Um Passo Na Escuridão
Pergunta: A verdade nos é revelada apenas nos períodos em que a luz desaparece, durante os períodos de Achoraim?
Resposta: Experimentamos dois estados: luz ou escuridão. Quando uma pessoa está repleta de luz, ela não consegue se perceber; está sob a influência do Criador, sente-se pronta para tudo e se sente como um herói. Nesse período, é como se a pessoa estivesse sob o domínio da natureza, especificamente das propriedades da luz. Portanto, não é ela mesma, mas o que a preenche (a luz) que determina seu estado, seu grau, suas qualidades e pensamentos.
Quando uma pessoa pode conhecer seu verdadeiro “eu”, em que estado se encontra e em que grau? Isso só acontece na ausência de luz. O fato é que a tela, na escuridão, determina até que ponto o Partzuf pode ser preenchido com a luz de Hassadim, e com base nisso pode-se prever o que ocorrerá quando a luz chegar e até que ponto ela será capaz de preencher o Partzuf.
Portanto, é somente durante a escuridão que uma pessoa existe em um estado verdadeiro. Isso se aplica durante o período de preparação, o tempo em que o Kli ainda não adquiriu uma tela (uma intenção para a doação). Suponhamos que eu esteja atualmente nessa fase de preparação; depende da minha experiência com estados passados, dos meus esforços, do grupo, de todas as coisas ao meu redor, e de até que ponto tudo isso, em conjunto, me fortalece.
É mais correto formular da seguinte maneira: durante o período de ocultação, em que medida a luz circundante (Or Makif) me mantém em um estado independente de estar sob a influência da escuridão ou da luz, em um estado de ascensão ou de descida? É precisamente a descida que utilizo para construir meu Kli espiritual, pois somente em um período de escuridão posso me revelar, fazer esforços e demonstrar persistência. Eu recebo uma oportunidade do alto.
No momento em que a luz me influencia, não tenho possibilidade de me manifestar, pois o Criador realiza Suas ações sobre mim sem a minha participação. Assim, temos dois estados: no período de luz, o Criador me influencia e, no período de escuridão, eu me influencio.
O fato é que, quando o Criador influencia uma pessoa, esta pensa que é um herói, que as ações são suas, que conquistou algo. Mas não é assim; significa simplesmente que o Criador está se aproximando dela. Por outro lado, quando o Criador se afasta, é semelhante a uma mãe ensinando seu filho a andar. No início, ela segura a criança com as duas mãos, a firma entre os joelhos para evitar que caia e, em seguida, a solta e dá um passo para trás. Ao se afastar, o Criador dá à pessoa a oportunidade de dar um passo em direção a Ele.
Assim, repetidas vezes, o Criador nos ensina a caminhar de forma independente. Devemos compreender que esses são estados desejáveis e eficazes que nos beneficiam porque nos aproximam da espiritualidade, e que devemos utilizá-los dando um passo à frente, depois outro, e outro.
Mas não podemos fazer isso sozinhos. Precisamos construir um ambiente: um grupo, livros, um professor, o apoio de amigos e uma rotina diária. Todas essas coisas nos apoiam em períodos de escuridão. Somente com a ajuda delas seremos capazes de dar um passo a frente de forma independente.
Da Lição Diária de Cabalá 31/03/26, Rabash, “Mostra-me a Tua Glória”
Tudo o que precisamos para nos envolvermos com a Torá e as Mitzvot [mandamentos] é a revelação. Isto é, revelar o deleite e o prazer ocultos nelas para que as vejamos abertamente (Rabash, “Sobre Chesed [Misericórdia]”).
Isso é chamado de “a tristeza da Shechina”. Ou seja, é o fato de o Criador não poder doar alegria e prazer como Ele deseja, pois Seu desejo é fazer o bem às Suas criações (Rabash, “O que significa ‘Quando Israel está no exílio, a Shechina está com eles’ na Obra?”).
Pergunta: