Sozinho Consigo Mesmo, Parte 3

933Pergunta: Como a reclusão espiritual difere da reclusão física? Que resultados podem ser alcançados por meio de uma e de outra?

Resposta: Se eu permanecer fisicamente sozinho, qualquer pensamento pode vir a mim, em qualquer direção, completamente alheio à verdade e ao verdadeiro propósito. Mas se eu estiver em um grupo, nós temos um objetivo comum.

Nós nos isolamos para um trabalho especial em que cada um se anula diante do grupo e, então, em vez de indivíduos separados, nos transformamos em um novo organismo unificado, uma nova personalidade chamada “o grupo”.

Isso nos torna semelhantes à natureza do deserto ou do céu, pois nos tornamos zeros e nos unimos para atingir o objetivo da vida, mas, essencialmente, não temos nada de nosso. Nesse estado, preparamos um desejo de nós mesmos, não de uma pessoa, mas de toda a dezena. Cada um se relaciona com os outros como se se considerasse um zero.

Pergunta: Por que é importante que seja o desejo de dez pessoas e não de uma só?

Resposta: Uma pessoa sozinha não pode ser um zero. Em relação a quem ela se consideraria assim? Se eu me isolar, permanecerei comigo mesmo. Estar isolado significa escapar de si mesmo, além dos próprios limites. Como alguém pode fazer isso sozinho?

É como se eu me abandonasse e me unisse aos outros. Esta é a minha única oportunidade de sair do meu egoísmo e perceber algo fora de mim. Quando dez pessoas juntas se esforçam assim, elas se tornam um receptáculo espiritual, um desejo compartilhado capaz de perceber a essência do deserto ou a essência do céu.

Elas saem de si mesmas, anulam seu egoísmo e se unem. O centro de sua unidade se torna uma nova entidade, uma qualidade de doação capaz de perceber a essência da vida. Este era o propósito da reclusão: encontrar o sentido da vida.

Mas se uma pessoa se isolar sozinha, não revelará o sentido da vida; no máximo, escreverá algum livro e pensará em algo material. Não haverá conquistas espirituais porque ela não saiu de si mesma.

De KabTV, “Nova Vida 925 – Solidão Interior”, 28/11/17