que todos mudem sua atitude para com os outros. Quer queiramos ou não, somos interdependentes, estamos conectados e unidos em diferentes níveis: alimentação, vestuário, educação, cultura, tecnologia, suprimentos de energia, água e até mesmo ar.

Se a indústria de alguém polui a atmosfera, não temos nada para respirar. Estamos todos familiarizados com o Protocolo de Kyoto que estabelece limites para as emissões de derivados de resíduos e poluição atmosférica.

Eu acho que vale a pena apresentar uma lista de organizações internacionais e as questões com as quais trabalham. Então, nós vamos sentir o escopo de nossa conexão. Parte destas organizações está localizada em Paris, Londres e Nova York, mas a maioria delas está em Genebra.

Isto é muito importante porque dá às pessoas uma idéia de dependência mútua, de tal forma que é difícil de acreditar. É muito maior do que numa família. Em uma família, eu posso parar de falar, discutir e até mesmo me distanciar por algum tempo.

Mas aqui, isso é impossível. Acontece que todos os países existentes já estão dentro de um mosaico único, e ninguém é capaz de sair dele ou se comportar da forma que agrada a si. Vemos que sempre que alguém tenta fazer algum movimento independente, nunca consegue. Depois de algum tempo eles regridem, ou talvez nem sequer vão além das tentativas verbais, nunca chegando a quaisquer ações práticas, porque no nosso tempo isso não é possível.

De KabTV “Uma Nova Vida” Episódio 5, 02/01//12

Dificuldades Do Período De Transição

Dr. Michael LaitmanAs transições para novos níveis de desenvolvimento sempre foram induzidas por pequenas crises: os sistemas educacional, social, financeiro e outros, gradualmente começaram a quebrar. Casamentos começaram a desmoronar-se, de forma lenta mas progressiva a propagação do uso de drogas ilícitas aumentou e superou o  alcoolismo. De repente o terrorismo veio à tona.

O nervosismo da humanidade se revela. Ele é o resultado da fraqueza e dificuldades em todas as esferas da vida, que foram construídas de acordo com as regras egoístas que fizeram com que todos se concentrassem somente em si: isto é seu, aquilo é meu, não cruze a linha!Todo mundo defende a sua liberdade e espaço pessoal. Agora, a natureza destrói fronteiras entre nós, quebra paredes, e arrasta-nos para algum tipo de vida em comunidade que nós tentamos evitar porque não estamos ainda prontos para isso.

Quando os nossos egos ainda eram muito pequenos, nós estávamos abertos a tudo. Naquela época, nós não nos importávamos se vivíamos como uma família em uma aldeia. As pessoas não trancavam as portas e eram muito simpáticas umas com as outras. Uma grande família (pais, filhos e netos) compartilhava um quarto e não ficávamos envergonhados uns com os outros.

Hoje em dia, a coisa é diferente. Nós estamos separados por nosso enorme egoísmo: Todo mundo quer uma sala separada, se esforça para se esconder atrás do computador ou telefone, e tende a contactar outros o mínimo possível. As pessoas não se unem mais em famílias, mas se reúnem para fazer sexo e depois ir embora.

Mas, de repente, a Natureza começa a destruir as divisórias e, ao fazê-lo, anula a nossa separação. A crise atual é a maior já experimentada por nós até agora. Fazemos de tudo para atrasar, deturpá-la, mas ela se manifesta em níveis mais baixos, onde todos ainda estão interligados.

Atualmente, não há tal coisa como uma crise familiar, já que as famílias estão simplesmente quebradas. Mais da metade das famílias não pode ser considerado uma família por si só e não tem vontade de reviver e reconstruir-se. O número de pessoas que não desejam se casar chegou a 70%! Hoje, isso é normal; uma boa família onde os seus membros tratam uns aos outros com amor e respeito tornou-se um anacronismo.

O segundo grande problema são as drogas. Estamos em conformidade com este fenômeno feio; nossa luta com ele é leve e suave. Sabemos que é uma coisa terrível que não podemos evitar, porque a sociedade em que vivemos e a própria vida nos obrigam a procurar maneiras de escapar.

O próximo problema é como criar a nossa juventude. Atualmente, dados demográficos são pobres, a população não cresce muito, e as pessoas não sabem como cuidar de seus filhos. Os pais concordam em deixar as crianças, tanto durante a noite quanto durante o dia. As crianças não estão mais ligadas aos seus pais, o fosso entre as gerações cresce. Estamos prestes a perder a próxima geração, mas ninguém se preocupa muito com isso. Nós dizemos: “Que diferença faz se a educação de nossos filhos é boa ou má, o que isso muda?”. Esta é a forma como pensamos. Nem mesmo remotamente percebemos a essência do problema.

