Textos na Categoria 'Equivalência com o Criador'

A Torá Como Um Motor Para A Mudança

Dr. Michael LaitmanA Torá é uma força, um meio que corrige e transforma a minha inclinação ao mal numa inclinação ao bem. Através de sua realização, se eu alcanço um bom resultado, eu chego à Simchat Torá. Então, eu estou feliz que tive a Torá com a qual me corrigi, alcancei o sucesso e algo de bom.

Pergunta: Se a Torá é um meio para corrigir o mal, então a pessoa deve primeiro identificar o mal dentro dela. Até então ela não precisa desse meio. Mas se eu já comecei a procurar internamente, que mal eu descobrirei?

Resposta: A resposta básica é que o mal é examinado em relação ao Criador. Tudo o que é contra o Criador é chamado de mal, ao passo que o Criador é chamado de “bom que faz o bem” de acordo com Suas ações.

O meu mal me diferencia do Criador, porque eu sinto tudo de acordo com a equivalência de forma, e vice-versa. Eu não consigo perceber algo com o qual não tenho nada em comum.

Mas a inclinação ao mal é muito importante porque o Criador é aquele que a criou. Ele a criou em oposição a si mesmo, nomeou-a de forma adequada, e me deu algum tipo de mecanismo, uma chave, através da qual posso descobrir esse mal dentro de mim e transformá-la em bem. Então eu me torno bom, exatamente na mesma forma e no mesmo nível que o Criador.

Quando eu entendo e percebo isso, a Torá adquire um significado muito grande aos meus olhos. Isto porque, com a sua ajuda, eu posso passar de um pequeno inseto para algo muito grande e bom, como o Criador, adquirindo o mesmo poder, a mesma capacidade de amor e doação, o mesmo conhecimento, a mesma realização, e a capacidade de me tornar eterno e completo.

A Torá para mim não é mais apenas um pergaminho da Torá em um baú. Não é apenas um livro, mas o poder de correção, o poder de mudanças internas.

Este é um sistema que age e tem uma influência sobre mim. Ele sabe que desejos despertar em mim, e eu sou mudado.

Este é um tempero no caldeirão da inclinação ao mal e também poderia ser algo fora dele. Ele a cozinha, ordena, organiza, planeja e transforma num estado oposto. Na verdade, é um enorme meio.

E agora toda a questão é: como devo usá-lo? No que diz respeito ao que parece, aqui eu vou precisar representar algum tipo de papel, fazer alguma coisa por mim mesmo.

E assim o meu mal é exatamente igual à intensidade do Criador, mas oposto e contra Ele. É tal monstro gigantesco interno que é até assustador descrevê-lo. Portanto, a Torá deve possuir uma intensidade ainda maior para transformá-lo da inclinação ao mal na inclinação ao bm de acordo com o grau de minha participação.

Durante este processo eu me torno bom como o Criador, na mesma medida, em sentimento e intelecto, em intensidade e em todas as minhas facetas e detalhes. Ao transformar a minha inclinação ao mal em bem, eu chego a compatibilidade com Ele. Não é tão ruim, não é?

E se este é o caso, então a pessoa que aprendeu a usar a Torá tem todos os motivos para ser feliz no feriado de Simchat Torá. Isso porque ela entende o que está acontecendo. Durante todo o ano, ela passa por tudo ao moldar e atrair a Luz que Reforma para si mesma. Esta Luz a influencia, age sobre ela e a corrige de tempos em tempos, flash após flash de Luz. Finalmente, ela chega à Simchat Torá, quando é totalmente boa e corrigida.

De KbTV “Uma Nova Vida” 05/10/14

O Início Da Contagem Regressiva

Dr. Michael LaitmanEu sinto imensa alegria no fato de que agora a maioria dos meus alunos no mundo está começando a entender e sentir que o mundo espiritual é descoberto na conexão entre nós.

Apesar de termos estudado o sistema espiritual por muitos anos, o coração não quer ouvir sobre a quebra do Kli da alma coletiva, a sua descida e qudea neste mundo, a divisão em inúmeras pessoas, a expansão do Kli, a igual distância do centro para a periferia por toda a Terra, e o crescimento do ego. Geralmente, isso leva muito tempo e muitos anos se passam antes que o coração entenda e alcance a consciência de que algo não está bem, e responda aos problemas com conexão, com unidade.

A partir do momento que a pessoa começa a ouvir isso, ela entra no caminho em direção ao objetivo da criação e avança numa taxa constantemente crescente, acumulando experiência e reunindo as partes distantes, espalhadas e quebradas de sua alma. Ela já sabe que tudo está concentrado apenas em seu Grupo de Dez, em cem, em mil, e que o mundo superior, o Criador, e a realização e objetivo da criação são encontrados precisamente neste lugar.

Se ela automaticamente se volta ao grupo, não importa o que aconteça, este é um sinal de que ela está firme sobre os seus dois pés e visa corretamente o objetivo. Eu espero que os resultados da nossa Convenção se tornem um sentimento como este para muitos que estão aqui e os que estão junto conosco em todo o mundo.

Este é o ponto de partida mais difícil da contagem regressiva. Ninguém em nenhum lugar foi capaz de alcançar isso. Muitos já tentaram fazer isso através de todos os tipos de condições por milhares de anos, mas apenas indivíduos conseguiram, mesmo que as pessoas estivessem prontas para sacrificar tudo por causa disso. Assim, uma abordagem gradual, o reconhecimento e a descoberta do ponto de partida e o investimento de muito esforço exigiram um trabalho sutil e contínuo.

