Textos na Categoria 'Antissemitismo'

Como Um Feixe De Juncos – Dispensáveis, Parte 3

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 6: Dispensáveis

Antissemitismo Contemporâneo

O Que Eles Precisam E O Que Nós Damos

Em face disso, parece que o mundo é ingrato pelas contribuições feitas pelos judeus para o benefício da humanidade na ciência, educação, economia, sociologia, psicologia e virtualmente todo o reino da vida. Contudo, essa ingratidão ostensiva deve servir como indicação de que o que estamos dando não é necessariamente o que eles precisam de nós.

Na realidade, as pessoas realmente reconhecem a singularidade do povo judeu, mas somos nós que usamos mal essa singularidade ao dar o que queremos dar, em vez do que eles querem receber.

Para entender melhor o que o mundo precisa de nós, devemos olhar para alguns dos documentos mais críticos e agudos escritos sobre os judeus. Um grande exemplo de tais documentos é o infame livro de Henry Ford (fundador da Ford Motor Company), O Judeu Internacional – O Principal Problema Do Mundo. Ao fazer generalizações grosseiras, o livro frequentemente estabelece pontos que merecem ser considerados. Para isso, contudo, nós devemos deixar de lado nossa afronta, e olhar verdadeiramente para os argumentos de Ford (a ênfase em itálico é do editor): “Cada judeu deveria também saber que em cada igreja Cristã onde as antigas profecias são recebidas e estudadas, há um grande renascimento do interesse no futuro dos Povos Antigos. Não se pode esquecer que certas promessas foram feitas a eles com respeito à sua posição no mundo, e é assegurado que estas profecias serão concretizadas. O futuro do Judeu… está intimamente ligado ao futuro deste planeta, e a igreja Cristã em ampla parte… vê uma Restauração do Povo Escolhido ainda por vir. Se a massa de Judeus soubesse quão compreensivamente e simpaticamente todas as profecias que lhe diz respeito estão sendo estudadas na Igreja, e a fé que existe de que estas profecias encontrarão preenchimento e que elas resultarão em grande serviço Judaico à sociedade como um todo, eles provavelmente considerariam a Igreja com outra mente”. [i]

Inicialmente no livro, Ford escreve, “O inteiro propósito profético em referência a Israel parece ter sido a iluminação moral do mundo através de sua interferência”. [ii] Em outro lugar, ele acrescenta, “A sociedade tem uma grande reivindicação contra [o judeu] de que ele… comece a concretizar [o que], em um sentido, sua exclusividade nunca o permitiu concretizar ainda – a antiga profecia que através dele todas as nações da terra devem ser abençoadas”. [iii]

John Adams, o segundo Presidente dos Estados Unidos, também comentou o que ele acreditava que os judeus haviam dado ao mundo. Nas suas palavras, “Os hebreus fizeram mais para civilizar os homens que qualquer outra nação. Se eu fosse um ateu, e acreditasse em destino cego eterno, eu ainda assim acreditaria que esse destino havia ordenado os judeus a ser o instrumento mais essencial para civilizar as nações. Se eu fosse um ateu de outra seita, que acredita, ou finge acreditar que tudo é ordenado por acaso, eu deveria acreditar que o acaso ordenou os judeus a preservar e propagar a toda a humanidade a doutrina de um supremo, inteligente, sábio, todo-poderoso soberano do universo, que creio ser o grande e essencial princípio de toda a moralidade, e consequentemente de toda a civilização”. [iv]

Samuel Langhorne Clemens, melhor conhecido pelo seu pseudónimo, Mark Twain, reconhece a distinção judia em todos os reinos de envolvimento humano, mas ele também acaba por ponderar a origem dessa proeminência: “…Se as estatísticas estão certas, os judeus constituem apenas um por cento da raça humana. Isso sugere um fosco e nebuloso sopro de poeira das estrelas perdido na labareda da Via Láctea. Adequadamente, o judeu pouco deveria ouvir falar dele, mas ele é escutado, foi escutado. Ele é tão proeminente no planeta como qualquer outro povo, e sua importância comercial é extravagantemente fora de proporção com a pequenez de sua massa. Suas contribuições à lista mundial dos grandes nomes na literatura, ciência, arte, música, finanças, medicina e aprendizagem oculta também são de longe fora de proporção com a fraqueza de seus números. Ele combateu maravilhosamente neste mundo, em todas as eras; e o fez com suas mãos atadas atrás dele. Ele podia ser vaidoso de si mesmo, e ser desculpado disso.

“O egípcio, o babilónio e o persa, preencheram o planeta com som e esplendor, depois esvaeceram em coisas sonhadoras e faleceram; os gregos e os romanos se seguiram, e fizeram amplo alarido, e se foram. Outros povos nasceram e mantiveram sua tocha alta por um tempo, mas ela se apagou, e eles já estão sentados no crepúsculo agora, ou desapareceram. O judeu viu a todos, venceu a todos, e é agora o que sempre foi, não exibindo decadência, nem enfermidades da idade, enfraquecimento de suas partes, nem abrandamento de suas energias, ou enfadar de seu alerta e mente agressiva. Todas as coisas são mortais, menos o judeu; todas as outras forças passam, mas ele permanece. Qual é o segredo de sua imortalidade”? [v]

E finalmente, há aqueles que não reconhecem que os judeus são especiais no sentido espiritual, mais que no corpóreo, mas até detalham a essência dessa espiritualidade: união. Tal foi o caso do Primeiro Ministro do Reino Unido durante a 2ª Guerra Mundial, Sir Winston Churchill. Em Churchill e os Judeus, o autor Martin Gilbert cita Churchill: “Os judeus foram uma comunidade sortuda porque tinham esse espírito corporativo, o espírito de sua raça e fé. [Churchill] não … lhes pediria para usar esse espírito em qualquer sentido estreito ou de clãs, a se isolarem a si mesmos dos outros … longe de seu humor e intenção, longe dos conselhos que lhes foram dados por aqueles mais intitulados a aconselhar. Esse poder pessoal e especial que eles possuíam lhes permitiu trazer vitalidade para suas instituições, que nada mais traria. [Churchill acreditava sinceramente que] um judeu não pode ser um bom Inglês a menos que ele seja um bom Judeu”. [vi]

Desta forma, nós podemos ver que o que as nações querem dos judeus não é a excelência em ciência, finanças, ou qualquer dos outros reinos mencionados nas acima citações. O que o mundo precisa de nós é a espiritualidade, particularmente a capacidade de se conectar com o Criador. Esta é a única coisa que nós possuímos, e que nenhuma outra nação tem, teve, pode ou está destinada a possuir a menos que o reacendamos dentro de nós e o passemos como uma luz para as nações. Enquanto nos abstivermos de levar a cabo essa missão, as nações irão amplamente nos considerar dispensáveis, se não francamente prejudicial, certamente como Ford afirmou, “O principal problema do mundo”.

[i] Henry Ford, O Judeu Internacional – O Principal Problema do Mundo (The Noontide Press: Books On-Line), 40.

[ii] Henry Ford, O Judeu Internacional – O Principal Problema do Mundo (The Noontide Press: Books On-Line), 8.

[iii] Henry Ford, O Judeu Internacional – O Principal Problema do Mundo (The Noontide Press: Books On-Line), 28.

[iv] John Adams, em uma carta à F.A. Vanderkemp (16 de Fevereiro de 1809), como citado em As Raízes da Ordem americana (1974) por Russel Kirk.

