Textos com a Tag 'MUNDO ESPIRITUAL'

Uma Clara Definição da Meta


O Criador criou o desejo de gozar e o preencheu com Luz. O Criador e a criação estavam unidos como um, um desejo, uma Luz, e um estado de unidade. Na Cabalá, isso é chamado o primeiro estado – o estado 1. Nele, todos os desejos, almas, e mundos estão preenchidos com a Luz Infinita como uma única e simples entidade. Esse estado é mantido junto somente pela força da Luz, o poder do Criador.

Após acontecer a primeira restrição (Tzimtzum Alef), a Luz retirou-se. Gradualmente, os mundos enfraqueceram a Luz ao criar o ocultamento até que a criação começou a sentir-se quebrada em pequenas partes que foram separadas, afastadas, divididas por uma explosão. Cada alma se tornou um pequeno, separado fragmento do primeiro estado que existiu antes da explosão. Isso é chamado de estado 2.

A diferença entre o primeiro e o segundo estado é devido ao desaparecimento da Luz. Uma correção acontecerá quando aqueles que estão no mais baixo nível irão pedir por ela elevando MAN. A Luz retornará ao seu pedido porque os fragmentos desejarão reunir-se.

Não há nada mais exceto esse simples princípio. Esse é o sentido da nossa vida e a meta pela qual existimos. Nós simplesmente precisamos sentir a nós mesmos separados, como fragmentos estilhaçados que foram cortados da unidade da montanha e têm que se reunir. Somente a “Luz que Reforma” é capaz de nos colar juntos novamente e um único todo. Ela irá nos fazer voltar ao benevolente estado inicial onde nós estávamos todos unidos e trabalhávamos juntos como engrenagens bem afinadas. Nossa meta é retornar a esse estado.

Assim, nossa meta consiste de duas partes:

1. Alcançar o desejo de nos conectar uns aos outros.
2. Entender que somos incapazes de fazer isso por nós mesmos e elevar MAN – pedindo ajuda ao Criador.

Nossa conexão precisa ser revelada para o bem da semelhança com o Criador, para satisfazê-Lo como Ele deseja nos satisfazer. Ao fazer isso, nós alcançamos a semelhança com Ele e alcançamos Seu status.

Página Diária 24.12.09

Páginas Diárias é uma coleção de extratos das aulas diárias do Rav Michael Laitman e Bnei Baruch traduzidas para o Português. 

O Foco no Mundo Espiritual

Enquanto estudamos O Zohar, nós não estamos tentando explicar todos os fenômenos que estudamos; pelo contrário, queremos sentí-los. Como é possível explicar algo que a pessoa não sente ou vê? É por isso que nós só estamos falando sobre o esforço que a pessoa faz quando quer alcançar algo que ela não sabe, vê ou entende, mas faria qualquer coisa para se aproximar disso.

Eu estou ensinando vocês a focarem o mundo espiritual. Quando vocês adquirirem a visão espiritual, vocês sentirão, e depois vocês também entenderão. Este é o significado do versículo, “Um juiz tem somente o que seus olhos vêem”. Qual é a razão para tentar memorizar os nomes se vocês não sabem a que eles se referem? Agora nós estamos aprendendo a realizá-los, porque a realização é quando vocês sentem alguma coisa com clareza absoluta em todos os seus sentidos e coração. Vocês existem nela, estão completamente imersos no mundo espiritual, e realmente tornam-se um com ele.

Nós estamos falando sobre como adentrar a sensação de um mundo novo, como um bebê que está começando a perceber o mundo de forma simples e natural. No início, nós não explicamos nada para o bebê. Primeiro, ele deve ser preenchido com várias impressões sobre o nosso mundo e, em seguida, ser capaz de diferenciar entre qualidades diferentes (frio versus calor, luz versus trevas, duro contra mole); ele começa a moldar uma mente que entende ao que deve aspirar e do que deve se afastar. Ele começa a discernir o que é agradável e desagradável, o que é bom para ele e o que é ruim, o que é verdadeiro e o que é falso, o que gosta e o que não.

