O Faraó Contra O Criador
Pergunta: No artigo do Rabash, “O que significa, se ele engolir a erva amarga, não sairá, na obra?”, está escrito que Maror (amargura) só pode ser sentido durante uma ascensão. Como se pode tirar proveito disso, se é que é possível?
Resposta: Faraó e o Criador são ambos revelações. Um não pode ser revelado sem o outro. Às vezes, o Criador parece ser revelado separadamente, e outras vezes o Faraó parece ser revelado separadamente, mas isso não é verdade, pois cada um deles é o completo oposto do outro.
O Faraó é o reverso (Achoraim) do Criador, e o Criador é o reverso do Faraó. Isso é semelhante à relação entre prazer (Oneg) e aflição (Nega). Portanto, quando o Faraó se revela, em princípio, eu deveria me alegrar porque, por meio dele, por meio de todos os seus pensamentos e impulsos, o Criador está sendo essencialmente revelado.
O Faraó representa tudo o que contradiz o Criador: “Por que você precisa do Criador? Ele sequer existe. O que você ganhará tendo uma conexão com Ele? Por que você precisa justamente de uma conexão que não se baseia simplesmente em receber Dele? Se for sobre receber, então sim, Ele realmente existe, tome e receba. Mas quem é o Criador para que eu obedeça à Sua voz? Precisamente à Sua voz?” E assim por diante.
Assim, com exceção da bênção, ou seja, com exceção de agir com o propósito de doar algo, o Faraó aparentemente pode fazer tudo o que o Criador faz. O sistema de forças impuras (Klipa) se opõe ao sistema de santidade (Kedusha) até o fim da correção. Tudo o que é revelado primeiramente na Klipa é praticamente equivalente ao que existe na santidade, a tal ponto que você recebe tudo, exceto uma coisa: ser como o Criador.
“O que você ganhará com isso? Pegue o quanto quiser para si mesmo”. É como se você escolhesse constantemente algo sem justificativa lógica: ser como Ele. E todas as forças, realizações que não se relacionam a essa qualidade de “ser como Ele”, o Faraó lhe oferece: cidades magníficas, realizações, tudo — exceto esse único ponto.
Por isso, fala-se de um conceito fundamental. Não se trata de uma força maligna, nem de Amaleque, nem de Hamã; trata-se da Klipa oposta ao Criador. Se você obedecer à voz do Faraó em vez da voz do Criador, terá tudo e não sentirá nenhum sentimento de escravidão. Terá belas cidades e tudo o mais. Se não quiser deixar o Egito, tome tudo, pois é seu.
Pergunta: Uma pessoa consegue distinguir a voz do Faraó da voz do Criador?
Resposta: Sim.
Da Lição Diária de Cabalá de 28/03/26, Rabash, “O que significa, se ele engolir a erva amarga, não sairá, na obra?”