A Semente Que Se Entrega À Boa Terra

530Pergunta: Que ações podem ajudar alguém a se libertar de pensamentos sobre si mesmo?

Resposta: A única ação que pode realmente me separar dos meus próprios pensamentos é a incorporação ao grupo. Devo fazer tudo ao meu alcance até revelar a força interior do ambiente ao qual me conectei; até lá, nada mais me ajudará.

A princípio, percebo o ambiente como se eu fosse uma semente que caiu em areia seca. Mas depois começo a ver que este é um solo que contém certos minerais e umidade que podem nutrir meu crescimento. Essa “umidade” é a qualidade que pode suavizar meu egoísmo, de modo que eu comece a desejar o atributo da doação. E os “minerais” são a luz de Chochma, que pode fornecer nutrição para o meu desenvolvimento. Dessa forma, começo a receber as luzes de Chassadim e Chochma do ambiente e cresço a ponto de me anular diante dele.

Então, já entendo que me anular perante o ambiente é uma decisão benéfica e correta do ponto de vista egoísta. Por ora, essa decisão parte do meu egoísmo. Ainda não tenho a intenção de doar-me desinteressadamente. Quero me anular perante eles para ser nutrido pelo ambiente e crescer. Se o crescimento só for possível através da doação, eu estou pronto para pensar em doar-me. Mas, por enquanto, ainda é um cálculo para meu próprio benefício.

Desejo adquirir a qualidade da doação e tornar-me um doador. Este é um tipo especial de egoísmo; um que conduz ao mundo espiritual. Teremos de trocar de vestes muitas vezes ao longo do caminho até alcançarmos a verdadeira doação sem qualquer cálculo para nós mesmos. Enquanto isso, não sabemos o que é isso. Somente a luz que transforma pode nos dar essa forma. E ao longo do caminho, mudaremos muitas outras formas, cada uma mais astuta e egoísta que a anterior e todas opostas à forma final.

A princípio, parece que estamos progredindo bem, que já nos aproximamos da doação e estamos quase entrando no mundo espiritual. Então, de repente, revela-se que tudo isso era apenas recepção oculta. É assim que continuamos a nos desenvolver. O principal é receber constantemente o apoio do ambiente, nos anular diante dele e não temer nenhum estado, pois estamos no caminho.

O que se faz necessário é uma oração coletiva, ou seja, que meus pensamentos e desejos se tornem os mesmos que os pensamentos e desejos íntimos do grupo, que eu me aprofunde cada vez mais no grupo e queira fluir junto com todos em uma única corrente, a tal ponto que, aonde quer que eles vão, eu vá, sem qualquer crítica da minha parte. Isso se chama oração coletiva. O que todos querem, eu também quero.

Para mim, a sociedade não é algo externo, mas sim o desejo intrínseco do grupo, embora mais tarde eu venha a descobrir que a mesma força atua também em todas as pessoas externas.

Em resumo, se desejo progredir corretamente, devo fazer todo o possível para me integrar ao grupo e não me ater às aparências externas, mas sim aos pensamentos e desejos internos, e esforçar-me para me unir a eles. Isso é o que significa a oração coletiva. Seja qual for o desejo desta sociedade, seja qual for a sua busca, eu me uno a ela e almejo o mesmo.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá de 27/03/11, “Preparando-se para a Convenção de Nova Jersey”