Parece que todas as crises anteriores não foram golpes muito grandes para nós, nem acionaram o nosso entendimento que falimos em todos os aspectos de nossas vidas. O processo de desenvolvimento sempre flui a partir do pequeno e fraco até influenciar os grandes. Isto é semelhante à punição de crianças, ou seja, em primeiro lugar começamos convencendo-os e depois progredimos ameaçando com maiores problemas. Neste ponto, todos nós estamos passando por um processo muito sério; é uma questão de vida ou morte.

Estamos passando por dois ciclos graves de discrepâncias entre nós e a natureza. A integralidade nos permite perceber que somos opostos à Natureza e contrários a todos os seus sistemas, o que significa que originalmente tínhamos de estar completamente interligado, mas fazemos tudo o que pudermos para evitar ficar unidos.

Entendemos que ficar junto seria bom para nós, mas não sabemos como alcançar este estado. Todo mundo percebe que, se as pessoas se unirem para fins educacionais, técnicos, pedagógicos e culturais, isso facilitará toda a situação. Mas como podemos agir contra o nosso ego? Nós não somos capazes de fazê-lo!

Aqui está o problema: se não formos capazes de nos unir, vamos ficar com fome. Muito simples! Nós não seremos capazes de fornecer as necessidades básicas: alimentação, segurança, calor, habitação e saúde física. Estas são cinco necessidades básicas que têm de ser cumpridos a fim de sobreviver.

Neste momento, a Natureza está pressionando-nos tanto que se não correspondermos a suas exigências, não seremos capazes de fornecer nossas cinco grandes necessidades. Uma noção de como a ecologia faz parte de nossa necessidade de segurança. Vamos deixar de fornecer alimentos e manter uma boa ecologia; ambos estão interligados, visto que um influencia o outro.

Preocupação, medo, dificuldade, acabarão por forçar a humanidade a tomar medidas drásticas. Se não fizermos nada, a nossa resistência e oposição á Natureza nos levará à aflição, guerras, devastação e obliteração. Em algum momento, vamos reavaliar nossas chances de sobrevivência e chegar à conclusão de que temos que nos unir e alcançar o quarto nível de desenvolvimento: o  nível Humano.

Da “Discussão sobre Educação Integral” #12, 16/12/11

A Linguagem De Uma Nova Cultura

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós esperamos que o método de educação integral seja disseminado em todo o mundo. Como você vê a interação do grupo de Moscou com os grupos da América do Sul, por exemplo? Será que faz sentido eles manterem uma relação um com o outro?

Resposta: Se nos livrarmos da barreira da língua através da tradução simultânea, as pessoas vão se entender perfeitamente. Elas vão entender os sentimentos, as canções, as danças e expressões diferentes. Você verá que, de repente, elas têm os mesmos movimentos corporais.

Quando falamos em integração, as pessoas começam a se expressar da mesma maneira, independentemente de quem elas são. As diferenças nacionais, étnicas e raciais derretem-se.

Por exemplo, os nativos da América do Sul e África, que têm movimentos de dança completamente diferentes, começam a se mover em sincronia, tentando sentir o outro. Sua dança já não se assemelha a dança moderna, onde todos estão a dois metros de distância um do outro e ninguém vê ninguém, enquanto dançam e pulam por conta própria. Pelo contrário, eles tentam ficar juntos, para entrar em contato, para estar mais perto, talvez até mesmo parar de se mover, mas para sentir-se fisicamente e, mais importante, internamente.

Eles adquirem uma linguagem corporal completamente nova e eu diria, uma nova cultura, comunicação e comportamento. Mas não é apenas uma cultura, é uma nova forma de arte, a arte da dança e da expressão que provém precisamente da sensação integral.

Espero que esta cultura surja e seja revelada, e talvez por ela a humanidade se adapte ao mundo integral. Isto é chocante e mostra-nos que realmente estamos nos aproximando da única imagem de “Adão”.

Esta é uma linguagem que não existia durante a separação de pessoas que viviam na antiga Babilônia, durante a sua dispersão por todo o mundo (se aceitarmos a lenda da Bíblia como um fato). É uma linguagem inserida na fundação da nossa raiz, mesmo antes dos seres humanos surgirem, e vem de nossa fundação espiritual antes dela se materializar.

