Textos na Categoria 'Alma Coletiva'

O Adaptador Entre Eu E O Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Além da oração, o que ajuda a pessoa a “cortar o seu ego em pedaços” repetidas vezes?

Resposta: A questão em si é incorreta. Não há outro meio que não a oração. A oração é a conclusão de todas as etapas corretas de investigação, quando se tornou claro que eu não tenho nada mais em que confiar já que sou essa criatura, sou o resultado das forças superiores. A única coisa que me resta é voltar à origem de onde tudo se desenvolve em mim. Esta é uma origem que me domina cem por cento.

As regras do sistema não estão sujeitas às alterações. Então, se eu sou o seu produto, o que posso fazer? Meu cérebro só me ajuda a entender que estou habilitado. A partir daqui, ele pode me dar um conselho prático: “Vire-se para o Criador”.

É isso aí. Que outras possibilidades pode haver? Distúrbios e atritos entre nós não vão ajudar, pelo contrário, vão destruir todo o sistema, e até mesmo isso é apenas aos nossos olhos. Porque, na verdade, nós não subtraímos ou adicionamos nada, nós simplesmente não realizamos uma única ação em todo este mundo físico que nos foi dado.

Portanto, vamos parar de nos comportar como teimosos e pensar sobre o que podemos realmente fazer. Tudo o resto, de uma forma ou de outra, não vai produzir nada. Somente a oração permanece.

Mas como deve ser a forma da oração? Como é que se eleva este pedido sobre a correção de Malchut que quer adquirir a característica de Bina? Em relação a isso, nós precisamos trabalhar. Se já existe uma força que age dentro do sistema operacional, ele deve ser ativado. Para mim, uma possibilidade como esta existe: despertar, pedir essa força, na medida do desejo do nível de Adam dentro de mim.

Por outro lado, se eu não despertá-la, eu não estou conectado com ela e permaneço no nível animal. Neste caso, ela atua sobre mim diretamente, de cima para baixo, sem a minha participação.

Eu recebi o ponto no coração, de modo que possa chegar à pergunta certa e aumentar o meu pedido. Mas primeiro eu preciso verificar e preparar tudo o que é necessário, para esclarecer o que depende de mim e o que não, onde eu me encontro, e como organizar o meu pedido para que ele atinja a meta e seja influente.

Você percebe que o que o carrega é um sistema de leis que não estão sujeitas a alterações, desprovido de inteligência e emoção. Mesmo que você entrasse de cabeça antes que ele, isso não ajudaria. Isso significa que eu preciso construir minha estrutura de forma correta, e isso é chamado de “existência” de baixo para cima, dentro das dez Sefirot da Luz de Retorno. E mesmo se eu ainda estivesse clamando de acordo com o meu entendimento sobre todos os mecanismos do que está acontecendo, apesar de tudo isso, dentro do meu clamor tudo deve estar disposto corretamente.

Para isso, a Luz superior me dá um ambiente preparado na medida certa para desenvolver o meu clamor. Se eu me relaciono com o grupo como um Kli que está pronto para transmitir o seu clamor incerto, construído a partir do desejo, mas ainda sem forma, como uma criança, então este clamor vai adquirir a forma correta. Isso fará com que seja possível alcançar a fonte, a força que age dentro da criação.

Em resposta, esta força desce sobre mim novamente através do ambiente. Caso contrário, eu não estaria pronto para receber a Luz e ela simplesmente me queimaria. Basicamente, a Luz superior influencia a minha conexão com os amigos na medida em que sou leal a eles. Ela influencia o lugar onde nos conectamos, coordenados com ela, já que somente lá eu estou adaptado a ela.

Portanto, é necessário que haja um pedido de minha parte que passe pelo ambiente, tornando possível para eles ouvi-lo. E por parte do Criador a Luz também chega através do ambiente, adapta-se a mim, para que eu possa ser capaz de aceitar, sentir e entendê-la.