[v] Mark Twain, Os Ensaios Completos de Mark Twain, “A Respeito dos Judeus” (publicado na Revista Harper, 1899), Doubleday, [1963], pg. 249.

[vi] Martin Gilbert, Churchill e os Judeus (Reino Unido, Simon & Schuster, 2007), 16

 

Como Um Feixe De Juncos – Dispensáveis, Parte 2

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Capítulo 6: Dispensáveis

Antissemitismo Contemporâneo

Os Escritos na Parede

Todavia, no começo do século XX, os judeus haviam se afastado tanto da sua pretendida vocação que eles se tornaram ou totalmente preocupados com a meticulosa observação dos mandamentos práticos, esquecendo-se e rejeitando seu significado interno, ou totalmente absortos em desejos mundanos e materiais, esquecendo-se ou rejeitando sua vocação irrevogável. Num tempo em que o egoísmo atingiu níveis que ameaçaram a paz mundial, nenhuma das vias era desejável, e alguns dos grandes líderes espirituais da nação começaram a alertar que o tempo era fugidio, que tínhamos que despertar para nossa missão e realiza-a antes que a calamidade se revelasse.

O grande acadêmico humanista, e Cabalista, Rav Avraham Yitzhak HaCohen Kook, desesperadamente tentou alertar os judeus do crescente antissemitismo. Ele alertou-os que nenhum país no mundo seria seguro para eles, e que Israel era a única opção segura. Em retrospectiva, o conteúdo de sua premonição é alarmante, nos dando um vislumbre nas profundezas da clareza de visão de tais pessoas.

O tratado no qual ele suplicou aos Judeus que viessem para Israel foi chamado, “O Grande Chamamento para a Terra de Israel”. Tome nota não só de seu pedido, mas também do seu aviso a respeito do futuro possível dos judeus nas suas pátrias: “Venham para a terra de Israel, doces irmãos, venham para a terra de Israel. Salvem suas almas, as almas de suas gerações, e a alma de nossa nação inteira. Salvem-na da desolação e do esquecimento; salvem-na da decadência e degradação; salvem-na da sujeira e maldade, de cada problema e peste que possa recair sobre todos os países das nações sem exceção.

“‘Venham à terra de Israel’! Clamaremos com alta e terrível voz, com o som do trovão e uma grande voz, uma voz que agita tempestade e abala os céus e a terra, uma vez que rasga cada parede no coração. Corram por vossas vidas e venham para a terra de Israel. A voz do Senhor nos chama, Sua mão está esticada para nós, Seu espírito está nos nossos corações, e Ele nos reúne, encoraja e impele a clamar alto com uma terrível e poderosa voz: ‘Nossos irmãos, filhos de Israel, queridos e amados irmãos, venham para a terra de Israel. Reúnam-se um a um, não esperem palavras e ordens formais; não esperem permissões dos reconhecidos. Façam o que puderem, fujam e reúnam-se, venham para a terra de Israel. Pavimentem o caminho para nossa amada e oprimida nação. Mostrem-lhe que seu caminho já está pavimentado, esticado perante ela. Ela não deve repousar, ela não tem nada que exigir; ela não tem muitos caminhos e rotas. Há um caminho perante ela, e este é aquele em que ela marchará; é aquele que ela deve marchar, especificamente para a terra de Israel’”. [i]

O Rav Kook não estava só na sua preocupação. Na Polônia, um brilhante e jovem dayan (juiz ortodoxo) em Varsóvia – no tempo da maior e mais proeminente comunidade Judaica na Europa – Rav Yehuda Ashlag, que mais tarde se tornou um comentador reconhecido do Livro do Zohar, não se contentou apenas em anunciar publicamente que todos os judeus deviam fugir da Europa. Ele organizou a compra de 300 cabanas de madeira da Suécia e um lugar para elas serem erguidas na Terra de Israel (que era chamada de “Palestina”).

Mas eis que seu plano foi impedido pela oposição dos líderes da congregação judia na Polônia. A consequência trágica do fracasso de Ashlag de trazer seus companheiros judeus com ele foi de todos os judeus que contemplaram vir com Ashlag, somente Ashlag e sua família emigraram no final. O resto das famílias permaneceu na Polônia e pereceu no Holocausto. [ii]

Tanto o Rav Kook e o Rav Ashlag (Baal HaSulam) exprimiram como percebiam a ascensão do Nazismo ao poder, especificamente Hitler. Tenham em mente que o Rav Kook morreu em 1935, quatro anos antes que a 2ª Guerra Mundial irrompesse. Abaixo estão as palavras editadas de Rav Kook (para torna-las mais amigáveis ao leitor, devido ao tamanho do texto e seu estilo anacrônico), seguidas das palavras de Baal HaSulam.

O profeta previu um grande Shofar da redenção. [Um Shofar é um chifre de carneiro usado para o sopro festivo, mas também um clarim]. Nós oramos especificamente pelo sopro do grande Shofar. Há vários graus num Shofar da redenção – um grande Shofar, um Shofar médio e um pequeno Shofar. O Shofar do Messias é considerado o Shofar de Rosh Hashaná [A Noite do Fim de Ano Judaico]. A Halachá [Lei Judaica] distingue três graus no Shofar de Rosh Hashaná: 1) Um Shofar de Rosh Hashaná que é feito de um chifre de carneiro; 2) Em retrospectiva, todos os Shofarot são kosher, 3) Um Shofar de uma besta impura, bem como um Shofar de bestas de idolatria de um gentio não-kosher. Contudo, se um homem soprou tal Shofar, fez o seu dever.

É permitido soprar qualquer Shofar, kosher ou não, desde que a pessoa não abençoe sobre ele, e os graus explicados na lei do Shofar de Rosh Hashaná coincidam com os graus do Shofar da redenção.

Todavia, o que é um Shofar da redenção? Pelo termo, “Shofar do Messias”, nós nos referimos ao despertar e à confiança que causa a reanimação e redenção do povo de Israel. É este despertar que reúne os perdidos e rejeitados, e os leva à montanha da santidade em Jerusalém.

Durante as gerações, houve aqueles em Israel que sentiram o despertar que deriva do desejo de fazer o desejo de Deus, que é a redenção completa de Israel [levar todos de Israel à qualidade de doação]. Este é o delicado e grande Shofar, o desejo do povo de ser redimido.

Às vezes, o desejo esmorece e o zelo pelas noções sublimes da santidade não é tão fervente. Contudo, a natureza humana saudável permanece e desencadeia um simples desejo na nação de estabelecer seu governo na sua terra. Esse desejo natural é o Shofar médio, comum, que está presente em todo o lugar. Esse, também, ainda é um Shofar kosher.

Porém, há um terceiro grau ao Shofar do Messias, que é comparável ao Shofar de Rosh Hashaná: ele é o Shofar pequeno, não-kosher, que é soprado somente se um Shofar kosher não puder ser encontrado.

Assim, se o zelo pela santidade e o anseio pela redenção que derivam dele desapareceram por completo, e se o desejo nacional natural por uma vida nacional também diminuiu, e nenhum Shofar kosher se encontre com o qual soprar, os inimigos de Israel vêm e sopram nos nossos ouvidos pela nossa redenção. Eles nos forçam a escutar a voz do Shofar; eles alertam e chocalham nos nossos ouvidos, e não nos dão repouso no exílio.

