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A História Da Humanidade: O Desenvolvimento Da Garantia Mútua (Arvut) – Parte 2

Laitman_049_03As Raízes do Arvut

Os seres humanos têm uma tendência a criar uma sociedade unida, como uma família. Nós todos viemos de uma pequena tribo/família que apareceu no curso da evolução e que de forma aleatória se desenvolveu egoisticamente ao ponto em que as pessoas deixaram de sentir que pertenciam a uma mesma família.

A primeira vez que a sensação de afastamento apareceu foi a cerca de 3500 anos atrás na antiga Babilônia (Mesopotâmia); pessoas se sentiam inicialmente como uma família, mas depois subitamente pararam de ver o outro como parente. Elas eram como uma família, uma nação, falando uma linguagem, compreendo e sentindo uma a outra, mas num curto espaço de tempo começaram a sentir uma rejeição mútua que apareceu entre elas. Seu desejo de construir uma “torre que alcançasse o céu” simbolizou seu ego aumentado.

Elas revelaram o desejo de governar a natureza em vez de adorar de ídolos, árvores e as forças da natureza. Antes elas sentiam como se fossem parte da natureza, mas, de repente, houve um forte desejo de ter controle sobre ela. As pessoas já não se sentiam como uma família, cada pessoa sentia: eu, tu, ele, ela, eles, nós, e os estranhos. Esta separação se transformou em ódio mútuo chamado “idiomas misturados”, e, como resultado disso, elas pararam de se entender. É por isso que o homem de repente parou de entender o seu vizinho e tinha o desejo de usar os outros para seu próprio benefício.

Depois, um dos sacerdotes, uma figura pública e professor chamado Abraão ponderou sobre isso, “O que está acontecendo com as pessoas e com toda a sociedade?” Ele percebeu que este era um período de transição, que uma nova etapa do desenvolvimento humano estava emergindo. Antigamente, as pessoas existiam dentro da natureza, contidas em seu sistema geral. Elas se sentiam como parte integral dos níveis inanimado, vegetal e animal da natureza.

Mas, de repente, já não se sentiam como parte da natureza, uma parte do sistema global, integral. As pessoas se sentiam isoladas e se percebiam como existindo separadamente do resto.

Elas não queriam mais estar conectadas. Cada pessoa começou a se sentir-se como oposto à natureza e não estava disposta a observar a sua lei de interconexão universal.

No entanto, para que a humanidade exista em equilíbrio e harmonia com tudo o que nos rodeia, esta lei deve ser observada. Se quebramos esta condição obrigatória, caímos em lutas, guerras e destruição; a natureza nos parece mais cruel.

Então Abraão começou a procurar respostas, “O que podemos fazer? Nós temos que nos reconectar. Como podemos manter essa conexão? Como podemos permanecer como uma família, uma nação, uma pequena civilização?” E Abraão disse: “Nós não devemos concordar com o que está acontecendo. Vamos permanecer como uma família, apesar das mudanças dentro de nós”.

Em seguida, ele explicou às pessoas que a crescente inclinação ao mal era uma nova força da natureza. Durante a nossa evolução, na medida em que nos desenvolvemos como uma sociedade humana, nós nos separamos dos níveis inanimado, vegetal e animal da natureza. Mas o nível humano começa a partir do ponto da revelação do egoísmo, os desejos de se elevar sobre a natureza.

Mas, por outro lado, Abraão compreendeu e explicou que o ego crescente é útil, porque ao subir sobre ele, mantendo a conexão original com os outros, eles criam uma conexão nova, mais forte com a natureza. Para que essa unidade seja bem sucedida, a “garantia mútua” (Arvut) é necessária. Se criarmos uma rejeição mútua, mas decidirmos “agir contra o egoísmo que nos separa”, vamos nos unir acima dele, criar um “guarda-chuva” (tela, Masach), elevar-se sobre este “guarda-chuva”, e construir nossas interações, a sociedade e a vida sobre ela. Desta forma, vamos construir a correta “torre para o céu” em vez de uma egoísta, e vamos subir sobre o nosso ego cresce a cada momento.

Ao realizar esta ascensão, vamos continuar a estudar o nosso ego crescente, nossa inclinação ao mal, e aprender a superar isso juntos. Além disso, desta forma vamos conhecer a própria natureza, sua força geral. Vamos entender por que ela cultiva e desenvolve a humanidade de tal forma que é diferente de suas outras partes onde a força da separação e do ódio não vão crescer.

Assim, Abraão descobriu que há um programa especial dentro da natureza que injeta a inclinação ao mal em nós, manifestando-se como rejeição mútua para que nos conectemos acima dela e atinjamos o plano da natureza. Então, vamos adquirir uma mente, nos tornar sábios como a própria natureza, e receberemos a força que criou a matéria, que a move sob um caminho certo, rumo a um determinado objetivo.

