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O Mundo Através Dos Olhos Do Criador

707Mesmo quando um Cabalista já atingiu altos graus de conhecimento, é muito útil para ele estudar os livros de outros Cabalistas. Assim, ele pode ver a realidade através das qualidades de outro, pois cada pessoa a enxerga a partir de seu próprio ponto de vista. Ao aprender como os outros percebem a realidade espiritual, ele começa a vê-la através de cada alma corrigida e, dessa forma, rapidamente se une à alma comum.

Inicialmente, eu era um ponto dentro de um círculo. Corrigi-me e construí minha conexão com o infinito, uma linha do centro do círculo até a luz que o circunda. Conectei-me com todas as outras almas e, assim, expandi essa linha, como um setor, por todo o círculo. Agora, todo o plano do círculo é o meu desejo corrigido. Corrigi-me completamente ao me unir às outras almas.

Mas isso não basta. Porque meu círculo é plano. E existem outros círculos, outras almas corrigidas. Quando todos esses círculos se unem, formam uma esfera, com um centro comum. Isso significa que devo ver todas as correções de todas as almas do ponto de vista delas.

Por quê? Porque o Criador olha do alto para cada alma e a coloca em ação. Eu preciso alcançar esse mesmo nível. Portanto, preciso me revestir de cada pessoa e enxergar sua correção a partir de sua própria perspectiva, de dentro de sua alma.

Só então alcanço a equivalência de forma com a força superior. Não me basta corrigir meu próprio plano. Devo corrigir um plano após o outro, círculo após círculo, até que todos se unam em uma esfera.

Isso é imprescindível. Caso contrário, não alcançamos a semelhança com o Criador. E assim, cada pessoa se conecta com as outras e enxerga através delas.

E então todos devem se unir. Todas as esferas individuais se combinam em uma dimensão ainda mais “redonda”, perfeita. E então todas as distinções privadas desaparecem completamente.

Mas esta etapa está além das nossas correções.

Da Lição Diária de Cabalá 9/10/09, Escritos de Baal HaSulam , Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

Minha Atitude Em Relação Aos Amigos

13.03Não podemos medir diretamente nossa atitude de uns em relação aos outros. Podemos medir o quanto nos amamos ou nos odiamos apenas em relação a algum objeto externo.

Suponha que você ame algo e eu odeie, ou que você ame mais do que eu — esse amor também é relativo. E somente assim ele pode ser medido.

Esta é a base da técnica para a medição interna e espiritual precisa da conexão entre as pessoas, pois através dela elas também se conectam ao Criador. Essa medição deve ser muito pessoal, porque todos nós temos desejos completamente diferentes. Precisamos examinar até que ponto somos capazes de discernir essa conexão. Mas não há dúvida de que, se eu amo o que você odeia, então não podemos nos unir.

É assim que podemos testar nossa atitude de uns em relação aos outros. Existem bilhões de conceitos diferentes no mundo, e se quisermos amar uns aos outros, nossa atitude precisa estar alinhada em relação a cada um deles. Isso se chama adesão.

De que outra forma posso examinar você, e você a mim? Isso só é possível em relação a um parâmetro que está fora de nós dois. Comparando-nos a ele, determinamos se somos compatíveis ou não. O parâmetro pelo qual nossa atitude em relação ao Criador é avaliada é o grupo, pois é nele que estamos juntos com Ele.

Se eu me relacionar corretamente com o grupo, descobrirei que o Criador já está lá desde o princípio, em unidade com os amigos. Como se diz: “O Criador habita entre o seu povo”. Ele já está no grupo. O único problema é que eu não estou lá. Portanto, todo o meu trabalho consiste em me unir aos nove amigos e completá-los até formar um grupo de dez.

Na medida em que me integro ao grupo, uno-me ao Criador. Não há outro ponto de referência. O grupo é o parâmetro, o padrão, o diapasão pelo qual me ajusto. Nada é exigido dos amigos, nem mesmo sua concordância.