Segue-se que o ambiente é um adaptador mútuo nos dois sentidos, entre eu e o Criador. Tudo se passa dentro deste sistema chamado de “grupo”, “povo”, ou mais corretamente, alma.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 22/04/13, Escritos do Baal HaSulam “A Garantia Mútua

Uma Pedra Contra A Outra

Dr. Michael LaitmanRabash, Carta 40: E você deve perguntar: “O que a pessoa pode fazer se sente que tem um coração de pedra em relação ao seu amigo…”.

O conselho é muito simples: a natureza do fogo é que quando se esfrega uma pedra contra a outra, acende-se um fogo… E só quando ambos têm a intenção de dar um presente, e não por caridade, por meio do esgotamento dos corações, mesmo dos mais fortes, cada um vai extrair calor dos muros do seu coração, e o calor vai incendiar as centelhas de amor até uma vestimenta de amor se forme. Então, os dois vão ser cobertos por uma manta, ou seja, um único amor os cercará e envolverá, pois é sabido que a Dvekut (adesão) une dois em um.

Quando a pessoa começa a trabalhar num grupo, ela não sente repulsa pelos outros. Mas assim que ela sente a necessidade de se conectar com os amigos, já que este é o meio para atingir a meta, o vaso para a revelação do Criador, e através desta conexão ela alcança a doação e adesão, só depois é que estes outros são chamados de “amigos” e não antes. É neste momento que os problemas começam. Essas pessoas não parecem mais estranhas: todas assumem uma determinada cor, uma forma, e tornam-se versáteis e cheias de emoções diferentes.

Os amigos evocam nela emoções muito complexas e não é fácil se conectar com eles. Ela não quer se conectar com eles. Ela não quer abraçá-los e sentar-se à mesma mesa com eles para uma refeição ou para dançar juntos. Diferentes pensamentos ruins a vencem no que diz respeito às suas relações com os outros e ela começa a sentir que é muito difícil se conectar com eles.

Quanto mais ela compreende a necessidade de se conectar, mais distante e irreal isso lhe parece. Novas interrupções são cada vez mais evocadas. É sobre este tipo de trabalho que a Torá nos fala, primeiro na história de Abraão e Isaac, e depois sobre Jacó, os filhos de Jacó e José. Por fim, este trabalho torna-se o exílio no Egito, quando a pessoa sente essa distância terrível dos outros, que é impossível ignorá-la, e é impossível se conectar.

Quanto mais a pessoa tenta superar o seu ego e se conectar com os outros, menos ela consegue. Ela experimenta “sete anos de saciedade” e “sete anos de fome”, no que diz respeito à conexão, uma vez que toda a guerra contra a inclinação ao mal refere-se apenas à conexão. Depois, há as pragas do Egito, as pragas do Faraó, que forçam a pessoa a finalmente entender que somente a Luz superior pode ajudá-la.

Ela decide que não pode viver mais sem o amor absoluto, que vai quebrar o seu coração e os cacos do seu coração irão penetrar o coração dos seus amigos. Esta é a única coisa que ela quer e nada mais que isso. Assim, ela começa a trabalhar no amor que não se transforma imediatamente no amor verdadeiro, mas começa a partir de algumas conexões preliminares, mas esta é, pelo menos, certa conexão.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 16/05/13

Na Sombra Da Garantia Mútua

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “O Arvut (Garantia Mútua)”: Mas o fim da correção do mundo será apenas ao levar todas as pessoas no mundo sob a Sua obra.

Todo o nosso trabalho é esclarecer a natureza do Criador e entender qual é o atributo de doação. Nós podemos fazê-lo apenas a partir do estado oposto, do estado de recepção. Assim, de acordo com a Luz de doação nós sentimos como somos opostos a ela.

Aqui a pessoa sente raiva e tem sentimentos ruins. Será que ela consegue lidar com eles e superá-los? Ou melhor, será que ela fecha os olhos e permanece em sua natureza comum, já que não tem que tomar parte na eterna luta entre essas duas forças que “apaga” o seu desejo, camada após camada, até que nada dele seja deixado? Este é realmente o problema: como nós podemos lidar com esses esclarecimentos? Como podemos verificar, estudar e sentir a natureza do Criador fora da natureza da criatura?