A História Da Humanidade: O Desenvolvimento Da Garantia Mútua (Arvut) – Parte 1

Laitman_001_01A Relevância da Garantia Mútua

Essa discussão é dedicada ao tema do Arvut (Garantia Mútua) pelo prisma da história do povo de Israel. Nós dizemos que o Arvut pode salvar a sociedade israelense e o mundo como um todo. Nesta discussão, vamos viajar de volta ao passado, a fim de ver as raízes da nossa situação atual.

Em essência, um programa que está nos movendo em direção ao Arvut controla o nosso mundo. O homem difere dos níveis inanimado, vegetal e animal da natureza porque ele é tão egoísta que desfruta o sofrimento dos outros, quer reinar sobre eles, “engolir” o mundo inteiro. Mas, aos poucos, na medida em que se desenvolve, ele atinge um estado em que tem que realizar uma correção, mudar a si mesmo, tornar-se como a natureza e ligar-se a ela.

A unidade de toda a humanidade, a sua “garantia mútua” leva a uma conexão com a natureza. Esta correção da natureza humana acontece através da revelação do mal, do nosso egoísmo. As pessoas começam a sentir que suas relações egoístas são destrutivas para a sua vida pessoal, a sociedade, o seu país, e o mundo, mas não está claro para elas o que fazer com a sua natureza má em primeiro lugar. Depois, através do sofrimento, elas revelam um método que lhes permite unir e se tornar semelhante à natureza integral global, se conectar como células de um corpo vivo e fundir-se num sistema completo da natureza.

Nesta unificação, elas revelam um tipo especial de existência, começam a perceber o sistema geral da natureza e a coesão de todas as suas partes. Elas veem como a força interior da natureza controla tudo e leva a humanidade à perfeição. Isso não se desenvolve pelo caminho do desenvolvimento “historicamente” constrangedor, mas através do desenvolvimento de um entendimento e acordo, o nosso próprio envolvimento consciente pessoal com este processo.

Nós precisamos ter a nossa própria entrada no nosso desenvolvimento. Nós temos que nos esforçar pela unificação de todas as partes da natureza e entender que este é o mais alto grau do nosso desenvolvimento; isso nos dá a forma “humana”. Ao fazer isso, nós adquirimos a força integral da natureza e orientamos a sociedade humana a florescer.

45 Minutos Para Garantia Mútua

laitman_528_01Pergunta: As especificidades do meu trabalho envolvem a minha constante interação com muitas pessoas. Como posso evitar conflitos e reforçar a cooperação? Afinal de contas, nós somos tão diferentes…

Resposta: A pessoa tem que mostrar uma sabedoria especial. Há sociedades fechadas em que é necessário que as pessoas fiquem a sós umas com as outras inicialmente.

Há exercícios e técnicas especiais muito difíceis. Por exemplo, as pessoas executam uma missão espacial por seis meses ou saem para uma expedição submarina demorada.

É claro que, em qualquer local de trabalho, há sempre pessoas com quem colaboramos facilmente, nós as entendemos e elas nos entendem. Como estabelecer a relação correta é o que a humanidade ainda está tentando aprender.

Pergunta: Quais são os critérios para uma cooperação bem sucedida? Como deve se manifestar a semelhança das pessoas?

Resposta: Elas devem ser semelhantes umas às outras. Isso acontece em todos os lugares, desde o gosto comum na comida, música, esportes, até os hábitos. Eu estou falando de pessoas comuns e não daquelas que deliberadamente se superarem em alguma coisa.

Pergunta: Como podemos nos enriquecer interiormente usando nossas distintas características, nossos diferentes pontos de vista?

Resposta: Há apenas uma solução que permite conectar pessoas diferentes, distantes e divergentes, onde cada uma é o mundo inteiro em si mesmo. Isto, no entanto, não significa mergulhar em cada uma delas.

Todos os dias elas devem discutir determinados temas em seus círculos. Por exemplo, isso deve ser por uma hora ou, pelo menos, 45 minutos. Dessa forma, elas podem se envolver mutuamente entre si.

Pergunta: Suponha que estamos em um grupo de trabalho e juntos temos que produzir algo. Todo mundo tem sua própria opinião, sua qualidade, uma vê todo o processo de forma diferente e se esforça para conquistar o resto. Como pode esse tipo de interconexão nos ajudar a obter o fruto do nosso trabalho cooperativo e conseguir o melhor resultado?

Resposta: Se essa “Hitkalelut” (interconexão) ocorrer de acordo com os princípios da educação integral, com os membros do grupo de trabalho construindo certa plataforma por cima de si mesmos (acima de cada um deles), chamada de garantia mútua, permeação mútua, em suma, esta é uma unidade correta.