[Esta parte está citada em completo]. “Assim, o Shofar da besta imunda torna-se o Shofar do Messias. Amaleque, Petlura [Líder Ucraniano suspeito de ser antissemita], Hitler, e assim por diante, despertam para a redenção. Aquele que não escutou a voz do primeiro Shofar, ou a voz do segundo… pois seus ouvidos estavam bloqueados, escutará a voz do Shofar impuro, o imundo [não-kosher]. Ele escutará contra sua vontade… Embora exista redenção nesse chicote, também, nos apuros dos judeus, a pessoa não deve abençoar tal Shofar. [iii]

Baal HaSulam também fez várias referências ao Nazismo, incluindo como ele acreditava que este podia ser derrubado. Em suas palavras, “É impossível derrubar o Nazismo senão através de uma religião de altruísmo”. [iv] Observe que quando Baal HaSulam fala de “religião de altruísmo”, ele não quer dizer que devemos realizar certos rituais ou observar determinadas condutas.  Pelo contrário, com “religião de altruísmo” ele pretende dizer que a pessoa mudou a sua natureza para aquela do altruísmo. Ao mesmo tempo, as pessoas escolherão se ficam ou não nas suas denominações formais, independentemente desta transformação.

Baal HaSulam também disputa a noção de que a Alemanha Nazista foi um evento único na história. Este pode ter sido o primeiro, mas ele acreditava que a menos que façamos o que devemos, não será o último. Nas suas palavras, “Acontece que as pessoas pensam erradamente que o Nazismo é apenas um rebento da Alemanha… todas as nações são iguais nisso, e é totalmente fútil esperar que os Nazitas pereçam com a vitória dos Aliados, pois amanhã os Anglo-Saxões abraçarão o Nazismo”. [v]

À Luz do pico no antissemitismo a nível mundial, seria sábio considerar seriamente as palavras destes homens sábios. Afinal, nós certamente podemos ver que o antissemitismo não desapareceu, nem o Nazismo ou o chamado para se livrar dos judeus.

[i] Rav Yitzhak HaCohen Kook (o Raiah), Ensaios do Raaiah , vol. 2, “Ao Grande Chamado à Terra de Israel”, 323.

[ii] Aaron Soresky, “O ADMOR, Rabino Yehuda Leib Ashlag ZATZUKAL – Baal HaSulam: 30o Aniversário da Sua Partida”, Hamodia, 9, Tishrey, TASHMAV (24 de Setembro de 1985).

[iii] Rav Avraham Yitzchak HaCohen Kook (o Raaiah), Ensaios do Raaiah , vol. 1, pp 268-269.

[iv] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam , “Os Escritos da Última Geração” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 853.

[v] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam , “Os Escritos da Última Geração” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 841.

Como Um Feixe De Juncos – Dispensáveis, Parte 1

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Capítulo 6: Dispensáveis

Antissemitismo Contemporâneo

No Capítulo 1, nós dissemos que Abraão descobriu que o egoísmo inerente da natureza humana está uma tendência constante de expansão. O método que ele concebeu não se dirigia a refrear esse egoísmo porque ele sabia que isto era impossível, pois o homem foi criado para receber ilimitadamente. Sua questão, portanto, era como receber esse tesouro pretendido. Abraão descobriu um método onde, ao estudar e almejar se unir, as pessoas subiam a um novo nível de percepção. Assim, elas adquiriam a natureza do Criador – benevolência – e podiam receber esse prazer ilimitado sem se tornar demasiado indulgentes e perigosas para si mesmas ou para o ambiente.

O êxodo do Egito e a formação da nação de Israel marcaram o estágio de formação de cinco séculos. Durante esse tempo, Israel deixou de ser um grupo composto por famílias e estudantes para uma nação inteira cuja meta era alcançar o Criador.

Ao tentar subir ao nível espiritual mais elevado, os hebreus nunca recuaram de sua intenção original de oferecer suas percepções a toda a humanidade. Esta seria sua contribuição para as nações, a “luz” que supostamente deveriam dar-lhes. Através das gerações, esse presente da “luz” é o que as nações têm tentado receber dos judeus, e a carência que tem sido a causa de nossas aflições pelas nações.

No prólogo a este livro, Uma História dos Judeus, o romancista e historiador Cristão, Paul Johnson, eloquentemente descreve as questões que conduziram Abraão a suas descobertas, as mesmas questões que conduzem a humanidade até este dia. Johnson retrata sua reverência pela habilidade dos judeus de descobrir as respostas a essas perguntas, viver por suas consequentes leis e seus esforços de ensiná-las aos outros.

Nas suas palavras, “O livro me deu a chance de reconsiderar objetivamente, à luz de um estudo cobrindo praticamente 4000 anos, a mais intratável de todas as perguntas humanas: para que estamos nesta terra? É a história meramente uma série de eventos cuja soma é a insignificância? Não há diferença moral fundamental entre a história da raça humana e a história , digamos, das formigas? Ou há um plano providencial do qual nós somos, embora humildemente, os agentes? Nenhum povo alguma vez insistiu mais firmemente que os Judeus que a história tem um propósito e que a humanidade tem um destino. Numa fase muito inicial da sua existência coletiva eles acreditavam que haviam detectado um esquema divino para a raça humana, do qual sua própria sociedade seria um piloto. Eles representaram seu papel com imenso detalhe. Eles se seguraram a ele com persistência heroica em face do sofrimento selvagem. Muitos deles ainda acreditam nele. Outros o transmutaram para os esforços de Prometeu de elevar nossa condição por meios puramente humanos. A visão judaica se tornou o protótipo para muitos projetos grandiosos semelhantes para a humanidade, tanto divinos como fabricados pelo homem. Os judeus, desta forma, se encontram exatamente no centro da tentativa perene de dar à vida humana a dignidade de um propósito”. [i]

[i] Paul Johnson, (historiador cristão), A História dos Judeus (New York, Primeira Perennial Library, 1988), 2

O Livro De Ester: A Tela Cai

Dr. Michael LaitmanO rei responde favoravelmente a proposta de Hamã e informa-o de sua decisão de destruir todos os judeus em todo o reino.

Mardoqueu transmite a mensagem para Ester sobre a necessidade de ir ao rei com um pedido de misericórdia. No entanto, Ester estabelece uma condição e através de Mardoqueu ela se vira para o seu povo com uma chamada para se conectar e se unir. Então, ela está pronta para se voltar ao rei com o pedido de misericórdia e perdão pelos condenados à morte. O destino dos judeus dependia unicamente de dua unidade.

É Assim Que Ganhamos

Há muitos “Hamãs” em todo o mundo. Cada nação tem seu Hamã, o principal inimigo dos judeus, e ai dos judeus se eles se esquecerem disso.

A condição que transforma os judeus num povo é a condição para a qual eles estavam no Monte Sinai: a sua prontidão de se unir e responder positivamente ao chamado pela unificação. É assim que isso aconteceu nos dias de Purim, há 2.500 anos. O rei se lembrou que devia a Mardoqueu por ter salvado sua vida. Ester redigiu o pedido de Mardoqueu perante o rei e os judeus foram salvos. Muito mais tarde, o rei Ciro da Pérsia, o filho de Ester, ajudou-os a voltar à terra de Israel e construir o segundo Beit HaMikdash (Templo).