A pessoa só recebe uma iluminação de Cima se ela prepara os seus suportes e o ambiente certo. Isso inclui o estudo, a disseminação, a vida normal, o trabalho,  a Maaser (dízimo), e todas as condições que os Cabalistas exigem. O principal, é claro, é o ambiente, o grupo, os amigos, entre os quais a pessoa esclarece sua conexão com o Criador. É assim que os laços entre a natureza do Criador e a natureza de uma pessoa são tecidos.

Em geral, nós sentimos ódio, repulsa, e entendemos que este é o caminho normal, pois a verdade é revelada: a criatura descobre como é oposta à natureza do Criador. Às vezes, a natureza do Criador é revelada de uma forma que, em resposta, a pessoa simplesmente sente o quão ruim ela é em relação a alguém ou alguma coisa, ou a si mesma.

Mas se a Luz se revela em todas as quatro fases, a pessoa começa a entender quem ela é, quem é o Criador, e quem é o amigo com quem ela se encontra em diferentes estados opostos. Assim, a pessoa já vê uma imagem completa.

É assim que a Luz “joga” conosco: às vezes ela abre um pouco mais, e às vezes um pouco menos, não é mera coincidência, mas sim de acordo com um programa preciso, de acordo com a devoção de uma pessoa. Na medida em que a pessoa está pronta para estar sob essa “sombra”, sob o “guarda-chuva” do professor, do grupo, do estudo, etc., ela pode avançar ao longo do caminho espiritual. Assim, de uma forma ou de outra, nós sempre avançamos qualitativamente, mais fundo na psicologia da alma.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/05/13, Escritos do Baal HaSulam “A Garantia Mútua”

A Resolução Adotada Por Unanimidade

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como uma decisão é tomada num “grupo de dez” (o exercício do grupo de dez pessoas): é de acordo com uma votação por maioria simples, ou todos devem concordar?

Resposta: Se houver algum tipo de “maioria”, isso não é mais chamado de “grupo de dez”. Um grupo de dez é “um homem com um coração”. Portanto, que tipo de “maioria” pode existir lá? Um Minian é formado por dez pessoas, se todas estiverem unidas num só coração, numa oração. Assim, como poderia um grupo de dez adotar algum tipo de resolução, se uma parte não concorda sinceramente?

Você não pode mostrar que é um herói e concordar com a decisão dos amigos, apesar de sua insatisfação. Não há coerção na espiritualidade! Num grupo de dez, a resolução só pode ser adotada se houver um acordo universal, caso contrário, o conceito “grupo de dez” não existe. Todos devem ser como um.

Em contraste, a direção espiritual adota uma resolução com uma maioria “convincente”, 8 de 10, por exemplo. Isso é porque ela é composta de pessoas com opiniões diferentes sobre vários problemas relevantes para o nosso mundo e elas estão tentando encontrar uma solução. Elas não tomam decisões sobre o trabalho espiritual.

Há pessoas que decidem o que vamos comer na refeição, qual será o cronograma para o dia, que artigo vamos aprender na lição, e eu sequer lhes pergunto que tipo de decisão adotaram. Mas o conceito “grupo de dez” se aplica somente à conexão espiritual como uma única pessoa.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/05/13, Escritos do Rabash

Conhecer O Criador É Chamado de Pensamento

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é um pensamento?

Resposta: Um pensamento é o ponto de conexão entre a criatura e o Criador. É uma deficiência especial com a qual a criatura pode subir. Por um lado, é uma deficiência corporal, já que a pessoa fica impotente, sem saber o que fazer com a sua vida e como lidar com ela. Tudo começa com problemas materiais comuns. Mas se a pessoa consegue transcender esses problemas sem abandoná-los, mas os percebe como um meio, então eles fornecem a infraestrutura a partir da qual ela pode subir ao Criador e Lhe agradecer por tê-la despertado.

