Textos arquivados em ''

Sozinho Consigo Mesmo, Parte 2

934Pergunta: O que acontece com uma pessoa quando ela se isola e fica sozinha com seus pensamentos?

Resposta: Depende da pessoa e do propósito para o qual busca a solidão. Se ela busca um objetivo espiritual específico, faz pouca diferença se ela se isola no meio de Manhattan ou em um verdadeiro deserto.

Pergunta: Se uma pessoa vai para o deserto com a intenção de limpar seus pensamentos e ouvir sua voz interior, há alguma chance de ela entender quem realmente é?

Resposta: Se um grupo de pessoas vai para o deserto, longe do resto do mundo, a fim de atingir um objetivo espiritual interior e compartilhado, tal solidão certamente faz sentido. Sem dúvida, o deserto é um lugar mais adequado para isso do que uma floresta, porque é silencioso e vazio.

O deserto deixa a pessoa sem ilusões, deixa absolutamente claro que nada de bom pode advir da vida nele, assim como nada de bom advém da vida humana comum. É por isso que no deserto nos sentimos em sintonia com a natureza.

Eu amo o deserto porque lá não há nada além de terra e céu, especialmente à noite. Ele dá à pessoa um humor, uma impressão e um sentimento especiais, especialmente quando muitas pessoas estão reunidas ali, buscando o sentido da vida. Então, o deserto e o céu começam a falar com elas, mostrando: “Isso é tudo o que existe, e você está aqui sozinho neste vácuo vazio. Então, busque a fonte oculta da vida!”

Pergunta: Você está falando de um grupo de Cabalistas que vão para o deserto com um propósito especial. Mas se uma pessoa comum se isola no deserto, existe alguma chance de ela descobrir sua essência interior?

Resposta: Sozinha, é impossível. Acredito que até mesmo a Torá, ao falar sobre Abraão, Isaque, Jacó e Moisés, se refere a grupos inteiros. Porque uma única pessoa não pode ser espiritual; ela não existe em relação à espiritualidade como um elemento separado, mas apenas em conexão com outras, idealmente não menos que dez.

Pergunta: Não é uma contradição: “solidão em grupo”? Não é solidão ou grupo, um ou outro?

Resposta: A solidão só é possível dentro de um grupo! Porque a solidão do indivíduo é apenas um ato animalesco, o isolamento físico do corpo. Mas a solidão dentro de um grupo é solidão espiritual.

Ao nos conectarmos uns com os outros, começamos a revelar o quanto nos falta o sentido da vida e a força que a sustenta.

De KabTV, “Nova Via 925 – Solidão Interna, 28/11/17

O Que É A “Escolha Certa”

528.01Pergunta: Se uma pessoa está dividida em duas, entre o egoísmo e o ponto no coração, como ela pode construir um mecanismo que lhe dê constantemente a força para estar no lado certo e não no lado da inclinação ao mal?

Resposta: Como construir um mecanismo que nos ajude a alcançar o sentimento de garantia mútua (Arvut)? É exatamente isso que estamos construindo. É o grupo.

De todas as minhas qualidades internas e de todas as condições externas que me cercam, a única coisa em que posso agir livremente é escolhendo o meu ambiente. Porque meu caráter e todas as minhas qualidades são predeterminados para mim. E a sociedade, se eu não a escolher, age sobre mim como bem entender. Estou sob seu poder e, quer eu queira ou não, absorvo tudo dela.

Acontece que sou capaz de fazer uma escolha quando me é dada essa oportunidade de cima, e me esforço para isso. Só que isso se chama livre-arbítrio.

Ou escolho um bom ambiente que me leve à garantia mútua e à correção final (Gmar Tikkun), ou sou uma marionete, completamente desprovida de livre-arbítrio, e nesse caso, não há recompensa, nem punição, ninguém a quem pedir e ninguém a quem reclamar. Tudo flui de acordo com a natureza.

Então, quem é pecador? Aquele que quer se tornar justo. Quem tem livre-arbítrio? Somente os Cabalistas. E os demais? Os demais são como animais. Como está escrito: “Ele é como os animais que perecem” (Salmos 49:13). Não há nada a exigir deles; eles não têm escolha, porque é assim que as leis são estabelecidas: ou você escolhe a garantia mútua ou não.

Lembra como eram realizadas as eleições na União Soviética?
– “Estamos escolhendo o prefeito da cidade!” – “Quantos candidatos existem?” – “Um!”

O mesmo acontece com o Criador. Se for a verdade, tem que ser um. Não dez! O que significa dez candidatos? Significa nove mentirosos e um honesto. Mas a ideia em si está correta.