No entanto, no que diz respeito à espiritualidade, tudo isto surge somente depois de termos revelado um fragmento do Mundo Superior em nossas sensações. Neste momento, nós desejamos alcançar essa revelação, e por isso não queremos explicar o que está dentro dela; nós só queremos facilitar essas novas sensações em nós.

Nós temos que “desfocar” a nossa visão de mundo e deixar de vê-lo, para começar a ver através de um novo foco, concentrando nossa atenção em outra coisa. É como as imagens tridimensionais, que primeiro surgem como um conjunto caótico de formas desordenadas. Mas, se você mudar o foco de sua visão e parar de se concentrar na superfície da imagem, se você tentar olhar dentro, sem focar a imagem em si, mas, propositalmente, penetrar no interior – então você começa a percebê-la. Nós devemos fazer o mesmo esforço – porém através dos sentimentos, em vez da visão – quando lemos O Livro do Zohar; então, através das sensações deste mundo, sentiremos o Mundo Superior.

Nós devemos tomar a forma como vemos o mundo e, intencionalmente, “quebrar esse foco”. Não ver este mundo, mas sim concentrar-se num ponto completamente diferente, focar a nossa atenção sobre ele e começar a ver através dele. É como as imagens tridimensionais: quando você olha para elas, primeiro você não consegue ver nada. Mas quando não olha para a superfície da imagem, e vai além, como se quisesse olhar para dentro dela, então o foco não se concentra exatamente na imagem em si, mas é como se ele penetrasse dentro; em seguida, você começa a ver. Durante o estudo do Zohar nós falamos apenas sobre este esforço. 

O Ponto de Entrada para a Realidade Espiritual

O Baal HaSulam escreve que “Não há nada mais elevado do que a verdade e nada mais baixo do que a falsidade”. Mas como podemos saber o que é a verdade e onde encontrá-la? As coisas só parecem verdadeiras em nossa imaginação e fantasia, mas nós sabemos que tudo aquilo que parece verdade hoje se tornará mentira amanhã. Isso acontece porque os nossos desjos mudam, e quando isso acontece, todos os fatos que percebemos, também mudam. Como a matéria muda, a forma que estava presente na matéria ontem já não é visível para nós hoje.

Acontece que hoje nós operamos de acordo com a forma revestida de matéria, e consideramos isso como verdade. Mas amanhã, nós iremos descartá-la e diremos que foi uma mentira, dependendo do que veremos amanhã. Nós sempre temos que agir com base no desejo, e na forma com a qual ele está revestido durante o momento que estamos nessa forma. Nós não nos importamos que costumávamos pensar de maneira diferente que há cem anos atrás, e que pensaremos de maneira diferente daqui a duzentos anos. Tudo será novo, teremos uma nova vida, um novo céu e uma nova terra. No entanto, hoje temos que tomar todas as decisões baseadas nos fatos atuais.

Disso resulta que não temos o direito de julgar os outros – aqueles que estão acima ou abaixo de nós. Como podemos julgar alguém num nível abaixo de nós se ele ainda não foi corrigido? Afinal, ele tem razão em relação à sua posição.

Todos os erros, problemas e punições são dados a nós, a fim de nos “entulhar” numa forma revestida de matéria, para que não nos separemos da matéria e nos envolvemos no raciocínio abstrato. É extremamente importante manter isso em mente ao estudar O Zohar. Afinal de contas, O Zohar destina-se a nos levar ao mundo espiritual, e nesta área nós somos muito tentados a ceder às fantasias e misticismo. O nosso corpo realmente deseja isto, pois dessa maneira ele sentirá menos sofrimento.

Nós devemos nos esforçar para manter os pés no chão dentro do âmbito da matéria. Ao fazer isso, nós estaremos realizando uma correção. Nós devemos inserir a forma de doação em nossa forma egoísta de recepção, mas elas não se encaixam uma dentro da outra, elas são totalmente opostas e, portanto, a nossa tarefa é extremamente difícil!

É por isso que O Zohar se esforça esforço para ser vigilante em relação ao que está acontecendo conosco, e que formas estão revestidas em nós. Afinal de contas, através da separação da matéria, nós podemos imaginar que já estamos no mundo da doação e do Infinito. 

Será o Meu Próximo Nível a “Forma Extraída da Matéria”?