Embora cada um deles, na verdade, venha de um ambiente diferente: a casa dos pais, o jardim de infância, a escola, diferente cultura e mentalidade; neste ponto eles parecem se elevar acima de todas as diferenças entre si, como se fossem ruma a uma nova “mãe”, uma mãe geral para todos, chamada de “Divindade”.

É claro que você precisa começar com as regras do workshop. Não é necessário interromper o outro, discordar e argumentar. Esta forma de comunicação ainda é pouco conhecida da humanidade, mas tem que ser aprendida.

De KabTV “Uma Nova Vida” 11/07/14

Uma Estrada Reta Para Nós E O Mundo Inteiro

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que forçou os filhos de Israel a receber a Torá no Monte Sinai?

Resposta: Foram as dificuldades, os problemas e os sofrimentos. O que mais pode ser um incentivo se você está dentro do seu desejo egoísta?

No entanto, existem diferentes sofrimentos: os que vêm do mundo a sua volta e os que você evoca internamente. De um jeito ou de outro, não podemos avançar sem problemas, e a questão é apenas se eles são enviados a você externamente ou se você os evoca internamente ao estudar, pensar, entender e reconhecer. Como está escrito: “Quem é sábio? Aquele que vê o futuro”. Se você age por si mesmo, é suficiente se desenvolver pelo caminho do “eu o apressarei” (aceleração), sem esperar que os problemas o empurrem para frente. Eles também nos obrigam a acelerar o tempo, mas há uma grande diferença.

Se eu sou sábio, eu avanço direto à meta. Se não sou, eu paro no caminho e os problemas me fazem mover. Eu escapo deles, e depois vou direto à meta de qualquer maneira. No entanto, com isso, eu prolongo o caminho. Em vez de tomar o caminho mais curto e fácil, eu sigo o caminho longo e difícil.

De uma forma ou de outra, eu finalmente atinjo a mesma coisa. Portanto, para me ajudar a escolher o caminho curto desde o início, eu devo ouvir os Cabalistas que nos falam sobre o método de correção. Meu sucesso depende se eu os ouço ou não.

Pergunta: Como podemos ouvi-los e passar esta mensagem para o povo de Israel?

Resposta: Deve haver o reconhecimento da grandeza do grupo, do professor, e do Criador, a fim de fazer com que a meta pareça importante para você. Quanto ao povo de Israel, tudo depende de nós.

Nós somos os únicos que têm livre arbítrio. Nós podemos aguçar nossos sentidos através do trabalho em grupo e dos esforços que temos que fazer. Nós sabemos do que se trata. Portanto, nós ouvimos o que nos é dito, enquanto outros não podem ouvir isso ainda.

Eles têm que receber isso de nós. Eles serão capazes de se juntar a nós passivamente depois de disseminarmos a mensagem.

Pergunta: Como eles verão a estrada reta, a linha vermelha no desenho?

Resposta: Eles vão nos seguir. Nós vamos avançar com eles como Galgalta ve Eynaim (GE) e AHP. Afinal, nós só podemos avançar com alguns passos ao longo da linha vermelha, na medida em que adquirimos o sistema.

Em cada etapa, nós devemos realizá-la antes de subir para o próximo nível. Portanto, é impossível avançar sem os vasos de AHP. Nós simplesmente não entendemos como somos dependentes deles.

AHP é todas as “nações do mundo” e Israel é apenas Galgalta ve Eynaim (GE), os primeiros nove vasos de doação que vêm do Criador: Keter, Hochma, e GAR de Bina. No conjunto, os vasos de GAR fazem parte da Divindade de cima, embora essa parte esteja quebrada.

Em Israel, não há nada, e eles não podem avançar ou organizar a conexão com o Criador sem os vasos de recepção, os quais devem ser corrigidos e levados à adesão. No entanto, eles não podem fazer isso por si mesmos, de modo que a quebra ocorreu, e, como resultado, os vasos de Israel e das “nações do mundo” foram misturados e incorporados.

Agora, há uma parte de AHP acima e uma parte de GE abaixo. Isto lhes permite organizar a conexão entre eles, que de outra forma seria impossível.

Isso aconteceu pela primeira vez durante a destruição do Primeiro Templo (no nível de Mochin de Haya), quando as dez tribos foram dispersas entre as nações e desapareceram. A segunda vez que a conexão foi estabelecida foi durante a destruição do Segundo Templo (no nível de Mochin de Neshama), quando as duas tribos restantes se dispersaram.

A primeira vez, nós perdemos as partes que pertencem ao verdadeira AHP. Foi uma descida do nível de Hochma ao nível de Bina. No segundo caso, as duas tribos não desapareceram; elas só estavam no exílio.