Parece-me que estamos vendo o seu início. A sensação de que tudo começa e termina com o contato, a conexão dentro do grupo, que tudo é determinado lá, e que além disso não há nada, vai nos mostrar mais tarde como agir no mundo, e como lidar com a natureza através da nossa união. Isto é porque nós estamos elevando MAN, o nosso desejo de conexão, união e correção.

O mundo vai então avançar no sentido da harmonia, unidade, felicidade e cumprimento da lei de equivalência de forma com a mesma velocidade que nós. Nesta transição do “eu”, o anseio pelo Criador que eu imagino, para o “nós”, onde dentro deste “nós” está o todo único dentro do nosso “nós” separado, o poder geral de conexão chamado o Criador é descoberto.

Da Convenção em São Petersburgo 20/09/14, Lição 4

O Que O Criador Sente?

Laitman_043No feriado de Sucot eu seguro na minha mão direita e na minha mão esquerda as “quatro espécies de plantas”, as conecto ao meu coração e balanço, significando que eu aparentemente atraio as Luzes. Todas estas coisas certamente são símbolos de atividades internas para atrair a doação do Criador, que eu evoco dentro de mim.

Então, eu me elevo, me corrijo, removo a ocultação e alcanço a revelação em seu lugar.

Todas as cerimônias do feriado Sucot não são mais do que sinais e símbolos do que está acontecendo no coração, onde a pessoa torna suas características compatíveis com o Criador. Então, ela é chamada de Adam (homem), da palavra “Domeh” (semelhante) ao Criador.

O Criador é totalmente o doador. Ele é a característica de doação e amor. Não há nada mais do que isso. Há apenas doação completa, amor completo, absoluto, puro, perfeito e infinito, e ele é revelado em nós no mesmo grau em que estamos prontos para absorvê-lo, para estar em sintonia com ele.

Em geral, eu só posso compreender e sentir cada característica se ela se encontra dentro de mim.

Quando eu vejo uma barata, não sinto que lhe falta algo, que ela ama seus filhotes e agora está correndo para eles com migalhas de comida. Eu não compartilho qualquer característica com ela para ser capaz de senti-la.

No entanto, se eu começasse a ir mais fundo para penetrar e explorar, em última análise, eu sentiria as necessidades do nível bestial. As pessoas são capazes de ser sensíveis aos animais que estão perto delas, incluindo os donos do animal de estimação ou os cientistas que se dedicam à pesquisa.

Por exemplo, na minha infância, eu tinha um amigo que sempre tinha pequenos animais que viviam nos bolsos: um rato aqui, um pássaro ali. Ele iclusive ia à escola com eles, e, mais tarde, passou a estudar zoologia. Portanto, ele os entendia. Ele podia encontrar um rato branco e acariciá-lo, e o rato não fugia.

Ele dizia, “você sabe, ele não tem medo de se aproximar de você,” como se ele estivesse sussurrando para ele.

No entanto, nós precisamos desenvolver outros sentimentos dentro de nós para sermos capazes de sentir o Criador. Se meu amigo recriava os sentimentos do ratinho dentro de si mesmo, então nós precisamos dar forma dentro de nós ao sentimento do Criador de doação e amor.

De KabTV “Uma Nova Vida” 05/10/14

Sob O Poder Do Temor

Dr. Michael LaitmanRabash, “Artigo 31”: Diz-se: O que o Criador exige de nós? Apenas temor diante Dele.

Isso significa que o Criador (um sistema da natureza superior que possui apenas uma força que se manifesta através do sistema) insere “algo” em nossos pensamentos… isto é, Ele nos faz uma pergunta.

Não há nenhuma outra força no universo, exceto “não há outro além Dele”. Claro, o Criador nunca faria uma criação que fosse contra Ele; no entanto, Ele criou o pensamento (contra Si mesmo) para que apareça o temor Dele…

É como se uma pessoa seguisse o Criador no seu desejo de encontrar e revelá-Lo examinando em que tipos de interações entre nós Ele pode ser encontrado.

Nós não podemos imaginar como isso é fácil. Tudo está bem diante de nós, mas nós olhamos para longe e não vemos o que está ao nosso lado. Não há nada além de uma barreira psicológica. Assim que mudamos e saímos de nós mesmos, nós começamos a sentir o Criador nas conexões entre nós.

Eu me movo em direção aos outros e saio de mim. De repente, revela-se que a força natural que conecta, regula e mantém tudo junto sob a forma de um perfeito equilíbrio existe bem aqui, junto conosco.

Nós somos aqueles que distorcem o equilíbrio e a harmonia de nossas intenções, desejos e relacionamentos egoístas. Nós sentimos que somos nós que estamos estragando o equilíbrio e a harmonia. Então, é claro que o mundo é algo que é criado exclusivamente por nós contra o pano de fundo da perfeição.

A realização se refere a procurar o Criador usando a fé acima da razão. A realização acontece quando encontramos as propriedades que estão além deste nível material, acima de nossas considerações terrenas e contrárias à nossa lógica. Todas as nossas percepções se originam do desejo de receber para o nosso próprio bem. É por isso que não podemos concordar com algo que contradiga este desejo.

Por outro lado, o mundo real está fora de nós; é a nossa percepção externa. Por isso é que a fé acima da razão é uma condição que todos nós temos que finalmente alcançar ao sentir as coisas que acontecem fora de nossas necessidades e aspirações naturais egoístas.

Por causa da questão do pecador, a pessoa tem que concordar repetidamente com o poder do Criador sobre nós. Este processo é chamado de “temor”.