Se a pessoa quer saber qual é a intenção correta e a atitude correta em relação a tudo o que acontece, isso significa que ela exige um pensamento. Ela eleva seu ponto de deficiência corpóreo até Bina sem perguntar sobre si mesma, mas sim perguntando para onde isso deve levá-la na conexão com a Divindade: como é que ela pode conhecer o Criador com essas deficiências. Conhecer o Criador já é chamado de pensamento.

Assim, este ponto preto se torna Nukva para Hochma, o que significa que está incorporado em Bina, que exige a compreensão. Esta deficiência obriga Abba ve Ima (pai e mãe) a copular e gerar o futuro ser humano, o próximo nível.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/05/13, O Livro do Zohar – Introdução

Bem-Vindo Ao Cruzeiro Eterno

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam diz no artigo “O Arvut (A Garantia Mútua)”que se a sociedade se preocupar com cada um de seus membros, ela pode neutralizar o desejo egoísta de uma pessoa.

Suponha que eu vá num prazeroso cruzeiro com “tudo incluído”, despreocupado, já que o serviço realmente inclui tudo o que eu possa pensar. Eu descanso na minha cabine me preparando para passar duas semanas de puro prazer. No entanto, quando partimos, dizem-me que vai ser um cruzeiro eterno. Portanto, eu vivo, e tudo é preparado para mim: café da manhã, almoço e jantar são servidos no horário certo, a minha cabine está sempre arrumada, há uma biblioteca, uma sala de cinema, internet, piscina, e assim por diante. Tudo está a meu dispor.

Além disso, todo mundo me trata muito bem e é muito atencioso, e não há nada com que se preocupar. As pessoas ao meu redor estão prontas para me ajudar a qualquer momento e de qualquer maneira. Estes são os princípios sociais neste barco, e se aplicam a todos, sem exceção.

Portanto, como a minha natureza vai reagir a isso? É possível que o ego entre em erupção sob tais condições? As pessoas ao meu redor me ensinam a me anular por sua atitude em relação a mim, e eu não procuro formas para preencher e satisfazer-me mais.

Por exemplo, eu não perambulo em bares e restaurantes em busca de iguarias que ainda não provei, mas me sinto satisfeito com uma simples alimentação saudável. Luxos não me excitam como antes. Lá, um buffet de sobremesas está aberto diariamente, e rapidamente freia minhas demandas. Depois de alguns dias, eu já restrinjo meu “consumo diário”, e depois de uma semana, estou satisfeito com uma xícara de café e um biscoito. A atmosfera está cheia de Luzes Circundantes que estão constantemente prontas para conter e acalmar o meu ego.

A questão principal aqui é o exemplo que eu tomo dos outros e a atitude que eles me ensinam. Eu estou na companhia de pessoas que estão satisfeitas com pouco. Isto é o que é aceito entre elas, e pronto. Elas realmente não precisam de mais do que isso. Elas preferem desfrutar as boas relações, que eu agora tomo em porções, em vez de alimentos. Se eu me sinto triste e retiro uma porção do “nosso amor”, estou imediatamente cheio de amor.

Isso porque eu estou numa rede de relações sociais, humanas, cuja mensagem clara é que nunca me faltará nada. Na verdade, o sentimento em si é o suficiente, e nada mais. Inicialmente, pela nossa natureza, nós dependemos do ambiente, e não há compromissos aqui. Assim, se o grupo irradia a atitude certa em relação a mim, imbuído de tranquilidade, paz e boa vontade, então, menos de um dia depois, eu também sinto que tudo é exatamente como deveria ser. No entanto, se eu me encontrasse em alguma gangue, eu também iria absorver seus princípios.

Existe uma inclinação natural dentro de uma pessoa de se adaptar ao ambiente. Eu simplesmente não tenho meios e não há como combater essa inclinação. Assim, dentro de um par de horas, eu fico incorporado na atmosfera geral da garantia mútua e paro de me preocupar comigo. As pessoas ao meu redor são a minha rede de conexões e estão mais próximas de mim. Eu não posso resistir a sua opinião, já que também faço parte da rede geral.