O meu próximo nível é descrito como aquele oposto a mim. Como eu o descrevo e o sinto, é uma forma extraída da minha matéria. Eu não posso revestí-lo, eu não quero revestí-lo, mas o trato como algo desejável. Na materialidade eu posso imaginar que já estou corrigido, que sou como isso ou aquilo, mas quando estou na espiritualidade, eu não consigo me imaginar no meu nível superior, porque sou repelido por ele. O Elyon (Superior) está oposto a mim, Ele me mostra como devo doar. Mas eu não quero doar, é uma forma que eu não desejo receber.

Portanto, na espiritualidade não há perigo de que eu caia nas mãos da minha imaginação, porque quando eu alcanço o nível superior, eu já estarei em sua forma. O Elyon me apresenta o nível superior em oposição ao meu estado, à minha matéria, e ele me parece como a escuridão. A partir deste momento, eu só devo me esforçar dentro do grupo, conectando desejos adicionais. Quando eu conectar vários desejos adicionais, o Elyon já não parecerá oposto a mim; então, eu já solicitarei correções adicionais à Luz que Reforma. Eu não posso subir ao próximo nível a menos que eu adicione desejos desconhecidos para mim, que serão como meus, e neles eu revelarei o próximo nível, a adição.

Aprendendo A Se Focar No Mundo Espiritual


Enquanto estudamos O Zohar, não estamos tentando explicar cada fenômeno que estudamos; ao invés disso, nós queremos senti-los. Como é possível explicar algo que a pessoa não pode ver nem sentir? Por isso estamos falando somente sobre o esforço que a pessoa faz quando quer alcançar algo que não conhece, vê ou capta, mas faria qualquer coisa para se aproximar.

Estou ensinando a você como se focar no mundo espiritual. Quando você adquirir a visão espiritual, você sentirá, e mais tarde você também vai entender. Esse é o sentido do verso, “Um juiz não possui nada mais do que seus olhos podem ver”. Qual é o propósito de tentar memorizar nomes se você não sabe a que eles se referem? Agora você está aprendendo como os alcançar, porque alcance é quando você sente algo com completa claridade em todos os seus sentidos e coração. Você existe nele e está completamente submerso no mundo espiritual. Você na verdade se torna um com ele.

Estamos falando sobre como entrar na sensação de um novo mundo, como o bebê que começa a perceber esse mundo simples e naturalmente. Não explicamos nada ao bebê desde o começo. Ele deve primeiro ser preenchido com várias impressões sobre nosso mundo, e então, ao se tornar capaz de diferenciar entre diferentes qualidades (frio vs quente, luz vs escuridão, duro vs suave), ele começa a formar uma mente que entende a que ele deve aspirar e do que ele deve se afastar. Ele começa a discernir o que é agradável e desagradável, o que é bom para ele e o que é mau, o que verdadeiro e o que é falso, o que ele gosta e o que ele não gosta.

No entanto, com respeito à espiritualidade, tudo isso só vem depois que revelamos um fragmento do Mundo Superior em nossas sensações. Agora mesmo desejamos alcançar essa revelação, e assim eu não quero explicar o que está dentro dela; eu só quero tornar mais fáceis essas novas sensações em você.

Nós temos que “desfocar” nossa visão desse mundo e parar de vê-lo para começar a vê-lo de uma maneira diferente, através de um novo foco, concentrando nossa atenção em algo mais. É como esses filmes 3-D que a princípio parecem um grupo de formas desordenadas. Mas se você desfoca sua visão e para de se concentrar na superfície da imagem, se você tenta olhar dentro, não focando no filme mesmo, mas deliberadamente penetrando dentro dele – então você começa a ver. Nós temos que fazer o mesmo esforço – mas de preferência através dos sentimentos do que através da visão – quando lemos O Livro do Zohar, e através da sensação desse mundo, nós sentiremos o Mundo Superior.

Deixe-me Ir, Pois O Dia Está Raiando


O Zohar. Capítulo: “Deixe-me ir, pois o dia está raiando”.

