A natureza do corpo é tal que ele sempre enxerga defeitos nos outros em vez de seus méritos. É por isso que os sábios disseram: “Tente justificar cada pessoa”. Ou seja, mesmo que, dentro da razão, eu veja que um amigo não está certo, ainda assim tento justificá-lo. E se eu enxergar os méritos do amigo, mesmo dentro da razão, isso é ainda melhor.
Afinal, não me importa se alguém está certo ou não, e, na verdade, é impossível julgar isso com certeza. O que me importa é me calibrar de acordo com o mundo espiritual. Se eu penso que todos os meus amigos são pessoas justas, bondosas e respeitáveis, e quero vê-los como grandes, como se fossem o Criador, então, através disso, eu me ajusto, corrijo minha visão, minha percepção, do mundo superior.
Portanto, se reconheço os méritos do amigo dentro da razão, isso significa que já me sintonizei com a visão correta. Se não os reconheço, devo me esforçar para ver e imaginar como se ele estivesse certo, pois através desse “como se” me aproximo da espiritualidade, da verdade.
É desejável enxergar nossos amigos como pessoas grandiosas, cada um à sua maneira. Cada pessoa possui qualidades que eu não tenho. Se eu buscar constantemente apenas as qualidades positivas neles, isso me ajudará a enxergar a “nave de Colombo”, a enxergar a espiritualidade.
Ao fazer isso, diminuo meu egoísmo e elevo as qualidades que me são externas. E, por meio disso, elevo a espiritualidade, pois ela é atualmente nula para mim, uma vez que não a sinto nem a compreendo. Se eu elevar o amigo aos meus olhos, aumentarei, assim, minha capacidade de perceber o espiritual.
Da Lição Diária de Cabalá 07/09/20, “Trabalho com a Fé Acima da Razão”
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