Se eu me unir a eles incondicionalmente e me anular em tudo, descobrirei que eles me aceitam de todo o coração e alma, e que o Criador habita entre eles. O grupo está em estado de correção final.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá de 27/08/18, Escritos de Baal HaSulam , “Um Discurso para a Conclusão do Zohar

A Unidade Das Duas Linhas

232.08Dois opostos em um todo único é o ponto principal que define a entrada para o mundo superior, para a dimensão espiritual, ou seja, para o espaço onde habita o Criador, a fonte das duas forças.

Em relação a nós, elas se revelam como a força do mal e a força do bem — Klipa e santidade, doação e recepção, duas forças opostas. Mas para o Criador não há contradição e tudo está unido em um só.

Somente em relação a nós, à nossa percepção e compreensão, elas aparecem como duas forças que se contradizem. Quanto mais começamos a perceber a criação, mais distância e oposição vemos entre elas.

Por causa disso, somos incapazes de perceber o espiritual. Como está escrito: “Em Isaque será chamada a tua descendência, mas terás de sacrificá-lo”. Uma coisa contradiz a outra. Por um lado, ele deve ser morto; por outro, ele deve dar continuidade ao teu caminho.

Como isso é possível? Não podemos compreender isso com nossa mente terrena. Devemos alcançar a mente do Ser Superior. Se nos esforçarmos para manter ambos os princípios, atraímos a luz que retorna à fonte, a qual constrói uma nova realidade para nós. Nesse novo espaço que revelamos, chamado de linha intermediária, essas duas linhas opostas podem coexistir como um todo único e se complementar.

Isso é extremamente difícil de compreender, praticamente impossível. Precisamos de um ambiente e da luz superior que retorna à fonte e une as duas linhas na linha do meio. A linha do meio é o Criador.

A revelação do Criador, a unidade das duas linhas opostas, conduz-nos gradualmente ao propósito da criação, ao fim da correção. Passo a passo, esses opostos crescem e se unem cada vez mais, e essa é toda a obra.

Já concluímos uma preparação suficiente ao longo de muitos anos e reunimos muitas pessoas capazes de dar esse passo. Os demais se tornarão capazes ao se juntarem àqueles que já atingiram o nível de prontidão necessário.

Assim, em nosso mundo, as crianças que nascem no século XXI se juntam a todos os avanços alcançados pelas gerações anteriores e as superam porque se apegam aos pais e recebem tudo o que eles têm.

Assim é no grupo cabalístico. Não importa quem tenha avançado mais ou menos. Se cada um se esforçar ao máximo para alcançar o objetivo, com toda a sua força e preparação, todos o alcançarão.

Espero que você aborde este tema com seriedade, pois em toda a sabedoria da Cabalá — no trabalho espiritual, na busca pelo Criador, pela realidade superior e pela perfeição da natureza — não há nada mais importante do que este princípio da unidade das duas linhas.

Essa integração dos opostos é o espaço espiritual que se revela a uma pessoa. Ao entrar nele, ela começa a sentir o outro mundo. Não há dúvida de que, por meio de nossos esforços conjuntos, somos capazes de avançar e alcançar tudo isso, conduzindo cada pessoa a esse nível, ao início da verdadeira escada espiritual.

A partir deste momento, avançaremos sempre nas três linhas, guiados pela fé acima da razão. Então, toda a Torá e o mundo inteiro se tornarão claros para nós. Toda a realidade começará a se revelar; ela se dividirá em três linhas e mostrará a interação entre elas.

Por ora, não sabemos de onde vêm o positivo e o negativo, nem para onde nos levam. Mas se soubermos conectar corretamente os opostos acima deste mundo e acima do intelecto terreno, dentro do sentimento e da razão espiritual, então alcançaremos a revelação ilimitada e compreenderemos como o Criador age, o que Ele faz, o que devemos fazer para sermos semelhantes a Ele, para nos tornarmos “como deuses, conhecendo o bem e o mal”.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá de 23/12/19, “Dois Opostos em um Só Assunto”