Portanto, quando é a minha vez de revelar o Criador, a raiz da minha alma, eu sou levado a um novo tipo de conexão, a um grupo. A mesma lei opera aqui: o grupo me diz que não há nada com que se preocupar e que eu vou parar de me preocupar com isso. Mas, além disso, ele tem que transmitir a mensagem de que eu tenho que me conectar com os amigos e aderir ao Criador. É porque a autoanulação não basta, eu também preciso da direção certa, e eu também receberei esta mensagem.

Meu livre arbítrio não é tirado de mim no grupo, já que eu simplesmente vou me anular. Na espiritualidade, as opiniões de outras pessoas não são transmitidas automaticamente. Este é outro barco que eu tenho que escolher sozinho. O Criador me leva até a escada, mas cada passo exige grande esforço e fortalecimento ao longo do caminho. No entanto, será que eu fico mais forte? Eu realizo o meu livre arbítrio? Sem o livre-arbítrio, eu nunca vou desenvolver o ser humano dentro de mim.

O “ser humano” (Adam) é só aquele que pressiona a si mesmo para entrar no grupo e ser incorporado aos amigos. Então, eu recebo tudo o resto deles automaticamente, já que não tenho mais qualquer controle sobre isso.

Em suma, nós podemos escolher apenas uma coisa: o ambiente. A primeira e principal condição é a garantia mútua. Se nós estamos conectados em garantia mútua e proporcionamos a todos tudo o que eles precisam para a autoanulação, então não precisamos de mais nada para começar.

A segunda condição é ter certeza de que todos tenham estímulos e incentivos para que certamente se prendam aos amigos. Isso garante a boa sorte de uma pessoa.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 30/04/13, “A Garantia Mútua”

Perseguindo A Eternidade

Dr. Michael LaitmanPergunta: Olhando de fora, parece que nós estamos envolvidos numa louca perseguição em busca de unificação, amor e doação. O que nós vamos realmente esperar em troca? Como podemos imaginar as recompensas?

Resposta: Eu vou receber uma alma por estes esforços.

Ou eu vivo e  morro como um animal, apenas não acabo como uma presa para as feras, mas apodreço debaixo da terra, ou adquiro uma alma e vivo uma vida eterna. Não é depois que o corpo animal se foi, mas agora, enquanto vivemos neste mundo.

As plantas, por exemplo, não sentem o que os animais sentem. Os animais vivem uma vida muito mais rica do que as plantas. É exatamente por esta razão que um “animal de duas pernas” não entende que, no final, ele vive uma vida física, embora pudesse adquirir a eternidade.

É impossível explicar que a vida eterna é ilimitada: eu não sou limitado pelo meu corpo físico, nem por meus desejos, nem pelo tempo e nem pelo movimento – por nada. Eu transcendo todas as limitações e saio dos meus limites.

Como? É muito simples. Tudo é preparado para mim. O todo foi quebrado em pedaços. Cada uma destas partes acha seus limites e limitações. No entanto, se ela quer sair de si, pode fazê-lo. Esta saída dos próprios limites é a conexão com os outros.

Eu trabalho contra o meu desejo animal, e acima dele adquiro o ser humano, um desejo maior, ou seja, eu adquiro um novo vaso. Eu vivo nele e sinto a vida ilimitada nele. Não existe nenhum limite que seja determinado pelo tempo e espaço, e não há nenhum “eu” atual. É porque o mundo espiritual não é o meu “eu”. Lá, a competição é na maior conexão, na maior doação que leva a infinitas dimensões ilimitadas.

Todos devem chegar a isso. É impossível se contentar com menos. O objetivo da criação, o seu plano, a crise atual, e toda a nossa vida nos obrigam a fazê-lo. O único problema é como organizar isso. Todas as forças necessárias para isso estão prontas, portanto, use-as. No entanto, nós não queremos atraí-las para cumprir esse objetivo.

