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O Desaparecimento Do Rei Do Egito

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, Shamati 159, “E Aconteceu No Decorrer de Muitos Dias:” Este é o significado de “o rei do Egito morreu”, que todas as dominações do rei do Egito, que ele estava fornecendo e nutrindo, tinham morrido.

O rei do Egito morreu dentro de nós e o controle do ego sobre nós desapareceu. Portanto, não fomos mais capazes de trabalhar. Nós estávamos sempre trabalhando a fim de receber e, depois, doar a fim de receber. E, de repente, não há ninguém para quem trabalhar, uma vez que o desejo de receber desapareceu. E se não há desejo, não há nada a fazer, nenhum desejo de doar ou receber. O ego desaparece, nós chegamos ao desespero e não sabemos para onde ir.

Não temos uma razão para nos mover, nos sentimos desconectados da vida, que de repente se torna em vão. Mas, certamente essa é exatamente a passagem para o próximo nível. Se neste momento somos impotentes, isso indica precisamente a nossa dependência da força do desejo e como ela nos mantinha em seu completo controle.

“O rei do Egito morreu”, isto é, o nosso ego deixou de ser importante para nós. Nós já não tentamos satisfazê-lo como antes, nem sentimos que há alguma vitalidade nesta realização.

Na vida comum, é claro para nós que se estamos fartos de um jogo, ele não é tão importante quanto antes, ou seja, que o rei do Egito, o ego, que era parte do jogo e nos satisfazia, não nos satisfaz mais. Portanto, nós devemos procurar outro jogo, mudando o nosso local de trabalho ou estilo de vida.

Mas, no trabalho espiritual não sabemos como mudar um problema. Na vida normal, temos TV, Internet, anúncios, e estamos constantemente escolhendo onde mais podemos encontrar prazer e o que mais pode ser experimentado. Nós entramos no supermercado e vemos infinitas variedades de vinho, queijo e carne nas prateleiras. Se você não quer uma coisa, toma outra. Isso confunde as pessoas e cria uma ilusão de uma variedade de prazeres, e isso acalma as pessoas, mostrando-lhes que há sempre algo para satisfazê-las. No entanto, vemos que com todos os sofrimentos, uma grande porcentagem de pessoas sofre de depressão, desespero completo e uso de drogas.

Como nós progredimos em direção ao trabalho espiritual mútuo, hoje em nosso mundo as pessoas não entendem para onde o rei do Egito desapareceu. Antes ele fornecia aspiração ao trabalho, do qual recebíamos diferentes realizações. Mas hoje, tudo desapareceu e este é um problema em nossas vidas.

Nós entendemos que não podemos mais mudar de emprego; não há lugar para onde escapar, e vamos precisar nos concentrar em encontrar um novo rei. Ou seja, devemos receber o controle da força de doação sem qualquer recompensa, receber força de cima e executar ações que são direcionadas para cima e às pessoas fora de nós.

Nós só precisamos pedir para nos desconectar de qualquer benefício pessoal, de nosso futuro, da satisfação e de sentimentos bons ou ruins dentro de nós.

E depois, quando eles caminharam no deserto e chegaram a um estado de Katnut, (pequenez), eles desejavam a servidão que tinham tido antes da morte do rei do Egito.

Quando o homem já se desconectou de trabalhar para o seu ego e subiu acima dele, ele é novamente trazido de volta ao sentimento dos desejos, intenções, prazeres e realizações que teve no passado! Isso é feito para que, acima de seu sentimento de desconexão, ele construa o mesmo estado num nível espiritual.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 18/04/14, Shamati # 159

Descobrir A Origem Da Vida

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você diz que hoje cada pessoa precisa se tornar um Cabalista, como está escrito, Jeremias 31:33: “…‘Conheça o Senhor’; pois todos Me conhecerão, do menor deles até o maior deles…”, e Isaías 56: 7:” …pois Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos “. O que significa ser um Cabalista?

Resposta: Cada pessoa deve ter a revelação do Criador, da força superior.

Pergunta: O que é essa força superior?

Resposta: É o poder geral da natureza. Nós não a encontramos agora, porque só agimos de acordo com um único sentido, o desejo de receber e desfrutar.

Pergunta: É possível descobrir esse poder cientificamente?

Resposta: A partir das observações dentro de nossos sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato) nós criamos as ciências físicas. Mas um conhecimento mais rico está escondido na sabedoria da Cabalá, porque nela não apenas descobrimos os fenômenos que nos cercam, mas a origem da própria vida.