Se tomarmos todas as canções, danças, qualquer tipo de música, ou quaisquer outras formas de expressão de vários grupos de diferentes continentes, vamos descobrir um denominador comum em todos eles. E as diferenças entre eles serão muito menores.

 Da “Discussão sobre a Educação Integral” # 11, 16/12/11

“Nós” Significa Um Novo Sensor

Dr. Michael LaitmanAté hoje, nós ainda estamos no nível animal do desenvolvimento. Nós passamos os níveis inanimado, vegetal e animal do desenvolvimento, e ainda não atingimos o nível “Humano”. O nível “Humano” é a imagem coletiva na qual todos nós estamos integralmente ligados.

O que a conexão integral nos dá? Por que a natureza nos empurra nessa direção através de sua lei de equilíbrio, obrigando-nos a conectar?

Hoje, nós percebemos o mundo através dos nossos cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato. Se nós estivermos conectados integralmente, começaremos a sentir tanto a nós mesmos quanto os outros como se uma nova sensação integral do “nós” surgisse em nós.

Essa nova sensação integral, este novo sensor, nos permitirá sentir a natureza integral. Vamos começar a sentir a força da natureza, que nos envolve, dirige e gerencia, e que dá origem a todos os fenômenos. É a força que determina o nosso futuro, nosso destino.

Nós começamos a sentir o fluxo da vida – o passado, o presente e o futuro – como um fluxo de informação. Isto é o que podemos sentir quando adquirimos uma conexão integral com os outros. Com isso a pessoa sobe a um nível superior ao seu corpo animal e começa a sentir o que existe além da matéria: as forças, as correntes que existem fora de nós, acima de nós.

Isso é chamado de nível “Humano”, o nível da informação adicional, que determina a nossa vida inteira. A Natureza nos empurra até este nível para que possamos saber o significado de nossas vidas e sua finalidade. Isto é o que a conexão integral entre nós nos dá.

Portanto, nós enfrentamos um problema muito interessante que parece ter uma solução fácil. Mas, embora a solução esteja ao alcance da mão, ela contradiz totalmente o nosso ego.

É por isso que nós estamos preocupados com a disseminação deste conhecimento que reduz o sofrimento: nós queremos começar a sentir esta necessidade não pelo sofrimento, mas pelo reconhecimento; queremos entender com antecedência por que tudo acontece da maneira como ocorre. Quando uma pessoa começa a ver que o mundo é global, porque e como ela está interconectada, ela já começa a prever os acontecimentos e entender o que e como deve acontecer se agirmos de uma maneira ou de outra.

Nós esperamos que este método se torne o método para a tomada de novas decisões, e que a humanidade seja capaz de sair da crise, não apenas da crise econômica, mas da crise geral.

A crise é realmente o nascimento de um novo estado. É como as dores de parto, quando o bebê faz um esforço para sair do útero, para o nosso mundo. Nós também estamos atualmente atravessando o mesmo ponto de virada em nossa consciência, em nossa compreensão do mundo e de nós mesmos.

Da Convenção de Vilnius 22/03/12, Lição Preliminar

Educação Suave

Dr. Michael LaitmanPergunta: O processo de educação numa universidade é dividido em semestres, e depois há exames. Ele combina a recepção do diploma, o ensino superior, pós-graduação, doutorado, e assim por diante.

Quando se trata da educação integral, faz sentido ir de um curso para outro ou este processo deve ser constante, suave, sem subdivisões rigorosas em semestres?

Resposta: A divisão clara só existe para iniciantes, porque nós devemos dar a eles a sensação de que eles estão avançando: primeiro curso, segundo curso, certificados, diplomas, graus, recompensas, e assim por diante. Mas depois tudo isso desaparece.

A pessoa se torna parte importante da generalização individual, comum e global que isso se transforma em seu avanço, sua maior inclusão no sistema integral. E aqui a divisão especial em cursos não existe mais.

As pessoas vão gastar todo o seu tempo livre estudando e, basicamente, todo o seu dia de trabalho ficará livre. Neste caso, após cerca de 2 a 3 meses de estudos intensivos, a pessoa já vai imaginar certa imagem comum, sua forma geral. Então, eu acho que no máximo após seis meses de estudos, vamos simplesmente ser capaz de combiná-las em uma grande classe, um grande auditório ou um grupo, porque a melhor coisa para elas é se comunicar constantemente entre si.

Então, como em qualquer sociedade, um núcleo ativo surgirá neste grupo, com pessoas mais passivas e periféricas se conectando a ele.

