Textos arquivados em ''

Por Que O Criador Precisa De Mim?

237Pergunta: O Criador sempre dá e a criação sempre recebe. Como podemos distinguir entre os dois?

Resposta: É muito simples; em vez de me relacionar com o Criador como um bebê com sua mãe, eu mesmo quero me tornar como ela.

Pergunta: Mas por que ela precisa que eu seja como ela? É claro que eu preciso Dele, mas por que Ele precisa de mim?

Resposta: De fato, a mãe não precisa de nada, e o Criador se revela sem nenhuma carência (Hisaron).

Diante do Machsom, jamais revelamos uma carência no Criador. Ele não pode revelá-la num momento em que o ser criado está oculto. Como se diz, a pessoa deve crer que seu anseio pelo Criador provém do anseio inicial do Criador por ela e lhe é dado por Ele. Basta crer que “o Criador é a sua sombra”.

Contudo, não possuímos essa sensação até que estejamos verdadeiramente prontos para fazer algo: Primeiro você adquire os vasos de doação e, em seguida, revela Nele uma carência. Mais precisamente, Ele revela a Sua carência a você, correspondente à medida em que você é capaz de doar a Ele.

Da Lição Diária de Cabalá de 28/03/26, Rabash, “O que significa, ‘Se ele engolir a erva amarga, não sairá’, na obra?”

A Livre Escolha Da Criatura

120A luz é chamada Shochen, e o Kli onde a luz está envolta é chamado Shechina (Rabash, “O que significa, ‘Quando Israel está no exílio, a Shechina está com eles’, na obra?”).

A Criação consiste em duas partes: o Criador e a criatura. A Shechina é a revelação do Criador, a presença do Criador dentro da criatura. Mas se a Sua presença desaparece da nossa percepção, pode haver duas razões para isso: ou o Criador se oculta, isto é, expulsa a Shechina da criatura e não se revela a ela, ou a própria criatura provoca isso, seja por sua própria vontade ou não.

Isso acontece porque a luz é superior e governante, enquanto o corpo deseja desfrutar da luz e senti-la como plenitude. Assim, o corpo torna-se dependente da luz. Para que não dependa da luz e se realize por sua própria vontade, em igualdade de condições com a luz e não em subordinação a ela, é necessário remover a grandeza da luz, remover a presença do Criador e, assim, dar ao corpo a possibilidade do livre-arbítrio.

Mas para isso, é preciso dar-lhe os meios de escolha. Por esses meios, referimo-nos à capacidade dp vaso de distinguir uma coisa da outra segundo um determinado critério.

O Criador baixa a Shechina para dentro do vaso até o nível do pó; o vaso se quebra e centelhas de doação são incrustadas nele. Então a Shechina se retira e se mostra corrompida e quebrada, ou seja, o Criador mostra ao vaso que Ele reside em um desejo não realizado (uma carência) e que Ele requer o surgimento da atitude da criatura em relação a Ele.

Todas essas diversas relações entre o Criador e a criatura devem, em última análise, levar a um estado em que a criatura adquire todas as condições necessárias para o livre-arbítrio, de modo que, posteriormente, ao retornar ao infinito, ela recriará o estado de infinito por sua própria força.

Da Lição Diária de Cabalá 24/03/26, Rabash, “O que significa ‘Quando Israel está no exílio, a Shechina está com eles’, na Obra?”

Tudo Depende Da Luz

600.01Como uma pessoa pode empreender a implementação de algo artificial, algo que lhe parece sem sentido? De onde vai tirar forças para isso? Ao refletir sobre isso, devo, antes de tudo, compreender que me foi revelado de cima, como um conselho do Criador.

Em segundo lugar, qualquer estado, mesmo um artificialmente direcionado ao Criador, é preferível a um estado em que estou mais distante do Criador, mas ainda preservo meu próprio senso de verdade. Como posso mentir para mim mesmo como se estivesse em ascensão e O amasse, quando agora estou em um estado miserável e O amaldiçoo, embora O amaldiçoe do fundo do meu coração? Certamente, isso parece mais necessário, verdadeiro e precioso.

Não, não é mais precioso, pois todos somos regidos por realizações que vêm de fora. A luz desperta o vaso. Portanto, o vaso nunca tem uma sensação própria; em vez disso, o vaso percebe a si mesmo de acordo com o que a luz desperta nele. Não se deve imaginar que se possua qualquer valor intrínseco em si mesmo. Num instante, a intensidade da luz circundante pode mudar e, de acordo com essa mudança, eu, com meus pensamentos e desejos, serei lançado ao extremo oposto e quem sabe para onde mais.

Portanto, devemos compreender a importância de nos transformarmos artificialmente. Suponha que eu me sinta miserável sob a influência da luz ambiente, mas nesse exato momento começo a dançar. Ao fazer isso, suplemento efetivamente aquilo que a luz ambiente não conseguiu evocar em mim, ou seja, o ato de dançar. Por ora, não altero meu humor com isso, apenas executo artificialmente o que pode ser executado. Isso é algo que posso fazer: simplesmente pular e gritar, mesmo que lágrimas estejam escorrendo pelo meu rosto. Posso rir enquanto choro, fazendo isso tão artificialmente quanto um ator no palco.

Ao fazer isso, não apenas influencio o corpo, mas também, como que despertando a luz circundante, faço com que ela atue sobre mim e transforme minha plenitude interior. A influência sobre o plano superior também se realiza por meio do meu corpo. Se eu salto, a questão não é meramente o fato de meu corpo saltar, mas sim que internamente pareço saltar e emitir um comando para mim mesmo, fazendo com que o corpo salte. É precisamente esse comando, esse esforço, que invisto no corpo que provoca uma mudança na luz circundante.

Da Lição Diária de Cabalá de 28/03/26, Rabash, “O que significa, ‘Se ele engolir a erva amarga, não sairá’, na obra?”

O Mundo Inteiro É Um Palco

962.7Pergunta: Antes, para mim, era claro: existe um “eu” e existe um ponto obscuro. Então, tudo se inverteu e eu perdi esse ponto, me perdi em tudo. O que devo fazer?

Resposta: Ontem você estava em um estado em que sabia o que devia fazer, e hoje você está em um estado em que não sabe onde está, quem você é e o que deve fazer. Isso significa que você entrou em ocultação.

O que fazer, como sair dessa situação? Comece a questionar, a implorar. Comece a se pressionar artificialmente: “Para quê? Por quê?” Torne-se um ator que interpreta como se fosse real. E você verá como seus desejos despertam e sua memória ganha vida. Você receberá novas forças vitais e, pelo menos, voltará a ser você mesmo.

Na vida, temos que fazer muitas coisas artificialmente. Quando escrevo um livro, às vezes caio em estados de espírito como se não tivesse nada e não quisesse nada. Mas começo a escrever, ou seja, a falar com outra pessoa.

E quando é “com outra pessoa”, tudo retorna a mim, porque o desejo de receber já não interfere tanto. Desta forma, você avança cada vez mais, mergulha em vários estados, esclarece sobre eles e atravessa. É preciso usar todos os meios.

Da Lição Diária de Cabalá de 28/03/26, Rabash, “O que significa, ‘Se ele engolir a erva amarga, não sairá’, na obra?”