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O Divórcio Babilônico

Dr. Michael LaitmanNós não temos a menor idéia sobre a futura ordem mundial, porque nós entramos em um sistema de forças que nunca havia se manifestado em nosso mundo. À medida que a natureza (o Criador) se aproxima de nós, isto se torna cada vez mais claro. Assim, nós temos que começar a revelar o mundo superior, ou seja, o sistema de governo pela força superior, a Luz.

À medida que esta força externa se aproxima de nós, à medida que ela brilha sobre nós, a nossa sociedade e o mundo de forma mais sensível e intensa, nós sentimos nossa oposição a ela. Nós não sentimos a força em si, mas a nossa incapacidade de sossegar mesmo que um pouco.

O mundo se tornou imprevisível. As pessoas estão engajadas em adivinhações e até acreditam em milagres. Como é possível isso acontecer em nossa época esclarecida? Como podemos, de repente, começar a acreditar nisto depois do século XX? Todos os anos, e às vezes algumas vezes por ano, nós temos todos os tipos de datas do fim do mundo e outros eventos apocalípticos.

Além disso, nós nos encontramos sob o abraço forte da natureza que, inesperadamente, gera crises como tsunami, furacão, erupção vulcânica, incêndio, inundação, e assim por diante. Aos poucos, tudo desequilibra, fora do equilíbrio delicado em que estávamos. Isso porque nós estamos atravessando um momento decisivo. Nós já atravessamos este ponto decisivo antes, em uma escala menor, na antiga Babilônia. A humanidade inteira estava concentrada lá, e mesmo assim, ela descobriu que era uma sociedade pequena e fechada.

Hoje, apesar de haver sete bilhões de seres humanos, nós somos uma sociedade fechada. De repente, nós sofremos um “curto-circuito” e nos encontramos dependentes uns dos outros. Por outro lado, nós somos como cônjuges antes de um divórcio. Nós nos odiamos mutuamente, apesar de ainda estarmos em um apartamento. Nós devemos mudar, nós não conseguimos ficar juntos, mas os laços comuns nos mantêm juntos. Este é o “apartamento partilhado” que nos encontramos hoje na Terra.

Antes, isto se tornou evidente em um pequeno território, na Mesopotâmia, há 3.700 anos. Então, pela primeira vez, as pessoas começaram a procurar o que elas poderiam fazer. Por um lado, elas estavam no mesmo lugar e na completa e total interdependência. Por outro lado, odiavam-se e se esforçavam para estar o mais longe possível umas das outras. Duas forças opostas, duas das mais difíceis tendências estavam separando a sociedade. Então, na realidade, dois métodos foram sugeridos.

O primeiro método foi a correção de sua natureza. “Vamos corrigir o egoísmo que separa, distancia, e afasta-nos uns dos outros. Então, nós ganharíamos. Nós nos tornaríamos uma única entidade de apoio mútuo. Nós teríamos um poder enorme, e realmente iríamos erguer uma “torre para o céu “, a torre de amor mútuo, cooperação e união, a força positiva.

Assim, eles se tornariam iguais à natureza, porque tudo na natureza está interligado. Todos os seus níveis – inanimado, vegetal, e animal – agem sempre em harmonia mútua, e apenas o ser humano, com seu egoísmo, se sente acima da natureza, acreditando que pode fazer o que lhe agrada. No entanto, se ele entendesse as leis da natureza e procurasse ter correspondência com ela, ter um relacionamento harmonioso, ele sentiria toda a sua capacidade e poder. Ele entenderia e perceberia a sua finalidade, a sua essência. ”

Isto é o que foi sugerido pelos adeptos da correção humana, mas, infelizmente, a humanidade (cerca de três milhões de pessoas vivendo entre os rios Tigre e Eufrates) escolheram um caminho diferente. Como cônjuges após um casamento fracassado, eles decidiram que seria melhor para eles “sair”, dividir o apartamento compartilhado, e quebrar o contrato. Assim, as pessoas se dispersaram por todo o mundo.

