Textos na Categoria 'Alma Coletiva'

Aprendendo Nós Mesmos A Puxar As Cordas

Dr. Michael LaitmanNós precisamos entender que a partícula eterna da alma existe em seu potencial em cada um de nós se nos unirmos uns com os outros. É uma para todos nós e é inicialmente criada como tal. Se, no entanto, não sentimos que existimos num todo coletivo, isto significa que nenhum de nós tem essa alma e tudo o que temos é apenas a nossa natureza animal.

A alma é também chamada de “Adam“, da palavra hebraica “adame“: semelhante ao Criador.

O desejo de receber é totalmente oposto ao desejo de doar; ele deseja receber, não dá, mas ao mesmo tempo, se ele se realiza contra sua própria natureza, ele se torna semelhante ao Criador. Sua semelhança se encontra no âmago de sua ação, não de acordo com sua natureza, mas de acordo com como ele se transformou. Este é o seu estado invertido, corrigido, e é chamado de alma ou o Adão.

É também chamado de “Shechina“. Esta é uma palavra especial, da palavra hebraica “Shochen“, que significa um lugar de habitação, abrigo, residência. É o lugar onde a Luz desce e o preenche.

Assim, existem vários nomes para a alma, dependendo de qual dos seus aspectos estão sendo discutidos. Mas geralmente, não importa o que está sendo discutido, é o único assunto: essa alma coletiva, a única que existe, além da força superior. E nós somos sua parte corrompida e não entendemos onde estamos. Nós somos essa alma, mas num estado quebrado, e é por isso que não podemos dizer que a temos em nós. Respectivamente, todo o nosso trabalho é voltado para um objetivo: apenas corrigir e nos encontrar neste estado corrigido.

Há muitas pessoas no mundo cujas partes na alma coletiva foram corrigidas. Estas partes são chamadas de “almas particulares”, e estão nos ajudando.

Há circulação de almas: a cada instante a pessoa passa por certos estados, mesmo que ela ainda não tenha entrado no mundo espiritual, ou seja, que não tenha encontrado sua parte na alma comum e não tenha se tornado Adão em geral, não tenha se ligado com todo este sistema; ou seja, ela ainda não é sua parte ativa.

Este é um enorme sistema egoísta contendo todo o egoísmo do universo e trabalhando em doação, em sincronia com a força superior, trabalhando com o Criador. Eles se conectam, recebem um do outro e conferem um ao outro, e entre eles ocorre um contato completo chamado de adesão. De uma forma ou outra, nós estamos nesta alma comum em tudo e sempre, embora estejamos nos movendo em direção a nossa meta voluntária ou involuntariamente; essa é a diferença.

As pessoas que vivem em nosso mundo sem qualquer compreensão dele se andam por aí inconscientes e ainda de acordo com o programa da criação. Não há nada que possa quebrar os limites da lei da criação coletiva. Este programa está oculto do homem, mas ele não entende para onde está indo e o que está fazendo em cada momento em particular. De repente, algo o empurra, e ele age de forma instintiva ou aparentemente consciente. Nenhum de nós pode ver quais cordas estão nos puxando.

Por que a pessoa de repente deseja agir desta forma, pensa desta forma, ou cai nesses problemas: nós não compreendemos. Só tendo subido ao longo de nosso estado de existência e observando-nos de lado, como uma mãe observa seu filho, nós seremos capazes de trabalhar em nós mesmos, em nosso egoísmo. Então, sentiremos quando estamos sendo puxados pelas cordas, e talvez possamos puxá-las por nós mesmos.

Este é o nosso desenvolvimento; eu chego a um estado onde antes era puxado, e que agora vou puxar a mim mesmo. Desse modo, eu obrigo a Luz a me afetar em vez dela vir jogar comigo. Este é o ponto da virada crucial no trabalho de tranformação de uma pessoa, quando ele começa a controlar seu próprio desenvolvimento.

