No Equilíbrio Entre As Duas Linhas
Está escrito (Deuteronômio 4:2): “Não acrescentareis nada à palavra que vos ordeno, nem dela tirareis nada, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos ordeno” (Rabash, “ Oque significa não acrescentar e não tirar na obra?”).
“Não acrescentareis, nem tirareis” significa avançar no equilíbrio entre as duas linhas. Não se trata de um princípio quantitativo ou de uma questão de intensidade do trabalho, ou seja, não significa não ter pressa nem ser preguiçoso. Significa, antes, que se deve sempre se manter em estado de equilíbrio.
O que significa estar em estado de equilíbrio? Significa facilitar a formação da linha do meio, prepará-la para que o Criador possa corrigi-lo. Como? Em primeiro lugar, tente permanecer na linha direita o tempo todo e não permita que a linha esquerda se fortaleça e domine você.
A linha direita se chama “a importância da espiritualidade”. Espiritualidade, o objetivo, a qualidade de doação, o Criador, que possui a qualidade de doação, e isso não significa simplesmente alguém grandioso, mas a força de doação, tudo isso deve ser importante para mim. Somente depois que tudo isso se tornar verdadeiramente importante para mim é que poderei entrar na linha esquerda.
A linha direita, a importância da espiritualidade, é adquirida somente através da fé acima da razão, não dentro da razão. Dentro da razão, a importância da espiritualidade só pode ser alcançada após cruzar o Machsom. Isso é chamado de fé completa e perfeita: a luz de Hassadim com a iluminação da luz de Hochma.
Abaixo do Machsom, temos, como que no mesmo estado, um ramo dessa mesma raiz da fé. Nós estamos como que num estado de fé corrigida e como que sentimos a presença do Criador com os nossos sentidos. Este “como que” é alcançado através do esforço, e especialmente através do nosso investimento no grupo.
Quando concluímos este trabalho e adquirimos fé de acordo com o nosso grau através do trabalho na linha direita, passamos para a linha esquerda e vemos que, dentro da razão, nada temos: as nossas qualidades estão desalinhadas, os nossos pensamentos são estranhos e a linha direita está diminuída. Então no voltamos à oração e pedimos ao Criador que nos ajude.
Se eu tiver preparado a linha direita, enfatizado a importância da espiritualidade, a importância do objetivo e a fé de que tudo foi preparado para mim do alto, e perceber na linha esquerda que eu mesmo me encontro em um estado completamente oposto, não em perfeição, mas, ao contrário, em deficiências e desejos mesquinhos, então, como resultado dessas duas linhas, surge a força da oração. Então uma resposta à oração vem do alto, da linha do meio.
Neste trabalho, devemos nos manter constantemente em equilíbrio entre as linhas direita e esquerda para que “a sua sabedoria não exceda as suas obras”. Ou seja, uma pessoa não deve se encontrar num estado em que diga: “Sou incapaz de fazer qualquer coisa”, ou “Não tenho forças”, ou “Tudo está nas mãos do Criador”, ou “Deixem-me em paz e não me digam que tudo depende de mim. Nada depende de mim”, e assim por diante.
Isso significa que a linha esquerda não deve se tornar maior que a direita quando eu não tiver forças e pensar que tudo isso é impossível, ou até mesmo que nada disso existe. Nem a linha direita deve dominar quando eu pensar: “Tudo está nas mãos do Céu, e tudo é decidido lá. Eu não sou ninguém aqui. Eu não existo; sou um vazio. Nada depende de mim; estou sempre inteiramente sob a Sua autoridade”. Isso é chamado de Klipa da linha direita.
Não! Ambas as linhas devem estar equilibradas. Isto é o que nos foi dado, e devemos fazer todo o possível para não cair em nenhum dos dois tipos de Klipa, a da direita ou a da esquerda. Em vez disso, devemos equilibrar as duas linhas para que contribuam para a formação da linha do meio.
Da Lição Diária de Cabalá 13/08/26, Rabash, “O que significa Não Adicionar e Não Tirar na Obra?”