O Caminho Baseado Em Uma Ideia Abstrata
Tudo o que precisamos para nos envolvermos com a Torá e as Mitzvot [mandamentos] é a revelação. Isto é, revelar o deleite e o prazer ocultos nelas para que as vejamos abertamente (Rabash, “Sobre Chesed [Misericórdia]”).
Se revelássemos que a doação contém muitos prazeres, então, como um ladrão, correríamos atrás dessa qualidade para obter esses prazeres.
Por um lado, somos impelidos à doação pelo prazer antecipado; por outro, pelo sofrimento que sentimos em nosso estado. Mas, à medida que avançamos nesse caminho, percebemos que ele se trata de um grande prazer? O benefício da doação se revela em nosso desejo de receber? Ardemos com o desejo de dar, o qual nos promete prazeres?
Se estivéssemos nesse estado, seguiríamos as Klipot. Estaríamos envolvidos apenas na busca dos prazeres das Klipot e jamais conseguiríamos sair dessa situação.
Portanto, nosso caminho se chama: “Pois a Torá sairá de Sião”, isto é, das “saídas” (Yetsiot), das decepções, da confusão, e não dos prazeres. Se fosse pelos prazeres, seria através da Klipa, que lhe “compra” dando prazer: “Trabalhe para mim”.
Conosco, isso não acontece, e é um sinal de que estamos no caminho certo, de que as ações realizadas sobre nós vindas do alto têm, de fato, o propósito de nos transformar em pessoas que doam.
Não é simples, é difícil, porque nos vasos da recepção, em nossa percepção egoísta, é impossível discernir como fazer isso. Nosso caminho é desprovido de prazeres. Não recebemos nenhuma recompensa ao longo do percurso que justifique o trabalho, apenas uma ideia abstrata: a grandeza do Criador, a grandeza do grupo.
E vemos isso em nós mesmos. Não progredimos por meio de prazeres, portanto não temos nada com que nos preocupar. Somente se formos verdadeiramente capazes de realizar um ato de doação é que poderemos desfrutá-lo. Tal é este “negócio vendido duas vezes”.
Da Lição Diária de Cabalá 19/03/26, Rabash, “Sobre Chesed [Misericórdia]”