Então podemos responder a estas perguntas: de onde, por que e em prol de que meta a força superior nos criou? O que nós atravessamos em nossas vidas desde o momento de nossa criação até hoje? O que se espera de nós desde dentro? Nós podemos revelar todo o caminho que está diante de nós e ver onde algo pode nos prejudicar e como corrigi-lo.

Pergunta: Quando você fala sobre a origem da vida, você quer dizer apenas a criação do mundo, ou também o que acontece na minha vida todos os dias? O que significa descobrir a origem da vida?

Resposta: Uma pessoa que descobre que está conectada com a força superior vê o quanto o governo superior influencia toda a humanidade, todo o ambiente, a sua família e a si mesma, e, neste caso, torna-se possível organizar nossas vidas corretamente.

Do Programa da Radio Israelense 103FM, 18/01/15

Liberdade Completa!

Dr. Michael LaitmanO Livro do Zohar, “Bahar” (no Monte Sinai), artigo 85: …”E Ele me disse, ‘Tu és Meu servo, Israel, por quem hei de ser glorificado’”. “E Ele me disse, ‘Tu és Meu servo’ é o grau de escravo, a linha esquerda, Malchut. “Israel” é o grau do filho, a linha direita, ZA. Quando eles são incluídos como um, porque está escrito: “Em quem hei de ser glorificado””.

As duas linhas: a esquerda, o nível do escravo (Malchut), e a direita, o nível do filho (Israel), devem ser unidas e glorificadas, o que significa ser reveladas.

Por um lado, nós temos que nos submeter totalmente e nos escravizar ao governo superior. Nós podemos dizer, é claro, que agora Ele nos governa e que estamos totalmente escravizados a Ele e que não podemos fazer nada sem Ele, mas este é o atributo de um mau escravo.

A linha esquerda tem que ser leal ao seu mestre, afirmando: “Eu quero ser seu escravo. Eu quero que Ele me governe internamente através dos desejos sobre os quais não tenho controle”. Esta é a minha liberdade. A minha liberdade é escolher permanecer sob o domínio do Mestre ou deixá-Lo. Eu escolho o Seu domínio porque não posso me sentir mais livre do que quando estou sob Seu governo.

Mais tarde, quando eu subo ainda mais, o nível do escravo entra para o nível do filho. A diferença entre o nível do escravo e o nível do filho é que eu faço tudo o que meu Pai deseja e não o meu Mestre. Agora eu quero realizar todas as suas ações de forma consciente, mesmo que Ele não me obrigue a fazê-lo. E mesmo que Ele não sabia sobre isso, aqui eu trabalho sem conexão com Ele, e sou como Ele.

Esses dois estados devem ser claramente sentidos por uma pessoa e, assim, o terceiro estado aparece entre eles, a linha do meio, quando eu não sou nem escravo nem filho. A linha do meio não existe na natureza. Ela é criada e aparece na conexão entre as linhas direita e esquerda, dando a pessoa uma sensação de liberdade completa. É como estar num vácuo, onde a primeira condição do escravo não funciona ou não tem qualquer impacto sobre mim, e o mesmo ocorre com a segunda condição do filho.

Eu posso me desconectar totalmente de qualquer conexão com o Criador e ser independente em todas as minhas ações, desejos e pensamentos. Liberdade total!

É disso que trata o pensamento da criação, que está levando a pessoa à sensação de liberdade que leva à sua escolha do estado para estar onde o Criador existe e ansiar por Ele. Se eu anseio por que isso em 10%, 15%, ou 20%, eu gradualmente me transformo nessa imagem exata, a mesma réplica, e, nessa medida, eu sou chamado de Adam, um ser humano.

Eu me desconecto do Criador na linha do meio, porque caso contrário não tenho livre-arbítrio. Esta não é uma ilusão de liberdade. Eu preciso sentir que estou totalmente livre. Além disso, esse sentimento vem de encontro a uma cacofonia de todos os tipos de desejos, anseios e tentações egoístas. O orgulho, a inveja, o desejo de fazer o que quiser, e de ser o mestre do universo crescem numa pessoa.

Imagine que você está imerso em água e na superfície, em vez de água transparente, o fundo turvo de repente sobe, e é todo seu, as ondas de seus pensamentos e desejos egoístas. Na verdade, é sobre este pano de fundo que você começa a fazer um ser humano de si mesmo.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 18/06/14

O Desejo É A Única Imagem De Uma Pessoa

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico”, 25: 6-7: Mas os frutos do sábado da terra vos serão por alimento, a ti, e ao teu servo, e à tua serva, e ao teu diarista, e ao estrangeiro que peregrina contigo; e ao teu gado, e aos teus animais, que estão na tua terra, todo o seu produto será por mantimento.