Basicamente, é para isso que nos esforçamos: para ajudar a força que governa e para governar com ela por conta própria. Quando a Luz circundante está em minhas mãos, eu posso envolvê-la e fazê-la me afetar como necessário. Nesse caso, eu governo minha alma; eu sou igual a ela. Este é o objetivo do nosso desenvolvimento no grupo. Porque o grupo representa a alma para mim numa forma “material”. Se eu me conectar aos amigos, conecto-me com o desejo coletivo, que, na verdade, é a alma.

Da Convenção em Novosibirsk 07/12/12, Lição 2

A Vida É Um Fluxo Infinito De Conexões

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot“, item 54: Quando o Criador vê que a pessoa completou sua medida de esforço e terminou tudo o que tinha a fazer em fortalecer sua escolha na fé no Criador, o Criador a ajuda. Então, a pessoa alcança a Providência aberta (revelada), ou seja, a revelação da face.

Este é o lugar onde entra o trabalho em grupo: todas as obrigações da pessoa, de acordo com a designação de sua alma e de sua geração, que podem ser muito diferentes de uma geração para outra e de uma pessoa para outra. Ninguém sabe ao certo qual é a sua medida obrigatória de esforço, visto que esta é muito pessoal, porque todo mundo provém da raiz espiritual de sua alma. Mesmo quando nós nos corrigimos e nos conectamos, ainda estamos em estados diferentes, apesar de estarmos conectados num vaso grande.

Sempre que novas pessoas se juntam a nós, nós imediatamente nos conectamos a elas num único sistema e, consequentemente, as mudanças ocorrem em nós. Nunca há uma mudança numa pessoa que nasça dela mesma. Se ela vivesse sozinha no mundo, ela nunca mudaria.

Todas as nossas mudanças são resultado dos movimentos perpétuos em direção à conexão no vaso geral. Isso influencia todo mundo de forma pessoal, cada vez despertando um novo ambiente na atitude em relação à pessoa pela qual se tem que conectar: seja pelo caminho do sofrimento ou pelo caminho da Torá. Isto é como todo mundo age em toda a sua vida.

A maioria das pessoas passa por essas conexões inconscientemente, despreparada, sem entender o que está fazendo e o que está vivendo. É assim que elas renascem de uma geração para outra e toda a sua correção é feita inconscientemente. Sobre isso, se diz que “vá e ganhe a vida um do outro”. Todos influenciam a todos e, como resultado, todos mudam de acordo com as Reshimot (registros informacionais) no desejo geral quebrado.

Portanto, a pessoa não muda por conta própria. Todas as mudanças decorrem do fato de que ela faz diferentes conexões com os outros num determinado momento. Esta é a forma como este sistema geral existe e funciona.

Isso ocorre num nível inconsciente, ou em pessoas que já estão no nível da preparação, o que significa que querem avançar para ações conscientes. Nesse meio tempo, no entanto, elas só fazem esforços, como preparação. Elas trabalham nisso de modo que sejam dignas de seu progresso e de participar ativamente, e assim avançam.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 03/12/12, Introdução ao Estudo do Dez Sefirot”

Hoje Estamos TODOS Aqui Reunidos

Dr. Michael LaitmanIsrael é um grau elevado. Toda pessoa que se separou de seus interesses materiais e é apenas dirigida à adesão com o Criador, com a força de doação de acordo com a lei de equivalência de forma, e dedica cada momento a isso, é chamada de Yashar-El (direto ao Criador), Israel.

Uma das etapas do caminho é entrar num pacto, quando a pessoa integra os outros, aqueles que também são chamados de Israel, em si mesma. Anteriormente eles já estavam unidos, mas o desejo de desfrutar, a inclinação ao mal, os penetrou e separou. Agora, a despeito do fato de que eles a revelam, eles trabalham no seu âmbito o tempo todo, a fim de chegar à conexão, para fornecer ao Criador o vaso para a recepção de prazer.

O objetivo da criação é o deleite das criaturas. Esta é a ação por parte do Criador. Portanto, por que ela foi dada como a tarefa da criação? Porque a criação tem que se elevar a tal estado para dar ao Criador a  oportunidade de lhe dar prazer. O nosso trabalho é revelar este vaso para receber prazer. E o prazer é dar ao Criador a oportunidade de doar.