As questões do pecador são o constante elevar das necessidades, demandas e pensamentos sobre as maneiras de agradar a nós mesmos. É um movimento permanente para nós mesmos. É quando nós cuidamos apenas de nós mesmos em todas as possíveis formas e em todos os níveis. As questões dos pecadores nos sãos dadas de propósito para que depois de nos livrarmos delas, começamos novamante a avançar.

E assim por diante, sem fim, nós caímos no egoísmo ao cuidar de nós mesmos em nossos pensamentos e desejos. Então, nós fazemos esforços e subimos novamente. Esse processo continua até que nos cansamos e nos recusamos a cumprir este trabalho. Ele continua até que chegamos a compreender que somente o ambiente pode nos apoiar nesse processo e nos ajudar a aprender a pensar nas outras pessoas.

Se ficássemos no estado de garantia mútua e mantivéssemos o pensamento sobre ajudar uns aos outros, não apenas a nós mesmos, tudo seria muito bom. Por que isso é assim então? Porque nós somos incapazes de pensar nos outros. Nós continuamos a cair em nossos próprios desejos. No entanto, se formos capazes de pensar nos outros e ao mesmo tempo, pedir ao Criador para nos ajudar, Ele irá estender a ajuda para nós já que Ele responde apenas a esses tipos de pensamentos e orações, porque eles são semelhantes às Suas propriedades.

Portanto, assim que começamos a aspirar servir aos outros e a pedir ao Criador para nos conceder assistência, Ele responde imediatamente e nos ajuda, uma vez que nós, o grupo e o Criador estamos na mesma sintonia e num movimento comum. Se fizermos isso por conta própria, sem o Criador, nada vai acontecer. Mesmo se nós estivermos junto com o grupo, não vai acontecer. Deve haver o sistema de um triângulo: eu, o grupo e o Criador.

Essa estrutura deve também ser acompanhada pelo temor. Nós temos que ser cuidadosos e vigilantes para não nos desviarmos do nosso caminho ou perdermos a direção correta. Nosso egoísmo irá nos separar, nos dividir interiormente e sussurrar: “Por favor, esqueça o Criador e o grupo. Nada há de errado em abandoná-los! A principal coisa é também pensar em si mesmo, ou apenas nos outros sem envolver o terceiro elemento.”

Neste ponto, nós precisamos de um apoio tremendo. Quantos mais nós participarmos deste movimento, melhor. A massa geral das pessoas que assegura um avanço absolutamente correto é chamada de 600000 almas.

É um número condicional que sequer é um número, mas um avanço geral que causa o impacto de Zeir Anpin em Malchut. Como Zeir Anpin consiste de seis Sefirot que influenciam Malchut, influenciando um ponto em Malchut com a Luz de Hochma, seu nível multiplica por 600.000.

Assim, ao receber apoio, nós realmente nos tornamos capazes de sentir temor e permanecer constantemente em estado de permanente aspiração para avançar.

Isto explica o significado da frase: “O Criador fez todos O temerem”. Cada estado ruim que a pessoa sente é essencial para mantê-la em seu estado atual.

Em outras palavras, se ela ainda não subiu as escadas da grandeza do Criador, ela não tem chance de superar a si mesma. Somente quando a pessoa sente a grandeza do Criador, seu coração se rende. Isso significa que ela já subiu os degraus do temor.

Como a pessoa pode entender que atingiu o estado de temor, o nível correto de excitação, e sabe como cuidar dos outros? Isso acontece quando ela percebe que ao cuidar os outros ela sente a satisfação do Criador. O Kli (vaso) só se torna corrigido quando recebe satisfação. Até então, nós temos que continuar procurando a realização, tanto em quantidade e qualidade para que nossa preocupação, apreensão e temor sejam formulados corretamente e coincidão com o nível que está acima do nosso ego.

Por isso, nós recebemos a grandeza do grupo, a importância dos nossos amigos, como um meio de conexão entre nós, como uma ferramenta de exercício. Isso é feito exclusivamente para sentir a satisfação do Criador no final do processo; a gratificação dentro de nossas dez Sefirot que só podemos sentir juntos na conexão entre nós. Quando nós nos amarramos num nó, nós começamos a nos sentir como uma unidade dentro do unificado.

Naturalmente, a pessoa desaparece quando chega a um estado de conexão global. Ela perde a “individualidade”. De um “eu” individual, ela muda para “nós”, de “nós” para a unidade onde “eu – nós – o Criador” é um todo. Diz-se: “Ele e Seu nome são Um”. O Criador é a Luz e Seu nome é um Kli (vaso).

Portanto, todas estas perguntas e outros inúmeros obstáculos levam a pessoa a sentir a necessidade do Criador, de Sua ajuda.

Em outras palavras, nós não somos capazes de fazer perguntas e sequer conseguimos corrigir erros, uma vez que quando nos deixamos levar, nós cometemos erros que imediatamente nos fazem cair. A fim de cometer erros corretos, nós temos que aspirar a avançar. É dito: “Eu criei a inclinação ao mal e a Luz para corrigi-la”. Como o mal se manifesta? Onde o podemos detectar e vê-lo?

Acontece que estas palavras não são sobre o mal que existe neste reino material, e não é o mal de nossos relacionamentos mútuos. Nem uma única pessoa no mundo sabe o que o mal feito pelo Criador é na verdade. A maldade que deve ser corrigida se revela em nós apenas quando aspiramos à unidade no caminho certo.