Tudo o que pertence a uma pessoa, a seu vaso, que é formado das partes dos níveis inanimado, vegetal, animal e falante, dividido horizontalmente, verticalmente e para cima, tem que estar incluído em seu trabalho. Ela tem que preparar os seus desejos para que eles estejam prontos para ser preenchidos com a Luz Superior. Um servo, uma empregada, o gado e os animais são todos partes de uma pessoa.

Quando chegarmos a esse estado, veremos que todas as outras partes da natureza (o inanimado, vegetal e animal), que sentimos externamente a nós, serão preenchidas com a mesma Luz e ficará claro que não são externas, mas que todas existem internamente. Nós vamos descobrir que o nosso mundo externo e interno é um mundo geral, completo. Isto significa que a minha parte animal e todo o mundo animal que me rodeia, a minha parte vegetal e todo o mundo vegetal que é externo a mim, a parte da natureza inanimada em mim e todo o universo, são, na verdade, um único todo.

Acontece que a figura humana singular que criamos quando nos conectamos totalmente inclui toda a criação no seu interior, que nós sentimos como um todo. Não há divisão em eu e outros. Os seres humanos, animais, plantas e a natureza inanimada, todos se tornam um único desejo, onde o conceito de um Criador é atingido, que é a força singular da natureza. Isso é tipificado pelo sétimo milênio.

E a atitude do Criador em relação a isso – a realização do pensamento de Sua criação, o plano, Suas ações, Seu principal desejo inicial de criar o ser criado em Sua forma e imagem – já é os próximos três milênios: o oitavo, nono e décimo. Então tudo é encerrado num todo único que não é dividido em milhares de anos, e o ser criado entra em outra dimensão, sobre a qual não sabemos nada. Mas ela existe, uma vez que temos pistas disso nos escritos de grandes Cabalistas, mas nada mais.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/08/14

Um Mundo Com A Dimensão Da Doação

Dr. Michael LaitmanBaal Ha Sulam, Introdução ao Livro do Zohar, item 40: E eu sei que isso é completamente inaceitável aos olhos de alguns filósofos. Eles não podem concordar que o homem, a quem eles pensam como baixo e sem valor, seja o centro da magnífica criação. Mas eles são como um verme que nasce dentro de um rabanete e acha que o mundo do Criador é tão amargo e escuro como o rabanete em que nasceram.

Mas assim que a casca do rabanete [de seu egoísmo] se quebra e ele se espreita para fora [sai do egoísmo, da intenção “para seu próprio benefício”, e entra na doação e amor pelos outros], ele se pergunta [no temor do mundo superior que ele revelou] e diz: “Eu pensei que o mundo inteiro era do tamanho do meu rabanete, mas agora vejo diante de mim um mundo grande, belo e maravilhoso.

Isso é o que nós sentimos quando descobrimos um tesouro escondido que estava sempre em nossa posse sem o nosso conhecimento. Agora nós podemos abrir o portão e ver o que está acontecendo para além dos limites deste mundo, no qual atingimos um beco sem saída. Quando a saída é descoberta, nós vemos diante de nós um “mundo grande, belo e maravilhoso“.

Pergunta: O que o verme viu quando saiu do rabanete?

Resposta: Ele viu o sol, as flores, o céu azul. Imagine que diferença era essa comparada com o rabanete escuro e amargo! Nós somos como este verme quando é revelado que o mundo é infinito, que a morte não existe, que a vida aqui é pior que a morte, e que estamos nele. O mundo é revelado diante de nós com dimensões totalmente diferentes. Nós começamos a ver o mundo numa dimensão de doação e amor, e, assim, seus limites são alterados.

Agora, nós percebemos o nosso mundo de uma forma bastante limitada e as nossas possibilidades dentro dele são limitadas, nossas vidas são tão curtas. De repente, todas essas limitações desaparecem e os limites são expandidos. Antes disso, nós existíamos dentro do nosso ego, e era possível receber apenas o quanto era exitoso para nós. Mas, para a característica de doação que adquirimos no lugar do ego, não há limites e fronteiras. Por isso nós sentimos a vida como eterna e não limitada por nada.

Para isso, só precisamos sair do rabanete e ver o mundo verdadeiro.

