Textos na Categoria 'Percepção'

A Grande Ilusão Na Escala De Todo O Universo

409Cada alma está conectada ao mundo do infinito por uma corrente, uma escada de graus espirituais, com um enfraquecimento gradual das luzes e dos Kelim (vasos). No momento em que estabeleço uma conexão com o infinito, desperto esse sistema. Na verdade, ele existe dentro de mim, e apenas parece ser externo a mim.

Existem dois no universo: o homem e o Criador, e é necessário, de alguma forma, dar ao homem a sensação de que ele existe fora do Criador para que eu possa compreender o que é a separação Dele, a oposição, a distância, a aproximação e a adesão ao Criador. Portanto, fui deliberadamente criado de tal forma que percebo a realidade como dividida entre o que está dentro de mim e o que está fora.

Então fica mais fácil para eu entender o que “eu” e o Criador somos, o que são quebra e conexão, um estado inconsciente e ocultação, ou, inversamente, o que significa se aproximar Dele e aderir a um todo.

O Criador lança para fora tudo o que sinto dentro de mim, e minha percepção se divide em duas: a interna, que é tudo o que recebo, e a externa, o que dou, mas sem a intenção correta. Assim, o mundo externo são meus Kelim, apresentados a mim deliberadamente como estranhos e estrangeiros para que eu possa compreender o que é a doação. Se eu começar a me relacionar com eles como parte de mim, entenderei o quanto doação está distante de mim e quanto ela é oposta e indesejável!

Tente amar o seu próximo como a si mesmo; não é nada simples. Eu não consigo. E isso significa que não consigo doar, não consigo me aproximar do Criador. Não, espere, eu quero o Criador! Mas como você O quer? Você precisa demonstrá-lo, e este é precisamente o único caminho correto.

Da Lição Diária de Cabalá 04/01/10, Baal HaSulam, “Prefácio ao Livro do Zohar

Torne O Segredo Óbvio

527.09Pergunta: Nas lições do Zohar, você explica coisas muito sutis, ocultas, que poderíamos até dizer secretas.

Resposta: Elas são secretas e ocultas aos nossos sentidos porque somos muito grosseiros e incapazes de discerni-las. Só isso!

Isso não significa que sejam um mistério. Parecem-me um segredo porque estão ocultas para mim, imperceptíveis para mim.

Preciso aguçar minha percepção, torná-la mais precisa e capaz de diferenciar nuances mais sutis de propriedades. Então, de repente, começarei a perceber uma representação completamente diferente e verdadeira da realidade, em uma resolução maior.

Para que isso aconteça, devemos introduzir a propriedade da doação em nossa percepção. Ao senti-la, sentiremos o mundo superior.

Da Lição Diária de Cabalá 07/09/10, O Livro do Zohar, “VaYechi

Plataforma De Harry Potter

918.02Comentário: Você diz que a humanidade está sendo impulsionada rumo à consciência por meio de golpes.

Minha Resposta: Naturalmente. Vemos que os golpes estão impulsionando a humanidade em direção a uma visão mais realista do mundo.

Comentário: Existe uma vasta quantidade de informação neste mundo.

Minha Resposta: Não há uma grande quantidade de informação aqui. É tudo um disparate, tudo no nível terreno, no nível de um homenzinho que consegue recolher migalhas do que imaginou com seus cinco sentidos materiais e uma cabeça pequena, e ao mesmo tempo pensa que está se afogando nessas migalhas.

Não há necessidade de se afogar nisso. Por quê? Você deve imaginar este mundo como algo que é retratado pelo seu ego, elevar-se acima disso, e então o verá como um pequeno grão, porque não há nenhuma informação vasta aqui. Essas são todas as suas pequenas impressões egoístas do que lhe é apresentado.

Você é como uma criança que imagina este mundo como se houvesse muita coisa nele! Mas, na verdade, não há nada. Trata-se de matéria puramente egoísta, buscando manter um estado egoísta ideal ao longo de sua existência para depois morrer.

O que há neste mundo? O que você pode me oferecer entre a vida e a morte, se tudo chegar ao fim?
Nada. Isso significa que não me interessa mais. Se tudo acabar, não me interessa mais. É assim que vejo a vida. É por isso que rejeito imediatamente todas as suas filosofias e políticas. O que são os Estados Unidos ou a Rússia, que diferença fazem para mim? Como disse o Profeta: “Acalmem-se, acalmem-se, nações”.

