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Como Posso Sentir O Sofrimento Da Shechina?

239Pergunta: O que é mais eficaz para o nosso progresso: esforçar-se para sentir a grandeza do Criador ou sentir o sofrimento da Shechina?

Resposta: Antes de mais nada, só podemos avançar se olharmos para frente. E só podemos olhar para frente se sentirmos que há algo positivo à nossa frente.

O aspecto positivo é chamado de sentimento da grandeza do Criador. Ele é grande, e eu naturalmente me aproximo Dele. Se eu sentir que há sofrimento e escuridão à frente, não me esforçarei para ir até lá. Portanto, eu definitivamente preciso de um instrumento de doação para que eu sinta a necessidade de encontrar um desejo não realizado Nele, algo que eu possa oferecer a Ele, para que eu possa doar em prol Dele. Então, quando eu sentir o sofrimento da Shechina, eu me alegrarei verdadeiramente por ter encontrado algo que posso oferecer a Ele.

Portanto, não devemos nos forçar a imaginar o sofrimento da Shechina. Isso é algo muito artificial para o qual não estamos preparados. Não reajo a nada externo que aconteça fora de mim, seja o Criador ou um amigo. Como então poderei receber desse “combustível” para o trabalho ou forças para o progresso?

A única coisa à qual podemos nos apegar agora e da qual podemos receber ajuda é a grandeza do Criador. Que meus amigos me falem constantemente sobre a grandeza do Criador para que eu me convença de que somente Ele governa e age, que somente Ele é importante para mim.

Mais tarde, o desejo de trabalhar precisamente nessa direção — pela grandeza do Criador — virá disso. Porque, quer queiramos ou não, nós nos submetemos a uma grande pessoa, queremos oferecer-lhe, servi-la. E tudo isso acontece simplesmente porque ela é grande. Isso já está intrínseco à nossa natureza. Nem sequer precisamos fazer um esforço para isso.

E assim que você realmente sentir ou perceber a grandeza Dele em seu trabalho sobre a grandeza do Criador, ou mesmo se simplesmente a imaginar, começará a pensar: “O Criador é grande, mas o que posso lhe dar? Por que Ele precisa de mim? Talvez, de fato, algum tipo de conexão possa surgir entre nós?”

Isso surge naturalmente como resultado da consciência da grandeza do Criador.

Portanto, o sofrimento da Shechina só pode ser sentido por uma pessoa que já tenha adquirido alguma consciência da grandeza e importância do Criador.

Da Lição Diária de Cabalá 16/03/26, Rabash, “O que é, ‘As Boas Ações dos Justos São as Gerações’, na Obra?”

O Desejo Que Leva Ao Objetivo

231.01Pergunta: Se uma pessoa se sente inspirada pelos livros e pelo grupo enquanto estuda, isso não é uma forma de prazer?

Resposta: Tudo depende da causa subjacente. Muitas pessoas chegam a este caminho porque se sentem mal. Elas procuram um lugar onde se sintam bem. Em geral, existem inúmeras razões, mas, no fim das contas, tudo se resume à falta de perspectiva de futuro. Elas precisam de confiança. E a confiança é resultado da conquista da fé.

Sim, é verdade que isso nos coloca em movimento, e agimos movidos pelo fato de nos sentirmos mal agora e nos sentirmos bem depois. Mas a verdadeira questão é: “Será que eu mudo meus valores ao longo do caminho? Eu permaneço com o mesmo desejo de me sentir bem nos mesmos vasos de antes? Ou meus vasos melhoram continuamente? Eu começo a buscar algo além da matéria? Eu começo a me aproximar do encanto da santidade?”

Se assim for, já não interpreto “bom” como fazia no início, como me preencher com vários prazeres corporais. Para nós, os “prazeres animais” são essencialmente honra, poder e conhecimento. Eu começo a perceber que o poder e o conhecimento não me conduzem ao objetivo, e sinto o quanto são vazios em si mesmos.

Se esse processo estiver ocorrendo, a pessoa está se desenvolvendo. Caso contrário, ela permanece como estava e acaba deixando o grupo. Uma pessoa que não muda seus valores não pode permanecer aqui. Ela sentirá como se o grupo a estivesse expulsando, a empurrando para fora.

E assim continua até que o único prazer que me resta é alcançar a conexão com o Criador. Ainda não O conheço, não O conheço precisamente, mas é como uma espécie de “loucura”. Ninguém O vê, e nem eu, mas é algo que me atrai.

Este é o resultado da influência da luz circundante que brilha de longe e cria em mim um anseio por ela, até que, nas palavras de Yehuda Ashlag (Baal HaSulam), “ela não me deixa dormir”. Isso se chama persistência, firmeza.

Da Lição Diária de Cabalá 19/03/26, Rabash, “Sobre Chesed [Misericórdia]”

Não Misture O Material Com O Espiritual

962.7Comentário: Em essência, toda a nossa vida é uma série de estágios pelos quais somos preparados para atingir o objetivo.

Minha Resposta: Se você tem dificuldade em conectar sua vida animal (material) com a obra do Criador, não as conecte. Caso contrário, você se tornará como aqueles que veem a mão do Criador em tudo ao seu redor: “Eu faço isso, e Ele me responde assim. Minhas ações físicas são a própria espiritualidade. Anjos estão voando por aqui”. Pensando dessa forma, você só se confundirá. Isso está errado.