Do Programa na Radio Israelense 103FM, 15/02/15

Acabando Com Os Velhos Mitos Sobre A Sabedoria Da Cabalá

Dr. Michael LaitmanPergunta: Os meus conhecidos me dizem que é perigoso estudar a sabedoria da Cabalá, porque você pode ficar louco. É verdade que ela é tão perigosa e com o que a pessoa deve se cuidar no estudo?

Resposta: Na Introdução ao Estudo das Dez Sefirot, o principal livro texto para estudar a sabedoria da Cabalá, está escrito que os Cabalistas espalhavam intencionalmente o rumor de que era perigoso estudar a sabedoria da Cabalá, porque não queriam que as pessoas viessem estudar. Portanto, a sabedoria da Cabalá foi ocultada desde a época da destruição do Beit HaMikdash (Templo), quase até os nossos dias.

Isso tinha que acontecer, porque a humanidade tinha que se desenvolver e o povo de Israel tinha que passar pelo exílio. O exílio também é o desprendimento da sabedoria da Cabalá, do conhecimento do sistema, e um mergulho na escuridão. Portanto, nós estávamos na escuridão por 2000 anos e este mito sobre a sabedoria da Cabalá existe até hoje. Mas ele foi espalhado pelos próprios Cabalistas para manter as pessoas longe da sabedoria da Cabalá até que chegasse a sua hora.

E hoje tudo é exatamente o contrário. Assim como todo o nosso mundo se transformou, da mesma forma a atitude para com a sabedoria da Cabalá mudou. Os Cabalistas escrevem que da nossa época em diante todos devem descobrir a sabedoria da Cabalá e ver o que ela dá ao povo de Israel. Isto é porque nós não podemos resolver os nossos problemas, nem existir mais sem ela.

Portanto, não há nada a temer. É possível abrir o livro e estudar, e há uma abundância de livros apropriados para iniciantes, homens e mulheres.

Pergunta: Portanto, segue-se que nos últimos anos a humanidade chegou a uma fase em que a sabedoria da Cabalá deve ser estudada por todos? Anteriormente não era assim e havia inclusive a proibição de seu estudo. Mas hoje a humanidade se encontra em tal beco sem saída que a única saída dele é aprender sobre a vida existente além desses limites?

Resposta: É especificamente a mesma saída que nos é revelada por meio do estudo da sabedoria da Cabalá que nos leva para fora do beco sem saída em que estamos agora.

Pergunta: O que você quer dizer com “para além das fronteiras da vida”?

Resposta: Esta é a vida para além dos limites da nossa corrupção, a vida num mundo corrigido. O mundo continua a agir de acordo com leis determinadas e nada muda, exceto a nossa atitude. A sabedoria da Cabalá nos explica como controlar as forças e a rede de conexão entre nós, de modo que todo mundo vai estar conectado da forma correta.

Nós chegamos a tal harmonia, tal unidade nas relações entre nós, que descobrimos uma força única entre nós que nos ajuda a superar essa vida que está dentro do corpo e só por sua causa. Nós começamos a sentir a vida num nível superior, e desta forma saímos para além dos limites deste mundo, desta vida.

Pergunta: Não é necessário ser um grande sábio para isso?

Resposta: Isso está acessível a todos. Em nossa casa há uma geladeira, um fogão, um microondas; você sabe como eles funcionam? Mesmo que você não saiba, isso não o impede de usá-los.

Da mesma forma, houve Cabalistas sábios que criaram o método, como o forno de microondas. E há pessoas comuns para as quais é suficiente apenas aprender a usá-lo. Cada um deve aprender de certo modo, semelhante à forma como precisamos saber como funciona um forno de microondas, qual botão apertar e como mudar seus estados.

Do Programa da Rádio Israelense 103FM, 15/02/15

O Pensamento Da Criação Através Das Figuras Na Torá

Dr. Michael LaitmanAdam HaRishon (primeiro homem) é a estrutura da alma única que foi criada e que sofreu grandes mudanças após a quebra. Primeiro, ele existia no estado de Hafetz Hesed, e não recebia nada e não queria nada para si.

Este estado é chamado de Jardim do Éden (céu) ou um anjo.

Um anjo é uma força que não tem qualquer ego. Ele executa todo o trabalho que é necessário para a força geral da natureza. É dito que um anjo é parte do Criador.

Ele é gerido pela força superior que opera e avança toda a criação em direção à meta, para alcançar o atributo de amor e doação.