Muitas fontes antigas narraram esta história. Desde aqueles tempos, nós temos o livro sobre a Cabalá chamado O Livro da Criação. Nós o temos em nosso arquivo livre, em língua russa também.

O livro chamado O Grande Comentário surgiu depois. Ele também descreve os eventos que aconteceram na antiga Babilônia e como as pessoas não conseguiram resolver o problema da união. Para fazer isso, elas tiveram que trabalhar no seu egoísmo, e superá-lo por meio de um método especial, que exigiu muito mais esforço interno e moral do que simplesmente separar-se fisicamente uns dos outros e fazer o que todos queriam, cada um em seu próprio canto.

Flávio Josefo descreve onde as pessoas foram, em que lugares. Posteriormente, todas as crenças e religiões foram originadas delas, tudo baseado no egoísmo, tudo o que o egoísmo apoia.

Da 1a Lição na Convenção de Moscou 10/06/11

A Necessidade Da União Está Amadurecendo

Dr. Michael LaitmanO tema do nosso Congresso é “União: o Futuro do Mundo”. Eu estou muito emocionado, porque depois de muitos anos estudando Cabalá, a união do mundo e a necessidade dela estão finalmente começando a se tornar aparente.

Ao longo de bilhões de anos de desenvolvimento do nosso mundo, bem como no processo de vários eventos antes de sua concepção, tudo evoluiu justamente para este ponto – o ponto de percepção da necessidade de união. Somente agora ele está começando a despertar, a ser expresso, e mostrar a sua necessidade. E você e eu estamos no centro desta realização.

Tudo começou quando a única força da natureza, a força de doação, ou o Criador, que é a mesma coisa, começou a atuar, emanando e criando a matéria. Primeiro, ela criou a matéria espiritual, ou seja, o desejo: o desejo de ser preenchido, o desejo de sentir a si mesmo e tudo ao redor.

Este desejo se desenvolve sob a influência da força inicial, a força da natureza. As fases de seu desenvolvimento são chamadas de “as quatro fases da expansão da Luz Direta”. Todo o propósito do desenvolvimento da criação, ou do desejo, encontra-se em torná-la semelhante à natureza, em ter que alcançar uma harmonia saudável, ou em outras palavras, alcançar a equivalência e adesão com o Criador, pois a adesão é alcançada através da equivalência de forma. É necessário que a matéria, ou seja, o desejo que está em oposição à Luz, oposto à qualidade de doação, finalmente passe por todas as fases do seu desenvolvimento e perceba que o melhor e mais elevado estado é a equivalência com a Luz, a equivalência com a natureza perfeita, a harmonia e união com ela.

No entanto, para atingir este estado, é necessário primeiro sentir que você é totalmente oposto a ela, ou seja, sentir-se em uma qualidade que é completamente oposta à Luz, experimentar o egoísmo, a crueldade, o desejo de pensar só em si mesmo, apenas a sensação de si, a incapacidade de sentir alguém ou de pensar em outra pessoa, a menos que seja para seu próprio benefício, a menos que traga benefícios pessoais, a menos que isso signifique usar os outros. É assim que as qualidades, que são as mais opostas à Luz, precisam ser expressas na criação.

Em nosso mundo, essa criação é o homem, que passa por uma enorme quantidade de fases de desenvolvimento ao longo da história, até atingir a sensação e, o mais importante, a percepção de que é completamente oposto à força da natureza. Este é um processo muito difícil e demorado. Ao longo de centenas de milhares de anos nós avançamos e o egoísmo ficou gradualmente mais forte dentro de nós. Externamente, nós vemos como o homem desenvolveu-se em sua formação social até atingir o estado atual. Como um todo, esse egoísmo, esse desejo sempre nos empurrou para a frente até o presente momento.