O reino espiritual significa “acima da razão”, “em prol da doação”. É uma natureza que não existe em nosso mundo material. Se você deseja revelá-lo, só poderá fazê-lo trabalhando dentro de duas esferas distintas, completamente separadas uma da outra. O animal é o animal, e o espiritual é o espiritual.

Caso contrário, você ficará confuso, assim como aqueles que apenas “aparentam” estar envolvidos em trabalho espiritual. Eles voltam o olhar para as estrelas, agem de acordo com horóscopos, leituras de cartas e características faciais, ou amarram uma fita vermelha no seu pulso. Mostre uma fita vermelha a uma vaca, talvez ela dê um pouco mais de leite… Há quem diga que um tipo de matéria exerce influência sobre outra.

O aspecto psicológico é um tópico à parte: de fato, a pessoa sente algum apoio psicológico com isso. No entanto, isso não é espiritual. Portanto, não confunda os dois, aplicando um ao outro.

Não existe conexão entre o espiritual e o material. Há uma completa desconexão. Não é sem razão que afirmo que nenhuma ação material pode gerar um resultado espiritual — a menos que você infunda nessa ação a intenção específica de alcançar a espiritualidade.

Se você simplesmente cultivar o amor pelos amigos sem nenhuma intenção maior, isso poderá levar a resultados opostos ao seu objetivo. Pois uma ação por si só não produz nada; pelo contrário, apenas revela sua futilidade, um processo que só serve para destruí-lo. Portanto, não misture o material com o espiritual, nem o espiritual com o material. Isso está errado.

Para você, agora, espiritualidade é a forma como você imagina sua conexão com o Criador. Só isso. “Não há outro além Dele”; Ele é o bom que faz o bem em tudo o que você pensa ou poderia pensar sobre Ele.

Entendo que isso ainda gera confusão, pois não conseguimos distinguir em nós mesmos nossa atitude em relação à nossa própria vida de nossa atitude em relação à espiritualidade. Mas gradualmente essa compreensão virá. Mais tarde, quando de fato revelarmos a divindade, perceberemos gradualmente como uma parece se revestir da outra, mas não da maneira como poderíamos imaginar agora.

Da Lição Diária de Cabalá 16/03/26, Rabash, “O que é, ‘As Boas Ações dos Justos São as Gerações’, na Obra?”

Existe Santidade Nos Objetos Materiais?

282.02Pergunta: Você disse que o grau superior mais próximo de nós significa que vemos como a Shechina se manifesta em todas as nossas ações. De que ações estamos falando?

Resposta: O grau mais próximo, e não apenas o mais próximo, mas em geral o grau que uma pessoa deve sempre enxergar diante de si, é a revelação da Shechina, de como ela se reveste do mundo inteiro, de tudo o que nele existe, dos amigos; ver que essa força única e especial une todas as ações no mundo, e que ele próprio está sob seu poder.

É isso que o artigo “Não há outro além Dele” nos ensina. Devemos mantê-lo sempre presente em nossos olhos.

Mas não devemos confundir isso com coisas materiais. Isso significa que não interpretarei todas as ações no âmbito material sem antes revelar o verdadeiro estado, que a Shechina está presente em todo o mundo.

Sem revelar isso, não devo interpretar cada ação material como se ocorresse por alguma razão espiritual. Não devo atribuir forças espirituais a objetos e itens materiais como se eu soubesse que é assim.

Que força especial existe em uma fita vermelha? Eu ainda não a revelei. Acredite em mim, eu realmente não sei.

Isso é mencionado no Livro do Zohar. Devemos ler o Zohar de acordo com os ramos ou de acordo com as raízes? Se você pegar a fita vermelha em sua raiz e começar a fazer com ela o que está escrito ali, fica claro que se trata de uma ação espiritual. Mas que relação isso tem com pegar uma fita vermelha aqui e amarrá-la na mão, na perna, na orelha? O que isso lhe trará?

Isso é usado para fortalecer a pessoa, como faziam os hassidim. Será que nossos antepassados, há dois mil anos, andavam por aí com chapéus de pele, túnicas e meias altas [peças do vestuário tradicional de alguns hassidim]? Não. Não nego que isso fortaleça as pessoas. Mas não se deve transformar isso em algo sagrado. Sim, nos mantém dentro dos limites, distingue nossas ações e pensamentos, guia a pessoa, mas não devemos introduzir forças de santidade nisso.

Devemos dizer: “Sim, somos animais, e nossa psicologia é tal que, de tal e tal maneira, a parte externa nos influencia e fortalece”. Correto, isso é usado em todos os tipos de movimentos e sempre será usado. Considere os muitos exemplos no exército, todas as várias insígnias, bandeiras e assim por diante, que existem apenas para fortalecer o espírito humano. Recorra aos psicólogos; eles têm toda uma ciência sobre como influenciar uma pessoa. Mas não introduza forças de santidade nisso.

Da Lição Diária de Cabalá 16/03/26, Rabash, “O que é, ‘As Boas Ações dos Justos São as Gerações’, na Obra?”