Comentário: Mas você está falando a partir de uma posição de conhecimento.

Minha Resposta: Não, porque eu sei! Houve uma época em que eu também não sabia de nada. Mas eu estava observando o fato de que tudo tem um começo e um fim. Então, que diferença faz para mim o que acontece no meio do caminho?

Se o trem estiver indo para um ferro-velho, o que acontece depois? Sentamos nele, abrimos um saco de sanduíches, frango, cerveja e jogamos cartas. E depois? De qualquer forma, vamos para um beco sem saída. Portanto, não vou entrar nesse trem. E se houver teatros, filmes e todo tipo de jogo dentro do trem, também não me interessa, porque ele vai para um beco sem saída. Não me interesso por história da humanidade, sociedade, política ou qualquer outra coisa, porque tudo isso está dentro deste trem.

Tenho essa visão desde criança. Não conseguia enxergar de outra forma. Precisava encontrar outro caminho, pegar outro trem, como a plataforma “nove e três quartos” de Harry Potter. Preciso encontrar a plataforma de onde o trem parte na direção oposta.

Comentário: Mas você não presumiu inicialmente que poderia simplesmente sentir isso.

Resposta: Claro, eu não sabia onde era, mas também não queria embarcar naquele trem. Isso era o mais importante para mim. Então, corri para todos os lados, tentei procurar, mas não encontrei nada. Não foi fácil. Mas quando encontrei a Cabalá, imediatamente abandonei meus negócios com prazer e mergulhei de cabeça nela.

Eu não defendo esse tipo de estilo de vida. Ele é dado a uma pessoa como felicidade ou como infortúnio. Não sei como dizer isso, mas é um desejo especial por um objetivo. Estou apenas dizendo que muitas pessoas estão nesse estado hoje em dia. Portanto, faço um apelo a elas, àquelas que estão procurando um caminho diferente e não aquele que leva a um beco sem saída. Isso é o mais importante.

A Torá afirma que é uma cura para a morte. Isso me intrigou porque é a coisa mais importante. O resto é bobagem; o resto não importa. Digo isso como um homem velho. Que importância tem o que você faz na sua vida? Você tem apenas 30 anos, enquanto eu não tenho muito tempo. Digo-lhe, não há nada mais em que basear a sua vida.

E quando a geração mais jovem finalmente começa a entender isso cedo na vida, é simplesmente uma bênção que recebam tal revelação divina, sem serem contaminados por diversas convenções.

Eles precisam encontrar um ambiente para si mesmos, cujo propósito seja claro e preciso — alcançar a eternidade.

De KabTV, Eu Recebi uma Chamada. A Plataforma de Harry Potter”, 04/10/20

A Principal Lei Do Mundo

294.2Pergunta: Constantemente matamos os outros com palavras. E os mais espertos matam aos poucos, não de imediato. Para não se tornarem inimigos, matam gradualmente, espalhando boatos que se alastram entre os outros. É da nossa natureza menosprezar o outro.

Por que não me incomoda humilhar lentamente outra pessoa, tirá-la do meu caminho e matá-la?

Resposta: Acredito que a outra pessoa não me deixa viver, que ela é minha inimiga, que me vê como um obstáculo e, por isso, precisa me destruir.

Pergunta: Por que nos foi dada uma natureza que nos permite viver dessa maneira?

Resposta: Tudo isso pela mesma razão, para que corrijamos nosso egoísmo, para que possamos nos convencer de que “amar o próximo como a si mesmo” é a principal lei do mundo.

Comentário: Nesse caso, em algum momento, eu deveria me sentir mal por ser assim.

Minha Resposta: Sim, claro.

Pergunta: Vejo todas essas guerras agora, todas essas mortes, direta e indiretamente, e assim por diante. E em que momento me dou conta: “O que estou fazendo? Está tudo dentro de mim. Como posso me libertar disso?”

Resposta: No momento da revelação.

Pergunta: E quando isso acontece? Pode ser acelerado, ou algo pode ser feito? Eu entendo que este é realmente o momento mais importante da minha vida. Que tudo está em mim, que tudo é por minha causa, que eu sou o assassino. Isso acontece com uma pessoa de verdade?