Finalmente, graças à mistura, uma ligação foi formada, uma incorporação de GE e AHP, e agora nós podemos começar a “sentir” estas cordas. Os vasos de GE que caíram em AHP se tornaram religiões.

O mesmo aconteceu na nação de Israel: AHP que subiu para GE foi expresso no judaísmo. Em outras palavras, em vez da espiritualidade, a pessoa imagina a corporeidade, e em vez de “ama teu amigo como a ti mesmo”, ela realiza diferentes ações físicas, não internamente em seu desejo, mas externamente na matéria. No entanto, no final, graças à incorporação, nós podemos ser corrigidos.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 10/06/12, “O Arvut (Garantia Mútua)”

Pessoas Incompetentes Não Estão Cientes De Sua Incompetência

Dr. Michael LaitmanNas Notícias (Psychologies): “Pessoas que têm baixa inteligência, um nível modesto de qualificação, visão em túnel – precisamente por causa de suas habilidades modestas – não podem entender que suas decisões são erradas, que os talentos que acreditam são falsos. É por isso que elas pensam que estão certas em todas as suas ações e entendem a situação melhor do que outros.

“Pessoas talentosas caracterizam-se pelo efeito oposto: elas entendem como são complicadas as leis da realidade e quão extenso o campo do conhecimento, que pode ser adquirido no futuro – isto faz com que subestimem suas próprias habilidades, subestimem o seu lugar na sociedade.

“O resultado é que aqueles que têm confiança são estúpidos, e aqueles que têm uma compreensão estão em dúvida e indecisão”.

Meu Comentário: O mundo reconhecerá gradualmente a perfeição, precisamente na opinião da coletividade. A Cabalá ensina que somente uma equipe coesa de 10 especialistas em garantia mútua é capaz de evitar erros e chegar à opinião correta.

O Direito De Escolher, Parte 4

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em cada pessoa um imenso ego tem crescido de modo que ela se sente um rei. Como será se ela corrige o seu ego e o ódio para com os outros em amor?

Resposta: Em primeiro lugar, nós esclarecemos que todos nós dependemos uns dos outros, como órgãos de um único corpo. Portanto, não temos escolha; nós devemos nos conectar de forma mútua e correta para que todos trabalhem para o bem de todos. O sistema que é construído por nós deve ser integral, fechado e pleno.

Na mesma medida em que nos aproximamos de relacionamentos como estes, ao nos completarmos mutuamente, nessa medida nós começamos a sentir o poder que está agindo dentro de nós. Entre nós, e dentro de nossa conexão, a força integral que chamamos de “superior” é revelada.

Nós começamos a descobrir isso um pouco, mesmo nos workshops regulares e durante as discussões nos círculos que nós organizamos em diferentes lugares, inclusive nas ruas. É assim que demonstramos às pessoas como, com a conexão correta, até mesmo uma conexão espontânea como essa que dura apenas uma hora, é possível sentir uma espécie de força, um humor único, uma sensação incomum. Algo mudou, e até mesmo o mundo parece diferente.

Pergunta: O que é essa coisa única que a força integral traz para nossas vidas?

Resposta: Esta força integral nos obriga a mudar nossas vidas para sermos semelhantes a ela. Todo mundo se torna consolidado, conectado, e cada um sente todos os outros.

Pergunta: Onde desaparecerá esse ego tão poderoso que obriga cada um a sentir que é como um rei?

Resposta: O ego permanecerá, uma vez que nos conectamos acima deste ego! Como se diz em Provérbios 10:12: O amor cobre todas as transgressões. Cada um vai sentir que é um rei, e, especificamente, com o seu poder real, vai querer fazer todos felizes. Ele vai querer ser um bom rei. Por que você acha que ele vai ser um déspota do mal?

Pergunta: Mas se cada um sente que é um rei, como todos estes reis vão se dar bem juntos?

Resposta: Num sistema integral, cada indivíduo é tão importante quanto todos os outros. Isso porque, se ele não executa o seu papel, todo o sistema vai quebrar.

Pergunta: E quem obriga cada indivíduo a executar o seu papel?

Resposta: O sistema mantém e suporta uma pessoa e a obriga a agir, e por isso ela dá tudo para fazer isso. Este apoio mútuo é chamado de um pacto, o poder de Arvut (garantia mútua), que deve existir entre todos.

Pergunta: Existe uma chance de que Israel se torne estável?

Resposta: Nós vamos estar prontos para fazer isso, pois nenhuma outra escolha permanecerá. Mas a questão é, será que chegamos a este através do caminho do sofrimento ou graças a um entendimento e conscientização, através do qual é possível avançar por um caminho curto e agradável?