Quando o Criador salva os filhos de Israel e os liberta do exílio, uma estreita, pequena porta de Luz se abre para eles. E, então, outra porta se abre para eles, um pouco maior que a primeira. Isso continua até que o Criador de um golpe abre a porta superior, que se defronta com todos os quatro cantos da terra.

Então, a libertação não vem para eles de uma só vez, mas como o amanhecer que floresce gradualmente, até que o dia se inicia.
Essa libertação está garantida para nós – a aquisição da qualidade de amor e doação que existe no Criador, conduzindo-nos à adesão com Ele.

E isso é o que o Criador faz aos filhos de Israel… Israel se refere a qualquer um que deseja ser atraído para perto do Criador, porque “Isra-el” significa “aspirar ao Criador”, não importando sua descendência corporal. Depois, o Zohar fala para todos os “Babilônios” – todos nós… e os justos entre eles. Isso se refere àqueles que desejam revelar o Nível Superior para justificar o Criador ao invés de acusá-lo.

Ele os liberta gradualmente, não de uma só vez. É como um homem que viveu na escuridão toda sua vida; se você deseja lhe dar Luz, você precisa primeiro revelar um raio muito pequeno, como o buraco de uma agulha, e então um pouco mais, e assim em diante, gradualmente aumentando-o até que ele é iluminado com toda a Luz.

Isso fala sobre a Luz do amor e doação aos outros, que só pode ser revelada quando nós coletivamente concordamos em desejá-la, demandar, e pedir. Por isso a revelação para nós é gradual, no nível em que entendamos nossa natureza e quão opostos ela é à natureza do Criador.

É assim que revelamos nossa alma – do menor raio de Luz até a revelação do completo Partzuf espiritual, toda HaVaYaH e as três linhas, chamadas as “12 tribos de Israel” – as 12 qualidades da alma.

Um Microscópio Espiritual


O mundo espiritual é um mundo de forças que agem de acordo com leis que compreendemos parcialmente, enquanto alguns aspectos permanecem desconhecidos – tal como as principais ciências que exploram a natureza deste mundo. Nós compreendemos algumas partes do mundo espiritual, enquanto outras permanecem ocultas.

Nós devemos exercer uma abordagem estritamente científica e sóbria à investigação espiritual, tal como fazemos ao estudar a natureza física. O que está ocultado hoje será revelado amanhã. A ciência Cabalística nos dá as ferramentas para a investigação (Kelim), que se assemelham a um microscópio dentro de nós, usado para ver as forças espirituais, as forças de doação.

Porém, nós devemos ter o poder de doação, de forma a medir estas forças, percebê-las e discerní-las. Um ser humano interpreta todo o conhecimento e experiências que recebe através de si mesmo.

Depois de eu desenvolver os meus poderes de doação, eu os sintonizo tal como eu sintonizaria um microscópio sensível, e utilizo-os para penetrar as profundezas da matéria (desejo), onde observo vários fenómenos (doação e recepção) de acordo com a sensibilidade do meu recipiente de percepção (Kli ou vaso).

Em qualquer ciência nós sempre servimos de instrumento, visto que somos os que recebem por fim o conhecimento, e até certo ponto fazemos isso subjectivamente. Quando nós estudamos a ciência Cabalística, nos fazemos isso tão conscientemente, e nós mesmos nos tornamos um instrumento de investigação.

Porém, a investigação em si deve ser puramente científica. A nossa investigação torna-se objectiva, pois é da nossa natureza avançarmos para a objectividade.
Em muitas ocasiões, os Cabalistas disseram: “Eu O conhecerei por Suas acções”, “Conheça teu Criador e sirva-o”, “Pois todos, do menor ao maior, conhecer-me-ão”.

Existem apenas duas forças (propriedades) em todo o universo: a Luz (propriedade de doação) e o desejo de ser agradado (propriedade de recepção) que ela criou. O restante se origina destas propriedades.

O mesmo se aplica na matemática: nós temos o zero, e outro valor diferente do zero. O restante se origina destes valores e é simplesmente uma questão de cálculo. Na física é a mesma coisa: existem duas forças que são diferentes uma da outra.

Isto também se aplica à Luz Superior. O momento em que um ponto que é um pouco mais escuro que a Luz que surge, nós temos duas propriedades diferentes. É quando começa o progresso e surge a ciência Cabalística.