Ainda assim, o que a mente não faz, o tempo faz. Portanto, não é uma situação desesperadora, e um ser humano pode emergir de cada “animal”.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 050/5/13, “A Garantia Mútua”

Homeopatia: O Estudo Da Alma

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu sei que você lidou com homeopatia. Eu conheço alguns de seus pacientes que foram realmente curados. Por que você escolheu a homeopatia entre todos os outros métodos?

Resposta: A homeopatia não obstrui o meu caminho de fazer o que realmente importa. Além disso, é um método com o qual você pode ajudar as pessoas, mesmo depois de uma única sessão.

Pergunta: É interessante que quando nós falamos sobre o efeito placebo, a maioria das pessoas atribui a homeopatia a esta categoria. Elas dizem que se trata de pílulas que realmente não contêm quaisquer substâncias ativas.

Resposta: Na verdade, não existem substâncias químicas nelas, uma vez que está acima da constante de Avogadro. Na medicina homeopática existe o poder da matéria da qual ela é composta. Isso significa que é um poder real que está por trás da matéria e que, no entanto, não podemos definir.

Aqui existem muitos campos que não podemos definir. Quando uma pessoa olha para as minhas costas, por exemplo, eu sinto seu olhar. Mas qual é o poder que está focado em mim? De onde é que ele deriva, dos seus olhos? Há muitos desses fenômenos no mundo.

Se usarmos a homeopatia corretamente, ela é muito influente. De fato, em nossos dias, quando o corpo está poluído por produtos químicos, é uma situação muito diferente do que era no início da homeopatia. No passado, as pessoas costumavam receber 3 a 5 potências e bastava para se ter um efeito sobre uma pessoa. Hoje, todavia, potências que são mil vezes maiores não têm qualquer efeito sobre a pessoa.

A homeopatia é uma ciência muito complexa. Eu acho que é mais complexa do que todas as outras ciências médicas, uma vez que também é individual. É claro que não é alopática (um fenômeno que é atribuído ao efeito avassalador de um organismo sobre o outro pela extração de substâncias químicas). Isso depende do habitat da pessoa, do ambiente em que ela vive, da sua raça e da sua nacionalidade. Na verdade, tudo isso deve ser estudado no que diz respeito à sua alma.

Pergunta: Para escolher um medicamento homeopático específico para uma pessoa, o profissional deve confiar não apenas num determinado sintoma, como dor de ouvido, por exemplo, mas na psicologia geral do paciente?

Resposta: Sim, o seu componente espiritual interior é levado em conta, pois mostra o que a pessoa contraiu e como pode ser neutralizado. A Homeopatia primitiva do tipo alopática cura o paciente com base em sintomas externos, mas a verdadeira cura é realizada apenas com base no mundo interior da pessoa.

De KabTV “A Medicina do Futuro” 07/04/13

Da Audição Externa Para A Interna

Dr. Michael LaitmanNa medida em que a pessoa sente a importância da meta, ela está pronta para renunciar a tudo o que a impede de alcançá-la. Mas leva tempo até que ela começa a ouvir o que está sendo dito, porque o coração é quem ouve e não os ouvidos. Ela pode revisar muitas vezes o que está escrito nos artigos, mas ela não ouve. Então, ela começa a ouvir, mas não entende. Depois disso, ela começa a entender algo, mas não o absorve. Daí, ela começa a absorvê-lo, mas, por enquanto, isso não toca seus desejos.

Quando isso finalmente penetra em seus desejos, ela começa a comparar o que tinha com o que entra em seus desejos agora. Ela começa a calcular e decidir o que fazer, para esclarecer qual desejo é preferível: qual é mais útil, eterno, igual, e assim por diante. Então, ela decide se é capaz de abandonar o seu eu atual, seu ego, se consegue esvaziar um lugar por outro dentro de si – ela é obrigada a fazê-lo. Será que ela quer isso ou não?

Depois disso, ela já começa a agir na sua escolha, querendo que o ambiente externo a influencie o máximo possível, de modo que ela possa fazer um cálculo dentro do seu coração com relação ao bem do outro e não ao seu próprio bem. Tudo isso tem que ser com sua concordância, por sua livre escolha, acima do seu desejo egoísta anterior. Desta forma, ela avança em direção à meta.

