Por Que Os Cabalistas Dão Ênfase À Pessach?
Pergunta: Por que Baal HaSulam e seus antecessores dão ênfase especial a Pessach?
Resposta: Os Cabalistas nunca lidam com a história. Na espiritualidade, não existe o conceito de tempo, que é a noção da qual deriva nossa compreensão de vários processos.
Na espiritualidade, existem níveis, graus deste mundo que conduzem ao fim da correção, e cada um dos 620 graus irradia um determinado estado para este mundo. Todos os estados que existem na espiritualidade nesses 620 graus também devem ser realizados neste mundo, e além disso, apenas uma vez.
Se algo já ocorreu no plano inanimado (Domem), isto é, no mundo material, não precisa ser repetido uma segunda vez. Por exemplo, estivemos fisicamente no Egito, saímos do Egito e agora não precisamos repetir isso. Todos aqueles que agora saem de seu Egito interior para a espiritualidade, para o que é chamado de Terra de Israel (Eretz Israel), não precisam fazer isso fisicamente, visto que já o realizamos de forma física em encarnações anteriores.
Contudo, na espiritualidade, não há grau mais significativo do que o primeiro, pois ascender a ele é o mais difícil. É preciso suportar o exílio egípcio, as pragas, a abertura do Mar Vermelho (Mar Final, Yam Suf), a recepção da Torá, 40 anos de peregrinação no deserto, as sete nações e Amaleque antes de entrar na Terra de Israel. Este é um processo muito árduo.
Na espiritualidade, se a analisarmos sob a perspectiva das leis do tempo, a ascensão de um nível para outro pode levar um período relativamente curto, enquanto a transição do mundo material para o espiritual requer anos.
Este é, de fato, um período muito desagradável para uma pessoa: ela está neste mundo e ainda não sente nem vê nada do mundo espiritual. Não há para onde correr, e mesmo assim a pessoa se mantém na escuridão, precisando de todo tipo de artifício para se preparar um pouco mais, para intensificar sua intenção, para se esforçar. Ela precisa constantemente de algum apoio em que se apoiar.
Mas na espiritualidade, o caminho já está traçado. Ali vemos e sentimos que ninguém precisa nos persuadir ou nos fortalecer. Portanto, os Cabalistas destacam Pessach porque se encontra diretamente diante da decisão mais difícil, aquela ligada ao funcionamento interno de cada alma individual.
Qualquer sofrimento que uma pessoa experimente é, em essência, sofrimento da escuridão, da falta de luz. Cada impulso e cada pensamento que já surgiu em uma pessoa se junta aos outros. Isso se acumula não apenas agora, quando nos sentamos com um livro, mas pertence ao tesouro cumulativo de todas as nossas encarnações. Pessach, em essência, traça uma linha definitiva e liberta a pessoa de sob o Machsom. É por isso que Pessach é um símbolo de significado tão singular.
Da Lição Diária de Cabalá 01/04/26, Rabash, “Por que a Festa de Matza é chamada de Pessach”