Se nós aspiramos pela unidade e nos esforçamos em nos conectar corretamente no avanço mútuo e se ao compartilhar o temor, nós conseguimos ajudar os outros, não só a nós mesmos, então podemos começar a sentir nossa natureza egoísta, percebemos quão fortemente somos repelidos por ela e quão extensivamente nós odiamos, não só uns aos outros, mas também a nós mesmos. Esta revelação é tão nojenta que a repelimos. Nós paramos de procurar por outras qualidades negativas internas.

Neste momento, ocorre o reconhecimento do mal. O Criador nos avisa antecipadamente que é Ele quem fez a inclinação ao mal e que somos nós que devemos revelá-la ao aspirar por Ele. Então, nós precisamos de um tipo especial de temor. Nós temos que fazer esforços não para nos esquivar deles, e nos controlar, inspecionar e verificar regularmente.

Nós temos que dar uma olhada se nós evitamos inconscientemente a revelação do nosso egoísmo como algo muito desagradável para nós. Pelo contrário, nós temos que apreciar o processo de revelação do mal dentro de nós, uma vez que é uma etapa essencial no nosso avanço. É por isso que temos que estar preparados para lidar com sensações muito desagradáveis e apreciá-las, porque elas estão acompanhando o nosso avanço rumo ao Criador.

Ao mesmo tempo, nós nunca devemos esquecer sobre a grandeza do Criador. Não podemos imaginar o que é a força superior, o que, de fato, existe no universo e não apenas na imagem limitada que sentimos agora. É impossível compreender em que medida a imagem que habita em nossos pensamentos e sensações é artificial.

Os cientistas já descobriram que estamos num estado dormente, que vivemos de ilusões e dentro de uma matriz que cria uma imagem distorcida, um sonho. Nosso egoísmo nos tranca dentro de nós mesmos, razão pela qual consideramos tudo o que acontece como se acontecesse dentro de nós. Somente quando nós saímos e paramos de nos sentar na concha de nós mesmos é que começamos a sentir o mundo real.

Antes que isso aconteça, é muito difícil visualizar o que é a realidade superior. Não é como o nosso universo, nada como o sistema solar e a Terra ou a sua superfície. Nós apenas visualizamos estas coisas como se estivéssemos dormindo, em nossos sonhos.

Da Convenção em São Petersburgo “Dia Um” 19/09/14, Lição 1

Não Devemos Deixar O Amor Esfriar

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, Carta no 2: Eu aconselho você a temer que seu amor possa esfriar, mesmo que nossas mentes rejeitem essa possibilidade.

Quando nós estamos apaixonados, parece vai durar para sempre. No entanto, nós sabemos que neste mundo tudo é temporário. Este estado de coisas também se aplica à espiritualidade, uma vez que lá nós também continuamos subindo nas próximas etapas. Assim, é natural que os estados atuais desaparecerão lá também. É por isso que não há nada que seja permanente e por isso qualquer condição será sempre substituída por outra, seja uma ruim com uma boa, ou uma boa com uma ruim.

Ainda assim, faça todos os esforços possíveis para multiplicar o amor. Se há uma maneira de aumentar o amor, mas a pessoa não aproveita, isso é considerado uma “omissão”. É “como se” a pessoa desse um grande presente para um amigo: o amor que se revela no coração de seu amigo no momento de dar é diferente do amor que permanece no coração de seu amigo após o ato de dar acabar.

Em outras palavras, o amor desaparece gradualmente. Ele “esfria” a cada dia na medida em que vai completamente embora e chega a uma fase de esquecimento. É por isso que o beneficiário da doação deve procurar os caminhos para considerar o ato de dar como recorrente e novo a cada dia.

Isto é, nós temos que renovar constantemente a sensação de amor e nunca permitir que os nossos sentimentos esfriem. Tudo acontece dentro de nós. Para manter essa sensação, nós não temos necessariamente que receber novos presentes a cada vez. Esta regra também se aplica a unidade entre nós que deve ser instigada numa base contínua.

Nós chegamos a um estado em que cada um de nós se preocupa com os outros como se eles fossem nossos filhos pequenos, os nossos entes mais próximos e queridos. Assim, nós nos esforçamos em dar a eles tudo o que eles querem. Se conseguirmos fazer isso, vamos fornecer aos outros tudo o que eles realmente precisam, e o Criador se manifestará entre nós como resultado da nossa equivalência com suas propriedades.

Nossa atitude para com o outro e Sua propriedade de amor e doação absoluta vão de alguma forma coincidir. Pelo menos eles vão chegar ao primeiro nível de equivalência entre os 125 degraus. É a questão mais importante para nós. Nós estamos num estado de prontidão permanente e tudo está em nossas mãos.

Nós devemos constantemente pedir ao Criador para dar aos amigos tudo que eles querem, ou seja, correção e revelação. Revelação é a propriedade de doação e amor entre nós. Isso é exatamente o que queremos dizer com o termo temor: um estado de se preocupar com os nossos amigos que é semelhante ao cuidar de nossos filhos de dois lados, pelo julgamento e pelo amor.

Do lado do julgamento, nós devemos realmente nos preocupar que vamos perder a chance como fizeram os alunos do ARI quando ele os convidou a ir à Jerusalém para levar o mundo a um estado de correção. Naquela época, tudo apoiava a força superior para ser revelada a eles, na medida em que a força superior estava pronta para agir neste mundo e corrigi-lo. No entanto, os alunos do Ari encontraram desculpas para não obedecer o convite do seu professor. Alguns deles não apareceram porque suas esposas não quiseram deixá-los ir e outros estavam ocupados.