Portanto, nós vemos muitas pessoas que aprendem que estão, supostamente, junto com todos, mas ainda ouvem apenas com a “audição externa”. Pode levar anos antes que isso entre nelas. Algumas começam a ouvir somente após 10 a 15 anos, e outras muito mais rápido. Há todos os tipos de reações da alma, pois, basicamente, isso tem a ver com a sua correção.

Portanto, até que a pessoa perceba a necessidade de transformar a sua essência interior privada em coletiva, muito tempo vai passar. Esta constitui a parte mais difícil do nosso trabalho, o passo mais difícil. Após isso, a pessoa só aumenta o desejo de doar, mas primeiro ela precisa estabilizar e consolidá-lo, colocá-lo no topo da montanha, acima do seu ego, e isso requer um grande trabalho. A pessoa só pode pedir aqui para ter paciência e um pouco de submissão, que é o que nos ajuda.

Assim, nós não temos nenhum fundamento para estar com raiva das pessoas que ouvem sobre o método de educação integral e ainda não sabem como implantá-lo, explicá-lo para as pessoas. Ainda não é a hora delas absorverem o método internamente. Há uma diferença entre a capacidade de ouvir e capacidade de realizá-lo.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 21/04/13

A Mãe É Sempre Boa

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que dizem que a imagem deste mundo é fictícia e não real?

Resposta: A imagem do mundo que aparece diante de nós é fictícia e não real porque o Criador é sempre bom e benevolente para nós. No final, a criatura vai revelar o amor do Criador em tudo. Por enquanto, não tendo escolha, Ele deve nos apressar a desenvolver-nos e até mesmo ameaçar, pressionar e confundir-nos.

Nós fazemos a mesma coisa com as crianças, pois, caso contrário, elas não vão se desenvolver. É por isso que o Criador nos trata da mesma maneira. O problema é que nós não vemos quem está cuidando de nós e não sabemos o plano da criação.

Um bebê também não entende o que está acontecendo. Ele não percebe que seus pais estão lhe dando exercícios; para ele, é simplesmente um jogo. É só quando a mãe ou o pai começam a pressioná-lo que ele presta atenção a eles e começa a gritar que a mãe é má!

Eu nunca ouvi uma criança gritando que a mãe é boa. Ele toma isso como certo, pois é óbvio que ela deve servi-lo. Quando, de repente, ela faz algo contra a sua vontade, ele se ressente.

Assim, nós devemos entender que a única maneira de avançar é por meio de exercícios que não são muito agradáveis e que só vão ficar mais complicados. Tudo depende da nossa preparação e da nossa capacidade de reconhecê-los. Na verdade, nós recebemos exercícios a cada instante, e podemos estar constantemente em processo de esclarecimento. No entanto, a pessoa não faz o esforço correto, e assim, os estímulos do Criador se acumulam e são sentidos, por fim, como um duro golpe.

É como se você tivesse queixas sobre alguém, mas restringe-se e sofre. Você acumula raiva e frustração dentro de você, em vez de esclarecer de forma fácil e imediata as coisas no momento em que elas surgem. No final, você perde a paciência e explode, e isso acontece de repente e de forma inesperada e aqueles ao seu redor não entendem o que está acontecendo.

Portanto, é melhor não chegar a tal explosão, mas estar ciente do que está acontecendo o tempo todo. Isso só é possível através da garantia mútua, quando todo mundo pensa nisso e lida com isso, quando todo mundo quer apoiar um ao outro. Na verdade, nós estamos construindo o vaso geral da alma. Uma pessoa não tem nada que seja privado na espiritualidade.

A solução está apenas na conexão, e isso tem a ver com o que eu penso sobre os amigos e sobre a conexão entre nós. Esta é a única coisa que temos que corrigir, uma vez que esta é a forma como a nossa alma é construída.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/04/13, Escritos do Baal HaSulam