Como se diz sobre o milagre que aconteceu no Monte Sinai: “Hoje estamos todos aqui reunidos”, isto é, deste ponto em diante nós recebemos a capacidade de nos conectar e ser dignos de ser revestidos da força superior. Agora nós somos chamados de povo escolhido, o vaso geral é chamado de povo de Israel. E aquele que preenche esse vaso segundo a lei de equivalência de forma deve ser chamado de nosso Criador.

Portanto, há uma condição: “Hoje estamos todos aqui reunidos”, isto é, todos nós devemos ficar juntos para nos tornar um: um vaso comum para a realização do objetivo da criação, para beneficiar as criaturas.

Diz-se: “E o povo estava sob a montanha”, isto é, tendo quebrado todas as dúvidas (Har – montanha, Irurim – dúvidas) para alcançar a unidade. Nós precisamos cuidar da nossa conexão comum, de modo que nenhum de nós a esqueça.

A verdadeira garantia mútua é necessária para isso. Isso é o que nos falta, e esta é a razão pela qual ainda não conseguimos construir o vaso comum. Isso tudo é por causa da falta da participação mútua, cuidar que cada amigo esteja preocupado em se conectar com todos num só, para que nós “estejamos TODOS reunidos aqui!”.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 03/12/12

A Perfeição Dos Opostos

Pergunta: O que acontece com a individualidade de cada um durante a unidade do grupo mundial? Existe alguma importância para os nossos atributos, quando o Criador nos separa, nos une, ou requer algum tipo de esforço nosso? Ou eles não fazem qualquer diferença?

Resposta: Imagine que uma vez havia um corpo e esse quebrou-se em pequenas partes. Como é possível agora, de todas essas partes, criar o mesmo corpo?

Cada um de nós é responsável por uma determinada parte deste corpo geral que é chamado Adam HaRishon (o primeiro homem). Eu sou uma pequena parte do seu fígado, e você é uma pequena parte dos seus pulmões, e outra pessoa é uma pequena parte dessa coração, etc

Então,como podemos mudar a nossa fundação? É impossível!

Por isso, cada um tem de ficar com os atributos iniciais. Ele mantém seu caráter com todos os seus atributos inatos. É tudo seu. É precisamente graças a essa individualidade que ele se expressa.

Entanto, esta imagem toda maravilhosa é composta especificamente de opostos, das diferenças de cada um de nós, que é completamente o oposto do seu amigo. E assim todos eles podem ligar-se para atingir esse composto, como um corpo em geral que será perfeito especificamente graças a cada um complementando o outro. Sob nenhuma circunstância eles precisam ser idênticos.

Só uma coisa é necessária de uma pessoa, que é a conexão com as outras em outorga a todas as outras! Seguindo esta condição, cada um se realiza de forma individual para os outros. E deste sai um enorme,integral Kli (navio / desejo) que é completo.

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Da Lição Virtual de 11/11/12

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Descarte Os Óculos Distorcidos

 

O Botão Escondido

Dr. Michael LaitmanPergunta: Esforços internos causam dor. Será que nós podemos dizer que esta dor vem em vez do sofrimento que vem diretamente da natureza na forma de furacões e outros desastres naturais?

Resposta: Em geral, a resposta é sim. Em vez de reconstruir as casas que foram destruídas pelo furacão e receber golpes mais terríveis, nós podemos passar para o trabalho interno e fazer esforços mentais. Os esforços devem ser qualitativos, embora a natureza nos obrigue a mudar para os esforços quantitativos.

Lá, a diferença entre qualidade e quantidade é enorme. Nós sabemos isso das leis da pirâmide, que é dividida em quatro níveis: a natureza inanimada (s), vegetal (v), animal (a) e humana (h). No nível humano nós fazemos esforços propositais.

Mas outras pessoas estão no nível mais baixo. Pense nos esforços que elas têm que fazer em toda a largura da base da pirâmide! Que grande área o desejo cobre, quantas toneladas de concreto e ferro, quantas horas para gastar, quantas doenças sofrer, e que grande falta a ser sentida!

Nós estamos acima desse nível e podemos mudar as dificuldades e sofrimentos de bilhões de pessoas por muitos anos com um clique num botão.