Agora, como ultimamente, estamos começando a nos convencer de que esse egoísmo, essa natureza que temos, é realmente nosso inimigo, e nosso único inimigo. Ao separar-nos uns dos outros, ele literalmente nos priva da possibilidade de viver normalmente, mesmo no nível deste mundo material.

Nós estamos nos tornando cada vez mais fechados, cruéis, separados, assustados, e estamos assumindo uma postura defensiva, privando-nos de uma vida normal e perdendo o sentido da existência. E de fato: Por que vivemos? Só para nos defender e proteger? Somente para nos colocarmos em algum tipo de limites e viver nele determinado período de tempo com certo nível de conforto e segurança? Isso é tudo?

É assim que se sente o homem neste mundo, a medida que se torna cada vez mais cruel, por natureza, com o tempo. Nós fazemos assim. O nosso egoísmo nos leva a isso.

No final, tudo isso está sendo expresso como uma enorme crise. Em alguns países, a crise se faz sentir mais, e em outros menos, mas ela está amadurecendo. Não importa o quanto a ocultemos, não podemos fazer nada em relação a isso. Ela se expressa cada vez mais na economia, na estrutura social, na diminuição do papel da família, e em todos os problemas que surgem na nossa sociedade, como a crise da educação, drogas, terrorismo e assim por diante.

Em todas as áreas da atividade humana o homem está enfrentando várias crises, mas no final é tudo uma crise de nossa oposição à natureza. Naturalmente, isso só pode ser corrigido nesta essência.

Nós não podemos corrigi-lo de outra maneira. Vemos como os líderes mundiais estão tentando, como as autoridades são incapazes de fazer qualquer coisa, e mesmo os tiranos, que usam o dinheiro e os exércitos que estão à sua disposição, são incapazes de mudar algo. O mundo está inexoravelmente caminhando para uma grande ruptura. A força e o poder ainda estão tentando manter o mundo nos limites anteriores, mas já não conseguem fazer isso.

Da 1a Lição na Convenção de Moscou 10/06/11

O Livro Que Conecta O Céu E A Terra

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que há de tão especial na Torá que mesmo O Livro do Zohar é só um comentário dela?

Resposta: Os registros que Moisés fez em pergaminho são a expressão material, através de símbolos materiais, das ações espirituais da Luz no desejo. Moisés escreveu em um livro tudo que ele ensinou a seus estudantes. Durante o curso de 40 anos vagando no deserto, eles escreveram toda a Torá, atravessando todo o processo registrado, tanto em corpos como na espiritualidade. Esse é todo o caminho desde o exílio do Egito (material e espiritual), através do deserto (material e espiritual), e na terra de Israel (material e espiritual). Tudo isso se realiza na conexão entre a raiz e o ramo. Moisés expressou todo esse processo na sua forma concreta, e simbólica.

O Zohar expressa o mesmo processo num nível diferente, numa forma diferente, porque o desejo geral de desfrutar que o Criador criou havia, naquela época, avançado bastante e fora aperfeiçoado pela influência da Luz. Desta forma, esse desejo, que passou por altos e baixos, pela destruição do Primeiro e do Segundo Templos, o exílio, e depois alcançou a última quebra antes do último exílio, tinha que receber o método que é apropriado para o final do exílio, para a nossa época.

É por isso que O Livro do Zohar foi escrito, e seus autores foram os sucessores de muitas gerações de Cabalistas, começando com Abraão até a destruição do Templo. O Rabbi Shimon foi estudante do Rabbi Akiva, que revelou uma grande Luz, e assim, ele foi capaz de expressar isso no Livro do Zohar.

A própria Torá está dividida em duas partes: oral e escrita. Isso vem da diferença entre Zeir Anpin e Malchut. Zeir Anpin do mundo de Atzilut é a “Torá oral”, enquanto que Malchut do mundo de Atzilut é a “Torá escrita”.

A Torá é a revelação da Luz. A Luz que chega a Malchut contém tudo que é necessário para transformar Malchut. Mas essa Luz ainda não se realizou na prática; desta forma, é chamada de “Torá oral”. Por enquanto, isso significa trabalhar com as telas.