Do Folheto sobre o Feriado de Purim, 03/2015

Como Um Feixe De Juncos – Párias, Parte 4

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Capítulo 5: Párias As Raízes do Antissemitismo

Os Médicos do Mundo

Imagine que você descobriu uma série de exercícios que podem curar o câncer e prevenir seu retorno. Imagine que você contou isso ao mundo, como Abraão fez na Babilônia, mas foi rejeitado porque os exercícios eram monótonos e cansativos e ninguém realmente se sentia indisposto.

Agora imagine que anos mais tarde, bilhões de pessoas pelo mundo têm câncer. Elas vagamente se recordam que você disse que tinha uma cura, e que no seu desespero elas se voltam a você, rogando que lhes salve as vidas. Mas você se esqueceu completamente disso. Você sabe que a cura existe, sabe que muitas pessoas disseram que era um remédio (Segulá) poderoso, mas uma vez que você se sente forte e saudável, não vê razão para reaprender esses exercícios, muito menos ensiná-los a bilhões de pessoas. Você consegue imaginar como o mundo se sentiria sobre você, o que as pessoas pensariam, e o que fariam?

É precisamente aqui que os Judeus se encontram em relação ao mundo. O mundo está começando a se sentir indisposto e as pessoas estão começando a procurar uma saída da sua miséria. Elas sabem que somos o povo escolhido, e que somos aqueles que devem trazer a redenção. As pessoas podem não saber que a redenção envolve mudar sua natureza para a doação, mas elas sabem que a redenção é desejável.

Tais versículos do Novo Testamento como “Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação é a partir dos judeus” [i], e “Que vantagem tem o judeu? …Grande de todas as maneiras. Primeiro de tudo, eles foram confiados com os oráculos de Deus” [ii] , são somente duas das incontáveis menções da posição e papel únicos dos judeus, como descrito pelos escritos Cristãos. Quando não levamos a cabo nossa missão, inadvertidamente atraímos o perigo e o ódio, que se traduzem no que agora conhecemos como antissemitismo.

Que nós somos diferentes e únicos está documentado na história, nas páginas das nossas escrituras, naquelas do Cristianismo e do Islã, e nos escritos de uma série de acadêmicos e estadistas. Abaixo estão alguns dos inumeráveis excertos de indivíduos bem conhecidos exprimindo suas visões sobre a singularidade dos judeus:

Winston Churchill, Primeiro Ministro do Reino Unido durante a 2ª Guerra Mundial: “Algumas pessoas gostam dos judeus, e outras não. Mas nenhum homem preocupado consegue negar o fato de que eles são, sem sombra de dúvida, a raça mais formidável e marcante que apareceu no mundo”. [iii]

Lyman Abbott, Congressista Americano, teólogo, editor e escritor “Quando por vezes nossos preconceitos não cristãos se inflamam contra o povo judeu, lembremos que tudo que temos e tudo o que somos nós devemos, abaixo de Deus, ao que o judaísmo nos deu”. [iv]

Huston Smith, professor de estudos religiosos nos Estados Unidos, autor de As Religiões do Mundo, que vendeu mais de dois milhões de cópias: “Há um ponto chocante que atravessa a história judaica como um todo. A civilização ocidental nasceu no Oriente Médio, e os judeus estavam na sua encruzilhada. No apogeu de Roma, os judeus estavam próximos do centro do Império. Quando o poder derivou para o leste, o centro judaico estava na Babilônia; quando ele saltou para Espanha, lá novamente estavam os judeus. Na Idade Média, quando o centro da civilização se moveu para a Europa Central, os judeus esperavam por isso na Alemanha e Polônia. O surgimento dos Estados Unidos para conduzir o poder mundial encontrou o judaísmo lá concentrado. E hoje, quando o pêndulo parece balançar de volta ao Mundo Antigo e o Oriente se levanta para uma importância renovada, lá estão novamente os judeus em Israel…”. [v]

Liev Tolstói, romancista Russo, autor de Anna Karenina: “O que é um judeu? Que espécie de criatura única é essa que todos os governantes de todas as nações do mundo desgraçaram, esmagaram, expeliram, destruíram, perseguiram, queimaram e afogaram, e que apesar de sua cólera e fúria, continua a viver e florescer. O que é este judeu que eles nunca tiveram sucesso em atiçar com todos os atiçamentos no mundo, cujos opressores e perseguidores só sugeriram que ele negue (e renegue) sua religião e deixe de lado a lealdade aos seus antepassados?!

“O judeu é o símbolo da eternidade. …Ele é aquele que há muito guardou a mensagem profética e a transmitiu a toda a humanidade. Um povo como este nunca pode desaparecer. O Judeu é eterno. Ele é a incorporação da eternidade”. [vi]

Certamente, nós somos o símbolo da eternidade, como Tolstói disse, porque a qualidade da benevolência do Criador está nos nossos “genes espirituais”. Todavia, não seremos deixados em paz até que, como no exemplo com o câncer e o exercício curativo, nos elevemos conscientemente ao nível espiritual e elevemos toda a humanidade imediatamente depois.

Como foi afirmado e citado acima, agora é a hora da correção geral. Em tal época, os eventos tornam-se inclusivos, globais. Tal como foi o caso com a 1ª Guerra Mundial, e mais ainda com a 2ª Guerra Mundial, cujas atrocidades estão embutidas na nossa memória coletiva para nos recordar quem nós somos, e o que devemos cumprir.

Para evitar tais cataclismos no futuro, nós temos que dar uma olhada de perto em algumas sugestões e afirmações dadas anteriormente e posteriormente ao Holocausto. O próximo capítulo sublinhará essas afirmações e sua pertinência em nossas vidas hoje. Assim que saibamos o que foi dito, seremos capazes de valorizar o que precisamos fazer para nos ajudar e ajudar o mundo.

[i] Novo Testamento, João 4:22

[ii] Novo Testamento, Romanos 3:1-2

[iii] Martin Gilbert, Churchill e os Judeus (Reino Unido, Simon & Schuster, 2007), 38.

[iv] O Livro de Pensamentos Judaicos, ed. JH Hertz (Oxford University Press, 1920), 131.

[v] Professor Huston Smith, As Religiões do Homem (New York: HarperCollins, 1989).

[vi] Leo Tolstoy, “O Que é o Judeu?”, citado em A Resolução Final, p 189, impresso no periódico Jewish World de 1908.