De KabTV “Uma Nova Vida” 09/12/14

Os Macabeus E A Ideologia Grega, Parte 1

Dr. Michael LaitmanPergunta: Enquanto nós estamos celebrando Chanucá, a festa da vitória dos Macabeus, vamos falar sobre a helenização, que os levou a ir para a guerra com os gregos.

Após as conquistas de Alexandre da Macedónia, os gregos impuseram sua cultura, que na época parecia bastante iluminada, racional e intelectual.

A abordagem racional, consciência e compreensão estavam a frente, por um lado, e por outro lado, a beleza e a estética. A competição também desempenhava um papel importante. Basicamente, a cultura grega antiga era retratada como muito progressista e dinâmica.

Inicialmente, nos primeiros dois séculos, o novo governo era simpático a todos os povos, incluindo os judeus, permitindo-lhes manter seus costumes e rituais religiosos. Junto com isso, eles eram obrigados a fazer parte do império universal e “supermodelo” com princípios morais cultivados.

À primeira vista, tudo estava bem. A elite judaica se juntou ao processo e viu as tendências de desenvolvimento nela. Mas, entre o povo judeu, apareceu um grupo que se opunha à assimilação e queria manter a sua singularidade, em vez de desaparecer na cultura “coletivo”. Por que isso? O que havia de ruim nisso?

Resposta: Em primeiro lugar, esses eventos são muito diferentes aos meus olhos. Essa parte do povo que permaneceu fiel à cultura judaica não representava uma minoria quantitativa, mas qualitativa: a fraqueza das forças internas do homem.

A cultura grega não podia penetrar seriamente a cultura judaica, pois estava em oposição absoluta ao que o povo judeu vivia e respirava e ao que absorvia de toda a sua abordagem da vida. Primeiro de tudo, naqueles tempos, os judeus passavam por um poderoso sistema de educação integral. Dizia-se que não havia nenhuma criança de seis anos de idade, desde Dã até Berseba, que não conhecia as leis de impureza e pureza.

Além disso, isso se refere à pureza interior de uma pessoa. Hoje, os rabinos passam por exames em Kashrut, mas o povo sabia, então, que “pureza” era essencialmente a intenção de doar, e “ama o amigo como a ti mesmo”. Impureza era seu oposto, o uso do ego para benefício pessoal. Os judeus viveram de acordo com a lei do amor até os dias do Rabi Akiva, quando o segundo Beit HaMikdash (templo) foi destruído e o princípio do “ama o amigo como a ti mesmo” entrou em colapso, algo que mais tarde levou ao exílio do povo judeu.

Com efeito, no período dos Macabeus, todos estavam ainda numa grande altura espiritual; o povo sabia como cumprir a Torá e as Mitzvot (preceitos) no sentido espiritual, corrigindo seus desejos para o bem dos outros e para o bem do Criador. Todos estavam verdadeiramente como um homem com um coração. Eles certamente foram compelidos a cada momento a superar a inclinação ao mal que estava crescendo continuamente, e, desta forma, subiram mais e mais no amor ao próximo, na unidade. Sua unidade causava o crescimento do ego a todo o momento e eles se uniam novamente acima dele, a fim de descobrir todo o ego no seio do povo, conectar-se acima dele, e alcançar o fim da correção.

Eles ansiavam por isso, e nesta condição o primeiro Beit HaMikdash (Templo) foi construído. Depois, um recuo em relação a isto começou, o que era completamente natural, até que tudo foi destruído e o povo de Israel foi para o exílio e depois deixou-o, como é dito, Gênesis 15:14: com muitos bens, como no tempo do êxodo do Egito. No entanto, desta vez, isso atrairia toda a humanidade consigo, que na verdade é algo que temos que fazer hoje.

Primeiro é necessário compreender o processo, que é completamente oposto ao que acontece com todos os outros povos. O povo de Israel vive de acordo com a lei, Levítico 19:18: E amarás o teu amigo como a ti mesmo, em Arvut (garantia mútua), cada um apoiando os outros e criando unidade através do poder de doação. E assim o Criador foi revelado entre eles.

Os profetas também surgiram a partir daqui. Tudo o que eles fizeram e escreveram foi derivado de viver dentro da Luz, ao se descobrir o poder superior, a verdadeira realidade superior.

De KabTV “Uma Nova Vida” 14/12/14

A Unidade É A Garantia De Vitória, Parte 4

Dr. Michael LaitmanO mundo moderno de hoje tornou-se uma pequena aldeia em que todos dependem de todos. No entanto, ele está em constante degradação, porque não tem o poder de conexão que consolida e nos solda todos juntos. O mundo precisa obter esse poder do povo de Israel.