Mas não pense que apertar o botão é mais fácil do que mil anos de trabalho duro. Não é por acaso que o povo de Israel clamou no deserto e esteve disposto a voltar ao trabalho duro no Egito, para trabalhar para o Faraó, só para evitar apertar o botão.

Esta é a essência da decisão que a pessoa tem que fazer, e por isso o nosso mundo não vai desaparecer até o fim da correção.

Ao apertar esse botão você tem que estar ciente e perceber o que está acontecendo, você não pode simplesmente clicar nele e ser surpreendido pelas consequências; na espiritualidade você só aperta o botão depois de conhecer todas as ações que atravessa. Em outras palavras, a forma de redenção já está no exílio.

Você tem que imaginar o processo, caso contrário, não tem escolha, porque escolher significa que você entende o futuro e o escolhe.

Qualitativamente, esse trabalho é mais difícil do que o trabalho normal. Assim, mesmo que eles pudessem fazê-lo, eles gritaram: “Vamos voltar! Vamos mudar esse trabalho pelo tipo anterior de trabalho!”.

Pergunta: Por que os Cabalistas dizem que o caminho da Torá é mais fácil do que o caminho dos sofrimentos?

Resposta: Você está tentando pesar duas coisas diferentes com a mesma balança: um quantum de Luz com bilhões de toneladas de rochas. Eles podem ser comparados? A energia interna da Luz é um bilhão de vezes maior do que o peso físico das rochas. Mas essas coisas são incomparáveis em sua percepção egoísta, em seus sentidos imaginários. Primeiro, nós temos que mudar a nossa escala de valores. Está escrito: “O justo é a base do mundo”. Seu poder e valor são muito maiores do que os de toda a humanidade. Sem ele as pessoas não podem fazer nada, elas não existem na espiritualidade. Então você não pode pesar os dois tipos de esforços com o mesmo instrumento.

Pergunta: Será que no final todos terão que apertar o botão?

Resposta: Não, nem mesmo todos os filhos de Israel, que significa todos aqueles que anseiam direto ao Criador. Todos participam do aperto do botão, mas é difícil dizer quem terá o papel de liderança no futuro.

Por um lado, uma pessoa não pode avançar sem um líder. Em cada geração deve haver alguém que puxe e leve os outros. Por outro lado, pode haver algo semelhante ao Sinédrio, um grupo de pessoas que estão prontas e são capazes de encontrar a força geral que vai levar as pessoas através da conexão entre elas. Eu não acho que alguém possa dar um prognóstico claro, mas isso não importa. O principal é que estamos avançando. O que é necessário é o que vai acontecer. A falta de conhecimento, neste caso, não é um problema.

De uma forma ou de outra, todos vão participar do processo, e até o fim da correção, até o último aperto, estaremos todos na pirâmide. Só a Luz do fim da correção vai transformar a linha num círculo. Os níveis da escada espiritual não mudam, e só quando toda Malchut entra na correção, atinge Keter e se torna igual a ela, é que todas as formas desaparecem, exceto o círculo.

Pergunta: Este é o botão do amor ao próximo?

Resposta: Sim, mas através do amor ao próximo, nós ansiamos pelo amor do Criador – nós devemos lembrar isso.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/11/12, “Matan Torá (A Entrega da Torá)”

Comunicação Com E Sem Fio Com O Grupo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando eu saio do grupo e vou para o mundo, eu acho difícil me controlar corretamente no trabalho, a fim de manter um equilíbrio. Como devo trabalhar comigo mesmo quando estou no ambiente externo?

Resposta: Nós estamos sob a terrível influência do enorme ambiente humano externo. Nele, há o nosso pequeno ambiente, o grupo, onde tentamos neutralizar a influência externa. É como se construíssemos uma Arca de Noé para nós mesmos e fôssemos mantidos a salvo da inundação.

Por outro lado, quando deixamos a influência do grupo, encontramo-nos sob a pressão das paixões externas. Como podemos nos proteger? Como podemos permanecer no grupo mesmo quando não vemos ou ouvimos o outro?