Como Um Feixe De Juncos – Párias, Parte 3

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Capítulo 5: Párias

As Raízes do Antissemitismo

Dois Caminhos – Um Doce, Um Doloroso

O estado da redenção completa – a realização do Criador por toda a humanidade – é obrigatório. Baal HaSulam diz que há dois caminhos pelos quais nós conseguimos alcança-lo: o caminho da Torá, quando voluntariamente adotamos a lei da doação como nosso modo de vida, ou o caminho do sofrimento, onde a realidade nos impele mesmo assim a adotar Lei da Doação como nosso modo de vida. [i]

Por mais compulsórias que as palavras desses dois sábios contemporâneos possam soar, elas repousam sobre uma base sólida. O Talmude escreve, “Rabi Eliezer diz, ‘Se Israel se arrepender, eles são redimidos. Se não, eles não são redimidos’. Rabi Yehoshua disse-lhes, ‘Se eles não se arrependerem, eles não são redimidos, mas o Senhor colocará sobre eles um rei cujos decretos são tão duros como os de Hamã, Israel se arrependerá, e Ele os reformará’”. [ii]

Até mesmo nessa ocasião importante na base do Monte Sinai, quando coletivamente recebemos a Torá com um espetacular show audiovisual, aparentemente não foi tão alegre ou festivo como foi descrito. O Talmude nos conta que as circunstâncias foram tais que não houve muito mais que pudéssemos fazer senão recebe-la. Na terminologia de hoje, nós diríamos que o Criador nos deu uma oferta que não podíamos recusar: “Está escrito, ‘E eles estavam na base da montanha’. Rav Dimi Bar Hamã disse que isso significa que o Senhor forçou a montanha sobre Israel como um jazigo, e disse-lhes: ‘Se vós aceitais a Torá [Lei da Doação], muito bem, mas se não, lá será vossa sepultura’”. [iii]

Certamente, ninguém disse que é fácil ter a primogenitura. Mas os judeus, os descendentes do clã de Abraão, são precisamente isso. Eles foram os primeiros a alcançar o propósito da Criação; assim, cabe naturalmente a eles conduzir o caminho para o resto da humanidade. Enquanto evitarmos essa tarefa, encontraremos rejeição por todas as nações.

[i] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “A Liberdade” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 420.

[ii] Talmude Babilônico, Masechet Sinédrio, 97b.

[iii] Talmude Babilônico, Masechet Avodah Zarah [idolatria], 2b

Como Um Feixe De Juncos – Párias, Parte 2

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Capítulo 5: Párias

As Raízes do Antissemitismo

Símbolos de uma Colisão Interior

Uma pessoa pode argumentar se a Bíblia, o Antigo Testamento, é uma documentação histórica genuína de eventos. Porém, os grandes sábios de Israel durante todas as eras não tinham preocupação com relevância histórica da Bíblia. Em vez disso, eles a viam como uma alegoria que retrata os processos espirituais internos que a pessoa experimenta durante o caminho da correção. Para eles, Nimrod, rei da Babilônia, representa meridah [hebraico: rebelião], desafio contra a qualidade de doação, o Criador; o Faraó significa a epítome da inclinação ao mal, e também Hamã, embora numa fase tardia do nosso desenvolvimento espiritual.

É por isso que RASHI interpreta o Talmude Babilónio como segue: “Seu nome era Nimrod, pois ele himrid [incitava] o mundo inteiro contra o Senhor”. [i]

A respeito do Faraó, Maimônides explica afetuosamente, “Vós deveis saber, meu filho, que o Faraó, rei do Egito, é na realidade a inclinação ao mal”. [ii] Da mesma forma, Elimelech de Lizhensk, o autor de Noam Elimelech (A Agradabilidade de Elimelech), escreveu simplesmente, “…Faraó, que é chamado ‘a inclinação ao mal'”. [iii]

Rabi Jacob Joseph Katz acrescentou profundidade à distinção a respeito do Faraó. Ele acrescentou que as palavras, “O Faraó havia deixado o povo ir” (Êxodo 13:17), designam a fase no nosso desenvolvimento espiritual em que uma pessoa se liberta dos pesados grilhões da inclinação ao mal. Nas suas palavras, “‘E quando o Faraó havia deixado o povo ir’ – quando os órgãos da pessoa deixam a autoridade da inclinação ao mal, como durante o êxodo do Egito, eles saem dos quarenta e nove portões de Tuma’a [impureza, egoísmo] para a santidade [doação]”. [iv]

Dentro do mesmo livro, Rabi Katz acrescenta suas visões a respeito de Hamã: “A instrução de Hamã de fazer uma forca de cinquenta cúbitos de altura é o conselho da inclinação ao mal”. [v] Da mesma forma, Rabi Jonathan Eibshitz escreve no seu livro Yaarot Devash [Colmeias] sobre “Hamã, que é a inclinação ao mal…”. [vi]

Mais recentemente, Cabalistas e acadêmicos judaicos começaram a sentir que o tempo era essencial e que a Era da Correção se aproximava. Eles começaram a acrescentar chamados implícitos, e por vezes explícitos, à ação em suas palavras. Assim, Rav Yehuda Ashlag, sentindo que a aplicação do método de correção era urgentemente necessária, fez um elo direto entre superar a inclinação ao mal e o modo como isso deve ser alcançado hoje – através da união. Num ensaio intitulado, “Há Certo Povo”, Baal HaSulam nos conta, “‘Há certo povo espalhado no estrangeiro e disperso entre os povos’. Hamã disse isso na sua visão: nós [o povo de Hamã] teremos sucesso em destruir os Judeus porque eles estão separados uns dos outros, então nossa força contra eles certamente prevalecerá, porque isto [a separação entre eles] causa separação entre o homem e Deus”. [vii]

Isto é, o egoísmo dos judeus os separa da qualidade de doação, o Criador, de modo que  a força do ego, a inclinação ao mal, “certamente prevalecerá”. “É por isso que”, continua Baal HaSulam, “Mardoqueu foi corrigir esse defeito, como é explicado no versículo, ‘Os judeus se reuniram…’ para se reunirem, e para defender suas vidas. Isto significa que eles haviam se salvado ao se unirem’”. [viii]

Desta forma, nós podemos concluir que se Nimrod, Faraó, Balaque ou Hamã realmente existiram é de importância menor. O que importa é que os traços retratados por estes personagens existem dentro de nós e a Bíblia só narra alegoricamente as fases pelas quais nós podemos superá-los.

Quando nós prevalecemos sobre essas qualidades do egoísmo, somos recompensados com a redenção – a qualidade de doação, a equivalência de forma com o Criador. E como o Criador nos deseja fazer bem, assim que tenhamos corrigido estes traços dentro de nós, eles não nos assombrarão mais, uma vez que fomos redimidos do egoísmo e adquirimos Sua qualidade de doação.

Se qualquer um destes exemplos de egoísmo vivesse hoje, certamente os categorizaríamos como antissemitas da pior espécie. Para esse efeito, o Rav Kook fez uma previsão ameaçadora (e verdadeira) ao traçar um elo direto entre os antissemitas modernos e os bíblicos. Numa afirmação pouco ortodoxa ele escreve, “Amaleque, Petlura [Líder ucraniano suspeito de ser antissemita], Hitler, e assim por diante, despertaram para a redenção. Aquele que não escutou a voz do primeiro Shofar [o símbolo do chamado para a redenção], ou a voz do segundo … pois suas orelhas estavam bloqueadas, escutará a voz do Shofar impuro, o imundo [não kosher]. Ele escutará contra sua vontade”. [ix]

[i] Talmude Babilônico, Masechet Hulin , 89a p.

[ii] Maimônides, Os Escritos do Rambam [Maimônides]. “A Ética do Rambam ao Seu Filho, o rabino Abraão”.

[iii] Elimelech de Lizhensk, Noam Elimelech (A Afabilidade de Elimelech), Parashat Beshalach [Porção: “Quando o Faraó Mandou”].

[iv] Rabbi Jacob Joseph Katz, Toldot Yaakov Yosef [As Gerações de Jacob Joseph], Beshalach [Quando Faraó Mandou], item 1.

[v] Rabbi Jacob Joseph Katz, Toldot Yaakov Yosef [As Gerações de Jacob Joseph], Beshalach [Quando Faraó Mandou], item 1.

[vi] Jonathan ben Natan Netah Eibshitz, Yaarot Devash [Favos de Mel], Parte 2, Treatise não. 10.