Isso explica por que temos que manter o estado de temor e nos preocupar que não teremos sucesso. Em cada momento e minuto, nós temos que esclarecer como devemos tratar os outros e apoiar o Kli (vaso) general de uma forma que ele finalmente chegue a certa condição que permitirá que o Criador se revele a nós.

É como se nós estivéssemos enfrentando atualmente o Juiz, e como se recebêssemos a última oportunidade, ou fosse concedida a palavra final. Imagine-se neste estado! Visualize que estamos diante do julgamento e que temos que preenchê-lo com amor mútuo. Nós só vamos ser capazes de fazer isso se pedirmos ao Criador para preencher as lacunas entre nós.

Não somos nós que nos aproximamos em nossos corações, mas sim é o Criador que preenche o vazio egoísta entre nós com amor. Quando a distância entre nós é multiplicada pelo amor, uma conexão de grande intensidade emerge. É por isso que a nossa proximidade só acontece devido ao Criador preenchendo os espaços vazios entre nós. Ele nos conecta, coordena e une. É por isso que o nosso trabalho é chamado de obra do Criador (Avodat a-Shem).

Nós só O atraímos para fazer o trabalho de corrigir e reforçar a nossa conexão.

Da Convenção em São Petersburgo 19/09/14

A Sucá No Quintal E Também No Coração

Dr. Michael LaitmanPergunta: Será que eu entendi corretamente a sua explicação, de que além da Sucá que construímos no quintal, cabe a nós construí-la também dentro do coração?

Resposta: Certamente. E o principal é construir uma Sucá no coração. Afinal, a construção de uma Sucá no quintal é apenas um costume.

Construir uma Sucá no coração significa organizar os desejos, intenções, pensamentos, anseios, preocupações, ansiedades, gratidão, orações, e tudo o que eu tenho dentro, separando-os dos desejos corporais bestiais, que são as preocupações com a existência física.

Cabe a mim diferenciar completamente a minha parte física da espiritual. A parte física está preocupada com comida, sono e reprodução, e todas as preocupações humanas comuns. Enquanto isso, a parte espiritual é a minha razão de viver, a meta da minha existência e o sentido da vida. Para alcançar o sentido da vida, eu devo examinar que desejos dentro de mim são relevantes para essa meta.

A parte dos desejos que se dedica a atingir a meta da vida é chamada de alma. Uma pessoa inteira é desejos. Há desejos corporais, físicos, que são relevantes para este mundo, como em qualquer animal; e há desejos que vão além da existência física: “Qual é a razão da minha vida?” “Quem está me governando?” “O que vai acontecer comigo?” “Quando essa vida vai acabar?” “Eu tenho que viver apenas como uma besta ou existe algo além disso?”.

A sabedoria da Cabalá explica que a pessoa deve subir para outro nível além da existência física. Ao longo da vida, a pessoa deve subir para o próximo nível e começar a viver no nível do Criador. O próximo nível é alcançado graças à aquisição das características de doação e amor, a partir das quais é possível ver uma realidade que está além deste mundo, ver um mundo de forças, uma realidade infinita, em que não há tempo, movimento, espaço, vida ou morte.

Nós chegamos a um desenvolvimento ilimitado que é chamado de mundo vindouro. E tudo isso acontece durante a nossa vida neste mundo, aqui e agora. Como está escrito: “Você vai ver o seu mundo durante sua vida”. Nós vivemos num período em que cada pessoa pode alcançá-lo, na medida em que assim o desejar.

Desenvolver dentro de mim características de doação e amor, ou seja, desenvolver a alma, chama-se a construção de uma Sucá dentro de mim. Por isso, cabe a mim examinar os desejos que existem dentro de mim que estão ligados entre si e estão em diferentes níveis de doação e recepção.

Todos esses desejos são apenas em relação a um relacionamento com os outros e são dirigidos fora de mim. Nenhum desejo é dirigido para mim. Quando eu comparo todos esses desejos, vendo quais deles estão mais perto da caridade, quais estão mais perto de se superar, quais estão mais ou menos limitados, eu construo uma espécie de envelope em torno da minha alma, que é como uma Sucá.

Pergunta: Será que eu examino todo o sistema de meus relacionamentos com outras pessoas e, a partir dessas relações construo as paredes e a palha para a Sucá no meu coração?

Resposta: Em certo sentido isso é correto, mas não é tão simples assim. É necessário muito tempo para descobrir os meus desejos e ver o que eles realmente são. Depois disso, quando eu leio livros de Cabalá, vejo que sou construído precisamente de acordo com o que está escrito neles, e assim, gradualmente uma Sucá é construída em meu coração como a vestimenta exterior deste sistema de relações.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/10/14

A Ocultação Que Precede A Revelação

Dr. Michael LaitmanApenas uma coisa nos falta, necessária em cada estado: revelar que “Não há outro além do Criador”. Em primeiro lugar, esta afirmação é completamente abstrata, porque eu só leio sobre ela num livro.

Mas, mais tarde, ela se torna cada vez mais próxima de mim e eu vejo que “Não há outro além Dele” em tudo o que acontece ao meu redor, em todas as pessoas que conheço e em todos os eventos. O Criador está oculto por trás de tudo isso, Ele e mais ninguém.

“Não há outro além Dele” em meus pensamentos significa que é Ele quem colocou esses pensamentos em mim, e eu só estou sentindo eles. E quando se trata de como eu percebo e reajo a esses pensamentos, também aqui “Não há outro além Dele”.