A fim de fazer isso, nós usamos a tecnologia moderna, os telefones celulares, por exemplo, para nos comunicar; além do mais, o grupo tem uma “antena” que nos permite conectar a ele virtualmente e receber os diferentes materiais dele. Podemos usar um MP3 para também nos lembrar do que é importante, e também podemos escrever notas durante o dia. Em suma, temos muitos meios para nos comunicar e não nos desconectar.

Mas mais importante, nós podemos estabelecer uma rede direta de conexão desde a “mente” do grupo até nossas próprias mentes, se quisermos, concordarmos e mantivermos esta unidade.

Na verdade, estão sempre jogando comigo: não há fora nem dentro, não há este mundo nem outro mundo, as cenas simplesmente mudam o tempo todo, como num teatro e eu tenho que “passar para a outra vida” a cada vez e “representar o papel”, de acordo com as circunstâncias.

Não é simples, mas a pessoa não recebe mais do que pode suportar. De acordo com a espiritualidade, você cresce na Santidade e não diminui na Santidade. Pode ser que seja mostrado a você de Cima que você não se preparou o suficiente e que se separou do grupo. Portanto, aprenda com este exemplo e de agora em diante prepare uma conexão mais forte com os amigos.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabala 26/10/12, Shamati # 3

A Grande Assembleia Ao Pé Da Montanha

Dr. Michael LaitmanDo Livro A Luz do Sol, do rabino Kalonymus Kalman Halevi: A principal realização da Torá é através da unidade, como se diz: “E Israel acampou diante da montanha como um homem com um coração, e lá a doação foi interrompida e cada tribo corrigiu e acrescentou o seu Ha-Va-Ya-H“.

E eles disseram “Faremos e ouviremos” com grande paixão, do fundo de seus corações, e elevaram Mei Nukvin (MAN) e revelaram Maim Dechurin (MAD), que o Criador desceu para dar-lhes a Torá e eles foram recompensados com a realização da Torá.

A realização da Torá significa a realização do plano de toda a criação, do seu objetivo, a realização de todo o caminho de correção que é atingido pela unidade. Isto é porque nós temos que corrigir a quebra e, como resultado, além da correção da quebra, chegamos à realização. Isso significa que, pelo nosso esforço nós contribuímos para a nossa compreensão, para o reconhecimento do estado em que nos encontramos. Nós abrimos todos os mundos espirituais para nós mesmos de um nível para outro até o mundo de Ein Sof (Infinito).

Porém, antes de chegarmos a esta realização, não sentimos qualquer diferença entre o nosso mundo e o mundo de Ein Sof. O Infinito só é alcançado pela unidade, e a unidade é construída em duas linhas: a da direita ou do amor, e a da esquerda ou do ódio, uma em contraste a outra.

Por isso, diz-se: “E Israel acampou ali, diante da montanha” (Jetro, 19, 20). Eles se depararam com o ódio que descobriram depois de terem estado sempre na linha direita, entusiasmados com a espiritualidade, buscando a unidade, e ansiosos em se conectar. Foi então que eles descobriram a linha esquerda, que estava diante deles como uma montanha alta não os deixando conectar.

Depois, eles precisaram da Torá, a Luz que Reforma, e descobriram a linha do meio, a Torá, o Criador, que é revelado e ajuda a conectar as duas linhas juntas. Graças a sua oração, eles receberam uma resposta do Alto. O Criador desceu e deu-lhes a Torá e assim eles foram premiados com a realização da Torá.

Portanto, nós devemos seguir constantemente a linha direita, em doação pura, em Hafetz Hesed, e depois, em contraste a ela, a linha de esquerda é revelada: diferentes falhas, decepções, fraquezas, críticas, Din. É bom que tudo isso seja revelado, já que assim nós finalmente percebemos que não há outra opção senão seguir a linha direita.

Nós percebemos que não há nada que possamos desfrutar na linha esquerda e que estes são vasos de recepção que exigem preenchimento e não há preenchimento! Então, tudo o que resta, é ascender acima de tudo isso; quando atingimos a plena medida, a plena medida da revelação das linhas direita e esquerda, a união diante do Monte Sinai é revelada, a linha do meio, e depois a Luz que conecta as duas linhas vem até nós. Isso é chamado de “o Criador faz a paz no Céu e Ele vai trazer a paz para nós”. A linha média vem e decide entre as duas primeiras linhas, trazendo-nos paz e plenitude.