Resposta: Quando ela se convence de que está cheia de maldade, sua verdadeira natureza é revelada nela, e ela não consegue mais tolerá-la e se volta ao Criador.

Pergunta: Isso acontece inesperadamente para a pessoa? Ou é como se ela já quisesse isso?

Resposta: Não, essa revelação geralmente vem acompanhada de um empurrão considerável.

Pergunta: Então existe algo antes disso; existe algum tipo de impulso, afinal?

Resposta: Sim.

Pergunta: Quando isso é revelado a uma pessoa, a oração ao Criador torna-se natural porque ela compreende que tudo depende somente Dele?

Resposta: Sim, então a pessoa se volta ao Criador, julga a si mesma e, ao se corrigir, corrige o mundo ao seu redor.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 03/12/25

Desenhar A Imagem Do Criador Dentro De Si Mesmo

237Pergunta: Se não sentirmos o Criador, como podemos receber Suas qualidades e nos tornarmos semelhantes a Ele?

Resposta: Uma pessoa não sente nada fora de si mesma, fora do seu corpo, seja o Criador, um amigo ou o grupo. Portanto, devemos primeiro trabalhar na nossa entrega ao outro, amar o outro como a nós mesmos. E se eu conseguir alcançar a entrega ao outro, também serei capaz de entregar ao Criador.

Se eu concordar em trabalhar apenas para o Criador, mas não para os outros, isso é um sinal de que também não estou pronto para trabalhar para o Criador. Afinal, ainda não estou fazendo um cálculo independente, “fora do meu próprio interesse”. Permaneço dentro de mim mesmo e recebo os resultados do trabalho, a recompensa.

Ou seja, todo o trabalho se dá apenas em relação ao grupo, dentro do qual criamos o espaço para a revelação do Criador.

Não recebemos luz alguma; somos preenchidos pela nossa própria doação! Eu “gero” essa qualidade internamente com a ajuda da força que vem até mim e me dá a capacidade de dar, e nisso sinto a força do Criador me revestindo. Isso me dá plenitude.

Eu jamais revelarei nada “fora de mim”, embora se diga que “saímos de nós mesmos” e nos conectamos com os outros. Tudo isso é fruto da minha imaginação, da minha percepção, como se eu estivesse saindo de mim.

Diz-se que Malchut, do mundo de Atzilut, é chamado de “a imagem do Criador”.

E também se diz que devo trazer alegria ao Criador por meio de todos os estados que recebo Dele. Mas o que significa receber estados Dele? Afinal, eles dependem do desejo despertado em mim: dependem, em maior ou menor grau, de eu superar e corrigir meu desejo egoísta. Como isso se relaciona com o Criador, que não muda?

E o que eu poderia oferecer a Ele? Não há ninguém a quem dar, ninguém que receba o meu trabalho.

No fim, revelamos que corrigimos apenas as nossas próprias qualidades e nunca as abandonamos. E a própria qualidade de doação é uma qualidade pura; não posso trabalhar para obter qualquer tipo de “benefício” dela. Posso apenas valorizá-la como uma qualidade especial e sublime, de acordo com a minha atitude de reverência para com a luz e para com o outro, o que inspira em mim o sentido da grandeza da doação e do amor.

Da Lição de Cabalá de 27/04/11, Baal HaSulam, Shamati 1, “Não Há Outro Além Dele”

Abrace A Imensidão

744Pergunta: Será que o nosso grupo mundial ainda não rompeu a barreira de ferro (intransponível) que nos separa, a nós e ao resto do mundo, da Cabalá?

Resposta: O fato é que romper a barreira de ferro significa adquirir a propriedade de doação completa. Pergunte a si mesmo se você já se encontra nesse estado.

Existem pessoas entre nós que estão verdadeiramente rompendo essa barreira, existem aquelas que já a romperam e existem aquelas que estão a caminho disso, algumas mais perto e outras mais longe.

Cada um de nós deve sentir como se restasse apenas mais um esforço para romper a barreira de ferro. Além dela, existem muitos outros degraus, e a cada passo a pessoa sentirá como se estivesse rompendo a barreira novamente. Mas todos os passos subsequentes se desenrolam dentro dessa escada espiritual, no mundo superior, já na qualidade de doação, de um pequeno nível de doação para um cada vez maior. Em consonância com isso, um volume cada vez maior e mais conexões internas do mundo inteiro e de si mesmo com ele são revelados. A pessoa sente como se contivesse o mundo inteiro.