Pergunta: Existe um Reshimo (reminiscência) do estado de Adam HaRishon em nós?

Resposta: Existem Reshimot, genes espirituais, de todos os estados em nós. É porque nós descemos ao nosso mundo a partir do nível espiritual de plenitude absoluta, e agora temos que subir uma vez mais por nós mesmos usando os Reshimot que foram preservados em nós, mas devemos fazê-lo de forma consciente ao atrair a força superior e corrigir a nós mesmos por ela. Esta força é chamada de Torá, da palavra hebraica “Ohr” (Luz).

Nós gradualmente aceitamos a Luz Superior, pois ela chega de forma gradual, de acordo com a nossa ascensão. O sistema superior de iluminação nos formata e afeta, nos eleva e corrige pela reintegração de todos numa estrutura geral que é a mesma alma geral que foi inicialmente criada.

Isso resume toda a história da nossa descida de cima para baixo e nossa ascensão de baixo para cima. A subida de baixo para cima começou quando a alma geral chamada Adão foi quebrada e descobriu que era totalmente egoísta, e que não estava pronta para o contato com a Luz, com o Criador. Isso é chamado  pecado de Adam HaRishon e a expulsão do Jardim do Éden.

O Criador desapareceu dos sentimentos das pessoas, e elas foram deixadas para vagar pela terra na escuridão corporal. Esta é a razão pela qual todos nós estamos totalmente quebrados, separados e distantes um do outro neste mundo.

Vinte gerações de Cabalistas após Adão tentaram corrigir esta situação, mas as primeiras dez gerações entenderam seus problemas e que não podiam fazer nada até que Noé aparecesse. Noé foi salvo durante o dilúvio, enquanto a maioria das pessoas morreu.

Esta não foi uma morte e perda, mas a purificação, porque não há morte real. As pessoas que morreram simbolizam os desejos egoístas que não podemos usar num determinado momento.

Esta é a razão deles serem considerados mortos. No entanto, mais tarde, eles voltam à vida na forma corrigida e, portanto, aparentemente aparecem nas próximas gerações.

Eles são os mesmos desejos que passaram por fases de purificação através da morte em sua forma egoísta anterior e depois voltaram à vida de uma forma altruísta. Assim, as dez gerações que se seguiram a Noé já são gerações que estão mais perto de Abraão, do reconhecimento do correto avanço espiritual.

O último nível antes de Abraão foi seu pai Terach. Terach é o sentimento do ego que nós queremos usar e gozar, enquanto Abraão é o reconhecimento de que esse ego é mau, o que significa o seu lado oposto.

Abraão e Terach são um único conjunto, mas a parte chamada Terach quer trabalhar com o ego e a parte chamada Abraão já entende que está proibida de trabalhar com o ego e que isso significa a morte.

É por isso que eles se separam. Abraão muda sua atitude perante a vida, em relação ao mundo chamado Terach e torna-se Abraão, ou seja, o pai da nação em hebraico. Isso significa que ele se torna o pai de todos os desejos que, no final, serão corrigidos.

De KabTV “Segredos do Eterno Livro” 18/06/14

A Grande Luz De Purim

Dr. Michael LaitmanO Livro de Ester (Meguilat Ester) 1:1: E sucedeu nos dias de Assuero, o Assuero que reinou desde a India até a Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias. Assim começa Megillat Ester, o Livro de Ester. A palavra hebraica “Megillah é derivada da palavra “Gilui” (divulgação) e “Ester” significa escondido. Ester é o nome da rainha, a esposa de Assuero (Xerses). Megillat Ester simboliza a revelação do oculto, o que implica que, embora algo seja revelado a você, você deve se lembrar que tudo se mantém em ocultação.

O Livro de Ester (Meguilat Ester) 2:5-7 – 2:20: Mardoqueu tinha uma prima chamada Hadassa, que havia sido criada por ele, por não ter pai nem mãe. Essa moça, também conhecida como Ester, era atraente e muito bonita, e Mardoqueu a havia tomado como filha quando o pai e a mãe dela morreram. Quando a ordem e o decreto do rei foram proclamados, muitas moças foram trazi­das à cidadela de Susã e colocadas sob os cuida­dos de Hegai. Ester também foi trazida ao palácio do rei e confiada a Hegai, encarregado do harém.

A moça o agradou e ele a favoreceu. Ele logo lhe providenciou tratamento de beleza e comida especial. Ester não tinha revelado a que povo pertencia nem a origem da sua família, pois Mardoqueu a havia proibido de fazê-lo.