A Torá é atingida pela unidade, se ansiarmos constantemente por ela, como se diz, “E Israel acampou diante da montanha, como um homem com um coração”. Não importa o quão duro eles tentaram se conectar, eles descobriram o contrário: ódio, desapego e rejeição. “E lá a sua impureza foi suspensa e cada tribo corrigiu a combinação de seu Ha-Va-Ya-H“, o que significa que em cada um de nós e entre todos nós há muitos problemas e conflitos internos que exigem correção.

“E eles disseram: ‘Faremos e ouviremos!”. O que significa que eles estão prontos para ir acima de sua razão, acima do sentimento de qualquer crítica, já que não há outra opção, já que vimos que não podemos nos conectar em nossos vasos egoístas. “E eles elevaram Mei Nukvin (MAN) e em contraste Maim Dechurin foi revelada, e o Criador desceu para dar-lhes a Torá e eles foram recompensados com a realização da Torá”. Vamos esperar que sejamos recompensados com o recebimento da Torá, já que o Criador a dá todos os dias.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 26/10/12

O Coração Não Pode Sobreviver Sem Amor

Dr. Michael LaitmanO coração é o centro de tudo. Não é por acaso que associamos as paixões e desejos humanos com o coração. Nós dizemos, “do fundo do meu coração”, ou “meu coração está sangrando”, “meu coração está derretendo de alegria”, ou “siga seu coração”. O coração pode ser “afável”, “terno”, “apreensivo”, “partido”, etc. Em geral, o coração significa a essência da vida, tanto no sentido material quanto no espiritual. Claro, nós usamos esta palavra simbolicamente. Por si só, o coração é um órgão corporal; ele pode ser implantado ou substituído até mesmo por um dispositivo artificial. Basicamente, o coração é uma “bomba”.

No entanto, é difícil superestimar a importância deste órgão, pois ele denota a ação principal da natureza: o ato de receber e dar. O coração “recolhe” o sangue do corpo inteiro e, em seguida, entrega-o para todos os outros órgãos através da aplicação de pressão; assim, ele fornece alimento a todas as partes do corpo e as limpa de toxinas.

Por todos os meios, o coração não funciona por conta própria. Ele simplesmente não pode bombear o sangue através do corpo inteiro sem os vasos sanguíneos que interagem com o coração, empurrando o sangue para cada célula do organismo. O coração trabalha não porque seja tão forte, mas em vez disso, ele define o ritmo e instiga o impulso original no corpo. Em seguida, vários mecanismos do sistema arterial (que ainda não foram explorados suficientemente bem pela ciência contemporânea) começam a trabalhar em conjunto com o coração. Portanto, o coração não é apenas uma “bomba” corporal; ele coordena também outros sistemas.

Existem vários problemas associados com o trabalho do coração, pois “receber e doar” têm que estar bem equilibrados. A saúde do corpo inteiro depende da harmonia entre estes dois estados, o que torna possível avaliar os componentes físicos e espirituais (internos) de uma pessoa. Se o sistema de recepção e doação está bem equilibrado (semelhante a como ele está sintonizado no coração), a pessoa inerage harmoniosamente  com os outros e mantém relações corretas com seu entorno. Nós podemos receber e dar (da mesma forma como o coração), fornecendo uma colaboração saudável com outras pessoas.

Em outras palavras, no nível interpessoal, nós estamos todos conectados uns com os outros através de nossos “corações”, ou seja, através de nossas qualidades. Idealmente, nós temos que usar nossas qualidades para perseguir um objetivo, que é manter relações harmoniosas com os outros, isto é, dar e receber tudo que for necessário.

Ao mesmo tempo, o coração por si só não precisa de nada, exceto a energia mínima para fornecer o trabalho normal. Ele não consome o sangue que flui através dele, nem recebe nada específico; ele simplesmente funciona. O “prazer” que ele recebe (se podemos usar esta palavra neste contexto) é o fato de que serve todo o corpo e derrama energia nele.