Da “Discussão sobre a Educação Integral” # 11, 16/12/11

Nossos Alunos São A Nossa Esperança

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como o senhor vê a implantação do curso de educação integral? Ele deve ser estudado primeiro em nossos grupos?

Resposta: Os primeiros cursos de educação e formação integral já foram realizados. Nós estamos prestes a abrir um centro de aprendizagem da Garantia Mútua. Eu encorajo todos a participar. Aqueles que se inscreverem poderão se tornar professores e educadores depois de se formar de acordo com suas inclinações. Há pessoas que tendem para o ensino, e há aquelas que estão dispostas a educar, criar grupos, discussões, monitoria, etc. Estas são duas direções: elas se complementam, mas andam em paralelo.

Nós gostaríamos de ver todos os nossos alunos em todo o mundo como educadores e professores, porque a humanidade, eu espero, logo perceberá o quanto precisa deles, e essas pessoas estarão ocupadas para além de suas habilidades.

Da “Discussão sobre a Educação Integral” # 14, 18/12/11

Fala, Pensamento, Ação

Dr. Michael LaitmanA correção que devemos construir acima do nível animal para atingir o nível falante não se origina apenas em nossos corpos, mas também no ser humano dentro de nós. No entanto, nós implementamos o processo de correção a partir dos nossos corpos, pois o corpo é uma “ferramenta” de correção. Nós nos relacionamos uns com os outros (tanto positiva quanto negativamente) através da fala (discurso), dos pensamentos e das ações. A necessidade de doar nos leva à realização do amor recíproco; é um processo que todos nós temos que passar de todas as formas.

A fala representa a auto persuasão. Pode ser referida como um diálogo interno, porque a pessoa fala constantemente consigo mesma, mas também pode significar a fala “prática” (aberta, externa) que se dirige aos outros e transmite idéias sobre como e em que direção devemos todos mudar.

Os pensamentos vêm antes do discurso e das ações. Primeiro, nós temos que formular um pensamento que vem de nossos cálculos internos, que obtemos a partir de nós mesmos, bem como do nosso ambiente, sociedade e professores. Assim, os pensamentos devem ser construídos antes de qualquer outra coisa; depois, eles têm que ser transformados em discurso. Qualquer tipo de expressão oral será sempre apenas “belas palavras” até que nós a habilitemos com a “força” através da aplicação de ações.

As ações significam a dedicação de cada hora, que não é gasta satisfazendo nossas necessidades animais, para a educação integral, disseminação e trabalho em prol dos outros. Nossa tarefa é levar as pessoas a, pelo menos, um padrão de vida decente, tê-las vivendo acima da linha da pobreza, organizar uma distribuição justa, e fazer todos se sentirem que não são privados dos seus direitos.

Assim, os nossos pensamentos e a fala devem ser destinados à construção de uma nova sociedade equilibrada, onde todos viverão num nível integral e estarão num sistema análogo. À medida que construímos a nós mesmos, nós permitimos que nossos pensamentos sejam influenciados pelo que está à nossa volta; nós constantemente nos submetemos a um forte ambiente integral. Depois de formular pensamentos internos, nós os implementamos na fala, ou seja, moldamos nossos conceitos e sistemas de informação. Este é o momento em que as ações se apresentam. É o momento em que, basicamente, influenciamos os outros através da educação, e elevamos os padrões de vida em todo o mundo para que ninguém sofra de fome e aflição.

Esta é a essência do nosso trabalho. É assim que nos aproximamos do equilíbrio com a natureza, que é o objetivo no qual estamos constantemente focados. O equilíbrio entre nós permite que alcancemos um estado de equilíbrio geral com toda a natureza e com suas leis universais. Como resultado, nós criamos um sistema “completo”, perfeito.

Aqui, a nossa evolução pára: o nosso desenvolvimento começou no momento em que a vida surgiu na face da Terra e, neste momento, ele atinge o seu equilíbrio final. Isso não significa que tudo vai acabar e o sol vai parar de brilhar. Não significa que nós não possamos esperar mais alguns bilhões de anos antes que aconteça. Nós estamos falando do fim da correção do ser humano: se atingirmos o equilíbrio com a natureza e alcançarmos uma harmonia perfeita, não sentiremos mais qualquer pressão da natureza e nossas vidas se tornarão perfeitas.

Vamos esperar que nos aproximemos de tal estado dentro das nossas sensações e que nós sejamos capazes, por todos os meios, de preparar os nossos filhos e netos para atingir esse estado. Está dentro do nosso poder fazê-lo.