O rei gostou mais de Ester do que de qualquer outra mulher; ela foi favorecida por ele e ganhou sua aprovação mais do que qualquer das outras virgens;

Ester pertencia ao povo judeu que tinha uma conexão com a força superior, e se ela tivesse dito a verdade sobre sua origem, isso poderia ter prejudicado o seu relacionamento com o rei.

Ela alcançou graça e favor aos seus olhos, porque ela revelou certa parte de seu potencial espiritual em seu relacionamento com o rei.

Então, o rei deu um grande banquete, o banquete de Ester, para todos os seus minsitros e oficiais. Proclamou feriado em todas as provín­cias e distribuiu presentes por sua generosidade real. Quando as virgens foram reunidas pela segunda vez, Mardoqueu estava sentado junto à porta do palácio real.

Ester havia mantido segredo sobre seu povo e sobre a origem de sua família, conforme a ordem de Mardoqueu, pois continuava a seguir as instruções dele, como fazia quando ainda estava sob sua tutela.

…Mardoqueu estava sentado junto à porta do palácio real.

Mardoqueu (Mor Dror) é a força superior, uma força muito séria que está totalmente oculta. Ester continuou totalmente sua linha.

Isto significa a porta do rei superior, a força superior da natureza. Sentar representa o estado de humildade, de pequenez. Portanto, Mardoqueu esperou pacientemente pela oportunidade de passar o atributo da força superior a todas as pessoas na Terra. A população da Babilônia naqueles dias era, na verdade, toda a humanidade.

O Livro de Ester (Megillat Esther) 3-1, 3: 5-9: Depois desses acontecimentos, o rei Assuero honrou Hamã, filho de Hamedata, descendente de Agague, promovendo-o e dando-lhe uma posição mais elevada do que a de todos os demais nobres.

Deve haver um grande desejo, a fim de revelar a força superior, a grandeza do Criador. Em primeiro lugar, ele decorre do ego, depois ele é corrigido e a revelação do Criador é recebida no desejo corrigido. Mardoqueu não tem esse desejo. Ele estava num estado de pequenez, sentado à porta do rei, por isso foi necessário incluir o ego nele, a fim de elevá-lo ao próximo nível. O ego que é adicionado ao Mardoqueu é chamado de Hamã.

Quando Hamã viu que Mardoqueu não se curvava nem se prostrava, ficou muito irado. Contudo, sabendo quem era o povo de Mardo­queu, achou que não bastava matá-lo. Em vez disso, Hamã procurou uma forma de exterminar todos os judeus, o povo de Mardoqueu, em todo o império de Xerxes. No primeiro mês do décimo segundo ano do reinado do rei Xerxes, no mês de nisã, lançaram o pur, isto é, a sorte, na presença de Hamã a fim de escolher um dia e um mês para executar o plano. E foi sorteado o décimo segun­do mês, o mês de Adar.

Hamã representa o ego universal. Ele teve que matar o desejo chamado Mardoqueu, que constantemente ameaçava o ego. Ele planejou aniquilar e destruir todos os judeus, visto que o povo judeu é, na verdade, um canal para a Luz e o atributo de doação. Se eles começassem a doar a todas as outras nações certamente seriam capazes de corrigi-las e transformá-las em altruístas, transformá-las numa nação superior assim como eles; uma nação que não serviria mais a Hamã. Hamã sabia que não poderia corrigir-se e por isso não tinha outra escolha e foi obrigado a agir contra Mardoqueu.

Então Hamã disse ao rei Assuero: “Exis­te certa nação dispersa e espalhada entre as nações de todas as províncias do teu império, cujos costumes são diferentes dos de todas as outras nações e que não obedecem às leis do rei; não convém ao rei tolerá-los. Se for do agrado do rei, que se decrete a destruição deles…”.

Cada uma das nações que viviam nas 127 províncias do império babilônico tinha um território próprio, mas os judeus estavam dispersos entre todas as nações e não tinham a sua própria terra. No entanto, eles ainda atribuíam para si uma tribo em particular chamada nação de Israel.

Esta é a razão que Hamã disse: Exis­te certa nação dispersa e espalhada entre as nações de todas as províncias do teu império”, o que significa que eles não estavam conectados entre si. O ego os separava e os fazia sentir repulsa mútua. Eles não podiam ser uma nação, uma vez que todas as outras nações eram definidas por sua origem e tinham um completo egoísmo terreno, que os judeus não tinham. Eles diferem de tal forma que falavam aramaico entre si e não hebraico, sua língua materna.

