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Parece Que Esta É A Vida

938.07A fé acima da razão só pode ser alcançada se estivermos conectados uns aos outros e se a luz, a força de doação, Bina, fluir entre nós acima de nossos sentimentos e intelecto pessoais, que chamamos de conhecimento. A fé é uma força comum e, portanto, é sentida e valorizada acima de um estado pessoal.

O Criador organiza deliberadamente todo tipo de perturbações para nós. Parece-nos que isso é a vida, mas não é a vida, e sim um jogo do Criador.

É Ele quem monta este quebra-cabeça da vida para nós e evoca nossas sensações para que, a cada vez, estabeleçamos uma conexão entre nós acima do mosaico da vida.

Da Lição Diária de Cabalá de 10/09/20, “Trabalho com Fé Acima da Razão”

Acalme-se E Não Tenha Pressa

759Há uma correnteza, há um barco e eu estou no barco. Devo concordar que estou flutuando com a correnteza. Não posso ir contra a correnteza. Não posso sair deste rio. A única coisa que posso fazer é aceitar para onde a correnteza está me levando no barco.

Pergunta: Meus amigos também estão flutuando neste barco?

Resposta: Se colocarmos dessa forma, sim. Todos nós estamos flutuando no barco, levados pela correnteza da vida, no rio da vida. É melhor entender que é assim. Você viveu um dia, viveu-o. Outro dia, novamente. E assim por diante, e assim por diante.

Pergunta: Então você não é a favor de fazer planos?

Resposta: Não! Esses planos não vão se concretizar de qualquer forma, e nós só ficamos chateados por causa deles.

Pergunta: Você tem medo de que fiquemos desapontados?

Resposta: Depende dos objetivos que definimos para nós mesmos na vida.

Pergunta: Essa é a questão. Afinal, quais objetivos devemos estabelecer? Estou flutuando neste barco, quero chegar a algum lugar ou não?

Resposta: Se esse for o seu objetivo.

Pergunta: Se o objetivo é chegar a algum lugar, então o quê?

Resposta: Então sim, você precisa analisar a situação. Vale a pena? É possível? Você consegue alcançar esse objetivo? Se conseguir, então sim. Caso contrário, vá se aproximando aos poucos, pelo menos um pouco mais. Mas com calma. Não tenha pressa.

Comentário: Isso complica um pouco as coisas.

Minha Resposta: Por que isso complica as coisas? Devemos ter pressa?

Comentário: Estamos acostumados a correr. Estamos acostumados a nos esforçar para alcançar um objetivo.

Minha Resposta: Não acho isso razoável nos dias de hoje. Há períodos em que simplesmente nos deixamos levar pela correnteza, e pronto.

Pergunta: Então, em outras palavras: “Não há outro além Dele”?

Resposta: Sim.

Pergunta: E é assim que eu devo viver?

Resposta: O Criador cria constantemente novas condições para nós e, quer queiramos ou não, iremos vivenciá-las.

Aceitar o rumo que o rio da vida nos leva não significa desistir. Significa perceber o fluxo do rio de forma realista e acompanhá-lo, entendendo que não se pode ir contra a corrente. Não existem heróis que consigam caminhar contra a corrente.

Claro, gostaríamos de mudar alguma coisa, mas essa “alguma coisa” só pode ser muito, muito pequena em nossas vidas.

Pergunta: E onde está a alegria nisso? Ainda queremos algo que nos dê alegria.

Resposta: A alegria não está em se atirar na água e tentar bloquear o rio, e assim por diante. A alegria está em encontrar pontos especiais de movimento ao longo do seu caminho de vida simples e comum e tentar atravessá-los.

Pergunta: O que você quer dizer? Pontos especiais são pontos de alegria? É isso que você está dizendo?

Resposta: Sejam eles alegres ou não, você ainda precisa passar por eles.

Pergunta: E aquilo a que estávamos habituados e que nos dava prazer era ir contra a corrente, ir contra a natureza?

Resposta: Esse é o seu sentimento interior. Na realidade, ninguém pode ir contra ele de qualquer forma.

Pergunta: Já dissemos várias vezes que a natureza humana é egoísta e que uma pessoa precisa, de alguma forma, transcender essa natureza. Você consegue estabelecer essa conexão?

Resposta: Sim, elevar-se acima da sua natureza significa perceber que você ainda é levado pela correnteza do rio. Você pode desejar sair dela, mas nem sequer sabe onde, como ou quem está esperando por você na margem se você aparecer de repente com seu barco, etc. Portanto, não sei se isso é razoável.

Pergunta: Será que é preciso saber, ou ao menos pressentir, o que nos espera no final? Afinal, os rios deságuam no mar.

Resposta: Você precisa escolher um objetivo que pareça realista e esteja de acordo com suas habilidades, e tentar alcançá-lo de alguma forma. Ou seja, precisamos entender que, em algum momento, deixamos o rio da vida, saímos dele e, de alguma forma, seguimos navegando adiante.

