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O Benefício De Ler Artigos Juntos

165Pergunta: Como podemos aprender a absorver corretamente o anseio de espiritualidade dos nossos amigos?

Resposta: Tente se unir a eles para que as perguntas deles se tornem suas e seus desejos e aspirações se tornem seus. É como uma mãe que absorve os desejos do filho até que se tornem o foco central de sua vida: ela vive para ele.

Pergunta: Em princípio, esse tipo de absorção acontece até mesmo no nível corpóreo quando nos reunimos. Quando alguém compartilha algo com os outros, é como se estivesse respondendo a si mesmo. Isso funciona no nível do pensamento, em que uma pessoa processa suas ideias por meio de outra pessoa?

Resposta: Claro, com certeza. Isso acontece quando uma pessoa começa a explicar coisas para os outros ou até mesmo a escrevê-las para si mesma, sem se integrar com outra pessoa.

Pergunta: É por isso que você afirma que precisamos internalizar todos os artigos do seu professor Rabash?

Resposta: Isso é algo completamente diferente. Quando você internaliza os artigos do Rabash, você se conecta com o autor, ou seja, com um nível muito acima do seu.

Pergunta: O que acontece quando as pessoas leem e discutem esses artigos juntas?

Resposta: Ao estudar os artigos em conjunto, as pessoas também investem umas nas outras. Isso cria uma oportunidade tremenda, um amplo canal compartilhado no qual podem compreender o que o Rabash realmente disse. Afinal, suas pequenas mentes individuais se combinam e se amplificam muitas vezes.

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. Artigos do Rabash”, 17/08/10

Veja A Obra Do Criador Por Si Mesmo

232.031Comentário: Quando há tipos completamente diferentes de pessoas em um grupo, algumas podem repetir slogans, o que é inaceitável para outras.

Minha Resposta: Precisamos perdoar as pessoas. O que você pode fazer? Todos nós começamos a vida sujando fraldas. Aqui é a mesma coisa. As pessoas vêm; o que elas entendem, o que elas sabem? Todas estão se enchendo de orgulho, querendo expressar algo próprio e se colocar em uma determinada posição. Esses são impulsos naturais de uma pessoa pequena. Eu também os tinha, e cada um de nós também.

Lembro-me tão bem de como eu era completamente vazio, de toda aquela vaidade: por que, como, para quê? Afinal, eu não era mais jovem, não tinha mais de trinta anos, nem era burro, eu era um cientista. E ainda assim… Lembro-me de como o egoísmo me abalou, passei por fases de autoengrandecimento, vaidade, dominação, ciúme, enfim. Todo mundo passa por tudo isso.

Comentário: Acho ótimo estar ciente disso, não ficar aqui, mas passar por tudo.

Minha Resposta: Você está falando sobre perceber isso, ser capaz de corrigir e, supostamente, se manter acima disso. Ou seja, como é bom perceber que agora você está pressionando o egoísmo, o quanto você é bom, forte, etc…! Mas esta é uma forma ainda mais elevada de egoísmo.

Pergunta: O que está acima disso?

Resposta: Há mais acima.

Comentário: Mas ainda é melhor do que viver nele.

Minha Resposta: Sim, sem dúvida, tudo isso é muito melhor, tem mais propósito, está mais próximo do Criador, apesar de todas as armadilhas que o egoísmo nos prega. Claro, isso é melhor, porque a pessoa vê a obra do Criador em si mesma. O que o Criador criou? Que maldade, com que sofisticação em mim, que qualidades!

Comentário: O pior é quando você quer mudar alguma coisa e não consegue fazer nada.

Minha Resposta: Isso não é terrível; é maravilhoso quando você não consegue fazer nada e se sente completamente vazio, desanimado, impotente e incompreendido — simplesmente desligado.

É quando você começa a pensar que o Criador fez isso de propósito para que você se voltasse a Ele. Mas você não sente essa necessidade até chegar a esse ponto de desespero. Só então ela surgirá em você: você precisa voltar tudo somente para Ele; esta é a única opção, a única salvação.

Então você se volta a Ele. Se o seu apelo vem de um estado totalmente desiludido, desolado, sem futuro, sem nada, o Criador o ajuda porque você já tem um pedido completo, um desejo amadurecido.

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. Quando Não Há Desejo”, 12/08/10

A Enciclopédia Da Vergonha

259.02“Aquele que come o que não é seu tem medo de olhar para o seu rosto”. Isso significa que qualquer um que se alimenta do trabalho dos outros tem medo (vergonha) de olhar para sua própria forma, pois sua forma é desumana (Baal HaSulam, “O Amor de Deus e o Amor do Homem”).

Dentro de nós reside o atributo da vergonha; ela é profunda e penetrante. Temos um medo desesperado de expô-la, porque a vergonha anula o nosso eu, nos transforma em nada.

Se eu experimento a vergonha atingindo sua plenitude, anulo-me como resultado. Isso provém da raiz mais elevada: da minha oposição ao Criador, do desejo de receber que se opõe à luz.
Ao sentir o quanto a luz é oposta em qualidades e intensidade, o desejo vivencia essa diferença como vergonha.

Então, ele está pronto para se anular, para deixar de existir, simplesmente para não sentir mais esse abismo. É isso que o compele a realizar uma restrição, isto é, a se anular. Para me livrar da vergonha, estou disposto a retornar à não existência, ao nada de onde vim.

Às vezes, uma pequena partícula desse sentimento espiritual desperta dentro de nós.