[vii] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag, Shamati [Eu Ouvi], item 144, “Há Certo Povo” (Canadá, Laitman Kabbalah Publishers, 2009), 300.

[viii] ibid.

[ix] Rav Avraham Yitzchak HaCohen Kook (Raaiah), Ensaios do Raaiah , vol. 1, pp 268-269

Como Um Feixe De Juncos — A Nação Em Missão, Parte 4

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Capítulo 4: Uma Nação Em Missão

O Papel do Povo Judeu

Adão – O Primeiro Homem, A Alma Coletiva

O ARI explica que, na verdade, somos todos partes de uma única alma, conhecida dos Cabalistas como Adam HaRishon (o primeiro homem), e à maioria de todos os outros como Adão. O exílio, diz o ARI, ocorreu como uma continuação do processo de correção. Em Shaar HaPsukim [Portão aos Versículos], ele escreveu, “Adam HaRishon [Adão] incluía todas as almas e incluía todos os mundos. Quando ele pecou, todas essas almas caíram dele nas Klipot [cascas, formas de egoísmo], que se dividem em setenta nações. Israel deve se exilar lá, em toda e cada nação, e reunir os lírios das almas sagradas que haviam se espalhado entre esses espinhos, como nossos sábios escreveram no Midrash Rabá, ‘Porque Israel foi exilado entre as nações? Para acrescentar estranhos a si mesmo'”. [i]

A esse respeito, o NATZIV de Volozin escreveu, “Seu início foi no Monte Ebal… mas eles completaram esta questão exaltada somente através do exílio e dispersão”. [ii]

É por uma boa razão que o exílio é necessário, para completar a correção dos judeus, e daí em diante do mundo inteiro. Anteriormente, nós dissemos que quando Abraão ofereceu o método de correção aos seus conterrâneos babilônios, eles o rejeitaram porque estavam demasiado ocupados sendo egocêntricos e egoístas. Todavia, se todos somos partes de uma alma coletiva, como o ARI apontou, no final todos nós teremos que alcançar a correção, pela qual descobriremos o Criador e nos tornaremos como Ele. Este é o benefício, como descrito no Capítulo 2, que Ele pretendeu dar à humanidade.

Assim, a correção de Abraão foi somente o princípio do processo, certamente não o seu fim. Num ensaio longo e elaborado intitulado, “E Eles Construíram Cidades-Armazém”, Baal HaSulam escreve, “Nós devemos também compreender o que Abraão o Patriarca perguntou, ‘Como saberei que ei de herdá-la?’’ (Génesis 15:8) O que respondeu o Criador? Está escrito, ‘E Ele disse a Abraão: Sabei com uma certeza que tua semente será estranha numa terra que não lhe pertence’”. [iii] Baal HaSulam explica que com esta resposta, o Criador promete a Abraão que todas as pessoas alcançarão a correção através da mistura da nação corrigida – Israel – com as nações não corrigidas – neste caso representadas pelo Egito.

Surpreendentemente, em resposta a esta questão, o Criador promete a Abraão o exílio. E não somente isso, escreve Baal HaSulam, Abraão “…aceitou isso como uma garantia da herança da terra”. [iv] Certamente, Abraão sabia que a mistura dos desejos – representada pelas diferentes nações do mundo – era necessária para completar a correção da humanidade. Considerando que cada uma das nações representa uma parte da alma de Adão, é necessário que cada parte da alma seja introduzida ao método da correção e que essa parte da alma no final o adote. Foi por isso que Israel teve de que ser exilado e espalhado pelo mundo.

Como parte da expansão do processo de correção na humanidade, Abraão foi para o exílio no Egito, onde sua tribo havia se tornado uma nação. E quando a nação se exilou depois da ruína do Primeiro e Segundo Templos, ela introduziu o método de correção ao mundo inteiro.

Embora o método não tenha sido claramente adotado pelo resto da humanidade, ele plantou os princípios já mencionados, princípios que formam a base comum sobre a qual se inicia o processo de correção assim que as pessoas começam a procura-lo.

Em “O Arvut [Garantia Mútua]”, Baal HaSulam detalha o processo pelo qual a nação Israelita corrige primeiro a si mesma, de modo a transmitir a correção ao resto das nações. Em outras palavras, “Rabi Elazar, filho de Rashbi (Rabi Shimon Bar-Yochai), esclarece este conceito do Arvut ainda mais. Não basta para ele que todos de Israel sejam responsáveis uns pelos outros, mas que o mundo inteiro esteja incluído nesse Arvut. …Cada um admite que para começar, basta começar com uma nação para a observação da Torá [lei da doação] para o início da correção do mundo. Foi impossível começar com todas as nações de uma só vez, como eles dizem que o Criador foi com a Torá a cada nação e língua, e eles não a quiseram receber. Em outras palavras, eles estavam imersos em… amor próprio… até que foi impossível conceber nesses dias sequer questionar se concordavam em se retirar do amor próprio.

“…Mas o fim da correção do mundo será somente ao trazer todas as pessoas do mundo sob Sua obra, como está escrito, ‘E o Senhor será Rei sobre toda a terra; nesse dia será o Senhor Um, e Seu nome um’ (Zacarias, 14:9). …‘E todas as nações fluirão a Ele’ (Isaías, 2:2).

“Mas o papel de Israel para o resto do mundo se assemelha ao papel de nossos Sagrados Patriarcas para a nação Israelita. Tal como a retidão de nossos pais nos ajudou a desenvolver e purificar para nos tornarmos dignos de receber a Torá [lei da doação] … cabe à nação Israelita qualificar a si mesma e a todas as pessoas do mundo através da Torá e Mitzvot [correções do egoísmo], para se desenvolverem até que tomem sobre si esse trabalho sublime do amor ao próximo, que é a escada para o propósito da Criação, estar em Dvekut [similaridade/equivalência de forma] com Ele”. [v]

Da mesma forma, no seu ensaio, “A Serva que Fica Herdeira de Sua Senhora”, Baal HaSulam escreve, “O povo de Israel, que foi escolhido como um operador do propósito e da correção geral… contém a preparação necessária para crescer e se desenvolver até que mova as nações dos mundos, também, para alcançarem a meta comum”. [vi]

Baal HaSulam e seu filho, o Rabash, podem ter sido os últimos Cabalistas a afirmar que o papel de Israel no mundo é trazer o método de correção ao resto das nações, mas certamente não foram os primeiros. Incontáveis rabinos, Cabalistas e acadêmicos, desde praticamente a ruína do Segundo Templo, também afirmaram isso.