Na verdade, tudo está dentro de nós. Às vezes, quando você olha para o céu estrelado à noite, de repente sente um desejo de ter tudo dentro de si; você quer abraçar tudo. Na verdade, tudo está dentro de você e, como resultado, você sente não apenas as estrelas dentro de si, porque esta é uma parte muito pequena do nosso mundo, mas todo o universo, sem mencionar o mundo superior.

De uma Lição Virtual, 18/11/12

A Conquista Interior Mais Profunda

212O Criador é a minha qualidade corrigida. O Criador se revela dentro do ser criado e, portanto, em hebraico, Ele é chamado de “Bo-reh” — “Venha e veja”.

Devo alcançar meu estado corrigido, meu eu corrigido; verei minhas qualidades corrigidas e as chamarei de “o Criador”.

Eu revelo o Criador apenas dentro de mim, dentro dos meus vasos de percepção corrigidos. Fora de mim, não sinto nada. Percebo toda a realidade, tudo o que existe, dentro de mim, nas minhas sensações. Portanto, O Livro do Zohar diz que todos os mundos e tudo o que os preenche, incluindo o Criador, estão dentro de uma pessoa. Porque eles são sentidos por ela apenas dentro de si mesma. Apenas me parece que tudo está fora, além de mim.

Essa ilusão é dada propositalmente: através da tensão entre a sensação de “exterior” e “interior”, adquiro a capacidade de ver o mundo, a mim mesmo e o Criador tanto de fora quanto de dentro — e me torno capaz de perceber a criação como Ele a percebe: antes da criação, durante a criação e depois, em futuros “superestados”.

A percepção espiritual baseia-se na sensação dos desejos de “outras pessoas”, aos quais me apego com o desejo de lhes dar e amar. Dessa forma, meu desejo cresce. Na medida em que me uno a outros desejos, revelo uma realidade cada vez mais ampla.

Em nosso mundo, revelamos o mundo de Assia, porque cada pessoa está aprisionada dentro de si mesma, dentro de seu próprio desejo, que, portanto, é egoísta.

Se eu começar a me conectar com um grupo, com desejos semelhantes aos meus em seu anseio pelo Criador, na medida dessa conexão, eu revelo o mundo de Yetzira. Eu me uno, em certa medida, ao ambiente em um único desejo, e dentro dele revelo a medida de doação que alcancei, que é chamada de “o Criador”.

Os fenômenos que revelo dentro do meu desejo corrigido são chamados de luz, e sua fonte mais profunda, o Criador. Então, um desejo egoísta maior, meu “Eu”, se revela em mim. Acima disso, em meu esforço para me unir ao grupo, alcanço o mundo de Beria.

Dessa forma, revelamos todos os cinco mundos. Baal HaSulam escreve na “Introdução à Sabedoria da Cabalá” que todos os mundos estão dentro de uma pessoa. Portanto, a sabedoria da Cabalá é a revelação do Criador ao ser criado, dentro do ser criado, em seus desejos corrigidos (órgãos de percepção).

Ao revelar a qualidade de doação, também alcançamos sua fonte, seu autor. Essa conquista mais íntima é o que chamamos de Criador.

Da Lição Diária de Cabalá de 13/10/09, Escritos do Baal HaSulam, “A Essência da Sabedoria da Cabalá”

A Questão Que Não Pode Ser Compreendida

263Pergunta: Você diz que tudo o que é espiritual são sentimentos. O que são sentimentos?

Resposta: Os sentimentos são o que acontece no desejo, e o desejo é a nossa matéria. Ou seja, estamos falando de matéria e da forma da matéria. É isso que estudamos na Cabalá e o que podemos sentir, analisar e reproduzir. Portanto, absolutamente tudo está em nossos sentimentos.

Comentário: Mas os sentimentos não têm um local específico.

Minha Resposta: O desejo é o próprio lugar onde você percebe o que sente. Meu desejo é a única realidade. E todos os objetos ao meu redor apenas parecem existir. Na verdade, eles são atraídos para mim pelo meu desejo. Além do desejo, não há nada. A matéria é desejo.