Sob a influência da mesma Luz em Malchut, mudanças internas acontecem e são impressas em Malchut; isso se chama “Torá escrita”. Ela fala somente das ações da Luz nos desejos desde o começo da criação até seu final. Isso ocorre porque não há nada na existência além dos desejos.

Entre esses desejos alguns sentem que existem por si mesmos, separados de todos os outros. Esses somos nós. Esses desejos contêm qualidades que podem ajudá-los no caminho da correção. É por isso nós recebemos a sensação de carência, nossa própria carência de correção, a compreensão do mal. Assim é que nós nos percebemos.

São exatamente esses desejos que precisam receber “a Torá”– as instruções explicando como eles podem participar da sua própria correção por sua livre escolha, como eles podem atrair a Luz ao desejarem ser corrigidos mais rapidamente, ao invés de esperar que a Luz venha e os sacuda.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 29/05/11, Shamati

Fugindo Da Pressão Evolutiva

Dr. Michael LaitmanPergunta: As pessoas conseguem entender a necessidade de fazer concessões umas às outras, mas como você explica a Luz da correção a uma pessoa comum?

Resposta: A Luz é a qualidade de doação, a força superior que está presente na natureza, que nos faz avançar, nos dá vida, nos corrige, e nos move adiante. Durante milênios da existência do homem na Terra (sem considerar os milhões de anos de desenvolvimento dos níveis inanimado, vegetal, e animal da natureza) nós nos desenvolvemos à força, por meio da força oculta na natureza. Existe certo programa dentro dela, uma máquina que opera através desse programa, colocando toda a criação em movimento e causando seu desenvolvimento.

Os cientistas estão revelando que há 15 bilhões de anos nosso universo começou a se desenvolver como resultado do Big Bang. Ou seja, o universo contém uma força evolutiva. Agora, essa força continua a nos desenvolver ainda mais, e é chamado “curso natural da história” (Beito).

Porém, nós temos a oportunidade de nos desenvolver “mais rápido do que o tempo” (Ahishena), não através da força implacável da natureza, que nos empurra para o desenvolvimento com um “braço forte”, por meio do “julgamento e da restrição”, mas despertando “misericórdia” sobre nós, como está escrito: “Como Ele é misericordioso, você também deverá se tornar misericordioso”.

Isso significa que eu desperto as boas forças de desenvolvimento na natureza. Se eu concordar com o desenvolvimento, desejá-lo, e aspirar à mesma meta, despertando o desejo dentro de mim antes que a natureza comece a colocar pressão sobre mim, então eu me sentirei bem e confortável! Eu vou merecer o entendimento e vou abreviar meu caminho. Em essência, isso é tudo que devemos fazer!

Nós temos que correr na frente, como um camundongo corre do gato. Quando a pessoa se torna mais sábia, ela entende que a pressão evolutiva está agindo sobre ela. Por outro lado, existem pessoas que ainda não notaram ou sentiram essa pressão que as está alcançando. Isso significa que ela ainda não chegou perto o suficiente delas e não despertou um grande sofrimento.

Imagine que você está descendo uma rua correndo e uma imensa multidão está perseguindo você para esmagá-lo. Se você já sente isso, então você irá procurar um jeito de se salvar. Você não tem para onde fugir. De ambos os lados há edifícios que se estendem por quilômetros, e você está correndo por um caminho estreito entre eles, enquanto a multidão continua se movendo bem atrás de você. Esse é um quadro impressionante… Você não quer que a multidão o esprema contra o asfalto, quer?

Algumas pessoas já sentem que estão nesse estado, enquanto que outras não o sentem ainda. Ainda assim, tudo é uma questão de tempo. Talvez você se sinta bem por enquanto, como uma pessoa caindo do 10º andar, e ao passar pelo 8º andar diz a seu vizinho que o está encarando da janela: “Como você está? Por enquanto, está tudo bem”. É dessa forma que o mundo está “tudo bem” hoje, mas ele ainda não entende isso.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 30/05/11, Talmud Eser Sefirot

Um Acordo Social Para Cessar as Hostilidades

Nós somosegoístas. Então, como podemos organizar uma vida normal na sociedade humana de uma forma onde nós não destruímos uns aos outros?