Mas o povo de Israel não quer realizar o seu papel ou cumprir a sua missão e servir de exemplo de conexão e unidade para o resto do mundo. Cada um aspira a se esconder em seu nicho, imitando o estilo de vida europeu sob as condições da democracia ocidental que possibilitam que uma pessoa viva em isolamento independentemente.

Mas esta aspiração é totalmente oposta ao espírito do povo de Israel, pois não nos permite atingir o Arvut (garantia mútua). E o Arvut é o fundamento e base para a existência de nosso povo.

Pergunta: Parece-nos que o problema está nas forças obscuras que estão surgindo no mundo nas organizações terroristas de extremistas muçulmanos. Portanto, agora está se tornando claro que o mundo não tem o poder de conexão e unidade?

Resposta: A questão não é os terroristas, nem os antissemitas. Este é apenas o resultado da falta de Luz, devido a que os desejos obscuros aparecem na humanidade, no indivíduo ou num grupo de pessoas.

Nas mãos do povo de Israel está a torneira da Luz, e se esta torneira está aberta, para que a Luz seja transmitida ao mundo, ou se está fechada, depende deles. Esta é a razão de todas as nações do mundo culparem Israel; elas nos culpam por não receberem a Luz. Elas não entendem que não têm a Luz, mas intuitivamente sentem que nós somos os culpados por todos os seus problemas.

Tudo o que acontece entre o povo de Israel influencia o mundo inteiro. Enquanto isso, o nosso povo não entende e não quer ouvir ao fato de que sem a unidade interior, não somos de forma alguma o povo de Israel e não estamos nos posicionando contra o poder da natureza.

Pergunta: O clima hoje na sociedade israelense é muito sombrio. As pessoas sentem decepção com o que está acontecendo no país. Hoje nós precisamos muito de um milagre, como o que ocorreu em Chanucá. O que deve ser feito para que o milagre aconteça?

Resposta: O milagre vai acontecer apenas graças a educação integral. A guerra dos Macabeus foi uma guerra ideológica. Os gregos não vieram com o objetivo de aniquilar fisicamente o povo judeu. Eles queriam aniquilá-los ideologicamente. Se tivéssemos que colocá-los num jogo de futebol sem fim, seria possível supor que o povo judeu seria exterminado. A aniquilação do povo de Israel significa jogar em vez de se dedicar à conexão e unidade.

Pergunta: O futebol é um bom exemplo porque este ano houve acontecimentos sem precedentes de crueldade e violência nos jogos de futebol, nunca visto em Israel. Sentimentos calorosos de fãs por seu time, de repente se tornaram tão fanaticamente violentos que era realmente assustador entrar no estádio. Este é um exemplo de um espírito anti-israelense. Que espírito de Israel nós precisamos atingir, em vez disso?

Resposta: É dito: O amor cobre todas as transgressões (Provérbios 10:12). Acima de todas as forças de separação, nós precisamos estabelecer a força da unidade, mesmo que esta força de separação continue e não possamos fazer nada, porque essa força vem até nós da natureza. Nós não precisamos lutar contra essa força, a nossa impaciência, ou o ódio e a inveja. Apesar de sua existência, nós temos que cobri-los com amor, a nossa boa atitude para com os outros, doação e confiança.

De KabTV “Uma Nova Vida” 11/12/14

O Mistério De Israel

Dr. Michael LaitmanNos últimos anos, os políticos começaram a falar sobre a consolidação legislativa do caráter judaico do Estado de Israel. A razão para isso é a ampla onda de ataques antissemitas. O mundo inteiro tem um problema com o povo judeu, perguntando: “Por que eles tomam a posse de terras que não lhes pertencem?”

Muitos sequer concordam com a divisão original do território de acordo com a resolução da ONU. Hoje, um voto secundário certamente nos privaria do direito ao nosso próprio Estado.

Após o desastre, o mundo estava desconfortável diante de nós, e se de fato tínhamos que ter um país, isso continuará, de acordo com as leis do desenvolvimento comum.

No entanto, nós temos que torna-lo realmente nosso, tomar a terra santa (Eretz) como o desejo (Ratzon) de purificar e formar, não como uma coleção de exilados, mas como o povo de Israel, no sentido pleno da palavra, totalmente unido e aspirando direto ao Criador (Yashar El).

Nós temos que realizar um curso sobre coesão, amor e unidade, para nos tornar como um homem com um coração.

Se tivéssemos organizado nossa nação dessa forma, não teríamos que realizar guerras intermináveis pelos últimos 66 anos sem um único segundo de descanso e relaxamento. E a situação não teria sido como é hoje, de tal forma que todo Israel é forçado a planejar uma evacuação de emergência, um plano de fuga em caso de um desastre.