Da KabTV “Uma Nova Vida” Episódio 11, 09/01/12

A Aterissagem Final do Ego

Dr. Michael LaitmanDe certa forma, nós sempre soubemos o que fazer e para onde ir. A Natureza sempre nos empurrou por trás: nós queríamos evoluir, fazer mais e expandir, desenvolver a ciência e a tecnologia – tudo que podíamos.

Hoje, nós não queremos nada. Nós estamos paralisados, calados. O nosso ego, que ao longo da história era a força motriz da humanidade, deixou de funcionar. Ele não evoca nenhum desejo ou impulso em nós, não nos empurra para frente. Nós já passamos por muitas mudanças na sociedade, nos desenvolvemos, construímos, criamos e fizemos revoluções. A humanidade sempre tentou fazer algo, avançar. Nós estávamos buscando.

Atualmente não há busca. Não existe um paradigma de pensamento, nenhum plano claro e preciso do que queremos e em que direção nos desenvolver. Isto é o que caracteriza o nosso tempo.

O principal problema é que isso se aplica a todos. Nunca houve algo assim na história. Todos os países e continentes: Oceania, Ásia, América do Norte e América do Sul, Europa, Extremo Oriente, Japão, China e África, todos se desenvolveram a sua própria maneira, em seu próprio ritmo e não eram dependentes um do outro.

De repente, nos tornamos tão dependentes que este problema tornou-se global. Nós nos encontramos num mundo onde tudo está conectado. Nós não queremos isso, mas a conexão mútua é tão forte que se manifesta diariamente e afeta virtualmente cada um de nós. Se alguma coisa acontece em algum lugar do mundo, é sem dúvida imediatamente refletida em nós. Vemos o que está acontecendo nos mercados de ações em Nova York, Tóquio, Alemanha, ou Frankfurt, o que está acontecendo com o óleo ou metais… Se há um terremoto, um furacão ou um vulcão que explode em algum lugar, isso é refletido em todos. Nós estamos num mundo em transformação que sequer podemos imaginar o que fazer a seguir.

Se traçarmos um gráfico simples do desenvolvimento do ego num eixo de tempo, veremos que estávamos acostumados a nos desenvolver mais ou menos uniformemente. Somente no século XX é que o nosso ego cresceu muito rapidamente. Fizemos um grande avanço em todos os aspectos da vida: na tecnologia, educação e formação, desenvolvendo terras e conquistando o espaço. De repente nos encontramos numa “aterrissagem”. Nós atingimos o máximo do nosso ego, e isso não nos empurra a lugar algum. Chegamos a este estado no final do século passado.

Este é um problema muito sério, que grandes homens e grandes mentes estão lidando. Mas hoje nós estamos começando a pesquisar e entender, começando a perceber o que aconteceu.

Da Convenção de Vilnius 22/03/12, Lição Preliminar

O Mundo Na Encruzilhada

Dr. Michael LaitmanHoje, vamos falar da crise que afeta toda a humanidade e de sua possível solução, que o método da educação integral proporciona.

A humanidade entrou num período difícil e se transformou de tal forma que se sente completamente perdida.

As pessoas estão muito pouco preocupadas com família, sociedade, educação, formação e com os problemas públicos, governamentais e sociais; elas não conseguem encontrar soluções para os problemas que surgem em cada atividade individual, social e governamental. Nós nos encontramos num estado que não podemos compreender.

No entanto, nos últimos anos (79-80 anos), os cientistas suspeitaram do que estava acontecendo. Começando nos anos de 1920, os primeiros artigos apareceram sugerindo que o mundo estava entrando numa área completamente diferente de desenvolvimento, que estava subindo a um nível totalmente diferente: o nível do desenvolvimento integral. Muitos pesquisadores escreveram sobre isso. Na década de 1960, o famoso Clube de Roma falou sobre isso, bem como muitos pesquisadores e organizações.

Hoje, durante a crise, nós chegamos a um estado muito profundo do qual não conseguimos encontrar a saída.

Anteriormente, a crise tocava apenas os problemas da criação e educação de crianças. Nós estávamos insatisfeitos com o que estava acontecendo, mas de alguma forma suportávamos, embora víssemos que as escolas não educavam as crianças, que as nossas crianças sofriam intimidação, violência e abuso na escola. Mas nós tolerávamos isso.