É por isso que as pessoas perceberam que, apesar de tudo, não conseguem se arranjar sozinhas. Outras pessoas me servem de uma maneira, e eu as sirvo de alguma outra. Se não for assim, não conseguimos nos relacionar. Uma vez entendido isso, chegamos a um acordo: Vamos fazer isso para evitar uma situação desastrosa. Vamos fazer por misericórdia: eu dou um pouco para você, e você dá um pouco para mim.

Suponhamos que eu estou dirigindo um carro e alguém na minha frente, de repente, pára. Então eu também tenho que parar. Se há alguém parado na minha frente na fila, então eu tenho que esperar. Eu gasto o tempo, energia e dinheiro como os outros, porque concordamos com a simpatia mútua e temos que pagar por isso.

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Revelar Uma Medida E Ocultar Duas

Dr. Michael LaitmanPergunta: Ao longo de toda a história, os Cabalistas passaram a ciência da Cabalá de uma geração para a outra. Mas, por outro lado, eles criaram uma ocultação especial desta ciência para se certificar de que ela não se expandisse por todo o mundo. Por quê?

Resposta: Os Cabalistas revelam suas realizações na ocultação. É por isso que está escrito: “Quando revelar uma medida, oculte duas”. Trata-se da  revelação do desejo essencial na pessoa, no qual ela irá sentir o mundo superior.

Nossa natureza é o desejo, e apenas se este desejo estiver presente nós perceberemos o mundo dentro dele. Quanto maior o desejo, mais ele percebe. Todos os objetos em nosso mundo diferem uns dos outros apenas pelo tamanho do desejo. O desejo de nível 1 é o inanimado, o de nível 2 é o vegetal, o de nível 3 o animal, e o de nível 4 o humano. Se o desejo pretende desfrutar por si só, então ele está no nosso mundo. Se ele pretende dar prazer a alguém, então ele está no mundo superior.

É sabido que o prazer só pode ser sentido na medida em que a pessoa tem um desejo por ele. Em outras palavras, a Luz só pode ser recebida quando houver um vaso.

Ocultar duas medidas significa que o professor Cabalista deve criar uma ocultação em um estudante – o desejo de uma medida (a necessidade pela revelação) e a ocultação de mais uma medida (para que este desejo pela revelação seja em prol da doação). Nesse caso, o estudante irá merecer a revelação dentro desse desejo corrigido.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 09/05/11, O Zohar

“Vestido” Em Outra Pessoa

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que o caminho do amor é tão difícil e confuso?

Resposta: Nós é que somos confusos.

Eu sou dirigido pelo desejo egoísta e tudo que sinto e penso está dentro dele, para meu próprio benefício. Portanto, como posso fazer um cálculo diferente – não para meu benefício?

Imagine que você se “veste” em outra pessoa e começa a fazer cálculos  a partir da perspectiva dela. Foi apenas a 100 anos que as pessoas começaram a entender tais conceitos. Não é um acidente que esse período foi resumido por Freud e Einstein, que não só fizeram descobertas originais, mas também tiveram amigáveis conexões um com o outro.

Depois de centenas de milhares de anos de desenvolvimento, foi cerca de um século atrás que as maiores mentes da humanidade finalmente inventaram a psicanálise – em outras palavras, começaram a analisar o homem internamente no nível material. Somente então, eles começaram a pesquisar a percepção humana, “Eu e o mundo circundante, eu e o próximo”.

Isso não é simples. Levou um longo período de tempo para se acessar a alma animada do homem, e isso não está nem perto da espiritualidade. Todo o problema é que nós não podemos e não queremos nos vestir nos outros. A sociedade tem que assegurar que cada pessoa irá fazer isso, que cada pessoa tentará fazer isso e começará discernir como ela aparece aos olhos do próximo e o que o próximo deseja.