Na época do Primeiro Templo, os judeus estavam num nível espiritual e falavam hebraico, mas quando eles caíram para um nível egoísta que era muito inferior aos das outras nações, eles realmente perderam sua língua, a língua de doação e amor mútuo, e começaram a falar aramaico, a língua que é o inverso do hebraico. Além disso, cada nação sentiu que pertencia a uma classe social e cada nação respeitava o rei e se curvava a seus ídolos, enquanto os judeus não tinham ídolos, não respeitavam o rei, e não há tinham relações sociais mútuas adequadas entre si. Eles eram os maiores egoístas que não se davam bem uns com os outros.

Pergunta: Se a nação judaica foi separada a tal ponto, que perigo ela impôs a Hamã?

Resposta: Hamã sentiu que o tempo do despertar dos judeus para a unidade estava se aproximando. É dito que Hamã era um grande astrólogo. Ele viu de acordo com os sinais, o que significa de acordo com o seu sentimento interior, o que a nação judaica realmente é. Hamã é o lado oposto de um Cabalista, daquele que doa. Ele percebeu que algo estava prestes a acontecer que acabaria com o exílio da nação de Israel fim e que eles voltariam a sua terra, que para ele significava a morte. Eles tiveram que destruí-lo em seu caminho de volta, uma vez que era impossível reconstruir o Segundo Templo sem matar e destruir Hamã. Portanto, ele não tinha escolha, exceto destruí-los, não por maldade, mas de acordo com as leis claras e precisas da natureza.

O Livro de Ester (Megillat Esther) 3:10-11, 03:13: Em vista disso, o rei tirou seu anel-selo do dedo, deu-o a Hamã, o inimigo dos judeus, filho de Hamedata, descendente de Agague, e lhe disse: “Fi­que com a prata e faça com o povo o que você achar melhor”.

Assuero (Xerxes) pensou em como elevar a nação de Israel. Ele percebeu que eles deviam ter medo e, assim forçou-os a se unir e se conectar, uma vez que o seu poder está somente na unidade e na ascensão ao nível superior. Mas isso só foi possível com a ajuda de Hamã. Os judeus tiveram que ser aterrorizados pelo seu ego e destruí-lo para que pudessem transformá-lo em altruísmo, e só então conseguirem se elevar. Eles não poderiam subir sem Hamã.

O Livro de Ester (Megillat Esther) 3:10; 4:1-2: As cartas foram enviadas por mensageiros a todas as províncias do império com a ordem de exter­minar e aniquilar completamente todos os jude­us, jovens e idosos, mulheres e crianças, num único dia, o décimo terceiro dia do décimo segundo mês, o mês de adar, e de saquear os seus bens. Quando Mardoqueu soube de tudo o que tinha acontecido, rasgou as vestes, vestiu-se de pano de saco, cobriu-se de cinza, e saiu pela cidade, chorando amargamente em alta voz. Foi até a porta do palácio real, mas não entrou, porque ninguém vestido de pano de saco tinha permis­são de entrar.

Mardoqueu teve que dizer a todos o que estava prestes a acontecer e despertar as forças do bem e do mal, a fim de revelar corretamente o caminho que a humanidade devia seguir. Por isso, Ele saiu pela cidade, chorando amargamente em alta voz. Ele não era mais o velho despercebido que se sentou calmamente na porta da cidade. Na verdade, ele começou a ser ativo.

“Chorando amargamente em voz alta”, refere-se à revelação, à chamada, à conexão, que ele recriou entre Malchut e Keter. Até então, Mardoqueu estava num estado de pequenez (Malchut em Bina), mas agora, quando mudou para um estado de grandeza, um estado de revelação, ele conectou os dois pontos opostos da Criação, Malchut e Keter, através de Bina. É dito: Mardoqueu rasgou as vestes. Vestes é o estado atrás do qual a pessao se esconde. Rasgando suas vestes, Mardoqueu põe fim ao seu estado humilde anterior. Ele quer ser revelado.

O atributo de Mardoqueu é o atributo de Bina, doação completa. Não tem nada a ver com o ego e não pode fazer nada por si só. Existe a necessidade dessa conexão agora. As cinzas são o último nível egoísta. Quando coloca as cinzas na cabeça, Mardoqueu eleva este nível acima de si mesmo, o que significa que se coloca abaixo de todas as criações, abaixo de tudo. Estas não são apenas palavras bonitas, mas uma ação espiritual real; uma ação que ele realizou para que pudesse ser capaz de transmitir a grande força de correção a todos através dele. Assim, ele se prepara para o estado de desconexão do ego e para a subida ao atributo de Bina, quando ele poderia transmitir toda a Luz superior chamada Mardoqueu (Mor Dror), uma grande Luz, por meio dele.

