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O Egoísmo Num Beco Sem Saída

115.06Pergunta: Você mencionou repetidamente que o período de correção já começou, antes era um período de preparação. O que significa o período de correção e por que o período anterior não foi considerado uma correção?

Resposta: É porque era necessário preparar o egoísmo para que ele percebesse plenamente sua própria inutilidade, transitoriedade, desesperança, vazio e sua incapacidade de ser realizado ou de levar uma pessoa a algo bom ou positivo.

Em última análise, o egoísmo teve que ser preparado para entender que ele existe somente para sua própria transformação, não para ser destruído por nenhum meio, mas para ser transformado em doação e amor.

Assim, até que essa qualidade egoísta se desacredite completamente em todos os aspectos necessários, é impossível começar a corrigi-la.

Em nossa época, chegamos a um ponto em que vemos claramente que chegou a hora, não há saída. Ou enfrentamos sérios problemas de autodestruição ecológica, militar e outras formas, ou ainda temos uma chance de sobreviver.

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. Oportunidade de Sobreviver”, 19/08/10

Correção Através Do Deserto

747.01Pergunta: Depois que a geração que saiu do Egito morreu e foi substituída pela próxima, Moisés disse à nova geração: “Lembrem-se do Egito”. Mas como eles podem se lembrar dele se nunca estiveram lá?

Resposta: Não existe isso de “eles nunca estiveram lá”. Afinal, não se trata de corpos físicos, mas de estados espirituais.

A Torá fala de pessoas que passaram por todos os estágios desde Abraão, e em certo sentido até mesmo de Adão, até o Egito, e saíram de lá com um grande desejo, com imenso vazio, com a “escuridão do Egito”, e agora sentem essa escuridão como um deserto.

O fato de não se importarem mais já indica uma correção: nada cresce aqui, ótimo; nada dá fruto, ótimo. Eles estão prontos para tudo, desde que consigam se elevar acima da escuridão egípcia, que evocou neles uma atitude negativa em relação a si mesmos e ao Criador. Agora, querem se elevar a um estado que se assemelhe, mesmo que ligeiramente, a Ele.

Portanto, o estado do deserto torna-se desejável para eles. Mesmo que eu não tenha nada e me encontre em um estado de completo vazio, ainda assim me sinto feliz em comparação com o estado em que me encontrava antes, onde desfrutava de todos os tipos de aquisições egoístas e me sentia à vontade sob o governo do Faraó.

Agora é o Criador quem me governa. Embora eu não veja nenhuma satisfação do meu egoísmo em Seu governo, eu o percebo como bondade. Mesmo que eu ande na areia quente sem água, cercado por cobras e escorpiões, eu me alegro neste deserto porque nele o Criador me governa. Ele vai à minha frente e me mostra o caminho, seja através de uma coluna de fogo ou de uma nuvem.

Ao rejeitar as realizações egoístas, sinto que, ao me elevar acima do meu ego, já O estou seguindo até mesmo no deserto.

Esta é a geração que deve nascer no deserto e entrar na Terra de Israel. Ou seja, passei por todos os estágios internos, desde o egoísmo babilônico que se desenvolveu nas gerações dos antepassados, passando pela geração do Egito e, mais tarde, pelo Monte Sinai e pelo deserto. Agora me aproximo do estado chamado “Terra de Israel”. Ao fazer isso, construí todos esses estados dentro do meu desejo egoísta.

De KabTV, “Segredos do Livro Eterno”, 16/03/16

Métodos De Comunicação Dos Cabalistas

959Pergunta: Quando os Cabalistas se comunicam entre si, eles falam em uma linguagem comum ou em algum tipo de linguagem incompreensível?

Resposta: Eles podem não dizer nada e se conectar por meio de uma tela compartilhada. Por que precisam deste corpo se podem se comunicar com suas almas por meio de uma tela comum?

Claro que eles também podem conversar entre si. Além disso, podem se comunicar, e cada um se limita a um certo alcance e não se abre para o outro.

Existe essa opção e, às vezes, a necessidade de não prejudicar uns aos outros ou de se revelar — todas as coisas acontecem apesar das boas intenções de todos.

Ou seja, há um enorme número de oportunidades para os Cabalistas se comunicarem: por meio de livros, canções, música. E eles, ao construírem internamente essas sensações e imagens, ao viverem no mundo material e, ao mesmo tempo, na próxima dimensão, estão nele em seus sentidos, e assim se comunicam, mas apenas de acordo com a lei da equivalência de forma. Esta é a lei geral, mais global, mais fundamental da natureza.

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. Os Cabalistas Dizem”, 21/08/10

O Deserto, Parte 2

747.01Pergunta: O que é o deserto que existe dentro de uma pessoa?

Resposta: O deserto dentro de uma pessoa é o seu desejo egoísta que não pode ser corrigido imediatamente. É preciso chegar a esse deserto e tentar habitá-lo para, finalmente, chegar a uma “terra que mana leite e mel”.

É por isso que nossos antepassados começaram com o deserto. Abraão foi para o deserto, desceu ao Egito, retornou a Berseba e assim por diante. Isaque e Jacó estiveram ligados ao deserto por toda a vida. Moisés fugiu da casa do Faraó e encontrou Jetro no deserto, e atravessou o deserto.

Naturalmente, isso se refere mais a ações espirituais do que corpóreas. No entanto, elas também ocorreram na corporeidade de acordo com a lei de que toda força espiritual deve, em algum momento, tocar seu ramo corpóreo e imprimir a mesma sequência no mundo físico.

Portanto, precisamos compreender o que é o deserto e como ele pode ser transformado em uma terra florida e frutífera, como está escrito na Torá. Isso não depende de mudança física, como em nosso mundo. Na espiritualidade, uma mudança de lugar significa uma mudança nas qualidades internas de alguém.

“Lugar”, no sentido espiritual, é o desejo interior de uma pessoa. Se meu desejo interior é como um deserto, então eu habito nele. E se meu desejo é como uma praia ou um jardim, então eu vivo em um jardim. Tudo depende de como a pessoa corrige suas qualidades interiores. Com base nisso, deve-se entender o que está descrito na Torá.

A Torá descreve o processo que ocorre dentro de uma pessoa que transita do estado interno de um deserto cheio de escorpiões e cobras para uma terra próspera. Após quarenta anos de correção enquanto vagamos pelo deserto, chegamos à terra que mana leite e mel.

Pergunta: Então isso significa que o deserto é mau?

Resposta: O deserto não é mau; é o estado inicial a partir do qual iniciamos nosso desenvolvimento tanto interna quanto externamente.

De KabTV, “Nova Vida – 924”, 28/11/17