Comentário: Na realidade, isso é algo inexplicável.

Minha Resposta: Simplesmente não dá para compreender.

Comentário: Nem sentimentos nem desejos podem ser transmitidos de qualquer forma. Somente se, como você diz, houver uma forma comum. Se alguém já vivenciou algo, pode transmitir o sentimento.

Minha Resposta: É por isso que tento, de alguma forma, incentivar os alunos a começarem a escrever trabalhos emotivos sobre situações cotidianas que levem a uma espécie de despertar, semelhante ao espiritual, e que acelerem seu desenvolvimento.

Pergunta: É possível transmitir a Cabalá desta forma? É possível captar todas as explicações das alturas e transmiti-las de forma sensorial?

Resposta: Sim, tente apresentar tudo isso na forma de vários romances. Pode-se, claro, escrever puramente do ponto de vista psicológico sobre os estados interiores de uma pessoa, mesmo quando ela não interage com outras. Ou pode-se basear a obra em seus relacionamentos com um grupo, com amigos, com animais, com mulheres; não importa.

Ou seja, a base é sempre a mesma, apenas mais complexa. Assim como no nosso mundo: existem pessoas mais inteligentes, existem pessoas menos instruídas, mas a base é sempre a mesma: emocional.

De KabTV, Eu Recebi uma Chamada. Razão e Sentimentos”, 05/10/10

Da Ilusão À Verdadeira Realidade

539Vivemos em uma ilusão interna e, portanto, precisamos nos conectar com o sistema que realmente existe. Hoje, habitamos um sistema ilusório, que na Cabalá é chamado de “mundo imaginário” (Olam HaMedume), ou nosso mundo.

Além disso, não é preciso criar uma matriz no século XXI, como nos filmes de Hollywood. Basta recorrer a livros de 5.000 anos atrás, onde tudo isso é explicado passo a passo. Não é preciso arrombar uma porta já aberta.

Nosso mundo é uma completa ilusão. Ele opera constantemente dentro de nós. Precisamos apenas criar sentimentos e pensamentos normais, naturais e corretos dentro de nós mesmos para que, em vez de uma ilusão, tenhamos uma imagem verdadeira da realidade.

Mas essa verdadeira imagem também está dentro de nós, não fora como nos parece. Tudo está inteiramente contido em nossos desejos. A luz descreve certas imagens dentro do desejo, comparando suas qualidades e desejos, suas diferenças ou semelhanças. Essa é a imagem do mundo.

Portanto, nossa tarefa é passar de uma grande ilusão para uma menor, e para uma ainda menor, até nos aproximarmos da verdadeira realidade, na qual apenas a luz nos preenche. E tudo, exceto ela, era uma realidade ilusória, apenas em suas diversas medidas. É por isso que todos os mundos são chamados de “mundos”, da palavra “olama” (ocultação), que indica que vivemos ocultos da verdadeira realidade, o mundo do infinito.

As pessoas imaginam outra realidade na forma de imagens: paredes, tetos, pisos ou algo mais. Mas eu a imagino na forma de experiências e sensações internas.

Por exemplo, pergunto: “Você se lembra de como estava anteontem?” É assim que você se lembra desse estado, e ele pode estar associado, para você, a um lugar e tempo específicos, ou seja, às coordenadas “tempo”, “lugar” e “movimento”. Em seguida, pergunto: “Quais são as suas experiências, as suas sensações?” e você as transmite para mim, como se as extraísse da sua memória, do seu arquivo, e as descreve. Ou seja, você mergulha novamente nessa experiência e a explica.

Isso é semelhante ao que acontece no plano espiritual. Não existe um volume material ali. Esse volume se chama “desejo”, no qual começo a sentir meu estado passado novamente e, de alguma forma, transmito-o a você. Só isso. Apenas dentro do desejo.

É exatamente como no nosso mundo. Suponha que você se desapegue de tudo que está ao seu redor e imagine que você e eu estamos em algum espaço cósmico onde não há cima, nem baixo, nada — o vazio. Mas dentro de nós existem certas empatias, sensações, pensamentos, memórias e tudo o mais que compartilhamos. Então, são essas coisas que constituem, por assim dizer, um estado espiritual.