Tal como qualquer outra ciência, a Cabalá estuda as discrepâncias entre duas forças (fenômenos). Isto se torna possível ao aumentar as diferenças entre elas com a ajuda de um microscópio (análise), ou ao encontrar pontos de conexão (síntese).

A ciência é baseada em encontrar as interacções entre duas forças – o Criador (doação) e a criação (recepção) em todos os níveis da sua manifestação dentro do desejo (matéria). É impossível identificar e estudar uma força sem a outra. Com a ajuda da análise e da síntese, nós estudamos a sua interacção, e então chegamos a certas conclusões. “Não há Criador sem a criação e não há criação sem o Criador”.

Contemplar apenas uma força é errado e não levará à conclusões científicas, mas sim trará deliberações sobre uma forma abstracta. Quando eu digo, “a propriedade de doação”, o que eu quero dizer? O que é ela? A quem ela dá? Quem influencia ela? Onde aparecem sinais dela? Como eu sei que é doação? A resposta é: ao compreender o oposto.

Você pode falar da diferença apenas ao comparar opostos – ao estudar alguém que está a receber. Não podemos simplesmente dizer que algo é positivo, pois em relação a que ele é positivo? Onde está o negativo?

Em outras palavras, você não pode discernir algo por si só – você pode apenas fazê-lo em relação a outra coisa. A base de qualquer ciência reside nas comparações. Não há nada no universo excepto duas forças.

Esta abordagem é estritamente observada na ciência Cabalísitca. Se você se distancia da matéria e da forma que define a matéria, isso se torna um misticismo.

Uma Ponte Estreita para o Mundo Espiritual


O Livro do Zohar foi escrito por um grupo de grandes Cabalistas cuja envergadura jamais existira em toda a história. Eles criaram uma ponte de linguagem, informação, forças, sensações e Luz, conectando nossas sensações e a compreensão do mundo revelado, com a sensação e a compreensão do mundo oculto.

Quando nós estudamos O Livro do Zohar, escrito por eles, e tentamos entrar no estado que eles desejam nos transmitir, nós somos como um bebê que avidamente abre os olhos e a boca, a fim de absorver o que sua mãe está lhe dizendo. Ele não entende nada, mas simplesmente olha para ela e manifesta sua alegria através do movimento.

Nós devemos fazer esforços semelhantes para entendermos nossos professores. Para fazer isso, nós devemos nos conectar da mesma forma que os dez autores do O Livro do Zohar estão conectados. Mesmo que o leiamos sem qualquer explicação, começaremos gradualmente a sentir as novas reações e movimentos internos. Dentro de nós, num nível subconsciente e inconsciente, surgirá um novo reino ou mundo e se tornará mais habitual.

Nós chamamos as nossas lições de “Um Estudo do O Livro do Zohar“; porém, na realidade, este livro não é estudado, mas revelado, e a revelação acontece através de nossa aspiração e disposição de sentir o mundo oculto. A disposição deve ser expressa através da união entre nós, semelhante à união entre os autores deste livro. É a união de todos os pontos no coração – as aspirações em relação à equivalência com o Criador. É assim que os Cabalistas descrevem a condição necessária para a utilização correta do O Livro do Zohar.

No processo de leitura deste livro, eu forneço pequenos esclarecimentos, a fim de ajudá-los a “agarrar” o texto, semelhante às explicações de um adulto a uma criança durante um jogo.
Sempre que os Cabalistas escrevem sobre o O Livro do Zohar, eles não se referem a ele como O Livro do Zohar, mas simplesmente como O Livro. Isso expressa o seu desejo de mostrar que não há nenhum outro livro igual no mundo!

Um Livro que Abre os Nossos Olhos


A ciência Cabalística revela um gigantesco mundo novo para nós, o mundo espiritual, que inclui o nosso mundo atual como um minúsculo grão de areia em todo o universo. Mas como nós podemos sentir o mundo espiritual? Da mesma forma como no nosso mundo um bebê nasce sem ter qualquer conhecimento, com sensações que ainda não estão desenvolvidas. Mas aos poucos ele acumula impressões deste mundo, ouve e reconhece sons, vê imagens, percebe as cores, e sente a diferença entre frio e quente. Ele deve aprender tudo isso a partir das impressões que recebe.