Pergunta: Uma e outra vez, a vida nos confronta com questões básicas que afetam a nossa existência na terra de Israel. E este tópico sempre cobre a névoa da incerteza e da indefinição. Por que existe essa incompletude agonizante na nossa autodeterminação? Por que não foram colocados todos os pingos nos “is”?

Resposta: É porque nós queremos ser como todas as outras nações e definir o nosso país como todos os outros, de acordo com as representações tradicionais de território, fronteiras e entidades públicas. No entanto, isso não funciona para nós e não se aplica a nós. Este formato habitual não causa uma resposta fiel em nós, onde não sentimos por nós mesmos, e não encontramos qualquer correlação com a forma como o nosso país deve ser identificado e parecer como povo, e cada pessoa nele.

Acontece que não somos o povo de Israel como ele deveria ser, e não vivemos na terra de Israel, nem no país de Israel, como deveria ser de acordo com as fontes originais, de acordo com a nossa base. Nós temos tentado adotar o conceito de conceitos externos, simplesmente captando-os, mas eles não chegaram a ser concretizados. O rótulo internacional padrão se descola repetidamente.

Como resultado, nós sentimos que isso não é adequado, mas continuamos a nos sobrecarregar com isso, sem ter uma definição clara. E o mundo, por seu lado, não entende as nossas ações e vê o Estado de Israel como uma entidade artificial.

Nós podemos argumentar eloquentemente que essa é a nossa terra. Podemos até mesmo nos sacrificar pelo bem de vida. No entanto, ainda não entendemos o que “o povo” e “o país” significam para o povo judeu.

Baal HaSulam escreveu um ótimo artigo sobre isso no jornal “A Nação” (HaUma), que, aliás, foi fechado após seu lançamento inicial. Neste trabalho, a natureza desses conceitos e a necessidade de voltar às suas raízes depois de dois mil anos de exílio foram descritas em detalhes.

Por que devemos recorrer à história antiga e à vida primitiva, agora que isso já foi vivido por nossos antepassados? Pelo contrário, nos séculos anteriores, nações avançadas plantaram suas culturas em todos os lugares. A cultura estrangeira, com um sucesso particular, foi transferida aos povos indígenas da África e América. Idiomas morreram, bem como tradições e crenças, dando lugar à influência inglesa, espanhola e francesa.

Mas nós ainda não fomos capazes de nos manter dentro das margens do presente. Não há nada que possamos tomar emprestado dos povos do mundo. Pelo contrário, nós estamos organizados de tal forma que os povos do mundo adotam as coisas corretas de nós.

Isso não depende de nós e não é orgulho ou arrogância. Nós estamos ligados desta forma. Não é por acaso que o mundo nos vê como um povo inteligente e desenvolvido, alimentando um propósito de vida. O mundo sente que o povo judeu tem um segredo que não quer abrir para os outros; isso significa que eles devem nos forçar a desistir.

Este sentimento é indestrutível, e nós finalmente temos que entender o que eles querem de nós. Na verdade, que tipo de mistério reside dentro de nós? Se nós soubéssemos, poderíamos vendê-lo pelo triplo do preço. Mas não, isso não funciona dessa maneira.

Afinal, o que temos dentro e que se encontra no povo de Israel sem o seu conhecimento é este grande, bonito, sedutor e brilhante objetivo, o futuro do mundo.

O nosso mundo está ligado à irmandade que vivíamos antigamente. Nós precisamos recuperá-la, em outras palavras, viver juntos como um povo que respeita a lei, amar o nosso próximo como a nós mesmos, de acordo com os princípios que recebemos no Monte Sinai, e ser como um homem com um coração.

Hoje nosso mundo global e integrado sente a relação inquebrável de todas as suas partes, literalmente exige isso, e exige o cumprimento dessa lei. Se nós revelarmos um guarda-chuva de garantia sobre todos nós, vamos nos encontrar num mundo que é para nós como o Jardim do Éden.

É por isso que nessa era moderna, o mundo presta atenção em nós, sem saber como ou por que, e começa a exigir a lei de nós, pela qual vai viver amanhã. Afinal, a vida atual parece cada vez mais intolerável para o mundo, obscura e sem esperança. Ela já não apresenta um quadro de amanhã. Inconscientemente, as pessoas sentem que o povo judeu tem a resposta.

Como consequência, o antissemitismo floresce em todo o mundo, afetando milhões de pessoas. Assim, ele simplesmente nos obriga a perguntar sobre a lei e o modo de vida que devem formar a base da nossa existência aqui.

Se realmente voltássemos às raízes, se colocássemos em prática o conceito de “povo de Israel” aspirando “direto ao Criador” (Yashar-El), ou seja, à unidade, solidariedade e amor, se assim fosse, nós educaríamos o povo com base na lei, combinados uns com os outros, como um homem com um coração, ajudando-se e unindo as pessoas com esta parceria. Isto serviria como um exemplo para o mundo. Além disso, nós ensinaríamos as pessoas a construir a unidade.