Este é um bom exemplo de saúde mental/espiritual com comportamento de acordo com os princípios: “Não faça aos outros o que você odeia para si mesmo” e “Ama o teu próximo como a ti mesmo”. A pessoa tem que considerar as necessidades do seu entorno como suas próprias e fornecer aos outros tudo o que está em seu poder para satisfazer todas suas necessidades externas. É exatamente assim como funciona o coração.

A pesquisa atual afirma que nós estamos intimamente interligados de várias formas diferentes, não excluindo a união das nossas almas. Assim, nós podemos dizer que os sistemas aos quais pertencemos têm influências recíprocas uns sobre os outros. Como resultado, quando temos um colapso nervoso ou mau humor, eles refletem por todos os meios sobre o nosso coração. O nosso coração é muito sensível ao nosso ânimo; o coração pode ficar “doente” não somente como resultado de alguma doença física. Não é por acaso que quando entramos numa situação crítica colocamos nossa mão em nosso coração, uma vez que nosso sistema nervoso instantaneamente afeta o coração e o força a responder.

A partir daqui começa a nossa compreensão do que está acontecendo nos sistemas superiores das relações egoístas entre nós. Até agora, nós estamos usando nossos “corações” exclusivamente para a recepção mercenária que não tem nenhum sinal de doação, ou seja, que nós usamos o coração de uma forma completamente errada, enquanto que tudo o que ele precisa é de harmonia. Além disso, nós podemos influenciar nosso coração físico a partir do nível de nossos desejos e relações corruptas.

Até agora, não estávamos envolvidos nas conexões integrais da comunidade global; isso explica porque o impacto desses mecanismos permaneceu tão fraco. No entanto, em meados do século passado, surgiu uma conexão estreita entre todos nós; no entanto, ainda assim, nós continuamos agindo de forma egoísta em vez de cultivar as nossas relações. Como resultado, interações egoístas erradas impactam sobre os nossos corações físicos. Não há nada de estranho na intensificação dos problemas cardíacos que se tornaram um dos problemas de saúde mais perigosos hoje em dia.

Não é difícil curar o coração, pois ele não é um órgão muito complexo. No entanto, tudo que fazemos agora é “remendá-lo”, usando vários remédios sintomáticos; entretanto, as estatísticas continuam mostrando tendências sombrias. Isso acontece porque ainda não começamos a corrigir as relações entre nós. Somente através da construção do mecanismo correto de recepção e doação no nível humano, o nível mais elevado, somente “bombeando” o sistema com relações corretas e iguais que transmitam harmonia e paz, nós poderemos alterar nossos sistemas corporais, acima de tudo, nosso sistema cardiovascular.

Vale ressaltar que a configuração do nosso coração, sua válvula mitral, o modo de operação e os sistemas relacionados, estão de acordo com nossa estrutura espiritual. No entanto, nós não levamos em conta a totalidade do nosso organismo, mas sim tratamos os sintomas visíveis e não a causa real da doença.

Até mesmo os médicos concordam que “tudo vem da cabeça”, e a “cabeça de tudo” é nossos relacionamentos, pensamentos e desejos. Na espiritualidade, o “coração” é o núcleo de nossos desejos que se originam nas qualidades espirituais de uma pessoa.

Na verdade, a única cura para o coração é o amor. Diz-se: “O amor cobre todos os crimes”. Em outras palavras, se o nosso coração trabalha exclusivamente para doar e se esforça para satisfazer as necessidades externas, significa que “a pessoa trabalha com amor”, seja para o próprio corpo como para o do próximo. Sem dúvida que este tipo de trabalho, por todos os meios, deve resultar numa cura completa. Assim, em vez de “institutos de pesquisa do coração”, eu iria abrir “institutos de amor”. Será sempre o melhor método preventivo.

De KabTV “Uma Nova Vida”, 10/10/12

Um É Tudo

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significa o conceito de “Um”?

Resposta: “Um” significa que existe uma forma que governa e conecta todos juntos, une e complementa tudo com base no número infinito de propriedades internas que são opostas entre si em todos os sentidos possíveis.