Assim, o Midrash Rabá afirma que “Israel traz luz ao mundo”, [vii] e o Talmude Babilônio acrescentou, “O Criador agiu em retidão para Israel, tendo-os dispersado entre as nações”. [viii] Rabi Yehuda Altar, o ADMOR de Gur, escreveu, “Qualquer exílio no qual os filhos de Israel entram é somente para suscitar centelhas sagradas dentro das nações [semelhante às palavras acima citadas de Baal HaSulam]. Os filhos de Israel são os fiadores de que receberam a Torá em prol de corrigir o mundo inteiro, as nações, também”. [ix]

Da mesma forma, Rabi Hillel Tzaitlin escreve, “Se Israel é o verdadeiro redentor do mundo inteiro, ele deve ser digno dessa redenção. Israel deve primeiro redimir sua própria alma, a santidade da sua alma, a santidade da sua Shechiná [Divindade]. …Para esse propósito, eu desejo estabelecer com este livro a ‘união de Israel’ …Se fundada, a unificação dos indivíduos será pelo propósito da ascensão interior e a invocação para correções de todos os males da nação e do mundo”. [x]

Eu gostaria de concluir este capítulo com mais algumas palavras de Baal HaSulam, que em alguns parágrafos detalha o propósito da Criação, o direito da humanidade a ele, e o papel de Israel para alcança-lo. Em suas palavras: “Por que a Torá foi dada à nação Israelita sem a participação de todas as nações do mundo? Na verdade, o propósito da Criação aplica-se à toda a raça humana, sem exceção. Contudo, devido à baixeza da natureza da Criação [sendo egoísta] e seu poder sobre as pessoas, foi impossível que as pessoas compreendessem, determinassem e concordassem em se elevar acima dela. Elas não demonstraram o desejo de abdicar do amor próprio e chegar à equivalência de forma, que é a adesão com Seus atributos, como nossos sábios disseram, ‘Como Ele é misericordioso, seja misericordioso também’.

“Assim, devido ao seu mérito ancestral [os exemplos dados por Abraão, Isaac e Jacob], Israel teve êxito… e se tornou qualificado e sentenciou a si mesmo a uma escala de mérito [se corrigiu para se tornar como o Criador]. Todo e cada membro da nação concordou em amar seu semelhante [que é como eles alcançaram a correção].

“…Contudo, a nação Israelita era para ser uma ‘transição’, ou seja, que na medida em que Israel se purifica ao manter a Torá [leis da doação], eles passam seu poder ao resto das nações. E quando o resto das nações também se sentenciam mesmas a uma escala de mérito [se corrigem ao abdicar do egoísmo], o Messias [correção final] será revelado. É por isso que o papel do Messias não é de qualificar somente Israel à meta derradeira de adesão com Ele, mas ensinar os caminhos de Deus [doação] a todas as nações, como está escrito, ‘E todas as nações fluirão para Ele'”. [xi]

[i] O Santo ARI, Oito Portões, Shaar HaPsukim [Portão aos Versículos], Parashat Shemot [Porção Êxodo].

[ii] Rabbi Naftali Tzvi Yehuda Berlin (The NATZIV de Volozin), Haamek Davar [Mergulhar Profundamente na Matéria] sobre Devarim [Deuteronômio], capítulo 27:5.

[iii] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “Ensaios do Shamati [Eu Ouvi]”, ensaio no. 86, “E Eles Construíram Cidades-Armazéns” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 591.

[iv] ibid.

[v] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “O Arvut [Garantia Mútua]” (Instituto de Pesquisa Ashlag: Israel, 2009), 393.

[vi] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam , “A Serva Que Fica Herdeira de Sua Senhora” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 454.

[vii] Midrash Rabah , “Cântico dos Cânticos”, Parasha no. 4, 2o parágrafo.

[viii] Babylonian Talmud, Masechet Pesachim, p 87b.

[viii] Talmude Babilônico, Masechet Pesachim , 87b p.

[ix] Yehuda Leib Arie Altar (ADMOR de Gur), Sefat Emet [Linguagem da Verdade], Parashat Yitro [Porção Jetro], TARLAZ (1876).

[x] Hillel Tzaitlin, O Livro de Poucos (Jerusalém, 1979), 5.

[xi] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “O Amor de Deus e o Amor do Homem” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 486

Como Um Feixe De Juncos — A Nação Em Missão, Parte 3

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Capítulo 4: Uma Nação Em Missão

O Papel do Povo Judeu

O Legado dos Judeus

Os judeus que permaneceram na Babilônia após a ruína do Primeiro Templo desenvolveram uma florescente comunidade que se espalhou por todo o Império Persa. Mais tarde, quando o Segundo Templo foi arruinado e os romanos conquistaram a terra de Israel, o povo judeu perdeu a sua soberania sobre a terra.

Mas a conquista do povo judeu introduziu ao mundo dois princípios que se tornariam a base das três predominantes, apropriadamente chamadas, religiões “abraâmicas”: “Ama teu próximo como a ti mesmo”, e o “monoteísmo”, ou seja, que há apenas um único Deus, uma força que rege o mundo. Essas noções são fundamentais para o sucesso da correção da humanidade, porque quando entendidas corretamente, a primeira define o modo pelo qual alcançaremos a correção – através do amor ao próximo, e não parentescos, mas nossos próximos, ou seja, estranhos. A última define a essência da nossa realização assim que estivermos corrigidos: a força singular da realidade.

Por conseguinte, o Professor T.R. Glover da Universidade de Cambridge escreveu em O Mundo Antigo, “É estranho que as religiões vivas do mundo sejam edificadas sobre ideias religiosas derivadas dos judeus”. [i] Da mesma forma, Herman Rauschning, um Revolucionário Alemão Conservador que brevemente se juntou aos nazistas antes de romper com eles, escreveu em A Besta do Abismo: “O judaísmo, independentemente… é um componente inalienável da nossa civilização Cristã Ocidental, o eterno ‘chamado ao Sinai’ contra o qual a humanidade novamente se revolta”. [ii]

O exílio do povo judeu da Terra de Israel foi um longo processo pelo qual os judeus, e desta forma os valores Judaicos, foram gradualmente absorvidos pelas suas nações anfitriãs. Yosef Ben Matityahu, melhor conhecido como Josefus Flavius, o historiador judaico-romano, descreve a expulsão dos judeus pelos romanos no princípio do exílio. Em “As Guerras dos Judeus”, Flavius escreve, “E como ele se recordou que a décima legião havia aberto caminho aos judeus, sob Cestius seu general, ele os expulsou de toda a Síria, pois eles se haviam rendido anteriormente em Rafania, e os mandou embora para um lugar chamado Meletina, perto de Eufrates, que é nos limites da Arménia e Capadócia”. [iii]

No Capítulo 3, Flavius elabora, “Pois enquanto a nação judaica está amplamente dispersa por toda a terra habitada entre seus habitantes, também está ela muito misturada com a Síria, pela razão de sua vizinhança e tiveram as grandes multidões em Antioquia pela razão da maior cidade, onde os reis, depois de Antíoco, os acolheram numa habitação com a maior tranquilidade sem incÔmodos”. [iv]

Hoje, narra o autor Yaakov (Jacó) Leschzinsky em A Dispersão Judaica, que os judeus se espalharam pelo mundo todo e num ritmo surpreendente, “Quando esquadrinhamos a diáspora judaica pelo globo inteiro e por todo mundo civilizado”, escreve ele, “ficamos surpresos ao ver que esta nação, que é a mais antiga no mundo, é na verdade a mais jovem em termos da terra sob seus pés e o céu sobre sua cabeça. Devido às intermináveis perseguições e expulsões forçadas, a maioria dos judeus é nada mais que recentes novatos às suas respectivas terras de residência. Noventa por cento das pessoas judias não viveram nos seus lares mais que cinquenta a sessenta anos! (Os judeus) estão dispersos em mais de 100 terras em todos os cinco continentes”. [v]

Curiosamente, sua mistura com outras nações é precisamente o que foi necessário para completar as correções de Moisés. Embora seja verdade que, embora Israel esteja separado das outras nações, os princípios mencionados anteriormente no coração do judaísmo não puderam ser tingidos, é também verdade que os judeus tinham muito a ganhar com seu exílio entre as nações. É por isso que o Livro dos Salmos (106:35) nos conta que os judeus foram exilados para “Se misturarem às nações e aprenderem com suas ações”.