Isso é muito difícil, mesmo que só envolva exercícios psicológicos no plano do nosso mundo, que ainda nem se relaciona com a espiritualidade. Você quer mais? Vá em frente. Organize um ambiente que irá finalmente começar a influenciar você.

O caminho é longo exatamente porque ninguém influencia você. Não há progresso sem influência social. Onde a pessoa poderia pegar os detalhes espirituais de percepção? Somente do ambiente.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 13/04/11, Shamati

Por Que Eu Cresço?

Dr. Michael LaitmanEu estou em uma rede de forças que me influenciam. Suas soma total é a natureza. Então, qual é seu objetivo? O que ela quer de mim? Para onde ela está me levando?

É claro para mim que o meu desenvolvimento se desdobra propositalmente. Estou convencido disso através do exemplo de outras partes da natureza. Por exemplo, uma fruta pequena e azeda torna-se uma grande maçã, doce e suculenta.

Assim como os níveis vegetal e animal da natureza se desenvolvem, eu me desenvolvo, passando por estados opostos que são bons e ruins. É impossível avançar em apenas um lado. Eu os alterno, dando um passo com a esquerda e depois um passo com a direita, repetidamente. Continuamente, eu revelo uma carência, que corresponde à satisfação futura.

É quando eu faço um cálculo: para onde esse processo está me levando? Para onde a natureza me dirige? Então, eu vejo que ela me obriga a passar pelo desenvolvimento social. Ao longo dos últimos milênios a humanidade precisou desenvolver cada vez mais a sociedade e, dentro dela, desenvolver nossas interconexões.

Nós revelamos o mal, o nosso egoísmo, nosso ódio mútuo, e como resultado, estamos começando a entender a necessidade de união. No mundo moderno e globalizado, isso está se tornando claro.

Qual é a utilidade disso? A utilidade é que eu vou entrar no próximo nível do meu desenvolvimento, o nível da natureza comum do universo. Vou atingir o bem absoluto e adquirir equivalência com a natureza perfeita.

Portanto, eu não levo em conta os estados intermediários que atravesso no caminho. Se eu mantenho a meta diante do olho da minha mente e penso constantemente nela, eu também me sinto bem agora. A coisa mais importante é “flutuar” acima de todas as sensações presentes, tanto boas quanto ruins.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/03/11 sobre Educação Global

A Correção Da Alma Vem Primeiro

Dr. Michael LaitmanPergunta: Pode um Cabalista manter simultaneamente duas ideologias e ser religioso ao mesmo tempo que é Cabalista?

Resposta: Não, ele não pode. A Cabalá tem vantagem sobre a ideologia religiosa. Um Cabalista pode realizar todos os tipos e costumes religiosos, como resultado de sua educação, cultura e as tradições de seu povo. E eu acho que é bom fazer isso. Eu não desprezo a religião.

No entanto, ela não deve substituir a Cabalá, porque a coisa mais importante para uma pessoa é alcançar a revelação e a adesão com o Criador. Qualquer coisa que interfira nisso deve ser removida deste caminho. O que interfere não é a religião em si, mas a falsa concepção dela, pensar que ela pode substituir a realização do Criador, que em vez da revelação espiritual basta realizar certas ações materiais, orar de acordo com palavras escritas, e pensar que isso é suficiente.

Isto não é bem assim. Está escrito que “todos devem conhecer o Criador, do menor até o maior”. Nós temos que atingir a adesão com Ele. Todos dizem que concordam com isto, porque é isso que está escrito e é impossível argumentar com isso. É claro para todos que temos de atingir a “obra do Criador” e nos unir a Ele. Também está escrito que a regra principal da Torá é amar ao próximo como a si mesmo. No entanto, as pessoas por toda parte só falam disso, mas realmente não fazem com que isso ocorra.