De uma Conversa sobre Purim 19/02/15

Purim Simboliza A Existência Sem Deficiência

Dr. Michael LaitmanNa verdade, Purim não é o feriado leve e agradável com a orientação infantil que estamos acostumados.

Os símbolos deste feriado são o baile de máscaras, o ambiente de diversão, desfiles alegres, figurinos, máscaras e saborosos presentes, mas primeiro é necessário chegar a este estado.

Os atributos do feriado de Purim não são por acaso. Quando estudamos o Livro de Ester, vemos que ele está longe de ser simples. De acordo com a explicação da sabedoria da Cabalá, o Livro de Ester e o feriado de Purim resumem todo o processo que devemos atravessar durante os milhares de anos de nosso desenvolvimento na Terra.

O santo Ari escreve que, no futuro, todas as festas serão canceladas, exceto Purim, o Livro de Ester. A razão para isso é que nunca houve um milagre maior do que esse; essa iluminação só existe durante Purim. No futuro, vocês vão realmente ter um carnaval.

De fato, em Purim nós recebemos tudo, e o que se encontra abaixo do nível de Purim é simplesmente irrelevante. Este fala sobre a conclusão da correção e o fim do desenvolvimento, através do qual a humanidade atinge o seu cume. Ele é imensamente alto, além do tempo, espaço, movimento, e acima deste mundo e desta vida. Nós subimos para uma dimensão completamente diferente de uma realidade espiritual totalmente diferente.

É impossível descrever a existência dentro dele usando as palavras deste mundo, porque não há nada assim aqui. Esta é uma existência sem deficiência e sem nascimento e morte, os quais integrados em nossas vidas como uma sombra de um fim iminente. A vida espiritual é infinita, preenchendo os sentidos e a mente. É a realização, a compreensão, a providência, e uma sensação que é desenvolvida e revelada num grau cada vez maior.

Isto é o que Purim simboliza e representa para nós.

Do Programa de Rádio na 103FM, 03/01/15

O Feriado Que Não Notamos

Dr. Michael LaitmanTorá, “Levítico”, 23:03: [Por] seis dias realize os seus trabalhos, mas o sétimo dia é dia de descanso e de reunião sagrada. Não realizem trabalho algum; onde quer que morarem, será Shabat dedicado ao Senhor

No mundo material, o sábado vem no final de cada semana. Por isso, psicologicamente falando, nós temos o hábito de não tomá-lo como um estado espiritual.

Na verdade, é a mais poderosa ferramenta para o desenvolvimento. No sétimo dia, Malchut recebe tudo o que foi feito em seis dias, e, se eu não cumprir com os termos do Shabat, não vou subir ou alcançar novos níveis espirituais que já se caracterizam como feriados.

O sábado é como uma volta no trabalho espiritual, e, depois, há outra volta, e mais outra. Depois de certo número de voltas, eu chego a um estágio festivo no qual é impossível ir sem o Shabat.

Portanto, no mundo espiritual, o sábado é o maior feriado. Depois de investir no trabalho, na força sobre o egoísmo, eu chego a um ponto em que todos os estados são realizados em mim e dão frutos.

Neste estado, eu não tenho que fazer nada, mas permitir que a Luz Superior me reforme.

Digamos que eu produzo repetidamente esforços para trabalhar dentro dos chamados seis dias (seis graus), que são Hesed, Gevura, Tiferet, Netzach, Hod e Yesod. Ao juntar seis esforços consecutivamente definidos e claramente desenhados, a sétima força vem de cima, porque eu não era capaz de fazer isso sozinho. Só ela pode fazer a maior Luz, que vem e me muda.

No mundo espiritual, se eu não cumprir essa condição, não vou ser capaz de formar todos os outros estados.

No mundo material, isso pode ser representado na forma de uma pessoa que sempre aspira a algo, e, em algum momento, chega à realização. Em outras palavras, os chamados seis dias podem levar vários anos.

Em essência, toda a vida da humanidade é de sete dias, desde Adão, que primeiro alcançou o sistema de correção espiritual, até a pessoa mais recente na qual o sistema chegará ao fim depois de sete mil anos, onde cada dia é mil anos.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 28/05/14