Essa conexão é chamada de “Um”. Ela aponta para o número infinito de partes individuais incluídas nela, a sua forma de conexão e a singularidade de todos nela. Tudo isso está incluído no conceito de “Um”.

“Um” inclui toda a realidade: quando Ele era um todo, mas depois se dividiu em muitas partes, e passou por todas as correções. Tudo o que foi alcançado durante estas correções, todas elas, é chamado de “Um”. Isto significa que Ele inclui absolutamente todos dentro de Si mesmo. Ele não é simplesmente “Um”, mas é Um porque tudo está incluído dentro Dele.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/10/12, O Zohar

Todas Os Caminhos Estão Bloqueados

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como podemos acabar com o estado de peso e cansaço que nos encontramos recentemente que nos faz adormecer durante as aulas? Como podemos acordar juntos e sair deste estado como um grupo global, apoiando um ao outro?

Resposta: Este é o ponto do êxodo do Egito, sobre o qual temos falado muito, o ponto do recebimento da Torá, o ponto da virada, do nascimento. Nós sabemos que um parto é acompanhado das dores de parto, e que é um estado perigoso. No momento do parto nós sentimos a mordida da serpente, a descoberta do coração de pedra, porque não há outro caminho para nascer.

O êxodo do Egito é chamado de “nascimento espiritual”. Durante esse tempo a inclinação ao mal tem que ser revelada e estes são estados muito perigosos que nos mantêm sob grande pressão, pois caso contrário, não vamos concordar em fugir do Egito.

Todos esses estados não são ainda tão claros para a pessoa. Imagine que é um bom estado, a partir do qual avançamos ao mundo espiritual, ao mundo superior, que a partir deste estado nós nascemos e subimos acima da Machsom (barreira), acima da fronteira para o mundo superior. Portanto, é o estado mais tenso, mais perigoso que pode haver na vida de uma pessoa. Este é o estado do seu nascimento!

Nós sempre vemos o nascimento como um milagre, e até o último momento não temos certeza se ele transcorrerá bem, embora tenhamos equipamentos modernos, médicos e conheçamos o processo. Ainda assim, nós nunca sabemos o que pode acontecer e este é um ponto muito crítico.

A singularidade deste ponto é que a pessoa está sob terrível pressão e medo. Toda a sua vida anterior terminou ou está prestes a terminar. Ela não vê a sua vida futura e ainda não a entende, e não está claro o que ela simboliza, pois, para alcançá-la, ela tem que criar uma abertura para o novo mundo.

A pessoa não entende como pode existir, uma vez que tem que “fechar o que está aberto e abrir o que está fechado”, tal como acontece no nascimento corporal.

Se nós ansiarmos apenas ao nascimento espiritual, nós temos que imaginar esse estado de uma forma muito realista, o mais próximo possível de nossa compreensão e sentimento, na medida em que estamos prontos a abordar este estado e nos preparar para ele.

Quanto mais nos prepararmos para este estado, mais vamos avançar em direção a ele. Isto significa que precisamos de mentes fortes, força física e boa organização de todas as atividades que nos permitem percorrer o estado mais difícil que possa existir. Todas as estradas estão bloqueadas e volta não há como avançar! Assim como a fuga do Egito, quando o seu caminho está sendo bloqueada pelo Mar Vermelho e atrás as tropas do Faraó estão lhe alcançando e não há lugar onde se esconder.

Existem diferentes descrições alegóricas do estado do nascimento espiritual e todas se referem à pressão, à dificuldade e à ameaça. Nós temos que abordá-las por nós mesmos e não esperar que alguma força nos arraste ou nos empurre nessa direção. Caso contrário, ficamos relaxados e só procuramos a melhor forma de gerir a fim de ficar parados. Mas nós temos que alcançar estes estados aparentemente perigosos.

Se eu entendo e estou consciente do que faço, eu entendo que isso só é perigoso para o meu ego. É urgente e desagradável, mas eu o abordo conscientemente, e evoco as dores do parto, o sentimento de sofrimento, por mim mesmo. Acontece que é outro tipo de dor, uma dor suave.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 19/10/12, Escritos do Baal HaSulam