Então, por que a vergonha é necessária? Ela nos ajuda a alcançar a adesão, a semelhança completa com o Criador. A vergonha surge da oposição revelada entre nós e Ele e ajuda a preencher essa lacuna.

Isto significa que se eu quiser progredir, devo intensificar constantemente o sentimento de vergonha, isto é, o abismo entre mim e o Criador, para que eu possa avançar sem errar.

Digamos que hoje eu esteja envergonhado como se tivesse roubado um dólar Dele. Amanhã serão dois dólares, depois de amanhã, três. Ao isolar e enfatizar minha oposição, eu a corrijo e avanço.

Assim, a vergonha é a sensação mais aguda que literalmente me “deixa em curto-circuito” com o Criador. Se eu realmente corrigir a vergonha por meio da doação e me elevar constantemente acima dela, alcançarei a adesão. É por isso que nosso estado final é definido precisamente como adesão.

A vergonha é uma criação separada. Dois desejos por si só — receber e doar — não bastam, porque então a realização direta bastaria: um dá, o outro recebe, sem problemas.

Mas o Criador deseja que o ser criado se assemelhe a Ele. Por isso, Ele incorporou nele esse sentimento único chamado vergonha, que constantemente nos incita e nos agita.

Quando você joga um osso para um cachorro, ele o rói alegremente, sem nenhuma vergonha. Mas um ser humano, a menos que seja reduzido a um estado bestial, é constantemente movido pela vergonha.

O que faz você morar naquela casa específica, usar aquelas roupas, ir trabalhar, constituir família, curtir um “entretenimento cultural” e assim por diante? A vergonha. Senão, o que as pessoas vão dizer?

Há uma vergonha que impede meu avanço: “O que os outros vão pensar?”

E há outro tipo, a vergonha diante do Criador.

Se eu reforçá-la, o constrangimento diante dos outros fica em segundo plano: “Deixe-os falar, deixe-os pensar o que quiserem”.

Estou pronto para sentir um constrangimento infantil diante dos outros, se isso me ajudar a sentir verdadeira vergonha diante do Criador e a mirar na direção certa.

A vergonha é o ponto do meu eu, seu indicador.

Em relacionamentos com os outros, meu ego pode ser ferido. Mas em relação ao Criador, trata-se da profunda e primordial oposição de atributos.

A vergonha é criada separadamente. Ela não existe nos níveis inanimado, vegetativo ou animado. Pertence exclusivamente à espécie humana e se diferencia dentro dela de acordo com os níveis de desejo.

A vergonha é a razão da primeira restrição, a causa de todo o desenvolvimento. No mundo do infinito, Malchut estava repleta de luz e em união com o Criador. Mas faltava-lhe apenas uma coisa: livrar-se da oposição a Ele.

Esse é o ponto da vergonha.

Você pensaria: que diferença faz? Diante de você está uma mesa repleta de iguarias reais, e o Anfitrião lhe dá todo o Seu palácio, todos os Seus tesouros: “Tudo o que Eu tenho é seu. O que mais você precisa? Não quer ser hóspede na Minha casa? Ótimo, Eu não sou mais o anfitrião.”

No entanto, o hóspede permanece insatisfeito: “Não fui eu quem preparou tudo isso, foi Você. Eu já tinha tudo pronto”.

“Então você quer se tornar como Eu — existência a partir da própria existência?”

Aqui tocamos num ponto muito sutil, tão elevado que não está claro para onde conduz, para açgum lugar além do décimo milênio, após a correção final.

Da Lição Diária de Cabalá de 31/10/11, Escritos do Baal HaSulam, “O Amor de Deus e o Amor do Homem”

A Energia Gerada Pelo Egoísmo

235Pergunta: Você diz que se uma pessoa tem força para fazer algo, isso é uma Klipa, ou seja, algo impuro?

Resposta: Se uma pessoa tem o desejo de fazer algo antes de atingir a espiritualidade, então esse desejo é egoísta.

Pergunta: Mas como alguém pode agir sem desejo? Digamos que algo precisa ser feito.

Resposta: Você não pode fazer nada sem desejo, ninguém pode. Para isso, você precisa estar em um grupo que lhe dê inspiração e peça força do alto. Você, pessoalmente, não tem desejos antiegoístas ou altruístas. Portanto, todos os seus desejos só podem ser egoístas. Ou seja, se você tem energia para fazer algo, significa que seu egoísmo está lhe dando isso.

Pergunta: Quando faço algo relacionado à minha profissão, não posso realizá-lo sem vontade, certo?

Resposta: Claro que não. Mas saiba que seu desejo é egoísta. Você quer se afirmar, ganhar reconhecimento, provar a si mesmo do que é capaz, e assim por diante.

Pergunta: Mas ainda assim, existe algum impulso interno que faz você fazer certas coisas?

Resposta: Claro. É o desejo de poder, fama, necessidade de autoafirmação: “Eu sou capaz, eu posso, vou provar isso a todos, e a mim mesmo também”.

Pergunta: Quero dizer, também é possível encontrar outras direções. Por que há tanta necessidade de transmitir conhecimento especificamente Cabalístico? Por exemplo, se eu descobri por mim mesmo que o mundo é construído dessa maneira, por que eu iria querer contar a todos sobre isso?

Resposta: Porque é importante para você e você quer que seja importante para os outros. O egoísmo humano simples é o desejo de impor algo a outro.

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. Criatividade na Cabalá”, 18/08/10