Será que eu tomo a decisão sobre como reagir? Existe alguma coisa em minha reação que seja do meu próprio eu, ou há apenas “Não há outro além Dele”? Ao me aprofundar cada vez mais nestas questões, eu chego à adesão com Ele.

Se existe realmente “Não há outro além Dele” em qualquer estado, qualquer lugar, qualquer pensamento, ou em qualquer uma das minhas supostas decisões ou ações, isso significa que tudo é determinado pelo Criador. Em essência, eu estou simplesmente descobrindo que Ele decide tudo, e eu só tenho um ponto a partir do qual posso provar que em todos os lugares, em tudo, o Criador é o único agindo. É assim que eu revelo que estou completamente aderido a Ele.

Esforçar-se para se agarrar constantemente a “Não há outro além Dele” e descobrir o Criador em cada um de nossos pensamentos e desejos, no coração e na mente, nos leva à adesão com o Criador. Nada mais é exigido de nós, isso é o mais importante. Nós simplesmente precisamos treinar para essa atitude em toda a nossa vida diária.

Como a pessoa deve trabalhar com ocultação, com o fato de que existe eu, a força superior e a ocultação entre nós? Como eu devo me relacionar com essa ocultação?

Em essência, a ocultação deriva de meus próprios desejos que são destinados a revelar o Criador. Se eles não foram feitos para revelar o Criador, então eu não teria sentido a ocultação dentro deles. De forma geral, eu nem os sentiria como estando relacionados ao Criador.

Há vários desejos, que, no momento, estão adormecidos dentro de mim, sem se manifestar de forma alguma. Mas naqueles desejos em que eu conscientemente sinto a ocultação do Criador, eu tenho a possibilidade de revela-Lo em primeiro lugar, com a condição de trabalhar com eles corretamente. Esta ocultação é o estado que precede a revelação.

Segue-se que a ocultação principal ocorre no próprio princípio “Não há outro além Dele”, forçando-me a atribuir ações para mim ou para os outros. Assim, eu divido a realidade em meu próprio eu e o mundo ao meu redor.

No entanto, se eu atribuísse todas as ações que estão em minha mente, razão, bem como os reinos inanimado, vegetal, animal e humano em volta, ao Criador, então eu sentiria a Shechiná (Divindade) corrigida. Apenas o ponto a partir do qual eu vejo que tudo é feito pelo Criador é chamado de ponto de restrição, o ponto do meu “eu”.

Sem este ponto não há nenhuma criatura, mas tudo o resto, exceto ele, pertence ao Criador. E se dentro de mim eu vejo “Não há outro além Dele”, e tudo ao meu redor “Não há outro além Dele”, então eu revelo que realmente “Não há outro além Dele”. Não é difícil. Nós simplesmente precisamos nos fortalecer mutuamente nesta intenção. Se você concordar, então vamos assinar o contrato de garantia mútua. Não há necessidade de qualquer outra coisa.

Este princípio de “Não há outro além Dele” é a única coisa que você precisa implementar. Nós realizamos muitas ações neste mundo, mas tudo isso é simplesmente para nos ajudar a manter esta intenção “Não há outro além Dele” em qualquer atividade. Não precisamos fazer nada além disso.

Do Workshop de 10/06/14

A Boa Luminescência Do Feriado

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como nós podemos começar a sentir no feriado de Sucot todos os conceitos que você está nos dizendo: ​​as luzes circundantes, a força superior da natureza?

Resposta: Ao estar conosco e participar das lições, atividades e refeições no feriado, a pessoa pode sentir um pouco esse gosto. No entanto, a fim de experimentar o verdadeiro sentimento deste feriado, é necessária uma enorme preparação. Como está escrito: “Prove e veja como o Senhor é bom”.

A pessoa só pode provar, ver e sentir a Luz superior, ou o Criador, a força global de toda a Criação, após o trabalho de preparação em que ela cria um órgão altruísta especial de percepção dentro de si mesma.

Para perceber qualquer fenômeno natural, é necessário um instrumento adequado especializado, um detector. O Criador é a força de amor e doação. Se dentro de mim também houvesse mesmo um pouco de doação e amor ao próximo, eu seria capaz de sentir e revelar o Criador.

No entanto, se não há amor dentro de mim, isso significa que o Criador está oculto. Não é Ele ocultando-se de mim, mas eu me oculto Dele, como está escrito: “Toda a Terra está cheia da Sua glória”. Esta força preenche toda a realidade, exceto eu. Eu não tenho o poder de amor e doação, e, portanto, sou incapaz de sentir que tal força existe ao meu redor.

Eu sou como um receptor de rádio que não tem a faixa de comprimento de onda necessária e, portanto, não posso captar Sua onda e não sei se Ele existe ou não. Para mim, é como se Ele não existisse.

É para isso que se dedica todo o trabalho de mudar a si mesmo e corrigir sua atitude para com os outros, e com ele eu me sintonizo como um receptor de rádio ao comprimento de onda do Criador, a onda de amor e doação.

É por isso que a sabedoria da Cabalá tem este nome. É a ciência da recepção (Kabbalah), recepção do sinal do Criador. A pessoa não pode alcançar isso instantaneamente. Ela precisa estudar, a fim de primeiro sentir que propriedades ela tem agora e o que ela precisa mudar em si mesma, a fim de alcançar o estado de revelação.

O processo correto é, como está escrito: “Do amor das criaturas ao amor do Criador”. Nós existimos num mundo cheio de rochas, plantas, animais e pessoas, para que possamos exercitar a nossa atitude correta para com eles, de modo a desenvolver dentro da pessoa a sensibilidade a esse comprimento de onda no qual a conexão com o Criador é realizada.