De KabTV, Eu Recebi uma Chamada. Matrix”, 19/09/10

Veja O Mundo Espiritual

214Percebemos este mundo através da nossa mente e dos nossos sentimentos; esses são os dois instrumentos que temos. Com a ajuda deles, começamos gradualmente a compreender o mundo em que nos encontramos e aprendemos a usá-lo a nosso favor.

Tudo isso é maravilhoso, mas o fato é que existe outro mundo, um mundo vasto e superior que não percebemos. Vivemos o número de anos que nos é destinado neste mundo, preocupados com a família e o trabalho, e não temos consciência de que existe um mundo eterno e perfeito ao nosso lado.

Vemos que as pessoas vivem e morrem, mas descobrimos que isso não é tudo; existe outra vida, e é possível revelá-la, alcançar compreensão, consciência e percepção dela. Para isso, precisamos evoluir.

Nascemos com órgãos de percepção herdados de nossos pais, através dos quais podemos sentir este mundo e nos adaptar a ele. Mas é possível desenvolver órgãos de percepção adicionais, através dos quais sentiremos o mundo superior e começaremos a viver nele. Como se diz: “Você verá o seu mundo durante a sua vida”.

Há pessoas que já nascem com o desejo de desvendar o mundo superior, enquanto para outras, esse desejo surge mais tarde na vida. Algumas se sentem infelizes a vida inteira, como se lhes faltasse algo. Não compreendem o propósito da vida, nem o que fazer com ela, e não sabem onde buscar o mundo superior.

Ou seja, queremos alcançar o mundo superior, e existe um método chamado Cabalá que nos permite fazer isso. Mas este é um caminho muito difícil que exige grande esforço, perseverança e trabalho árduo. O problema é que não se entra no mundo espiritual à força; é preciso moldar-se corretamente para poder adentrá-lo. Preciso me transformar em uma forma específica que se adapte ao mundo espiritual.

Essa correspondência do indivíduo com o mundo superior é o ponto central do método da Cabalá. Ou seja, a questão é como explicar a uma pessoa e dar-lhe a força e as instruções para que ela se adapte ao mundo superior, encontre seu lugar no sistema espiritual geral, sinta o Criador, aproxime-se Dele e comece a servi-Lo. A ciência da Cabalá ensina tudo isso.

Neste mundo, uma pessoa utiliza as qualidades que lhe foram dadas ao nascer: a mente, os sentimentos e a percepção tridimensional. Mas se nascêssemos em outro mundo, aparentemente teríamos qualidades diferentes.

Há relatos de nativos americanos que não conseguiam ver os navios de Colombo se aproximando da costa porque as embarcações eram muito grandes e desconhecidas, e os povos indígenas estavam acostumados aos pequenos barcos que utilizavam. Foi apenas pela maneira como as ondas se agitavam ao redor dos cascos que eles perceberam que algo estava na água e descobriram o navio.

Não sei se isso realmente aconteceu ou não, mas muito bem poderia ter acontecido. Existimos em um determinado mundo e nos moldamos de acordo com ele. Se eu de repente encontrasse uma pessoa que viveu há vários milhares de anos, não seria capaz de entendê-la, porque nossas mentes são diferentes e nossas abordagens à vida também.

E o mundo espiritual é completamente diferente do nosso mundo. Está escrito sobre ele: “Vi um mundo oposto”. E se tudo lá é oposto, como posso imaginá-lo e entrar em sintonia com ele?

A Cabalá responde: agindo com fé acima da razão, o que nos ajuda a adquirir uma nova visão, novos órgãos sensoriais para ver o que os outros não conseguem ver. Assim como os nativos americanos não viam os grandes navios de Colombo, pois estavam acostumados apenas com pequenas embarcações. Estamos no mesmo mundo, mas eu vejo e eles não.

Este é o tipo de visão espiritual que precisamos alcançar. Embora no momento não vejamos o mundo espiritual, gradualmente corrigiremos nossos órgãos sensoriais e o veremos. Para expandir nossos sentidos à percepção do mundo espiritual, devemos trabalhar com a fé acima da razão, isto é, acima da nossa mente. Agora percebo tudo em minha mente, mas ao abri-la, verei o mundo de forma diferente; não como tridimensional, mas em outras dimensões.

Da Lição Diária de Cabalá 07/09/20, “Trabalho com a Fé Acima da Razão”