Primeiro, ele simplesmente desenvolve seus sentidos e aprende a discernir, por exemplo, a presença ou a ausência de som. Mais tarde, ele começa a discernir diferentes sensações em cada sentido. O que torna uma pessoa desenvolvida diferente das demais é que seus sentidos são capazes de perceber as coisas mais refinadas. Para um músico, os sons despertam um mundo de sensações. Um artista vive no mundo das cores. Um escritor sente a tonalidade de cada palavra.

Mas tudo isso chega à pessoa de forma gradual. Nós existimos numa realidade que se revela gradualmente para nós. Ela nos influencia, nos faz progredir, e cria em nós a capacidade de percebê-la. É assim que a realidade material (este mundo) está organizada; e nós desenvolvemos e revelamos o mundo espiritual através das mesmas etapas, pelas mesmas leis.

Existe um livro especial que desenvolve de forma consistente a nossa sensação do mundo espiritual, para além deste mundo. Em princípio, nós estamos vivendo num mundo único e comum, mas em relação a nós ele se divide numa parte que podemos perceber e uma parte que esta oculta de nós. A fim de revelarmos a parte oculta do mundo, nós devemos começar a senti-la de forma direta, como os bebês. É isso que este livro singular, O Livro de Zohar, faz por nós.

O Mundo Espiritual é Sentido Através dos Desejos dos Outros


Quando você atrai os desejos dos outros para mais perto de você, você preenche a condição necessária para sentir o mundo espiritual: “Amarás ao próximo como a ti mesmo”. Ao transformar os desejos dos outros em seus próprios desejos, você sentirá o Mundo Superior através deles. Então, o que você deve fazer para atrair os desejos deles para mais perto de você? Você deve tentar vislumbrar a correlação entre você e os outros, da seguinte forma.

O que para você parece ser outra pessoa, o “próximo”, na verdade é o seu próprio desejo. Ele está fora de você para lhe dar a oportunidade de aceitá-lo como se fosse corrigido. Existem desejos egoístas dentro de você que você não pode corrigir, você só pode “congelá-los”, elevar-se acima deles. Além disso, há também um desejo de desfrutar “estranho”, que está fora de você, mas ele só parece estranho, porque está corrigido em relação a você e tem a forma de doação!

Existe um grande Kli (ou o desejo comum) que é inteiramente destinado à doação. Depois existe você, o receptor, apenas com sua própria caixinha preta. Você quer ver a verdadeira realidade? Vá em frente – ela está dentro desse Kli comum! Está aqui! Tudo que você precisa fazer é entrar nele, fazer parte dele e senti-lo! Ele está acima e além de todas as fronteiras e limites; é totalmente bom e faz somente o bem. Ela não tem vida nem morte, mas apenas a satisfação Infinita.

Os desejos das outras pessoas já estão corrigidos. Eles estão todos dentro de Malchut do Mundo Infinito, que inclui tudo. No entanto, você deve adquiri-los, e você só pode fazer isso gradualmente, pouco a pouco. Você entra lá um pouco de cada vez, até que engloba tudo. Neste caminho você atravessa cinco mundos e 125 níveis, adquirindo gradualmente todo esse enorme desejo.

No entanto, você adquire aquilo que está pronto e corrigido! Você só deve saber como recebê-lo, corrigindo a sua atitude em relação a ele, conectando-o ao caminho certo. Este é o significado de Malchut de Ein Sof (Mundo Infinito).

Os Cabalistas escrevem que o “próximo” é o seu Kli espiritual que já está corrigido, e está fora de você, em outras pessoas. Você só tem que torná-lo parte de você, conectar-se a ele e abordá-lo corretamente. Você deve fazer uma restrição (Tzimtzum Alef) no seu egoísmo, a fim de se certificar que você não exige mais do que seu corpo animal precisa. Então, tudo o resto será o seu Kli, e você pode pegá-lo!

Este desejo que está fora de você é a sua alma, ao passo que o “você” atual é uma ilusão que desaparecerá.