Ninguém sabe o que significa a adesão com o Criador, como aproximar-se Dele, e como se tornar semelhante a Ele. O problema é que a religião tem substituído a ciência da Cabalá após a quebra do Templo, quando a nação de Israel caiu do nível espiritual ao nível material, e tudo o que restou ao povo fazer foi realizar ações físicas como uma tradição, a fim de comemorar as ações espirituais anteriores.

Agora nós temos que aprender a nos elevar de volta para o nível espiritual e adicionar a percepção do Criador em relação a estas tradições nacionais. A religião parece parar a pessoa, dizendo-lhe que basta fazer ações mecânicas que são realizadas por pessoas religiosas.

No entanto, muitos dos textos originais dizem que não basta fazer apenas as ações materiais, que o Criador não se importa como você abate o animal – de modo kosher ou não, e que os mandamentos foram dados a fim de corrigir as criaturas através deles . Isto significa que as ações tem que ser complementadas com a intenção correta. A intenção é a coisa mais importante; na verdade, ela é a própria pessoa. O importa são seus pensamentos e desejos, ao invés das ações. A pessoa religiosa costuma fazer ações por hábito, tendo sido construídos desde a infância, para fazê-los sem pensar. Não há nenhuma correção em fazer isso.

É por isso que nós queremos complementar a tradição, o modo costumeiro de vida, ou o que é chamado de religião, que percebemos como cultura ou tradição de uma nação, com a “obra do Criador”, isto é, o trabalho interno de uma pessoa pela qual ela corrige seus desejos para se tornar semelhante ao Criador. Adam (homem) significa “semelhante”.

Cada pessoa, tanto secular como religiosa, tem que entender que a Cabalá pode acrescentar algo a sua vida. Ela acrescenta a revelação do Criador, a Força Superior que controla tudo. E quando você  a vê,  a entende e a sente, você sabe como seguir em frente sem cometer erros, tanto neste mundo quanto no “mundo vindouro”, o mundo espiritual que lhe é revelado.

Nós não alcançamos a revelação do Criador através de ações religiosas, mas através da união com os outros. No entanto, essas ações não são anuladas. Elas são simplesmente como um ramo que simboliza a raiz espiritual, e a pessoa pode permanecer nessa cultura. Este é um costume que não interfere no próprio avanço, mas também não o ajuda. Ela simplesmente lembra a você que existem ações espirituais, e é por isso que foi preservada ao longo dos anos do exílio.

O Criador não se preocupa com suas ações físicas. Ele só se preocupa com a intenção que você coloca nelas.

Da 4a parte da Lição Diaria de Cabalá 20/01/11, “Introdução ao livro Panim Meirot uMasbirot”

O Fim da Geração Escrava

Hoje nós deparamos contra uma nova geração, que pode fazer qualquer coisa desde que entenda, sinta, decida, e concorde com o que tem que ser feito. Do contrário, não vai fazer nada. Também vemos isso pelos acontecimentos que estão acontecendo agora em todo o mundo. Uma nova onda está crescendo, ou em outras palavras, um novo nível da alma comum está despertando em toda a humanidade.

A geração moderna é contra-indicativa de uma educação justa e moral que ameaça a pessoa e força ensinamentos morais sobre ela, dizendo-lhe: “Olha para nós como um exemplo e aja da mesma maneira”. Isto não é suficiente para a geração jovem. Eles não vão tomar este caminho. Pelo contrário, eles vão copiar os piores exemplos e não serão capazes de ter um controle sobre si mesmos de modo a respeitar seus modelos maravilhosos.

A nova geração não vai aceitar qualquer coisa só porque é assim que tem que ser. Mesmo que uma criança absorva muitas coisas automaticamente, ainda, se criarmos as crianças modernas com recompensa e castigo, não vai funcionar. Isso porque o egoísmo cresce de um dia para o outro e você não será capaz de resistir a ele. Portanto, o hábito tem que tornar natural para eles. [Leia mais →]