Pergunta: Por que durante o feriado, um sentimento especial aparece e é vivenciado por muitas pessoas?

Resposta: Durante o feriado, há uma pequena Luz geral, espalhando-se entre todos. Isso acontece porque muitas pessoas estão esperando o feriado. Seu desejo age no mundo e gera essa iluminação. No entanto, ainda está muito longe da ação da Luz superior que a Cabalá está falando.

De KabTv: “Uma Nova Vida ” # 440, 02/10/14

O Criador Está Brincando De Esconde-Esconde Conosco

Dr. Michael LaitmanPergunta: Os feriados da nação israelense são um continuum de fases que uma pessoa passa quando decide seguir o caminho de amar os outros. Cada feriado é uma parada ao longo deste caminho no processo do completo cumprimento desta meta. Qual é o lugar de Sucot nesta cadeia de eventos?

Resposta: Assim como qualquer outro fenômeno, é difícil explicar o que os feriados significam do ponto de vista Cabalístico, pois trata-se de algo que a pessoa ainda não sente e ao qual ainda tem que desenvolver sua sensibilidade.

No início da criação nós estávamos em contato direto, constante e revelado com a força superior que nos criou, mas nesse estado nós não entendíamos o Criador e ainda não tínhamos conhecimento Dele, como se fôssemos um embrião no útero de sua mãe, aderido a ela e existindo graças a ela.

A fim de amadurecer os seres criados dentre nós que entendam o Criador e O conheçam, para estudar Seus atributos, ser como Ele e se relacionar com Ele como Ele se relaciona conosco, houve o Tzimtzum (restrição) e a ocultação. Os seres criados de repente foram separados do Criador.

Acontece que há o ser criado (o homem, a humanidade) e, em contraste, há o Criador, a força que controla tudo e opera a criação. Não há nada além da força do Criador e o homem que foi criado por Ele, a quem Ele quer elevar ao Seu nível.

A fim de permitir que uma pessoa cresça, o Criador coloca um Masach (tela) de ocultação entre Ele e o ser criado, uma partição espessa. Eu não vejo o Criador por trás dessa partição, mas tenho que tentar encontrá-Lo, como se brincasse de esconde-esconde, tentando vê-lo em tudo o que acontece comigo e dentro de mim.

Em geral, não há nenhum outro trabalho no mundo que não seja a representação constante do Criador diante de mim. Eu tenho que tentar descobrir o Criador em todos os meus pensamentos, desejos e sentimentos, e em tudo o que acontece ao meu redor. Eu tenho que receber tudo como Masachim (telas) que ocultam o Criador por trás delas.

Eu tenho que sentir que é apenas o Criador que preenche todo o mundo e opera tudo, inclusive eu, é claro. Todo o meu trabalho reside em remover as ocultações e retornar ao estado de um contato revelado com o Criador, quando eu entendo, conheço e sinto Ele na profundidade da ocultação anterior, ao transformar o Aviut (espessura) da partição numa área para a Sua revelação!

Esta área, que anteriormente criou a ocultação, agora torna-se a área da revelação que é chamada de mundos superiores e pela qual eu começo a entender e sentir o Criador. Eu me esforço durante a ocultação, a fim de revela-Lo, e graças a isso eu cresço e aprendo a compreender e ser como Ele.

O Criador quis me ensinar e revelar Seus atributos e isso tem sido bem sucedido. Agora nós nos conhecemos e entendemos um ao outro. Eu sinto tudo o que Ele queria me ensinar pela ocultação. Depois de corrigir a ocultação em revelação, há amor mútuo e abertura entre nós e nós alcançamos a adesão completa. Nós temos que passar por este processo, pois este é todo o plano da criação.

Há níveis na ocultação, começando com os mais fáceis até níveis cada vez mais difíceis. Por fim, eu me encontro por trás de cinco níveis de ocultação chamados de mundos. A fim de chegar mais perto do Criador e conhecê-Lo, eu tenho que revela-Lo em cada nível.

Os cinco níveis de ocultação são divididos em cinco partes e cada uma é dividida em cinco outras partes perfazendo um total de 125 níveis que me separam do Criador. Em cada nível, eu tenho que inverter a ocultação em revelação, a falta de entendimento em compreensão e a falta de sentimento em sentimento. Assim, eu adquiro os atributos do Criador e mudo de um nível para outro.

Isso não é nada como uma investigação científica neste mundo, quando um físico continua a ser o que era depois de revelar algo novo. Os níveis de revelação espiritual mudam o próprio pesquisador.

Afinal, os atributos do Criador são opostos aos meus atributos. Eu recebo totalmente e Ele doa totalmente. Portanto, eu tenho que mudar o Masach que O oculta de recepção em doação, a fim de revela-Lo. Como meus atributos são opostos aos do Criador, o Masach O oculta, e invertendo-o para a doação, eu avanço e me aproximo do Criador.

De KabTV “Uma Nova Vida” 05/10/14

Benevolência Sob Raios-X

Dr. Michael LaitmanPergunta: O Dia da Expiação (Yom Kippur) é o dia mais importante do ano para o povo de Israel. Qual é o significado espiritual deste dia especial? Como devemos nos relacionar com ele, a fim de corresponder às suas raízes espirituais e transferir a nossa vida para um novo grau?

Resposta: O Dia da Expiação (Yom Kippur) não é simplesmente uma tradição. Ele reflete um estado de espírito especial no desenvolvimento de uma pessoa. Não devemos olhar para este dia separadamente, mas como parte do ciclo de todo o ano.