Assim, o mundo entenderia que somos uma parte especial dele e que realmente precisamos aprender. E há muito o que aprender, já que é o futuro e a salvação de toda a humanidade. Não é apenas por algumas décadas compreendendo a expectativa de vida de cada geração, mas sim uma nova base para uma nova fundação sendo colocada aqui, na qual nosso mundo será aperfeiçoado e ascenderá a um novo nível, para a condição eterna e perfeita.

Hoje, o nosso egoísmo se devora e, como resultado, nós vivemos uma média de 70 a 80 anos. Se passássemos do desejo de receber egoísta para um altruísta, para a doação, e se todos vivessem com seu coração bem aberto no meio de sua nação, cuidando de tudo, encontraríamos outras leis naturais, as leis do amor e da doação. Nesse ponto nós entraríamos na vida eterna e perfeita, e o nosso mundo abriria a oportunidade de viver além das limitações de tempo, espaço e movimento. Nós começaríamos a perceber o mundo em que não há limites.

Nesse meio tempo, os problemas em relação ao povo judeu, que nós chamamos de antissemitismo, vai crescer cada vez mais. Nós não podemos nos livrar disso. Pelo contrário, vamos ter que dar uma resposta, uma vez que é necessário enfrentar essa situação.

Ao mesmo tempo, vamos ter que resolver o problema do caráter judaico do país, recentemente exposto para discussão pública. Porém, não deve ser pela linguagem artificial e não com base nas leis que herdamos do mandato britânico ou do domínio turco. Não, nós temos que assumir a Torá e tirar todas as definições necessárias.

Por milênios, desde os dias de Abraão, os Cabalistas têm explicado o significado de “povo de Israel” e “país de Israel”, e quem é uma “pessoa judaica”. Nós precisamos nos abrir ao mundo, abandonar os limites e adotar o nosso entorno, todos aqueles que desejam viver de acordo com a lei de amor e unidade, sob a égide da doação. É isso mesmo, mais do que geográficas, as fronteiras da terra de Israel, ou seja, a garantia mútua universal, se estenderá a todo o mundo.

Em princípio, a terra de Israel não é o território na superfície do globo, mas um lugar onde as pessoas vivem de acordo com a lei do amor. Portanto, agora ela não existe. Afinal, terra (Eretz) significa desejo (Ratzon). Se existe a lei do amor entre pessoas que vivem em qualquer lugar e seguem essa lei, a sua relação, o seu desejo comum chama-se a terra de Israel, o desejo aspirando direto ao Criador (Yashar-El), e, assim, elas querem ser como a força superior.

Isso é o que nós temos que explicar, demonstrar e oferecer a todos os povos. Então, em vez de ódio, vamos sentir empatia, respeito e carinho, que é o que sentimos agora dos nossos milhares de alunos em todo o mundo. Nós vemos como eles estão comprometidos conosco quando os ensinamos a se unir para alcançar cooperativamente o poder superior.

De KabTV “Uma Nova Vida” 30/11/14

Conhece O Deus De Teu Pai E Serve-O

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico”, Kedoshim, 19:4: Não vos virareis para os ídolos nem vos fareis deuses de fundição. Eu sou o Senhor vosso Deus. Um ídolo é algo que obtemos a priori, sem qualquer prova, e deve ser tomado com base na fé, sem tentar compreendê-lo. Isso não é feito no nível do ser humano.

A pessoa deve observar os níveis de doação e amor mútuo entre nós, revelar, estudar e trabalhar com eles. Ela deve compreender plenamente, entender e sentir o sistema com o seu coração e mente. Só então ela pode dizer que não adora ídolos, nem aceita qualquer coisa de forma aleatória.

Apesar do fato de que esta é uma vida muito difícil, o Criador coloca esses problemas diante de nós para que possamos alcançar o nível de Adão (humano) e não permaneçamos no nível animal.

Portanto, não podemos nos dar ao luxo de aceitar algo como verdadeiro. O Criador quer que O estudemos: “Conhece o Deus Teu Pai, e serve-O”; ou seja, o maior ponto de nossa ascensão é a percepção e a conquista do Criador.

Comentário: Às vezes, a pessoa quer se desconectar de tudo, de modo que possa simplesmente ser levada adiante.

Resposta: É assim como o nosso egoísmo funciona dentro de nós. Por um lado, o ego sempre nos acompanha durante o correto desenvolvimento. Por outro lado, há a necessidade de uma distinta realização espiritual, desenvolvimento e absorção, caso contrário ela não se saciar sua sede ou sente a si mesma.

Doação é a fonte de água limpa que sacia a sede.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 23/03/14