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A Partir Do Sentimento De Vergonha

548.03Pergunta: Por que o ser criado constrói um novo Kli conhecido como luz refletida?

Resposta: Malchut, do mundo infinito, sentiu a disparidade entre si e a luz superior; percebeu o quanto Ele é exaltado. Além disso, ao receber prazer Dele, percebeu sua própria oposição à luz, o que lhe trouxe um sentimento de separação, a constatação de que era diferente Dele. Isso a levou à restrição (Tzimtzum).

Chamamos essa sensação de vergonha. Há um significado muito profundo oculto nisso, mas é difícil e nem sempre possível expressá-lo em palavras. No entanto, é precisamente a partir desse sentimento de vergonha que Malchut gera todas as ações subsequentes, desde o estado no mundo do infinito, quando sinaliza sua prontidão para realizar a primeira restrição, até o momento em que completa todo o processo e retorna ao estado da correção final, ao estado do infinito, antes repleto de luz, mas desta vez em um vaso de luz refletida.

Essa sensação inicial de vergonha serve para ativar e sustentar todas as ações subsequentes. Isso por si só é suficiente. De fato, tudo o que existe, desde o mundo do infinito até todo o ciclo que leva de volta ao Infinito, é essa mesma Malchut atuando nos bastidores. Embora opere através de várias partes e estados, é Malchut quem realiza o trabalho.

Por um lado, ela orquestra a quebra dos vasos para que eles experimentem e reconheçam plenamente a extensão de todas as suas deficiências; por outro lado, Malchut integra as nove primeiras Sefirot que estão nela para corrigir sua relação com a luz superior.

Segue-se que ela realiza todas as ações com o único propósito de restaurar a si mesma ao estado de infinito. Ora, o estado de infinito é alcançado por sua própria iniciativa, a partir de um estado de absoluta oposição. Malchut escolhe o estado de infinito e, ao fazê-lo, eleva o Criador à exaltada estatura do doador.

Da Lição Diária de Cabalá 24/03/26, Rabash, “O que significa ‘Quando Israel está no exílio, a Shechina está com eles’ na Obra?”

Se Você Quer Ganhar Algo Na Vida…

567Uma pessoa no caminho espiritual passa por vários estados. Lembro-me de como meu professor, Rabash, às vezes não conseguia ver nem ouvir nada ao seu redor, como se estivesse inconsciente. Parecia que eram momentos de desconexão com a realidade.

Isso não acontece conosco. Mas estamos falando de uma pessoa muito prática, muito realista, que trabalhou a vida toda: às vezes como sapateiro, às vezes num escritório de contabilidade e às vezes na construção civil.

Ele não era nenhum tipo de místico ou filósofo, nem mesmo um programador. Ele tinha os pés firmemente no chão. E dava para ver como ele literalmente se perdia em tudo. Em qualquer estado, é preciso romper com a realidade; um estado nebuloso e confuso é o pior. Não se acomode pairando sem rumo, simplesmente prolongando a existência; isso sim é o pior.

Frequentemente me irrito comigo mesmo, o que não é surpreendente dado o meu caráter, e graças a isso, consigo superar essa situação. Diz-se: “No homem, a inclinação ao bem sempre se irritará com a inclinação ao mal”.

Você se provoca até sentir raiva, induz um certo estado em si mesmo e começa a refletir sobre ele: talvez seja assim, talvez assado, vale a pena ou não? Este é o estado tal, este é o estágio tal. Esse processo ocorre em todos os níveis; o principal é não permitir que o próximo momento seja igual ao anterior.

Se você vir amigos ao seu redor que concordam em desperdiçar momento após momento dessa maneira, fuja deles. Eles vão contaminar você com a preguiça, e isso é um problema muito sério.

Em uma de suas cartas, Rabash escreve sobre alfaiates e sapateiros ruins que dizem: “Deixe o sapato ou o vestido como está, não é nada demais”.

Esse sujeito diz praticamente a mesma coisa: “Para onde você está correndo? Por que está se precipitando? Olhe para você. Aqui estou eu, vivendo tranquilamente, e você, simplesmente, não está levando nada a sério”. Você deveria simplesmente fugir de pessoas assim, cortar contato, não olhar para elas e se deixar influenciar o mínimo possível por elas.

Para mim, o que importa é precisamente o que eu vejo, não o que ele vê. Um amigo assim me enfraquece. Quero conquistar algo na vida; isso é de vital importância. Todos podem exigir isso uns dos outros; precisamos construir uma sociedade, e isso significa que precisamos exigir isso.

Da Lição Diária de Cabalá de 28/03/26, Rabash, “O que significa, se ele engolir a erva amarga, não sairá, na obra?”

Como Podemos Ajudar Pessoas Que Não Estão Em Busca De Espiritualidade?

281.02Pergunta: Como podemos ajudar aquelas pessoas que não estão trilhando o caminho da verdade, que não estão buscando a espiritualidade?

Resposta: Só posso sentir pena das pessoas que não sentem o que eu sinto. É só isso. O que mais posso fazer por elas?

Só posso trabalhar para disseminar a Cabalá para que elas também sintam a necessidade do Criador. Não posso simplesmente sentir compaixão pelas massas que sofrem, pois isso é uma piedade animalesca sem qualquer objetivo espiritual.

De fato, se sinto piedade animalesca, significa que não estou justificando o governo benevolente do Criador. Devo chegar a um estado em que seja capaz de justificar os golpes desferidos pelo Criador.

Quanto às massas, eu as ajudo a reconhecer o Criador, aquele que executa os golpes, dentro dos próprios golpes. Assim que alcançamos o executor, os sofrimentos se transformam em prazeres. Mas devemos ser capazes de explicar isso às massas de uma forma acessível. Devemos construir um processo de apresentação de informações sobre espiritualidade para o público em geral.

Da Lição Diária de Cabalá 31/03/26, Rabash, “Mostra-me a Tua Glória”

Não Se Machuque

261Pergunta: Uma pessoa que está no mundo espiritual pode causar dano?

Resposta: Uma pessoa que está no mundo espiritual não pode causar dano, mas a negligência de alguém prejudica essa pessoa da mesma forma que no mundo material. Há sempre livre escolha nisso: despertar a si mesmo e encurtar o tempo do caminho, o que é chamado de “santificar o tempo”, ou não. Na espiritualidade, há sempre livre escolha. Não é como no mundo corpóreo, mas existe mesmo assim.

Da Lição Diária de Cabalá 01/04/26, Rabash, “Por que a Festa do Matzá é chamada de Pessach?”