Após a conclusão de um ano, sendo este o ciclo de mudanças internas, nós avaliamos tudo que passamos, o que é chamado de “arrependimento”. Assim, nós decidimos que isso é necessário para se subir a um novo grau, para se começar o ano novo (Rosh Hashaná), para fazer a transição para um novo estado, superior, mais puro e exaltado. Então, nós coroamos o Criador, a força de doação e amor, estabelecendo-O a reinar sobre nós como a propriedade mais sublime.

É quando nós começamos a nos julgar: será que nós estamos realmente na propriedade de doação? Todas as nossas propriedades são divididas em dez partes, dez Sefirot. E nós estamos esclarecendo que desejos nessas dez partes podem ser corrigidos, e quais não podem.

Em essência, a alma de uma pessoa precisa ser corrigida. E a alma é todos os nossos desejos, que ainda estão corrompidos e precisam de correção.

Pergunta: O que exatamente precisa ser corrigido: suas ações ou a alma?

Resposta: Em nosso mundo, as ações são realizadas com mãos e pés, ou através de palavras. Mas a sabedoria da Cabalá explica que o mais importante é a intenção corrigida, que é o verdadeiro desejo de uma pessoa.

Ações sozinhas não são suficientes, porque eu posso realizá-las simplesmente por hábito. Então, é realmente mais difícil para eu não fazê-las do que fazê-las. E estas podem ser as ações que eu de outra forma nunca teria feito na minha vida se não tivesse me acostumado a elas desde a infância.

Neste caso, já não é o cumprimento de um mandamento, mas tradições incutidas na infância que são executadas automaticamente. Para alguém poderia ser difícil realizá-las, mas para outra pessoa, é difícil não fazê-las.

É por isso que não estamos falando de uma ação, mas de uma intenção. Uma ação, afinal de contas, não muda: como a temos feito, assim vamos continuar. Mas, na intenção, na atitude de uma pessoa em relação à ação executada, sempre há mudanças.

A chave é a atitude de uma pessoa para com aqueles que a rodeiam. Afinal, “ama ao próximo como a si mesmo” é a grande lei da Torá. Este é o ponto de vista do qual eu preciso verificar a mim mesmo, a fim de ver o quanto sou capaz de amar o meu próximo.

A força superior é uma força de doação e amor, e nosso objetivo é nos tornarmos como ela. É por isso que precisamos alcançar o grau de homem, Adão, que significa semelhante (Domeh) ao Criador. Mas como podemos verificar isso? Onde está o médico que me irradiará com Raios X e me dirá exatamente o quanto sou semelhante ao Criador?

Esse médico não existe. Portanto, a pessoa precisa verificar a si mesma por conta própria. Este tipo de máquina de Raios-X requer uma luz especial, que nos abalisa. Esta Luz é chamada de Luz que Reforma.

Se eu estou estudando a verdadeira Torá, ou seja, a sabedoria da Cabalá, graças a ela eu começo a ver a verdade. Eu vejo o quanto sou egoísta, o que é exatamente é ruim em mim, e o que precisa ser corrigido, como se eu brilhasse Raios-X em mim mesmo.

Isso só é visível para mim, e os outros podem não notá-lo. Depois de eu ter me visto na imagem de Raios-X, torna-se claro para mim o que precisa ser corrigido. A Torá organiza esta imagem em que eu só vejo intenções, e apenas ao nível da profundidade que sou capaz de corrigir. Tudo o resto eu não vejo, e pode permanecer até o próximo ano.

Logo após o início do novo ano, eu me encontro nestas sessões de Raios-X, que são chamadas de dez dias de arrependimento. Eu irradio o meu coração, esclarecendo minhas intenções no que diz respeito aos que me cercam em cada ação, e recebo de volta as imagens.

A Cabalá explica que Malchut ascende à Bina e compara-se a ela. Malchut é o nosso desejo egoísta, que se eleva à Bina, o desejo de doação, esclarecendo o quanto difere dela, o quanto estamos longe de cuidar de nossos próximos, das boas relações, e como estamos apenas pensando em nosso próprio benefício.

Pergunta: O que é mostrado nestas imagens de Raios-X?

Resposta: Esta imagem é em preto e branco. Ela mostra o quanto de branco há em você, isto é, as intenções para o benefício de seu próximo. E o preto aponta para as intenções para o seu próprio benefício, que você pode corrigir.

Assim, o escopo do nosso trabalho nos é revelado. Este é um trabalho pessoal que está guardado cada um de nós, mas visa ao que é comum, à doação a todos, e através deles, ao Criador, visto que do amor pelos seres criados chega-se ao amor pelo Criador. O Criador é uma força, integrando todos juntos, e não algo que existe fora. Está escrito: “O Criador habita entre o seu povo”.

Assim, se eu me esforço em unir com todos e quero me transformar num todo com eles, eu revelo o sistema integral global que generaliza a nossa unidade, o qual é chamado de Criador. É assim que ele se revela em nossa percepção.

Portanto, durante o Yom Kippur, nós precisamos nos esforçar em amar o nosso próximo tanto quanto possível e o máximo possível, e mesmo para além do povo de Israel, estendendo-o a toda a humanidade. Esta é a razão pela qual durante o Yom Kippur é costume ler a história sobre o profeta Jonas, a quem o Criador instruíu a conduzir a cidade de Nínive, que simboliza o mundo, à correção.

De KabTV “A Nova Vida”, 30/09/14