Pergunta: Então, deve haver alguns pontos de parada ao longo do caminho?

Resposta: Sim, mas honestamente, no final, mesmo que uma pessoa queira se tornar algum tipo de revolucionário em alguma coisa durante a vida, no fim, ela concorda que esta é a vida, e ela termina com a morte, e depois disso, é o que é.

Comentário: Isso não parece muito otimista. Ainda assim, é importante definir metas que não visem conquistar a morte, mas que ao menos ajudem a superá-la internamente de alguma forma.

Minha Resposta: Pelo contrário! Quando você aceita isso, adquire uma calma especial e uma percepção singular da vida, e passa a percebê-la de forma realista. Não estou falando da morte. Estou falando de como você percebe esse fluxo de forma realista.

Pergunta: Se alguém que estuda Cabalá há muitos anos se sentar neste barco, seu comportamento deveria ser o mesmo, em sua opinião?

Resposta: Seu comportamento deve ser o de qualquer pessoa: empenhar-se para alcançar seu objetivo.

Comentário: Então, se o objetivo é transcender a própria natureza…

Minha Resposta: Se o objetivo é transcender sua natureza, ela está no barco com você. Você não deve pular em lugar nenhum nem nadar até a margem; não deve gritar: “Ei, quem está na margem?” — talvez haja alguém. Você não deve chamar ninguém. Tudo depende do seu humor, da sua atitude em relação ao que está vivenciando. No fim, você entra em outra dimensão.

Pergunta: Como isso acontece? Como sou arrancado da minha natureza? Estou apenas navegando no barco, com a minha ideia, a nossa ideia, digamos assim.

Resposta: Você não é arrancado, você não vai a lugar nenhum. Acontece que a ilusão em que você existia é simplesmente substituída, pouco a pouco, por uma segunda, depois por uma terceira, e assim por diante.

Comentário: E eu deixo de dar atenção às dificuldades da vida, à idade, à doença.

Minha Resposta: Não, isso já não me interessa. Penso em como passar por isso em paz e depois começar uma nova vida.

Pergunta: Como é possível estar acima de tudo isso? Acima desta vida que nos oprime com doenças e sofrimento?

Resposta: O melhor é se entregar e não resistir. Porque resistir não leva a nada, nós sabemos disso. Todos ao nosso redor passam por fases semelhantes e terminam da mesma maneira. Tenha uma atitude benevolente em relação à vida e à morte.

Pergunta: E é isso que significa “relacionar-se da mesma forma com o Criador”?

Resposta: Sim, concordo com Ele, com o que Ele fez por nós, que Ele nos colocou dentro de certos limites e nos deu essa trajetória de desenvolvimento.

Pergunta: Quando dizem que cada pessoa tem seu próprio caminho, o que querem dizer? Seu próprio caminho até o Criador?

Resposta: Sim, nada mais. E não há nada de especialmente novo aqui, exceto no que diz respeito ao indivíduo.

Pergunta: Então cada pessoa tem seu próprio caminho para o Criador?

Resposta: Sim, se uma pessoa entende isso, diz-se que ela está adquirindo sabedoria.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 18/11/25

A Fé É Doação

766.2Pergunta: O que é fé?

Resposta: A fé é doação, a capacidade de dar apesar do desejo de receber (fé acima da razão). Como somos desejo de receber, a fé, que é a qualidade de doação, está sempre contrária à minha natureza.

Só se consegue isso com a ajuda da luz superior que nos dá a capacidade de nos elevarmos acima de nós mesmos, de agirmos não segundo o nosso próprio desejo, mas segundo o desejo do outro, do Criador (em benefício do outro, do Criador). Nessa medida, eu me torno dependente do Ser Superior (um servo do Criador) e não de mim mesmo (um servo de mim mesmo). Se você acredita em mim, significa que você age com suas capacidades em meu benefício. Você se torna semelhante a mim. Normalmente, cada pessoa é oposta à outra. Mas se eu disser que alguém acredita em mim, digamos, em 50%, isso significa que essa pessoa neutralizou seus desejos em 50% e, nessa medida, pode se fundir comigo.

Existe apenas o conhecimento, as ações em prol dos próprios desejos, nas quais sabemos o que queremos. E existe a fé, a ação de satisfazer os desejos do outro. Na medida em que essa qualidade se manifesta, a pessoa percebe algo além de si mesma, nos desejos alheios. O que é percebido neles é chamado de mundo superior, espiritual. Portanto, a fé está ligada ao amor, ao amor pelo outro. O amor é a capacidade de substituir o próprio desejo pelo desejo do outro e de satisfazê-lo.

Como vemos, a fé na Cabalá é o domínio da qualidade superior de doação. E não tem nada em comum com a definição de fé aceita em nosso mundo como acreditar no conhecimento de outra pessoa e aceitá-lo como um fato. Acontece que até mesmo o que pode ser invenção de outra pessoa se torna um fato, uma certeza, para mim, sobre a qual construo minhas ações futuras, minha vida.