Então, nós começamos a perceber como as pessoas de repente pararam de se preocupar com a família e a família começou a se desintegrar, o que não ocorria 100 a 200 anos atrás. Ao longo da história humana, aceitava-se que a pessoa vivesse numa família com seus pais e então criasse sua própria família. Depois, seus filhos nasciam, e eles permaneciam todos unidos numa casa comum; mas agora tudo está passando por um declínio crítico. As pessoas começaram a se divorciar, os filhos a se afastar de seus pais, as pessoas não querem se casar ou constituir família. Esta é também uma crise, porque este fenômeno não é natural para nós, como pessoas.

E o que vai acontecer com as gerações futuras? Nós já estamos enfrentando um problema demográfico, onde os idosos são mais numerosos do que os jovens. E quem sabe quem vai cuidar deles na velhice. O que vai acontecer com você se você não tem filhos? Quem vai apoiá-lo?

As pessoas nem sequer pensam que uma geração apoia a outra. Pelo menos três gerações são necessárias: os idosos, os pais e os filhos, para que eles apoiem, eduquem uns aos outros, transmitam conhecimento, cuidem da família; os jovens cuidam dos idosos e os idosos transmitem sua experiência e valores da vida. Não há nada como isso.

Então, há os problemas com drogas e a depressão, a qual é tão forte que os médicos consideram hoje a doença número um do século, não só a doença em si, mas também suas consequências. A causa, a origem da maioria das doenças no mundo é a depressão, a ansiedade intensa, o desapego e o desamparo.

As últimas crises envolvem a crise na ciência, na educação, em todas as coisas. A crise na ciência começou a partir do ponto que paramos de acreditar na ciência. Antes, nós pensávamos que através da ciência chegaríamos a uma boa vida, conquistaríamos o espaço, nos estabeleceríamos em outros planetas e teríamos possibilidades ilimitadas à frente. De repente, fechamos todos os programas espaciais; não estamos mais interessados ​​na exploração do espaço; nós não pensamos que podemos encontrar alguma coisa lá. No final, tudo está se desacelerando. A pessoa se sente deprimida, não quer nada.

A mais recente crise é a crise econômica. É a mais dura e mais difícil porque afeta todos os aspectos de nossas vidas. Alimentação, saúde, aquecimento, segurança, tudo depende da economia. Mas a economia se recusa a funcionar; ela já não funciona mais e não sabemos por quê. Empresas fecham, “bolhas” financeiras inflaram, e todo o tipo de mau uso do dinheiro ocorre. E tudo o que era para se desenvolver bem, para o nosso benefício, se volta contra nós.

Mas o que é interessante é que ninguém consegue lidar com isso, nem os eminentes economistas, nem os políticos, mas todos nós estamos dispostos a ajudá-los porque não vamos sobreviver sem a economia. Acontece que não sabemos o que fazer. Um grande número de altos políticos, chefes de estados, o G8, G20, se reúnem e não conseguem resolver nada. Eles não sabem o que fazer.

Da Convenção de Vilnius 22/03/12, Lição Preliminar

Um Tampão Entre A Natureza E A Humanidade

Dr. Michael LaitmanPergunta: Os nossos esforços em unir e disseminar criam mudanças no resto do mundo. Isso por sua vez, nos afeta? Por exemplo, se criarmos cursos para as massas e começarmos a conectar essas pessoas, seu número vai crescer. Será que isso terá um efeito sobre a nossa capacidade de avançar e unir mais rápido? Estes processos estão interligados?

Resposta: Esses processos estão definitivamente ligados. Nós recebemos a oportunidade de avançar para que possamos ser capazes de conduzir toda a humanidade. Do ponto de vista da natureza não há nenhuma necessidade da nossa existência. Nós servimos como um tampão que deve trabalhar em coordenação com a natureza e com o resto da humanidade, porque ela não pode avançar por si própria.

Por esta razão, nós devemos estar juntos com as sete bilhões de pessoas. Nós temos que tentar criar um método que seja compreensível para elas e organizar tudo de uma forma que será fácil, agradável, conveniente e alegre. Nós temos que despertar o seu interesse em nos seguir. Isso nunca deve ser forçado, porque o seu avanço tem que ser voluntário e consciente.

Nós temos que elevar constantemente o seu desenvolvimento para que elas possam perceber a importância de avançar. Deste modo, elas avançarão. Basicamente, nossa educação é dirigida a levar as pessoas à compreensão da necessidade do desenvolvimento pessoal.

Da “Discussão sobre a Educação Integral” # 14, 18/12/11