Você não está escolhendo um entre dez. A ideia é diferente: existe um Ser verdadeiro, e você decide se realmente O está escolhendo. Essencialmente, por meio da sua escolha, você se examina, se realmente pretende “dar o seu voto” como confirmação de que concorda com o estado corrigido. Isso se chama escolha.

Da Lição Diária de Cabalá de 07/05/25, Escritos de Baal HaSulam “O Arvut (Garantia Mútua)”

Arvut Para Todos

528.04Comentário: No artigo “O Arvut”, é dito que cada um entre as pessoas foi questionado se concordava em aceitar a Torá e, além disso, está escrito que se mesmo uma pessoa não concordar, ninguém pode cumprir a condição de Arvut [garantia mútua].

Resposta: A questão é que mesmo na correção final (Gmar Tikkun), permanecerá uma certa camada de pessoas que simplesmente não sentirá o que lhes está sendo pedido. Elas dirão: “Tudo bem, estou pronto. Se precisar, irei com você”.

Não é que nelas surja qualquer consciência ou senso de necessidade, pois, por natureza, são incapazes disso. Esse é simplesmente o nível delas.

No entanto, elas também sentirão a perfeição e a eternidade. Apenas seu nível de participação no Arvut geral será algo como: “Tudo bem, eu assino. O que eu assino não importa”. Existem tais tipos de pessoas que estão muito próximas do nível inanimado.

Em outras palavras, a correção acontece gradualmente, tanto em quantidade quanto em qualidade. Se estamos falando agora sobre a correção dos Kelim com Aviut de Shoresh, então consideremos quem pertence a este nível. Quantos existem no mundo? Em seguida, vem Aviut Alef. Aviut Alef pode incluir, digamos, meio bilhão de pessoas. Aviut Bet, dois bilhões. E assim por diante.

Da Lição Diária de Cabalá de 07/05/225, Escritos do Baal HaSulam, “O Arvut (Garantia Mútua)”

Por Que O Livro Do Zohar Foi Ocultado?

921Pergunta: Por que o Livro do Zohar, um comentário sobre a Torá, foi escrito? A Torá que Moisés escreveu não foi suficiente?

Resposta: Não, O Livro do Zohar foi escrito após a queda do Segundo Templo, do nível em que os autores do Livro do Zohar se encontravam, para que pudessem atingir o estado supremo e mais elevado. É o que diz o Livro do Zohar.

Foi a última geração depois da qual a escuridão se instalou.

O Livro do Zohar foi criado para que, em nosso estado atual, possamos começar a nos elevar rumo à correção final com sua ajuda.

Pergunta: Literalmente, na mesma época, foi escrita a Mishna, que é estudada até hoje, e não foi ocultada. Depois de algumas centenas de anos, a escrita do Talmude foi concluída, e todos também o estudam. Mas O Livro do Zohar foi ocultado. Qual a diferença entre eles?

Resposta: O fato é que O Livro do Zohar foi escrito em uma linguagem especial. Ele descreve o sistema do mundo superior, como podemos abordá-lo e o que fazer.

Assim como a ciência da Cabalá, ela não deveria ser revelada por 2.000 anos, desde a queda do Segundo Templo até os nossos dias.

Este estado de “2000 anos” é chamado de “exílio da espiritualidade”, quando houve uma rejeição na quebra do Templo e uma descida ao nível do nosso mundo, ou seja, ao estado mais obscuro, a partir do qual devemos começar a atingir o estado mais elevado.

Para isso, precisamos de orientação, que é o Livro do Zohar. Todos os Cabalistas cresceram com ele.

Pergunta: Se alguém começasse a ler O Livro do Zohar, o Talmude ou a Mishna hoje, não entenderia uma palavra sequer. Por que O Livro do Zohar foi ocultado, mas o restante não?

Resposta: O Livro do Zohar foi escrito na linguagem da Cabalá. Por isso foi ocultado.

Além disso, foi escrito em um estado de elevação espiritual. Seus autores eram dez discípulos do Rabi Shimon, o grande Cabalista, que os reuniu, uniu e explicou como alcançar o mundo superior. Tudo o que foi revelado em suas conexões, eles registraram. Este se tornou O Livro do Zohar.

A Mishna e o Talmude falam sobre os graus superiores, mas de uma forma mais obscura e alegórica. Portanto, aqueles que os estudam pensam que estão falando sobre o nosso mundo. Antes de tudo, isso.

Em segundo lugar, as pessoas que escreveram a Mishna e o Talmude não estavam no mesmo nível de realização que os autores do Livro do Zohar. Há uma grande diferença.

Como observa Baal HaSulam, aqueles que escreveram O Livro do Zohar estavam no nível do Terceiro Templo, ou seja, no mais alto nível de realização.

Da Lição Diária de Cabalá de 23/07/2017, “A Cadeia do Conhecimento com 57 Séculos de Duração. História do Método da Cabalá”