[i] Terrot Reavely (TR) Glover, O Mundo Antigo (EUA: Penguin Books, 1944), 184-191.

[ii] Herman Rauschning, A Besta do Abismo (UK: W. Heinemann, 1941), 155-56.

[iii] Flávio Josefo, As Guerras dos Judeus, Capítulo 1, traduzido por William Whiston em Os trabalhos de Flavius ​​Josephus (UK: Armstrong e Plaskitt E Plaskitt & Co., 1835), 564

[iv] William Whiston, Os Trabalhos de Flavius ​​Josephus, 565.

[v] Yaakov (Jacob) Leschzinsky, A Dispersão Judaica (Israel, Organização Sionista Mundial, 1961), 9

Como Um Feixe De Juncos — A Nação Em Missão, Parte 2

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Capítulo 4: Uma Nação Em Missão

O Papel do Povo Judeu

Misturar e Mesclar

E ainda assim, como é que a correção fluirá para as nações? Se a nação de Israel corrige a si mesma, como isso afetará qualquer uma das outras nações?

Quando Abraão primeiro descobriu o Criador, ele descreveu isso a quem quer que escutasse, e aqueles que se juntaram a ele se tornaram as primeiras pessoas corrigidas. Essas pessoas então foram para o Egito e finalmente emergiram dele em números muito maiores, uma nação inteira. Essa nação recebeu a Lei da Correção, denominada a Torá, e corrigiu a si mesma. No Primeiro Templo, a nação Judaica alcançou seu mais alto nível de conexão com o Criador, como demonstrado no capítulo anterior. A partir daí, a nação começou a declinar até que seu povo foi exilado para Babilônia. Quando regressou à Terra de Israel, a maioria da nação Judaica escolheu permanecer na diáspora e uma assimilação gradual iniciou.

Certamente, é assim que a passagem da mensagem começou. Quando as pessoas que foram inicialmente corrigidas – que transcenderam o interesse pessoal e descobriram o Criador – se misturaram com aquelas que nunca tiveram tais pensamentos, aquelas ideias nobres começaram a se espalhar dentro da sociedade anfitriã e ajudaram a instigar pensamentos mais humanos nas mentes das pessoas. Embora esses não fossem pensamentos corrigidos derivados de mentes que haviam transcendido o egoísmo, as noções de universalismo e humanismo todavia começaram a se estabelecer nas mentes das pessoas.

Certamente, durante o Renascimento, vários acadêmicos reconhecidos sustentaram que os Gregos haviam adoptado pelo menos alguns dos seus conceitos do judeus, neste caso especificamente da Cabalá. Johannes Reuchlin (1455-1522), por exemplo, conselheiro político do Chanceler, escreveu em De Arte Cabalística (Sobre a Arte da Cabalá): “Independentemente, sua proeminência [de Pitágoras] não derivou dos gregos, mas novamente dos judeus. …Ele mesmo foi o primeiro a converter o nome Cabalá, desconhecido aos gregos, no nome grego filosofia”. [i]

Em 1918, um pastor Francês, Charles Wagner, foi citado como tendo escrito, “Nenhum dos nomes resplandecentes na história – Egito, Atenas, Roma – pode ser comparado à grandiosidade eterna de Jerusalém. Pois Israel deu à humanidade a categoria da santidade. Somente Israel conheceu a sede pela justiça social e essa santidade interior que é a fonte da justiça”. [ii]

Mais recentemente, o historiador Cristão, Paul Johnson, escreveu em Uma História dos Judeus: “O impacto judaico na humanidade foi multiforme. Na antiguidade eles foram os grandes inovadores na religião e moral. Na Idade das Trevas e no início da Europa medieval eles ainda eram um povo avançado transmitindo escasso conhecimento e tecnologia. Gradualmente, eles foram empurrados da vanguarda e caíram para trás; no fim do século dezoito eles eram vistos como sujos e obscurantistas, reacionários na marcha da humanidade civilizada. Mas depois veio uma segunda explosão surpreendente de criatividade. Fugindo de seus guetos, eles transformaram novamente o pensamento humano, desta vez na esfera secular. Muito dos utensílios mentais do mundo moderno é também de fabricação judaica”. [iii]

Da mesma forma, em Os Presentes dos Judeus: Como uma Tribo de Nômades do Deserto Mudou a Maneira Como Todos Pensam e Sentem, o autor Thomas Cahill, antigo diretor de publicações religiosas na Doubleday, descreve a contribuição dos judeus para o mundo, que, na sua visão, começou no exílio na Babilônia. “Os judeus originaram o tudo”, escreve ele, “e com ‘o’ pretendo dizer tantas das coisas com que nos preocupamos, os valores subjacentes que fazem todos nós, judeu e gentio, crente e ateu, funcionar. Sem os judeus, nós veríamos o mundo com olhos diferentes, escutaríamos com ouvidos diferentes, até sentiríamos sentimentos diferentes… Nós pensaríamos com uma mente diferente, interpretaríamos todas as nossas experiências diferentemente, tiraríamos diferentes conclusões das coisas que caem sobre nós. E definiríamos um percurso diferente para nossas vidas”. [iv]

Curiosamente, alguns líderes judeus renomados também escreveram sobre a difusão (e deterioração) da sabedoria judaica depois da ruína do Primeiro Templo. Rabi Shmuel Bernstein de Sochatchov, por exemplo, escreveu, “Os gregos tiveram a sabedoria da filosofia, que se originou dos escritos do Rei Salomão que vieram à sua posse depois da ruína do Primeiro Templo. Contudo, eles foram deteriorados pelos gregos com subtrações, adições e substituições até que visões falsas se misturaram com eles. Ainda assim, a própria sabedoria é boa, mas partes do mau se misturaram com ela”. [v]

Da mesma forma, Baal HaSulam escreveu em “A Sabedoria da Cabalá e a Filosofia”: “Os sábios da Cabalá observam a teologia filosófica e queixam-se de que eles roubaram a casca superior de sua sabedoria, a qual Platão e seus predecessores haviam adquirido ao estudar com os discípulos dos profetas em Israel. Eles roubaram elementos básicos da sabedoria de Israel e usaram uma capa que não lhes pertence”. [vi]

[i] Johannes Reuchlin, De Arte Cabbalistica (Hagenau, Alemanha: Tomas Anshelm, Março de 1517), 126.

[ii] Fonte: Um Livro de Pensamentos Judaicos, Ed. J. H. Hertz (Londres: Oxford University Press, 1920), 134.

[iii] Paul Johnson, (historiador cristão), A História dos Judeus (Nova York: Primeira Biblioteca Permanente, 1988), 585-6.

[iv] Thomas Cahill, Os Presentes dos Judeus: Como uma Tribo de Nômades do Deserto Mudou a Maneira que Todo Mundo Pensa e Sente (Nova York: Nan A. Talese/Anchor Books (impressões de Doubleday), 1998), 3.

[v] Rabino Shmuel Bornstein, Shem MiShmuel [O Nome de Samuel], Miketz [No Final], TARPA (1921).

[vi] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos de Baal HaSulam, “A Sabedoria da Cabalá e Filosofia” (Instituto de Pesquisa Ashlag: Israel, 2009), 38