O Acerto De Contas Final
Uma pessoa no caminho espiritual passa por vários estados, bons e ruins. Às vezes, ela se sente mais próxima do Criador, outras vezes mais distante. Apesar do amor pelo Criador, por vezes, despertar nela, permitindo-lhe sentir a sua conexão com Ele, e essas sensações, posteriormente, desaparecerem, o Criador mantém um registro apenas dos estados bons. Ele os reúne em uma única medida cumulativa. Uma vez atingida essa medida, o indivíduo torna-se elegível para receber uma conexão permanente e ininterrupta com Ele.
Isso se chama “Pessach”. É quando o Criador, em Seu julgamento, leva em conta apenas as boas ações de uma pessoa e ignora (“Pessach”) as más.
Por que se diz que Ele não leva em conta as más ações quando parece que a pessoa é culpada por elas? Ela não tem culpa. O Criador endurece intencionalmente o coração e confunde a pessoa para que ela possa revelar a luz das profundezas da escuridão.
Portanto, o julgamento não depende da força ou do sucesso de uma pessoa. A única coisa que importa é se ela passou por experiências suficientes para vivenciar estados de amor, conexão com o Criador e adesão a Ele.
A velocidade com que atingimos essa meta depende dos nossos esforços. O Criador faz tudo, mas nós só podemos acelerar o tempo. Se eu investisse muita energia e esforço, comparecesse às aulas todas as manhãs e fizesse tudo o que fosse possível nos meus estudos e no trabalho em grupo (isso é especialmente eficaz durante o período de Pessach), eu aceleraria e encurtaria o tempo.
Os estados de ascensão e descida atravessam-me com maior velocidade, rapidamente alcanço a medida necessária e um cálculo chamado “Pessach” é feito sobre mim.
Quando é feito o cálculo final? Após sete anos de fartura, após sete anos de fome e após dez golpes, as dez pragas, então, repentinamente, tudo de uma vez, ocorre o acerto de contas final. Por que repentinamente? Porque a medida necessária é alcançada na escuridão, no meio da noite. A pessoa não sabe nada de antemão. Acontece inesperadamente, num instante, e então a pessoa rompe a barreira.
Da Lição Diária de Cabalá 08/04/26, Rabash, “Venha ao Faraó – 2”
Pergunta:
Na espiritualidade, o desejo determina tudo. Portanto, um ser criado não é capaz de desejar voluntariamente o sofrimento para, posteriormente, após alguns passos, agradar ao Criador com uma intenção altruísta. Isso é impossível. Todo esse processo deve começar de cima. O Criador é sempre o iniciador.
Para que uma pessoa tenha equivalência de forma com o Criador, ela deve procurar ter temor em tudo o que faz, como está escrito (ali): “Temor significa que ele teme não diminuir sua contribuição para a satisfação do seu Criador.” (Rabash, “O que significa, se ele engolir a erva amarga, não sairá, na obra?”)